"Reúne sete ou oito sábios e tornar-se-ão outros tantos tolos, pois incapazes de chegar a acordo entre eles, discutem as coisas em vez de as fazerem" - António da Venafro
12.4.08
Memórias de Branca Dias
10.4.08
E o mau tempo chegou.................
O que Miguel Albuquerque não disse, mas quer dizer, é que não pode fazer mais porque a autarquia não tem dinheiro para fazer face às adversidades provocadas pelo mau tempo.
Será que é este o papel de uma Câmara Municipal, quando os munícipes mais precisam de ajuda???
9.4.08
8.4.08
Espreitar a chuva II
Quem sai aos seus...
Atenção
Preocupa-me, também, saber a quem será entregue a empreitada. Estaremos atentos para ver se empresas onde trabalham políticos integrarão os inevitáveis consórcios...
Ciranda da Bailarina
Ciranda da Bailarina
Composição: Edu Lobo / Chico Buarque
Procurando bem
Todo mundo tem pereba
Marca de bexiga ou vacina
E tem piriri, tem lombriga, tem ameba
Só a bailarina que não tem
E não tem coceira
Berruga nem frieira
Nem falta de maneira ela não tem
Futucando bem
Todo mundo tem piolho
Ou tem cheiro de creolina
Todo mundo tem
um irmão meio zarolho
Só a bailarina que não tem
Nem unha encardida
Nem dente com comida
Nem casca de ferida ela não tem
Não livra ninguém
Todo mundo tem remela
Quando acorda às seis da matina
Teve escarlatina
ou tem febre amarela
Só a bailarina que não tem
Medo de subir, gente
Medo de cair, gente
Medo de vertigem
Quem não tem
Confessando bem
Todo mundo faz pecado
Logo assim que a missa termina
Todo mundo tem um primeiro namorado
Só a bailarina que não tem
Sujo atrás da orelha
Bigode de groselha
Calcinha um pouco velha
Ela não tem
O padre também
Pode até ficar vermelho
Se o vento levanta a batina
Reparando bem, todo mundo tem pentelho
Só a bailarina que não tem
Sala sem mobília
Goteira na vasilha
Problema na família
Quem não tem
Procurando bem
Todo mundo tem.
Declaração de interesse: prefiro a versão original. Mas esta, da Adriana Calcanhoto, também é deliciosa.
Espreitar a chuva
Consigo ver através da minha janela a chuva. Em simultâneo oiço-a cair na terra.
Apetece agasalhar-me no refúgio de um tecto e contemplar a queda livre da água que vem do espaço. Cai como meteoritos. Só não dizima espécies, como aconteceu há milhões de anos. Eu não estava lá. Nem agora sei se estou cá. Apenas sinto que existo, mas não consigo medir o tamanho da minha dimensão face ao universo. Também não importa.
Imagino que a chuva já tenha feito estragos. Imagino que a esta hora, já existam danos colaterais nos sapatos de muitas mulheres. Talvez no cabelo. Talvez nas calças. Também não importa.
Há muito tempo que não chovia. Pelo menos assim.
Há muito tempo que não escrevia. Pelo menos assim. Acho que estive de férias. Acho que me assaltaram o cofre das letras. Quando parar de chover, vou iniciar a busca. Se entretanto, alguém encontrar palavras entre os destroços da água, avise.
Podem ser minhas.
7.4.08
Entre idiotas, patetas e imbecis, venha o diabo e escolha
Nalguns casos, sei bem o que os move. Mas não basta a intenção: para ser eficaz é preciso alguma substancia. E os que por aqui pululam já demonstraram que os seus horizontes mais longíquos são mesmo os seus ricos umbigos...
Portanto, a característica que mais os identifica não será bem a patetice: é a imbecilidade!
Afinal Paretto estava errado

Vão roubar pó c...
Ora, tudo isto estaria muito bem (e eu, por princípio, subscrevo-o), se a prática consubstanciasse a teoria. Mas a realidade é bem diferente. Exemplifico: no ano passado a banca portuguesa apresentou rendimentos fabulosos (à custa de todos nós e dos funcionários, que trabalham em média mais 30%, sem direito a qualquer hora extraordinária e com o cúmulo de se esconderem quando há alguma inspacção do trabalho) e, que se saiba e ou se tenha visto, não representou nenhuma mais-valia para todos os portugueses que não são accionistas e dirigentes. Este ano, como se perspectiva um ano difícil, já vieram a terreiro os banqueiros, com a simpatia dos comentadores especialistas em assuntos económicos e o beneplácito do governo, informar que os prejuízos serão grandes mas redistribuídos por todos: clientes e restante população (através dos regimes de excepção). Ora, com exemplos destes, como é que poderemos alguma vez confiar nas empresas portuguesas. Porra para elas e que vão morrer para longe!
É como alguém dizia: a banca é exímia em privatizar lucros e em democratizar prejuízos.
Isenção à portuguesa
Passados alguns anos e alegadamente por forma a combater alguma promiscuidade, entendeu-se que o IPQ deveria sair dessa entidade certificadora, sendo criada a APCER (Associação Portuguesa de Certificação), uma vez que não seria transparente que a organização que responsável pelo Sistema Português da Qualidade (SPQ) fosse accionista da entidade certificadora.
Até aqui, tudo bem. O engraçado é que a necessidade de isenção vale apenas para um lado. Isto é, as associações industriais e empresariais mantiveram-se como accionistas na APCER, sendo que algumas das empresas associadas dessas organizações empresariais são os principais clientes da APCER. E, de acordo com o olhar do mundo empresaria português, aqui não há qualquer tipo de promiscuidade.
E assim se vai fazendo a vida portuguesa. É um salve-se quem puder...
6.4.08
Canto dos Poetas
Este é mais um projecto da Associação do Imaginário que, apesar de acompanhar desde o seu início e de já ter assistido a muitos concertos, nunca deixou de me emocionar. Por razões familiares, claro que sim (porque nisto do canto dos poetas e de outras cantos, os afectos estão sempre próximos), mas essencialmente porque ouvir as palavras outrora cantadas por Adriano Correia de Oliveira, Zeca Afonso e Zé Mário Branco continuam a despertar o desejo de liberdade. Ainda para mais, num momento em que assistimos a um clima de perseguição inaudito em trinta e tal anos de democacria.
Sabe bem voltar a ouvir as canções de liberdade. E digo-o sem qualquer prurido, porque nisto de ideologias, apesar de ser insuspeito de manter qualquer simpatia pela esquerda, não posso deixar de reconhecer a importância do sonho de tantos e na esperança de quase todos.
Por isso, blogosfericamente (perdoem o neologismo), manifesto o meu agradecimento à direcção pela iniciativa Cafés de Abril. Pode ser que a palavra volte a despertar e assuma a sua real qualidade de arma em defesa da liberdade.
Anedotas
Mas tudo isso parece ser normal.
Há dois dias soubemos que Jorge Coelho irá presidir uma empresa à qual entregou milhões em contratos públicos, enquanto ministro das obras públicas.
Mas também isto parece normal.
Os professores são agredidos nas escolas.
Ao que tudo indica e a crer nas afirmações do secretário da Estado, isso é normal.
Aumenta a criminalidade violenta.
O governo anuncia que essa é uma situação normal.
Portugal está a saque, o governo impõe acções persecutórias às vozes discordantes, mas a acreditar na opinião publicada, nada de anormal se passa.
Isto não é um país. Portugal é apenas uma anedota de mau gosto!
31.3.08
PS/Madeira ou o prenúncio da morte de uma quimera?
Mas são bem demonstrativas do que vale o PS/Madeira para a estrutura nacional. Não passa de carne para canhão, quando dá jeito. Mas, não merecendo o meu aplauso, também não são declarações surpreendentes: o PS/Madeira tanto se tem vergado - conforme se viu na votação do último orçamento de Estado - , que neste momento vale o mesmo que nada (que, de resto, é o que vale eleitoralmente). Esta é uma situação que demonstra bem que o PS reconhece que os socialistas madeirenses não falam, porque não sabem nem nunca souberam, falar com os madeirenses e que, portanto, não têm qualquer importância no jogo político que se desenrola na Madeira. E, conforme já esclareceu André Escórcio, não tente o PS/Madeira justificar os elogios de Jaime Gama a Alberto João Jardim com a necessidade de manter um bom relacionamento institucional: porque as palavras não são institucionais e têm uma intencionalidade ainda não totalmente esclarecida, mas absolutamente inquestionável.
Estou, contudo, convencido, que apresentado o voto de protesto, o PS/Madeira tentará esquecer mais esta falta de solidariedade e completa descredibilização e voltará a cometer todos os erros do passado, vendendo a defesa da Madeira e dos madeirenses em favor de uma suposta superior estratégia nacional. E continuarão a ser subservientes a Lisboa, para mal dos seus pecados!
29.3.08
Malvados tibetanos
Jóminho, Jóminho, às vezes ficas tão bem calado!
Porque outros dizem melhor do que eu
Não podia estar mais de acordo contigo Miguel (www.bastaqsim.blogspot.com).
28.3.08
America
Deixo-vos com um dos meus poemas favoritos. Allen Ginsberg. America. É longo mas vale a pena. Nem sei bem porque me lembrei disto hoje, mas enfim...
America I've given you all and now I'm nothing.
America two dollars and twenty-seven cents January 17, 1956.
I can't stand my own mind.
America when will we end the human war?
Go fuck yourself with your atom bomb
I don't feel good don't bother me.
I won't write my poem till I'm in my right mind.
America when will you be angelic?
When will you take off your clothes?
When will you look at yourself through the grave?
When will you be worthy of your million Trotskyites?
America why are your libraries full of tears?
America when will you send your eggs to India?
I'm sick of your insane demands.
When can I go into the supermarket and buy what I need with my good looks?
America after all it is you and I who are perfect not the next world.
Your machinery is too much for me.
You made me want to be a saint.
There must be some other way to settle this argument.
Burroughs is in Tangiers I don't think he'll come back it's sinister.
Are you being sinister or is this some form of practical joke?
I'm trying to come to the point.
I refuse to give up my obsession.
America stop pushing I know what I'm doing.
America the plum blossoms are falling.
I haven't read the newspapers for months, everyday somebody goes on trial for
murder.
America I feel sentimental about the Wobblies.
America I used to be a communist when I was a kid and I'm not sorry.
I smoke marijuana every chance I get.
I sit in my house for days on end and stare at the roses in the closet.
When I go to Chinatown I get drunk and never get laid.
My mind is made up there's going to be trouble.
You should have seen me reading Marx.
My psychoanalyst thinks I'm perfectly right.
I won't say the Lord's Prayer.
I have mystical visions and cosmic vibrations.
America I still haven't told you what you did to Uncle Max after he came over
from Russia.
I'm addressing you.
Are you going to let our emotional life be run by Time Magazine?
I'm obsessed by Time Magazine.
I read it every week.
Its cover stares at me every time I slink past the corner candystore.
I read it in the basement of the Berkeley Public Library.
It's always telling me about responsibility. Businessmen are serious. Movie
producers are serious. Everybody's serious but me.
It occurs to me that I am America.
I am talking to myself again.
Asia is rising against me.
I haven't got a chinaman's chance.
I'd better consider my national resources.
My national resources consist of two joints of marijuana millions of genitals
an unpublishable private literature that goes 1400 miles and hour and
twentyfivethousand mental institutions.
I say nothing about my prisons nor the millions of underpriviliged who live in
my flowerpots under the light of five hundred suns.
I have abolished the whorehouses of France, Tangiers is the next to go.
My ambition is to be President despite the fact that I'm a Catholic.
America how can I write a holy litany in your silly mood?
I will continue like Henry Ford my strophes are as individual as his
automobiles more so they're all different sexes
America I will sell you strophes $2500 apiece $500 down on your old strophe
America free Tom Mooney
America save the Spanish Loyalists
America Sacco & Vanzetti must not die
America I am the Scottsboro boys.
America when I was seven momma took me to Communist Cell meetings they
sold us garbanzos a handful per ticket a ticket costs a nickel and the
speeches were free everybody was angelic and sentimental about the
workers it was all so sincere you have no idea what a good thing the party
was in 1935 Scott Nearing was a grand old man a real mensch Mother
Bloor made me cry I once saw Israel Amter plain. Everybody must have
been a spy.
America you don're really want to go to war.
America it's them bad Russians.
Them Russians them Russians and them Chinamen. And them Russians.
The Russia wants to eat us alive. The Russia's power mad. She wants to take
our cars from out our garages.
Her wants to grab Chicago. Her needs a Red Reader's Digest. her wants our
auto plants in Siberia. Him big bureaucracy running our fillingstations.
That no good. Ugh. Him makes Indians learn read. Him need big black niggers.
Hah. Her make us all work sixteen hours a day. Help.
America this is quite serious.
America this is the impression I get from looking in the television set.
America is this correct?
I'd better get right down to the job.
It's true I don't want to join the Army or turn lathes in precision parts
factories, I'm nearsighted and psychopathic anyway.
America I'm putting my queer shoulder to the wheel.
27.3.08
Questão fracturante ou de factura?
PS - Por mim, é preferível acabar já com o casamento. Como diz o líder do PS, é preciso terminar com a união assente em deveres. Para quê, então, continuar a existir? Os afectos podem perfeitamente manter-se numa união de facto que, de resto - e em jeito de declaração de interesses -, foi a opção adoptada por mim e pela minha namorada.
A Nossa Cidade
Caro Sancho:
Desta vez, estou em total desacordo contigo.
Na minha opinião, é peça é boa. O texto (vencedor de um Pulitzer, por sinal) é excelente e considero a adaptação muito feliz.
Na sua generalidade, os actores são bons. Creio que é uma boa homenagem à cidade.
Para além do mais há, naquela peça, um contributo maior do que o evento em si. Há, se reparares, uma clara tentativa de agrupar pessoas de várias proveniências em torno de um objectivo comum.
O elenco conta com gente do TEF, do Com.Tema, dos Grupos do Estabelecimento Prisional e da Oficina Versus. Só essa tentativa de trabalhar em conjunto, esquecendo as habituais capelinhas e rivalidades já justifica o apoio.
Quanto ao resto, acho que os 7,5 são plenamente aceitáveis pela qualidade do espectáculo.
Abraço
Gonçalo
26.3.08
A nossa cidade... Mas só se pagares!
Ao que parece, o Teatro Experimental do Funchal (TEF) tem em cena a peça A nossa cidade, a sua contribuição para as comemorações dos 500 anos do Funchal.É louvável e vem ao encontro do importante trabalho que esta associação tem desenvolvido na promoção do teatro na Região.
O que a me transtorna profundamente, é que o TEF cobre 7,50€ a cada espectador. Primeiro porque não apresenta espectáculos com qualidade suficiente para cobrar este valor. Depois, porque tem financiamentos milionários do Governo Regional e da Câmara Municipal de Funchal. Com o cúmulo de ter cedida uma sala de espectáculos a título gratuito e ainda poder usufruir (eu diria usurpar) o Teatro Baltazar Dias, esse nobilíssimo espaço da cidade, a seu bel-prazer.
Conhecendo, como conheço, o mundo do teatro de amadores e profissional em Portugal, é com algum asco que vejo a cobrança dos bilhetes naquele valor. Porque atendendo às condições que lhes são proporcionadas pelas autoridades regionais, o mínimo que se podia esperar era que a apresentação pública fosse a título absolutamente gratuito, ou com uma bilheteira simbólica e mais ajustada à qualidade apresentada nos seus espectáculos.
PS - Lembro-me de um fantástico acordo que mantinham com o Teatro Nacional D. Maria, que lhes permitiu, numa atitude de novo-riquismo absolutamente inqualificável, pagar fortunas para a companhia lisboeta vir à Região e, que se saiba, nunca tenham feito qualquer apresentação na capital portuguesa.
Boca fechada...
Tss, tss. O gosto de chocar não justifica tudo!
Questão de coerência
É esta a forma de governar dessa personagem que dá pelo nome de José Sócrates. E os socialistas, quais macaquinhos amestrados, dão pulinhos e cantam loas ao magnânime líder. Óh, que bom que ele é...
E a isto estamos entregues!
24.3.08
País de loucos II ou as prioridades do BE
Não acredito em bruxas, mas...
País de loucos
Isto, a propósito disto.
21.3.08
Coisas de romanos
Caríssimo amigo, como saberás, eu não faço política partidária, apenas vou comentando o que se me é dado a ver. E a ideia de uma super-coligação das oposições parece-me uma coisa do outro mundo. Quanto à expiação dos pecados, como homem de fé não deixarei de o fazer...
Votos de uma boa Páscoa!
20.3.08
Cada cabeça, sua sentença: leis, para quê?
Contra natura
Aliás, veio já a terreiro uma linha avançada que acusa o PCP de conivência com o PSD apenas porque os comunistas madeirenses mantêm a sua coerência e recusam fazer coligações com o PS. Nas hostes desta Guarda Pretoriana da patetice, encontra-se Roberto Almada, que apoia os gritos histéricos de Louçã, Drago e companhia em Lisboa contra o "direitismo" do PS e no Funchal quer andar de braço dado com Gouveia e outros que tais.
Ou seja, apesar do desastre que foi aquele outro aborto que alguns tiveram o desplante de apelidar de coligação, alguns políticos madeirenses continuam a achar que vale tudo para derrotar Jardim. Mande-se às malvas a ideologia, esqueça-se as lutas do passado, branquei-se a história: o que conta é tentar derrotar o PSD. Do BE esta atitude já não admira: todos sabemos que os bloquistas pelam-se por uns lugarzinhos ou por umas sobras do PS (o Zé de Lisboa é o melhor exemplo). O que me espanta é que os o PS insista numa estratégia que já demonstrou não levar a lugar nenhum e que apenas prejudica o próprio PS, afastando o eleitorado do centro democrático, única possibilidade que os socialistas têm para crescer eleitoralmente.
Sinceramente não percebo esta estratégia, que mesmisa todos os partidos e os descredibiliza (se nada têm que os distinga, porquê partidos diferentes?), favorecendo apenas o PSD.
Dizem que o PCP é conivente com os sociais-democratas. Pois eu estou cada vez mais convencido que o PS e o BE, quer por estarem minados por toupeiras, quer por manifesta incompetência política é que estão, continuamente, a fazer o jeitinho a Jardim.
11.3.08
Politítica orientada para resultados ou resultados apesar da política?
A estratégia seguida desde o início por este governo da República - que consistiu (e consiste) em achincalhar publicamente os sectores onde depois pretende intervir com reformas de fundo (e outras nem tanto), com o (abjecto e inconsistente) objectivo de obter o apoio do resto da população -, aliado às orientações mais ou menos subreptícias que promovem a delação e o medo da participação, mais o desrespeito pelos direitos (e falo daqueles legítimos) que as pessoas se julgavam possuidoras e a falta de palavra dos actuais governantes, fizeram com que em Portugal se instituísse um clima de permanente desconfiança, que inviabiliza qualquer tentativa de trabalho em rede. Os cidadãos hoje não confiam nas instituições nem na sua administração; o poder judicial olha com desconfiança para o poder político; está instalado o preconceito de que a corrupção é generalizada no poder autárquico; não há possibilidade de fazer reformas na Saúde e na Educação; qualquer anúncio de investimento provoca suspeitas; existe uma generalizada desmotivação em todos os sectores da administração pública; enfim, os exemplos são à catadupa.
Ora, apesar de eu ser absolutamente insuspeito de nutrir qualquer tipo de simpatia por este miserável Governo, a verdade é que me preocupa o estado a que chegamos, que não augura nada de bom para o futuro a curto/médio prazo.
Quem trabalha em sectores transversais sabe que quando se parte para qualquer negociação, os agentes estão já renitentes e não se mostram disponíveis para confiar (fundamental ao trabalho em rede), com terríveis prejuízos para a população que se pretende servir. É, hoje, absolutamente impossível motivar quem quer que seja para objectivos que deveriam ser comuns. Vemos todos os dias: ninguém está hoje disposto a arriscar. Mesmo aqueles outrora mais voluntariosos tendem a assumir uma posição mais comedida e segura. A infeliz estratégia definida por Sócrates fez com todos os sectores produtivos (e não apenas os financeiros e económicos) estejam numa posição de esperar para ver. Fala-se em empreendedorismo mas talvez nunca antes como agora falte tanta vontade de ser empreendedor.
O clima de desconfiança é generalizado e, tal como a SEDES (e outros, como o general Garcia Leandro) preconizou, temo que não seja apenas o trabalho em parceria que esteja em risco: a possibilidade da situação degenerar em revolta social com desenvolvimentos imprevisíveis é real.
É por isso com um misto de receio e cinismo que vejo os governantes anunciarem fantásticos resultados em todos os sectores. Porque o que me é dado ver deste meu horizonte é que os sucessos que se têm atingido - se alguns podemos enumerar -, não se devem a este governo: foram atingidos, apesar do governo que temos.
PS - Miguel, o teu desafio não está esquecido, mas terá que esperar até à próxima semana! Por agora e ainda que por pouco tempo, preciso de ir respirar outros ares mais democráticos e menos esquizofrénicos que aqueles que respiramos actualmente em Portugal.
10.3.08
Bem dito
José Pacheco Pereira, Público, 08-03-2008.
Odeio o Festival da Canção
O tempo que no domingo passado dispensei a ver este pobre espectáculo já o dava antecipadamente por perdido. Mas queria ver se havia alguma novidade. E não houve.
O que houve foi mais uma vez um reles cortejo de vozes vulgares, letras gastas, cantores sem estética e uma produção paupérrima. Felizmente, o que parece já ter acabado e que eu desconhecia, dispensaram-nos dos telefonemas ruidosos das capitais de distrito aquando das votações.
Pode ser que o fim de um “certo ensino especializado” da música responsável pela criação destas “estrelas”, e em boa hora decretado pela ministra da Educação, seja também o fim desta mediocridade.
No meio disto restou a talentosa Vânia Fernandes, que com certeza dará mais umas horas de histeria ao povo madeirense. Com algumas excepções, vencer o Festival da Canção é um passaporte quase certo para o insucesso. Tem sido sempre assim e convém que a Vânia tenha isso em conta.
Concordo e discordo.
PS - Obviamente, discordo em absoluto da missiva ao prof. Marcelo. Porque a liberdade que reconheço aos militantes do PS para se reunirem é a mesma que reconheço aos portugueses de manifestarem a sua indignação ao partido que se encontra a governar o país.
Conselhos avulso
Não leves a mal... É só um alerta!
Reunidos mas pouco
Prioridades
Por outro lado, o homem já chegou a Portugal e sobre a crise na Educação, nem uma palavra! Conhecemos o horror cavaquista às manifestações democráticas, mas desconfio que Cavaco Silva não se poderá fazer de desentendido durante muito mais tempo!
Por onde andou o PM?
Farpas direccionadas
9.3.08
Tortura
Depois de ver mais uma derrota do Sporting, esparramei-me no sofá entretido a fazer zapping.
TVE:
"Nuestros Hermanos" legitimaram novamente aquela espécie de Sócrates.
- Esquece, muda!
SIC-N:
O Camacho foi despedido do Benfica.
Arre, qu'ist'é só espanhóis!
TVI:
O 444444444444444º episódio de uma novela portuguesa.
Canal 1:
Festival da Canção.
A paragem mais dolorosa. Consegui ouvir três cançonetas
Isto não existe!
A merda das pilhas do comando deviam ter sido trocadas há meses!
desesperei, agarrado ao botão que me podia levar dali p'ra fora.
Não tive tempo. Antes que o comando me obedecesse, a boa da Silvia Alberto pôs-me a ouvir uma espécie de medley com todas as musiquetas com que a RTP torturou os portugueses.
Cruzes credo! Cristo! Que saudades dos Da Vinci, do Rui Bandeira, da Anabela, da Dina, do Tó Cruz e de toda essa rapaziada! É que estes são piores! Volta, Rosa Lobato Faria. Tás perdoada! Absolvida de todos os pecados... Os deuses da música e da poesia receber-te-aõ de braços abertos. A sério. Pleaseeeeeeee, Rosinha...
Tentei tentei e meti-te na cesta\ris-te é dás-me a volta à cabeça\ lá lá lá
Cantarolei.
É o fim. Aposto que esta merda foi parte de um plano sócratico para castigar os portugueses pelas manifestações dos últimos tempos. Só pode ser. É o engenheiro Sócrates a vingar-se:
à não tão contentitos? então tomem o Rui Santos, o Marco de Camillis, o Ricardo Soler, o Carluz Belo (ninguém se chama assim, a sério, ninguém se chama Carluz Belo!) e os Blá Blá. Mais o resto do pacote. E se não se portam bem, ainda visto a Sílvia Alberto. Vai aparecer de Burka!
Rui Costa é um eucalipto que seca tudo à volta. E se se atirar para uma piscina com pouca água vai-se magoar
Diz o Rui Santos.
É melhor ir dormir. A sério. É melhor!
8.3.08
Sense and sensibility*
*Roubado despudoradamente de Jane Austen.
Não é só autismo político. É total cegueira, com estupidez à mistura
E a ministra insiste que mais de dois terços dos professores portugueses estão equivocados (cerca de 100 mil). Na opinião da senhora, esta classe de profissionais altamente qualificados não tem qualquer tipo de massa crítica para ver a bondade das suas medidas. Faz-me lembrar uma amiga que afirmava que o mundo estava todo louco, com duas excepções: eu e ela. E ainda assim, ela tinha dúvidas a meu respeito.
Falta de vergonha
Isto não é só incoerência: é falta de vergonha na cara!
Diz que é uma espécie de democrata...
7.3.08
87º Aniversário do PCP
Eu nunca votaria no PCP. Porque entre a sociedade que defendo e aquela que é sugerida pelo partido existe um imenso oceano.
O autoritarismo do PCP, efeitado pelos tiques de quem ainda acredita viver na clandestinidade, irrita-me solenemente. Tal como a disciplina militar imposta aos militantes ou os dogmas servidos ao pequeno-almoço.
Paradoxalmente (ou talvez não, que sei eu?) tenho um profundo respeito pelo PCP. As razões pelas quais detesto o partido da foice e do martelo são practicamente as mesmas que me levam a respeitá-lo.
Porque respeito quem acredita firmemente em ideias (mesmo que contrariem as minhas), quem é religioso (e os militantes do PCP são profundamente religiosos, professando os seus dogmas diariamente), quem calcorreia generosamente caminhos dificeis.
Respeito o conservadorismo do PCP, o facto de ser, cada vez mais, um partido de classe. E um sólido ancoradouro.
Respeito a memória de todos os militantes do PCP que durante 60 anos lutaram contra o regime que nos teve cativos. Foi o maior contributo que o partido deu a Portugal: a capacidade de organizar e conduzir a resistência.
Nunca votaria no PCP. Mas não me importo de o ver por aí.
Post-Scriptum: Todas as edições clandestinas do Avante estão agora digitalizadas e on-line. No sítio do PCP (não me peçam para aqui colocar o link. Já era demais!).
Precisa-se de matéria prima para construir um país
É tão raro, mas tão raro, concordar com o Eduardo Prado Coelho que não resisti a postar um texto dele com o qual, espantosamente, estou de pleno acordo.
Foi-me enviado por e-mail e, ao que parece, retirado do Público (não sei, não o li no jornal nem sei qual a data da sua publicação).
Ei-lo.
Alvísseras, um dia concordei com o Prado Coelho!
Precisa-se de matéria prima para construir um país
A crença geral anterior era de que Santana Lopes não servia, bem como Cavaco, Durão e Guterres. Agora dizemos que Sócrates não serve. E o que vier depois de Sócrates também não servirá para nada. Por isso começo a suspeitar que o problema não está no trapalhão que foi Santana Lopes ou na farsa que é o Sócrates. O problema está em nós. Nós como povo. Nós como matéria prima de um país.
Porque pertenço a um país onde a ESPERTEZA é a moeda sempre valorizada, tanto ou mais do que o euro. Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais apreciada do que formar uma família baseada em valores e respeito aos demais.
Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os jornais jamais poderão ser vendidos como em outros países, isto é, pondo umas
caixas nos passeios onde se paga por um só jornal e se tira um só jornal, deixando os demais onde estão.
Pertenço ao país onde as empresas privadas são fornecedoras
particulares dos seus empregados pouco honestos, que levam para casa, como se fosse correcto, folhas de papel, lápis, canetas, clips e tudo o que possa ser útil para os trabalhos de escola dos filhos .... e para eles mesmos.
Pertenço a um país onde as pessoas se sentem espertas
porque conseguiram comprar um descodificador falso da TV Cabo, onde se frauda a declaração de IRS para não pagar ou pagar menos impostos.
Pertenço a um país onde a falta de pontualidade é um hábito. Onde os directores das empresas não valorizam o capital humano. Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo nas ruas e depois reclamam do governo por não limpar os esgotos. Onde pessoas se queixam que a luz e a água são serviços caros. Onde não existe a cultura pela leitura (onde os nossos jovens dizem que é "muito chato ter que ler") e não há consciência nem memória política, histórica nem económica. Onde os nossos políticos trabalham dois dias por semana para aprovar projectos e leis que só servem para caçar os pobres, arreliar a classe média e beneficiar alguns.
Pertenço a um país onde as cartas de condução e as declarações médicas podem ser "compradas", sem se fazer qualquer exame. Um país onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma criança nos braços, ou um inválido, fica em pé no autocarro, enquanto a pessoa que está sentada finge que dorme para não lhe dar o lugar. Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro e não para o peão. Um país onde fazemos muitas coisas erradas, mas estamos sempre a criticar os nossos governantes.
Quanto mais analiso os defeitos de Santana Lopes e de Sócrates, melhor me sinto como pessoa, apesar de que ainda ontem corrompi um guarda de trânsito para não ser multado. Quanto mais digo
o quanto o Cavaco é culpado, melhor sou eu como português, apesar de que ainda hoje pela manhã explorei um cliente que confiava em mim, o que me ajudou a pagar algumas dívidas. Não. Não. Não. Já basta.
Como "matéria prima" de um país, temos muitas coisas boas, mas falta muito para sermos os homens e as mulheres que o nosso país precisa. Esses defeitos, essa chico-espertice" congénita, essa
desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui até se
converter em casos escandalosos na política, essa falta de qualidade
humana, mais do que Santana, Guterres, Cavaco ou Sócrates, é que é
real e honestamente má, porque todos eles são portugueses como nós, eleitos por nós. Nascidos aqui, não noutra parte...
Fico triste. Porque, ainda que Sócrates se fosse embora hoje, o próximo que o suceder terá que continuar a trabalhar com a mesma matéria prima defeituosa que, como povo, somos nós mesmos. E não poderá fazer nada... Não tenho nenhuma garantia de que alguém possa fazer melhor, mas enquanto alguém não sinalizar um caminho destinado a erradicar primeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirá. Nem serviu Santana, nem serviu Guterres, não serviu Cavaco, e nem serve Sócrates, nem servirá o que vier.
Qual é a alternativa? Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei com a força e por meio do terror? Aqui faz falta outra coisa. E enquanto essa "outra coisa" não comece a surgir de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou do centro para os lados, ou como queiram, seguiremos igualmente condenados, igualmente estancados....igualmente abusados!
É muito bom ser português. Mas quando essa portugalidade autóctone começa a ser um empecilho às nossas possibilidades de desenvolvimento como Nação, então tudo muda... Não esperemos acender uma vela a todos os santos, a ver se nos mandam um messias. Nós temos que mudar. Um novo governante com os mesmos portugueses nada poderá fazer. Está muito claro... Somos nós que temos que mudar. Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que anda a acontecer-nos: desculpamos a mediocridade de programas de televisão nefastos e francamente tolerantes com o fracasso. É a indústria da desculpa e da estupidez. Agora, depois desta mensagem, francamente decidi procurar o responsável, não para o castigar, mas para lhe exigir (sim, exigir) que melhore o seu comportamento e que não se faça de mouco, de desentendido. Sim, decidi procurar o responsável e estou seguro de que o encontrarei quando me olhar ao espelho. Aí está. Não é preciso.
Eduardo Prado Coelho











