Estou farto de Portugal. E como os verdadeiros socialistas não votaram a favor de moção de censura apresentado a este bando que se auto-proclama governo, fujo para Madrid! Lá também são socialistas. Mas lá tem brisa..
"Reúne sete ou oito sábios e tornar-se-ão outros tantos tolos, pois incapazes de chegar a acordo entre eles, discutem as coisas em vez de as fazerem" - António da Venafro
8.5.08
Farto de Portugal
Estou farto de Portugal. E como os verdadeiros socialistas não votaram a favor de moção de censura apresentado a este bando que se auto-proclama governo, fujo para Madrid! Lá também são socialistas. Mas lá tem brisa..
6.5.08
Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és!
Áh e tal, que isto é perseguição ao PM; que Sócrates é mesmo licenciado e tem boa formação académica (?); que foi ele que assinou aqueles projectos (são feios? Mas o homem não é arquitecto!); que ele nunca esteve metido em maroscas (como a do Freeport); que não era ilegal ser deputado em regime de exclusividade e exercer outra actividade; que está tudo dentro da lei e é transparente, naquele processo da Estradas de Portugal; que Sócrates nunca cometeu uma ilegalidade na vida; que é um exemplo de honestidade e virtude; que nunca tentou condicionar a liberdade de expressão de ninguém.
Para alguns patetas, Sócrates é um santo, o D. Sebastião regressado.
Está tudo muito bem, mas, uma vez mais, lá vêm os jornalistas noticiarem que um ex-professor de Sócrates na Independente (leccionou 4, das 5 cadeiras) foi pronunciado pelos crimes de corrupção e branqueamento de capitais. Claro que as denúncias de que teria sido Sócrates quem teria dado ordens para que António Morais [então seu professor e militante do PS] fosse encarregue da preparação e assessoria do concurso para a construção de um aterro não passam de fantasias maléficas de uma conspiração contra o magnânime líder. Claro que o facto do réu ser, na altura, assessor de Armando Vara, também é pura coincidência. Se o homem for condenado (coisa que duvido), as ligações que teve a Sócrates ou a Vara não passaram de meros encontros ocasionais na vida de todos nós. Porque Sócrates é incólume, um exemplo de pureza, constantemente conspurcado pela lama atirada a si, apenas porque teve, por vezes, ligações pouco recomendáveis!
Para alguns patetas, Sócrates é um santo, o D. Sebastião regressado.
Está tudo muito bem, mas, uma vez mais, lá vêm os jornalistas noticiarem que um ex-professor de Sócrates na Independente (leccionou 4, das 5 cadeiras) foi pronunciado pelos crimes de corrupção e branqueamento de capitais. Claro que as denúncias de que teria sido Sócrates quem teria dado ordens para que António Morais [então seu professor e militante do PS] fosse encarregue da preparação e assessoria do concurso para a construção de um aterro não passam de fantasias maléficas de uma conspiração contra o magnânime líder. Claro que o facto do réu ser, na altura, assessor de Armando Vara, também é pura coincidência. Se o homem for condenado (coisa que duvido), as ligações que teve a Sócrates ou a Vara não passaram de meros encontros ocasionais na vida de todos nós. Porque Sócrates é incólume, um exemplo de pureza, constantemente conspurcado pela lama atirada a si, apenas porque teve, por vezes, ligações pouco recomendáveis!
Parabéns Marítimo. Mas é preciso melhor...
Sou maritimista. Já antes de ser adepto do Benfica, era sócio do Marítimo. É, por isso, uma enorme alegria assistir a mais uma presença dos campeões das Ilhas na Taça UEFA.Por mais essa proeza, estão os jogadores de parabéns, está o treinador, está a direcção e está toda a massa associativa.
O momento é de festa merecida, porque a verdade é que o Marítimo foi prejudicado diversas vezes este ano, revestindo-se esta conquista de um sabor especial. Porque efectivamente, foi uma vitória contra um sistema mafioso que existe, a despeito do que alguns nos querem fazer crer.
Não podem os confeitos, no entanto, ofuscar-nos. A presença na Taça UEFA não é mais do que a obrigação do Marítimo. Não este ano, mas todos os anos. A isto, têm os maritimistas legitimidade para exigir à direcção, atendendo ao facto de ser o 4º maior orçamento da BwinLiga.
Portanto, esta vitória deve fazer-nos, maritimistas, reflectir e perguntar porque é que não estamos lá todos os anos.
Não chego ao ponto de exigir o 4º lugar, como alguns, mas a verdade é que este feito não pode branquear os maus resultados desportivos anteriores. E devem continuar a ser atribuídas as responsabilidades a quem as tem!
PS - Quero ver se a direcção vai, uma vez mais, desmembrar a equipa como tem feito noutros anos, com os maus resultados económicos e desportivos que se tem visto!
ALRM: será necessário encerrar?
Mais um exemplo de que são muito poucos aqueles que respeitam a Assembleia Legislativa Regional.Isto não foi um protesto: foi uma palhaçada orquestrada pelas cabecinhas da burguesia bom humorada do PND (para a qual, naturalmente, José Manuel Coelho não passa de bobo da corte).
Lamentável!
Imagem roubada do Diário de Notícias da Madeira
2.5.08
Pequenos prazeres
1.5.08
O que terão feito a Miguel de Sousa Tavares?
Terá Miguel Sousa Tavares sido abusado, quando menino (do Rio?), por algum(a) madeirense social-democrata? É que o homem destila um ódio visceral aos madeirenses e ao PSD que só se poderá explicar por um verdadeira trauma infantil...
Allô Allô Maya!
A ausência dos meus fracos escritos fica a dever-se a duas coisas. À manifesta falta de tempo - não é todos os dias que se fazem 500 Anos -, que é sempre uma óptima desculpa. Mas também a algum desencanto com a blogosfera.
Fui dos primeiros, cá no burgo, a entrar neste admirável mundo que já não é novo. E gostava do ar fresco da coisa. Gostava da leveza com que se encaravam textos que apenas exprimiam humores do momento.
Gostava do sítio porque era pouco frequentado e porque a maioria dos habitués não se levava a sério. Era como estar sentado à porta de um bar de estrada, com uma cerveja na mão, a dizer piadas idiotas sobre o mundo que ia passando a uns tipos que mal conhecia. Sem dramas ou tramas, sem comprometimentos ou aborrecimentos.
Mas de facto, o mundo andou depressa. A tasca fechou e no seu lugar instalou-se uma espécie de restaurante com cerveja estupidamente cara, cheio de tipos importantes a falar sobre coisas importantes. Acabaram-se as piadas sobre o mundo porque o mundo deixou de passar e sentou-se à nossa frente. De fato e gravata, como lhe convém.
Aguentei a conversa por uns tempos. Mas depois fartei-me. Hoje, jornais, parlamento, blogs confundem-se. Os textos, os discursos, os tiques, os interesses são os mesmos. Tal como acontecera no "contenênte", a blogosfera de cá foi tomada de assalto. Legitimamente, é preciso que se diga. Foi um assalto... legítimo (e eu continuo com a mania de escrever tudo de uma vez, sem voltar atrás para corrigir disparates de escrita ou pensamentos verdadeiramente mirabolantes). Mas que resultou naquilo que era esperado, ou seja, hoje a maioria dos blogs são apêndices de partidos. São o "Avante" em versão pós-moderna. São como o jornal do Sporting: Eu leio, porque para mim tudo o que se escreve em letras verde-garrafa é verdade... Mas sinceramente, começa a chatear-me.
Porque hoje já não se escrevem asneiras (para além das minhas, obviamente), porque na blogosfera deixou de haver aquela ternura de Verão de todos os começos. Porque a blogosfera envelheceu e desatou a querer casar e ter filhos e a fazer planos para uma casa de férias. Porque deixou de brincar para se transformar numa merda chata, sem graça, cinzenta, sem ponta por onde se pegue nem corno onde se agarre. Porque se começou a levar a sério.
Por isso, se calhar faço como o brasileiro e tiro "o time de campo". Se calhar... Ou então opto pelo plano "b": continuo a escrever as bostas que tenho escrito ultimamente.
Não sei, vou pensar nisso... Vou ver o que me dizem os astros...
(Allô Allô Maya, tá por aí?)
Fui dos primeiros, cá no burgo, a entrar neste admirável mundo que já não é novo. E gostava do ar fresco da coisa. Gostava da leveza com que se encaravam textos que apenas exprimiam humores do momento.
Gostava do sítio porque era pouco frequentado e porque a maioria dos habitués não se levava a sério. Era como estar sentado à porta de um bar de estrada, com uma cerveja na mão, a dizer piadas idiotas sobre o mundo que ia passando a uns tipos que mal conhecia. Sem dramas ou tramas, sem comprometimentos ou aborrecimentos.
Mas de facto, o mundo andou depressa. A tasca fechou e no seu lugar instalou-se uma espécie de restaurante com cerveja estupidamente cara, cheio de tipos importantes a falar sobre coisas importantes. Acabaram-se as piadas sobre o mundo porque o mundo deixou de passar e sentou-se à nossa frente. De fato e gravata, como lhe convém.
Aguentei a conversa por uns tempos. Mas depois fartei-me. Hoje, jornais, parlamento, blogs confundem-se. Os textos, os discursos, os tiques, os interesses são os mesmos. Tal como acontecera no "contenênte", a blogosfera de cá foi tomada de assalto. Legitimamente, é preciso que se diga. Foi um assalto... legítimo (e eu continuo com a mania de escrever tudo de uma vez, sem voltar atrás para corrigir disparates de escrita ou pensamentos verdadeiramente mirabolantes). Mas que resultou naquilo que era esperado, ou seja, hoje a maioria dos blogs são apêndices de partidos. São o "Avante" em versão pós-moderna. São como o jornal do Sporting: Eu leio, porque para mim tudo o que se escreve em letras verde-garrafa é verdade... Mas sinceramente, começa a chatear-me.
Porque hoje já não se escrevem asneiras (para além das minhas, obviamente), porque na blogosfera deixou de haver aquela ternura de Verão de todos os começos. Porque a blogosfera envelheceu e desatou a querer casar e ter filhos e a fazer planos para uma casa de férias. Porque deixou de brincar para se transformar numa merda chata, sem graça, cinzenta, sem ponta por onde se pegue nem corno onde se agarre. Porque se começou a levar a sério.
Por isso, se calhar faço como o brasileiro e tiro "o time de campo". Se calhar... Ou então opto pelo plano "b": continuo a escrever as bostas que tenho escrito ultimamente.
Não sei, vou pensar nisso... Vou ver o que me dizem os astros...
(Allô Allô Maya, tá por aí?)
28.4.08
Contributos para uma discussão fundamentada sobre o acordo ortográfico II
Mais um bom contributo do Miguel Fonseca para uma discussão fundamentada sobre a necessidade de um acordo ortográfico e a natural evolução da(s) língua(s).
Mantenho o que já havia dito: não tenho opinião formada sobre este acordo em concreto.
Se por um lado sou sensível à necessidade de aproximar o português de Portugal ao português falado nos outros países de língua oficial portuguesa, por outro também acho que é fundamental que o português (de Portugal) não se abrasileirize por decreto. A aproximação nunca poderá ser feita apenas pela cedência de um dos lados, a despeito da história, cultura e tradição do(s) outro(s). Teria de ser feito um acordo que aproximasse as duas "línguas" e não a absoluta submissão de uma delas, como parece ser o caso.
A língua evolui naturalmente (ou ainda estaríamos a falar português arcaico, ou uma espécie de castelhano, ou o dialecto latino que se falava na Península Ibérica, ou...), de forma lenta, ou de forma mais abrupta. Atendendo à imperiosa necessidade de aproximação de todas as formas escritas de português, admito que se dê o salto. Não deveria, contudo, ser apenas à custa do português de Portugal, mas sim uma solução de compromisso.
Por outro lado e se o que queremos é criar uma certa uniformização do português escrito em todos os países que adoptaram o português como sua língua oficial, os contributos dos países africanos não deveriam ser olvidados. Aliás, o acordo não deveria ser apenas ortográfico e deveria ter havido uma revisão que enriquecesse verdadeiramente a língua, com a introdução de regionalismos.
Tenho também ouvido argumentos de que o português de Portugal tem perdido a sua "pureza" (na falta de melhor sinónimo) devido aos anglicanismos (ou inglesismos, se preferirem). Mas, curiosamente, os inglesismos têm como porta principal de entrada o Brasil (e, em breve, Moçambique): lóbis, por exemplo (só não me ponham a escrever esnuca!).
Quanto ao argumento evocado pelo Zé da Burra de que os linguistas não precisam de ser ouvidos, tal como os juízes e advogados não produzem legislação, parece-me não ter grande sustentação, uma vez que cabe aos juristas enquadrarem legalmente as propostas legislativas dos políticos. E contraponho, ainda, de outra forma: os políticos decidem a construção de uma ponte, mas quem é que deve analisar as condições que devem ser observadas para a pôr de pé? Serão as negociações políticas?
Mantenho o que já havia dito: não tenho opinião formada sobre este acordo em concreto.
Se por um lado sou sensível à necessidade de aproximar o português de Portugal ao português falado nos outros países de língua oficial portuguesa, por outro também acho que é fundamental que o português (de Portugal) não se abrasileirize por decreto. A aproximação nunca poderá ser feita apenas pela cedência de um dos lados, a despeito da história, cultura e tradição do(s) outro(s). Teria de ser feito um acordo que aproximasse as duas "línguas" e não a absoluta submissão de uma delas, como parece ser o caso.
A língua evolui naturalmente (ou ainda estaríamos a falar português arcaico, ou uma espécie de castelhano, ou o dialecto latino que se falava na Península Ibérica, ou...), de forma lenta, ou de forma mais abrupta. Atendendo à imperiosa necessidade de aproximação de todas as formas escritas de português, admito que se dê o salto. Não deveria, contudo, ser apenas à custa do português de Portugal, mas sim uma solução de compromisso.
Por outro lado e se o que queremos é criar uma certa uniformização do português escrito em todos os países que adoptaram o português como sua língua oficial, os contributos dos países africanos não deveriam ser olvidados. Aliás, o acordo não deveria ser apenas ortográfico e deveria ter havido uma revisão que enriquecesse verdadeiramente a língua, com a introdução de regionalismos.
Tenho também ouvido argumentos de que o português de Portugal tem perdido a sua "pureza" (na falta de melhor sinónimo) devido aos anglicanismos (ou inglesismos, se preferirem). Mas, curiosamente, os inglesismos têm como porta principal de entrada o Brasil (e, em breve, Moçambique): lóbis, por exemplo (só não me ponham a escrever esnuca!).
Quanto ao argumento evocado pelo Zé da Burra de que os linguistas não precisam de ser ouvidos, tal como os juízes e advogados não produzem legislação, parece-me não ter grande sustentação, uma vez que cabe aos juristas enquadrarem legalmente as propostas legislativas dos políticos. E contraponho, ainda, de outra forma: os políticos decidem a construção de uma ponte, mas quem é que deve analisar as condições que devem ser observadas para a pôr de pé? Serão as negociações políticas?
27.4.08
Fartos de beatas
Lá, como cá, defendo sempre o mesmo que, de resto é o mesmo que tu: atire-se às beatas, à Eça de Queiroz!!
Diferença entre ser e parecer democrata
A propósito das eleições para a liderança do PSD, temos ouvido muitas cabeças bem-pensantes (?) e politicamente correctas vaticinarem desastres inomináveis, apenas porque a eleição, em vez de ser feita através de meia dúzia de barões e de negociatas políticas muito pouco claras em congresso, será feita através de eleições directas, em que o líder será eleito por sufrágio universal.
Aliás, isto não é nada de novo. Aconteceu com o PS e já tinha acontecido nas últimas eleições do PSD, as primeiras dos social-democratas em que foi aplicado o sistema das designadas eleições directas.
Ele é o perigo do populismo, da falta de capacidade de análise política das bases, da emotividade, eu sei lá! Tudo serve para atacar o sistema que - pasme-se! - tem como único defeito devolver o poder de eleição a todos os militantes, em igualdade de circunstâncias e com igual peso.
Isto demonstra bem o que pensa a maioria dos políticos, dos jornalistas, dos politólogos, dos comentadores e dos analistas acerca da democracia. O que pensam sobre a igualdade de direitos de todos os membros de um grupo.
Querem e defendem o voto de qualidade, em que meia dúzia define e escolhe o melhor para a maioria, uma vez que o povo é manifestamente incapaz de decidir correctamente por si. Salazar e todos os ditadores do mundo pensam(va) exactamente assim. Para quê votarem todos, se a maior parte não sabe o que é melhor para si?! Para quê, sequer, eleições, pergunto eu, uma vez que poderiam escolher entre eles todos os líderes?!
Esta é a lógica destes senhores que, entretanto, auto-proclamam-se democratas dos quatro costados e é vê-los nas televisões a partilharem os seus doutos pareceres sobre aquilo que é melhor ou pior para todos nós, numa ilegítima e completamente ignóbil tentativa de condicionar as opções de cada um.
É exactamente por isso que de cada vez que oiço todos estes sábios convenço-me que o melhor que tenho a fazer é seguir pelo caminho oposto ao que me sugerem.
Que vão ser paternalistas com as suas santas famílias, porque eu, enquanto membro do povinho, ainda prefiro ir agindo pela minha cabeça. Mas é sintomático do que pensam as ditas elites. E da verdadeira qualidade da nossa democracia, do seu rosto, quando desmaquilhado do politicamente correcto.
Aliás, isto não é nada de novo. Aconteceu com o PS e já tinha acontecido nas últimas eleições do PSD, as primeiras dos social-democratas em que foi aplicado o sistema das designadas eleições directas.
Ele é o perigo do populismo, da falta de capacidade de análise política das bases, da emotividade, eu sei lá! Tudo serve para atacar o sistema que - pasme-se! - tem como único defeito devolver o poder de eleição a todos os militantes, em igualdade de circunstâncias e com igual peso.
Isto demonstra bem o que pensa a maioria dos políticos, dos jornalistas, dos politólogos, dos comentadores e dos analistas acerca da democracia. O que pensam sobre a igualdade de direitos de todos os membros de um grupo.
Querem e defendem o voto de qualidade, em que meia dúzia define e escolhe o melhor para a maioria, uma vez que o povo é manifestamente incapaz de decidir correctamente por si. Salazar e todos os ditadores do mundo pensam(va) exactamente assim. Para quê votarem todos, se a maior parte não sabe o que é melhor para si?! Para quê, sequer, eleições, pergunto eu, uma vez que poderiam escolher entre eles todos os líderes?!
Esta é a lógica destes senhores que, entretanto, auto-proclamam-se democratas dos quatro costados e é vê-los nas televisões a partilharem os seus doutos pareceres sobre aquilo que é melhor ou pior para todos nós, numa ilegítima e completamente ignóbil tentativa de condicionar as opções de cada um.
É exactamente por isso que de cada vez que oiço todos estes sábios convenço-me que o melhor que tenho a fazer é seguir pelo caminho oposto ao que me sugerem.
Que vão ser paternalistas com as suas santas famílias, porque eu, enquanto membro do povinho, ainda prefiro ir agindo pela minha cabeça. Mas é sintomático do que pensam as ditas elites. E da verdadeira qualidade da nossa democracia, do seu rosto, quando desmaquilhado do politicamente correcto.
contributos para uma discussão fundamentada sobre o acordo ortográfico
A Língua portuguesa está a passar por um período de implantação, quer nos países Africanos de Língua Portuguesa, quer em Timor Leste. Na Guiné-Bissau esteve até para ser adoptado o Francês como língua oficial e em Timor-Leste o Inglês. Daí será fácil concluir que a língua portuguesa nas nossas ex-colónias não ficou muito bem cimentada. Esses países já não são colónias portuguesas, são livres e tanto poderão seguir o português falado em Portugal, por 10 milhões de habitantes, como o português falado no Brasil, por 220 milhões.
A teoria de Darwin é mesmo verdadeira e Portugal, se teimar em não se aproximar da versão de português do Brasil sujeita-se a ficar só e, mesmo assim, não vai conseguir manter a pureza da língua porque ela evolui todos os dias, independentemente da questão que agora se nos põe: todos os dias há termos que caem em desuso e outros novos que são adoptados pela nossa língua, em especial termos ingleses que são adoptados sem quaisquer modificações. Se não houver aproximações sucessivas ambas as versões do português continuarão a divergir e daqui a algumas gerações serão línguas completamente distintas. Será então a altura de Portugal confirmar que saiu a perder porque ficou agarrado a um tabu que não conseguiu ultrapassar.
O Brasil tem um impacto muito maior no mundo do que Portugal, dada a sua dimensão, população e poderio económico que em breve irá ter. O nosso português tem hoje algum peso muito em função dos novos países africanos PALOPs ) e de Timor Leste, mas ninguém garante que esses países não venham um dia a aproximar o seu português da versão brasileira e há até já alguns sinais nesse sentido. A população do Brasil permite altas tiragens das publicações que ficarão mais baratas e, se houver maior harmonização, as editoras portuguesas (e amanhã dos PALOPs ) poderão vender mais no Brasil. Se Portugal permanecer imutável um dia poderá ficar só: a língua portuguesa de Portugal será então considerada uma respeitável língua antiga (o Grego é ainda mais), da qual derivou uma outra falada e escrita por centenas de milhões de habitantes neste planeta. O nosso orgulho ficar-se-á por aí e pronto! Ambas as versões de português têm uma raiz comum e divergem há cerca de duzentos anos. Outros duzentos e já não nos entenderemos: terão que ser consideradas duas línguas distintas. O acordo ortográfico é uma decisão apenas política e quanto aos linguistas, apenas terão depois que assimilar as alterações e segui-las. Por exemplo: não se poderá alterar por decreto que uma molécula de água passa a ter dois átomos de oxigénio e outros dois de hidrogénio; ou que que 5 vezes 5 passa a ser 28 em vez de 25. Mas é poderá alterar-se por decreto a grafia de "acção" para "ação" e quem não o aceitar a alteração passa a cometer um erro. Com todo o respeito, mas também não são os Juízes e Advogados que legislam, apenas têm que interpretar e aplicar as leis. Portugal nada ganhará de imediato, mas tem muito a perder no futuro se rejeitar agora o acordo que o Brasil está disposto a aceitar.
Zé da Burra o Alentejano, deixado aqui
A teoria de Darwin é mesmo verdadeira e Portugal, se teimar em não se aproximar da versão de português do Brasil sujeita-se a ficar só e, mesmo assim, não vai conseguir manter a pureza da língua porque ela evolui todos os dias, independentemente da questão que agora se nos põe: todos os dias há termos que caem em desuso e outros novos que são adoptados pela nossa língua, em especial termos ingleses que são adoptados sem quaisquer modificações. Se não houver aproximações sucessivas ambas as versões do português continuarão a divergir e daqui a algumas gerações serão línguas completamente distintas. Será então a altura de Portugal confirmar que saiu a perder porque ficou agarrado a um tabu que não conseguiu ultrapassar.
O Brasil tem um impacto muito maior no mundo do que Portugal, dada a sua dimensão, população e poderio económico que em breve irá ter. O nosso português tem hoje algum peso muito em função dos novos países africanos PALOPs ) e de Timor Leste, mas ninguém garante que esses países não venham um dia a aproximar o seu português da versão brasileira e há até já alguns sinais nesse sentido. A população do Brasil permite altas tiragens das publicações que ficarão mais baratas e, se houver maior harmonização, as editoras portuguesas (e amanhã dos PALOPs ) poderão vender mais no Brasil. Se Portugal permanecer imutável um dia poderá ficar só: a língua portuguesa de Portugal será então considerada uma respeitável língua antiga (o Grego é ainda mais), da qual derivou uma outra falada e escrita por centenas de milhões de habitantes neste planeta. O nosso orgulho ficar-se-á por aí e pronto! Ambas as versões de português têm uma raiz comum e divergem há cerca de duzentos anos. Outros duzentos e já não nos entenderemos: terão que ser consideradas duas línguas distintas. O acordo ortográfico é uma decisão apenas política e quanto aos linguistas, apenas terão depois que assimilar as alterações e segui-las. Por exemplo: não se poderá alterar por decreto que uma molécula de água passa a ter dois átomos de oxigénio e outros dois de hidrogénio; ou que que 5 vezes 5 passa a ser 28 em vez de 25. Mas é poderá alterar-se por decreto a grafia de "acção" para "ação" e quem não o aceitar a alteração passa a cometer um erro. Com todo o respeito, mas também não são os Juízes e Advogados que legislam, apenas têm que interpretar e aplicar as leis. Portugal nada ganhará de imediato, mas tem muito a perder no futuro se rejeitar agora o acordo que o Brasil está disposto a aceitar.
Zé da Burra o Alentejano, deixado aqui
24.4.08
Ainda Jardim e os chacais
Compreendo e solidarizo-me com a indignação de Luís Filipe Malheiro (LFM) perante os insultos proferidos ontem por esses execráveis (en)comenta(da)dores na SIC Notícias, Ricardo Costa (que é um paladino da transparência e idoneidade, como todos nós sabemos) e Henrique Monteiro (que desde que chegou a director do Expresso mais não faz do que branquear e justificar toda a actividade do governo e do primeiro-ministro) contra Alberto João Jardim. Também a mim, revoltaram-se-me as entranhas. Não percebo contudo a estranheza de LFM. O que ali se passou ontem é apenas um pequeno exemplo do que iria suceder se Jardim fosse candidato a líder do PSD. E seria bem pior se por acaso fosse eleito.
Não tenho dúvidas que Alberto João Jardim tem arcaboiço para se defender de algumas destas jogadas nojentas, quiçá transformando-as em seu proveito. Ricardos Costas, Monteiros, e outros que tais não representam a população portuguesa. E acho que Jardim, com algum tempo, conseguiria virar o jogo a seu favor. Contudo, como já referi, não seria possível defender-se dos constantes ataques a que estaria sujeito e falar ao país. Não seria humanamente possível. Mesmo que a matilha não passasse de um bando de chacais a atacar o velho leão.
Portanto, insisto que me parece que faz bem em não avançar.
Por outro lado, tenho visto na blogosfera (independento)socialista madeirense o regozijo por este alegado recuo de Jardim. E isto sim espanta-me: então, o presidente do PSD/Madeira é convidado a avançar pelas distritais de Lisboa, Porto, Açores, Madeira, Algarve (nenhum candidato já anunciado se pode gabar de tanto apoio) e, por ainda não ter avançado, é apelidado de líder paroquial e de cobarde e de, alegadamente, ter saído de fininho?
Então rapaziada, onde anda a vossa sensibilidade política? Vocês integram um movimento (ainda se pode chamar aquilo de partido?) absolutamente ignorado pela direcção nacional (desconfio que a maior parte dos dirigentes do PS nunca ouviu falar nas figuras de proa do PS/Madeira dos últimos 10 anos) e ainda se reconhecem legitimidade para acusar Jardim de líder paroquial? O nome do homem é ventilado por todos os lados para líder nacional de um partido e afinal, nas vossas mentes brilhantes, isso não tem valor nenhum?
Sim senhor, hão-de me explicar o que é para vocês ter peso político. Deve ser, com certeza, escrever umas patacoadas na blogosfera e mandar uns bitaites sobre algumas coisas de que se percebe e outras de que se percebe menos.
Isto é não ter a mínima noção do ridículo e da sua real dimensão (serão os espelhos lá de casa demasiado grandes?).
Não tenho dúvidas que Alberto João Jardim tem arcaboiço para se defender de algumas destas jogadas nojentas, quiçá transformando-as em seu proveito. Ricardos Costas, Monteiros, e outros que tais não representam a população portuguesa. E acho que Jardim, com algum tempo, conseguiria virar o jogo a seu favor. Contudo, como já referi, não seria possível defender-se dos constantes ataques a que estaria sujeito e falar ao país. Não seria humanamente possível. Mesmo que a matilha não passasse de um bando de chacais a atacar o velho leão.
Portanto, insisto que me parece que faz bem em não avançar.
Por outro lado, tenho visto na blogosfera (independento)socialista madeirense o regozijo por este alegado recuo de Jardim. E isto sim espanta-me: então, o presidente do PSD/Madeira é convidado a avançar pelas distritais de Lisboa, Porto, Açores, Madeira, Algarve (nenhum candidato já anunciado se pode gabar de tanto apoio) e, por ainda não ter avançado, é apelidado de líder paroquial e de cobarde e de, alegadamente, ter saído de fininho?
Então rapaziada, onde anda a vossa sensibilidade política? Vocês integram um movimento (ainda se pode chamar aquilo de partido?) absolutamente ignorado pela direcção nacional (desconfio que a maior parte dos dirigentes do PS nunca ouviu falar nas figuras de proa do PS/Madeira dos últimos 10 anos) e ainda se reconhecem legitimidade para acusar Jardim de líder paroquial? O nome do homem é ventilado por todos os lados para líder nacional de um partido e afinal, nas vossas mentes brilhantes, isso não tem valor nenhum?
Sim senhor, hão-de me explicar o que é para vocês ter peso político. Deve ser, com certeza, escrever umas patacoadas na blogosfera e mandar uns bitaites sobre algumas coisas de que se percebe e outras de que se percebe menos.
Isto é não ter a mínima noção do ridículo e da sua real dimensão (serão os espelhos lá de casa demasiado grandes?).
23.4.08
Jardim mais forte
Não acredito que AJJ queira avançar para a liderança do PSD. Pelo menos, deste PSD. Mas o facto de ter sido apresentado como um dos possíveis candidatos dá-lhe uma força acrescida. Dá-lhe uma espécie de "voto de qualidade", ganhe quem ganhar as "directas". Em resumo, dá-lhe influência, protagonismo e ainda mais "peso político" no PSD nacional. Uma estratégia inteligente.
Post-Scriptum 1: Cunha Vaz concedeu, há cerca de um mês, uma grande entrevista na Revista do Diário. Dizia, a "páginas tantas", estar disponivel para ajudar o Governo Regional (a Região) a projectar-se no continente. Hoje, Cunha Vaz almoçou com Marco António e com o Presidente da Distrital do PSD de Lisboa. Os mesmos que lançaram o nome de Jardim para a "luta". Fica o apontamento...
Post-Scriptum 2: Pessoalmente, gostava de ver AJJ na liderança do PSD nacional. Creio que seria melhor do que qualquer um dos candidatos que até agora se apresentaram. Melhor, sobretudo, do que Manuela Ferreira Leite, uma espécie de regresso a um cavaquismo sem Cavaco. E sem presente. E sem futuro.
Post-Scriptum 1: Cunha Vaz concedeu, há cerca de um mês, uma grande entrevista na Revista do Diário. Dizia, a "páginas tantas", estar disponivel para ajudar o Governo Regional (a Região) a projectar-se no continente. Hoje, Cunha Vaz almoçou com Marco António e com o Presidente da Distrital do PSD de Lisboa. Os mesmos que lançaram o nome de Jardim para a "luta". Fica o apontamento...
Post-Scriptum 2: Pessoalmente, gostava de ver AJJ na liderança do PSD nacional. Creio que seria melhor do que qualquer um dos candidatos que até agora se apresentaram. Melhor, sobretudo, do que Manuela Ferreira Leite, uma espécie de regresso a um cavaquismo sem Cavaco. E sem presente. E sem futuro.
Prudência
Parece que de repente se uniram todos para fazer a cama a Alberto João Jardim. Agora é Patinha Antão, que parece querer queimar o presidente do Governo Regional da Madeira.
Sinceramente e sem mais delongas: acho que Jardim faria boa oposição a Sócrates e, no limite de conseguir vencer as legislativas - coisa que duvido pelos motivos que evocarei a seguir - acho igualmente que tem capacidade para ser um bom primeiro-ministro.
Não acho, contudo, que conseguisse vencer as eleições no PSD e ainda que conseguisse, tenho a perfeita convicção de que os políticos portugueses, da Direita à Esquerda, Comunicação Social e os lóbis instalados não lhe permitiriam um único momento de tréguas.
Seria atacado pelo que fez e não fez, disse e não disse, tem ou não tem. Estou profundamente convencido que a estrutura político-partidária e a comunicação social manipulada (que é quase toda, digam lá o que quiserem) centralista e instalada jamais iria aceitar Jardim numa actividade política em Lisboa.
Seria completamente vedada a possibilidade de desenvolver um projecto político numa eventual aventura pela capital. E se não me sobram dúvidas que o líder do PSD/Madeira tem arcaboiço, capacidade de encaixe e até algum calculismo político para virar algumas das contrariedades contra os seus mais directos adversários, temo que os trabalhos fossem demasiados grandes. Seria uma tarefa hérculea virar todos até para Jardim que sairia, irremediavelmente, derrotado desta luta.
O problema não é, como alguns querem fazer querer, Bruxelas ou Estrasburgo. A União Europeia já por diversas vezes demonstrou que não tem pruridos em se vergar perante líderes fortes (veja-se o caso dos manos polacos). Aliás, tenho certeza que Jardim conseguiria negociar com Bruxelas bem melhor do que qualquer outro dirigente português (como sempre fez).
O problema é mesma a inteligentsia política lisboeta.
Para além de que os anos de luta contra o continente deixou as suas cicatrizes. Grande parte dos continentais que conheço, mesmo aqueles que lhe admiram a obra, de forma aberta ou secretamente votaria contra si, porque não lhe perdoam tantas vitórias.
Não, Portugal não gosta de líderes genuínos e/ou foliões. Isso é para italianos. Nós gostamos mesmo é de cinzentões, ainda que não tenham ponta da dita, como é o caso manifesto do nosso primeiro-ministro.
Portanto, apesar da eventual (legítima) tentação, reforçada pelos apelos da suposta tropa que se parece juntar, Jardim deve ter muito cuidado. As tropas podem estar (na minha opinião, estarão) minadas por muitas toupeiras. Serão Cavalos de Tróia atrás de Cavalos de Tróia. E temo que estes apelos mais não sejam do que uma campanha para tentar humilhar Alberto João Jardim, pelos anos consecutivos de humilhação que provocou aos seus adversários. Algumas das suas vitórias, nem os seus camaradas de partido perdoaram. Por isso, o bom senso aconselha prudência, muita prudência.
De resto, acho que Jardim tem calo para perceber isto tudo. Pelo menos, assim espero!!
Sinceramente e sem mais delongas: acho que Jardim faria boa oposição a Sócrates e, no limite de conseguir vencer as legislativas - coisa que duvido pelos motivos que evocarei a seguir - acho igualmente que tem capacidade para ser um bom primeiro-ministro.
Não acho, contudo, que conseguisse vencer as eleições no PSD e ainda que conseguisse, tenho a perfeita convicção de que os políticos portugueses, da Direita à Esquerda, Comunicação Social e os lóbis instalados não lhe permitiriam um único momento de tréguas.
Seria atacado pelo que fez e não fez, disse e não disse, tem ou não tem. Estou profundamente convencido que a estrutura político-partidária e a comunicação social manipulada (que é quase toda, digam lá o que quiserem) centralista e instalada jamais iria aceitar Jardim numa actividade política em Lisboa.
Seria completamente vedada a possibilidade de desenvolver um projecto político numa eventual aventura pela capital. E se não me sobram dúvidas que o líder do PSD/Madeira tem arcaboiço, capacidade de encaixe e até algum calculismo político para virar algumas das contrariedades contra os seus mais directos adversários, temo que os trabalhos fossem demasiados grandes. Seria uma tarefa hérculea virar todos até para Jardim que sairia, irremediavelmente, derrotado desta luta.
O problema não é, como alguns querem fazer querer, Bruxelas ou Estrasburgo. A União Europeia já por diversas vezes demonstrou que não tem pruridos em se vergar perante líderes fortes (veja-se o caso dos manos polacos). Aliás, tenho certeza que Jardim conseguiria negociar com Bruxelas bem melhor do que qualquer outro dirigente português (como sempre fez).
O problema é mesma a inteligentsia política lisboeta.
Para além de que os anos de luta contra o continente deixou as suas cicatrizes. Grande parte dos continentais que conheço, mesmo aqueles que lhe admiram a obra, de forma aberta ou secretamente votaria contra si, porque não lhe perdoam tantas vitórias.
Não, Portugal não gosta de líderes genuínos e/ou foliões. Isso é para italianos. Nós gostamos mesmo é de cinzentões, ainda que não tenham ponta da dita, como é o caso manifesto do nosso primeiro-ministro.
Portanto, apesar da eventual (legítima) tentação, reforçada pelos apelos da suposta tropa que se parece juntar, Jardim deve ter muito cuidado. As tropas podem estar (na minha opinião, estarão) minadas por muitas toupeiras. Serão Cavalos de Tróia atrás de Cavalos de Tróia. E temo que estes apelos mais não sejam do que uma campanha para tentar humilhar Alberto João Jardim, pelos anos consecutivos de humilhação que provocou aos seus adversários. Algumas das suas vitórias, nem os seus camaradas de partido perdoaram. Por isso, o bom senso aconselha prudência, muita prudência.
De resto, acho que Jardim tem calo para perceber isto tudo. Pelo menos, assim espero!!
22.4.08
Breves sobre a Madeira
Pois, está mais do que visto que na Assembleia Legislativa Regional, a má educação, a rudeza e a infâmia (e, porque não, a estupidez) não são prerrogativas apenas de alguns (assim de cor, lembro-me de já aqui ter criticado Coito Pita, Baltazar Aguiar, Jaime Ramos, Victor Freitas, Rafaela Fernandes, ...). Desta vez é Leonel Nunes a proferir uma imbecilidade monumental. O que demonstra que na Madeira fazem falta políticos de qualidade, seja em que partido for...
O representante da burguesia bem humorada na Assembleia Legislativa Regional (ALR), esse inenarrável personagem chamado Baltazar Aguiar, suspendeu a sua actividade parlamentar (no seu caso, verdadeiramente paralamentar), alegadamente por motivos de indignação contra a forma como decorreu a visita do presidente da República à Madeira. É verdade, minhas senhoras e meus senhores, o homem indignado com uma atitude de outrem! Parece anedota, mas não é. A que ponto chega a hipocrisia...
Como se não bastasse, eis que para o substituir, mandam outro louco para a ALR. Digam lá se o PND tem, também, algum respeito pela casa da democracia madeirense?
Então, parece que toda a oposição madeirense (e, estou desconfiado, muito delfinato do PSD/Madeira) quer exilar Alberto João Jardim, enviando-o para o continente?! Não é que ele não quisesse, mas estou em crer que Jardim jamais deixaria penhorar a sua brilhante carreira política num projecto fracassado à partida. Alberto João Jardim é demasiado esperto para se deixar prender nessa ratoeira. Basta que, para tal, se lembre do que a classe política bem pensante e correcta(zinha) lisboeta fez ao Fernando Gomes...
O representante da burguesia bem humorada na Assembleia Legislativa Regional (ALR), esse inenarrável personagem chamado Baltazar Aguiar, suspendeu a sua actividade parlamentar (no seu caso, verdadeiramente paralamentar), alegadamente por motivos de indignação contra a forma como decorreu a visita do presidente da República à Madeira. É verdade, minhas senhoras e meus senhores, o homem indignado com uma atitude de outrem! Parece anedota, mas não é. A que ponto chega a hipocrisia...
Como se não bastasse, eis que para o substituir, mandam outro louco para a ALR. Digam lá se o PND tem, também, algum respeito pela casa da democracia madeirense?
Então, parece que toda a oposição madeirense (e, estou desconfiado, muito delfinato do PSD/Madeira) quer exilar Alberto João Jardim, enviando-o para o continente?! Não é que ele não quisesse, mas estou em crer que Jardim jamais deixaria penhorar a sua brilhante carreira política num projecto fracassado à partida. Alberto João Jardim é demasiado esperto para se deixar prender nessa ratoeira. Basta que, para tal, se lembre do que a classe política bem pensante e correcta(zinha) lisboeta fez ao Fernando Gomes...
21.4.08
Contra o PS vale tudo? Tem dias...
Acuso o toque. Mas, caro amigo, partes do princípio errado de que eu oponho-me a coligações. Não, bem pelo contrário, até sou a favor delas. Mais, reconheço todo o direito aos socialistas de se coligarem com quem bem lhes apetecer.
Na ocasião, manifestei-me contra uma ideia que me parecia estapafúrdia (e continua a parecer) que foi defendida por alguns socialistas e bloquistas (só ainda não percebi se a tua defesa desta ideia não passa de mais uma tirada anedótica, daquelas com que te divertes ao ver que há quem lhes pegue). Não me parece de todo razoável uma coligação que reúna à mesma mesa (que é para não dizer no mesmo tacho) socialistas (que não são bem socialistas, mas social-democratas), bloquistas, comunistas e democratas-cristãos (o CDS/PP ainda tem uma matriz democrata-cristã? É que se parecem cada vez mais com os ultra-liberais...). Mais, a ser uma coligação total, reuniria ainda os divertidos burgueses do PND e os oportunos(istas?) do MPT. Acho que apenas por brincadeira alguém poderá acreditar que tal coligação reuniria a confiança dos madeirenses. Lembra-te do que aconteceu com a coligação para as autárquicas em 2001, que penalizou todos os partidos que a integraram.
Portanto e sintetizando, reconheço que por vezes são necessárias coligações, mas só as admito em ocasiões excepcionais e entre partidos/movimentos que tenham uma matriz ideológica, se são semelhante, pelo menos próxima. O que não é, manifestamente, o caso.
Quanto à ideia defendida por Jardim, sinceramente e antes de saber quem liderará o PSD, não me parece que seja sequer de equacionar esta possibilidade. Poderá vir a ter de ser necessário uma AD, mas logo se verá. Tenho, contudo, muitas reservas, tendo em atenção a liderança do CDS/PP, uma vez que Paulo Portas é demasiado ansioso por protagonismo, para se submeter à natural liderança do PSD. Qualquer líder do maior partido, teria sempre a sombra de Portas, numa coisa demasiado bicéfala para que pudesse ser eficaz. Portanto, com Paulo Portas à frente do PP, apenas em caso de desespero é que admitiria uma nova AD.
Perguntas se contra o PS vale tudo. Não se trata de valer tudo, como muito bem sabes, uma vez que no PSD reúnem-se diversas sensibilidades ideológicas (social-democrata, democrata-cristã, personalismo, conservadora, liberal, etc.) que permitem e até aconselham uma coligação com um partido que tenha como matriz a democracia-cristã.
Mas se queres que te diga, sinceramente, contra este PS, acho que apenas bombas ficam de fora. E apenas para já...!
Na ocasião, manifestei-me contra uma ideia que me parecia estapafúrdia (e continua a parecer) que foi defendida por alguns socialistas e bloquistas (só ainda não percebi se a tua defesa desta ideia não passa de mais uma tirada anedótica, daquelas com que te divertes ao ver que há quem lhes pegue). Não me parece de todo razoável uma coligação que reúna à mesma mesa (que é para não dizer no mesmo tacho) socialistas (que não são bem socialistas, mas social-democratas), bloquistas, comunistas e democratas-cristãos (o CDS/PP ainda tem uma matriz democrata-cristã? É que se parecem cada vez mais com os ultra-liberais...). Mais, a ser uma coligação total, reuniria ainda os divertidos burgueses do PND e os oportunos(istas?) do MPT. Acho que apenas por brincadeira alguém poderá acreditar que tal coligação reuniria a confiança dos madeirenses. Lembra-te do que aconteceu com a coligação para as autárquicas em 2001, que penalizou todos os partidos que a integraram.
Portanto e sintetizando, reconheço que por vezes são necessárias coligações, mas só as admito em ocasiões excepcionais e entre partidos/movimentos que tenham uma matriz ideológica, se são semelhante, pelo menos próxima. O que não é, manifestamente, o caso.
Quanto à ideia defendida por Jardim, sinceramente e antes de saber quem liderará o PSD, não me parece que seja sequer de equacionar esta possibilidade. Poderá vir a ter de ser necessário uma AD, mas logo se verá. Tenho, contudo, muitas reservas, tendo em atenção a liderança do CDS/PP, uma vez que Paulo Portas é demasiado ansioso por protagonismo, para se submeter à natural liderança do PSD. Qualquer líder do maior partido, teria sempre a sombra de Portas, numa coisa demasiado bicéfala para que pudesse ser eficaz. Portanto, com Paulo Portas à frente do PP, apenas em caso de desespero é que admitiria uma nova AD.
Perguntas se contra o PS vale tudo. Não se trata de valer tudo, como muito bem sabes, uma vez que no PSD reúnem-se diversas sensibilidades ideológicas (social-democrata, democrata-cristã, personalismo, conservadora, liberal, etc.) que permitem e até aconselham uma coligação com um partido que tenha como matriz a democracia-cristã.
Mas se queres que te diga, sinceramente, contra este PS, acho que apenas bombas ficam de fora. E apenas para já...!
Basta que sim...
Uma vez mais, cá está o Miguel sem papas na língua. Uma vez mais, subscrevo o que afirma.
Acordo ortográfico: contributos para uma reflexão
Está boa e acesa a discussão sobre o Acordo Ortográfico.
Para já, estou apenas na fase de recolha de informação. Reconheço não ter opinião formada. Mas concordo que não devia ser assinado um Acordo Ortográfico sem o beneplácito unânime dos linguistas. Porque isto de percebermos um bocadinho de tudo e não ser bom em nada tem vantagens, mas também tem as suas desvantagens - eu que o diga!
Continuo acompanhar.
Para já, estou apenas na fase de recolha de informação. Reconheço não ter opinião formada. Mas concordo que não devia ser assinado um Acordo Ortográfico sem o beneplácito unânime dos linguistas. Porque isto de percebermos um bocadinho de tudo e não ser bom em nada tem vantagens, mas também tem as suas desvantagens - eu que o diga!
Continuo acompanhar.
20.4.08
Porque a luta contra o Estado Novo não foi feita apenas por homens II
Teresa Torga, na versão de Júlio Pereira
No centro a da Avenida
No cruzamento da rua
Às quatro em ponto perdida
Dançava uma mulher nua
A gente que via a cena
Correu para junto dela
No intuito de vesti-la
Mas surge António Capela
Que aproveitando a barbuda
Só pensa em fotografá-la
Mulher na democracia
Não é biombo de sala
Dizem que se chama Teresa
Seu nome é Teresa Torga
Muda o pick-up em Benfica
Atura a malta da borga
Aluga quartos de casa
Mas já foi primeira estrela
Agora é modelo à força
Que o diga António Capela
T'resa Torga T'resa Torga
Vencida numa fornalha
Não há bandeira sem luta
Não há luta sem batalha
Zeca Afonso, Com as minhas tamanquinhas
Para ouvir toda discografia do Zeca, faça o favor de vir aqui.
No centro a da Avenida
No cruzamento da rua
Às quatro em ponto perdida
Dançava uma mulher nua
A gente que via a cena
Correu para junto dela
No intuito de vesti-la
Mas surge António Capela
Que aproveitando a barbuda
Só pensa em fotografá-la
Mulher na democracia
Não é biombo de sala
Dizem que se chama Teresa
Seu nome é Teresa Torga
Muda o pick-up em Benfica
Atura a malta da borga
Aluga quartos de casa
Mas já foi primeira estrela
Agora é modelo à força
Que o diga António Capela
T'resa Torga T'resa Torga
Vencida numa fornalha
Não há bandeira sem luta
Não há luta sem batalha
Zeca Afonso, Com as minhas tamanquinhas
Para ouvir toda discografia do Zeca, faça o favor de vir aqui.
Porque a luta contra o Estado Novo não foi feita apenas por homens I
Catarina EufémiaChamava-se Catarina
O Alentejo a viu nascer
Serranas viram-na em vida
Baleizão a viu morrer
Ceifeiras na manhã fria
Flores na campa lhe vão pôr
Ficou vermelha a campina
Do sangue que então brotou
Acalma o furor campina
Que o teu pranto não findou
Quem viu morrer Catarina
Não perdoa a quem matou
Não perdoa a quem matou
Aquela pomba tão branca
Todos a querem p'ra si
Ó Alentejo queimado
Ninguém se lembra de ti
Aquela andorinha negra
Bate as asas p'ra voar
Ó Alentejo esquecido
Inda um dia hás-de cantar
Zeca Afonso, Cantar Alentejano
Cafés de Abril
Ontem assisti a mais um fabuloso espectáculo que celebra Abril. Há sempre alguém que resiste reuniu no mesmo palco algumas das melhores vozes de Évora, em volta das palavras e dos sons de Adriano Correia de Oliveira, José Mário Branco e Zeca Afonso.A abrir, a quente voz da titia Isabel Bilou, ao som do grave contra-baixo de Joaquim Gil Nave.
Depois, as palavras ditas por José Lourido. A finalizar, mais um delicioso concerto de Nuno do Ó, importante intérprete da música de intervenção portuguesa.
Este espectáculo integrou a iniciativa Cafés de Abril, que termina quinta-feira, dia 24 de Abril, com o concerto BABOZA AFRO MUSIC, num fraterno abraço lusófono.
17.4.08
Imprensa livre... mas pouco.
Em dois dias cerca de 60 mil trabalhadores da administração pública saíram à rua e, percorrendo a comunicação social portuguesa, parece que nada aconteceu.Digam o que quiserem, mas a verdade é que a coincidência (?) da tradicional propensão dos órgãos públicos de comunicação social para bajular o poder, com a entrada de Pina Moura para a Media Capital e um interesse ainda não totalmente claro do grupo Impresa em proteger este governo da República, (o Expresso e os boletins noticiosos da SIC têm roçado o servilismo mais básico), ameaça estrangular definitivamente a pluralidade, a transparência, o rigor e a isenção da informação em Portugal.
Aguenta, Chalana
16.4.08
Sensibilidade e bom senso II*
Sinceramente, para quem tanto clama por transparência, rigor e honestidade, começa a soar demasiado hipócrita todas as suspeições - sem qualquer sombra de prova ou sequer de argumento válido - levantadas pelo deputado Carlos Pereira no seu blog.
E é curioso que, sendo independente, conforme faz questão de gritar tantas vezes, assuma todo o odioso do Partido Socialista madeirense: lançar suspeitas sobre a honestidade e idoneidade dos outros, assim ao jeito do Pravda e do Garajau.
Não deixa mesmo de ser estranho que outras figuras de proa do PS, como Miguel Fonseca, André Escórcio e Rui Caetano assumam, nos seus blogs, posições bem mais comedidas e infinitamente menos demagógicas. Cada um com o seu estilo e forma de estar na blogosfera (a sátira, qualidade literária e profundidade de Miguel Fonseca; as legítimas e - quer me parecer - as apartidárias preocupações sociais de Rui Caetano; e a experiência, pertinência e perspicácia políticas de André Escórcio) contribuem e de que maneira para o debate (ou, pelo menos, reflexão a) sério. Já a maior parte (porque, em boa verdade, por vezes Carlos Pereira esquece os demónios e os ódios pessoais e produz reflexões pertinentes) das investidas do deputado nada acrescentam ao debate político da blogosfera.
Acusar-me-ão do mesmo, que nisto de crítica fácil, reconheço-me muita qualidade. Limito-me a dar asas ao que penso, sem qualquer tipo de lapidação. Vai em bruto, como me ocorre. Mas eu não sou, nem tenho aspirações a político. E, por muita legitimidade que reconheça ao cidadão Carlos Pereira para expandir a sua indignação, ele não é um cidadão anónimo. Tem responsabilidades políticas conferidas pelo voto de milhares de cidadãos e tem a obrigação de ser responsável nas suas afirmações. Porque, não sendo esquizofrénico, o que Carlos Pereira escreve não o responsabiliza apenas a ele. As repercussões ultrapassam-no.
* Título de um livro de Jane Austen
E é curioso que, sendo independente, conforme faz questão de gritar tantas vezes, assuma todo o odioso do Partido Socialista madeirense: lançar suspeitas sobre a honestidade e idoneidade dos outros, assim ao jeito do Pravda e do Garajau.
Não deixa mesmo de ser estranho que outras figuras de proa do PS, como Miguel Fonseca, André Escórcio e Rui Caetano assumam, nos seus blogs, posições bem mais comedidas e infinitamente menos demagógicas. Cada um com o seu estilo e forma de estar na blogosfera (a sátira, qualidade literária e profundidade de Miguel Fonseca; as legítimas e - quer me parecer - as apartidárias preocupações sociais de Rui Caetano; e a experiência, pertinência e perspicácia políticas de André Escórcio) contribuem e de que maneira para o debate (ou, pelo menos, reflexão a) sério. Já a maior parte (porque, em boa verdade, por vezes Carlos Pereira esquece os demónios e os ódios pessoais e produz reflexões pertinentes) das investidas do deputado nada acrescentam ao debate político da blogosfera.
Acusar-me-ão do mesmo, que nisto de crítica fácil, reconheço-me muita qualidade. Limito-me a dar asas ao que penso, sem qualquer tipo de lapidação. Vai em bruto, como me ocorre. Mas eu não sou, nem tenho aspirações a político. E, por muita legitimidade que reconheça ao cidadão Carlos Pereira para expandir a sua indignação, ele não é um cidadão anónimo. Tem responsabilidades políticas conferidas pelo voto de milhares de cidadãos e tem a obrigação de ser responsável nas suas afirmações. Porque, não sendo esquizofrénico, o que Carlos Pereira escreve não o responsabiliza apenas a ele. As repercussões ultrapassam-no.
* Título de um livro de Jane Austen
14.4.08
Carta ao fisco
Querido Fisco
No meu casamento, que se realizou no dia ..., estiveram presentes 120 convidados: 89 adultos, 9 crianças e 2 bebés. A festa teve lugar na Quinta ... do meu padrinho Luís M. que me presenteou a boda ( as cópias dos talões do talho, da mercearia e da peixaria seguem em anexo).
A minha tia Alzira S., que é costureira, fez-me o vestido e não cobrou nadinha, mas gastei 60€ em tecidos, 34,5€ nas rendas e bordados e 18,75€ em linhas, botões e alfinetes. As meias e as ligas ficaram por 35€, conforme recibos que envio. O noivo usou o fato da Comunhão Solene com umas ligeiras alterações (a Tia Alzira não cobrou nada).
O meu irmão foi o fotógrafo de serviço. Todas as fotografias foram enviadas aos convidados por e-mail, que imprimirão as que entenderem por sua conta.
Não foi alugada qualquer viatura. Eu fui na Charrete do Sr. José M., que andou comigo ao colo e é como um pai para mim. O Manuel ( o noivo) foi de mota: a mota dele que ainda está a acabar de pagar, conforme se comprova com documento.
As flores foram todas do jardim da minha avó Margarida e a minha prima Mariana F. que é uma moça muito prendada fez os arranjos.
A animação da festa esteve a cargo do irmão e dos primos do Manuel, que têm uma banda - os 'Sempr'Abrir' que merecem ter sucesso.
Não pudemos aceitar nenhum dos presentes, uma vez que não vinham acompanhados dos recibos.
Os charutos cubanos que um amigo nosso nos trouxe de Cuba ficaram para nós, porque não os declaramos na Alfândega, e assim não os podíamos oferecer para agora provar o seu custo.
Os preservativos comprou-os o Manuel naquelas máquinas que estão longas horas ao Sol (porque é um rapaz muito introvertido), mas que não dão recibos, o que me permite escusar-me a revelar o seu número, não vá, daqui a alguns anos, lembrares-te de cobrar retroactivamente uma taxa pelas que foram dadas na lua de mel.
Maria Julieta Silva Chibo e Manuel António Sousa Chibo
Recebida via e-mail.
Perante a evidência do patético só nos resta rir.
No meu casamento, que se realizou no dia ..., estiveram presentes 120 convidados: 89 adultos, 9 crianças e 2 bebés. A festa teve lugar na Quinta ... do meu padrinho Luís M. que me presenteou a boda ( as cópias dos talões do talho, da mercearia e da peixaria seguem em anexo).
A minha tia Alzira S., que é costureira, fez-me o vestido e não cobrou nadinha, mas gastei 60€ em tecidos, 34,5€ nas rendas e bordados e 18,75€ em linhas, botões e alfinetes. As meias e as ligas ficaram por 35€, conforme recibos que envio. O noivo usou o fato da Comunhão Solene com umas ligeiras alterações (a Tia Alzira não cobrou nada).
O meu irmão foi o fotógrafo de serviço. Todas as fotografias foram enviadas aos convidados por e-mail, que imprimirão as que entenderem por sua conta.
Não foi alugada qualquer viatura. Eu fui na Charrete do Sr. José M., que andou comigo ao colo e é como um pai para mim. O Manuel ( o noivo) foi de mota: a mota dele que ainda está a acabar de pagar, conforme se comprova com documento.
As flores foram todas do jardim da minha avó Margarida e a minha prima Mariana F. que é uma moça muito prendada fez os arranjos.
A animação da festa esteve a cargo do irmão e dos primos do Manuel, que têm uma banda - os 'Sempr'Abrir' que merecem ter sucesso.
Não pudemos aceitar nenhum dos presentes, uma vez que não vinham acompanhados dos recibos.
Os charutos cubanos que um amigo nosso nos trouxe de Cuba ficaram para nós, porque não os declaramos na Alfândega, e assim não os podíamos oferecer para agora provar o seu custo.
Os preservativos comprou-os o Manuel naquelas máquinas que estão longas horas ao Sol (porque é um rapaz muito introvertido), mas que não dão recibos, o que me permite escusar-me a revelar o seu número, não vá, daqui a alguns anos, lembrares-te de cobrar retroactivamente uma taxa pelas que foram dadas na lua de mel.
Maria Julieta Silva Chibo e Manuel António Sousa Chibo
Recebida via e-mail.
Perante a evidência do patético só nos resta rir.
Impressionante

Garantem que a foto é real, da autoria de Agostinho Spínola e que foi publicada no Diário de Notícias da Madeira.
Não tendo razões para duvidar, parece-me difícil ser manipulada, pois o contínuo da onda é brutal. O que aumenta a minha perplexidade. Quem não conhece as Poças do Gomes (conjunto de piscinas naturais também conhecidas por Doca do Cavacas) poderá não perceber bem a dimensão do pequeno monstro, mas para quem ali passou verões (e invernos) inteiros, quem já viu marés vivas e conhece a profundidade, esta onda apenas poderá ser adjectivada de monumental. Porque não se compara a nada que eu tenha já ali visto (e já vi tempestades enormes...). Impressionante!
Parabéns ao autor da fotografia.
13.4.08
PS vota contra complemento de reforma para idosos madeirenses
Uns tipinhos que se afirmam socialistas eleitos para defender o povo madeirense, votaram contra uma proposta de lei da Assembleia Legislativa da Madeira, que propunha a atribuição de um complemento mensal de pensão de 50 euros a todos os cidadãos residentes de forma permanente na Madeira que usufruam de pensão por velhice, invalidez ou pensão social.
Votam contra os idosos madeirenses e ainda têm cara de pau para justificar o seu voto.
E não percebem porque é que os madeirenses não confiam neles. Começo a achar que o problema não é apenas político ou sequer de competência. O caso pode mesmo ser patológico...
Votam contra os idosos madeirenses e ainda têm cara de pau para justificar o seu voto.
E não percebem porque é que os madeirenses não confiam neles. Começo a achar que o problema não é apenas político ou sequer de competência. O caso pode mesmo ser patológico...
Cantar de emigração
Os tempos que vivemos são preocupantes. A nossa democracia não está apenas doente: está em risco. Por isso nunca é demais recordar Abril e as suas vozes. É o que tenho feito. Deixo-vos com o Cantar da emigração, de Adriano Correia de Oliveira. Para nos recordarmos que o fenómeno da emigração regressou. E para não perdermos essa capacidade de nos perguntarmos porquê!
Poema de liberdade
Queixa das almas jovens censuradas*
Dão-nos um lírio e um canivete
E uma alma para ir à escola
E um letreiro que promete
Raízes, hastes e corola.
Dão-nos um mapa imaginário
Que tem a forma duma cidade
Mais um relógio e um calendário
Onde não vem a nossa idade.
Dão-nos a honra de manequim
Para dar corda à nossa ausência.
Dão-nos o prémio de ser assim
Sem pecado e sem inocência.
Dão-nos um barco e um chapéu
Para tirarmos o retrato.
Dão-nos bilhetes para o céu
Levado à cena num teatro.
Penteiam-nos os crânios ermos
Com as cabeleiras dos avós
Para jamais nos parecermos
Connosco quando estamos sós.
Dão-nos um bolo que é a história
Da nossa história sem enredo
E não nos soa na memória
Outra palavra para o medo.
Temos fantasmas tão educados
Que adormecemos no seu ombro
Sonos vazios, despovoados
De personagens do assombro.
Dão-nos a capa do evangelho
E um pacote de tabaco.
Dão-nos um pente e um espelho
Para pentearmos um macaco.
Dão-nos um cravo preso à cabeça
E uma cabeça presa à cintura
Para que o corpo não pareça
A forma da alma que o procura.
Dão-nos um esquife feito de ferro
Com embutidos de diamante
Para organizar já o enterro
Do nosso corpo mais adiante.
Dão-nos um nome e um jornal,
Um avião e um violino.
Mas não nos dão o animal
Que espeta os cornos no destino.
Dão-nos marujos de papelão
Com carimbo no passaporte.
Por isso a nossa dimensão
Não é a vida. Nem é a morte.
Natália Correia
* Magistralmente musicado e interpretado por José Mário Branco
Dão-nos um lírio e um canivete
E uma alma para ir à escola
E um letreiro que promete
Raízes, hastes e corola.
Dão-nos um mapa imaginário
Que tem a forma duma cidade
Mais um relógio e um calendário
Onde não vem a nossa idade.
Dão-nos a honra de manequim
Para dar corda à nossa ausência.
Dão-nos o prémio de ser assim
Sem pecado e sem inocência.
Dão-nos um barco e um chapéu
Para tirarmos o retrato.
Dão-nos bilhetes para o céu
Levado à cena num teatro.
Penteiam-nos os crânios ermos
Com as cabeleiras dos avós
Para jamais nos parecermos
Connosco quando estamos sós.
Dão-nos um bolo que é a história
Da nossa história sem enredo
E não nos soa na memória
Outra palavra para o medo.
Temos fantasmas tão educados
Que adormecemos no seu ombro
Sonos vazios, despovoados
De personagens do assombro.
Dão-nos a capa do evangelho
E um pacote de tabaco.
Dão-nos um pente e um espelho
Para pentearmos um macaco.
Dão-nos um cravo preso à cabeça
E uma cabeça presa à cintura
Para que o corpo não pareça
A forma da alma que o procura.
Dão-nos um esquife feito de ferro
Com embutidos de diamante
Para organizar já o enterro
Do nosso corpo mais adiante.
Dão-nos um nome e um jornal,
Um avião e um violino.
Mas não nos dão o animal
Que espeta os cornos no destino.
Dão-nos marujos de papelão
Com carimbo no passaporte.
Por isso a nossa dimensão
Não é a vida. Nem é a morte.
Natália Correia
* Magistralmente musicado e interpretado por José Mário Branco
12.4.08
Memórias de Branca Dias
Há muito que não via uma peça que gostasse tanto. Não é só o texto que é fabuloso (de Miguel Real), não é apenas a encenação que está muito bem conseguida (Filomena Oliveira), não é apenas a interpretação da Rosário Gonzaga (parabéns Rosário) que é magistral, não é só a banda sonora original (de David Martins) que reúne numa única sonoridade a tradição brasileira com sons da modernidade, não é apenas a iluminação encontrada. O que faz deste monólogo um espectáctulo de ser revisto é a conjugação de todos estes elementos. Memórias de Branca Dias, matriarca de Pernanbuco e mulher quase feliz, quase realizada, quase amada, quase... é um regresso ao passado do teatro. É um revisitar do teatro puro e duro, onde um cenário simples serve de enquadramento a uma interpretação que não fica nada a dever a Maria do Céu Guerra ou Eunice Muñoz. Uma hora e meia de interpretação feroz. Muito bom.
10.4.08
E o mau tempo chegou.................
É inadmissível que o número um da Câmara do Funchal esteja preocupado com as horas extraordinárias dos funcionários.
O que Miguel Albuquerque não disse, mas quer dizer, é que não pode fazer mais porque a autarquia não tem dinheiro para fazer face às adversidades provocadas pelo mau tempo.
Será que é este o papel de uma Câmara Municipal, quando os munícipes mais precisam de ajuda???
O que Miguel Albuquerque não disse, mas quer dizer, é que não pode fazer mais porque a autarquia não tem dinheiro para fazer face às adversidades provocadas pelo mau tempo.
Será que é este o papel de uma Câmara Municipal, quando os munícipes mais precisam de ajuda???
9.4.08
8.4.08
Espreitar a chuva II
Quem sai aos seus...
Ora, que razão haveria para que o senhor Vara se arrependesse?... Só porque a senhora é uma criminosa (que eu saiba, pelo menos fugir à justiça é crime), não há cá razões para suspeitar da sua honestidade.
Atenção
Naturalmente que me dá igual ao litro se a nova ponte sobre o Tejo é feia ou bonita, ou se é berrante ou se passa despercebida. Qualquer posição é perfeitamente defensável. A mim o que me preocupa é saber se a nova estrutura responde às necessidades não só da zona metropolitana de Lisboa mas do país e se não haveria soluções economicamente mais vantajosas.
Preocupa-me, também, saber a quem será entregue a empreitada. Estaremos atentos para ver se empresas onde trabalham políticos integrarão os inevitáveis consórcios...
Preocupa-me, também, saber a quem será entregue a empreitada. Estaremos atentos para ver se empresas onde trabalham políticos integrarão os inevitáveis consórcios...
Ciranda da Bailarina
Porque me apetece. E digam lá se não é de enternecer...
Ciranda da Bailarina
Composição: Edu Lobo / Chico Buarque
Procurando bem
Todo mundo tem pereba
Marca de bexiga ou vacina
E tem piriri, tem lombriga, tem ameba
Só a bailarina que não tem
E não tem coceira
Berruga nem frieira
Nem falta de maneira ela não tem
Futucando bem
Todo mundo tem piolho
Ou tem cheiro de creolina
Todo mundo tem
um irmão meio zarolho
Só a bailarina que não tem
Nem unha encardida
Nem dente com comida
Nem casca de ferida ela não tem
Não livra ninguém
Todo mundo tem remela
Quando acorda às seis da matina
Teve escarlatina
ou tem febre amarela
Só a bailarina que não tem
Medo de subir, gente
Medo de cair, gente
Medo de vertigem
Quem não tem
Confessando bem
Todo mundo faz pecado
Logo assim que a missa termina
Todo mundo tem um primeiro namorado
Só a bailarina que não tem
Sujo atrás da orelha
Bigode de groselha
Calcinha um pouco velha
Ela não tem
O padre também
Pode até ficar vermelho
Se o vento levanta a batina
Reparando bem, todo mundo tem pentelho
Só a bailarina que não tem
Sala sem mobília
Goteira na vasilha
Problema na família
Quem não tem
Procurando bem
Todo mundo tem.
Declaração de interesse: prefiro a versão original. Mas esta, da Adriana Calcanhoto, também é deliciosa.
Ciranda da Bailarina
Composição: Edu Lobo / Chico Buarque
Procurando bem
Todo mundo tem pereba
Marca de bexiga ou vacina
E tem piriri, tem lombriga, tem ameba
Só a bailarina que não tem
E não tem coceira
Berruga nem frieira
Nem falta de maneira ela não tem
Futucando bem
Todo mundo tem piolho
Ou tem cheiro de creolina
Todo mundo tem
um irmão meio zarolho
Só a bailarina que não tem
Nem unha encardida
Nem dente com comida
Nem casca de ferida ela não tem
Não livra ninguém
Todo mundo tem remela
Quando acorda às seis da matina
Teve escarlatina
ou tem febre amarela
Só a bailarina que não tem
Medo de subir, gente
Medo de cair, gente
Medo de vertigem
Quem não tem
Confessando bem
Todo mundo faz pecado
Logo assim que a missa termina
Todo mundo tem um primeiro namorado
Só a bailarina que não tem
Sujo atrás da orelha
Bigode de groselha
Calcinha um pouco velha
Ela não tem
O padre também
Pode até ficar vermelho
Se o vento levanta a batina
Reparando bem, todo mundo tem pentelho
Só a bailarina que não tem
Sala sem mobília
Goteira na vasilha
Problema na família
Quem não tem
Procurando bem
Todo mundo tem.
Declaração de interesse: prefiro a versão original. Mas esta, da Adriana Calcanhoto, também é deliciosa.
Espreitar a chuva
O dia está frondoso.
Consigo ver através da minha janela a chuva. Em simultâneo oiço-a cair na terra.
Apetece agasalhar-me no refúgio de um tecto e contemplar a queda livre da água que vem do espaço. Cai como meteoritos. Só não dizima espécies, como aconteceu há milhões de anos. Eu não estava lá. Nem agora sei se estou cá. Apenas sinto que existo, mas não consigo medir o tamanho da minha dimensão face ao universo. Também não importa.
Imagino que a chuva já tenha feito estragos. Imagino que a esta hora, já existam danos colaterais nos sapatos de muitas mulheres. Talvez no cabelo. Talvez nas calças. Também não importa.
Há muito tempo que não chovia. Pelo menos assim.
Há muito tempo que não escrevia. Pelo menos assim. Acho que estive de férias. Acho que me assaltaram o cofre das letras. Quando parar de chover, vou iniciar a busca. Se entretanto, alguém encontrar palavras entre os destroços da água, avise.
Podem ser minhas.
Consigo ver através da minha janela a chuva. Em simultâneo oiço-a cair na terra.
Apetece agasalhar-me no refúgio de um tecto e contemplar a queda livre da água que vem do espaço. Cai como meteoritos. Só não dizima espécies, como aconteceu há milhões de anos. Eu não estava lá. Nem agora sei se estou cá. Apenas sinto que existo, mas não consigo medir o tamanho da minha dimensão face ao universo. Também não importa.
Imagino que a chuva já tenha feito estragos. Imagino que a esta hora, já existam danos colaterais nos sapatos de muitas mulheres. Talvez no cabelo. Talvez nas calças. Também não importa.
Há muito tempo que não chovia. Pelo menos assim.
Há muito tempo que não escrevia. Pelo menos assim. Acho que estive de férias. Acho que me assaltaram o cofre das letras. Quando parar de chover, vou iniciar a busca. Se entretanto, alguém encontrar palavras entre os destroços da água, avise.
Podem ser minhas.
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a vida é um milagre
7.4.08
Entre idiotas, patetas e imbecis, venha o diabo e escolha
Alguns idiotas gostam de reclamar como seu exclusivo património os sonhos e as utopias de Abril. Como se Abril apenas representasse os ideais de esquerda (mais ou menos radical). Como se o desejo de liberdade não fosse também partilhado por alguns sectores da direita. Como se toda a actividade social e vontade de participação fosse prerrogativa apenas dos socialistas e comunistas. Como se o PREC se resumisse à dicotomia Soares/Cunhal.
Nalguns casos, sei bem o que os move. Mas não basta a intenção: para ser eficaz é preciso alguma substancia. E os que por aqui pululam já demonstraram que os seus horizontes mais longíquos são mesmo os seus ricos umbigos...
Portanto, a característica que mais os identifica não será bem a patetice: é a imbecilidade!
Nalguns casos, sei bem o que os move. Mas não basta a intenção: para ser eficaz é preciso alguma substancia. E os que por aqui pululam já demonstraram que os seus horizontes mais longíquos são mesmo os seus ricos umbigos...
Portanto, a característica que mais os identifica não será bem a patetice: é a imbecilidade!
Afinal Paretto estava errado

Vilfredo Paretto criou, em 1897, a Regra 20/80, demonstrando que 80% da riqueza estava nas mãos de 20% da população.
Eu estou cada vez mais convencido que neste momento 95% da riqueza está nas mãos de apenas 5% da população. O que demonstra que desde o século XIX a justiça social poderá a estar a regredir. É preciso ficar atento...
Vão roubar pó c...
Assumo-me cada vez menos como liberal. Do liberalismo à portuguesa, então, fujo a sete pés. Por isso enoja-me o discurso supostamente liberal que atribui a uma eventual esquerda inimiga da propriedade privada a crítica aos lucros formidáveis de alguns, quando a grande maioria passa por dificuldades. O argumento é velho e está gasto: é preciso produzir valor para ser redistribuído, pois não se pode distribuir o que não existe.
Ora, tudo isto estaria muito bem (e eu, por princípio, subscrevo-o), se a prática consubstanciasse a teoria. Mas a realidade é bem diferente. Exemplifico: no ano passado a banca portuguesa apresentou rendimentos fabulosos (à custa de todos nós e dos funcionários, que trabalham em média mais 30%, sem direito a qualquer hora extraordinária e com o cúmulo de se esconderem quando há alguma inspacção do trabalho) e, que se saiba e ou se tenha visto, não representou nenhuma mais-valia para todos os portugueses que não são accionistas e dirigentes. Este ano, como se perspectiva um ano difícil, já vieram a terreiro os banqueiros, com a simpatia dos comentadores especialistas em assuntos económicos e o beneplácito do governo, informar que os prejuízos serão grandes mas redistribuídos por todos: clientes e restante população (através dos regimes de excepção). Ora, com exemplos destes, como é que poderemos alguma vez confiar nas empresas portuguesas. Porra para elas e que vão morrer para longe!
É como alguém dizia: a banca é exímia em privatizar lucros e em democratizar prejuízos.
Ora, tudo isto estaria muito bem (e eu, por princípio, subscrevo-o), se a prática consubstanciasse a teoria. Mas a realidade é bem diferente. Exemplifico: no ano passado a banca portuguesa apresentou rendimentos fabulosos (à custa de todos nós e dos funcionários, que trabalham em média mais 30%, sem direito a qualquer hora extraordinária e com o cúmulo de se esconderem quando há alguma inspacção do trabalho) e, que se saiba e ou se tenha visto, não representou nenhuma mais-valia para todos os portugueses que não são accionistas e dirigentes. Este ano, como se perspectiva um ano difícil, já vieram a terreiro os banqueiros, com a simpatia dos comentadores especialistas em assuntos económicos e o beneplácito do governo, informar que os prejuízos serão grandes mas redistribuídos por todos: clientes e restante população (através dos regimes de excepção). Ora, com exemplos destes, como é que poderemos alguma vez confiar nas empresas portuguesas. Porra para elas e que vão morrer para longe!
É como alguém dizia: a banca é exímia em privatizar lucros e em democratizar prejuízos.
Isenção à portuguesa
Há cerca de 20 anos, quando se iniciou o processo de implementação de sistemas de gestão da qualidade e a sua certificação em Portugal, foi criada uma entidade certificadora, composta pelo Instituto Português da Qualidade (IPQ) e algumas associações industriais e empresariais.
Passados alguns anos e alegadamente por forma a combater alguma promiscuidade, entendeu-se que o IPQ deveria sair dessa entidade certificadora, sendo criada a APCER (Associação Portuguesa de Certificação), uma vez que não seria transparente que a organização que responsável pelo Sistema Português da Qualidade (SPQ) fosse accionista da entidade certificadora.
Até aqui, tudo bem. O engraçado é que a necessidade de isenção vale apenas para um lado. Isto é, as associações industriais e empresariais mantiveram-se como accionistas na APCER, sendo que algumas das empresas associadas dessas organizações empresariais são os principais clientes da APCER. E, de acordo com o olhar do mundo empresaria português, aqui não há qualquer tipo de promiscuidade.
E assim se vai fazendo a vida portuguesa. É um salve-se quem puder...
Passados alguns anos e alegadamente por forma a combater alguma promiscuidade, entendeu-se que o IPQ deveria sair dessa entidade certificadora, sendo criada a APCER (Associação Portuguesa de Certificação), uma vez que não seria transparente que a organização que responsável pelo Sistema Português da Qualidade (SPQ) fosse accionista da entidade certificadora.
Até aqui, tudo bem. O engraçado é que a necessidade de isenção vale apenas para um lado. Isto é, as associações industriais e empresariais mantiveram-se como accionistas na APCER, sendo que algumas das empresas associadas dessas organizações empresariais são os principais clientes da APCER. E, de acordo com o olhar do mundo empresaria português, aqui não há qualquer tipo de promiscuidade.
E assim se vai fazendo a vida portuguesa. É um salve-se quem puder...
6.4.08
Canto dos Poetas
Ontem voltei a assistir ao concerto Isabel Bilou Canta a Palavra dos Poetas, na Sociedade Operária de Instrução e Recreio Joaquim António de Aguiar, integrado mas comemorações do 25 de Abril, desta centenária colectividade.
Este é mais um projecto da Associação do Imaginário que, apesar de acompanhar desde o seu início e de já ter assistido a muitos concertos, nunca deixou de me emocionar. Por razões familiares, claro que sim (porque nisto do canto dos poetas e de outras cantos, os afectos estão sempre próximos), mas essencialmente porque ouvir as palavras outrora cantadas por Adriano Correia de Oliveira, Zeca Afonso e Zé Mário Branco continuam a despertar o desejo de liberdade. Ainda para mais, num momento em que assistimos a um clima de perseguição inaudito em trinta e tal anos de democacria.
Sabe bem voltar a ouvir as canções de liberdade. E digo-o sem qualquer prurido, porque nisto de ideologias, apesar de ser insuspeito de manter qualquer simpatia pela esquerda, não posso deixar de reconhecer a importância do sonho de tantos e na esperança de quase todos.
Por isso, blogosfericamente (perdoem o neologismo), manifesto o meu agradecimento à direcção pela iniciativa Cafés de Abril. Pode ser que a palavra volte a despertar e assuma a sua real qualidade de arma em defesa da liberdade.
Este é mais um projecto da Associação do Imaginário que, apesar de acompanhar desde o seu início e de já ter assistido a muitos concertos, nunca deixou de me emocionar. Por razões familiares, claro que sim (porque nisto do canto dos poetas e de outras cantos, os afectos estão sempre próximos), mas essencialmente porque ouvir as palavras outrora cantadas por Adriano Correia de Oliveira, Zeca Afonso e Zé Mário Branco continuam a despertar o desejo de liberdade. Ainda para mais, num momento em que assistimos a um clima de perseguição inaudito em trinta e tal anos de democacria.
Sabe bem voltar a ouvir as canções de liberdade. E digo-o sem qualquer prurido, porque nisto de ideologias, apesar de ser insuspeito de manter qualquer simpatia pela esquerda, não posso deixar de reconhecer a importância do sonho de tantos e na esperança de quase todos.
Por isso, blogosfericamente (perdoem o neologismo), manifesto o meu agradecimento à direcção pela iniciativa Cafés de Abril. Pode ser que a palavra volte a despertar e assuma a sua real qualidade de arma em defesa da liberdade.
Anedotas
Há cerca de uma semana António Borges, ex-dirigente da Goldman Sachs, denunciou a perseguição que o banco sofreu por parte do governo, devido à sua actividade política, tendo mesmo sido anunciada por esse personagem macabro que dá pelo nome de Manuel Pinho (insisto, é preciso queimar o pinho).
Mas tudo isso parece ser normal.
Há dois dias soubemos que Jorge Coelho irá presidir uma empresa à qual entregou milhões em contratos públicos, enquanto ministro das obras públicas.
Mas também isto parece normal.
Os professores são agredidos nas escolas.
Ao que tudo indica e a crer nas afirmações do secretário da Estado, isso é normal.
Aumenta a criminalidade violenta.
O governo anuncia que essa é uma situação normal.
Portugal está a saque, o governo impõe acções persecutórias às vozes discordantes, mas a acreditar na opinião publicada, nada de anormal se passa.
Isto não é um país. Portugal é apenas uma anedota de mau gosto!
Mas tudo isso parece ser normal.
Há dois dias soubemos que Jorge Coelho irá presidir uma empresa à qual entregou milhões em contratos públicos, enquanto ministro das obras públicas.
Mas também isto parece normal.
Os professores são agredidos nas escolas.
Ao que tudo indica e a crer nas afirmações do secretário da Estado, isso é normal.
Aumenta a criminalidade violenta.
O governo anuncia que essa é uma situação normal.
Portugal está a saque, o governo impõe acções persecutórias às vozes discordantes, mas a acreditar na opinião publicada, nada de anormal se passa.
Isto não é um país. Portugal é apenas uma anedota de mau gosto!
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