"Reúne sete ou oito sábios e tornar-se-ão outros tantos tolos, pois incapazes de chegar a acordo entre eles, discutem as coisas em vez de as fazerem" - António da Venafro
21.3.08
Coisas de romanos
Caríssimo amigo, como saberás, eu não faço política partidária, apenas vou comentando o que se me é dado a ver. E a ideia de uma super-coligação das oposições parece-me uma coisa do outro mundo. Quanto à expiação dos pecados, como homem de fé não deixarei de o fazer...
Votos de uma boa Páscoa!
20.3.08
Cada cabeça, sua sentença: leis, para quê?
Contra natura
Aliás, veio já a terreiro uma linha avançada que acusa o PCP de conivência com o PSD apenas porque os comunistas madeirenses mantêm a sua coerência e recusam fazer coligações com o PS. Nas hostes desta Guarda Pretoriana da patetice, encontra-se Roberto Almada, que apoia os gritos histéricos de Louçã, Drago e companhia em Lisboa contra o "direitismo" do PS e no Funchal quer andar de braço dado com Gouveia e outros que tais.
Ou seja, apesar do desastre que foi aquele outro aborto que alguns tiveram o desplante de apelidar de coligação, alguns políticos madeirenses continuam a achar que vale tudo para derrotar Jardim. Mande-se às malvas a ideologia, esqueça-se as lutas do passado, branquei-se a história: o que conta é tentar derrotar o PSD. Do BE esta atitude já não admira: todos sabemos que os bloquistas pelam-se por uns lugarzinhos ou por umas sobras do PS (o Zé de Lisboa é o melhor exemplo). O que me espanta é que os o PS insista numa estratégia que já demonstrou não levar a lugar nenhum e que apenas prejudica o próprio PS, afastando o eleitorado do centro democrático, única possibilidade que os socialistas têm para crescer eleitoralmente.
Sinceramente não percebo esta estratégia, que mesmisa todos os partidos e os descredibiliza (se nada têm que os distinga, porquê partidos diferentes?), favorecendo apenas o PSD.
Dizem que o PCP é conivente com os sociais-democratas. Pois eu estou cada vez mais convencido que o PS e o BE, quer por estarem minados por toupeiras, quer por manifesta incompetência política é que estão, continuamente, a fazer o jeitinho a Jardim.
11.3.08
Politítica orientada para resultados ou resultados apesar da política?
A estratégia seguida desde o início por este governo da República - que consistiu (e consiste) em achincalhar publicamente os sectores onde depois pretende intervir com reformas de fundo (e outras nem tanto), com o (abjecto e inconsistente) objectivo de obter o apoio do resto da população -, aliado às orientações mais ou menos subreptícias que promovem a delação e o medo da participação, mais o desrespeito pelos direitos (e falo daqueles legítimos) que as pessoas se julgavam possuidoras e a falta de palavra dos actuais governantes, fizeram com que em Portugal se instituísse um clima de permanente desconfiança, que inviabiliza qualquer tentativa de trabalho em rede. Os cidadãos hoje não confiam nas instituições nem na sua administração; o poder judicial olha com desconfiança para o poder político; está instalado o preconceito de que a corrupção é generalizada no poder autárquico; não há possibilidade de fazer reformas na Saúde e na Educação; qualquer anúncio de investimento provoca suspeitas; existe uma generalizada desmotivação em todos os sectores da administração pública; enfim, os exemplos são à catadupa.
Ora, apesar de eu ser absolutamente insuspeito de nutrir qualquer tipo de simpatia por este miserável Governo, a verdade é que me preocupa o estado a que chegamos, que não augura nada de bom para o futuro a curto/médio prazo.
Quem trabalha em sectores transversais sabe que quando se parte para qualquer negociação, os agentes estão já renitentes e não se mostram disponíveis para confiar (fundamental ao trabalho em rede), com terríveis prejuízos para a população que se pretende servir. É, hoje, absolutamente impossível motivar quem quer que seja para objectivos que deveriam ser comuns. Vemos todos os dias: ninguém está hoje disposto a arriscar. Mesmo aqueles outrora mais voluntariosos tendem a assumir uma posição mais comedida e segura. A infeliz estratégia definida por Sócrates fez com todos os sectores produtivos (e não apenas os financeiros e económicos) estejam numa posição de esperar para ver. Fala-se em empreendedorismo mas talvez nunca antes como agora falte tanta vontade de ser empreendedor.
O clima de desconfiança é generalizado e, tal como a SEDES (e outros, como o general Garcia Leandro) preconizou, temo que não seja apenas o trabalho em parceria que esteja em risco: a possibilidade da situação degenerar em revolta social com desenvolvimentos imprevisíveis é real.
É por isso com um misto de receio e cinismo que vejo os governantes anunciarem fantásticos resultados em todos os sectores. Porque o que me é dado ver deste meu horizonte é que os sucessos que se têm atingido - se alguns podemos enumerar -, não se devem a este governo: foram atingidos, apesar do governo que temos.
PS - Miguel, o teu desafio não está esquecido, mas terá que esperar até à próxima semana! Por agora e ainda que por pouco tempo, preciso de ir respirar outros ares mais democráticos e menos esquizofrénicos que aqueles que respiramos actualmente em Portugal.
10.3.08
Bem dito
José Pacheco Pereira, Público, 08-03-2008.
Odeio o Festival da Canção
O tempo que no domingo passado dispensei a ver este pobre espectáculo já o dava antecipadamente por perdido. Mas queria ver se havia alguma novidade. E não houve.
O que houve foi mais uma vez um reles cortejo de vozes vulgares, letras gastas, cantores sem estética e uma produção paupérrima. Felizmente, o que parece já ter acabado e que eu desconhecia, dispensaram-nos dos telefonemas ruidosos das capitais de distrito aquando das votações.
Pode ser que o fim de um “certo ensino especializado” da música responsável pela criação destas “estrelas”, e em boa hora decretado pela ministra da Educação, seja também o fim desta mediocridade.
No meio disto restou a talentosa Vânia Fernandes, que com certeza dará mais umas horas de histeria ao povo madeirense. Com algumas excepções, vencer o Festival da Canção é um passaporte quase certo para o insucesso. Tem sido sempre assim e convém que a Vânia tenha isso em conta.
Concordo e discordo.
PS - Obviamente, discordo em absoluto da missiva ao prof. Marcelo. Porque a liberdade que reconheço aos militantes do PS para se reunirem é a mesma que reconheço aos portugueses de manifestarem a sua indignação ao partido que se encontra a governar o país.
Conselhos avulso
Não leves a mal... É só um alerta!
Reunidos mas pouco
Prioridades
Por outro lado, o homem já chegou a Portugal e sobre a crise na Educação, nem uma palavra! Conhecemos o horror cavaquista às manifestações democráticas, mas desconfio que Cavaco Silva não se poderá fazer de desentendido durante muito mais tempo!
Por onde andou o PM?
Farpas direccionadas
9.3.08
Tortura
Depois de ver mais uma derrota do Sporting, esparramei-me no sofá entretido a fazer zapping.
TVE:
"Nuestros Hermanos" legitimaram novamente aquela espécie de Sócrates.
- Esquece, muda!
SIC-N:
O Camacho foi despedido do Benfica.
Arre, qu'ist'é só espanhóis!
TVI:
O 444444444444444º episódio de uma novela portuguesa.
Canal 1:
Festival da Canção.
A paragem mais dolorosa. Consegui ouvir três cançonetas
Isto não existe!
A merda das pilhas do comando deviam ter sido trocadas há meses!
desesperei, agarrado ao botão que me podia levar dali p'ra fora.
Não tive tempo. Antes que o comando me obedecesse, a boa da Silvia Alberto pôs-me a ouvir uma espécie de medley com todas as musiquetas com que a RTP torturou os portugueses.
Cruzes credo! Cristo! Que saudades dos Da Vinci, do Rui Bandeira, da Anabela, da Dina, do Tó Cruz e de toda essa rapaziada! É que estes são piores! Volta, Rosa Lobato Faria. Tás perdoada! Absolvida de todos os pecados... Os deuses da música e da poesia receber-te-aõ de braços abertos. A sério. Pleaseeeeeeee, Rosinha...
Tentei tentei e meti-te na cesta\ris-te é dás-me a volta à cabeça\ lá lá lá
Cantarolei.
É o fim. Aposto que esta merda foi parte de um plano sócratico para castigar os portugueses pelas manifestações dos últimos tempos. Só pode ser. É o engenheiro Sócrates a vingar-se:
à não tão contentitos? então tomem o Rui Santos, o Marco de Camillis, o Ricardo Soler, o Carluz Belo (ninguém se chama assim, a sério, ninguém se chama Carluz Belo!) e os Blá Blá. Mais o resto do pacote. E se não se portam bem, ainda visto a Sílvia Alberto. Vai aparecer de Burka!
Rui Costa é um eucalipto que seca tudo à volta. E se se atirar para uma piscina com pouca água vai-se magoar
Diz o Rui Santos.
É melhor ir dormir. A sério. É melhor!
8.3.08
Sense and sensibility*
*Roubado despudoradamente de Jane Austen.
Não é só autismo político. É total cegueira, com estupidez à mistura
E a ministra insiste que mais de dois terços dos professores portugueses estão equivocados (cerca de 100 mil). Na opinião da senhora, esta classe de profissionais altamente qualificados não tem qualquer tipo de massa crítica para ver a bondade das suas medidas. Faz-me lembrar uma amiga que afirmava que o mundo estava todo louco, com duas excepções: eu e ela. E ainda assim, ela tinha dúvidas a meu respeito.
Falta de vergonha
Isto não é só incoerência: é falta de vergonha na cara!
Diz que é uma espécie de democrata...
7.3.08
87º Aniversário do PCP
Eu nunca votaria no PCP. Porque entre a sociedade que defendo e aquela que é sugerida pelo partido existe um imenso oceano.
O autoritarismo do PCP, efeitado pelos tiques de quem ainda acredita viver na clandestinidade, irrita-me solenemente. Tal como a disciplina militar imposta aos militantes ou os dogmas servidos ao pequeno-almoço.
Paradoxalmente (ou talvez não, que sei eu?) tenho um profundo respeito pelo PCP. As razões pelas quais detesto o partido da foice e do martelo são practicamente as mesmas que me levam a respeitá-lo.
Porque respeito quem acredita firmemente em ideias (mesmo que contrariem as minhas), quem é religioso (e os militantes do PCP são profundamente religiosos, professando os seus dogmas diariamente), quem calcorreia generosamente caminhos dificeis.
Respeito o conservadorismo do PCP, o facto de ser, cada vez mais, um partido de classe. E um sólido ancoradouro.
Respeito a memória de todos os militantes do PCP que durante 60 anos lutaram contra o regime que nos teve cativos. Foi o maior contributo que o partido deu a Portugal: a capacidade de organizar e conduzir a resistência.
Nunca votaria no PCP. Mas não me importo de o ver por aí.
Post-Scriptum: Todas as edições clandestinas do Avante estão agora digitalizadas e on-line. No sítio do PCP (não me peçam para aqui colocar o link. Já era demais!).
Precisa-se de matéria prima para construir um país
É tão raro, mas tão raro, concordar com o Eduardo Prado Coelho que não resisti a postar um texto dele com o qual, espantosamente, estou de pleno acordo.
Foi-me enviado por e-mail e, ao que parece, retirado do Público (não sei, não o li no jornal nem sei qual a data da sua publicação).
Ei-lo.
Alvísseras, um dia concordei com o Prado Coelho!
Precisa-se de matéria prima para construir um país
A crença geral anterior era de que Santana Lopes não servia, bem como Cavaco, Durão e Guterres. Agora dizemos que Sócrates não serve. E o que vier depois de Sócrates também não servirá para nada. Por isso começo a suspeitar que o problema não está no trapalhão que foi Santana Lopes ou na farsa que é o Sócrates. O problema está em nós. Nós como povo. Nós como matéria prima de um país.
Porque pertenço a um país onde a ESPERTEZA é a moeda sempre valorizada, tanto ou mais do que o euro. Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais apreciada do que formar uma família baseada em valores e respeito aos demais.
Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os jornais jamais poderão ser vendidos como em outros países, isto é, pondo umas
caixas nos passeios onde se paga por um só jornal e se tira um só jornal, deixando os demais onde estão.
Pertenço ao país onde as empresas privadas são fornecedoras
particulares dos seus empregados pouco honestos, que levam para casa, como se fosse correcto, folhas de papel, lápis, canetas, clips e tudo o que possa ser útil para os trabalhos de escola dos filhos .... e para eles mesmos.
Pertenço a um país onde as pessoas se sentem espertas
porque conseguiram comprar um descodificador falso da TV Cabo, onde se frauda a declaração de IRS para não pagar ou pagar menos impostos.
Pertenço a um país onde a falta de pontualidade é um hábito. Onde os directores das empresas não valorizam o capital humano. Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo nas ruas e depois reclamam do governo por não limpar os esgotos. Onde pessoas se queixam que a luz e a água são serviços caros. Onde não existe a cultura pela leitura (onde os nossos jovens dizem que é "muito chato ter que ler") e não há consciência nem memória política, histórica nem económica. Onde os nossos políticos trabalham dois dias por semana para aprovar projectos e leis que só servem para caçar os pobres, arreliar a classe média e beneficiar alguns.
Pertenço a um país onde as cartas de condução e as declarações médicas podem ser "compradas", sem se fazer qualquer exame. Um país onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma criança nos braços, ou um inválido, fica em pé no autocarro, enquanto a pessoa que está sentada finge que dorme para não lhe dar o lugar. Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro e não para o peão. Um país onde fazemos muitas coisas erradas, mas estamos sempre a criticar os nossos governantes.
Quanto mais analiso os defeitos de Santana Lopes e de Sócrates, melhor me sinto como pessoa, apesar de que ainda ontem corrompi um guarda de trânsito para não ser multado. Quanto mais digo
o quanto o Cavaco é culpado, melhor sou eu como português, apesar de que ainda hoje pela manhã explorei um cliente que confiava em mim, o que me ajudou a pagar algumas dívidas. Não. Não. Não. Já basta.
Como "matéria prima" de um país, temos muitas coisas boas, mas falta muito para sermos os homens e as mulheres que o nosso país precisa. Esses defeitos, essa chico-espertice" congénita, essa
desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui até se
converter em casos escandalosos na política, essa falta de qualidade
humana, mais do que Santana, Guterres, Cavaco ou Sócrates, é que é
real e honestamente má, porque todos eles são portugueses como nós, eleitos por nós. Nascidos aqui, não noutra parte...
Fico triste. Porque, ainda que Sócrates se fosse embora hoje, o próximo que o suceder terá que continuar a trabalhar com a mesma matéria prima defeituosa que, como povo, somos nós mesmos. E não poderá fazer nada... Não tenho nenhuma garantia de que alguém possa fazer melhor, mas enquanto alguém não sinalizar um caminho destinado a erradicar primeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirá. Nem serviu Santana, nem serviu Guterres, não serviu Cavaco, e nem serve Sócrates, nem servirá o que vier.
Qual é a alternativa? Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei com a força e por meio do terror? Aqui faz falta outra coisa. E enquanto essa "outra coisa" não comece a surgir de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou do centro para os lados, ou como queiram, seguiremos igualmente condenados, igualmente estancados....igualmente abusados!
É muito bom ser português. Mas quando essa portugalidade autóctone começa a ser um empecilho às nossas possibilidades de desenvolvimento como Nação, então tudo muda... Não esperemos acender uma vela a todos os santos, a ver se nos mandam um messias. Nós temos que mudar. Um novo governante com os mesmos portugueses nada poderá fazer. Está muito claro... Somos nós que temos que mudar. Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que anda a acontecer-nos: desculpamos a mediocridade de programas de televisão nefastos e francamente tolerantes com o fracasso. É a indústria da desculpa e da estupidez. Agora, depois desta mensagem, francamente decidi procurar o responsável, não para o castigar, mas para lhe exigir (sim, exigir) que melhore o seu comportamento e que não se faça de mouco, de desentendido. Sim, decidi procurar o responsável e estou seguro de que o encontrarei quando me olhar ao espelho. Aí está. Não é preciso.
Eduardo Prado Coelho
Tudo louco III
Tudo louco II
Quer dizer, esta que se está a revelar como a maior manifestação de unidade da classe, transversal às ideologias políticas e aos partidos portugueses, deve-se, no entender da sr. ministra, à burrice e imbecilidade dos professores. Está bem, está...
Tudo louco
6.3.08
O romance da minha vida
Um país que prefere a tirania à incerteza merece todo o tipo de tirania.
A frase, dita por uma das personagens da obra O Romance da Minha Vida, do cubano Leonardo Pandura, é a chave para se entender a percepção do autor sobre a ilha.
O Romance da Minha Vida é uma longa viagem por Cuba. Pela Cuba de Herédia, o poeta exilado. Pela Cuba recém liberta de Espanha. Pela Cuba actual.
A trágica história da ilha é contada por dois exilados, Herédia, que fugiu em 1823, Fernando, que fugiu de Fidel. E escrita por um exilado. É uma espécie de viagem circular num espaço imutável.
5.3.08
"Contrapeso da Maioria"
Isto constitui uma situação atípica, e um caso particular num país democrático, um partido político (PSD) ser unicamente uma solução governativa e ao nível parlamentar nunca ter experimentado o papel de oposição.
3.3.08
Tão bom, tão bom, que ninguém lhe pega...
Por outro lado, os mesmos socialistas que teciam loas aos governos de Guterres e aos ministérios de Marçal Grilo e Oliveira Martins são os mesmos que agora aparecem a atacar a ex-secretária de Estado. O que diz muito acerca do que é ser socialista em Portugal!
Basta que sim!
Mas já ia sendo tempo, não Miguel?!
Quanto às tuas posições, digo-te que o problema não está apenas o nível da avaliação, conforme queres fazer crer. O receio vai muito mais além: o regime de autonomia das escolas; as transferências de competências para as autarquias; a forma prepotente como esta equipa ministerial impõe as suas decisões; a precipitação desta ministra, que age antes de pensar, que elogia antes de avaliar. E não te esqueças, daquela brilhante ideia que encerrará muitos dos conservatórios de música deste país e impedirá a formação musical de milhares de jovens.
O problema desta equipa ministerial e as constantes manifestações que contra si são organizadas não se prende apenas com a avaliação: são tantas as más medidas que custa lembrá-las todas!
2.3.08
Cinema

É um filme de uma extraordinária realização. Cada plano é um autêntico quadro. Nada foi deixado ao acaso. A ausência de cor dá-lhe a dimensão estética e dramática necessária para a pesada narrativa.
Minto. Há uns riscos de cor, mas só surgem a meio do filme. Quando o excepcional barbeiro inglês do século XIX, interpretado por Johnny Depp, coloca em marcha um maquiavélico plano para aniquilar o mal em troca do bem. O problema é que o ajuste de contas transforma-se num rosário de crueldade.
É nesta altura que as cenas ganham cor. Um vermelho explosivo que salta do ecrã e suja os telespectadores. Alguns não resistem à violência das imagens, e tentam, com as mãos, esconder o que os olhos desejam ver.
Há muito sangue neste filme. Há muita violência, muita vingança.
Será que esta estória poderia ser filmada de outra forma??? Acho que não.
“O Terrível Barbeiro de Fleet Street” é um documento único. A história nasceu na Londres do início do século XIX. Não existem provas. Apenas relatos orais que passaram de geração em geração, até que alguém adaptou a lenda ao teatro e depois ao cinema (1926 primeiro filme). Agora resurgiu através das mãos de Tim Burton. Recordo-me de "Existenz". Já tem alguns anos. Talvez 10. Uma vez mais foi engolido por esta envolvente história, cantada, (o filme é um musical) que me encantou.
Não lhe mudava nada. A obra é quase perfeita.
1.3.08
Os 6 da manifestação
O que estes “destemidos” (e enganados) não entenderam é que na Madeira os docentes, grosso modo, estão satisfeitos com a legislação regional, com as suas carreiras, vencimentos, condições e expectativas profissionais. Tudo porque, convém dizê-lo, o Governo Regional não os destratou nem quis fazer “uma revolução” num só dia.
Escusado será virem os do costume com a lenga-lenga das represálias, de que “na Madeira é diferente”, de que não convém “fazer ondas”, enfim. Isso é conversa. Ou são contra, e iam à Jaime Moniz às 17 horas, ou são a favor, e não apareciam, como de resto fizeram 6 mil e tal educadores.
Adesão, porra
Filhinho de Deus, usa-se adesão quando se trata de pessoas, e aderência quando se trata de objectos. Para a 4ª Classe já.
Em bom alentejano: não queres ir apanhar nas nalgas, pois não?
Este é mesmo um daqueles casos que apetece atirar com toda a retórica da real pergunta: e tu, por qué no te callas?
Serenidade ou submissão?
A serenidade de fala o Sr. Presidente, estamos todos fartos de conhecer. Quer é a sumissão. Quer que pare a luta dos docentes e que estes não criem mais "ondas". Todos nós sabemos que o Sr. Presidente gosta de ambientes pacíficos, onde o governo impõe e o povo engole sem mais. Pois parece-me, Sr. Presidente, que desta vez o Sr. está com azar!
29.2.08
Os Carrascos da RTP
Luís Filipe Menezes, o líder da oposição, com aspirações a Primeiro-Ministro, na primeira grande entrevista que deu, afirmou que o partido, o PSD, vai acabar com a publicidade na RTP.
Está demonstrado, se não estava ficou, quais são as prioridades deste homem caso consiga chegar ao poder. Eu e a larga maioria dos portugueses esperava ouvir da boca do líder do maior partido da oposição outras propostas. Como vai emagrecer o desemprego, baixar a despesa pública, modernizar o país e a administração do Estado, fazer de Portugal uma nação moderna e competitiva da EU.
Infelizmente o que ficou dessa entrevista, mas não foi dito, é que pretende retirar mais dinheiro dos contribuintes para pagar o serviço público de televisão.
Ao acabar com a publicidade das duas uma: - Ou os canais públicos (RTP; RTP-Madeira e Açores; RTP2, África e Internacional) conseguem prestar o mesmo serviço de televisão com idêntica qualidade, mas com menos dinheiro, ou o Governo terá que injectar, via orçamento de Estado, o que hoje a RTP obtém com a venda de publicidade na RTP1.
É isto que Luís Filipe Menezes não disse aos Portugueses. De certeza que jantou, ou almoçou nos últimos dias com Pinto Balsemão, o patrão da SIC. É o Social-Democrata e magnata da comunicação, que há pelo menos 10 anos, oiço defender esta tese que Menezes subscreve.
Em França Nicolas Sarkozy tem uma proposta idêntica, mas não se compare o incomparável. São países com índices de riqueza díspares.
Quando Cavaco era Primeiro-Ministro também alienou os transmissores (antenas) da RTP. Vendou à PT a preço de saldos. Agora Menezes pretende ficar na história da televisão em Portugal, como o Presidente do PSD, que entrega sem contrapartidas às estações privadas, uma fatia do bolo da publicidade.
28.2.08
Parabéns!
Tive conhecimento da obra das Piscinas das Salinas, em Câmara de Lobos, através do Zaragata no Calhau. Parece ser mais uma intervenção notável, da autoria do madeirense Paulo David - já premiada, com o Prémio Internacional de Arquitectura em Pedra de 2007 -, que já nos tinha deliciado com a Casa das Mudas . Para ver um slideshow, clique aqui.E agora?
O estudo hoje apresentado pelo Diário é revelador. Mas reina um silêncio pela blogosfera... Nada condizente com o discurso de vitimização que é feito há uns tempos.
27.2.08
Sócrates dixit
26.2.08
Educação, segundo o Partido Socialista
O menino não quer estudar? É reflexivo!
O menino não respeita as regras? É um revolucionário consciente!
O menino não quer saber matemática? É homem de letras!
O menino não sabe escrever na língua materna e dá muitos erros? Quer reinventar a língua (quem sabe, um potencial Saramago ou Lobo Antunes?)!
O menino não conhece Gil Vicente? Também já está morto!
O menino não sabe fazer cálculos? Existem as máquinas calculadoras!
O menino não gosta de geometria? Está mais para Paula Rêgo!
O menino comporta-se mal? Porque é que não usa estratégias mais lúdicas?
O menino não aprende? A culpa é sua, que não sabe ensinar!
Quer chumbar o menino? Porquê? Ele não é responsável por não saber!
O menino não trabalha? Não é carneiro!
O menino não quer ser avaliado? É pragmático!
O menino manda-a foder-se? É original!
Facilismo? Não...!
Para obter um diploma de 9º ano até é necessário saber elaborar um dossiê! Como é que alguém pode, em boa consciência, acusar estas medidas pioneiras de promoverem uma cultura de facilitismo? Só mesmo, por muita má fé!
PS - Para os pseudo-especialistas em educação, deixo o repto (e não o réptil, que seria o que alguns merecem) de falarem com alguém que esteja envolvido (mas não dependa) nas Novas Oportunidades e no sistema de RVCC. Pode ser que passem a ter uma ideia mais precisa da imbecilidade com que estão revestidas.
Onde Sancho vê moinhos, D. Quixote vê gigantes*
* Roubado a António Gedeão
Não estou de luto pela Educação
E mais. As suas competências não eram questionadas e jamais foram associadas aos resultados escolares dos alunos, e vice-versa. Nunca se preocuparam com a proliferação das Escolas Superiores de Educação (há quase uma por aldeia em Portugal) que debitaram no sistema educativo milhares de comprovados imbecis. Estiveram, e estão, capturados e disseminados por mil e um sindicatos, situação que não tem paralelo em nenhuma classe profissional dita “altamente qualificada” do nosso país.
Um país atrasado, pouco qualificado, sem indústria, sem tecnologia, sem design, com baixos indicadores económicos, com péssimos resultados escolares comparativos em termos europeus (sobretudo nas ciências exactas, conforme os relatórios PISA) é coisa que não preocupa os professores e é coisa sobre a qual também parecem não ter a menor culpa.
Para quem viu o último “Prós e Contras” dedicado à Educação, e para quem, como eu, já perdeu a paciência para o senso comum e para a “sociologia de bolso” dos professores, a única coisa que lhes recomendo, à falta de melhor, é que leiam “O Diário de Sebastião da Gama”, ilustre professor dos anos 50 que muitas lições ainda nos dá.
Razões tenho eu agora para não estar de luto pela educação. Pois, apesar da atabalhoação, do Ministério da Educação começam finalmente a chegar ideias razoáveis.
Portos da Madeira
Segundo uma cadeia de supermercados, nacional a operar na Madeira, os produtos são 15% mais caros na região.Nem a diferença do da taxa do IVA (continente 21%; região 15%), esbate o custo da operação portuária.
Contas feitas, quer isto dizer que estamos perante uma inflação da ordem dos 21%. (15% - custo a mais para o transporto das mercadorias marítimas + 6% que é a diferença do IVA).
Até quando????????????
Um dos melhores debates na Assembleia, senão é o melhor e o mais oportuno.



