17.4.08

Imprensa livre... mas pouco.

Em dois dias cerca de 60 mil trabalhadores da administração pública saíram à rua e, percorrendo a comunicação social portuguesa, parece que nada aconteceu.
Digam o que quiserem, mas a verdade é que a coincidência (?) da tradicional propensão dos órgãos públicos de comunicação social para bajular o poder, com a entrada de Pina Moura para a Media Capital e um interesse ainda não totalmente claro do grupo Impresa em proteger este governo da República, (o Expresso e os boletins noticiosos da SIC têm roçado o servilismo mais básico), ameaça estrangular definitivamente a pluralidade, a transparência, o rigor e a isenção da informação em Portugal.

Aguenta, Chalana


Confesso... Soube mesmo bem. Aguentem-se, que a vida é dura! A jogar como o fizemos na segunda parte, que venha o Porto!

16.4.08

Sensibilidade e bom senso II*

Sinceramente, para quem tanto clama por transparência, rigor e honestidade, começa a soar demasiado hipócrita todas as suspeições - sem qualquer sombra de prova ou sequer de argumento válido - levantadas pelo deputado Carlos Pereira no seu blog.
E é curioso que, sendo independente, conforme faz questão de gritar tantas vezes, assuma todo o odioso do Partido Socialista madeirense: lançar suspeitas sobre a honestidade e idoneidade dos outros, assim ao jeito do Pravda e do Garajau.
Não deixa mesmo de ser estranho que outras figuras de proa do PS, como Miguel Fonseca, André Escórcio e Rui Caetano assumam, nos seus blogs, posições bem mais comedidas e infinitamente menos demagógicas. Cada um com o seu estilo e forma de estar na blogosfera (a sátira, qualidade literária e profundidade de Miguel Fonseca; as legítimas e - quer me parecer - as apartidárias preocupações sociais de Rui Caetano; e a experiência, pertinência e perspicácia políticas de André Escórcio) contribuem e de que maneira para o debate (ou, pelo menos, reflexão a) sério. Já a maior parte (porque, em boa verdade, por vezes Carlos Pereira esquece os demónios e os ódios pessoais e produz reflexões pertinentes) das investidas do deputado nada acrescentam ao debate político da blogosfera.
Acusar-me-ão do mesmo, que nisto de crítica fácil, reconheço-me muita qualidade. Limito-me a dar asas ao que penso, sem qualquer tipo de lapidação. Vai em bruto, como me ocorre. Mas eu não sou, nem tenho aspirações a político. E, por muita legitimidade que reconheça ao cidadão Carlos Pereira para expandir a sua indignação, ele não é um cidadão anónimo. Tem responsabilidades políticas conferidas pelo voto de milhares de cidadãos e tem a obrigação de ser responsável nas suas afirmações. Porque, não sendo esquizofrénico, o que Carlos Pereira escreve não o responsabiliza apenas a ele. As repercussões ultrapassam-no.

* Título de um livro de Jane Austen

14.4.08

Carta ao fisco

Querido Fisco

No meu casamento, que se realizou no dia ..., estiveram presentes 120 convidados: 89 adultos, 9 crianças e 2 bebés. A festa teve lugar na Quinta ... do meu padrinho Luís M. que me presenteou a boda ( as cópias dos talões do talho, da mercearia e da peixaria seguem em anexo).
A minha tia Alzira S., que é costureira, fez-me o vestido e não cobrou nadinha, mas gastei 60€ em tecidos, 34,5€ nas rendas e bordados e 18,75€ em linhas, botões e alfinetes. As meias e as ligas ficaram por 35€, conforme recibos que envio. O noivo usou o fato da Comunhão Solene com umas ligeiras alterações (a Tia Alzira não cobrou nada).
O meu irmão foi o fotógrafo de serviço. Todas as fotografias foram enviadas aos convidados por e-mail, que imprimirão as que entenderem por sua conta.
Não foi alugada qualquer viatura. Eu fui na Charrete do Sr. José M., que andou comigo ao colo e é como um pai para mim. O Manuel ( o noivo) foi de mota: a mota dele que ainda está a acabar de pagar, conforme se comprova com documento.
As flores foram todas do jardim da minha avó Margarida e a minha prima Mariana F. que é uma moça muito prendada fez os arranjos.
A animação da festa esteve a cargo do irmão e dos primos do Manuel, que têm uma banda - os 'Sempr'Abrir' que merecem ter sucesso.
Não pudemos aceitar nenhum dos presentes, uma vez que não vinham acompanhados dos recibos.
Os charutos cubanos que um amigo nosso nos trouxe de Cuba ficaram para nós, porque não os declaramos na Alfândega, e assim não os podíamos oferecer para agora provar o seu custo.
Os preservativos comprou-os o Manuel naquelas máquinas que estão longas horas ao Sol (porque é um rapaz muito introvertido), mas que não dão recibos, o que me permite escusar-me a revelar o seu número, não vá, daqui a alguns anos, lembrares-te de cobrar retroactivamente uma taxa pelas que foram dadas na lua de mel.

Maria Julieta Silva Chibo e Manuel António Sousa Chibo

Recebida via e-mail.

Perante a evidência do patético só nos resta rir.

Impressionante


Garantem que a foto é real, da autoria de Agostinho Spínola e que foi publicada no Diário de Notícias da Madeira.
Não tendo razões para duvidar, parece-me difícil ser manipulada, pois o contínuo da onda é brutal. O que aumenta a minha perplexidade. Quem não conhece as Poças do Gomes (conjunto de piscinas naturais também conhecidas por Doca do Cavacas) poderá não perceber bem a dimensão do pequeno monstro, mas para quem ali passou verões (e invernos) inteiros, quem já viu marés vivas e conhece a profundidade, esta onda apenas poderá ser adjectivada de monumental. Porque não se compara a nada que eu tenha já ali visto (e já vi tempestades enormes...). Impressionante!
Parabéns ao autor da fotografia.
Ultraperiferias, via Basta que Sim.

13.4.08

PS vota contra complemento de reforma para idosos madeirenses

Uns tipinhos que se afirmam socialistas eleitos para defender o povo madeirense, votaram contra uma proposta de lei da Assembleia Legislativa da Madeira, que propunha a atribuição de um complemento mensal de pensão de 50 euros a todos os cidadãos residentes de forma permanente na Madeira que usufruam de pensão por velhice, invalidez ou pensão social.

Votam contra os idosos madeirenses e ainda têm cara de pau para justificar o seu voto.
E não percebem porque é que os madeirenses não confiam neles. Começo a achar que o problema não é apenas político ou sequer de competência. O caso pode mesmo ser patológico...

Cantar de emigração

Os tempos que vivemos são preocupantes. A nossa democracia não está apenas doente: está em risco. Por isso nunca é demais recordar Abril e as suas vozes. É o que tenho feito. Deixo-vos com o Cantar da emigração, de Adriano Correia de Oliveira. Para nos recordarmos que o fenómeno da emigração regressou. E para não perdermos essa capacidade de nos perguntarmos porquê!

Poema de liberdade

Queixa das almas jovens censuradas*

Dão-nos um lírio e um canivete
E uma alma para ir à escola
E um letreiro que promete
Raízes, hastes e corola.
Dão-nos um mapa imaginário
Que tem a forma duma cidade
Mais um relógio e um calendário
Onde não vem a nossa idade.
Dão-nos a honra de manequim
Para dar corda à nossa ausência.
Dão-nos o prémio de ser assim
Sem pecado e sem inocência.
Dão-nos um barco e um chapéu
Para tirarmos o retrato.
Dão-nos bilhetes para o céu
Levado à cena num teatro.
Penteiam-nos os crânios ermos
Com as cabeleiras dos avós
Para jamais nos parecermos
Connosco quando estamos sós.
Dão-nos um bolo que é a história
Da nossa história sem enredo
E não nos soa na memória
Outra palavra para o medo.
Temos fantasmas tão educados
Que adormecemos no seu ombro
Sonos vazios, despovoados
De personagens do assombro.
Dão-nos a capa do evangelho
E um pacote de tabaco.
Dão-nos um pente e um espelho
Para pentearmos um macaco.
Dão-nos um cravo preso à cabeça
E uma cabeça presa à cintura
Para que o corpo não pareça
A forma da alma que o procura.
Dão-nos um esquife feito de ferro
Com embutidos de diamante
Para organizar já o enterro
Do nosso corpo mais adiante.
Dão-nos um nome e um jornal,
Um avião e um violino.
Mas não nos dão o animal
Que espeta os cornos no destino.
Dão-nos marujos de papelão
Com carimbo no passaporte.
Por isso a nossa dimensão
Não é a vida. Nem é a morte.

Natália Correia

* Magistralmente musicado e interpretado por José Mário Branco

12.4.08

Memórias de Branca Dias

Há muito que não via uma peça que gostasse tanto. Não é só o texto que é fabuloso (de Miguel Real), não é apenas a encenação que está muito bem conseguida (Filomena Oliveira), não é apenas a interpretação da Rosário Gonzaga (parabéns Rosário) que é magistral, não é só a banda sonora original (de David Martins) que reúne numa única sonoridade a tradição brasileira com sons da modernidade, não é apenas a iluminação encontrada. O que faz deste monólogo um espectáctulo de ser revisto é a conjugação de todos estes elementos. Memórias de Branca Dias, matriarca de Pernanbuco e mulher quase feliz, quase realizada, quase amada, quase... é um regresso ao passado do teatro. É um revisitar do teatro puro e duro, onde um cenário simples serve de enquadramento a uma interpretação que não fica nada a dever a Maria do Céu Guerra ou Eunice Muñoz. Uma hora e meia de interpretação feroz. Muito bom.

10.4.08

E o mau tempo chegou.................

É inadmissível que o número um da Câmara do Funchal esteja preocupado com as horas extraordinárias dos funcionários.

O que Miguel Albuquerque não disse, mas quer dizer, é que não pode fazer mais porque a autarquia não tem dinheiro para fazer face às adversidades provocadas pelo mau tempo.

Será que é este o papel de uma Câmara Municipal, quando os munícipes mais precisam de ajuda???

9.4.08

8.4.08

Espreitar a chuva II

Santa cruz

Marina do Lugar de Baixo
Ponta do Sol

Ribeira Brava
Recordam-se. Comecei o dia a pensar na chuva, saí de casa, e foi agarrá-la.

Quem sai aos seus...

Ora, que razão haveria para que o senhor Vara se arrependesse?... Só porque a senhora é uma criminosa (que eu saiba, pelo menos fugir à justiça é crime), não há cá razões para suspeitar da sua honestidade.

Atenção

Naturalmente que me dá igual ao litro se a nova ponte sobre o Tejo é feia ou bonita, ou se é berrante ou se passa despercebida. Qualquer posição é perfeitamente defensável. A mim o que me preocupa é saber se a nova estrutura responde às necessidades não só da zona metropolitana de Lisboa mas do país e se não haveria soluções economicamente mais vantajosas.
Preocupa-me, também, saber a quem será entregue a empreitada. Estaremos atentos para ver se empresas onde trabalham políticos integrarão os inevitáveis consórcios...

Ciranda da Bailarina

Porque me apetece. E digam lá se não é de enternecer...

Ciranda da Bailarina
Composição: Edu Lobo / Chico Buarque

Procurando bem
Todo mundo tem pereba
Marca de bexiga ou vacina
E tem piriri, tem lombriga, tem ameba
Só a bailarina que não tem
E não tem coceira
Berruga nem frieira
Nem falta de maneira ela não tem
Futucando bem
Todo mundo tem piolho
Ou tem cheiro de creolina
Todo mundo tem
um irmão meio zarolho
Só a bailarina que não tem
Nem unha encardida
Nem dente com comida
Nem casca de ferida ela não tem
Não livra ninguém
Todo mundo tem remela
Quando acorda às seis da matina
Teve escarlatina
ou tem febre amarela
Só a bailarina que não tem
Medo de subir, gente
Medo de cair, gente
Medo de vertigem
Quem não tem
Confessando bem
Todo mundo faz pecado
Logo assim que a missa termina
Todo mundo tem um primeiro namorado
Só a bailarina que não tem
Sujo atrás da orelha
Bigode de groselha
Calcinha um pouco velha
Ela não tem
O padre também
Pode até ficar vermelho
Se o vento levanta a batina
Reparando bem, todo mundo tem pentelho
Só a bailarina que não tem
Sala sem mobília
Goteira na vasilha
Problema na família
Quem não tem
Procurando bem
Todo mundo tem.

Declaração de interesse: prefiro a versão original. Mas esta, da Adriana Calcanhoto, também é deliciosa.

Espreitar a chuva

O dia está frondoso.
Consigo ver através da minha janela a chuva. Em simultâneo oiço-a cair na terra.
Apetece agasalhar-me no refúgio de um tecto e contemplar a queda livre da água que vem do espaço. Cai como meteoritos. Só não dizima espécies, como aconteceu há milhões de anos. Eu não estava lá. Nem agora sei se estou cá. Apenas sinto que existo, mas não consigo medir o tamanho da minha dimensão face ao universo. Também não importa.

Imagino que a chuva já tenha feito estragos. Imagino que a esta hora, já existam danos colaterais nos sapatos de muitas mulheres. Talvez no cabelo. Talvez nas calças. Também não importa.

Há muito tempo que não chovia. Pelo menos assim.

Há muito tempo que não escrevia. Pelo menos assim. Acho que estive de férias. Acho que me assaltaram o cofre das letras. Quando parar de chover, vou iniciar a busca. Se entretanto, alguém encontrar palavras entre os destroços da água, avise.
Podem ser minhas.

7.4.08

Entre idiotas, patetas e imbecis, venha o diabo e escolha

Alguns idiotas gostam de reclamar como seu exclusivo património os sonhos e as utopias de Abril. Como se Abril apenas representasse os ideais de esquerda (mais ou menos radical). Como se o desejo de liberdade não fosse também partilhado por alguns sectores da direita. Como se toda a actividade social e vontade de participação fosse prerrogativa apenas dos socialistas e comunistas. Como se o PREC se resumisse à dicotomia Soares/Cunhal.
Nalguns casos, sei bem o que os move. Mas não basta a intenção: para ser eficaz é preciso alguma substancia. E os que por aqui pululam já demonstraram que os seus horizontes mais longíquos são mesmo os seus ricos umbigos...
Portanto, a característica que mais os identifica não será bem a patetice: é a imbecilidade!

Afinal Paretto estava errado


Vilfredo Paretto criou, em 1897, a Regra 20/80, demonstrando que 80% da riqueza estava nas mãos de 20% da população.

Eu estou cada vez mais convencido que neste momento 95% da riqueza está nas mãos de apenas 5% da população. O que demonstra que desde o século XIX a justiça social poderá a estar a regredir. É preciso ficar atento...

Vão roubar pó c...

Assumo-me cada vez menos como liberal. Do liberalismo à portuguesa, então, fujo a sete pés. Por isso enoja-me o discurso supostamente liberal que atribui a uma eventual esquerda inimiga da propriedade privada a crítica aos lucros formidáveis de alguns, quando a grande maioria passa por dificuldades. O argumento é velho e está gasto: é preciso produzir valor para ser redistribuído, pois não se pode distribuir o que não existe.
Ora, tudo isto estaria muito bem (e eu, por princípio, subscrevo-o), se a prática consubstanciasse a teoria. Mas a realidade é bem diferente. Exemplifico: no ano passado a banca portuguesa apresentou rendimentos fabulosos (à custa de todos nós e dos funcionários, que trabalham em média mais 30%, sem direito a qualquer hora extraordinária e com o cúmulo de se esconderem quando há alguma inspacção do trabalho) e, que se saiba e ou se tenha visto, não representou nenhuma mais-valia para todos os portugueses que não são accionistas e dirigentes. Este ano, como se perspectiva um ano difícil, já vieram a terreiro os banqueiros, com a simpatia dos comentadores especialistas em assuntos económicos e o beneplácito do governo, informar que os prejuízos serão grandes mas redistribuídos por todos: clientes e restante população (através dos regimes de excepção). Ora, com exemplos destes, como é que poderemos alguma vez confiar nas empresas portuguesas. Porra para elas e que vão morrer para longe!
É como alguém dizia: a banca é exímia em privatizar lucros e em democratizar prejuízos.

Isenção à portuguesa

Há cerca de 20 anos, quando se iniciou o processo de implementação de sistemas de gestão da qualidade e a sua certificação em Portugal, foi criada uma entidade certificadora, composta pelo Instituto Português da Qualidade (IPQ) e algumas associações industriais e empresariais.
Passados alguns anos e alegadamente por forma a combater alguma promiscuidade, entendeu-se que o IPQ deveria sair dessa entidade certificadora, sendo criada a APCER (Associação Portuguesa de Certificação), uma vez que não seria transparente que a organização que responsável pelo Sistema Português da Qualidade (SPQ) fosse accionista da entidade certificadora.
Até aqui, tudo bem. O engraçado é que a necessidade de isenção vale apenas para um lado. Isto é, as associações industriais e empresariais mantiveram-se como accionistas na APCER, sendo que algumas das empresas associadas dessas organizações empresariais são os principais clientes da APCER. E, de acordo com o olhar do mundo empresaria português, aqui não há qualquer tipo de promiscuidade.
E assim se vai fazendo a vida portuguesa. É um salve-se quem puder...

6.4.08

Canto dos Poetas

Ontem voltei a assistir ao concerto Isabel Bilou Canta a Palavra dos Poetas, na Sociedade Operária de Instrução e Recreio Joaquim António de Aguiar, integrado mas comemorações do 25 de Abril, desta centenária colectividade.
Este é mais um projecto da Associação do Imaginário que, apesar de acompanhar desde o seu início e de já ter assistido a muitos concertos, nunca deixou de me emocionar. Por razões familiares, claro que sim (porque nisto do canto dos poetas e de outras cantos, os afectos estão sempre próximos), mas essencialmente porque ouvir as palavras outrora cantadas por Adriano Correia de Oliveira, Zeca Afonso e Zé Mário Branco continuam a despertar o desejo de liberdade. Ainda para mais, num momento em que assistimos a um clima de perseguição inaudito em trinta e tal anos de democacria.
Sabe bem voltar a ouvir as canções de liberdade. E digo-o sem qualquer prurido, porque nisto de ideologias, apesar de ser insuspeito de manter qualquer simpatia pela esquerda, não posso deixar de reconhecer a importância do sonho de tantos e na esperança de quase todos.
Por isso, blogosfericamente (perdoem o neologismo), manifesto o meu agradecimento à direcção pela iniciativa Cafés de Abril. Pode ser que a palavra volte a despertar e assuma a sua real qualidade de arma em defesa da liberdade.

Anedotas

Há cerca de uma semana António Borges, ex-dirigente da Goldman Sachs, denunciou a perseguição que o banco sofreu por parte do governo, devido à sua actividade política, tendo mesmo sido anunciada por esse personagem macabro que dá pelo nome de Manuel Pinho (insisto, é preciso queimar o pinho).
Mas tudo isso parece ser normal.
Há dois dias soubemos que Jorge Coelho irá presidir uma empresa à qual entregou milhões em contratos públicos, enquanto ministro das obras públicas.
Mas também isto parece normal.
Os professores são agredidos nas escolas.
Ao que tudo indica e a crer nas afirmações do secretário da Estado, isso é normal.
Aumenta a criminalidade violenta.
O governo anuncia que essa é uma situação normal.
Portugal está a saque, o governo impõe acções persecutórias às vozes discordantes, mas a acreditar na opinião publicada, nada de anormal se passa.
Isto não é um país. Portugal é apenas uma anedota de mau gosto!

31.3.08

PS/Madeira ou o prenúncio da morte de uma quimera?

Por uma questão de decência, não vou elogiar as palavras de Jaime Gama.
Mas são bem demonstrativas do que vale o PS/Madeira para a estrutura nacional. Não passa de carne para canhão, quando dá jeito. Mas, não merecendo o meu aplauso, também não são declarações surpreendentes: o PS/Madeira tanto se tem vergado - conforme se viu na votação do último orçamento de Estado - , que neste momento vale o mesmo que nada (que, de resto, é o que vale eleitoralmente). Esta é uma situação que demonstra bem que o PS reconhece que os socialistas madeirenses não falam, porque não sabem nem nunca souberam, falar com os madeirenses e que, portanto, não têm qualquer importância no jogo político que se desenrola na Madeira. E, conforme já esclareceu André Escórcio, não tente o PS/Madeira justificar os elogios de Jaime Gama a Alberto João Jardim com a necessidade de manter um bom relacionamento institucional: porque as palavras não são institucionais e têm uma intencionalidade ainda não totalmente esclarecida, mas absolutamente inquestionável.
Estou, contudo, convencido, que apresentado o voto de protesto, o PS/Madeira tentará esquecer mais esta falta de solidariedade e completa descredibilização e voltará a cometer todos os erros do passado, vendendo a defesa da Madeira e dos madeirenses em favor de uma suposta superior estratégia nacional. E continuarão a ser subservientes a Lisboa, para mal dos seus pecados!

29.3.08

Malvados tibetanos

O PCP tem destas coisas. Ora é um Bernardino Soares que duvida que a Coreia não seja uma democracia, ora é um Jerónimo a tecer rasgados elogios a esse outro "bastião da liberdade" que dá pelo nome de Cuba. Desta vez, junta-se ao capital e ao poder instituído, que tanto afirma combater, para acusar os monges tibetanos de terroristas cujo único objectivo é «comprometer os Jogos Olímpicos na China». É verdade, pela boca do secretário geral soubemos que os comunistas portugueses uniram-se Comité Olímpico Internacional (essa organização "paladina na defesa dos direitos humanos" - basta-nos lembrar dos JO de Berlim), para defender a China dos ataques impiedosos e injustos de uma conspiração internacional que visa denegrir a imagem do gigante comunista, que tanto bem tem feito ao povo tibetano.

Jóminho, Jóminho, às vezes ficas tão bem calado!

Porque outros dizem melhor do que eu

"(...) 2. Uma escola para os valores e o papel da(s) Igreja(s): Ligado a esse facto, está a questão de uma Escola para os valores humanos, intelectuais, morais e éticos. O pensamento moderno libertário não se pode confundir com a relativização de valores como a solidariedade e a sua exacta noção. No episódio do vídeo da professora e da aluna, vê-se claramente que há uma noção errada da solidariedade: a professora, porque não faz parte do grupo-turma, não existe como ser que mereça consideração. 2.1. O papel da(s) Igreja(s): Questão polémica que é preciso ter a coragem de enfrentar de frente: num país cristão e ou católico, as famílias não perderam o direito de educar na escola as crianças segundo os valores básicos cristãos? Por que não fazer um debate aberto, sem complexos, sobre a questão. Por um lado, uma sociedade laica e um Estado democrático e legitimamente laico, por outro, uma sociedade maioritariamente cristã que não assume essa condição na educação dos filhos. Não obstante os extremos religiosos conhecidos, a sociedade americana é mais livre porque assume sem complexos na educação dos filhos os seus valores religiosos. O afastamento da Igreja da esfera do ensino não teria sido um problema se isso, aliado ao afastamento das famílias na educação dos filhos, não houvesse tido como consequência um vazio de valores. (...)"

Não podia estar mais de acordo contigo Miguel (www.bastaqsim.blogspot.com).

28.3.08

America

Deixo-vos com um dos meus poemas favoritos. Allen Ginsberg. America. É longo mas vale a pena. Nem sei bem porque me lembrei disto hoje, mas enfim...

 

America I've given you all and now I'm nothing.
America two dollars and twenty-seven cents January 17, 1956.
I can't stand my own mind.
America when will we end the human war?
Go fuck yourself with your atom bomb
I don't feel good don't bother me.
I won't write my poem till I'm in my right mind.
America when will you be angelic?
When will you take off your clothes?
When will you look at yourself through the grave?
When will you be worthy of your million Trotskyites?
America why are your libraries full of tears?
America when will you send your eggs to India?
I'm sick of your insane demands.
When can I go into the supermarket and buy what I need with my good looks?
America after all it is you and I who are perfect not the next world.
Your machinery is too much for me.
You made me want to be a saint.
There must be some other way to settle this argument.
Burroughs is in Tangiers I don't think he'll come back it's sinister.
Are you being sinister or is this some form of practical joke?
I'm trying to come to the point.
I refuse to give up my obsession.
America stop pushing I know what I'm doing.
America the plum blossoms are falling.
I haven't read the newspapers for months, everyday somebody goes on trial for
murder.
America I feel sentimental about the
Wobblies.
America I used to be a communist when I was a kid and I'm not sorry.
I smoke marijuana every chance I get.
I sit in my house for days on end and stare at the roses in the closet.
When I go to Chinatown I get drunk and never get laid.
My mind is made up there's going to be trouble.
You should have seen me reading Marx.
My psychoanalyst thinks I'm perfectly right.
I won't say the Lord's Prayer.
I have mystical visions and cosmic vibrations.
America I still haven't told you what you did to Uncle Max after he came over
from Russia.

I'm addressing you.
Are you going to let our emotional life be run by Time Magazine?
I'm obsessed by Time Magazine.
I read it every week.
Its cover stares at me every time I slink past the corner candystore.
I read it in the basement of the Berkeley Public Library.
It's always telling me about responsibility. Businessmen are serious. Movie
producers are serious. Everybody's serious but me.
It occurs to me that I am America.
I am talking to myself again.

Asia is rising against me.
I haven't got a chinaman's chance.
I'd better consider my national resources.
My national resources consist of two joints of marijuana millions of genitals
an unpublishable private literature that goes 1400 miles and hour and
twentyfivethousand mental institutions.
I say nothing about my prisons nor the millions of underpriviliged who live in
my flowerpots under the light of five hundred suns.
I have abolished the whorehouses of France, Tangiers is the next to go.
My ambition is to be President despite the fact that I'm a Catholic.

America how can I write a holy litany in your silly mood?
I will continue like Henry Ford my strophes are as individual as his
automobiles more so they're all different sexes
America I will sell you strophes $2500 apiece $500 down on your old strophe
America free Tom Mooney
America save the
Spanish Loyalists
America Sacco & Vanzetti must not die
America I am the
Scottsboro boys.
America when I was seven momma took me to Communist Cell meetings they
sold us garbanzos a handful per ticket a ticket costs a nickel and the
speeches were free everybody was angelic and sentimental about the
workers it was all so sincere you have no idea what a good thing the party
was in 1935 Scott Nearing was a grand old man a real mensch Mother
Bloor made me cry I once saw Israel Amter plain. Everybody must have
been a spy.
America you don're really want to go to war.
America it's them bad Russians.
Them Russians them Russians and them Chinamen. And them Russians.
The Russia wants to eat us alive. The Russia's power mad. She wants to take
our cars from out our garages.
Her wants to grab Chicago. Her needs a Red Reader's Digest. her wants our
auto plants in Siberia. Him big bureaucracy running our fillingstations.
That no good. Ugh. Him makes Indians learn read. Him need big black niggers.
Hah. Her make us all work sixteen hours a day. Help.
America this is quite serious.
America this is the impression I get from looking in the television set.
America is this correct?
I'd better get right down to the job.
It's true I don't want to join the Army or turn lathes in precision parts
factories, I'm nearsighted and psychopathic anyway.
America I'm putting my queer shoulder to the wheel.

27.3.08

Questão fracturante ou de factura?

Não dizia eu que este parecia um jeitinho do BE para o PS provar que ainda é socialista?! Ora, cá está a prova dos 9.

PS - Por mim, é preferível acabar já com o casamento. Como diz o líder do PS, é preciso terminar com a união assente em deveres. Para quê, então, continuar a existir? Os afectos podem perfeitamente manter-se numa união de facto que, de resto - e em jeito de declaração de interesses -, foi a opção adoptada por mim e pela minha namorada.

A Nossa Cidade

Caro Sancho:

Desta vez, estou em total desacordo contigo.

Na minha opinião, é peça é boa. O texto (vencedor de um Pulitzer, por sinal) é excelente e considero a adaptação muito feliz.

Na sua generalidade, os actores são bons. Creio que é uma boa homenagem à cidade.

Para além do mais há, naquela peça, um contributo maior do que o evento em si. Há, se reparares, uma clara tentativa de agrupar pessoas de várias proveniências em torno de um objectivo comum.

O elenco conta com gente do TEF, do Com.Tema, dos Grupos do Estabelecimento Prisional e da Oficina Versus. Só essa tentativa de trabalhar em conjunto, esquecendo as habituais capelinhas e rivalidades já justifica o apoio.

Quanto ao resto, acho que os 7,5 são plenamente aceitáveis pela qualidade do espectáculo.

Abraço

Gonçalo

26.3.08

A nossa cidade... Mas só se pagares!

Ao que parece, o Teatro Experimental do Funchal (TEF) tem em cena a peça A nossa cidade, a sua contribuição para as comemorações dos 500 anos do Funchal.
É louvável e vem ao encontro do importante trabalho que esta associação tem desenvolvido na promoção do teatro na Região.
O que a me transtorna profundamente, é que o TEF cobre 7,50€ a cada espectador. Primeiro porque não apresenta espectáculos com qualidade suficiente para cobrar este valor. Depois, porque tem financiamentos milionários do Governo Regional e da Câmara Municipal de Funchal. Com o cúmulo de ter cedida uma sala de espectáculos a título gratuito e ainda poder usufruir (eu diria usurpar) o Teatro Baltazar Dias, esse nobilíssimo espaço da cidade, a seu bel-prazer.
Conhecendo, como conheço, o mundo do teatro de amadores e profissional em Portugal, é com algum asco que vejo a cobrança dos bilhetes naquele valor. Porque atendendo às condições que lhes são proporcionadas pelas autoridades regionais, o mínimo que se podia esperar era que a apresentação pública fosse a título absolutamente gratuito, ou com uma bilheteira simbólica e mais ajustada à qualidade apresentada nos seus espectáculos.

PS - Lembro-me de um fantástico acordo que mantinham com o Teatro Nacional D. Maria, que lhes permitiu, numa atitude de novo-riquismo absolutamente inqualificável, pagar fortunas para a companhia lisboeta vir à Região e, que se saiba, nunca tenham feito qualquer apresentação na capital portuguesa.

Boca fechada...

Por vezes, não sei onde anda com a cabeça Alberto João Jardim. Quando pesam suspeitas graves (não obrigatoriamente fundadas) de corrupção e tráfico de influências sobre alguns dirigentes do PSD/Madeira, eis que o presidente do Governo Regional tem a tirada de génio: l'État c'est moi.
Tss, tss. O gosto de chocar não justifica tudo!

Questão de coerência

No início do mês jura a pés juntos que é uma irresponsabilidade baixar os impostos. No final do mês, garante não haver melhor medida (ainda que a diminuição seja ridícula e ofensiva).
É esta a forma de governar dessa personagem que dá pelo nome de José Sócrates. E os socialistas, quais macaquinhos amestrados, dão pulinhos e cantam loas ao magnânime líder. Óh, que bom que ele é...
E a isto estamos entregues!

24.3.08

País de loucos II ou as prioridades do BE

Com que então, as prioridades do Bloco de Esquerda são estas? Se eu não soubesse melhor, diria que esta é uma mãozinha que o BE está a dar ao PS, de modo a que este mostre ser ainda de esquerda (as tais causas fracturantes).
Não acredito em bruxas, mas...

País de loucos

Do que se está à espera para fazer um levantamento popular contra este caciquismo, provinciano - como é timbre do PM - mas profundamente perigoso e preocupante, que o PS instalou no país? É que o ar começa a ser irrespirável...

Isto, a propósito disto.

21.3.08

Tiradas de Génio

"Visto-me bem, mas dipo-me melhor..."

Coisas de romanos

Vestal, moi (havia de ser bonito, eu, com umas vestes brancas, a saltitar num qualquer monte!)???
Caríssimo amigo, como saberás, eu não faço política partidária, apenas vou comentando o que se me é dado a ver. E a ideia de uma super-coligação das oposições parece-me uma coisa do outro mundo. Quanto à expiação dos pecados, como homem de fé não deixarei de o fazer...
Votos de uma boa Páscoa!

20.3.08

Cada cabeça, sua sentença: leis, para quê?

Vejo alguns socialistas madeirenses cantarem loas a António Costa, por este querer violar o PDM de Lisboa, mas a gritam incessantemente contra irregularidades similares no Funchal. Li mesmo um texto em que o seu brilhante autor justificava a suspensão do Plano pela alegada bondade dos projectos em questão. Ou seja, não tem pejo em defender a violação do PDM, se os projectos forem de socialistas, instituíndo uma lei tipo pronto-a-consumir, que vale apenas para alguns. Como diz o ditado, com exemplos de coerência como este, para pior deixa estar como está!

Contra natura

Depois de um curto, mas reparador, período de férias, eis que volto e vejo pela blogosfera madeirense uma pseudo-polémica sobre uma eventual coligação de todos os partidos da oposição para as próximas eleições autárquicas. Sim, homens de pouca fé, é verdade: existem uns senhores que querem unir as oposições para derrotar o PSD/Madeira, numa coisa assim tipo "todos juuuntos" (será que os seus mentores pensam numas passeatas de mão dada?!). E pior, alguns génios da rua do Surdo acham mesmo que esta é uma boa ideia.
Aliás, veio já a terreiro uma linha avançada que acusa o PCP de conivência com o PSD apenas porque os comunistas madeirenses mantêm a sua coerência e recusam fazer coligações com o PS. Nas hostes desta Guarda Pretoriana da patetice, encontra-se Roberto Almada, que apoia os gritos histéricos de Louçã, Drago e companhia em Lisboa contra o "direitismo" do PS e no Funchal quer andar de braço dado com Gouveia e outros que tais.
Ou seja, apesar do desastre que foi aquele outro aborto que alguns tiveram o desplante de apelidar de coligação, alguns políticos madeirenses continuam a achar que vale tudo para derrotar Jardim. Mande-se às malvas a ideologia, esqueça-se as lutas do passado, branquei-se a história: o que conta é tentar derrotar o PSD. Do BE esta atitude já não admira: todos sabemos que os bloquistas pelam-se por uns lugarzinhos ou por umas sobras do PS (o Zé de Lisboa é o melhor exemplo). O que me espanta é que os o PS insista numa estratégia que já demonstrou não levar a lugar nenhum e que apenas prejudica o próprio PS, afastando o eleitorado do centro democrático, única possibilidade que os socialistas têm para crescer eleitoralmente.
Sinceramente não percebo esta estratégia, que mesmisa todos os partidos e os descredibiliza (se nada têm que os distinga, porquê partidos diferentes?), favorecendo apenas o PSD.
Dizem que o PCP é conivente com os sociais-democratas. Pois eu estou cada vez mais convencido que o PS e o BE, quer por estarem minados por toupeiras, quer por manifesta incompetência política é que estão, continuamente, a fazer o jeitinho a Jardim.

11.3.08

Politítica orientada para resultados ou resultados apesar da política?

Há uns dias, numa conversa entre amigos cujas profissões implicam o estabelecimento de parcerias - entre administração pública, entidades públicas, semi-públicas, privadas e cooperativas -, chegava-se à conclusão que em 30 anos de democracia nunca foi tão difícil trabalhar em conjunto como agora.
A estratégia seguida desde o início por este governo da República - que consistiu (e consiste) em achincalhar publicamente os sectores onde depois pretende intervir com reformas de fundo (e outras nem tanto), com o (abjecto e inconsistente) objectivo de obter o apoio do resto da população -, aliado às orientações mais ou menos subreptícias que promovem a delação e o medo da participação, mais o desrespeito pelos direitos (e falo daqueles legítimos) que as pessoas se julgavam possuidoras e a falta de palavra dos actuais governantes, fizeram com que em Portugal se instituísse um clima de permanente desconfiança, que inviabiliza qualquer tentativa de trabalho em rede. Os cidadãos hoje não confiam nas instituições nem na sua administração; o poder judicial olha com desconfiança para o poder político; está instalado o preconceito de que a corrupção é generalizada no poder autárquico; não há possibilidade de fazer reformas na Saúde e na Educação; qualquer anúncio de investimento provoca suspeitas; existe uma generalizada desmotivação em todos os sectores da administração pública; enfim, os exemplos são à catadupa.
Ora, apesar de eu ser absolutamente insuspeito de nutrir qualquer tipo de simpatia por este miserável Governo, a verdade é que me preocupa o estado a que chegamos, que não augura nada de bom para o futuro a curto/médio prazo.
Quem trabalha em sectores transversais sabe que quando se parte para qualquer negociação, os agentes estão já renitentes e não se mostram disponíveis para confiar (fundamental ao trabalho em rede), com terríveis prejuízos para a população que se pretende servir. É, hoje, absolutamente impossível motivar quem quer que seja para objectivos que deveriam ser comuns. Vemos todos os dias: ninguém está hoje disposto a arriscar. Mesmo aqueles outrora mais voluntariosos tendem a assumir uma posição mais comedida e segura. A infeliz estratégia definida por Sócrates fez com todos os sectores produtivos (e não apenas os financeiros e económicos) estejam numa posição de esperar para ver. Fala-se em empreendedorismo mas talvez nunca antes como agora falte tanta vontade de ser empreendedor.
O clima de desconfiança é generalizado e, tal como a SEDES (e outros, como o general Garcia Leandro) preconizou, temo que não seja apenas o trabalho em parceria que esteja em risco: a possibilidade da situação degenerar em revolta social com desenvolvimentos imprevisíveis é real.
É por isso com um misto de receio e cinismo que vejo os governantes anunciarem fantásticos resultados em todos os sectores. Porque o que me é dado ver deste meu horizonte é que os sucessos que se têm atingido - se alguns podemos enumerar -, não se devem a este governo: foram atingidos, apesar do governo que temos.

PS - Miguel, o teu desafio não está esquecido, mas terá que esperar até à próxima semana! Por agora e ainda que por pouco tempo, preciso de ir respirar outros ares mais democráticos e menos esquizofrénicos que aqueles que respiramos actualmente em Portugal.

10.3.08

Bem dito

«Os blogues estão cheios de gente cuja classe social se acha acima destas coisas [manifestações de rua] e conhecem pouco mais do que o Portugal das livrarias e das páginas de opinião».

José Pacheco Pereira, Público, 08-03-2008.

Odeio o Festival da Canção

O Festival da Canção português é há muitos anos prova da nossa mediocridade artística.
O tempo que no domingo passado dispensei a ver este pobre espectáculo já o dava antecipadamente por perdido. Mas queria ver se havia alguma novidade. E não houve.

O que houve foi mais uma vez um reles cortejo de vozes vulgares, letras gastas, cantores sem estética e uma produção paupérrima. Felizmente, o que parece já ter acabado e que eu desconhecia, dispensaram-nos dos telefonemas ruidosos das capitais de distrito aquando das votações.

Pode ser que o fim de um “certo ensino especializado” da música responsável pela criação destas “estrelas”, e em boa hora decretado pela ministra da Educação, seja também o fim desta mediocridade.

No meio disto restou a talentosa Vânia Fernandes, que com certeza dará mais umas horas de histeria ao povo madeirense. Com algumas excepções, vencer o Festival da Canção é um passaporte quase certo para o insucesso. Tem sido sempre assim e convém que a Vânia tenha isso em conta.

Concordo e discordo.

Não há dúvida que Miguel Fonseca é um dos mais esclarecidos socialistas madeirenses. Mais uma boa pequena reflexão. Não concordo obrigatoriamente com tudo, mas não posso deixar de reconhecer a pertinência e a qualidade do pensamento.

PS - Obviamente, discordo em absoluto da missiva ao prof. Marcelo. Porque a liberdade que reconheço aos militantes do PS para se reunirem é a mesma que reconheço aos portugueses de manifestarem a sua indignação ao partido que se encontra a governar o país.

Conselhos avulso

Victor, para a comunicação ser eficaz, é conveniente que os canais sejam correctamente utilizados. Por isso, se me permites um conselho: tem mais atenção à correcção da tua escrita quando replicas alguma coisa. É que mesmo na blogosfera, convém que as naturais gralhas não se transformem em contínuos erros gramaticais, ortográficos e de sintaxe. Que proliferam nos teus textos. Ainda para mais, não sendo professor, também deves ser um exemplo, enquanto líder parlamentar da principal força de oposição na Assembleia Legislativa Regional.
Não leves a mal... É só um alerta!

Reunidos mas pouco

Dizem que o PS se reuniu em comício este fim-de-semana. É verdade? É que não se deu por nada...!

Prioridades

E por falar em desaparecimentos, então, como diz Mário Crespo, a maior preocupão do nosso presidente da República é a antiguidade da frota dos Falcon? Quer dizer, andamos todos com a corda ao pescoço, em nome de um tal defíce orçamental e o presidente quer uns jactinhos para passear...
Por outro lado, o homem já chegou a Portugal e sobre a crise na Educação, nem uma palavra! Conhecemos o horror cavaquista às manifestações democráticas, mas desconfio que Cavaco Silva não se poderá fazer de desentendido durante muito mais tempo!

Por onde andou o PM?

Debaixo de que pedra andou a rastejar Sócrates, que ninguém deu por ele num fim-de-semana onde quase toda uma classe profissional saiu à rua?