Não me considero "afrancesado", nem filosoficamente falando, nem culturalmente, nem de forma nenhuma. Também não tenho especial apreço por M. Heidegger: nem pelo filósofo, nem pelo homem que, para além de ser um hipócrita, também não devia nada à amizade (a traição ao "amigo" e mestre Edmund Husserl é um belo exemplo da personalidade abjecta do homem).
Dito isto, deixo-lhe aqui, caro Funes, apenas uma ou outra réplica e um contributo para a resposta que solicitou e que espero seja apenas o mote para a WOAB a enriquecer.
Parece-me que gosta da filosofia analítica por esta, alegadamente, emprestar um método "científico" à filosofia, expurgando-a dos "floreados" literários. Se bem entendo, gosta de um certo rigor matemático aplicado à filosofia. Curioso que tenha falado em Poincaré: foi o próprio matemático que declarou que para a resolução dos maiores problemas que lhe foram colocados, nunca foi utilizado qualquer método, mas tão somente o que designou por "centelha criadora". Exactamente a mesma "centelha" que permite aos artistas (entre os quais, naturalmente, os poetas) criarem. Mas é apenas uma curiosidade.
Quanto à questão do(s) método(s) analítico(s), não passa exactamente disso: de método utilizado por alguns filósofos mas que não reduz, de forma nenhuma, a filosofia apenas a isso. Aliás, faz-me confusão como em Portugal se perde tempo a discutir esta questão: por muito que gritem, não há cá filosofia "pura e dura". A filosofia é constituída pelos contributos de todas as suas disciplinas, entre as quais, naturalmente, a filosofia analítica.
Quanto à sua questão, Heidegger contribuiu para a filosofia através da sua reflexão sobre a ontologia: pode parecer uma coisa de somenos importância, pois não é nada fácil identificar a sua mensurabilidade. Mas a questão do(e) Ser é fundamental à filosofia. É, assim, uma espécie de investigação fundamental (não aplicada), mas cujos resultados podem ser relevantes para aplicações mais objectivas (como qualquer outra investigação fundamental). Basta, para isso, lembrarmo-nos das consequências hermenêuticas ou éticas que resultaram da continuação do seu trabalho. É certo que a linguagem utilizada por Heidegger é algo obscura: mas que raio, a de Descartes, Hegel ou Kant não era melhor (nem me atrevo a falar em Sartre, pois esse deve ser um afrancesado absoluto e Camus não deve passar de um romancista).
Portanto, assim sendo, acho uma absoluta perda de tempo (insisto), discutir se a filosofia reduz-se, ou não, apenas a essa sua dimensão analítica, e acho ainda mais absurdo (não me refiro ao do Camus, mas mesmo ao adjectivo) que hajam professores de filosofia a tomarem partidos nesta questão que sempre me pareceu pateta!
"Reúne sete ou oito sábios e tornar-se-ão outros tantos tolos, pois incapazes de chegar a acordo entre eles, discutem as coisas em vez de as fazerem" - António da Venafro
24.5.08
20.5.08
Politiquices
Foi criada uma Associação dos Consumidores na Madeira.
Quem está à frente, ou pelo menos dá a cara é uma deputada do PSD.
Considero a iniciativa – a de criar a associação - louvável.
A dúvida é como esta associação, ou senhora deputada do partido do Governo, vai posicionar-se num conflito que envolva o executivo e um cidadão? Que liberdade tem a Associação e a respectiva presidente, para num caso extremo, avançar com uma queixa contra uma Secretaria ou Direcção Regional?
Quem está à frente, ou pelo menos dá a cara é uma deputada do PSD.
Considero a iniciativa – a de criar a associação - louvável.
A dúvida é como esta associação, ou senhora deputada do partido do Governo, vai posicionar-se num conflito que envolva o executivo e um cidadão? Que liberdade tem a Associação e a respectiva presidente, para num caso extremo, avançar com uma queixa contra uma Secretaria ou Direcção Regional?
Não sabe, não entende!
Não temos dúvidas que a lei dos subsídios está a ser cumprida. Melhor seria se assim não fosse e este não é um mérito que Vieira da Silva possa reclamar para si.
Mas o que se espera de um ministro, não é apenas que nos informe que a lei é cumprida: isso é o mínimo que podemos esperar de um estado de direito (bem sei que para este governo conseguir não violar as leis é, per se, uma vitória).
Espera-se que perante uma realidade diversa, diferente, o governante seja capaz de reagir de forma a responder aos novos desafios, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida das pessoas.
A notícia é de que há mais pessoas desempregadas sem qualquer tipo de rendimento: exige-se que o governo tome medidas. Mas, como está escrito em título, este é um raciocínio demasiado complexo para esta gente, cuja única preocupação é a espontaneidade da resposta: eu não fui e se fui, peço desculpa! É, não sabem... Não entendem!
Mas o que se espera de um ministro, não é apenas que nos informe que a lei é cumprida: isso é o mínimo que podemos esperar de um estado de direito (bem sei que para este governo conseguir não violar as leis é, per se, uma vitória).
Espera-se que perante uma realidade diversa, diferente, o governante seja capaz de reagir de forma a responder aos novos desafios, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida das pessoas.
A notícia é de que há mais pessoas desempregadas sem qualquer tipo de rendimento: exige-se que o governo tome medidas. Mas, como está escrito em título, este é um raciocínio demasiado complexo para esta gente, cuja única preocupação é a espontaneidade da resposta: eu não fui e se fui, peço desculpa! É, não sabem... Não entendem!
No one is untouchable
Caro amigo, foi apenas uma fuga para retemperar. Quanto à tua questão: sim, vão havendo alguns socialistas que escapam ao aparo das minhas teclas. Tu, por exemplo! Mas só até ver, porque sabemos que se o mundo está louco à excepção de nós dois, quer um quer outro não está muito certo acerca da sanidade alheia.
19.5.08
Apoio a Manuela Ferreira Leite
Ao contrário do que defendem alguns, a grande riqueza do PSD é o facto de acolher no seu seio diferentes correntes ideológicas: a social-democrata; a liberal, a conservadora; a democrata-cristã e até mesmo uma mais neo-liberal. Populismo não é uma matriz ideológica: é uma estratégia (que, aliás, Sócrates começa a aderir, conforme se comprova por aquele patético anúncio de que iria deixar de fumar), que socorre duas candidaturas: a de Pedro Passos Coelho e a de Santana Lopes (para falar apenas nas três que realmente contam), sendo que a santanista é marcadamente mais populista.
Por isso, nem vejo a balcanização (ideológica) do partido, nem vejo como isso poderia ser prejudicial. O CDS/PP defende a existência de correntes ideológicas diversas, princípio com o qual concordo e através do qual os populares pretendem crescer (à sombra do PSD). Não vejo, portanto, grandes problemas por não haver candidaturas sebastianicas que alegadamente reunificariam ideologicamente o partido, uma vez que não há uma matriz que tenha de ser reunificada. Oxalá todas as correntes estivessem, efectivamente, representadas nestas eleições.
Posto isto, apenas houve um líder verdadeiramente social-democrata (entendo-se, aqui, a social-democracia alemã): Sá Carneiro, do qual nenhuma destas candidaturas é herdeira e que suspeito ser bastante residual no PSD de hoje.
De um ponto de vista ideológico, nestas eleições apenas foram apresentadas candidaturas liberais, sendo que uma é um pouco mais conservadora do que as outras.
Assim sendo, não me revejo ideologicamente em nenhuma delas. Mas, se tivesse de votar, teria que escolher entre o que se nos é apresentado, o que, inevitavelmente, me obrigaria a optar. E se fosse este o caso, a minha opção passaria por Manuela Ferreira Leite.
Deixo aqui a minha razão, porque resume-se apenas a uma: a próxima liderança do PSD tem de, se não derrotar o PS, pelo menos retirar-lhe a maioria absoluta, recuperando algum do eleitorado do tal centrão decisivo. E, na minha opinião, tal só é possível com Manuela Ferreira Leite.
Comecemos por Santana Lopes: é certo que mais do que o conjunto de equívocos que foi o seu governo, foi-lhe feita a cama. Muito do que já assistimos com Sócrates teria sido motivo para sucessivas dissoluções da Assembleia da República. Por outro lado, até tem sido um bom líder parlamentar. Estas duas razões contribuem, portanto, para reunir algum capital de simpatia por parte de alguns militantes. Poderia ganhar o partido, mas não ganharia o país, uma vez que lhe falta credibilidade e apoio entre os opinion makers (e sabemos o quanto são fundamentais). Seria uma candidatura derrotada à partida e não me parece que tenha possibilidade de vencer o partido, porque os militantes querem um líder para se bater com Sócrates e não acreditam que Santana seja o tal.
Já Pedro Passos Coelho é um político com algum potencial (não queiram fazer dele um Príncipe) e que neste momento corre o risco de vencer estas eleições. Tem reunido imensos apoios, não pelo que vale, mas porque é a alternativa a Ferreira Leite e a Santana Lopes. Quem tem contas a acertar com um dos dois, opta por Passos Coelho. Mais, se fosse eleito, teria algumas possibilidades de reunir simpatias do centro-esquerda, dadas as suas posições progressistas nas tais questões sociais fracturantes. A sua candidatura tem tentado investir na alegada falta de experiência, apostando na imagem de outsider, que poderia contribuir para recolher apoio dos insatisfeitos com o sistema e a classe política. Não é, como todos sabemos: é um político profissional e isso seria devidamente explorado pelo PS. Para além disso, é algo incerto: ninguém sabe o que vale nas urnas e essa incerteza será mortal.
Temos, por fim, Manuela Ferreira Leite: tem a seu favor a imagem de rigor e austeridade, tão ao agrado dos opinion makers e dos próprios portugueses. Tem, também, experiência governativa, domina os assuntos económicos (e sabemos que hoje as eleições ganham-se com linguagem económica e não política) e é a preferida pelos barões (só o facto de ter o apoio de Miguel Veiga deveria ser motivo para eu distanciar-me o mais possível, mas nem sempre podemos ser coerentes...). Assim sendo, é aquela que reúne melhores condições para se bater com Sócrates em eleições, havendo mesmo a possibilidade de vencê-lo. Contribui para o meu apoio, ter começado a estruturar uma aproximação à matriz social-democrata, com laivos de um certo conservadorismo político-social. Começo a gostar do seu discurso e do seu programa.
E tendo possibilidade de vencer as eleições, acho que não conseguirá vencê-las por maioria absoluta, o que também é um ponto a seu favor (poderia ter tendência para o absolutismo que vimos em Sócrates e com tão maus resultados).
Por fim, acho que seria importante para a política portuguesa e mesmo para o PSD haver uma mulher líder, facto que, para além de valer por si, poderia mesmo reunir apoios insuspeitos.
Após tudo isto, volto ao início: tenho pena que não se tenham apresentado alguns outros bons candidatos, com proveniência noutras correntes ideológicas, mas percebo as suas razões.
Espero, contudo, que destas eleições surja uma candidatura forte, capaz de se bater com Sócrates e com um projecto para o país (uma ideia de país, conforme costumo dizer) que reúna contributos em todas as matrizes ideológicas, que constituem, afinal, toda a riqueza do PSD e podem ser a riqueza de um projecto político de governação.
Por isso, nem vejo a balcanização (ideológica) do partido, nem vejo como isso poderia ser prejudicial. O CDS/PP defende a existência de correntes ideológicas diversas, princípio com o qual concordo e através do qual os populares pretendem crescer (à sombra do PSD). Não vejo, portanto, grandes problemas por não haver candidaturas sebastianicas que alegadamente reunificariam ideologicamente o partido, uma vez que não há uma matriz que tenha de ser reunificada. Oxalá todas as correntes estivessem, efectivamente, representadas nestas eleições.
Posto isto, apenas houve um líder verdadeiramente social-democrata (entendo-se, aqui, a social-democracia alemã): Sá Carneiro, do qual nenhuma destas candidaturas é herdeira e que suspeito ser bastante residual no PSD de hoje.
De um ponto de vista ideológico, nestas eleições apenas foram apresentadas candidaturas liberais, sendo que uma é um pouco mais conservadora do que as outras.
Assim sendo, não me revejo ideologicamente em nenhuma delas. Mas, se tivesse de votar, teria que escolher entre o que se nos é apresentado, o que, inevitavelmente, me obrigaria a optar. E se fosse este o caso, a minha opção passaria por Manuela Ferreira Leite.
Deixo aqui a minha razão, porque resume-se apenas a uma: a próxima liderança do PSD tem de, se não derrotar o PS, pelo menos retirar-lhe a maioria absoluta, recuperando algum do eleitorado do tal centrão decisivo. E, na minha opinião, tal só é possível com Manuela Ferreira Leite.
Comecemos por Santana Lopes: é certo que mais do que o conjunto de equívocos que foi o seu governo, foi-lhe feita a cama. Muito do que já assistimos com Sócrates teria sido motivo para sucessivas dissoluções da Assembleia da República. Por outro lado, até tem sido um bom líder parlamentar. Estas duas razões contribuem, portanto, para reunir algum capital de simpatia por parte de alguns militantes. Poderia ganhar o partido, mas não ganharia o país, uma vez que lhe falta credibilidade e apoio entre os opinion makers (e sabemos o quanto são fundamentais). Seria uma candidatura derrotada à partida e não me parece que tenha possibilidade de vencer o partido, porque os militantes querem um líder para se bater com Sócrates e não acreditam que Santana seja o tal.
Já Pedro Passos Coelho é um político com algum potencial (não queiram fazer dele um Príncipe) e que neste momento corre o risco de vencer estas eleições. Tem reunido imensos apoios, não pelo que vale, mas porque é a alternativa a Ferreira Leite e a Santana Lopes. Quem tem contas a acertar com um dos dois, opta por Passos Coelho. Mais, se fosse eleito, teria algumas possibilidades de reunir simpatias do centro-esquerda, dadas as suas posições progressistas nas tais questões sociais fracturantes. A sua candidatura tem tentado investir na alegada falta de experiência, apostando na imagem de outsider, que poderia contribuir para recolher apoio dos insatisfeitos com o sistema e a classe política. Não é, como todos sabemos: é um político profissional e isso seria devidamente explorado pelo PS. Para além disso, é algo incerto: ninguém sabe o que vale nas urnas e essa incerteza será mortal.
Temos, por fim, Manuela Ferreira Leite: tem a seu favor a imagem de rigor e austeridade, tão ao agrado dos opinion makers e dos próprios portugueses. Tem, também, experiência governativa, domina os assuntos económicos (e sabemos que hoje as eleições ganham-se com linguagem económica e não política) e é a preferida pelos barões (só o facto de ter o apoio de Miguel Veiga deveria ser motivo para eu distanciar-me o mais possível, mas nem sempre podemos ser coerentes...). Assim sendo, é aquela que reúne melhores condições para se bater com Sócrates em eleições, havendo mesmo a possibilidade de vencê-lo. Contribui para o meu apoio, ter começado a estruturar uma aproximação à matriz social-democrata, com laivos de um certo conservadorismo político-social. Começo a gostar do seu discurso e do seu programa.
E tendo possibilidade de vencer as eleições, acho que não conseguirá vencê-las por maioria absoluta, o que também é um ponto a seu favor (poderia ter tendência para o absolutismo que vimos em Sócrates e com tão maus resultados).
Por fim, acho que seria importante para a política portuguesa e mesmo para o PSD haver uma mulher líder, facto que, para além de valer por si, poderia mesmo reunir apoios insuspeitos.
Após tudo isto, volto ao início: tenho pena que não se tenham apresentado alguns outros bons candidatos, com proveniência noutras correntes ideológicas, mas percebo as suas razões.
Espero, contudo, que destas eleições surja uma candidatura forte, capaz de se bater com Sócrates e com um projecto para o país (uma ideia de país, conforme costumo dizer) que reúna contributos em todas as matrizes ideológicas, que constituem, afinal, toda a riqueza do PSD e podem ser a riqueza de um projecto político de governação.
Saga Aérea
Já antevia que a liberalização do transporte aéreo para a Madeira seria um desastre.
As razões são óbvias: Na prática só voa para a região a companhia de bandeira. A SATA não tem músculo para fazer sombra à Tap. Além disso, são companhias parceiras de negócio – partilham aviões e lugares, na rota Funchal, continente. A Portugália é um sonho. Ainda voam os aviões, mas a empresa já não existe. Foi “engolida” pela Tap.
Só com base nestes três pressupostos é fácil perceber que não existiam, como ainda não existem condições para deixar o mercado funcionar. Nesta e noutras áreas, como é o caso do petróleo, ou dos cereais, por exemplo, quem fixa os preços é quem tem o poder.
A Tap agora cobra uma taxa por tudo e por nada: 50 EUROS, para quem mexer na data da passagem. Se não avisar com antecedência são mais 50 EUROS (100 euros) e no caso de não existirem lugares disponíveis na classe do bilhete, o passageiro é obrigado a desembolsar mais o acerto.
Exemplo prático: Viagem Funchal-Lisboa em classe económica 242,63. Foi necessário alterar o regresso + 50 euros de penalização + 42 euros porque não existiam vagas na classe adquirida . Total 334,63.
Em Portugal quem tem autoridade para fiscalizar este abuso de poder???? O Instituto Nacional de Aviação Civil? A polémica ASAE?? A Autoridade da Concorrência????
Será que os nosso governos (Madeira e Continente) – preocuparam-se em saber se existia concorrência na linha, antes de abrir o mercado??????
É um tema que dá pano para fazer muitos fatos.
Nem falo da hora que perdi entre os CTT; a agência de viagem onde comprei o bilhete e o balcão da Tap, que agora chama-se Groundforce. A minha sorte é que, as três entidades, não distavam uma da outra, mais de 15 metros. Levantei o subsídio no Aeroporto.
As razões são óbvias: Na prática só voa para a região a companhia de bandeira. A SATA não tem músculo para fazer sombra à Tap. Além disso, são companhias parceiras de negócio – partilham aviões e lugares, na rota Funchal, continente. A Portugália é um sonho. Ainda voam os aviões, mas a empresa já não existe. Foi “engolida” pela Tap.
Só com base nestes três pressupostos é fácil perceber que não existiam, como ainda não existem condições para deixar o mercado funcionar. Nesta e noutras áreas, como é o caso do petróleo, ou dos cereais, por exemplo, quem fixa os preços é quem tem o poder.
A Tap agora cobra uma taxa por tudo e por nada: 50 EUROS, para quem mexer na data da passagem. Se não avisar com antecedência são mais 50 EUROS (100 euros) e no caso de não existirem lugares disponíveis na classe do bilhete, o passageiro é obrigado a desembolsar mais o acerto.
Exemplo prático: Viagem Funchal-Lisboa em classe económica 242,63. Foi necessário alterar o regresso + 50 euros de penalização + 42 euros porque não existiam vagas na classe adquirida . Total 334,63.
Em Portugal quem tem autoridade para fiscalizar este abuso de poder???? O Instituto Nacional de Aviação Civil? A polémica ASAE?? A Autoridade da Concorrência????
Será que os nosso governos (Madeira e Continente) – preocuparam-se em saber se existia concorrência na linha, antes de abrir o mercado??????
É um tema que dá pano para fazer muitos fatos.
Nem falo da hora que perdi entre os CTT; a agência de viagem onde comprei o bilhete e o balcão da Tap, que agora chama-se Groundforce. A minha sorte é que, as três entidades, não distavam uma da outra, mais de 15 metros. Levantei o subsídio no Aeroporto.
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18.5.08
Feminismo tomado de assalto?
E de repente, um congresso feminista foi tomado de assalto pela ILGA (essa associação de gente maluca, não pelas suas orientações sexuais, mas por serem mesmo fundamentalistas malucos) e já parece um congresso sobre a homossexualidade no feminino...
E, amiga WOAB, desta vez não é o meu conservadorismo que veio ao de cima. Foi mesmo a má opção que a UMAR decidiu tomar...
E, amiga WOAB, desta vez não é o meu conservadorismo que veio ao de cima. Foi mesmo a má opção que a UMAR decidiu tomar...
Verdade ou consequência?
Manuel Alegre defende que Portugal inteiro deveria sair à rua para a defender a honra do impoluto Mário Soares face aos ataques e insídias de um jornal angolano. Provem-me que as denúncias (que correm à boca pequena há já muitos anos) do dito jornal são reamente caluniosas e eu serei o primeiro da linha da frente. Caso contrário, engulam-nas!
As novas oportunidades, velhos vícios
As novas oportunidades, mas os velhos vícios. E as desculpas de ministra da Educação são completamente imbecis.
Então o estado (o tal que afirma querer acabar com o trabalho precário) tem milhares de formadores das Novas Oportunidades a trabalhar a recibos verdes e a alguns não paga há meses e a ministra (a tal que quer moralizar a classe docente) acha que este é apenas um problemazinho a resolver?
Então o estado (o tal que afirma querer acabar com o trabalho precário) tem milhares de formadores das Novas Oportunidades a trabalhar a recibos verdes e a alguns não paga há meses e a ministra (a tal que quer moralizar a classe docente) acha que este é apenas um problemazinho a resolver?
Ainda sobre o acto criminoso de Sócrates
Alguns querem fazer crer que o acto do primeiro-ministro ter puxado de um cigarrinho dentro de um avião, quando ele próprio criou uma lei que proíbe o fumo dentro de transportes públicos, é de somenos importância. Mais, há mesmo alguns que acusam o jornalista de conduta incorrecta pelo facto de se atrevido a noticiar o incidente, quando viajava à borla no avião fretado, parecendo que o repórter teria a obrigação de ter calado o crime porque convidado (diz muito acerca do que Miguel Sousa Tavares pensa e/ou fez do/no jornalismo).
Mais, parece que o mea culpa deveria ter lavado a imagem do primeiro-ministro. Pois, mas a questão não é essa. Para mim, o acto apenas indicia algo de muito grave: que esta gente julga-se acima de lei e que não se reconhecem a si próprios os deveres que querem impor a todos os outros.
Aliás, a situação já chegou a um tal nível que mesmo deputados como João Soares acham que não têm que cumprir as regras que criaram, conforme demonstra a sua resposta à questão colocada pelo jornalista do Expresso sobre a não actualização da sua declaração de interesses.
Também acho piada, esta de andar a fretar aviões a torto e a direito. Ainda lembro-me de uma certa polémica que envolveu políticos do PSD, por não viajarem em voos comerciais. Mas esses eram outros tempos...
Mais, parece que o mea culpa deveria ter lavado a imagem do primeiro-ministro. Pois, mas a questão não é essa. Para mim, o acto apenas indicia algo de muito grave: que esta gente julga-se acima de lei e que não se reconhecem a si próprios os deveres que querem impor a todos os outros.
Aliás, a situação já chegou a um tal nível que mesmo deputados como João Soares acham que não têm que cumprir as regras que criaram, conforme demonstra a sua resposta à questão colocada pelo jornalista do Expresso sobre a não actualização da sua declaração de interesses.
Também acho piada, esta de andar a fretar aviões a torto e a direito. Ainda lembro-me de uma certa polémica que envolveu políticos do PSD, por não viajarem em voos comerciais. Mas esses eram outros tempos...
A minha ausência não quer dizer que esteja ausente.
Apenas ocupo-me com outras coisas.
Gosto da globosfera, mas por razões várias. Por falta de imaginação, por preguiça, por falta de tema………afastei-me…..
Para ti, Sancho, um grande abraço. Sem o teu contributo este “blogue” já teria encerrado as portas. Para o Gonçalo – o pai da criança – outro abraço. São os motores deste espaço.
Para os leitores - todos sem excepção – o meu muito obrigado pelas vossas visitas.
Não é um texto de despedida.
Espero que seja, o continuar..............
Apenas ocupo-me com outras coisas.
Gosto da globosfera, mas por razões várias. Por falta de imaginação, por preguiça, por falta de tema………afastei-me…..
Para ti, Sancho, um grande abraço. Sem o teu contributo este “blogue” já teria encerrado as portas. Para o Gonçalo – o pai da criança – outro abraço. São os motores deste espaço.
Para os leitores - todos sem excepção – o meu muito obrigado pelas vossas visitas.
Não é um texto de despedida.
Espero que seja, o continuar..............
14.5.08
Áh e tal que eu não sabia!
Declaração de interesses: nada tenho contra um cigarrinho e até acho que cai bem numa viagem tão longa.Mais, acho um absurdo esta perseguição a que os fumadores estão sujeitos.
Mas o que Sócrates e o Pinho fizeram não é um erro ingénuo: é uma hipocrisia que mostra que estes senhores acham estar isentos do sistema legal nacional.
E já agora, será que se eu violar alguma lei, bastará pedir desculpa para ser absolvido (Artigo n.º 6 do Código Civil: "A ignorância ou má interpretação da lei não justifica a falta do seu cumprimento nem isenta as pessoas das sanções nela estabelecidas)?!
O que acontecerá a este delito?
Israel: against all odds
Já por diversas vezes defendi que não se cria um país por decreto, alegando ser um direito tradicional e divino, conforme aconteceu com Israel. Todo o processo de criação do estado israelita foi mal conduzido, apoiado e aconselhado pelas potências ocidentais. É, naturalmente, legítima a luta dos palestinianos por uma terra que possam chamar de sua.No entanto, não podemos deixar de admirar um país que lutou - algumas vezes com um exército maltrapilho - diversas vezes contra exércitos combinados; que foi capaz de atrair para o meio do deserto inúmeros judeus espalhados pelo mundo fora, onde quase toda a população com idade superior a 40 anos esteve activamente envolvido em, pelo menos, uma batalha; que fez renascer um língua moribunda e ritual (hebraico), transformando-a numa língua viva de pleno direito; que colecciona uma quantidade enorme de prémios Nobel e que, contra todas as expectativas, consegue celebrar 60 anos de independência.
Portanto, está de parabéns Israel e toda a sua população.
8.5.08
Farto de Portugal
6.5.08
Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és!
Áh e tal, que isto é perseguição ao PM; que Sócrates é mesmo licenciado e tem boa formação académica (?); que foi ele que assinou aqueles projectos (são feios? Mas o homem não é arquitecto!); que ele nunca esteve metido em maroscas (como a do Freeport); que não era ilegal ser deputado em regime de exclusividade e exercer outra actividade; que está tudo dentro da lei e é transparente, naquele processo da Estradas de Portugal; que Sócrates nunca cometeu uma ilegalidade na vida; que é um exemplo de honestidade e virtude; que nunca tentou condicionar a liberdade de expressão de ninguém.
Para alguns patetas, Sócrates é um santo, o D. Sebastião regressado.
Está tudo muito bem, mas, uma vez mais, lá vêm os jornalistas noticiarem que um ex-professor de Sócrates na Independente (leccionou 4, das 5 cadeiras) foi pronunciado pelos crimes de corrupção e branqueamento de capitais. Claro que as denúncias de que teria sido Sócrates quem teria dado ordens para que António Morais [então seu professor e militante do PS] fosse encarregue da preparação e assessoria do concurso para a construção de um aterro não passam de fantasias maléficas de uma conspiração contra o magnânime líder. Claro que o facto do réu ser, na altura, assessor de Armando Vara, também é pura coincidência. Se o homem for condenado (coisa que duvido), as ligações que teve a Sócrates ou a Vara não passaram de meros encontros ocasionais na vida de todos nós. Porque Sócrates é incólume, um exemplo de pureza, constantemente conspurcado pela lama atirada a si, apenas porque teve, por vezes, ligações pouco recomendáveis!
Para alguns patetas, Sócrates é um santo, o D. Sebastião regressado.
Está tudo muito bem, mas, uma vez mais, lá vêm os jornalistas noticiarem que um ex-professor de Sócrates na Independente (leccionou 4, das 5 cadeiras) foi pronunciado pelos crimes de corrupção e branqueamento de capitais. Claro que as denúncias de que teria sido Sócrates quem teria dado ordens para que António Morais [então seu professor e militante do PS] fosse encarregue da preparação e assessoria do concurso para a construção de um aterro não passam de fantasias maléficas de uma conspiração contra o magnânime líder. Claro que o facto do réu ser, na altura, assessor de Armando Vara, também é pura coincidência. Se o homem for condenado (coisa que duvido), as ligações que teve a Sócrates ou a Vara não passaram de meros encontros ocasionais na vida de todos nós. Porque Sócrates é incólume, um exemplo de pureza, constantemente conspurcado pela lama atirada a si, apenas porque teve, por vezes, ligações pouco recomendáveis!
Parabéns Marítimo. Mas é preciso melhor...
Sou maritimista. Já antes de ser adepto do Benfica, era sócio do Marítimo. É, por isso, uma enorme alegria assistir a mais uma presença dos campeões das Ilhas na Taça UEFA.Por mais essa proeza, estão os jogadores de parabéns, está o treinador, está a direcção e está toda a massa associativa.
O momento é de festa merecida, porque a verdade é que o Marítimo foi prejudicado diversas vezes este ano, revestindo-se esta conquista de um sabor especial. Porque efectivamente, foi uma vitória contra um sistema mafioso que existe, a despeito do que alguns nos querem fazer crer.
Não podem os confeitos, no entanto, ofuscar-nos. A presença na Taça UEFA não é mais do que a obrigação do Marítimo. Não este ano, mas todos os anos. A isto, têm os maritimistas legitimidade para exigir à direcção, atendendo ao facto de ser o 4º maior orçamento da BwinLiga.
Portanto, esta vitória deve fazer-nos, maritimistas, reflectir e perguntar porque é que não estamos lá todos os anos.
Não chego ao ponto de exigir o 4º lugar, como alguns, mas a verdade é que este feito não pode branquear os maus resultados desportivos anteriores. E devem continuar a ser atribuídas as responsabilidades a quem as tem!
PS - Quero ver se a direcção vai, uma vez mais, desmembrar a equipa como tem feito noutros anos, com os maus resultados económicos e desportivos que se tem visto!
ALRM: será necessário encerrar?
Mais um exemplo de que são muito poucos aqueles que respeitam a Assembleia Legislativa Regional.Isto não foi um protesto: foi uma palhaçada orquestrada pelas cabecinhas da burguesia bom humorada do PND (para a qual, naturalmente, José Manuel Coelho não passa de bobo da corte).
Lamentável!
Imagem roubada do Diário de Notícias da Madeira
2.5.08
Pequenos prazeres
1.5.08
O que terão feito a Miguel de Sousa Tavares?
Terá Miguel Sousa Tavares sido abusado, quando menino (do Rio?), por algum(a) madeirense social-democrata? É que o homem destila um ódio visceral aos madeirenses e ao PSD que só se poderá explicar por um verdadeira trauma infantil...
Allô Allô Maya!
A ausência dos meus fracos escritos fica a dever-se a duas coisas. À manifesta falta de tempo - não é todos os dias que se fazem 500 Anos -, que é sempre uma óptima desculpa. Mas também a algum desencanto com a blogosfera.
Fui dos primeiros, cá no burgo, a entrar neste admirável mundo que já não é novo. E gostava do ar fresco da coisa. Gostava da leveza com que se encaravam textos que apenas exprimiam humores do momento.
Gostava do sítio porque era pouco frequentado e porque a maioria dos habitués não se levava a sério. Era como estar sentado à porta de um bar de estrada, com uma cerveja na mão, a dizer piadas idiotas sobre o mundo que ia passando a uns tipos que mal conhecia. Sem dramas ou tramas, sem comprometimentos ou aborrecimentos.
Mas de facto, o mundo andou depressa. A tasca fechou e no seu lugar instalou-se uma espécie de restaurante com cerveja estupidamente cara, cheio de tipos importantes a falar sobre coisas importantes. Acabaram-se as piadas sobre o mundo porque o mundo deixou de passar e sentou-se à nossa frente. De fato e gravata, como lhe convém.
Aguentei a conversa por uns tempos. Mas depois fartei-me. Hoje, jornais, parlamento, blogs confundem-se. Os textos, os discursos, os tiques, os interesses são os mesmos. Tal como acontecera no "contenênte", a blogosfera de cá foi tomada de assalto. Legitimamente, é preciso que se diga. Foi um assalto... legítimo (e eu continuo com a mania de escrever tudo de uma vez, sem voltar atrás para corrigir disparates de escrita ou pensamentos verdadeiramente mirabolantes). Mas que resultou naquilo que era esperado, ou seja, hoje a maioria dos blogs são apêndices de partidos. São o "Avante" em versão pós-moderna. São como o jornal do Sporting: Eu leio, porque para mim tudo o que se escreve em letras verde-garrafa é verdade... Mas sinceramente, começa a chatear-me.
Porque hoje já não se escrevem asneiras (para além das minhas, obviamente), porque na blogosfera deixou de haver aquela ternura de Verão de todos os começos. Porque a blogosfera envelheceu e desatou a querer casar e ter filhos e a fazer planos para uma casa de férias. Porque deixou de brincar para se transformar numa merda chata, sem graça, cinzenta, sem ponta por onde se pegue nem corno onde se agarre. Porque se começou a levar a sério.
Por isso, se calhar faço como o brasileiro e tiro "o time de campo". Se calhar... Ou então opto pelo plano "b": continuo a escrever as bostas que tenho escrito ultimamente.
Não sei, vou pensar nisso... Vou ver o que me dizem os astros...
(Allô Allô Maya, tá por aí?)
Fui dos primeiros, cá no burgo, a entrar neste admirável mundo que já não é novo. E gostava do ar fresco da coisa. Gostava da leveza com que se encaravam textos que apenas exprimiam humores do momento.
Gostava do sítio porque era pouco frequentado e porque a maioria dos habitués não se levava a sério. Era como estar sentado à porta de um bar de estrada, com uma cerveja na mão, a dizer piadas idiotas sobre o mundo que ia passando a uns tipos que mal conhecia. Sem dramas ou tramas, sem comprometimentos ou aborrecimentos.
Mas de facto, o mundo andou depressa. A tasca fechou e no seu lugar instalou-se uma espécie de restaurante com cerveja estupidamente cara, cheio de tipos importantes a falar sobre coisas importantes. Acabaram-se as piadas sobre o mundo porque o mundo deixou de passar e sentou-se à nossa frente. De fato e gravata, como lhe convém.
Aguentei a conversa por uns tempos. Mas depois fartei-me. Hoje, jornais, parlamento, blogs confundem-se. Os textos, os discursos, os tiques, os interesses são os mesmos. Tal como acontecera no "contenênte", a blogosfera de cá foi tomada de assalto. Legitimamente, é preciso que se diga. Foi um assalto... legítimo (e eu continuo com a mania de escrever tudo de uma vez, sem voltar atrás para corrigir disparates de escrita ou pensamentos verdadeiramente mirabolantes). Mas que resultou naquilo que era esperado, ou seja, hoje a maioria dos blogs são apêndices de partidos. São o "Avante" em versão pós-moderna. São como o jornal do Sporting: Eu leio, porque para mim tudo o que se escreve em letras verde-garrafa é verdade... Mas sinceramente, começa a chatear-me.
Porque hoje já não se escrevem asneiras (para além das minhas, obviamente), porque na blogosfera deixou de haver aquela ternura de Verão de todos os começos. Porque a blogosfera envelheceu e desatou a querer casar e ter filhos e a fazer planos para uma casa de férias. Porque deixou de brincar para se transformar numa merda chata, sem graça, cinzenta, sem ponta por onde se pegue nem corno onde se agarre. Porque se começou a levar a sério.
Por isso, se calhar faço como o brasileiro e tiro "o time de campo". Se calhar... Ou então opto pelo plano "b": continuo a escrever as bostas que tenho escrito ultimamente.
Não sei, vou pensar nisso... Vou ver o que me dizem os astros...
(Allô Allô Maya, tá por aí?)
28.4.08
Contributos para uma discussão fundamentada sobre o acordo ortográfico II
Mais um bom contributo do Miguel Fonseca para uma discussão fundamentada sobre a necessidade de um acordo ortográfico e a natural evolução da(s) língua(s).
Mantenho o que já havia dito: não tenho opinião formada sobre este acordo em concreto.
Se por um lado sou sensível à necessidade de aproximar o português de Portugal ao português falado nos outros países de língua oficial portuguesa, por outro também acho que é fundamental que o português (de Portugal) não se abrasileirize por decreto. A aproximação nunca poderá ser feita apenas pela cedência de um dos lados, a despeito da história, cultura e tradição do(s) outro(s). Teria de ser feito um acordo que aproximasse as duas "línguas" e não a absoluta submissão de uma delas, como parece ser o caso.
A língua evolui naturalmente (ou ainda estaríamos a falar português arcaico, ou uma espécie de castelhano, ou o dialecto latino que se falava na Península Ibérica, ou...), de forma lenta, ou de forma mais abrupta. Atendendo à imperiosa necessidade de aproximação de todas as formas escritas de português, admito que se dê o salto. Não deveria, contudo, ser apenas à custa do português de Portugal, mas sim uma solução de compromisso.
Por outro lado e se o que queremos é criar uma certa uniformização do português escrito em todos os países que adoptaram o português como sua língua oficial, os contributos dos países africanos não deveriam ser olvidados. Aliás, o acordo não deveria ser apenas ortográfico e deveria ter havido uma revisão que enriquecesse verdadeiramente a língua, com a introdução de regionalismos.
Tenho também ouvido argumentos de que o português de Portugal tem perdido a sua "pureza" (na falta de melhor sinónimo) devido aos anglicanismos (ou inglesismos, se preferirem). Mas, curiosamente, os inglesismos têm como porta principal de entrada o Brasil (e, em breve, Moçambique): lóbis, por exemplo (só não me ponham a escrever esnuca!).
Quanto ao argumento evocado pelo Zé da Burra de que os linguistas não precisam de ser ouvidos, tal como os juízes e advogados não produzem legislação, parece-me não ter grande sustentação, uma vez que cabe aos juristas enquadrarem legalmente as propostas legislativas dos políticos. E contraponho, ainda, de outra forma: os políticos decidem a construção de uma ponte, mas quem é que deve analisar as condições que devem ser observadas para a pôr de pé? Serão as negociações políticas?
Mantenho o que já havia dito: não tenho opinião formada sobre este acordo em concreto.
Se por um lado sou sensível à necessidade de aproximar o português de Portugal ao português falado nos outros países de língua oficial portuguesa, por outro também acho que é fundamental que o português (de Portugal) não se abrasileirize por decreto. A aproximação nunca poderá ser feita apenas pela cedência de um dos lados, a despeito da história, cultura e tradição do(s) outro(s). Teria de ser feito um acordo que aproximasse as duas "línguas" e não a absoluta submissão de uma delas, como parece ser o caso.
A língua evolui naturalmente (ou ainda estaríamos a falar português arcaico, ou uma espécie de castelhano, ou o dialecto latino que se falava na Península Ibérica, ou...), de forma lenta, ou de forma mais abrupta. Atendendo à imperiosa necessidade de aproximação de todas as formas escritas de português, admito que se dê o salto. Não deveria, contudo, ser apenas à custa do português de Portugal, mas sim uma solução de compromisso.
Por outro lado e se o que queremos é criar uma certa uniformização do português escrito em todos os países que adoptaram o português como sua língua oficial, os contributos dos países africanos não deveriam ser olvidados. Aliás, o acordo não deveria ser apenas ortográfico e deveria ter havido uma revisão que enriquecesse verdadeiramente a língua, com a introdução de regionalismos.
Tenho também ouvido argumentos de que o português de Portugal tem perdido a sua "pureza" (na falta de melhor sinónimo) devido aos anglicanismos (ou inglesismos, se preferirem). Mas, curiosamente, os inglesismos têm como porta principal de entrada o Brasil (e, em breve, Moçambique): lóbis, por exemplo (só não me ponham a escrever esnuca!).
Quanto ao argumento evocado pelo Zé da Burra de que os linguistas não precisam de ser ouvidos, tal como os juízes e advogados não produzem legislação, parece-me não ter grande sustentação, uma vez que cabe aos juristas enquadrarem legalmente as propostas legislativas dos políticos. E contraponho, ainda, de outra forma: os políticos decidem a construção de uma ponte, mas quem é que deve analisar as condições que devem ser observadas para a pôr de pé? Serão as negociações políticas?
27.4.08
Fartos de beatas
Lá, como cá, defendo sempre o mesmo que, de resto é o mesmo que tu: atire-se às beatas, à Eça de Queiroz!!
Diferença entre ser e parecer democrata
A propósito das eleições para a liderança do PSD, temos ouvido muitas cabeças bem-pensantes (?) e politicamente correctas vaticinarem desastres inomináveis, apenas porque a eleição, em vez de ser feita através de meia dúzia de barões e de negociatas políticas muito pouco claras em congresso, será feita através de eleições directas, em que o líder será eleito por sufrágio universal.
Aliás, isto não é nada de novo. Aconteceu com o PS e já tinha acontecido nas últimas eleições do PSD, as primeiras dos social-democratas em que foi aplicado o sistema das designadas eleições directas.
Ele é o perigo do populismo, da falta de capacidade de análise política das bases, da emotividade, eu sei lá! Tudo serve para atacar o sistema que - pasme-se! - tem como único defeito devolver o poder de eleição a todos os militantes, em igualdade de circunstâncias e com igual peso.
Isto demonstra bem o que pensa a maioria dos políticos, dos jornalistas, dos politólogos, dos comentadores e dos analistas acerca da democracia. O que pensam sobre a igualdade de direitos de todos os membros de um grupo.
Querem e defendem o voto de qualidade, em que meia dúzia define e escolhe o melhor para a maioria, uma vez que o povo é manifestamente incapaz de decidir correctamente por si. Salazar e todos os ditadores do mundo pensam(va) exactamente assim. Para quê votarem todos, se a maior parte não sabe o que é melhor para si?! Para quê, sequer, eleições, pergunto eu, uma vez que poderiam escolher entre eles todos os líderes?!
Esta é a lógica destes senhores que, entretanto, auto-proclamam-se democratas dos quatro costados e é vê-los nas televisões a partilharem os seus doutos pareceres sobre aquilo que é melhor ou pior para todos nós, numa ilegítima e completamente ignóbil tentativa de condicionar as opções de cada um.
É exactamente por isso que de cada vez que oiço todos estes sábios convenço-me que o melhor que tenho a fazer é seguir pelo caminho oposto ao que me sugerem.
Que vão ser paternalistas com as suas santas famílias, porque eu, enquanto membro do povinho, ainda prefiro ir agindo pela minha cabeça. Mas é sintomático do que pensam as ditas elites. E da verdadeira qualidade da nossa democracia, do seu rosto, quando desmaquilhado do politicamente correcto.
Aliás, isto não é nada de novo. Aconteceu com o PS e já tinha acontecido nas últimas eleições do PSD, as primeiras dos social-democratas em que foi aplicado o sistema das designadas eleições directas.
Ele é o perigo do populismo, da falta de capacidade de análise política das bases, da emotividade, eu sei lá! Tudo serve para atacar o sistema que - pasme-se! - tem como único defeito devolver o poder de eleição a todos os militantes, em igualdade de circunstâncias e com igual peso.
Isto demonstra bem o que pensa a maioria dos políticos, dos jornalistas, dos politólogos, dos comentadores e dos analistas acerca da democracia. O que pensam sobre a igualdade de direitos de todos os membros de um grupo.
Querem e defendem o voto de qualidade, em que meia dúzia define e escolhe o melhor para a maioria, uma vez que o povo é manifestamente incapaz de decidir correctamente por si. Salazar e todos os ditadores do mundo pensam(va) exactamente assim. Para quê votarem todos, se a maior parte não sabe o que é melhor para si?! Para quê, sequer, eleições, pergunto eu, uma vez que poderiam escolher entre eles todos os líderes?!
Esta é a lógica destes senhores que, entretanto, auto-proclamam-se democratas dos quatro costados e é vê-los nas televisões a partilharem os seus doutos pareceres sobre aquilo que é melhor ou pior para todos nós, numa ilegítima e completamente ignóbil tentativa de condicionar as opções de cada um.
É exactamente por isso que de cada vez que oiço todos estes sábios convenço-me que o melhor que tenho a fazer é seguir pelo caminho oposto ao que me sugerem.
Que vão ser paternalistas com as suas santas famílias, porque eu, enquanto membro do povinho, ainda prefiro ir agindo pela minha cabeça. Mas é sintomático do que pensam as ditas elites. E da verdadeira qualidade da nossa democracia, do seu rosto, quando desmaquilhado do politicamente correcto.
contributos para uma discussão fundamentada sobre o acordo ortográfico
A Língua portuguesa está a passar por um período de implantação, quer nos países Africanos de Língua Portuguesa, quer em Timor Leste. Na Guiné-Bissau esteve até para ser adoptado o Francês como língua oficial e em Timor-Leste o Inglês. Daí será fácil concluir que a língua portuguesa nas nossas ex-colónias não ficou muito bem cimentada. Esses países já não são colónias portuguesas, são livres e tanto poderão seguir o português falado em Portugal, por 10 milhões de habitantes, como o português falado no Brasil, por 220 milhões.
A teoria de Darwin é mesmo verdadeira e Portugal, se teimar em não se aproximar da versão de português do Brasil sujeita-se a ficar só e, mesmo assim, não vai conseguir manter a pureza da língua porque ela evolui todos os dias, independentemente da questão que agora se nos põe: todos os dias há termos que caem em desuso e outros novos que são adoptados pela nossa língua, em especial termos ingleses que são adoptados sem quaisquer modificações. Se não houver aproximações sucessivas ambas as versões do português continuarão a divergir e daqui a algumas gerações serão línguas completamente distintas. Será então a altura de Portugal confirmar que saiu a perder porque ficou agarrado a um tabu que não conseguiu ultrapassar.
O Brasil tem um impacto muito maior no mundo do que Portugal, dada a sua dimensão, população e poderio económico que em breve irá ter. O nosso português tem hoje algum peso muito em função dos novos países africanos PALOPs ) e de Timor Leste, mas ninguém garante que esses países não venham um dia a aproximar o seu português da versão brasileira e há até já alguns sinais nesse sentido. A população do Brasil permite altas tiragens das publicações que ficarão mais baratas e, se houver maior harmonização, as editoras portuguesas (e amanhã dos PALOPs ) poderão vender mais no Brasil. Se Portugal permanecer imutável um dia poderá ficar só: a língua portuguesa de Portugal será então considerada uma respeitável língua antiga (o Grego é ainda mais), da qual derivou uma outra falada e escrita por centenas de milhões de habitantes neste planeta. O nosso orgulho ficar-se-á por aí e pronto! Ambas as versões de português têm uma raiz comum e divergem há cerca de duzentos anos. Outros duzentos e já não nos entenderemos: terão que ser consideradas duas línguas distintas. O acordo ortográfico é uma decisão apenas política e quanto aos linguistas, apenas terão depois que assimilar as alterações e segui-las. Por exemplo: não se poderá alterar por decreto que uma molécula de água passa a ter dois átomos de oxigénio e outros dois de hidrogénio; ou que que 5 vezes 5 passa a ser 28 em vez de 25. Mas é poderá alterar-se por decreto a grafia de "acção" para "ação" e quem não o aceitar a alteração passa a cometer um erro. Com todo o respeito, mas também não são os Juízes e Advogados que legislam, apenas têm que interpretar e aplicar as leis. Portugal nada ganhará de imediato, mas tem muito a perder no futuro se rejeitar agora o acordo que o Brasil está disposto a aceitar.
Zé da Burra o Alentejano, deixado aqui
A teoria de Darwin é mesmo verdadeira e Portugal, se teimar em não se aproximar da versão de português do Brasil sujeita-se a ficar só e, mesmo assim, não vai conseguir manter a pureza da língua porque ela evolui todos os dias, independentemente da questão que agora se nos põe: todos os dias há termos que caem em desuso e outros novos que são adoptados pela nossa língua, em especial termos ingleses que são adoptados sem quaisquer modificações. Se não houver aproximações sucessivas ambas as versões do português continuarão a divergir e daqui a algumas gerações serão línguas completamente distintas. Será então a altura de Portugal confirmar que saiu a perder porque ficou agarrado a um tabu que não conseguiu ultrapassar.
O Brasil tem um impacto muito maior no mundo do que Portugal, dada a sua dimensão, população e poderio económico que em breve irá ter. O nosso português tem hoje algum peso muito em função dos novos países africanos PALOPs ) e de Timor Leste, mas ninguém garante que esses países não venham um dia a aproximar o seu português da versão brasileira e há até já alguns sinais nesse sentido. A população do Brasil permite altas tiragens das publicações que ficarão mais baratas e, se houver maior harmonização, as editoras portuguesas (e amanhã dos PALOPs ) poderão vender mais no Brasil. Se Portugal permanecer imutável um dia poderá ficar só: a língua portuguesa de Portugal será então considerada uma respeitável língua antiga (o Grego é ainda mais), da qual derivou uma outra falada e escrita por centenas de milhões de habitantes neste planeta. O nosso orgulho ficar-se-á por aí e pronto! Ambas as versões de português têm uma raiz comum e divergem há cerca de duzentos anos. Outros duzentos e já não nos entenderemos: terão que ser consideradas duas línguas distintas. O acordo ortográfico é uma decisão apenas política e quanto aos linguistas, apenas terão depois que assimilar as alterações e segui-las. Por exemplo: não se poderá alterar por decreto que uma molécula de água passa a ter dois átomos de oxigénio e outros dois de hidrogénio; ou que que 5 vezes 5 passa a ser 28 em vez de 25. Mas é poderá alterar-se por decreto a grafia de "acção" para "ação" e quem não o aceitar a alteração passa a cometer um erro. Com todo o respeito, mas também não são os Juízes e Advogados que legislam, apenas têm que interpretar e aplicar as leis. Portugal nada ganhará de imediato, mas tem muito a perder no futuro se rejeitar agora o acordo que o Brasil está disposto a aceitar.
Zé da Burra o Alentejano, deixado aqui
24.4.08
Ainda Jardim e os chacais
Compreendo e solidarizo-me com a indignação de Luís Filipe Malheiro (LFM) perante os insultos proferidos ontem por esses execráveis (en)comenta(da)dores na SIC Notícias, Ricardo Costa (que é um paladino da transparência e idoneidade, como todos nós sabemos) e Henrique Monteiro (que desde que chegou a director do Expresso mais não faz do que branquear e justificar toda a actividade do governo e do primeiro-ministro) contra Alberto João Jardim. Também a mim, revoltaram-se-me as entranhas. Não percebo contudo a estranheza de LFM. O que ali se passou ontem é apenas um pequeno exemplo do que iria suceder se Jardim fosse candidato a líder do PSD. E seria bem pior se por acaso fosse eleito.
Não tenho dúvidas que Alberto João Jardim tem arcaboiço para se defender de algumas destas jogadas nojentas, quiçá transformando-as em seu proveito. Ricardos Costas, Monteiros, e outros que tais não representam a população portuguesa. E acho que Jardim, com algum tempo, conseguiria virar o jogo a seu favor. Contudo, como já referi, não seria possível defender-se dos constantes ataques a que estaria sujeito e falar ao país. Não seria humanamente possível. Mesmo que a matilha não passasse de um bando de chacais a atacar o velho leão.
Portanto, insisto que me parece que faz bem em não avançar.
Por outro lado, tenho visto na blogosfera (independento)socialista madeirense o regozijo por este alegado recuo de Jardim. E isto sim espanta-me: então, o presidente do PSD/Madeira é convidado a avançar pelas distritais de Lisboa, Porto, Açores, Madeira, Algarve (nenhum candidato já anunciado se pode gabar de tanto apoio) e, por ainda não ter avançado, é apelidado de líder paroquial e de cobarde e de, alegadamente, ter saído de fininho?
Então rapaziada, onde anda a vossa sensibilidade política? Vocês integram um movimento (ainda se pode chamar aquilo de partido?) absolutamente ignorado pela direcção nacional (desconfio que a maior parte dos dirigentes do PS nunca ouviu falar nas figuras de proa do PS/Madeira dos últimos 10 anos) e ainda se reconhecem legitimidade para acusar Jardim de líder paroquial? O nome do homem é ventilado por todos os lados para líder nacional de um partido e afinal, nas vossas mentes brilhantes, isso não tem valor nenhum?
Sim senhor, hão-de me explicar o que é para vocês ter peso político. Deve ser, com certeza, escrever umas patacoadas na blogosfera e mandar uns bitaites sobre algumas coisas de que se percebe e outras de que se percebe menos.
Isto é não ter a mínima noção do ridículo e da sua real dimensão (serão os espelhos lá de casa demasiado grandes?).
Não tenho dúvidas que Alberto João Jardim tem arcaboiço para se defender de algumas destas jogadas nojentas, quiçá transformando-as em seu proveito. Ricardos Costas, Monteiros, e outros que tais não representam a população portuguesa. E acho que Jardim, com algum tempo, conseguiria virar o jogo a seu favor. Contudo, como já referi, não seria possível defender-se dos constantes ataques a que estaria sujeito e falar ao país. Não seria humanamente possível. Mesmo que a matilha não passasse de um bando de chacais a atacar o velho leão.
Portanto, insisto que me parece que faz bem em não avançar.
Por outro lado, tenho visto na blogosfera (independento)socialista madeirense o regozijo por este alegado recuo de Jardim. E isto sim espanta-me: então, o presidente do PSD/Madeira é convidado a avançar pelas distritais de Lisboa, Porto, Açores, Madeira, Algarve (nenhum candidato já anunciado se pode gabar de tanto apoio) e, por ainda não ter avançado, é apelidado de líder paroquial e de cobarde e de, alegadamente, ter saído de fininho?
Então rapaziada, onde anda a vossa sensibilidade política? Vocês integram um movimento (ainda se pode chamar aquilo de partido?) absolutamente ignorado pela direcção nacional (desconfio que a maior parte dos dirigentes do PS nunca ouviu falar nas figuras de proa do PS/Madeira dos últimos 10 anos) e ainda se reconhecem legitimidade para acusar Jardim de líder paroquial? O nome do homem é ventilado por todos os lados para líder nacional de um partido e afinal, nas vossas mentes brilhantes, isso não tem valor nenhum?
Sim senhor, hão-de me explicar o que é para vocês ter peso político. Deve ser, com certeza, escrever umas patacoadas na blogosfera e mandar uns bitaites sobre algumas coisas de que se percebe e outras de que se percebe menos.
Isto é não ter a mínima noção do ridículo e da sua real dimensão (serão os espelhos lá de casa demasiado grandes?).
23.4.08
Jardim mais forte
Não acredito que AJJ queira avançar para a liderança do PSD. Pelo menos, deste PSD. Mas o facto de ter sido apresentado como um dos possíveis candidatos dá-lhe uma força acrescida. Dá-lhe uma espécie de "voto de qualidade", ganhe quem ganhar as "directas". Em resumo, dá-lhe influência, protagonismo e ainda mais "peso político" no PSD nacional. Uma estratégia inteligente.
Post-Scriptum 1: Cunha Vaz concedeu, há cerca de um mês, uma grande entrevista na Revista do Diário. Dizia, a "páginas tantas", estar disponivel para ajudar o Governo Regional (a Região) a projectar-se no continente. Hoje, Cunha Vaz almoçou com Marco António e com o Presidente da Distrital do PSD de Lisboa. Os mesmos que lançaram o nome de Jardim para a "luta". Fica o apontamento...
Post-Scriptum 2: Pessoalmente, gostava de ver AJJ na liderança do PSD nacional. Creio que seria melhor do que qualquer um dos candidatos que até agora se apresentaram. Melhor, sobretudo, do que Manuela Ferreira Leite, uma espécie de regresso a um cavaquismo sem Cavaco. E sem presente. E sem futuro.
Post-Scriptum 1: Cunha Vaz concedeu, há cerca de um mês, uma grande entrevista na Revista do Diário. Dizia, a "páginas tantas", estar disponivel para ajudar o Governo Regional (a Região) a projectar-se no continente. Hoje, Cunha Vaz almoçou com Marco António e com o Presidente da Distrital do PSD de Lisboa. Os mesmos que lançaram o nome de Jardim para a "luta". Fica o apontamento...
Post-Scriptum 2: Pessoalmente, gostava de ver AJJ na liderança do PSD nacional. Creio que seria melhor do que qualquer um dos candidatos que até agora se apresentaram. Melhor, sobretudo, do que Manuela Ferreira Leite, uma espécie de regresso a um cavaquismo sem Cavaco. E sem presente. E sem futuro.
Prudência
Parece que de repente se uniram todos para fazer a cama a Alberto João Jardim. Agora é Patinha Antão, que parece querer queimar o presidente do Governo Regional da Madeira.
Sinceramente e sem mais delongas: acho que Jardim faria boa oposição a Sócrates e, no limite de conseguir vencer as legislativas - coisa que duvido pelos motivos que evocarei a seguir - acho igualmente que tem capacidade para ser um bom primeiro-ministro.
Não acho, contudo, que conseguisse vencer as eleições no PSD e ainda que conseguisse, tenho a perfeita convicção de que os políticos portugueses, da Direita à Esquerda, Comunicação Social e os lóbis instalados não lhe permitiriam um único momento de tréguas.
Seria atacado pelo que fez e não fez, disse e não disse, tem ou não tem. Estou profundamente convencido que a estrutura político-partidária e a comunicação social manipulada (que é quase toda, digam lá o que quiserem) centralista e instalada jamais iria aceitar Jardim numa actividade política em Lisboa.
Seria completamente vedada a possibilidade de desenvolver um projecto político numa eventual aventura pela capital. E se não me sobram dúvidas que o líder do PSD/Madeira tem arcaboiço, capacidade de encaixe e até algum calculismo político para virar algumas das contrariedades contra os seus mais directos adversários, temo que os trabalhos fossem demasiados grandes. Seria uma tarefa hérculea virar todos até para Jardim que sairia, irremediavelmente, derrotado desta luta.
O problema não é, como alguns querem fazer querer, Bruxelas ou Estrasburgo. A União Europeia já por diversas vezes demonstrou que não tem pruridos em se vergar perante líderes fortes (veja-se o caso dos manos polacos). Aliás, tenho certeza que Jardim conseguiria negociar com Bruxelas bem melhor do que qualquer outro dirigente português (como sempre fez).
O problema é mesma a inteligentsia política lisboeta.
Para além de que os anos de luta contra o continente deixou as suas cicatrizes. Grande parte dos continentais que conheço, mesmo aqueles que lhe admiram a obra, de forma aberta ou secretamente votaria contra si, porque não lhe perdoam tantas vitórias.
Não, Portugal não gosta de líderes genuínos e/ou foliões. Isso é para italianos. Nós gostamos mesmo é de cinzentões, ainda que não tenham ponta da dita, como é o caso manifesto do nosso primeiro-ministro.
Portanto, apesar da eventual (legítima) tentação, reforçada pelos apelos da suposta tropa que se parece juntar, Jardim deve ter muito cuidado. As tropas podem estar (na minha opinião, estarão) minadas por muitas toupeiras. Serão Cavalos de Tróia atrás de Cavalos de Tróia. E temo que estes apelos mais não sejam do que uma campanha para tentar humilhar Alberto João Jardim, pelos anos consecutivos de humilhação que provocou aos seus adversários. Algumas das suas vitórias, nem os seus camaradas de partido perdoaram. Por isso, o bom senso aconselha prudência, muita prudência.
De resto, acho que Jardim tem calo para perceber isto tudo. Pelo menos, assim espero!!
Sinceramente e sem mais delongas: acho que Jardim faria boa oposição a Sócrates e, no limite de conseguir vencer as legislativas - coisa que duvido pelos motivos que evocarei a seguir - acho igualmente que tem capacidade para ser um bom primeiro-ministro.
Não acho, contudo, que conseguisse vencer as eleições no PSD e ainda que conseguisse, tenho a perfeita convicção de que os políticos portugueses, da Direita à Esquerda, Comunicação Social e os lóbis instalados não lhe permitiriam um único momento de tréguas.
Seria atacado pelo que fez e não fez, disse e não disse, tem ou não tem. Estou profundamente convencido que a estrutura político-partidária e a comunicação social manipulada (que é quase toda, digam lá o que quiserem) centralista e instalada jamais iria aceitar Jardim numa actividade política em Lisboa.
Seria completamente vedada a possibilidade de desenvolver um projecto político numa eventual aventura pela capital. E se não me sobram dúvidas que o líder do PSD/Madeira tem arcaboiço, capacidade de encaixe e até algum calculismo político para virar algumas das contrariedades contra os seus mais directos adversários, temo que os trabalhos fossem demasiados grandes. Seria uma tarefa hérculea virar todos até para Jardim que sairia, irremediavelmente, derrotado desta luta.
O problema não é, como alguns querem fazer querer, Bruxelas ou Estrasburgo. A União Europeia já por diversas vezes demonstrou que não tem pruridos em se vergar perante líderes fortes (veja-se o caso dos manos polacos). Aliás, tenho certeza que Jardim conseguiria negociar com Bruxelas bem melhor do que qualquer outro dirigente português (como sempre fez).
O problema é mesma a inteligentsia política lisboeta.
Para além de que os anos de luta contra o continente deixou as suas cicatrizes. Grande parte dos continentais que conheço, mesmo aqueles que lhe admiram a obra, de forma aberta ou secretamente votaria contra si, porque não lhe perdoam tantas vitórias.
Não, Portugal não gosta de líderes genuínos e/ou foliões. Isso é para italianos. Nós gostamos mesmo é de cinzentões, ainda que não tenham ponta da dita, como é o caso manifesto do nosso primeiro-ministro.
Portanto, apesar da eventual (legítima) tentação, reforçada pelos apelos da suposta tropa que se parece juntar, Jardim deve ter muito cuidado. As tropas podem estar (na minha opinião, estarão) minadas por muitas toupeiras. Serão Cavalos de Tróia atrás de Cavalos de Tróia. E temo que estes apelos mais não sejam do que uma campanha para tentar humilhar Alberto João Jardim, pelos anos consecutivos de humilhação que provocou aos seus adversários. Algumas das suas vitórias, nem os seus camaradas de partido perdoaram. Por isso, o bom senso aconselha prudência, muita prudência.
De resto, acho que Jardim tem calo para perceber isto tudo. Pelo menos, assim espero!!
22.4.08
Breves sobre a Madeira
Pois, está mais do que visto que na Assembleia Legislativa Regional, a má educação, a rudeza e a infâmia (e, porque não, a estupidez) não são prerrogativas apenas de alguns (assim de cor, lembro-me de já aqui ter criticado Coito Pita, Baltazar Aguiar, Jaime Ramos, Victor Freitas, Rafaela Fernandes, ...). Desta vez é Leonel Nunes a proferir uma imbecilidade monumental. O que demonstra que na Madeira fazem falta políticos de qualidade, seja em que partido for...
O representante da burguesia bem humorada na Assembleia Legislativa Regional (ALR), esse inenarrável personagem chamado Baltazar Aguiar, suspendeu a sua actividade parlamentar (no seu caso, verdadeiramente paralamentar), alegadamente por motivos de indignação contra a forma como decorreu a visita do presidente da República à Madeira. É verdade, minhas senhoras e meus senhores, o homem indignado com uma atitude de outrem! Parece anedota, mas não é. A que ponto chega a hipocrisia...
Como se não bastasse, eis que para o substituir, mandam outro louco para a ALR. Digam lá se o PND tem, também, algum respeito pela casa da democracia madeirense?
Então, parece que toda a oposição madeirense (e, estou desconfiado, muito delfinato do PSD/Madeira) quer exilar Alberto João Jardim, enviando-o para o continente?! Não é que ele não quisesse, mas estou em crer que Jardim jamais deixaria penhorar a sua brilhante carreira política num projecto fracassado à partida. Alberto João Jardim é demasiado esperto para se deixar prender nessa ratoeira. Basta que, para tal, se lembre do que a classe política bem pensante e correcta(zinha) lisboeta fez ao Fernando Gomes...
O representante da burguesia bem humorada na Assembleia Legislativa Regional (ALR), esse inenarrável personagem chamado Baltazar Aguiar, suspendeu a sua actividade parlamentar (no seu caso, verdadeiramente paralamentar), alegadamente por motivos de indignação contra a forma como decorreu a visita do presidente da República à Madeira. É verdade, minhas senhoras e meus senhores, o homem indignado com uma atitude de outrem! Parece anedota, mas não é. A que ponto chega a hipocrisia...
Como se não bastasse, eis que para o substituir, mandam outro louco para a ALR. Digam lá se o PND tem, também, algum respeito pela casa da democracia madeirense?
Então, parece que toda a oposição madeirense (e, estou desconfiado, muito delfinato do PSD/Madeira) quer exilar Alberto João Jardim, enviando-o para o continente?! Não é que ele não quisesse, mas estou em crer que Jardim jamais deixaria penhorar a sua brilhante carreira política num projecto fracassado à partida. Alberto João Jardim é demasiado esperto para se deixar prender nessa ratoeira. Basta que, para tal, se lembre do que a classe política bem pensante e correcta(zinha) lisboeta fez ao Fernando Gomes...
21.4.08
Contra o PS vale tudo? Tem dias...
Acuso o toque. Mas, caro amigo, partes do princípio errado de que eu oponho-me a coligações. Não, bem pelo contrário, até sou a favor delas. Mais, reconheço todo o direito aos socialistas de se coligarem com quem bem lhes apetecer.
Na ocasião, manifestei-me contra uma ideia que me parecia estapafúrdia (e continua a parecer) que foi defendida por alguns socialistas e bloquistas (só ainda não percebi se a tua defesa desta ideia não passa de mais uma tirada anedótica, daquelas com que te divertes ao ver que há quem lhes pegue). Não me parece de todo razoável uma coligação que reúna à mesma mesa (que é para não dizer no mesmo tacho) socialistas (que não são bem socialistas, mas social-democratas), bloquistas, comunistas e democratas-cristãos (o CDS/PP ainda tem uma matriz democrata-cristã? É que se parecem cada vez mais com os ultra-liberais...). Mais, a ser uma coligação total, reuniria ainda os divertidos burgueses do PND e os oportunos(istas?) do MPT. Acho que apenas por brincadeira alguém poderá acreditar que tal coligação reuniria a confiança dos madeirenses. Lembra-te do que aconteceu com a coligação para as autárquicas em 2001, que penalizou todos os partidos que a integraram.
Portanto e sintetizando, reconheço que por vezes são necessárias coligações, mas só as admito em ocasiões excepcionais e entre partidos/movimentos que tenham uma matriz ideológica, se são semelhante, pelo menos próxima. O que não é, manifestamente, o caso.
Quanto à ideia defendida por Jardim, sinceramente e antes de saber quem liderará o PSD, não me parece que seja sequer de equacionar esta possibilidade. Poderá vir a ter de ser necessário uma AD, mas logo se verá. Tenho, contudo, muitas reservas, tendo em atenção a liderança do CDS/PP, uma vez que Paulo Portas é demasiado ansioso por protagonismo, para se submeter à natural liderança do PSD. Qualquer líder do maior partido, teria sempre a sombra de Portas, numa coisa demasiado bicéfala para que pudesse ser eficaz. Portanto, com Paulo Portas à frente do PP, apenas em caso de desespero é que admitiria uma nova AD.
Perguntas se contra o PS vale tudo. Não se trata de valer tudo, como muito bem sabes, uma vez que no PSD reúnem-se diversas sensibilidades ideológicas (social-democrata, democrata-cristã, personalismo, conservadora, liberal, etc.) que permitem e até aconselham uma coligação com um partido que tenha como matriz a democracia-cristã.
Mas se queres que te diga, sinceramente, contra este PS, acho que apenas bombas ficam de fora. E apenas para já...!
Na ocasião, manifestei-me contra uma ideia que me parecia estapafúrdia (e continua a parecer) que foi defendida por alguns socialistas e bloquistas (só ainda não percebi se a tua defesa desta ideia não passa de mais uma tirada anedótica, daquelas com que te divertes ao ver que há quem lhes pegue). Não me parece de todo razoável uma coligação que reúna à mesma mesa (que é para não dizer no mesmo tacho) socialistas (que não são bem socialistas, mas social-democratas), bloquistas, comunistas e democratas-cristãos (o CDS/PP ainda tem uma matriz democrata-cristã? É que se parecem cada vez mais com os ultra-liberais...). Mais, a ser uma coligação total, reuniria ainda os divertidos burgueses do PND e os oportunos(istas?) do MPT. Acho que apenas por brincadeira alguém poderá acreditar que tal coligação reuniria a confiança dos madeirenses. Lembra-te do que aconteceu com a coligação para as autárquicas em 2001, que penalizou todos os partidos que a integraram.
Portanto e sintetizando, reconheço que por vezes são necessárias coligações, mas só as admito em ocasiões excepcionais e entre partidos/movimentos que tenham uma matriz ideológica, se são semelhante, pelo menos próxima. O que não é, manifestamente, o caso.
Quanto à ideia defendida por Jardim, sinceramente e antes de saber quem liderará o PSD, não me parece que seja sequer de equacionar esta possibilidade. Poderá vir a ter de ser necessário uma AD, mas logo se verá. Tenho, contudo, muitas reservas, tendo em atenção a liderança do CDS/PP, uma vez que Paulo Portas é demasiado ansioso por protagonismo, para se submeter à natural liderança do PSD. Qualquer líder do maior partido, teria sempre a sombra de Portas, numa coisa demasiado bicéfala para que pudesse ser eficaz. Portanto, com Paulo Portas à frente do PP, apenas em caso de desespero é que admitiria uma nova AD.
Perguntas se contra o PS vale tudo. Não se trata de valer tudo, como muito bem sabes, uma vez que no PSD reúnem-se diversas sensibilidades ideológicas (social-democrata, democrata-cristã, personalismo, conservadora, liberal, etc.) que permitem e até aconselham uma coligação com um partido que tenha como matriz a democracia-cristã.
Mas se queres que te diga, sinceramente, contra este PS, acho que apenas bombas ficam de fora. E apenas para já...!
Basta que sim...
Uma vez mais, cá está o Miguel sem papas na língua. Uma vez mais, subscrevo o que afirma.
Acordo ortográfico: contributos para uma reflexão
Está boa e acesa a discussão sobre o Acordo Ortográfico.
Para já, estou apenas na fase de recolha de informação. Reconheço não ter opinião formada. Mas concordo que não devia ser assinado um Acordo Ortográfico sem o beneplácito unânime dos linguistas. Porque isto de percebermos um bocadinho de tudo e não ser bom em nada tem vantagens, mas também tem as suas desvantagens - eu que o diga!
Continuo acompanhar.
Para já, estou apenas na fase de recolha de informação. Reconheço não ter opinião formada. Mas concordo que não devia ser assinado um Acordo Ortográfico sem o beneplácito unânime dos linguistas. Porque isto de percebermos um bocadinho de tudo e não ser bom em nada tem vantagens, mas também tem as suas desvantagens - eu que o diga!
Continuo acompanhar.
20.4.08
Porque a luta contra o Estado Novo não foi feita apenas por homens II
Teresa Torga, na versão de Júlio Pereira
No centro a da Avenida
No cruzamento da rua
Às quatro em ponto perdida
Dançava uma mulher nua
A gente que via a cena
Correu para junto dela
No intuito de vesti-la
Mas surge António Capela
Que aproveitando a barbuda
Só pensa em fotografá-la
Mulher na democracia
Não é biombo de sala
Dizem que se chama Teresa
Seu nome é Teresa Torga
Muda o pick-up em Benfica
Atura a malta da borga
Aluga quartos de casa
Mas já foi primeira estrela
Agora é modelo à força
Que o diga António Capela
T'resa Torga T'resa Torga
Vencida numa fornalha
Não há bandeira sem luta
Não há luta sem batalha
Zeca Afonso, Com as minhas tamanquinhas
Para ouvir toda discografia do Zeca, faça o favor de vir aqui.
No centro a da Avenida
No cruzamento da rua
Às quatro em ponto perdida
Dançava uma mulher nua
A gente que via a cena
Correu para junto dela
No intuito de vesti-la
Mas surge António Capela
Que aproveitando a barbuda
Só pensa em fotografá-la
Mulher na democracia
Não é biombo de sala
Dizem que se chama Teresa
Seu nome é Teresa Torga
Muda o pick-up em Benfica
Atura a malta da borga
Aluga quartos de casa
Mas já foi primeira estrela
Agora é modelo à força
Que o diga António Capela
T'resa Torga T'resa Torga
Vencida numa fornalha
Não há bandeira sem luta
Não há luta sem batalha
Zeca Afonso, Com as minhas tamanquinhas
Para ouvir toda discografia do Zeca, faça o favor de vir aqui.
Porque a luta contra o Estado Novo não foi feita apenas por homens I
Catarina EufémiaChamava-se Catarina
O Alentejo a viu nascer
Serranas viram-na em vida
Baleizão a viu morrer
Ceifeiras na manhã fria
Flores na campa lhe vão pôr
Ficou vermelha a campina
Do sangue que então brotou
Acalma o furor campina
Que o teu pranto não findou
Quem viu morrer Catarina
Não perdoa a quem matou
Não perdoa a quem matou
Aquela pomba tão branca
Todos a querem p'ra si
Ó Alentejo queimado
Ninguém se lembra de ti
Aquela andorinha negra
Bate as asas p'ra voar
Ó Alentejo esquecido
Inda um dia hás-de cantar
Zeca Afonso, Cantar Alentejano
Cafés de Abril
Ontem assisti a mais um fabuloso espectáculo que celebra Abril. Há sempre alguém que resiste reuniu no mesmo palco algumas das melhores vozes de Évora, em volta das palavras e dos sons de Adriano Correia de Oliveira, José Mário Branco e Zeca Afonso.A abrir, a quente voz da titia Isabel Bilou, ao som do grave contra-baixo de Joaquim Gil Nave.
Depois, as palavras ditas por José Lourido. A finalizar, mais um delicioso concerto de Nuno do Ó, importante intérprete da música de intervenção portuguesa.
Este espectáculo integrou a iniciativa Cafés de Abril, que termina quinta-feira, dia 24 de Abril, com o concerto BABOZA AFRO MUSIC, num fraterno abraço lusófono.
17.4.08
Imprensa livre... mas pouco.
Em dois dias cerca de 60 mil trabalhadores da administração pública saíram à rua e, percorrendo a comunicação social portuguesa, parece que nada aconteceu.Digam o que quiserem, mas a verdade é que a coincidência (?) da tradicional propensão dos órgãos públicos de comunicação social para bajular o poder, com a entrada de Pina Moura para a Media Capital e um interesse ainda não totalmente claro do grupo Impresa em proteger este governo da República, (o Expresso e os boletins noticiosos da SIC têm roçado o servilismo mais básico), ameaça estrangular definitivamente a pluralidade, a transparência, o rigor e a isenção da informação em Portugal.
Aguenta, Chalana
16.4.08
Sensibilidade e bom senso II*
Sinceramente, para quem tanto clama por transparência, rigor e honestidade, começa a soar demasiado hipócrita todas as suspeições - sem qualquer sombra de prova ou sequer de argumento válido - levantadas pelo deputado Carlos Pereira no seu blog.
E é curioso que, sendo independente, conforme faz questão de gritar tantas vezes, assuma todo o odioso do Partido Socialista madeirense: lançar suspeitas sobre a honestidade e idoneidade dos outros, assim ao jeito do Pravda e do Garajau.
Não deixa mesmo de ser estranho que outras figuras de proa do PS, como Miguel Fonseca, André Escórcio e Rui Caetano assumam, nos seus blogs, posições bem mais comedidas e infinitamente menos demagógicas. Cada um com o seu estilo e forma de estar na blogosfera (a sátira, qualidade literária e profundidade de Miguel Fonseca; as legítimas e - quer me parecer - as apartidárias preocupações sociais de Rui Caetano; e a experiência, pertinência e perspicácia políticas de André Escórcio) contribuem e de que maneira para o debate (ou, pelo menos, reflexão a) sério. Já a maior parte (porque, em boa verdade, por vezes Carlos Pereira esquece os demónios e os ódios pessoais e produz reflexões pertinentes) das investidas do deputado nada acrescentam ao debate político da blogosfera.
Acusar-me-ão do mesmo, que nisto de crítica fácil, reconheço-me muita qualidade. Limito-me a dar asas ao que penso, sem qualquer tipo de lapidação. Vai em bruto, como me ocorre. Mas eu não sou, nem tenho aspirações a político. E, por muita legitimidade que reconheça ao cidadão Carlos Pereira para expandir a sua indignação, ele não é um cidadão anónimo. Tem responsabilidades políticas conferidas pelo voto de milhares de cidadãos e tem a obrigação de ser responsável nas suas afirmações. Porque, não sendo esquizofrénico, o que Carlos Pereira escreve não o responsabiliza apenas a ele. As repercussões ultrapassam-no.
* Título de um livro de Jane Austen
E é curioso que, sendo independente, conforme faz questão de gritar tantas vezes, assuma todo o odioso do Partido Socialista madeirense: lançar suspeitas sobre a honestidade e idoneidade dos outros, assim ao jeito do Pravda e do Garajau.
Não deixa mesmo de ser estranho que outras figuras de proa do PS, como Miguel Fonseca, André Escórcio e Rui Caetano assumam, nos seus blogs, posições bem mais comedidas e infinitamente menos demagógicas. Cada um com o seu estilo e forma de estar na blogosfera (a sátira, qualidade literária e profundidade de Miguel Fonseca; as legítimas e - quer me parecer - as apartidárias preocupações sociais de Rui Caetano; e a experiência, pertinência e perspicácia políticas de André Escórcio) contribuem e de que maneira para o debate (ou, pelo menos, reflexão a) sério. Já a maior parte (porque, em boa verdade, por vezes Carlos Pereira esquece os demónios e os ódios pessoais e produz reflexões pertinentes) das investidas do deputado nada acrescentam ao debate político da blogosfera.
Acusar-me-ão do mesmo, que nisto de crítica fácil, reconheço-me muita qualidade. Limito-me a dar asas ao que penso, sem qualquer tipo de lapidação. Vai em bruto, como me ocorre. Mas eu não sou, nem tenho aspirações a político. E, por muita legitimidade que reconheça ao cidadão Carlos Pereira para expandir a sua indignação, ele não é um cidadão anónimo. Tem responsabilidades políticas conferidas pelo voto de milhares de cidadãos e tem a obrigação de ser responsável nas suas afirmações. Porque, não sendo esquizofrénico, o que Carlos Pereira escreve não o responsabiliza apenas a ele. As repercussões ultrapassam-no.
* Título de um livro de Jane Austen
14.4.08
Carta ao fisco
Querido Fisco
No meu casamento, que se realizou no dia ..., estiveram presentes 120 convidados: 89 adultos, 9 crianças e 2 bebés. A festa teve lugar na Quinta ... do meu padrinho Luís M. que me presenteou a boda ( as cópias dos talões do talho, da mercearia e da peixaria seguem em anexo).
A minha tia Alzira S., que é costureira, fez-me o vestido e não cobrou nadinha, mas gastei 60€ em tecidos, 34,5€ nas rendas e bordados e 18,75€ em linhas, botões e alfinetes. As meias e as ligas ficaram por 35€, conforme recibos que envio. O noivo usou o fato da Comunhão Solene com umas ligeiras alterações (a Tia Alzira não cobrou nada).
O meu irmão foi o fotógrafo de serviço. Todas as fotografias foram enviadas aos convidados por e-mail, que imprimirão as que entenderem por sua conta.
Não foi alugada qualquer viatura. Eu fui na Charrete do Sr. José M., que andou comigo ao colo e é como um pai para mim. O Manuel ( o noivo) foi de mota: a mota dele que ainda está a acabar de pagar, conforme se comprova com documento.
As flores foram todas do jardim da minha avó Margarida e a minha prima Mariana F. que é uma moça muito prendada fez os arranjos.
A animação da festa esteve a cargo do irmão e dos primos do Manuel, que têm uma banda - os 'Sempr'Abrir' que merecem ter sucesso.
Não pudemos aceitar nenhum dos presentes, uma vez que não vinham acompanhados dos recibos.
Os charutos cubanos que um amigo nosso nos trouxe de Cuba ficaram para nós, porque não os declaramos na Alfândega, e assim não os podíamos oferecer para agora provar o seu custo.
Os preservativos comprou-os o Manuel naquelas máquinas que estão longas horas ao Sol (porque é um rapaz muito introvertido), mas que não dão recibos, o que me permite escusar-me a revelar o seu número, não vá, daqui a alguns anos, lembrares-te de cobrar retroactivamente uma taxa pelas que foram dadas na lua de mel.
Maria Julieta Silva Chibo e Manuel António Sousa Chibo
Recebida via e-mail.
Perante a evidência do patético só nos resta rir.
No meu casamento, que se realizou no dia ..., estiveram presentes 120 convidados: 89 adultos, 9 crianças e 2 bebés. A festa teve lugar na Quinta ... do meu padrinho Luís M. que me presenteou a boda ( as cópias dos talões do talho, da mercearia e da peixaria seguem em anexo).
A minha tia Alzira S., que é costureira, fez-me o vestido e não cobrou nadinha, mas gastei 60€ em tecidos, 34,5€ nas rendas e bordados e 18,75€ em linhas, botões e alfinetes. As meias e as ligas ficaram por 35€, conforme recibos que envio. O noivo usou o fato da Comunhão Solene com umas ligeiras alterações (a Tia Alzira não cobrou nada).
O meu irmão foi o fotógrafo de serviço. Todas as fotografias foram enviadas aos convidados por e-mail, que imprimirão as que entenderem por sua conta.
Não foi alugada qualquer viatura. Eu fui na Charrete do Sr. José M., que andou comigo ao colo e é como um pai para mim. O Manuel ( o noivo) foi de mota: a mota dele que ainda está a acabar de pagar, conforme se comprova com documento.
As flores foram todas do jardim da minha avó Margarida e a minha prima Mariana F. que é uma moça muito prendada fez os arranjos.
A animação da festa esteve a cargo do irmão e dos primos do Manuel, que têm uma banda - os 'Sempr'Abrir' que merecem ter sucesso.
Não pudemos aceitar nenhum dos presentes, uma vez que não vinham acompanhados dos recibos.
Os charutos cubanos que um amigo nosso nos trouxe de Cuba ficaram para nós, porque não os declaramos na Alfândega, e assim não os podíamos oferecer para agora provar o seu custo.
Os preservativos comprou-os o Manuel naquelas máquinas que estão longas horas ao Sol (porque é um rapaz muito introvertido), mas que não dão recibos, o que me permite escusar-me a revelar o seu número, não vá, daqui a alguns anos, lembrares-te de cobrar retroactivamente uma taxa pelas que foram dadas na lua de mel.
Maria Julieta Silva Chibo e Manuel António Sousa Chibo
Recebida via e-mail.
Perante a evidência do patético só nos resta rir.
Impressionante

Garantem que a foto é real, da autoria de Agostinho Spínola e que foi publicada no Diário de Notícias da Madeira.
Não tendo razões para duvidar, parece-me difícil ser manipulada, pois o contínuo da onda é brutal. O que aumenta a minha perplexidade. Quem não conhece as Poças do Gomes (conjunto de piscinas naturais também conhecidas por Doca do Cavacas) poderá não perceber bem a dimensão do pequeno monstro, mas para quem ali passou verões (e invernos) inteiros, quem já viu marés vivas e conhece a profundidade, esta onda apenas poderá ser adjectivada de monumental. Porque não se compara a nada que eu tenha já ali visto (e já vi tempestades enormes...). Impressionante!
Parabéns ao autor da fotografia.
13.4.08
PS vota contra complemento de reforma para idosos madeirenses
Uns tipinhos que se afirmam socialistas eleitos para defender o povo madeirense, votaram contra uma proposta de lei da Assembleia Legislativa da Madeira, que propunha a atribuição de um complemento mensal de pensão de 50 euros a todos os cidadãos residentes de forma permanente na Madeira que usufruam de pensão por velhice, invalidez ou pensão social.
Votam contra os idosos madeirenses e ainda têm cara de pau para justificar o seu voto.
E não percebem porque é que os madeirenses não confiam neles. Começo a achar que o problema não é apenas político ou sequer de competência. O caso pode mesmo ser patológico...
Votam contra os idosos madeirenses e ainda têm cara de pau para justificar o seu voto.
E não percebem porque é que os madeirenses não confiam neles. Começo a achar que o problema não é apenas político ou sequer de competência. O caso pode mesmo ser patológico...
Cantar de emigração
Os tempos que vivemos são preocupantes. A nossa democracia não está apenas doente: está em risco. Por isso nunca é demais recordar Abril e as suas vozes. É o que tenho feito. Deixo-vos com o Cantar da emigração, de Adriano Correia de Oliveira. Para nos recordarmos que o fenómeno da emigração regressou. E para não perdermos essa capacidade de nos perguntarmos porquê!
Poema de liberdade
Queixa das almas jovens censuradas*
Dão-nos um lírio e um canivete
E uma alma para ir à escola
E um letreiro que promete
Raízes, hastes e corola.
Dão-nos um mapa imaginário
Que tem a forma duma cidade
Mais um relógio e um calendário
Onde não vem a nossa idade.
Dão-nos a honra de manequim
Para dar corda à nossa ausência.
Dão-nos o prémio de ser assim
Sem pecado e sem inocência.
Dão-nos um barco e um chapéu
Para tirarmos o retrato.
Dão-nos bilhetes para o céu
Levado à cena num teatro.
Penteiam-nos os crânios ermos
Com as cabeleiras dos avós
Para jamais nos parecermos
Connosco quando estamos sós.
Dão-nos um bolo que é a história
Da nossa história sem enredo
E não nos soa na memória
Outra palavra para o medo.
Temos fantasmas tão educados
Que adormecemos no seu ombro
Sonos vazios, despovoados
De personagens do assombro.
Dão-nos a capa do evangelho
E um pacote de tabaco.
Dão-nos um pente e um espelho
Para pentearmos um macaco.
Dão-nos um cravo preso à cabeça
E uma cabeça presa à cintura
Para que o corpo não pareça
A forma da alma que o procura.
Dão-nos um esquife feito de ferro
Com embutidos de diamante
Para organizar já o enterro
Do nosso corpo mais adiante.
Dão-nos um nome e um jornal,
Um avião e um violino.
Mas não nos dão o animal
Que espeta os cornos no destino.
Dão-nos marujos de papelão
Com carimbo no passaporte.
Por isso a nossa dimensão
Não é a vida. Nem é a morte.
Natália Correia
* Magistralmente musicado e interpretado por José Mário Branco
Dão-nos um lírio e um canivete
E uma alma para ir à escola
E um letreiro que promete
Raízes, hastes e corola.
Dão-nos um mapa imaginário
Que tem a forma duma cidade
Mais um relógio e um calendário
Onde não vem a nossa idade.
Dão-nos a honra de manequim
Para dar corda à nossa ausência.
Dão-nos o prémio de ser assim
Sem pecado e sem inocência.
Dão-nos um barco e um chapéu
Para tirarmos o retrato.
Dão-nos bilhetes para o céu
Levado à cena num teatro.
Penteiam-nos os crânios ermos
Com as cabeleiras dos avós
Para jamais nos parecermos
Connosco quando estamos sós.
Dão-nos um bolo que é a história
Da nossa história sem enredo
E não nos soa na memória
Outra palavra para o medo.
Temos fantasmas tão educados
Que adormecemos no seu ombro
Sonos vazios, despovoados
De personagens do assombro.
Dão-nos a capa do evangelho
E um pacote de tabaco.
Dão-nos um pente e um espelho
Para pentearmos um macaco.
Dão-nos um cravo preso à cabeça
E uma cabeça presa à cintura
Para que o corpo não pareça
A forma da alma que o procura.
Dão-nos um esquife feito de ferro
Com embutidos de diamante
Para organizar já o enterro
Do nosso corpo mais adiante.
Dão-nos um nome e um jornal,
Um avião e um violino.
Mas não nos dão o animal
Que espeta os cornos no destino.
Dão-nos marujos de papelão
Com carimbo no passaporte.
Por isso a nossa dimensão
Não é a vida. Nem é a morte.
Natália Correia
* Magistralmente musicado e interpretado por José Mário Branco
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