31.3.08

PS/Madeira ou o prenúncio da morte de uma quimera?

Por uma questão de decência, não vou elogiar as palavras de Jaime Gama.
Mas são bem demonstrativas do que vale o PS/Madeira para a estrutura nacional. Não passa de carne para canhão, quando dá jeito. Mas, não merecendo o meu aplauso, também não são declarações surpreendentes: o PS/Madeira tanto se tem vergado - conforme se viu na votação do último orçamento de Estado - , que neste momento vale o mesmo que nada (que, de resto, é o que vale eleitoralmente). Esta é uma situação que demonstra bem que o PS reconhece que os socialistas madeirenses não falam, porque não sabem nem nunca souberam, falar com os madeirenses e que, portanto, não têm qualquer importância no jogo político que se desenrola na Madeira. E, conforme já esclareceu André Escórcio, não tente o PS/Madeira justificar os elogios de Jaime Gama a Alberto João Jardim com a necessidade de manter um bom relacionamento institucional: porque as palavras não são institucionais e têm uma intencionalidade ainda não totalmente esclarecida, mas absolutamente inquestionável.
Estou, contudo, convencido, que apresentado o voto de protesto, o PS/Madeira tentará esquecer mais esta falta de solidariedade e completa descredibilização e voltará a cometer todos os erros do passado, vendendo a defesa da Madeira e dos madeirenses em favor de uma suposta superior estratégia nacional. E continuarão a ser subservientes a Lisboa, para mal dos seus pecados!

29.3.08

Malvados tibetanos

O PCP tem destas coisas. Ora é um Bernardino Soares que duvida que a Coreia não seja uma democracia, ora é um Jerónimo a tecer rasgados elogios a esse outro "bastião da liberdade" que dá pelo nome de Cuba. Desta vez, junta-se ao capital e ao poder instituído, que tanto afirma combater, para acusar os monges tibetanos de terroristas cujo único objectivo é «comprometer os Jogos Olímpicos na China». É verdade, pela boca do secretário geral soubemos que os comunistas portugueses uniram-se Comité Olímpico Internacional (essa organização "paladina na defesa dos direitos humanos" - basta-nos lembrar dos JO de Berlim), para defender a China dos ataques impiedosos e injustos de uma conspiração internacional que visa denegrir a imagem do gigante comunista, que tanto bem tem feito ao povo tibetano.

Jóminho, Jóminho, às vezes ficas tão bem calado!

Porque outros dizem melhor do que eu

"(...) 2. Uma escola para os valores e o papel da(s) Igreja(s): Ligado a esse facto, está a questão de uma Escola para os valores humanos, intelectuais, morais e éticos. O pensamento moderno libertário não se pode confundir com a relativização de valores como a solidariedade e a sua exacta noção. No episódio do vídeo da professora e da aluna, vê-se claramente que há uma noção errada da solidariedade: a professora, porque não faz parte do grupo-turma, não existe como ser que mereça consideração. 2.1. O papel da(s) Igreja(s): Questão polémica que é preciso ter a coragem de enfrentar de frente: num país cristão e ou católico, as famílias não perderam o direito de educar na escola as crianças segundo os valores básicos cristãos? Por que não fazer um debate aberto, sem complexos, sobre a questão. Por um lado, uma sociedade laica e um Estado democrático e legitimamente laico, por outro, uma sociedade maioritariamente cristã que não assume essa condição na educação dos filhos. Não obstante os extremos religiosos conhecidos, a sociedade americana é mais livre porque assume sem complexos na educação dos filhos os seus valores religiosos. O afastamento da Igreja da esfera do ensino não teria sido um problema se isso, aliado ao afastamento das famílias na educação dos filhos, não houvesse tido como consequência um vazio de valores. (...)"

Não podia estar mais de acordo contigo Miguel (www.bastaqsim.blogspot.com).

28.3.08

America

Deixo-vos com um dos meus poemas favoritos. Allen Ginsberg. America. É longo mas vale a pena. Nem sei bem porque me lembrei disto hoje, mas enfim...

 

America I've given you all and now I'm nothing.
America two dollars and twenty-seven cents January 17, 1956.
I can't stand my own mind.
America when will we end the human war?
Go fuck yourself with your atom bomb
I don't feel good don't bother me.
I won't write my poem till I'm in my right mind.
America when will you be angelic?
When will you take off your clothes?
When will you look at yourself through the grave?
When will you be worthy of your million Trotskyites?
America why are your libraries full of tears?
America when will you send your eggs to India?
I'm sick of your insane demands.
When can I go into the supermarket and buy what I need with my good looks?
America after all it is you and I who are perfect not the next world.
Your machinery is too much for me.
You made me want to be a saint.
There must be some other way to settle this argument.
Burroughs is in Tangiers I don't think he'll come back it's sinister.
Are you being sinister or is this some form of practical joke?
I'm trying to come to the point.
I refuse to give up my obsession.
America stop pushing I know what I'm doing.
America the plum blossoms are falling.
I haven't read the newspapers for months, everyday somebody goes on trial for
murder.
America I feel sentimental about the
Wobblies.
America I used to be a communist when I was a kid and I'm not sorry.
I smoke marijuana every chance I get.
I sit in my house for days on end and stare at the roses in the closet.
When I go to Chinatown I get drunk and never get laid.
My mind is made up there's going to be trouble.
You should have seen me reading Marx.
My psychoanalyst thinks I'm perfectly right.
I won't say the Lord's Prayer.
I have mystical visions and cosmic vibrations.
America I still haven't told you what you did to Uncle Max after he came over
from Russia.

I'm addressing you.
Are you going to let our emotional life be run by Time Magazine?
I'm obsessed by Time Magazine.
I read it every week.
Its cover stares at me every time I slink past the corner candystore.
I read it in the basement of the Berkeley Public Library.
It's always telling me about responsibility. Businessmen are serious. Movie
producers are serious. Everybody's serious but me.
It occurs to me that I am America.
I am talking to myself again.

Asia is rising against me.
I haven't got a chinaman's chance.
I'd better consider my national resources.
My national resources consist of two joints of marijuana millions of genitals
an unpublishable private literature that goes 1400 miles and hour and
twentyfivethousand mental institutions.
I say nothing about my prisons nor the millions of underpriviliged who live in
my flowerpots under the light of five hundred suns.
I have abolished the whorehouses of France, Tangiers is the next to go.
My ambition is to be President despite the fact that I'm a Catholic.

America how can I write a holy litany in your silly mood?
I will continue like Henry Ford my strophes are as individual as his
automobiles more so they're all different sexes
America I will sell you strophes $2500 apiece $500 down on your old strophe
America free Tom Mooney
America save the
Spanish Loyalists
America Sacco & Vanzetti must not die
America I am the
Scottsboro boys.
America when I was seven momma took me to Communist Cell meetings they
sold us garbanzos a handful per ticket a ticket costs a nickel and the
speeches were free everybody was angelic and sentimental about the
workers it was all so sincere you have no idea what a good thing the party
was in 1935 Scott Nearing was a grand old man a real mensch Mother
Bloor made me cry I once saw Israel Amter plain. Everybody must have
been a spy.
America you don're really want to go to war.
America it's them bad Russians.
Them Russians them Russians and them Chinamen. And them Russians.
The Russia wants to eat us alive. The Russia's power mad. She wants to take
our cars from out our garages.
Her wants to grab Chicago. Her needs a Red Reader's Digest. her wants our
auto plants in Siberia. Him big bureaucracy running our fillingstations.
That no good. Ugh. Him makes Indians learn read. Him need big black niggers.
Hah. Her make us all work sixteen hours a day. Help.
America this is quite serious.
America this is the impression I get from looking in the television set.
America is this correct?
I'd better get right down to the job.
It's true I don't want to join the Army or turn lathes in precision parts
factories, I'm nearsighted and psychopathic anyway.
America I'm putting my queer shoulder to the wheel.

27.3.08

Questão fracturante ou de factura?

Não dizia eu que este parecia um jeitinho do BE para o PS provar que ainda é socialista?! Ora, cá está a prova dos 9.

PS - Por mim, é preferível acabar já com o casamento. Como diz o líder do PS, é preciso terminar com a união assente em deveres. Para quê, então, continuar a existir? Os afectos podem perfeitamente manter-se numa união de facto que, de resto - e em jeito de declaração de interesses -, foi a opção adoptada por mim e pela minha namorada.

A Nossa Cidade

Caro Sancho:

Desta vez, estou em total desacordo contigo.

Na minha opinião, é peça é boa. O texto (vencedor de um Pulitzer, por sinal) é excelente e considero a adaptação muito feliz.

Na sua generalidade, os actores são bons. Creio que é uma boa homenagem à cidade.

Para além do mais há, naquela peça, um contributo maior do que o evento em si. Há, se reparares, uma clara tentativa de agrupar pessoas de várias proveniências em torno de um objectivo comum.

O elenco conta com gente do TEF, do Com.Tema, dos Grupos do Estabelecimento Prisional e da Oficina Versus. Só essa tentativa de trabalhar em conjunto, esquecendo as habituais capelinhas e rivalidades já justifica o apoio.

Quanto ao resto, acho que os 7,5 são plenamente aceitáveis pela qualidade do espectáculo.

Abraço

Gonçalo

26.3.08

A nossa cidade... Mas só se pagares!

Ao que parece, o Teatro Experimental do Funchal (TEF) tem em cena a peça A nossa cidade, a sua contribuição para as comemorações dos 500 anos do Funchal.
É louvável e vem ao encontro do importante trabalho que esta associação tem desenvolvido na promoção do teatro na Região.
O que a me transtorna profundamente, é que o TEF cobre 7,50€ a cada espectador. Primeiro porque não apresenta espectáculos com qualidade suficiente para cobrar este valor. Depois, porque tem financiamentos milionários do Governo Regional e da Câmara Municipal de Funchal. Com o cúmulo de ter cedida uma sala de espectáculos a título gratuito e ainda poder usufruir (eu diria usurpar) o Teatro Baltazar Dias, esse nobilíssimo espaço da cidade, a seu bel-prazer.
Conhecendo, como conheço, o mundo do teatro de amadores e profissional em Portugal, é com algum asco que vejo a cobrança dos bilhetes naquele valor. Porque atendendo às condições que lhes são proporcionadas pelas autoridades regionais, o mínimo que se podia esperar era que a apresentação pública fosse a título absolutamente gratuito, ou com uma bilheteira simbólica e mais ajustada à qualidade apresentada nos seus espectáculos.

PS - Lembro-me de um fantástico acordo que mantinham com o Teatro Nacional D. Maria, que lhes permitiu, numa atitude de novo-riquismo absolutamente inqualificável, pagar fortunas para a companhia lisboeta vir à Região e, que se saiba, nunca tenham feito qualquer apresentação na capital portuguesa.

Boca fechada...

Por vezes, não sei onde anda com a cabeça Alberto João Jardim. Quando pesam suspeitas graves (não obrigatoriamente fundadas) de corrupção e tráfico de influências sobre alguns dirigentes do PSD/Madeira, eis que o presidente do Governo Regional tem a tirada de génio: l'État c'est moi.
Tss, tss. O gosto de chocar não justifica tudo!

Questão de coerência

No início do mês jura a pés juntos que é uma irresponsabilidade baixar os impostos. No final do mês, garante não haver melhor medida (ainda que a diminuição seja ridícula e ofensiva).
É esta a forma de governar dessa personagem que dá pelo nome de José Sócrates. E os socialistas, quais macaquinhos amestrados, dão pulinhos e cantam loas ao magnânime líder. Óh, que bom que ele é...
E a isto estamos entregues!

24.3.08

País de loucos II ou as prioridades do BE

Com que então, as prioridades do Bloco de Esquerda são estas? Se eu não soubesse melhor, diria que esta é uma mãozinha que o BE está a dar ao PS, de modo a que este mostre ser ainda de esquerda (as tais causas fracturantes).
Não acredito em bruxas, mas...

País de loucos

Do que se está à espera para fazer um levantamento popular contra este caciquismo, provinciano - como é timbre do PM - mas profundamente perigoso e preocupante, que o PS instalou no país? É que o ar começa a ser irrespirável...

Isto, a propósito disto.

21.3.08

Tiradas de Génio

"Visto-me bem, mas dipo-me melhor..."

Coisas de romanos

Vestal, moi (havia de ser bonito, eu, com umas vestes brancas, a saltitar num qualquer monte!)???
Caríssimo amigo, como saberás, eu não faço política partidária, apenas vou comentando o que se me é dado a ver. E a ideia de uma super-coligação das oposições parece-me uma coisa do outro mundo. Quanto à expiação dos pecados, como homem de fé não deixarei de o fazer...
Votos de uma boa Páscoa!

20.3.08

Cada cabeça, sua sentença: leis, para quê?

Vejo alguns socialistas madeirenses cantarem loas a António Costa, por este querer violar o PDM de Lisboa, mas a gritam incessantemente contra irregularidades similares no Funchal. Li mesmo um texto em que o seu brilhante autor justificava a suspensão do Plano pela alegada bondade dos projectos em questão. Ou seja, não tem pejo em defender a violação do PDM, se os projectos forem de socialistas, instituíndo uma lei tipo pronto-a-consumir, que vale apenas para alguns. Como diz o ditado, com exemplos de coerência como este, para pior deixa estar como está!

Contra natura

Depois de um curto, mas reparador, período de férias, eis que volto e vejo pela blogosfera madeirense uma pseudo-polémica sobre uma eventual coligação de todos os partidos da oposição para as próximas eleições autárquicas. Sim, homens de pouca fé, é verdade: existem uns senhores que querem unir as oposições para derrotar o PSD/Madeira, numa coisa assim tipo "todos juuuntos" (será que os seus mentores pensam numas passeatas de mão dada?!). E pior, alguns génios da rua do Surdo acham mesmo que esta é uma boa ideia.
Aliás, veio já a terreiro uma linha avançada que acusa o PCP de conivência com o PSD apenas porque os comunistas madeirenses mantêm a sua coerência e recusam fazer coligações com o PS. Nas hostes desta Guarda Pretoriana da patetice, encontra-se Roberto Almada, que apoia os gritos histéricos de Louçã, Drago e companhia em Lisboa contra o "direitismo" do PS e no Funchal quer andar de braço dado com Gouveia e outros que tais.
Ou seja, apesar do desastre que foi aquele outro aborto que alguns tiveram o desplante de apelidar de coligação, alguns políticos madeirenses continuam a achar que vale tudo para derrotar Jardim. Mande-se às malvas a ideologia, esqueça-se as lutas do passado, branquei-se a história: o que conta é tentar derrotar o PSD. Do BE esta atitude já não admira: todos sabemos que os bloquistas pelam-se por uns lugarzinhos ou por umas sobras do PS (o Zé de Lisboa é o melhor exemplo). O que me espanta é que os o PS insista numa estratégia que já demonstrou não levar a lugar nenhum e que apenas prejudica o próprio PS, afastando o eleitorado do centro democrático, única possibilidade que os socialistas têm para crescer eleitoralmente.
Sinceramente não percebo esta estratégia, que mesmisa todos os partidos e os descredibiliza (se nada têm que os distinga, porquê partidos diferentes?), favorecendo apenas o PSD.
Dizem que o PCP é conivente com os sociais-democratas. Pois eu estou cada vez mais convencido que o PS e o BE, quer por estarem minados por toupeiras, quer por manifesta incompetência política é que estão, continuamente, a fazer o jeitinho a Jardim.

11.3.08

Politítica orientada para resultados ou resultados apesar da política?

Há uns dias, numa conversa entre amigos cujas profissões implicam o estabelecimento de parcerias - entre administração pública, entidades públicas, semi-públicas, privadas e cooperativas -, chegava-se à conclusão que em 30 anos de democracia nunca foi tão difícil trabalhar em conjunto como agora.
A estratégia seguida desde o início por este governo da República - que consistiu (e consiste) em achincalhar publicamente os sectores onde depois pretende intervir com reformas de fundo (e outras nem tanto), com o (abjecto e inconsistente) objectivo de obter o apoio do resto da população -, aliado às orientações mais ou menos subreptícias que promovem a delação e o medo da participação, mais o desrespeito pelos direitos (e falo daqueles legítimos) que as pessoas se julgavam possuidoras e a falta de palavra dos actuais governantes, fizeram com que em Portugal se instituísse um clima de permanente desconfiança, que inviabiliza qualquer tentativa de trabalho em rede. Os cidadãos hoje não confiam nas instituições nem na sua administração; o poder judicial olha com desconfiança para o poder político; está instalado o preconceito de que a corrupção é generalizada no poder autárquico; não há possibilidade de fazer reformas na Saúde e na Educação; qualquer anúncio de investimento provoca suspeitas; existe uma generalizada desmotivação em todos os sectores da administração pública; enfim, os exemplos são à catadupa.
Ora, apesar de eu ser absolutamente insuspeito de nutrir qualquer tipo de simpatia por este miserável Governo, a verdade é que me preocupa o estado a que chegamos, que não augura nada de bom para o futuro a curto/médio prazo.
Quem trabalha em sectores transversais sabe que quando se parte para qualquer negociação, os agentes estão já renitentes e não se mostram disponíveis para confiar (fundamental ao trabalho em rede), com terríveis prejuízos para a população que se pretende servir. É, hoje, absolutamente impossível motivar quem quer que seja para objectivos que deveriam ser comuns. Vemos todos os dias: ninguém está hoje disposto a arriscar. Mesmo aqueles outrora mais voluntariosos tendem a assumir uma posição mais comedida e segura. A infeliz estratégia definida por Sócrates fez com todos os sectores produtivos (e não apenas os financeiros e económicos) estejam numa posição de esperar para ver. Fala-se em empreendedorismo mas talvez nunca antes como agora falte tanta vontade de ser empreendedor.
O clima de desconfiança é generalizado e, tal como a SEDES (e outros, como o general Garcia Leandro) preconizou, temo que não seja apenas o trabalho em parceria que esteja em risco: a possibilidade da situação degenerar em revolta social com desenvolvimentos imprevisíveis é real.
É por isso com um misto de receio e cinismo que vejo os governantes anunciarem fantásticos resultados em todos os sectores. Porque o que me é dado ver deste meu horizonte é que os sucessos que se têm atingido - se alguns podemos enumerar -, não se devem a este governo: foram atingidos, apesar do governo que temos.

PS - Miguel, o teu desafio não está esquecido, mas terá que esperar até à próxima semana! Por agora e ainda que por pouco tempo, preciso de ir respirar outros ares mais democráticos e menos esquizofrénicos que aqueles que respiramos actualmente em Portugal.

10.3.08

Bem dito

«Os blogues estão cheios de gente cuja classe social se acha acima destas coisas [manifestações de rua] e conhecem pouco mais do que o Portugal das livrarias e das páginas de opinião».

José Pacheco Pereira, Público, 08-03-2008.

Odeio o Festival da Canção

O Festival da Canção português é há muitos anos prova da nossa mediocridade artística.
O tempo que no domingo passado dispensei a ver este pobre espectáculo já o dava antecipadamente por perdido. Mas queria ver se havia alguma novidade. E não houve.

O que houve foi mais uma vez um reles cortejo de vozes vulgares, letras gastas, cantores sem estética e uma produção paupérrima. Felizmente, o que parece já ter acabado e que eu desconhecia, dispensaram-nos dos telefonemas ruidosos das capitais de distrito aquando das votações.

Pode ser que o fim de um “certo ensino especializado” da música responsável pela criação destas “estrelas”, e em boa hora decretado pela ministra da Educação, seja também o fim desta mediocridade.

No meio disto restou a talentosa Vânia Fernandes, que com certeza dará mais umas horas de histeria ao povo madeirense. Com algumas excepções, vencer o Festival da Canção é um passaporte quase certo para o insucesso. Tem sido sempre assim e convém que a Vânia tenha isso em conta.

Concordo e discordo.

Não há dúvida que Miguel Fonseca é um dos mais esclarecidos socialistas madeirenses. Mais uma boa pequena reflexão. Não concordo obrigatoriamente com tudo, mas não posso deixar de reconhecer a pertinência e a qualidade do pensamento.

PS - Obviamente, discordo em absoluto da missiva ao prof. Marcelo. Porque a liberdade que reconheço aos militantes do PS para se reunirem é a mesma que reconheço aos portugueses de manifestarem a sua indignação ao partido que se encontra a governar o país.

Conselhos avulso

Victor, para a comunicação ser eficaz, é conveniente que os canais sejam correctamente utilizados. Por isso, se me permites um conselho: tem mais atenção à correcção da tua escrita quando replicas alguma coisa. É que mesmo na blogosfera, convém que as naturais gralhas não se transformem em contínuos erros gramaticais, ortográficos e de sintaxe. Que proliferam nos teus textos. Ainda para mais, não sendo professor, também deves ser um exemplo, enquanto líder parlamentar da principal força de oposição na Assembleia Legislativa Regional.
Não leves a mal... É só um alerta!

Reunidos mas pouco

Dizem que o PS se reuniu em comício este fim-de-semana. É verdade? É que não se deu por nada...!

Prioridades

E por falar em desaparecimentos, então, como diz Mário Crespo, a maior preocupão do nosso presidente da República é a antiguidade da frota dos Falcon? Quer dizer, andamos todos com a corda ao pescoço, em nome de um tal defíce orçamental e o presidente quer uns jactinhos para passear...
Por outro lado, o homem já chegou a Portugal e sobre a crise na Educação, nem uma palavra! Conhecemos o horror cavaquista às manifestações democráticas, mas desconfio que Cavaco Silva não se poderá fazer de desentendido durante muito mais tempo!

Por onde andou o PM?

Debaixo de que pedra andou a rastejar Sócrates, que ninguém deu por ele num fim-de-semana onde quase toda uma classe profissional saiu à rua?

Farpas direccionadas

Concordo! Só lamento que essa vossa indignação não seja extensível aos dirigentes dos sindicatos afectos à UGT, quase todos militantes do PS e igualmente sindicalistas profissionais.

9.3.08

Tortura

Depois de ver mais uma derrota do Sporting, esparramei-me no sofá entretido a fazer zapping.

TVE:

"Nuestros Hermanos" legitimaram novamente aquela espécie de Sócrates.

- Esquece, muda!

SIC-N:

O Camacho foi despedido do Benfica.

Arre, qu'ist'é só espanhóis!

TVI:

O 444444444444444º episódio de uma novela portuguesa.

Canal 1:

Festival da Canção.

A paragem mais dolorosa. Consegui ouvir três cançonetas

Isto não existe!

A merda das pilhas do comando deviam ter sido trocadas há meses!

desesperei, agarrado ao botão que me podia levar dali p'ra fora.

Não tive tempo. Antes que o comando me obedecesse, a boa da Silvia Alberto pôs-me a ouvir uma espécie de medley com todas as musiquetas com que a RTP torturou os portugueses.

Cruzes credo! Cristo! Que saudades dos Da Vinci, do Rui Bandeira, da Anabela, da Dina, do Tó Cruz e de toda essa rapaziada! É que estes são piores! Volta, Rosa Lobato Faria. Tás perdoada! Absolvida de todos os pecados... Os deuses da música e da poesia receber-te-aõ de braços abertos. A sério. Pleaseeeeeeee, Rosinha...

Tentei tentei e meti-te na cesta\ris-te é dás-me a volta à cabeça\ lá lá lá

Cantarolei.

É o fim. Aposto que esta merda foi parte de um plano sócratico para castigar os portugueses pelas manifestações dos últimos tempos. Só pode ser. É o engenheiro Sócrates a vingar-se:

à não tão contentitos? então tomem o Rui Santos, o Marco de Camillis, o Ricardo Soler, o Carluz Belo (ninguém se chama assim, a sério, ninguém se chama Carluz Belo!) e os Blá Blá. Mais o resto do pacote. E se não se portam bem, ainda visto a Sílvia Alberto. Vai aparecer de Burka!

Rui Costa é um eucalipto que seca tudo à volta. E se se atirar para uma piscina com pouca água vai-se magoar

Diz o Rui Santos.

É melhor ir dormir. A sério. É melhor!

8.3.08

Sense and sensibility*

É impressão minha, ou o governo da República anda demasiado nervoso, com algum histerismo à mistura? É que já nem sequer há o mínimo de bom senso...

*Roubado despudoradamente de Jane Austen.

Não é só autismo político. É total cegueira, com estupidez à mistura

E a ministra insiste que mais de dois terços dos professores portugueses estão equivocados (cerca de 100 mil). Na opinião da senhora, esta classe de profissionais altamente qualificados não tem qualquer tipo de massa crítica para ver a bondade das suas medidas. Faz-me lembrar uma amiga que afirmava que o mundo estava todo louco, com duas excepções: eu e ela. E ainda assim, ela tinha dúvidas a meu respeito.

Falta de vergonha

Por falar em Santos Silva, ele também não foi ministro de Educação com Ana Benavente como sua secretária de Estado? O que pensará o senhor sobre as declarações de Valter Lemos sobre o seu ministério? E o que terá a dizer enquanto ministro do actual governo que critica abertamente as políticas por si seguidas?
Isto não é só incoerência: é falta de vergonha na cara!

Diz que é uma espécie de democrata...

Augusto Santos Silva não só não tem credibilidade nenhuma como não tem qualquer legitimidade para falar em democracia. Porque para falar de democracia, é preciso ser-se democrata, coisa que Santos Silva manifestamente não é (o próprio Vicente Jorge Silva já o reconheceu).

7.3.08

87º Aniversário do PCP

Eu nunca votaria no PCP. Porque entre a sociedade que defendo e aquela que é sugerida pelo partido existe um imenso oceano.

O autoritarismo do PCP, efeitado pelos tiques de quem ainda acredita viver na clandestinidade, irrita-me solenemente. Tal como a disciplina militar imposta aos militantes ou os dogmas servidos ao pequeno-almoço.

Paradoxalmente (ou talvez não, que sei eu?) tenho um profundo respeito pelo PCP. As razões pelas quais detesto o partido da foice e do martelo são practicamente as mesmas que me levam a respeitá-lo.

Porque respeito quem acredita firmemente em ideias (mesmo que contrariem as minhas), quem é religioso (e os militantes do PCP são profundamente religiosos, professando os seus dogmas diariamente), quem calcorreia generosamente caminhos dificeis.

Respeito o conservadorismo do PCP, o facto de ser, cada vez mais, um partido de classe. E um sólido ancoradouro.

Respeito a memória de todos os militantes do PCP que durante 60 anos lutaram contra o regime que nos teve cativos. Foi o maior contributo que o partido deu a Portugal: a capacidade de organizar e conduzir a resistência.

Nunca votaria no PCP. Mas não me importo de o ver por aí.

Post-Scriptum: Todas as edições clandestinas do Avante estão agora digitalizadas e on-line. No sítio do PCP (não me peçam para aqui colocar o link. Já era demais!).

Precisa-se de matéria prima para construir um país

É tão raro, mas tão raro, concordar com o Eduardo Prado Coelho que não resisti a postar um texto dele com o qual, espantosamente, estou de pleno acordo.

Foi-me enviado por e-mail e, ao que parece, retirado do Público (não sei, não o li no jornal nem sei qual a data da sua publicação).

Ei-lo.

Alvísseras, um dia concordei com o Prado Coelho!

Precisa-se de matéria prima para construir um país

A crença geral anterior era de que Santana Lopes não servia, bem como Cavaco, Durão e Guterres. Agora dizemos que Sócrates não serve. E o que vier depois de Sócrates também não servirá para nada. Por isso começo a suspeitar que o problema não está no trapalhão que foi Santana Lopes ou na farsa que é o Sócrates. O problema está em nós. Nós como povo. Nós como matéria prima de um país.

Porque pertenço a um país onde a ESPERTEZA é a moeda sempre valorizada, tanto ou mais do que o euro. Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais apreciada do que formar uma família baseada em valores e respeito aos demais.

Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os jornais jamais poderão ser vendidos como em outros países, isto é, pondo umas
caixas nos passeios onde se paga por um só jornal e se tira um só jornal, deixando os demais onde estão.

Pertenço ao país onde as empresas privadas são fornecedoras
particulares dos seus empregados pouco honestos, que levam para casa, como se fosse correcto, folhas de papel, lápis, canetas, clips e tudo o que possa ser útil para os trabalhos de escola dos filhos .... e para eles mesmos.

Pertenço a um país onde as pessoas se sentem espertas
porque conseguiram comprar um descodificador falso da TV Cabo, onde se frauda a declaração de IRS para não pagar ou pagar menos impostos.

Pertenço a um país onde a falta de pontualidade é um hábito. Onde os directores das empresas não valorizam o capital humano. Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo nas ruas e depois reclamam do governo por não limpar os esgotos. Onde pessoas se queixam que a luz e a água são serviços caros. Onde não existe a cultura pela leitura (onde os nossos jovens dizem que é "muito chato ter que ler") e não há consciência nem memória política, histórica nem económica. Onde os nossos políticos trabalham dois dias por semana para aprovar projectos e leis que só servem para caçar os pobres, arreliar a classe média e beneficiar alguns.

Pertenço a um país onde as cartas de condução e as declarações médicas podem ser "compradas", sem se fazer qualquer exame. Um país onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma criança nos braços, ou um inválido, fica em pé no autocarro, enquanto a pessoa que está sentada finge que dorme para não lhe dar o lugar. Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro e não para o peão. Um país onde fazemos muitas coisas erradas, mas estamos sempre a criticar os nossos governantes.

Quanto mais analiso os defeitos de Santana Lopes e de Sócrates, melhor me sinto como pessoa, apesar de que ainda ontem corrompi um guarda de trânsito para não ser multado. Quanto mais digo
o quanto o Cavaco é culpado, melhor sou eu como português, apesar de que ainda hoje pela manhã explorei um cliente que confiava em mim, o que me ajudou a pagar algumas dívidas.  Não. Não. Não. Já basta.

Como "matéria prima" de um país, temos muitas coisas boas, mas falta muito para sermos os homens e as mulheres que o nosso país precisa. Esses defeitos, essa chico-espertice" congénita, essa
desonestidade  em pequena escala, que depois cresce e evolui até se
converter em casos escandalosos na política, essa falta de qualidade
humana, mais do que Santana, Guterres, Cavaco ou Sócrates, é que é
real e honestamente má, porque todos eles são portugueses como nós, eleitos por nós. Nascidos aqui, não noutra parte...

Fico triste. Porque, ainda que Sócrates se fosse embora hoje, o próximo que o suceder terá que continuar a trabalhar com a mesma matéria prima defeituosa que, como povo, somos nós mesmos. E não poderá fazer nada... Não tenho nenhuma garantia de que alguém possa fazer melhor, mas enquanto alguém não sinalizar um caminho destinado a erradicar primeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirá. Nem serviu Santana, nem serviu Guterres, não serviu Cavaco, e nem serve Sócrates, nem servirá o que vier.

Qual é a alternativa? Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei com a força e por meio do terror?  Aqui faz falta outra coisa. E enquanto essa "outra coisa" não comece a surgir de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou do centro para os lados, ou como queiram, seguiremos igualmente condenados, igualmente estancados....igualmente abusados! 

É muito bom ser português. Mas quando essa portugalidade autóctone começa a ser um empecilho às nossas possibilidades de desenvolvimento como Nação, então tudo muda...  Não esperemos acender uma vela a todos os santos, a ver se nos mandam um messias. Nós temos que mudar. Um novo governante com os mesmos portugueses nada poderá fazer. Está muito claro... Somos nós que temos que mudar.  Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que anda a acontecer-nos: desculpamos a mediocridade de programas de televisão nefastos e francamente tolerantes com o fracasso. É a indústria da desculpa e da estupidez. Agora, depois desta mensagem, francamente decidi procurar o responsável, não para o castigar, mas para lhe exigir (sim, exigir) que melhore o seu comportamento e que não se faça de mouco, de desentendido. Sim, decidi procurar o responsável e estou seguro de que o encontrarei quando me olhar ao espelho. Aí está. Não é preciso.

Eduardo Prado Coelho

Tudo louco III

Sinceramente, acho que o pior que podia acontecer a Portugal seria a demissão de Maria de Lurdes Rodrigues. Porque enquanto a senhora se mantiver como ministra, o governo vai cozendo em lume brando. Para gáudio e alegria dos verdadeiros democratas e a bem da nação!

Tudo louco II

A ministra da Educação, para além de classificar os professores de incompetentes e mandriões, ainda os considera incapazes e estúpidos. Porque só à luz desta sua concepção, é que podemos entender as suas afirmações de que os professores estão a ser manipulados e que só se manifestam porque não perceberam bem o modelo de avaliação.
Quer dizer, esta que se está a revelar como a maior manifestação de unidade da classe, transversal às ideologias políticas e aos partidos portugueses, deve-se, no entender da sr. ministra, à burrice e imbecilidade dos professores. Está bem, está...

Tudo louco

Ontem ouvi um deputado "socretino" defender que os professores são uma classe de mentirosos, utilizando as afirmações menos felizes ou mesmo imbecis de alguns docentes. Como se alguém reconhecesse legitimidade aos políticos (e muito especialmente aos apoiantes deste governo) para fazerem juízos de valor sobre quem quer que seja na sociedade portuguesa.

6.3.08

O romance da minha vida

Um país que prefere a tirania à incerteza merece todo o tipo de tirania.

A frase, dita por uma das personagens da obra O Romance da Minha Vida, do cubano Leonardo Pandura, é a chave para se entender a percepção do autor sobre a ilha.

O Romance da Minha Vida é uma longa viagem por Cuba. Pela Cuba de Herédia, o poeta exilado. Pela Cuba recém liberta de Espanha. Pela Cuba actual.

A trágica história da ilha é contada por dois exilados, Herédia, que fugiu em 1823, Fernando, que fugiu de Fidel. E escrita por um exilado. É uma espécie de viagem circular num espaço imutável.

Não é uma obra-prima. Mas é um bom livro.romanceminhavida

5.3.08

"Contrapeso da Maioria"

Voltou à agenda política/parlamentar madeirense, o respeito pelo Estatuto e Direitos da Oposição. É um tema pouco recorrente, mas de forma latente é todos os dias lembrado!
O artigo 114º, nº 1 e 2 da CRP, configura o reconhecimento explícito da Oposição, ao balizá-la como um desígnio constitucional, “os partidos políticos participam nos órgãos baseados no sufrágio universal e directo, de acordo com a sua representatividade eleitoral”, e como corolário “ é reconhecido às minorias o direito de oposição democrática, nos termos da Constituição e da lei”.
A Lei 24/98 nº2 concretiza , ao entender “por oposição a actividade de acompanhamento, fiscalização e crítica das orientações políticas do Governo ou dos órgãos executivos das regiões autónomas e das autarquias locais de natureza representativa”.
A Região Autónoma da Madeira, regista ao longo de três décadas um ambiente político bastante estável. É no quadro das democracias contemporâneas europeias, a única Região que mantém o mesmo partido e inclusive o mesmo chefe governativo no exercício do poder.
Isto constitui uma situação atípica, e um caso particular num país democrático, um partido político (PSD) ser unicamente uma solução governativa e ao nível parlamentar nunca ter experimentado o papel de oposição.
A figura do Regimento da Assembleia Legislativa Regional da Madeira, institui as normas de funcionamento da actividade parlamentar, e muitas vezes é desenhado (alterado normalmente em cada legislatura) para beneficiar as maiorias que suportam os executivos bem como condicionar o exercício da actividade parlamentar da Oposição.
Quanto a este tema, informo que até ao final do ano de 2008 estará disponível um estudo sobre a Oposição Parlamentar na Assembleia Legislativa Regional da Madeira. Aguardem pelas conclusões!!

4.3.08

O Modelo de Avaliação e o Metro de Londres



A piada não é minha, mas tenho o maior gosto em a materializar. A verdade é que o Metro de Londres, apesar de gigantesco e intrincado, não é assim tão confuso. Agora o Modelo de Avaliação dos professores é que ainda não consegui descodificar por completo.

3.3.08

Tão bom, tão bom, que ninguém lhe pega...

As reformas feitas pelo Ministério da Educação são tão boas que até a inefável Ana Benavente (recordam-se daquela secretária de Estado que achava que a Filosofia não fazia falta aos currículos do secundário?) opõe-se a elas.
Por outro lado, os mesmos socialistas que teciam loas aos governos de Guterres e aos ministérios de Marçal Grilo e Oliveira Martins são os mesmos que agora aparecem a atacar a ex-secretária de Estado. O que diz muito acerca do que é ser socialista em Portugal!

Basta que sim!

Cavaleiro andante era o outro, o senhor. Eu cá estou mais para Sancho Pança, o Gordo!
Mas já ia sendo tempo, não Miguel?!
Quanto às tuas posições, digo-te que o problema não está apenas o nível da avaliação, conforme queres fazer crer. O receio vai muito mais além: o regime de autonomia das escolas; as transferências de competências para as autarquias; a forma prepotente como esta equipa ministerial impõe as suas decisões; a precipitação desta ministra, que age antes de pensar, que elogia antes de avaliar. E não te esqueças, daquela brilhante ideia que encerrará muitos dos conservatórios de música deste país e impedirá a formação musical de milhares de jovens.
O problema desta equipa ministerial e as constantes manifestações que contra si são organizadas não se prende apenas com a avaliação: são tantas as más medidas que custa lembrá-las todas!

2.3.08

Cinema


A minha última viagem ao cinema foi para ver “Sweeney Todd, o Terrível Barbeiro de Fleet Street”, de Tim Burton.

É um filme de uma extraordinária realização. Cada plano é um autêntico quadro. Nada foi deixado ao acaso. A ausência de cor dá-lhe a dimensão estética e dramática necessária para a pesada narrativa.

Minto. Há uns riscos de cor, mas só surgem a meio do filme. Quando o excepcional barbeiro inglês do século XIX, interpretado por Johnny Depp, coloca em marcha um maquiavélico plano para aniquilar o mal em troca do bem. O problema é que o ajuste de contas transforma-se num rosário de crueldade.


É nesta altura que as cenas ganham cor. Um vermelho explosivo que salta do ecrã e suja os telespectadores. Alguns não resistem à violência das imagens, e tentam, com as mãos, esconder o que os olhos desejam ver.

Há muito sangue neste filme. Há muita violência, muita vingança.

Será que esta estória poderia ser filmada de outra forma??? Acho que não.

“O Terrível Barbeiro de Fleet Street” é um documento único. A história nasceu na Londres do início do século XIX. Não existem provas. Apenas relatos orais que passaram de geração em geração, até que alguém adaptou a lenda ao teatro e depois ao cinema (1926 primeiro filme). Agora resurgiu através das mãos de Tim Burton. Recordo-me de "Existenz". Já tem alguns anos. Talvez 10. Uma vez mais foi engolido por esta envolvente história, cantada, (o filme é um musical) que me encantou.

Não lhe mudava nada. A obra é quase perfeita.

1.3.08

Os 6 da manifestação

Eu cá escondia-me e nunca mais aparecia em público nem em nada. A manifestação desta semana dos professores madeirenses convocada por sms e email, com concentração na escola Jaime Moniz, teve a adesão de 6 docentes (seis, por extenso). Nem a mais reles associação de estudantes, nem os amigos da bisca seriam capazes de tão pouco.

O que estes “destemidos” (e enganados) não entenderam é que na Madeira os docentes, grosso modo, estão satisfeitos com a legislação regional, com as suas carreiras, vencimentos, condições e expectativas profissionais. Tudo porque, convém dizê-lo, o Governo Regional não os destratou nem quis fazer “uma revolução” num só dia.

Escusado será virem os do costume com a lenga-lenga das represálias, de que “na Madeira é diferente”, de que não convém “fazer ondas”, enfim. Isso é conversa. Ou são contra, e iam à Jaime Moniz às 17 horas, ou são a favor, e não apareciam, como de resto fizeram 6 mil e tal educadores.

Adesão, porra

A propósito duma manifestação um jornalista duma rádio madeirense (se me perguntarem digo qual) afirmou que “houve pouca aderência” à dita.

Filhinho de Deus, usa-se adesão quando se trata de pessoas, e aderência quando se trata de objectos. Para a 4ª Classe já.

Em bom alentejano: não queres ir apanhar nas nalgas, pois não?

Ouvi hoje um Sr. da CONFAP (Confederação das Associações de Pais e Encarregados de Educação) exigir aos docentes que parem com a sua luta, em prol dos alunos. Que esta gentinha está feita com o governo da República, já todos havíamos percebido aquando das polémicas sobre as aulas de substituição (que, estou convencido, começou por ser a primeira cedência do ME à CONFAP para depois contar com este apoio) e as Actividades de Enriquecimento Curricular. Agora, esta entidade vir exigir à classe que termine a luta, evocando, cobarde e ilegitimamente um eventual superior interesse dos alunos, que não estaria salvaguardado, começa a ser demais! Até parece que os alunos estão a ser prejudicados pela legítima luta dos docentes!...
Este é mesmo um daqueles casos que apetece atirar com toda a retórica da real pergunta: e tu, por qué no te callas?

Serenidade ou submissão?

"Cavaco Silva apela à serenidade!"
A serenidade de fala o Sr. Presidente, estamos todos fartos de conhecer. Quer é a sumissão. Quer que pare a luta dos docentes e que estes não criem mais "ondas". Todos nós sabemos que o Sr. Presidente gosta de ambientes pacíficos, onde o governo impõe e o povo engole sem mais. Pois parece-me, Sr. Presidente, que desta vez o Sr. está com azar!

29.2.08

Os Carrascos da RTP

O PSD arrisca-se a ser o carrasco da Televisão Pública Portuguesa.

Luís Filipe Menezes, o líder da oposição, com aspirações a Primeiro-Ministro, na primeira grande entrevista que deu, afirmou que o partido, o PSD, vai acabar com a publicidade na RTP.

Está demonstrado, se não estava ficou, quais são as prioridades deste homem caso consiga chegar ao poder. Eu e a larga maioria dos portugueses esperava ouvir da boca do líder do maior partido da oposição outras propostas. Como vai emagrecer o desemprego, baixar a despesa pública, modernizar o país e a administração do Estado, fazer de Portugal uma nação moderna e competitiva da EU.

Infelizmente o que ficou dessa entrevista, mas não foi dito, é que pretende retirar mais dinheiro dos contribuintes para pagar o serviço público de televisão.

Ao acabar com a publicidade das duas uma: - Ou os canais públicos (RTP; RTP-Madeira e Açores; RTP2, África e Internacional) conseguem prestar o mesmo serviço de televisão com idêntica qualidade, mas com menos dinheiro, ou o Governo terá que injectar, via orçamento de Estado, o que hoje a RTP obtém com a venda de publicidade na RTP1.

É isto que Luís Filipe Menezes não disse aos Portugueses. De certeza que jantou, ou almoçou nos últimos dias com Pinto Balsemão, o patrão da SIC. É o Social-Democrata e magnata da comunicação, que há pelo menos 10 anos, oiço defender esta tese que Menezes subscreve.

Em França Nicolas Sarkozy tem uma proposta idêntica, mas não se compare o incomparável. São países com índices de riqueza díspares.

Quando Cavaco era Primeiro-Ministro também alienou os transmissores (antenas) da RTP. Vendou à PT a preço de saldos. Agora Menezes pretende ficar na história da televisão em Portugal, como o Presidente do PSD, que entrega sem contrapartidas às estações privadas, uma fatia do bolo da publicidade.