24.4.08

Ainda Jardim e os chacais

Compreendo e solidarizo-me com a indignação de Luís Filipe Malheiro (LFM) perante os insultos proferidos ontem por esses execráveis (en)comenta(da)dores na SIC Notícias, Ricardo Costa (que é um paladino da transparência e idoneidade, como todos nós sabemos) e Henrique Monteiro (que desde que chegou a director do Expresso mais não faz do que branquear e justificar toda a actividade do governo e do primeiro-ministro) contra Alberto João Jardim. Também a mim, revoltaram-se-me as entranhas. Não percebo contudo a estranheza de LFM. O que ali se passou ontem é apenas um pequeno exemplo do que iria suceder se Jardim fosse candidato a líder do PSD. E seria bem pior se por acaso fosse eleito.
Não tenho dúvidas que Alberto João Jardim tem arcaboiço para se defender de algumas destas jogadas nojentas, quiçá transformando-as em seu proveito. Ricardos Costas, Monteiros, e outros que tais não representam a população portuguesa. E acho que Jardim, com algum tempo, conseguiria virar o jogo a seu favor. Contudo, como já referi, não seria possível defender-se dos constantes ataques a que estaria sujeito e falar ao país. Não seria humanamente possível. Mesmo que a matilha não passasse de um bando de chacais a atacar o velho leão.
Portanto, insisto que me parece que faz bem em não avançar.

Por outro lado, tenho visto na blogosfera (independento)socialista madeirense o regozijo por este alegado recuo de Jardim. E isto sim espanta-me: então, o presidente do PSD/Madeira é convidado a avançar pelas distritais de Lisboa, Porto, Açores, Madeira, Algarve (nenhum candidato já anunciado se pode gabar de tanto apoio) e, por ainda não ter avançado, é apelidado de líder paroquial e de cobarde e de, alegadamente, ter saído de fininho?
Então rapaziada, onde anda a vossa sensibilidade política? Vocês integram um movimento (ainda se pode chamar aquilo de partido?) absolutamente ignorado pela direcção nacional (desconfio que a maior parte dos dirigentes do PS nunca ouviu falar nas figuras de proa do PS/Madeira dos últimos 10 anos) e ainda se reconhecem legitimidade para acusar Jardim de líder paroquial? O nome do homem é ventilado por todos os lados para líder nacional de um partido e afinal, nas vossas mentes brilhantes, isso não tem valor nenhum?
Sim senhor, hão-de me explicar o que é para vocês ter peso político. Deve ser, com certeza, escrever umas patacoadas na blogosfera e mandar uns bitaites sobre algumas coisas de que se percebe e outras de que se percebe menos.
Isto é não ter a mínima noção do ridículo e da sua real dimensão (serão os espelhos lá de casa demasiado grandes?).

23.4.08

Jardim mais forte

Não acredito que AJJ queira avançar para a liderança do PSD. Pelo menos, deste PSD. Mas o facto de ter sido apresentado como um dos possíveis candidatos dá-lhe uma força acrescida. Dá-lhe uma espécie de "voto de qualidade", ganhe quem ganhar as "directas". Em resumo, dá-lhe influência, protagonismo e ainda mais "peso político" no PSD nacional. Uma estratégia inteligente.

Post-Scriptum 1: Cunha Vaz concedeu, há cerca de um mês, uma grande entrevista na Revista do Diário. Dizia, a "páginas tantas", estar disponivel para ajudar o Governo Regional (a Região) a projectar-se no continente. Hoje, Cunha Vaz almoçou com Marco António e com o Presidente da Distrital do PSD de Lisboa. Os mesmos que lançaram o nome de Jardim para a "luta". Fica o apontamento...

Post-Scriptum 2: Pessoalmente, gostava de ver AJJ na liderança do PSD nacional. Creio que seria melhor do que qualquer um dos candidatos que até agora se apresentaram. Melhor, sobretudo, do que Manuela Ferreira Leite, uma espécie de regresso a um cavaquismo sem Cavaco. E sem presente. E sem futuro.

Prudência

Parece que de repente se uniram todos para fazer a cama a Alberto João Jardim. Agora é Patinha Antão, que parece querer queimar o presidente do Governo Regional da Madeira.
Sinceramente e sem mais delongas: acho que Jardim faria boa oposição a Sócrates e, no limite de conseguir vencer as legislativas - coisa que duvido pelos motivos que evocarei a seguir - acho igualmente que tem capacidade para ser um bom primeiro-ministro.
Não acho, contudo, que conseguisse vencer as eleições no PSD e ainda que conseguisse, tenho a perfeita convicção de que os políticos portugueses, da Direita à Esquerda, Comunicação Social e os lóbis instalados não lhe permitiriam um único momento de tréguas.
Seria atacado pelo que fez e não fez, disse e não disse, tem ou não tem. Estou profundamente convencido que a estrutura político-partidária e a comunicação social manipulada (que é quase toda, digam lá o que quiserem) centralista e instalada jamais iria aceitar Jardim numa actividade política em Lisboa.
Seria completamente vedada a possibilidade de desenvolver um projecto político numa eventual aventura pela capital. E se não me sobram dúvidas que o líder do PSD/Madeira tem arcaboiço, capacidade de encaixe e até algum calculismo político para virar algumas das contrariedades contra os seus mais directos adversários, temo que os trabalhos fossem demasiados grandes. Seria uma tarefa hérculea virar todos até para Jardim que sairia, irremediavelmente, derrotado desta luta.
O problema não é, como alguns querem fazer querer, Bruxelas ou Estrasburgo. A União Europeia já por diversas vezes demonstrou que não tem pruridos em se vergar perante líderes fortes (veja-se o caso dos manos polacos). Aliás, tenho certeza que Jardim conseguiria negociar com Bruxelas bem melhor do que qualquer outro dirigente português (como sempre fez).
O problema é mesma a inteligentsia política lisboeta.
Para além de que os anos de luta contra o continente deixou as suas cicatrizes. Grande parte dos continentais que conheço, mesmo aqueles que lhe admiram a obra, de forma aberta ou secretamente votaria contra si, porque não lhe perdoam tantas vitórias.
Não, Portugal não gosta de líderes genuínos e/ou foliões. Isso é para italianos. Nós gostamos mesmo é de cinzentões, ainda que não tenham ponta da dita, como é o caso manifesto do nosso primeiro-ministro.
Portanto, apesar da eventual (legítima) tentação, reforçada pelos apelos da suposta tropa que se parece juntar, Jardim deve ter muito cuidado. As tropas podem estar (na minha opinião, estarão) minadas por muitas toupeiras. Serão Cavalos de Tróia atrás de Cavalos de Tróia. E temo que estes apelos mais não sejam do que uma campanha para tentar humilhar Alberto João Jardim, pelos anos consecutivos de humilhação que provocou aos seus adversários. Algumas das suas vitórias, nem os seus camaradas de partido perdoaram. Por isso, o bom senso aconselha prudência, muita prudência.
De resto, acho que Jardim tem calo para perceber isto tudo. Pelo menos, assim espero!!

Arranjam-se mais ofensas por aí?

Palhaço, mentiroso, demagogo, imbecil, idiota, energúmeno, traidor.

22.4.08

Breves sobre a Madeira

Pois, está mais do que visto que na Assembleia Legislativa Regional, a má educação, a rudeza e a infâmia (e, porque não, a estupidez) não são prerrogativas apenas de alguns (assim de cor, lembro-me de já aqui ter criticado Coito Pita, Baltazar Aguiar, Jaime Ramos, Victor Freitas, Rafaela Fernandes, ...). Desta vez é Leonel Nunes a proferir uma imbecilidade monumental. O que demonstra que na Madeira fazem falta políticos de qualidade, seja em que partido for...

O representante da burguesia bem humorada na Assembleia Legislativa Regional (ALR), esse inenarrável personagem chamado Baltazar Aguiar, suspendeu a sua actividade parlamentar (no seu caso, verdadeiramente paralamentar), alegadamente por motivos de indignação contra a forma como decorreu a visita do presidente da República à Madeira. É verdade, minhas senhoras e meus senhores, o homem indignado com uma atitude de outrem! Parece anedota, mas não é. A que ponto chega a hipocrisia...
Como se não bastasse, eis que para o substituir, mandam outro louco para a ALR. Digam lá se o PND tem, também, algum respeito pela casa da democracia madeirense?

Então, parece que toda a oposição madeirense (e, estou desconfiado, muito delfinato do PSD/Madeira) quer exilar Alberto João Jardim, enviando-o para o continente?! Não é que ele não quisesse, mas estou em crer que Jardim jamais deixaria penhorar a sua brilhante carreira política num projecto fracassado à partida. Alberto João Jardim é demasiado esperto para se deixar prender nessa ratoeira. Basta que, para tal, se lembre do que a classe política bem pensante e correcta(zinha) lisboeta fez ao Fernando Gomes...

21.4.08

Contra o PS vale tudo? Tem dias...

Acuso o toque. Mas, caro amigo, partes do princípio errado de que eu oponho-me a coligações. Não, bem pelo contrário, até sou a favor delas. Mais, reconheço todo o direito aos socialistas de se coligarem com quem bem lhes apetecer.
Na ocasião, manifestei-me contra uma ideia que me parecia estapafúrdia (e continua a parecer) que foi defendida por alguns socialistas e bloquistas (só ainda não percebi se a tua defesa desta ideia não passa de mais uma tirada anedótica, daquelas com que te divertes ao ver que há quem lhes pegue). Não me parece de todo razoável uma coligação que reúna à mesma mesa (que é para não dizer no mesmo tacho) socialistas (que não são bem socialistas, mas social-democratas), bloquistas, comunistas e democratas-cristãos (o CDS/PP ainda tem uma matriz democrata-cristã? É que se parecem cada vez mais com os ultra-liberais...). Mais, a ser uma coligação total, reuniria ainda os divertidos burgueses do PND e os oportunos(istas?) do MPT. Acho que apenas por brincadeira alguém poderá acreditar que tal coligação reuniria a confiança dos madeirenses. Lembra-te do que aconteceu com a coligação para as autárquicas em 2001, que penalizou todos os partidos que a integraram.
Portanto e sintetizando, reconheço que por vezes são necessárias coligações, mas só as admito em ocasiões excepcionais e entre partidos/movimentos que tenham uma matriz ideológica, se são semelhante, pelo menos próxima. O que não é, manifestamente, o caso.
Quanto à ideia defendida por Jardim, sinceramente e antes de saber quem liderará o PSD, não me parece que seja sequer de equacionar esta possibilidade. Poderá vir a ter de ser necessário uma AD, mas logo se verá. Tenho, contudo, muitas reservas, tendo em atenção a liderança do CDS/PP, uma vez que Paulo Portas é demasiado ansioso por protagonismo, para se submeter à natural liderança do PSD. Qualquer líder do maior partido, teria sempre a sombra de Portas, numa coisa demasiado bicéfala para que pudesse ser eficaz. Portanto, com Paulo Portas à frente do PP, apenas em caso de desespero é que admitiria uma nova AD.
Perguntas se contra o PS vale tudo. Não se trata de valer tudo, como muito bem sabes, uma vez que no PSD reúnem-se diversas sensibilidades ideológicas (social-democrata, democrata-cristã, personalismo, conservadora, liberal, etc.) que permitem e até aconselham uma coligação com um partido que tenha como matriz a democracia-cristã.
Mas se queres que te diga, sinceramente, contra este PS, acho que apenas bombas ficam de fora. E apenas para já...!

Basta que sim...

Uma vez mais, cá está o Miguel sem papas na língua. Uma vez mais, subscrevo o que afirma.

Acordo ortográfico: contributos para uma reflexão

Está boa e acesa a discussão sobre o Acordo Ortográfico.
Para já, estou apenas na fase de recolha de informação. Reconheço não ter opinião formada. Mas concordo que não devia ser assinado um Acordo Ortográfico sem o beneplácito unânime dos linguistas. Porque isto de percebermos um bocadinho de tudo e não ser bom em nada tem vantagens, mas também tem as suas desvantagens - eu que o diga!
Continuo acompanhar.

20.4.08

Porque a luta contra o Estado Novo não foi feita apenas por homens II

Teresa Torga, na versão de Júlio Pereira

No centro a da Avenida
No cruzamento da rua
Às quatro em ponto perdida
Dançava uma mulher nua
A gente que via a cena
Correu para junto dela
No intuito de vesti-la
Mas surge António Capela
Que aproveitando a barbuda
Só pensa em fotografá-la
Mulher na democracia
Não é biombo de sala
Dizem que se chama Teresa
Seu nome é Teresa Torga
Muda o pick-up em Benfica
Atura a malta da borga
Aluga quartos de casa
Mas já foi primeira estrela
Agora é modelo à força
Que o diga António Capela
T'resa Torga T'resa Torga
Vencida numa fornalha
Não há bandeira sem luta
Não há luta sem batalha

Zeca Afonso, Com as minhas tamanquinhas

Para ouvir toda discografia do Zeca, faça o favor de vir aqui.

Porque a luta contra o Estado Novo não foi feita apenas por homens I

Catarina Eufémia

Chamava-se Catarina
O Alentejo a viu nascer
Serranas viram-na em vida
Baleizão a viu morrer
Ceifeiras na manhã fria
Flores na campa lhe vão pôr
Ficou vermelha a campina
Do sangue que então brotou
Acalma o furor campina
Que o teu pranto não findou
Quem viu morrer Catarina
Não perdoa a quem matou
Aquela pomba tão branca
Todos a querem p'ra si
Ó Alentejo queimado
Ninguém se lembra de ti
Aquela andorinha negra
Bate as asas p'ra voar
Ó Alentejo esquecido
Inda um dia hás-de cantar

Zeca Afonso, Cantar Alentejano

Cafés de Abril

Ontem assisti a mais um fabuloso espectáculo que celebra Abril. Há sempre alguém que resiste reuniu no mesmo palco algumas das melhores vozes de Évora, em volta das palavras e dos sons de Adriano Correia de Oliveira, José Mário Branco e Zeca Afonso.
A abrir, a quente voz da titia Isabel Bilou, ao som do grave contra-baixo de Joaquim Gil Nave.

Depois, as palavras ditas por José Lourido. A finalizar, mais um delicioso concerto de Nuno do Ó, importante intérprete da música de intervenção portuguesa.

Este espectáculo integrou a iniciativa Cafés de Abril, que termina quinta-feira, dia 24 de Abril, com o concerto BABOZA AFRO MUSIC, num fraterno abraço lusófono.

17.4.08

Imprensa livre... mas pouco.

Em dois dias cerca de 60 mil trabalhadores da administração pública saíram à rua e, percorrendo a comunicação social portuguesa, parece que nada aconteceu.
Digam o que quiserem, mas a verdade é que a coincidência (?) da tradicional propensão dos órgãos públicos de comunicação social para bajular o poder, com a entrada de Pina Moura para a Media Capital e um interesse ainda não totalmente claro do grupo Impresa em proteger este governo da República, (o Expresso e os boletins noticiosos da SIC têm roçado o servilismo mais básico), ameaça estrangular definitivamente a pluralidade, a transparência, o rigor e a isenção da informação em Portugal.

Aguenta, Chalana


Confesso... Soube mesmo bem. Aguentem-se, que a vida é dura! A jogar como o fizemos na segunda parte, que venha o Porto!

16.4.08

Sensibilidade e bom senso II*

Sinceramente, para quem tanto clama por transparência, rigor e honestidade, começa a soar demasiado hipócrita todas as suspeições - sem qualquer sombra de prova ou sequer de argumento válido - levantadas pelo deputado Carlos Pereira no seu blog.
E é curioso que, sendo independente, conforme faz questão de gritar tantas vezes, assuma todo o odioso do Partido Socialista madeirense: lançar suspeitas sobre a honestidade e idoneidade dos outros, assim ao jeito do Pravda e do Garajau.
Não deixa mesmo de ser estranho que outras figuras de proa do PS, como Miguel Fonseca, André Escórcio e Rui Caetano assumam, nos seus blogs, posições bem mais comedidas e infinitamente menos demagógicas. Cada um com o seu estilo e forma de estar na blogosfera (a sátira, qualidade literária e profundidade de Miguel Fonseca; as legítimas e - quer me parecer - as apartidárias preocupações sociais de Rui Caetano; e a experiência, pertinência e perspicácia políticas de André Escórcio) contribuem e de que maneira para o debate (ou, pelo menos, reflexão a) sério. Já a maior parte (porque, em boa verdade, por vezes Carlos Pereira esquece os demónios e os ódios pessoais e produz reflexões pertinentes) das investidas do deputado nada acrescentam ao debate político da blogosfera.
Acusar-me-ão do mesmo, que nisto de crítica fácil, reconheço-me muita qualidade. Limito-me a dar asas ao que penso, sem qualquer tipo de lapidação. Vai em bruto, como me ocorre. Mas eu não sou, nem tenho aspirações a político. E, por muita legitimidade que reconheça ao cidadão Carlos Pereira para expandir a sua indignação, ele não é um cidadão anónimo. Tem responsabilidades políticas conferidas pelo voto de milhares de cidadãos e tem a obrigação de ser responsável nas suas afirmações. Porque, não sendo esquizofrénico, o que Carlos Pereira escreve não o responsabiliza apenas a ele. As repercussões ultrapassam-no.

* Título de um livro de Jane Austen

14.4.08

Carta ao fisco

Querido Fisco

No meu casamento, que se realizou no dia ..., estiveram presentes 120 convidados: 89 adultos, 9 crianças e 2 bebés. A festa teve lugar na Quinta ... do meu padrinho Luís M. que me presenteou a boda ( as cópias dos talões do talho, da mercearia e da peixaria seguem em anexo).
A minha tia Alzira S., que é costureira, fez-me o vestido e não cobrou nadinha, mas gastei 60€ em tecidos, 34,5€ nas rendas e bordados e 18,75€ em linhas, botões e alfinetes. As meias e as ligas ficaram por 35€, conforme recibos que envio. O noivo usou o fato da Comunhão Solene com umas ligeiras alterações (a Tia Alzira não cobrou nada).
O meu irmão foi o fotógrafo de serviço. Todas as fotografias foram enviadas aos convidados por e-mail, que imprimirão as que entenderem por sua conta.
Não foi alugada qualquer viatura. Eu fui na Charrete do Sr. José M., que andou comigo ao colo e é como um pai para mim. O Manuel ( o noivo) foi de mota: a mota dele que ainda está a acabar de pagar, conforme se comprova com documento.
As flores foram todas do jardim da minha avó Margarida e a minha prima Mariana F. que é uma moça muito prendada fez os arranjos.
A animação da festa esteve a cargo do irmão e dos primos do Manuel, que têm uma banda - os 'Sempr'Abrir' que merecem ter sucesso.
Não pudemos aceitar nenhum dos presentes, uma vez que não vinham acompanhados dos recibos.
Os charutos cubanos que um amigo nosso nos trouxe de Cuba ficaram para nós, porque não os declaramos na Alfândega, e assim não os podíamos oferecer para agora provar o seu custo.
Os preservativos comprou-os o Manuel naquelas máquinas que estão longas horas ao Sol (porque é um rapaz muito introvertido), mas que não dão recibos, o que me permite escusar-me a revelar o seu número, não vá, daqui a alguns anos, lembrares-te de cobrar retroactivamente uma taxa pelas que foram dadas na lua de mel.

Maria Julieta Silva Chibo e Manuel António Sousa Chibo

Recebida via e-mail.

Perante a evidência do patético só nos resta rir.

Impressionante


Garantem que a foto é real, da autoria de Agostinho Spínola e que foi publicada no Diário de Notícias da Madeira.
Não tendo razões para duvidar, parece-me difícil ser manipulada, pois o contínuo da onda é brutal. O que aumenta a minha perplexidade. Quem não conhece as Poças do Gomes (conjunto de piscinas naturais também conhecidas por Doca do Cavacas) poderá não perceber bem a dimensão do pequeno monstro, mas para quem ali passou verões (e invernos) inteiros, quem já viu marés vivas e conhece a profundidade, esta onda apenas poderá ser adjectivada de monumental. Porque não se compara a nada que eu tenha já ali visto (e já vi tempestades enormes...). Impressionante!
Parabéns ao autor da fotografia.
Ultraperiferias, via Basta que Sim.

13.4.08

PS vota contra complemento de reforma para idosos madeirenses

Uns tipinhos que se afirmam socialistas eleitos para defender o povo madeirense, votaram contra uma proposta de lei da Assembleia Legislativa da Madeira, que propunha a atribuição de um complemento mensal de pensão de 50 euros a todos os cidadãos residentes de forma permanente na Madeira que usufruam de pensão por velhice, invalidez ou pensão social.

Votam contra os idosos madeirenses e ainda têm cara de pau para justificar o seu voto.
E não percebem porque é que os madeirenses não confiam neles. Começo a achar que o problema não é apenas político ou sequer de competência. O caso pode mesmo ser patológico...

Cantar de emigração

Os tempos que vivemos são preocupantes. A nossa democracia não está apenas doente: está em risco. Por isso nunca é demais recordar Abril e as suas vozes. É o que tenho feito. Deixo-vos com o Cantar da emigração, de Adriano Correia de Oliveira. Para nos recordarmos que o fenómeno da emigração regressou. E para não perdermos essa capacidade de nos perguntarmos porquê!

Poema de liberdade

Queixa das almas jovens censuradas*

Dão-nos um lírio e um canivete
E uma alma para ir à escola
E um letreiro que promete
Raízes, hastes e corola.
Dão-nos um mapa imaginário
Que tem a forma duma cidade
Mais um relógio e um calendário
Onde não vem a nossa idade.
Dão-nos a honra de manequim
Para dar corda à nossa ausência.
Dão-nos o prémio de ser assim
Sem pecado e sem inocência.
Dão-nos um barco e um chapéu
Para tirarmos o retrato.
Dão-nos bilhetes para o céu
Levado à cena num teatro.
Penteiam-nos os crânios ermos
Com as cabeleiras dos avós
Para jamais nos parecermos
Connosco quando estamos sós.
Dão-nos um bolo que é a história
Da nossa história sem enredo
E não nos soa na memória
Outra palavra para o medo.
Temos fantasmas tão educados
Que adormecemos no seu ombro
Sonos vazios, despovoados
De personagens do assombro.
Dão-nos a capa do evangelho
E um pacote de tabaco.
Dão-nos um pente e um espelho
Para pentearmos um macaco.
Dão-nos um cravo preso à cabeça
E uma cabeça presa à cintura
Para que o corpo não pareça
A forma da alma que o procura.
Dão-nos um esquife feito de ferro
Com embutidos de diamante
Para organizar já o enterro
Do nosso corpo mais adiante.
Dão-nos um nome e um jornal,
Um avião e um violino.
Mas não nos dão o animal
Que espeta os cornos no destino.
Dão-nos marujos de papelão
Com carimbo no passaporte.
Por isso a nossa dimensão
Não é a vida. Nem é a morte.

Natália Correia

* Magistralmente musicado e interpretado por José Mário Branco

12.4.08

Memórias de Branca Dias

Há muito que não via uma peça que gostasse tanto. Não é só o texto que é fabuloso (de Miguel Real), não é apenas a encenação que está muito bem conseguida (Filomena Oliveira), não é apenas a interpretação da Rosário Gonzaga (parabéns Rosário) que é magistral, não é só a banda sonora original (de David Martins) que reúne numa única sonoridade a tradição brasileira com sons da modernidade, não é apenas a iluminação encontrada. O que faz deste monólogo um espectáctulo de ser revisto é a conjugação de todos estes elementos. Memórias de Branca Dias, matriarca de Pernanbuco e mulher quase feliz, quase realizada, quase amada, quase... é um regresso ao passado do teatro. É um revisitar do teatro puro e duro, onde um cenário simples serve de enquadramento a uma interpretação que não fica nada a dever a Maria do Céu Guerra ou Eunice Muñoz. Uma hora e meia de interpretação feroz. Muito bom.

10.4.08

E o mau tempo chegou.................

É inadmissível que o número um da Câmara do Funchal esteja preocupado com as horas extraordinárias dos funcionários.

O que Miguel Albuquerque não disse, mas quer dizer, é que não pode fazer mais porque a autarquia não tem dinheiro para fazer face às adversidades provocadas pelo mau tempo.

Será que é este o papel de uma Câmara Municipal, quando os munícipes mais precisam de ajuda???

9.4.08

8.4.08

Espreitar a chuva II

Santa cruz

Marina do Lugar de Baixo
Ponta do Sol

Ribeira Brava
Recordam-se. Comecei o dia a pensar na chuva, saí de casa, e foi agarrá-la.

Quem sai aos seus...

Ora, que razão haveria para que o senhor Vara se arrependesse?... Só porque a senhora é uma criminosa (que eu saiba, pelo menos fugir à justiça é crime), não há cá razões para suspeitar da sua honestidade.

Atenção

Naturalmente que me dá igual ao litro se a nova ponte sobre o Tejo é feia ou bonita, ou se é berrante ou se passa despercebida. Qualquer posição é perfeitamente defensável. A mim o que me preocupa é saber se a nova estrutura responde às necessidades não só da zona metropolitana de Lisboa mas do país e se não haveria soluções economicamente mais vantajosas.
Preocupa-me, também, saber a quem será entregue a empreitada. Estaremos atentos para ver se empresas onde trabalham políticos integrarão os inevitáveis consórcios...

Ciranda da Bailarina

Porque me apetece. E digam lá se não é de enternecer...

Ciranda da Bailarina
Composição: Edu Lobo / Chico Buarque

Procurando bem
Todo mundo tem pereba
Marca de bexiga ou vacina
E tem piriri, tem lombriga, tem ameba
Só a bailarina que não tem
E não tem coceira
Berruga nem frieira
Nem falta de maneira ela não tem
Futucando bem
Todo mundo tem piolho
Ou tem cheiro de creolina
Todo mundo tem
um irmão meio zarolho
Só a bailarina que não tem
Nem unha encardida
Nem dente com comida
Nem casca de ferida ela não tem
Não livra ninguém
Todo mundo tem remela
Quando acorda às seis da matina
Teve escarlatina
ou tem febre amarela
Só a bailarina que não tem
Medo de subir, gente
Medo de cair, gente
Medo de vertigem
Quem não tem
Confessando bem
Todo mundo faz pecado
Logo assim que a missa termina
Todo mundo tem um primeiro namorado
Só a bailarina que não tem
Sujo atrás da orelha
Bigode de groselha
Calcinha um pouco velha
Ela não tem
O padre também
Pode até ficar vermelho
Se o vento levanta a batina
Reparando bem, todo mundo tem pentelho
Só a bailarina que não tem
Sala sem mobília
Goteira na vasilha
Problema na família
Quem não tem
Procurando bem
Todo mundo tem.

Declaração de interesse: prefiro a versão original. Mas esta, da Adriana Calcanhoto, também é deliciosa.

Espreitar a chuva

O dia está frondoso.
Consigo ver através da minha janela a chuva. Em simultâneo oiço-a cair na terra.
Apetece agasalhar-me no refúgio de um tecto e contemplar a queda livre da água que vem do espaço. Cai como meteoritos. Só não dizima espécies, como aconteceu há milhões de anos. Eu não estava lá. Nem agora sei se estou cá. Apenas sinto que existo, mas não consigo medir o tamanho da minha dimensão face ao universo. Também não importa.

Imagino que a chuva já tenha feito estragos. Imagino que a esta hora, já existam danos colaterais nos sapatos de muitas mulheres. Talvez no cabelo. Talvez nas calças. Também não importa.

Há muito tempo que não chovia. Pelo menos assim.

Há muito tempo que não escrevia. Pelo menos assim. Acho que estive de férias. Acho que me assaltaram o cofre das letras. Quando parar de chover, vou iniciar a busca. Se entretanto, alguém encontrar palavras entre os destroços da água, avise.
Podem ser minhas.

7.4.08

Entre idiotas, patetas e imbecis, venha o diabo e escolha

Alguns idiotas gostam de reclamar como seu exclusivo património os sonhos e as utopias de Abril. Como se Abril apenas representasse os ideais de esquerda (mais ou menos radical). Como se o desejo de liberdade não fosse também partilhado por alguns sectores da direita. Como se toda a actividade social e vontade de participação fosse prerrogativa apenas dos socialistas e comunistas. Como se o PREC se resumisse à dicotomia Soares/Cunhal.
Nalguns casos, sei bem o que os move. Mas não basta a intenção: para ser eficaz é preciso alguma substancia. E os que por aqui pululam já demonstraram que os seus horizontes mais longíquos são mesmo os seus ricos umbigos...
Portanto, a característica que mais os identifica não será bem a patetice: é a imbecilidade!

Afinal Paretto estava errado


Vilfredo Paretto criou, em 1897, a Regra 20/80, demonstrando que 80% da riqueza estava nas mãos de 20% da população.

Eu estou cada vez mais convencido que neste momento 95% da riqueza está nas mãos de apenas 5% da população. O que demonstra que desde o século XIX a justiça social poderá a estar a regredir. É preciso ficar atento...

Vão roubar pó c...

Assumo-me cada vez menos como liberal. Do liberalismo à portuguesa, então, fujo a sete pés. Por isso enoja-me o discurso supostamente liberal que atribui a uma eventual esquerda inimiga da propriedade privada a crítica aos lucros formidáveis de alguns, quando a grande maioria passa por dificuldades. O argumento é velho e está gasto: é preciso produzir valor para ser redistribuído, pois não se pode distribuir o que não existe.
Ora, tudo isto estaria muito bem (e eu, por princípio, subscrevo-o), se a prática consubstanciasse a teoria. Mas a realidade é bem diferente. Exemplifico: no ano passado a banca portuguesa apresentou rendimentos fabulosos (à custa de todos nós e dos funcionários, que trabalham em média mais 30%, sem direito a qualquer hora extraordinária e com o cúmulo de se esconderem quando há alguma inspacção do trabalho) e, que se saiba e ou se tenha visto, não representou nenhuma mais-valia para todos os portugueses que não são accionistas e dirigentes. Este ano, como se perspectiva um ano difícil, já vieram a terreiro os banqueiros, com a simpatia dos comentadores especialistas em assuntos económicos e o beneplácito do governo, informar que os prejuízos serão grandes mas redistribuídos por todos: clientes e restante população (através dos regimes de excepção). Ora, com exemplos destes, como é que poderemos alguma vez confiar nas empresas portuguesas. Porra para elas e que vão morrer para longe!
É como alguém dizia: a banca é exímia em privatizar lucros e em democratizar prejuízos.

Isenção à portuguesa

Há cerca de 20 anos, quando se iniciou o processo de implementação de sistemas de gestão da qualidade e a sua certificação em Portugal, foi criada uma entidade certificadora, composta pelo Instituto Português da Qualidade (IPQ) e algumas associações industriais e empresariais.
Passados alguns anos e alegadamente por forma a combater alguma promiscuidade, entendeu-se que o IPQ deveria sair dessa entidade certificadora, sendo criada a APCER (Associação Portuguesa de Certificação), uma vez que não seria transparente que a organização que responsável pelo Sistema Português da Qualidade (SPQ) fosse accionista da entidade certificadora.
Até aqui, tudo bem. O engraçado é que a necessidade de isenção vale apenas para um lado. Isto é, as associações industriais e empresariais mantiveram-se como accionistas na APCER, sendo que algumas das empresas associadas dessas organizações empresariais são os principais clientes da APCER. E, de acordo com o olhar do mundo empresaria português, aqui não há qualquer tipo de promiscuidade.
E assim se vai fazendo a vida portuguesa. É um salve-se quem puder...

6.4.08

Canto dos Poetas

Ontem voltei a assistir ao concerto Isabel Bilou Canta a Palavra dos Poetas, na Sociedade Operária de Instrução e Recreio Joaquim António de Aguiar, integrado mas comemorações do 25 de Abril, desta centenária colectividade.
Este é mais um projecto da Associação do Imaginário que, apesar de acompanhar desde o seu início e de já ter assistido a muitos concertos, nunca deixou de me emocionar. Por razões familiares, claro que sim (porque nisto do canto dos poetas e de outras cantos, os afectos estão sempre próximos), mas essencialmente porque ouvir as palavras outrora cantadas por Adriano Correia de Oliveira, Zeca Afonso e Zé Mário Branco continuam a despertar o desejo de liberdade. Ainda para mais, num momento em que assistimos a um clima de perseguição inaudito em trinta e tal anos de democacria.
Sabe bem voltar a ouvir as canções de liberdade. E digo-o sem qualquer prurido, porque nisto de ideologias, apesar de ser insuspeito de manter qualquer simpatia pela esquerda, não posso deixar de reconhecer a importância do sonho de tantos e na esperança de quase todos.
Por isso, blogosfericamente (perdoem o neologismo), manifesto o meu agradecimento à direcção pela iniciativa Cafés de Abril. Pode ser que a palavra volte a despertar e assuma a sua real qualidade de arma em defesa da liberdade.

Anedotas

Há cerca de uma semana António Borges, ex-dirigente da Goldman Sachs, denunciou a perseguição que o banco sofreu por parte do governo, devido à sua actividade política, tendo mesmo sido anunciada por esse personagem macabro que dá pelo nome de Manuel Pinho (insisto, é preciso queimar o pinho).
Mas tudo isso parece ser normal.
Há dois dias soubemos que Jorge Coelho irá presidir uma empresa à qual entregou milhões em contratos públicos, enquanto ministro das obras públicas.
Mas também isto parece normal.
Os professores são agredidos nas escolas.
Ao que tudo indica e a crer nas afirmações do secretário da Estado, isso é normal.
Aumenta a criminalidade violenta.
O governo anuncia que essa é uma situação normal.
Portugal está a saque, o governo impõe acções persecutórias às vozes discordantes, mas a acreditar na opinião publicada, nada de anormal se passa.
Isto não é um país. Portugal é apenas uma anedota de mau gosto!

31.3.08

PS/Madeira ou o prenúncio da morte de uma quimera?

Por uma questão de decência, não vou elogiar as palavras de Jaime Gama.
Mas são bem demonstrativas do que vale o PS/Madeira para a estrutura nacional. Não passa de carne para canhão, quando dá jeito. Mas, não merecendo o meu aplauso, também não são declarações surpreendentes: o PS/Madeira tanto se tem vergado - conforme se viu na votação do último orçamento de Estado - , que neste momento vale o mesmo que nada (que, de resto, é o que vale eleitoralmente). Esta é uma situação que demonstra bem que o PS reconhece que os socialistas madeirenses não falam, porque não sabem nem nunca souberam, falar com os madeirenses e que, portanto, não têm qualquer importância no jogo político que se desenrola na Madeira. E, conforme já esclareceu André Escórcio, não tente o PS/Madeira justificar os elogios de Jaime Gama a Alberto João Jardim com a necessidade de manter um bom relacionamento institucional: porque as palavras não são institucionais e têm uma intencionalidade ainda não totalmente esclarecida, mas absolutamente inquestionável.
Estou, contudo, convencido, que apresentado o voto de protesto, o PS/Madeira tentará esquecer mais esta falta de solidariedade e completa descredibilização e voltará a cometer todos os erros do passado, vendendo a defesa da Madeira e dos madeirenses em favor de uma suposta superior estratégia nacional. E continuarão a ser subservientes a Lisboa, para mal dos seus pecados!

29.3.08

Malvados tibetanos

O PCP tem destas coisas. Ora é um Bernardino Soares que duvida que a Coreia não seja uma democracia, ora é um Jerónimo a tecer rasgados elogios a esse outro "bastião da liberdade" que dá pelo nome de Cuba. Desta vez, junta-se ao capital e ao poder instituído, que tanto afirma combater, para acusar os monges tibetanos de terroristas cujo único objectivo é «comprometer os Jogos Olímpicos na China». É verdade, pela boca do secretário geral soubemos que os comunistas portugueses uniram-se Comité Olímpico Internacional (essa organização "paladina na defesa dos direitos humanos" - basta-nos lembrar dos JO de Berlim), para defender a China dos ataques impiedosos e injustos de uma conspiração internacional que visa denegrir a imagem do gigante comunista, que tanto bem tem feito ao povo tibetano.

Jóminho, Jóminho, às vezes ficas tão bem calado!

Porque outros dizem melhor do que eu

"(...) 2. Uma escola para os valores e o papel da(s) Igreja(s): Ligado a esse facto, está a questão de uma Escola para os valores humanos, intelectuais, morais e éticos. O pensamento moderno libertário não se pode confundir com a relativização de valores como a solidariedade e a sua exacta noção. No episódio do vídeo da professora e da aluna, vê-se claramente que há uma noção errada da solidariedade: a professora, porque não faz parte do grupo-turma, não existe como ser que mereça consideração. 2.1. O papel da(s) Igreja(s): Questão polémica que é preciso ter a coragem de enfrentar de frente: num país cristão e ou católico, as famílias não perderam o direito de educar na escola as crianças segundo os valores básicos cristãos? Por que não fazer um debate aberto, sem complexos, sobre a questão. Por um lado, uma sociedade laica e um Estado democrático e legitimamente laico, por outro, uma sociedade maioritariamente cristã que não assume essa condição na educação dos filhos. Não obstante os extremos religiosos conhecidos, a sociedade americana é mais livre porque assume sem complexos na educação dos filhos os seus valores religiosos. O afastamento da Igreja da esfera do ensino não teria sido um problema se isso, aliado ao afastamento das famílias na educação dos filhos, não houvesse tido como consequência um vazio de valores. (...)"

Não podia estar mais de acordo contigo Miguel (www.bastaqsim.blogspot.com).

28.3.08

America

Deixo-vos com um dos meus poemas favoritos. Allen Ginsberg. America. É longo mas vale a pena. Nem sei bem porque me lembrei disto hoje, mas enfim...

 

America I've given you all and now I'm nothing.
America two dollars and twenty-seven cents January 17, 1956.
I can't stand my own mind.
America when will we end the human war?
Go fuck yourself with your atom bomb
I don't feel good don't bother me.
I won't write my poem till I'm in my right mind.
America when will you be angelic?
When will you take off your clothes?
When will you look at yourself through the grave?
When will you be worthy of your million Trotskyites?
America why are your libraries full of tears?
America when will you send your eggs to India?
I'm sick of your insane demands.
When can I go into the supermarket and buy what I need with my good looks?
America after all it is you and I who are perfect not the next world.
Your machinery is too much for me.
You made me want to be a saint.
There must be some other way to settle this argument.
Burroughs is in Tangiers I don't think he'll come back it's sinister.
Are you being sinister or is this some form of practical joke?
I'm trying to come to the point.
I refuse to give up my obsession.
America stop pushing I know what I'm doing.
America the plum blossoms are falling.
I haven't read the newspapers for months, everyday somebody goes on trial for
murder.
America I feel sentimental about the
Wobblies.
America I used to be a communist when I was a kid and I'm not sorry.
I smoke marijuana every chance I get.
I sit in my house for days on end and stare at the roses in the closet.
When I go to Chinatown I get drunk and never get laid.
My mind is made up there's going to be trouble.
You should have seen me reading Marx.
My psychoanalyst thinks I'm perfectly right.
I won't say the Lord's Prayer.
I have mystical visions and cosmic vibrations.
America I still haven't told you what you did to Uncle Max after he came over
from Russia.

I'm addressing you.
Are you going to let our emotional life be run by Time Magazine?
I'm obsessed by Time Magazine.
I read it every week.
Its cover stares at me every time I slink past the corner candystore.
I read it in the basement of the Berkeley Public Library.
It's always telling me about responsibility. Businessmen are serious. Movie
producers are serious. Everybody's serious but me.
It occurs to me that I am America.
I am talking to myself again.

Asia is rising against me.
I haven't got a chinaman's chance.
I'd better consider my national resources.
My national resources consist of two joints of marijuana millions of genitals
an unpublishable private literature that goes 1400 miles and hour and
twentyfivethousand mental institutions.
I say nothing about my prisons nor the millions of underpriviliged who live in
my flowerpots under the light of five hundred suns.
I have abolished the whorehouses of France, Tangiers is the next to go.
My ambition is to be President despite the fact that I'm a Catholic.

America how can I write a holy litany in your silly mood?
I will continue like Henry Ford my strophes are as individual as his
automobiles more so they're all different sexes
America I will sell you strophes $2500 apiece $500 down on your old strophe
America free Tom Mooney
America save the
Spanish Loyalists
America Sacco & Vanzetti must not die
America I am the
Scottsboro boys.
America when I was seven momma took me to Communist Cell meetings they
sold us garbanzos a handful per ticket a ticket costs a nickel and the
speeches were free everybody was angelic and sentimental about the
workers it was all so sincere you have no idea what a good thing the party
was in 1935 Scott Nearing was a grand old man a real mensch Mother
Bloor made me cry I once saw Israel Amter plain. Everybody must have
been a spy.
America you don're really want to go to war.
America it's them bad Russians.
Them Russians them Russians and them Chinamen. And them Russians.
The Russia wants to eat us alive. The Russia's power mad. She wants to take
our cars from out our garages.
Her wants to grab Chicago. Her needs a Red Reader's Digest. her wants our
auto plants in Siberia. Him big bureaucracy running our fillingstations.
That no good. Ugh. Him makes Indians learn read. Him need big black niggers.
Hah. Her make us all work sixteen hours a day. Help.
America this is quite serious.
America this is the impression I get from looking in the television set.
America is this correct?
I'd better get right down to the job.
It's true I don't want to join the Army or turn lathes in precision parts
factories, I'm nearsighted and psychopathic anyway.
America I'm putting my queer shoulder to the wheel.

27.3.08

Questão fracturante ou de factura?

Não dizia eu que este parecia um jeitinho do BE para o PS provar que ainda é socialista?! Ora, cá está a prova dos 9.

PS - Por mim, é preferível acabar já com o casamento. Como diz o líder do PS, é preciso terminar com a união assente em deveres. Para quê, então, continuar a existir? Os afectos podem perfeitamente manter-se numa união de facto que, de resto - e em jeito de declaração de interesses -, foi a opção adoptada por mim e pela minha namorada.

A Nossa Cidade

Caro Sancho:

Desta vez, estou em total desacordo contigo.

Na minha opinião, é peça é boa. O texto (vencedor de um Pulitzer, por sinal) é excelente e considero a adaptação muito feliz.

Na sua generalidade, os actores são bons. Creio que é uma boa homenagem à cidade.

Para além do mais há, naquela peça, um contributo maior do que o evento em si. Há, se reparares, uma clara tentativa de agrupar pessoas de várias proveniências em torno de um objectivo comum.

O elenco conta com gente do TEF, do Com.Tema, dos Grupos do Estabelecimento Prisional e da Oficina Versus. Só essa tentativa de trabalhar em conjunto, esquecendo as habituais capelinhas e rivalidades já justifica o apoio.

Quanto ao resto, acho que os 7,5 são plenamente aceitáveis pela qualidade do espectáculo.

Abraço

Gonçalo

26.3.08

A nossa cidade... Mas só se pagares!

Ao que parece, o Teatro Experimental do Funchal (TEF) tem em cena a peça A nossa cidade, a sua contribuição para as comemorações dos 500 anos do Funchal.
É louvável e vem ao encontro do importante trabalho que esta associação tem desenvolvido na promoção do teatro na Região.
O que a me transtorna profundamente, é que o TEF cobre 7,50€ a cada espectador. Primeiro porque não apresenta espectáculos com qualidade suficiente para cobrar este valor. Depois, porque tem financiamentos milionários do Governo Regional e da Câmara Municipal de Funchal. Com o cúmulo de ter cedida uma sala de espectáculos a título gratuito e ainda poder usufruir (eu diria usurpar) o Teatro Baltazar Dias, esse nobilíssimo espaço da cidade, a seu bel-prazer.
Conhecendo, como conheço, o mundo do teatro de amadores e profissional em Portugal, é com algum asco que vejo a cobrança dos bilhetes naquele valor. Porque atendendo às condições que lhes são proporcionadas pelas autoridades regionais, o mínimo que se podia esperar era que a apresentação pública fosse a título absolutamente gratuito, ou com uma bilheteira simbólica e mais ajustada à qualidade apresentada nos seus espectáculos.

PS - Lembro-me de um fantástico acordo que mantinham com o Teatro Nacional D. Maria, que lhes permitiu, numa atitude de novo-riquismo absolutamente inqualificável, pagar fortunas para a companhia lisboeta vir à Região e, que se saiba, nunca tenham feito qualquer apresentação na capital portuguesa.

Boca fechada...

Por vezes, não sei onde anda com a cabeça Alberto João Jardim. Quando pesam suspeitas graves (não obrigatoriamente fundadas) de corrupção e tráfico de influências sobre alguns dirigentes do PSD/Madeira, eis que o presidente do Governo Regional tem a tirada de génio: l'État c'est moi.
Tss, tss. O gosto de chocar não justifica tudo!

Questão de coerência

No início do mês jura a pés juntos que é uma irresponsabilidade baixar os impostos. No final do mês, garante não haver melhor medida (ainda que a diminuição seja ridícula e ofensiva).
É esta a forma de governar dessa personagem que dá pelo nome de José Sócrates. E os socialistas, quais macaquinhos amestrados, dão pulinhos e cantam loas ao magnânime líder. Óh, que bom que ele é...
E a isto estamos entregues!

24.3.08

País de loucos II ou as prioridades do BE

Com que então, as prioridades do Bloco de Esquerda são estas? Se eu não soubesse melhor, diria que esta é uma mãozinha que o BE está a dar ao PS, de modo a que este mostre ser ainda de esquerda (as tais causas fracturantes).
Não acredito em bruxas, mas...

País de loucos

Do que se está à espera para fazer um levantamento popular contra este caciquismo, provinciano - como é timbre do PM - mas profundamente perigoso e preocupante, que o PS instalou no país? É que o ar começa a ser irrespirável...

Isto, a propósito disto.