Digo-o desde já: a mim não me preocupam as patetices que o Sócrates diz acerca do Tratado de Lisboa, uma vez que para efeitos de construção europeia, o primeiro-ministro português tem o mesmo peso que o líder cipriota, lituano ou esloveno, ou seja, próximo do zero.
Mas preocupam-me as tentativas mal-disfarçadas dos líderes europeus de tentar mandar às malvas o desejo do povo irlandês. Sempre que falam em encontrar soluções, a mim soa-me que o que pretendem é arranjar uma manigância legal qualquer para ultrapassar o impasse que o Não irlandês impôs ao processo de ratificação.
Há quem defenda que o povo irlandês não tem legitimidade para sequestrar este Tratado (atenção, não são os povos europeus que estão reféns, porque a verdade é que não foram chamados a pronunciarem-se). Mas isto é que é a democracia e, por enquanto, os países europeus ainda têm soberania para fazer cumprir as suas próprias constituições. No caso da Irlanda, o povo foi chamado (e bem) a pronunciar-se e manifestou-se contra. Podemos escalpelizar os motivos para esse Não, mas a verdade é que 53% dos votantes recusaram este Tratado.
Ora, se o documento, para entrar em vigor, exige a ratificação por parte de todos os estados-membro e se nem todos o podem fazer, a solução é simples: pare-se o processo. Há dois anos a vontade dos povos holandês e francês foi respeitada: será menor a legitimidade do povo irlandês? Não imitemos o que os ingleses têm feito há séculos...
A solução que deve ocupar as mentes dos líderes e burocratas europeus tem de passar, obrigatoriamente, por um mudar de rumo. É fundamental a definição de um conjunto de regras básicas que permitam administrar eficazmente a União, mas nem a Europa está ingovernável sem este Tratado (o de Nice continua a servir perfeitamente), nem será possível aprofundar o processo de unidade europeia contra a vontade dos seus povos.
Se o que querem, acreditam e defendem é um aprofundamento da unificação europeia, então elabore-se um documento minimamente perceptível, promova-se a sua discussão abrangente em todos os estados-membro, apresente-se os motivos pelos quais é necessário e, tenho certeza, nenhum povo europeu votará contra. E se, após um processo transparente, de discussão alargada, em referendo, algum povo manifestar-se contra esse aprofundamento, então é porque ele não é possível. Se as diferenças sociais, culturais, económicas e históricas falarem mais alto, não adianta insistir num processo moribundo.
Porque a alternativa que os líderes europeus procuram a mais não vai levar do que a um lento definhar dessa unidade que juram defender, com consequências absolutamente imprevisíveis. Porque é fazendo política assim, nas costas do povo, que se reforçam os movimentos radicais.
"Reúne sete ou oito sábios e tornar-se-ão outros tantos tolos, pois incapazes de chegar a acordo entre eles, discutem as coisas em vez de as fazerem" - António da Venafro
20.6.08
Ainda é tempo de mudar o final
Meu coração está aos pulos!
Quantas vezes minha esperança será posta à prova?
Por quantas provas terá ela que passar?
Tudo isso que está aí no ar: malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro, do meu dinheiro, do nosso dinheiro que reservamos duramente pra educar os meninos mais pobres que nós, pra cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais.
Esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais.
Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança vai ser posta à prova?
Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais?
É certo que tempos difíceis existem pra aperfeiçoar o aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz.
Meu coração tá no escuro.
A luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e os justos que os precederam:
" - Não roubarás!"
" - Devolva o lápis do coleguinha!"
" - Esse apontador não é seu, minha filha!"
Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido que escutar. Até habeas-corpus preventivo, coisa da qual nunca tinha visto falar, e sobre o qual minha pobre lógica ainda insiste: esse é o tipo de benefício que só ao culpado interessará.
Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do meu povo sofrido, então agora eu vou sacanear: mais honesta ainda eu vou ficar. Só de sacanagem!
Dirão:
“ - Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo o mundo rouba.”
E eu vou dizer:
”- Não importa! Será esse o meu carnaval. Vou confiar mais e outra vez. Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos. Vamos pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês. Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o escambau.”
Dirão:
" - É inútil, todo o mundo aqui é corrupto, desde o primeiro homem que veio de Portugal”.
E eu direi:
” - Não admito! Minha esperança é imortal!”
E eu repito, ouviram?
IMORTAL!!!
Sei que não dá pra mudar o começo, mas, se a gente quiser, vai dar pra mudar o final.
Elisa Lucinda
Quantas vezes minha esperança será posta à prova?
Por quantas provas terá ela que passar?
Tudo isso que está aí no ar: malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro, do meu dinheiro, do nosso dinheiro que reservamos duramente pra educar os meninos mais pobres que nós, pra cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais.
Esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais.
Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança vai ser posta à prova?
Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais?
É certo que tempos difíceis existem pra aperfeiçoar o aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz.
Meu coração tá no escuro.
A luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e os justos que os precederam:
" - Não roubarás!"
" - Devolva o lápis do coleguinha!"
" - Esse apontador não é seu, minha filha!"
Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido que escutar. Até habeas-corpus preventivo, coisa da qual nunca tinha visto falar, e sobre o qual minha pobre lógica ainda insiste: esse é o tipo de benefício que só ao culpado interessará.
Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do meu povo sofrido, então agora eu vou sacanear: mais honesta ainda eu vou ficar. Só de sacanagem!
Dirão:
“ - Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo o mundo rouba.”
E eu vou dizer:
”- Não importa! Será esse o meu carnaval. Vou confiar mais e outra vez. Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos. Vamos pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês. Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o escambau.”
Dirão:
" - É inútil, todo o mundo aqui é corrupto, desde o primeiro homem que veio de Portugal”.
E eu direi:
” - Não admito! Minha esperança é imortal!”
E eu repito, ouviram?
IMORTAL!!!
Sei que não dá pra mudar o começo, mas, se a gente quiser, vai dar pra mudar o final.
Elisa Lucinda
19.6.08
Tu disseste
Tu disseste "agora procuro o desígnio da vida. às vezes penso encontrá-lo num bater de asas,
num murmúrio trazido pelo vento, no piscar de um néon. escrevo páginas e páginas a tentar formalizá-lo.
depois queimo tudo e prossigo a minha busca"
Eu disse "eu não faço nada. fico horas a olhar para uma mancha na parede"
Tu disseste "e nunca sentiste a mancha a alastrar, as suas formas num palpitar quase imperceptível?"
Eu disse "não. a mancha continua no mesmo sítio, eu continuo a olhar para ela e não se passa nada"
Tu disseste "e no entanto a mancha alastra e toma conta de ti. liberta-te do corpo. tu é que não vês"
Eu disse "o que é que isso interessa?"
Tu disseste "...nada"
Eu disse "o que é que isso interessa?"
Tu disseste "...nada"
Adolfo Luxúria Canibal
num murmúrio trazido pelo vento, no piscar de um néon. escrevo páginas e páginas a tentar formalizá-lo.
depois queimo tudo e prossigo a minha busca"
Eu disse "eu não faço nada. fico horas a olhar para uma mancha na parede"
Tu disseste "e nunca sentiste a mancha a alastrar, as suas formas num palpitar quase imperceptível?"
Eu disse "não. a mancha continua no mesmo sítio, eu continuo a olhar para ela e não se passa nada"
Tu disseste "e no entanto a mancha alastra e toma conta de ti. liberta-te do corpo. tu é que não vês"
Eu disse "o que é que isso interessa?"
Tu disseste "...nada"
Eu disse "o que é que isso interessa?"
Tu disseste "...nada"
Adolfo Luxúria Canibal
16.6.08
Pura demagogia
Quando o primeiro-ministro diz que em 2009 todas as escolas terão cartão electrónico do aluno, refere-se também às escolas básicas de 1º ciclo (cuja gestão já é partilhada pelas autarquias que, por seu lado, ainda não viram um chavo do governo para a aquisição de equipamentos tecnológicos básicos, quanto mais o cartão electrónico) e de 2º e 3º ciclo, cuja gestão também se prevê ser descentralizada para as autarquias ainda antes do próximo ano lectivo? Ou, passando todos os encargos com o ensino básico para as autarquias, Sócrates fala daquelas maravilhas todas apenas para as secundárias, as únicas que para já ficam sob a alçada do Ministério da Educação?... É que ainda por cima, conhecendo a lendária má-fé nas transferências de competências para as autarquias, não me admiro nada que depois venham exigir que estas façam num ano o que a administração central não fez em 30 (nem este governo em 3) anos.
Sinceramente e para quem conhece a realidade das escolas portuguesas, todo o discurso de Sócrates não passou de mera demagogia...
Áh, e já agora, não eram apenas duas dezenas de manifestantes e não eram apenas professores. Soubemos de casos (naturalmente censurados pela comunicação social) de alunos que se recusaram a apertar a mão do primeiro-ministro. Mas deviam ser todos comunistas, estes malvados destes jovens...
Sinceramente e para quem conhece a realidade das escolas portuguesas, todo o discurso de Sócrates não passou de mera demagogia...
Áh, e já agora, não eram apenas duas dezenas de manifestantes e não eram apenas professores. Soubemos de casos (naturalmente censurados pela comunicação social) de alunos que se recusaram a apertar a mão do primeiro-ministro. Mas deviam ser todos comunistas, estes malvados destes jovens...
ERSE ou um bando de malfeitores?!
Ora, digam-me lá se a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) não é mesmo apenas um bando de malfeitores que têm como objectivo único servir as empresas cuja actividade deviam regular?
Então, depois daquela outra proposta de aumento da tarifa da electricidade em 15%, vêm agora estes craniozinhos (não, não são as bonequinhas do Prof. Solanka, da Fúria, de Salman Rushdie) propor que os clientes cumpridores paguem as dívidas dos não cumpridores... Então, eu que pago o serviço que contratei, tenho ainda que pagar os calotes de outrem, para que a empresa não tenha prejuízo? E os senhores da ERSE acham que esta é uma proposta razoável?
Mas como se não bastasse, eis o argumento fantástico: evitar que a EDP recorra a expedientes pouco transparentes para afectar, na mesma, a dívida aos clientes cumpridores.
Então senhores da ERSE, porque raio andamos todos a pagar ordenados milionários a V/ Exas. se não para garantir que o mercado energético funciona com transparência? Para que servirão então?
Olha que estes não param de surpreender...
PS - Espero que os portugueses estejam atentos e manifestem a sua indignação por esta proposta ser sequer equacionada. Por mim, farei seguir mais ou menos o conteúdo deste post.
Então, depois daquela outra proposta de aumento da tarifa da electricidade em 15%, vêm agora estes craniozinhos (não, não são as bonequinhas do Prof. Solanka, da Fúria, de Salman Rushdie) propor que os clientes cumpridores paguem as dívidas dos não cumpridores... Então, eu que pago o serviço que contratei, tenho ainda que pagar os calotes de outrem, para que a empresa não tenha prejuízo? E os senhores da ERSE acham que esta é uma proposta razoável?
Mas como se não bastasse, eis o argumento fantástico: evitar que a EDP recorra a expedientes pouco transparentes para afectar, na mesma, a dívida aos clientes cumpridores.
Então senhores da ERSE, porque raio andamos todos a pagar ordenados milionários a V/ Exas. se não para garantir que o mercado energético funciona com transparência? Para que servirão então?
Olha que estes não param de surpreender...
PS - Espero que os portugueses estejam atentos e manifestem a sua indignação por esta proposta ser sequer equacionada. Por mim, farei seguir mais ou menos o conteúdo deste post.
Centrista
Seguindo a proposta do Madeira, minha vida, fiz o teste, apresentando como resultado final centrista, a puxar para o liberal e conservador. Não sei bem o que será ser centrista (a explicação do site não me convence), mas apraz-me saber que nem nestes pseudo-testes me perfilho à esquerda. Por outro lado, as perguntas são demasiado limitadas para que nos dê um resultado sério. Não deixa, contudo, de ser divertido!
PS - Gostaria de colocar a imagem com o resultado, mas estou com um problema no Intenet Explorer e o raio do Firefox não me deixa colocar fotos.
PS - Gostaria de colocar a imagem com o resultado, mas estou com um problema no Intenet Explorer e o raio do Firefox não me deixa colocar fotos.
13.6.08
Memórias II

E por falar em memórias, aqui vai outra!
"(...) With the lights out its less dangerous
Here we are now
Entertain us
I feel stupid and contagious
Here we are now
Entertain us
A mulatto
An albino
A mosquito
My libido
Yea (...)"
Memórias
Há quanto tempo, meu Deus! Que dramas foram vividos ao ouvir Creep! Quanta tragédia! Quantos desencontros...
When you were here before,
Couldn't look you in the eye
You're just like an angel,
Your skin makes me cry
You float like a feather
In a beautiful world
I wish I was special
You're so fuckin special
But I'm a creep,
I'm a weirdo
What the hell am I doin' here?
I don't belong here
I don't care if it hurts,
I wanna have control
I want a perfect body
I want a perfect soul
I want you to notice
when I'm not around
You're so fuckin special
I wish I was special
But I'm a creep
I'm a weirdo
What the hell am I doin' here?
I don't belong here,
ohhhh, ohhhh
She's running out the door
She's running out
She run run run run...run...
Whatever makes you happy
Whatever you want
You're so fuckin special
I wish I was special
But I'm a creep,
I'm a weirdo
What the hell am I doin' here?
I don't belong here
I don't belong here...
When you were here before,
Couldn't look you in the eye
You're just like an angel,
Your skin makes me cry
You float like a feather
In a beautiful world
I wish I was special
You're so fuckin special
But I'm a creep,
I'm a weirdo
What the hell am I doin' here?
I don't belong here
I don't care if it hurts,
I wanna have control
I want a perfect body
I want a perfect soul
I want you to notice
when I'm not around
You're so fuckin special
I wish I was special
But I'm a creep
I'm a weirdo
What the hell am I doin' here?
I don't belong here,
ohhhh, ohhhh
She's running out the door
She's running out
She run run run run...run...
Whatever makes you happy
Whatever you want
You're so fuckin special
I wish I was special
But I'm a creep,
I'm a weirdo
What the hell am I doin' here?
I don't belong here
I don't belong here...
Traulitadas
Sinceramente, a haver referendo, até faria campanha pelo Sim. Mas como Sócrates impediu-nos de nos manifestarmos, é com muito regozijo que recebi a notícia da vitória do Não na Irlanda. Para mostrar que não se constrói uma Europa nas costas do(s) povo(s).
Estes irlandeses são terríveis: fingem que estão sempre bêbedos e vai que não vai, pregam uma traulitada no bom do inglês, que neste caso foi em toda a Europa.
Como bem lembraste Blueminerva: porreiro, pá!
"In your head, in your head, Zombie, zombie, zombie, Hey, hey, hey.
What's in your head, In your head, Zombie, zombie, zombie?
Hey, hey, hey, hey, oh, dou, dou, dou, dou, dou... "
Estes irlandeses são terríveis: fingem que estão sempre bêbedos e vai que não vai, pregam uma traulitada no bom do inglês, que neste caso foi em toda a Europa.
Como bem lembraste Blueminerva: porreiro, pá!
"In your head, in your head, Zombie, zombie, zombie, Hey, hey, hey.
What's in your head, In your head, Zombie, zombie, zombie?
Hey, hey, hey, hey, oh, dou, dou, dou, dou, dou... "
Say what?!
Andam por aí uns socialistas a bater palminhas a umas afirmações de alguns ministros sobre umas propostas absurdas (que, por absurdas, nunca tiveram como objectivo ver a luz do dia) da Comissão Europeia sobre o horário de trabalho semanal (aquela, das 65 horas semanais).
Como se este governo da República ainda merecesse algum tipo de credibilidade. Como se fosse para levar a sério o que dizem, sabendo nós que hoje dizem uma coisa e a amanhã o seu contrário, com a maior das naturalidades! Como se eles próprios estivessem dispostos a engolir tudo o que lhes querem vender sem qualquer tipo de reflexão crítica (vejam lá, não se engasguem). Evocam Zapata: mas já nem estão de pé nem de joelhos, simplesmente rastejam!
Como se este governo da República ainda merecesse algum tipo de credibilidade. Como se fosse para levar a sério o que dizem, sabendo nós que hoje dizem uma coisa e a amanhã o seu contrário, com a maior das naturalidades! Como se eles próprios estivessem dispostos a engolir tudo o que lhes querem vender sem qualquer tipo de reflexão crítica (vejam lá, não se engasguem). Evocam Zapata: mas já nem estão de pé nem de joelhos, simplesmente rastejam!
11.6.08
Indignações: cada um tem a sua!
Acho graça à indignação da inteligentsia politico-económica portuguesa relativamente ao poder de uns miseráveis camionistas. Áh e tal, como é possível que meia-dúzia de mentecaptos consigam paralisar o país?, perguntam. Curioso que não os tenhamos visto tão indignados quando se trata das situações de monopólio que alimenta os patrões que lhes dão de comer. É que deve ser fodido ver que uma merda de um camionista tem poder suficiente para impedir que a lagosta nos chegue ao prato...
PS - Declaro desde já que não concordo com a forma como alguns camionistas e empresários do sector violam a liberdade de outrém.
PS - Declaro desde já que não concordo com a forma como alguns camionistas e empresários do sector violam a liberdade de outrém.
10.6.08
Será vergonha?
Como devem ter reparado os que gostam de uma boa conspiração (que é como quem diz, os cibernautas que por cá passam), tenho reduzido a minha produção bloguista nos últimos tempos. Sim, o principal motivo é a falta de tempo, misturada com alguma saturação de ter de alimentar o "monstro". No entanto, a principal razão é mesmo a falta de temas. Melhor, há temas sobre os quais gostaria de escrever: o problema é não ter tempo para os desenvolver convenientemente. Assim sendo, tenho optado por não escrever nada.
Uma sorte, dir-me-ão alguns! Não são, contudo, obrigados a ler as minhas larachinhas e há sempre a opção de eliminar do histórico do browser a morada deste blog (ou então, apenas não ler).
Mas porque fiz uma pausa e para que este texto não seja uma inutilidade absoluta, deixo apenas a minha surpresa pelas últimas atitudes do governo da República.
Conforme previsto há uns tempos pela SEDES, Portugal está mergulhado numa convulsão social sem precedentes desde há pelo menos vinte anos. A pobreza aumenta, o fosso entre ricos e pobres não pára de crescer, a classe média começa a ser eliminada, a degradação do sistema e a desconfiança nos políticos generaliza-se. Perante tal cenário, as manifestações contra o governo e as suas políticas (que Sócrates, num exercício atroz de autismo, insiste em atribuir aos comunistas, como se estes pudessem manipular cem mil professores) sucedem-se a um ritmo vertiginoso; somos diariamente confrontados com novos problemas que afectam trabalhadores e empresas de áreas para as quais não estávamos atentos (a pesca e o transporte, apenas para lembrar as últimas); enfim, encaminhamo-nos perigosamente para um certo caos social.
Estando a raiz de alguns problemas distante do centro de decisão política do nosso país, seria, no entanto, natural e expectável que os nossos governantes estivessem atentos e agissem no sentido de minimizar algumas das suas consequências, numa intervenção com vista à reposição da paz social.
O que assistimos, contudo, é imensuravelmente ofensivo e de uma grosseria política ímpar.
Perante a crise nas pescas, o ministro afirmava "esperar" - é verdade, um ministro que entende que o seu trabalho é "esperar"... - que não faltasse peixe nas bancas; uma paralisação nos transportes e o primeiro-ministro que mostra-se dispostos a "ajudar" o sector - vejam bem o verbo empregue: "ajudar", como se a sua função não fosse resolver os problemas dos portugueses -, constituído, na sua maior parte, por pequenos empresários que atravessam uma crise sem precedentes; uma manifestação de 200 mil pessoas e um governo que afirma que não governa pela rua.
O estilo mudou. Não muda, no entanto, a absoluta falta de capacidade e competência para resolver os problemas do país; não há um laivo de criatividade para o desenvolvimento de novos rumos, com novas políticas. Enfim, o país arde e à boa maneira de Nero, os governantes desta nação assistem sem qualquer tipo de intervenção. Pelo menos, por agora, algum pudor ainda os vai impedindo de rir. Veremos até quando!
Uma sorte, dir-me-ão alguns! Não são, contudo, obrigados a ler as minhas larachinhas e há sempre a opção de eliminar do histórico do browser a morada deste blog (ou então, apenas não ler).
Mas porque fiz uma pausa e para que este texto não seja uma inutilidade absoluta, deixo apenas a minha surpresa pelas últimas atitudes do governo da República.
Conforme previsto há uns tempos pela SEDES, Portugal está mergulhado numa convulsão social sem precedentes desde há pelo menos vinte anos. A pobreza aumenta, o fosso entre ricos e pobres não pára de crescer, a classe média começa a ser eliminada, a degradação do sistema e a desconfiança nos políticos generaliza-se. Perante tal cenário, as manifestações contra o governo e as suas políticas (que Sócrates, num exercício atroz de autismo, insiste em atribuir aos comunistas, como se estes pudessem manipular cem mil professores) sucedem-se a um ritmo vertiginoso; somos diariamente confrontados com novos problemas que afectam trabalhadores e empresas de áreas para as quais não estávamos atentos (a pesca e o transporte, apenas para lembrar as últimas); enfim, encaminhamo-nos perigosamente para um certo caos social.
Estando a raiz de alguns problemas distante do centro de decisão política do nosso país, seria, no entanto, natural e expectável que os nossos governantes estivessem atentos e agissem no sentido de minimizar algumas das suas consequências, numa intervenção com vista à reposição da paz social.
O que assistimos, contudo, é imensuravelmente ofensivo e de uma grosseria política ímpar.
Perante a crise nas pescas, o ministro afirmava "esperar" - é verdade, um ministro que entende que o seu trabalho é "esperar"... - que não faltasse peixe nas bancas; uma paralisação nos transportes e o primeiro-ministro que mostra-se dispostos a "ajudar" o sector - vejam bem o verbo empregue: "ajudar", como se a sua função não fosse resolver os problemas dos portugueses -, constituído, na sua maior parte, por pequenos empresários que atravessam uma crise sem precedentes; uma manifestação de 200 mil pessoas e um governo que afirma que não governa pela rua.
O estilo mudou. Não muda, no entanto, a absoluta falta de capacidade e competência para resolver os problemas do país; não há um laivo de criatividade para o desenvolvimento de novos rumos, com novas políticas. Enfim, o país arde e à boa maneira de Nero, os governantes desta nação assistem sem qualquer tipo de intervenção. Pelo menos, por agora, algum pudor ainda os vai impedindo de rir. Veremos até quando!
3.6.08
Por esse mundo além
O autor do Por esse mundo além, José de Freitas, propõe-se a manter um blog independente. Não sei se assim será, mas folgo ver o crescimento da blogosfera madeirense. Seja bem-vindo, companheiro!
Cartão Municipal da Família Numerosa
Recebi o seguinte comunicado da Associação Portuguesa das Famílias Numerosas (APFN), que replico na íntegra.
A APFN congratula-se com a aprovação do Cartão Municipal de Família Numerosa pela Câmara do Funchal, por unanimidade, o que demonstra, mais uma vez, que "política de família" não tem "cor partidária". Demonstra, ainda, que os autarcas, por estarem mais próximos das populações, são sensíveis aos problemas reais dos portugueses, e praticam o óbvio, isto é, o combate ao cada vez mais rigoroso inverno demográfico só poderá ser vencido apoiando as 20% de famílias que desejam ter três ou mais filhos, em contraste com a desastrada política de família que o Parlamento tem vindo a promover, ao eleger as famílias naturais formalmente constituídas como alvo a abater. A APFN espera que o exemplo que os municípios têm vindo a dar, liderados por Vila Real, Coimbra, Tavira e Funchal, levem a acordar o Parlamento da sua já demasiadamente longa hibernação e a ajudar o Governo a acabar com medidas contraditórias, a fim de Portugal deixar de ser um dos raros países europeus em que a taxa de natalidade continua a descer. Isso só acabará quando todas as direcções e dirigentes políticos nacionais compreenderem (à semelhança do que os autarcas bem sabem) que as famílias numerosas são a única garantia do futuro.
Regozijo-me pela atenção que o município do Funchal dedica às famílias numerosas.
A Madeira da Rota do Feminismo
A Madeira na rota do feminismo. Alguns eventos nos quais vale a pena participar, para quem se interessa por estas coisas da luta pela igualdade entre géneros.Parabéns à Comissão Organizadora, constituída por: Assunção Bacanhim, Célia Pessegueiro, Elisa Seixas, Guida Vieira.
Um beijo especial à minha amiga Elisa Seixas.
28.5.08
Se for bom é meu, se for mau é teu!
Tenho voltado a ouvir com alguma insistência que os bons gestores devem ser bem remunerados. Mantenho alguma curiosidade para ver os prémios que receberão os administradores da GALP no final deste ano, atendendo aos seus bons resultados, mas apesar de em nada terem contribuído para eles. Porque por muito que queiram pintar outro quadro, a verdade é que os resultados financeiros da GALP devem-se a dois factores externos a esta administração: a participação em consórcios internacionais (com especial incidência para a Petrobras) e o aumento do preço dos combustíveis. Assim, é fácil ser bom gestor...
Por outro lado, quando o mérito é da organização, não percebo porque é que apenas os gestores devem ser premiados: então os administradores do BCP recebiam 10% dos resultados líquidos e todos os outros funcionários que contribuíram activamente para esse sucesso não viam cheta? A esses não chega nada?
Quer dizer, quando os resultados são negativos a culpa é dos trabalhadores que são mandriões, quando os resultados são positivos, o mérito é apenas dos gestores? É desta redistribuição de riqueza que falam todos aqueles que querem liberalizar a res publica? São estes bons exemplos que querem que sigamos?
Por outro lado, quando o mérito é da organização, não percebo porque é que apenas os gestores devem ser premiados: então os administradores do BCP recebiam 10% dos resultados líquidos e todos os outros funcionários que contribuíram activamente para esse sucesso não viam cheta? A esses não chega nada?
Quer dizer, quando os resultados são negativos a culpa é dos trabalhadores que são mandriões, quando os resultados são positivos, o mérito é apenas dos gestores? É desta redistribuição de riqueza que falam todos aqueles que querem liberalizar a res publica? São estes bons exemplos que querem que sigamos?
Patinha Antão: a surpresa... Ou não!
Já gostava de Patinha Antão. Sempre me pareceu um bom deputado, bem preparado. E apesar de ter achado (e manter) que não tinha a mínima possibilidade de ser eleito para líder do PSD, não posso deixar de notar que foi aquele cujas ideias mais me convenceram. Apresentou boas propostas, consequentes, reformistas sem nunca ter perdido de vista que a economia é uma ferramenta para servir a política e não o contrário.
Elevação
Gostei de forma como decorreu esta campanha no PSD (ainda não acabou, mas não me parece que venha a descambar). Com elevação, sem hipotecas de apoios futuros. Todos os candidatos tiveram noção que o que estava em causa era o combate ao PS.
Em casa, discutem-se civilizadamente todas as questões. E o filho pródigo (aquele murmurador(a) que por vezes esquece quem são os seus...) também tem acesso aos mesmos direitos de todos os outros.
Em casa, discutem-se civilizadamente todas as questões. E o filho pródigo (aquele murmurador(a) que por vezes esquece quem são os seus...) também tem acesso aos mesmos direitos de todos os outros.
Razões para não votar em Pedro Passos Coelho
Apesar do que já havia afirmado e porque Pedro Passos Coelho (PPC) era o candidato que pior conhecia, estive a assistir no passado sábado a uma sua sessão de esclarecimento. Tirei três conclusões:
1. confirmou todas as razões que me fariam não votar nele. Não tem uma ideia de país;
2. PPC não é liberal porque a Manuela Moura Guedes assim quis, naquele debate surreal da TVI (mais por culpa da pivot do que por culpa dos candidatos, diga-se em abono da verdade). PPC é ultra-liberal, porque é assim que entende a vida;
3. não sabe minimamente o que é a social-democracia.
1. confirmou todas as razões que me fariam não votar nele. Não tem uma ideia de país;
2. PPC não é liberal porque a Manuela Moura Guedes assim quis, naquele debate surreal da TVI (mais por culpa da pivot do que por culpa dos candidatos, diga-se em abono da verdade). PPC é ultra-liberal, porque é assim que entende a vida;
3. não sabe minimamente o que é a social-democracia.
26.5.08
Paixões
Tenho um amigo meu que apaixonou-se por uma voz. Não uma voz musical, uma voz carismática. Apenas uma voz, como tantas outras, de uma dessas meninas que trabalham em call-centers. E esteve tão apaixonado, que ligava diversas vezes para a ouvir. Nunca a quis conhecer. Sabia que a mulher de cujas cordas vocais emergia o som que o apaixonara era irrelevante. E sofreu para a esquecer.
Naturalmente, tinha algum cuidado em afirmá-lo: reconhecia o gozo que este seu sentimento poderia despertar nos outros.
A mim, nunca me pareceu estranho. Como poderia?, afinal, entre as minhas muitas paixões passadas (é verdade, apaixono-me com muita facilidade!) já tinha acontecido apaixonar-me por uns olhos; por uma imagem e até por uma ideia. Não um ideal, mas uma ideia de mulher, construída por mim e que muito pouco teria a ver com a mulher de carne. É fácil, é humano, apaixonarmo-nos por pequenos pormenores nas(das) pessoas. Por vezes, tudo o resto é acessório. O rosto que rodeia os olhos, o corpo que o suporta, pouco importa. Basta esse pequeno pormenor, para construirmos (ou em nós nascer?) um sentimento verdadeiro de paixão. Outras vezes, é apenas a ideia de estarmos apaixonados que nos apaixona (passe a redundância) e até nos faz sofrer. Projectamos uma ideia de felicidade junto de uma determinada pessoa e essa projecção passa a ser real. Sem nos apercebermos.
E estas paixões são tão reais, tão verdadeiras quanto as outras. Desejamos estar com a pessoa, porque a confundimos com a ideia que dela criámos, sem que seja uma miragem, ou um reflexo, ou uma invenção.
Todavia, não basta. Para estarmos verdadeiramente com alguém, é necessário esforçarmo-nos diariamente para nos apaixonarmos por todo o resto. Mesmo por aquilo de que gostamos menos. Porque no final, apenas a relação em que se investe diariamente é que nos fará viver com a felicidade possível (nunca nada é perfeito). Seremos felizes, quando estivermos apaixonados por um pormenor e conseguirmos viver com relativa tranquilidade o resto da pessoa. Porque a pessoa, as pessoas, não são apenas pormenores.
PS - Vivo apaixonado por pormenores e relativa tranquilidade quanto a tudo o resto!
Naturalmente, tinha algum cuidado em afirmá-lo: reconhecia o gozo que este seu sentimento poderia despertar nos outros.
A mim, nunca me pareceu estranho. Como poderia?, afinal, entre as minhas muitas paixões passadas (é verdade, apaixono-me com muita facilidade!) já tinha acontecido apaixonar-me por uns olhos; por uma imagem e até por uma ideia. Não um ideal, mas uma ideia de mulher, construída por mim e que muito pouco teria a ver com a mulher de carne. É fácil, é humano, apaixonarmo-nos por pequenos pormenores nas(das) pessoas. Por vezes, tudo o resto é acessório. O rosto que rodeia os olhos, o corpo que o suporta, pouco importa. Basta esse pequeno pormenor, para construirmos (ou em nós nascer?) um sentimento verdadeiro de paixão. Outras vezes, é apenas a ideia de estarmos apaixonados que nos apaixona (passe a redundância) e até nos faz sofrer. Projectamos uma ideia de felicidade junto de uma determinada pessoa e essa projecção passa a ser real. Sem nos apercebermos.
E estas paixões são tão reais, tão verdadeiras quanto as outras. Desejamos estar com a pessoa, porque a confundimos com a ideia que dela criámos, sem que seja uma miragem, ou um reflexo, ou uma invenção.
Todavia, não basta. Para estarmos verdadeiramente com alguém, é necessário esforçarmo-nos diariamente para nos apaixonarmos por todo o resto. Mesmo por aquilo de que gostamos menos. Porque no final, apenas a relação em que se investe diariamente é que nos fará viver com a felicidade possível (nunca nada é perfeito). Seremos felizes, quando estivermos apaixonados por um pormenor e conseguirmos viver com relativa tranquilidade o resto da pessoa. Porque a pessoa, as pessoas, não são apenas pormenores.
PS - Vivo apaixonado por pormenores e relativa tranquilidade quanto a tudo o resto!
A Madeira em 2020

- Desculpa o atraso, mor. Como foi o teu dia?
-Maravilhoso e o teu?
- Temos 37 m para fazer mor!
- É + tempo. Eu também tenho que me levantar cedo amanhã.
- Já tens o teu “Orgasmatron”? - espécie de “pacemaker” do prazer. É uma caixa do tamanho de um maço de cigarros que é colocada à cintura e que depois é ligada ao nervo pélvico, que comanda o prazer, via – internet.
- Si e tu?- Estou a acabar de fazer as últimas ligações.
- …………………
- …………………
Depois de uma noite prazer….
Maria estava em casa, o namorado nos EUA. Ele é investigador em “Carnegie Institute of Tecnology” e um crente na nanotecnologia e na corrente transhumanista. (conceito inventado nos anos 80). Devido ao fuso horário -São menos 5 horas nos EUA, o encontro sexual foi agendado via “msn” para a 1 hora da madrugada, Madeira, 21 horas nos EUA.
9- 07-2020
Há uma hora que Maria, presidente executiva da Empresa de Electricidade da Madeira, está presa na via-rápida. Maria saiu de casa cedo. Eram 8 horas quando deixou a residência, de estilo contemporâneo, no Garajau. O objectivo é chegar às 9 horas à sede no Almirante Reis. Já passam 7 minutos das 9 e está entalada à saída do túnel das Neves. O “Hiphone” desanima. Indica que o Funchal está bloqueado. Até a cota 500 tem problemas de trânsito. Só é possível circular, sem problemas, no coração da cidade.
13 % do negócio da eléctrica provém das energias renováveis. A empresa dedica-se actualmente ao comércio e instalação de paneis solares – em hotéis e edifícios de habitação colectiva. Em 2014 o Governo Regional abriu mão do sector da energia na Madeira. Ficou com 49% da empresa. O resto do capital – 51% – está nas mãos de um grupo de empresários. Apenas se sabe que Jaime Filipe Ramos é o sócio que detém a fatia mais gorda do dinheiro disperso em acções.
Enquanto Maria espera, distrai-se a olhar para o porto. É a quarta vez, este ano, que o "Queen Mary II" faz escala no Funchal. O porto é demasiado pequeno para o número de escalas de cruzeiros. Em 2010 foram 300, este ano, prevê-se que feche com 550 atracagens. Quase o dobro de há 10 anos atrás. África está na moda e a ilha da Madeira é um ponto obrigatório de passagem na “descida” e no regresso dos paquetes à Europa.
O Porto do Funchal precisa de novas obras. As últimas, realizadas em 2008, 9 e 10, não resolveram o problema de fundo do Porto. Há 4 anos (2016) que o "Lobo Marinho" sai do Caniçal para a ilha do Porto Santo. As preocupações ambientais e o preço insuportável dos combustíveis, determinaram a nova realidade. Partilha a linha com os espanhóis da "ARAMAS". Depois de uma luta que durou anos, o armador conseguiu entrar na rota. Para já, o barco espanhol só faz o Verão. O resto do ano, não justifica um segundo operador na linha.A disputa política está ao rubro. Pela primeira vez na história da autonomia, os socialistas têm hipótese de chegar ao poder. Os madeirenses estão divididos. Faltam 4 meses para as eleições (Outubro de 2020) e as sondagens: - a do Diário de Notícias dá a vitória ao candidato Social-Democrata. Um outro estudo de opinião, aponta Bernardo Trindade como o próximo Presidente do Governo. Trindade já tinha sido candidato nas regionais de 2016, mas foi derrotado. O PSD é um partido irreconhecível. Desde que Alberto João Jardim saiu em 2011, as tropas desmobilizaram.
A população da ilha está em queda. As novas vias de comunicação aceleraram a desertificação da Madeira rural. O norte perde todos os anos gente. Até em Câmara de Lobos diminui o número de habitantes. Os concelhos metropolitanos do Funchal, Santa Cruz, Machico e Ribeira Brava, continuam a ser os mais populosos, mas existem agora menos pessoas a viver nestas localidades.
No turismo, o excesso de camas - 38 mil - preocupa os hoteleiros. Nos últimos 7 anos alguns hotéis encerram as portas. Sobretudo os maiores. Ganham fôlego as quintas e o turismo rural. Também encurtou o número de dias de férias. Passou de 5 para 3.
A Madeira é um destino de repouso activo – especialmente passeios pela natureza. Acabaram os turistas que vinham gozar as férias grandes.
Há 12 anos (2008) o governo era e continua a ser o terceiro empregador – na altura dava trabalho a 20 mil funcionários públicos - logo a seguir ao turismo e aos serviços. A construção civil foi o sector que sofreu a maior queda. Representa agora apenas 8 % da população activa. No início do século (2000) trabalhavam 122 mil madeirenses (total Madeira) contra pouco mais de 102 mil agora.
Agravaram-se as desigualdades entre ricos e pobres. Cresceu nos últimos 10 anos o número de famílias que dependem da ajuda das instituições de solidariedade para sobreviver.
A Calheta, sobretudo, a Ponta do Pargo é uma espécie de oásis dos novos ricos. O campo de golfe atraiu investimento. Os magnatas da ilha compraram terreno, outros, vivendas de luxo. Pequenas fortunas. Custam entre 650 mil e um milhão de euros. A maioria dos compradores destas “villas” são estrangeiros. Turistas russos que começaram a chegar à Madeira em 2007 com “dinheiro vivo” – não recorrem à banca – para investir. Especialmente em terrenos e imóveis.
O Porto Santo deixou de ser o destino de férias de Verão dos madeirenses. A classe média-alta e média deixaram perderam poder de comprar para fazer férias na ilha. Os preços dos hotéis são insuportáveis e o turismo paralelo (casas arrendadas) também está caro. As Canárias são a opção mais económica para as famílias que ainda podem fazer férias.
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Futurologia
24.5.08
Intromissões, ou discussões de surdos
Não me considero "afrancesado", nem filosoficamente falando, nem culturalmente, nem de forma nenhuma. Também não tenho especial apreço por M. Heidegger: nem pelo filósofo, nem pelo homem que, para além de ser um hipócrita, também não devia nada à amizade (a traição ao "amigo" e mestre Edmund Husserl é um belo exemplo da personalidade abjecta do homem).
Dito isto, deixo-lhe aqui, caro Funes, apenas uma ou outra réplica e um contributo para a resposta que solicitou e que espero seja apenas o mote para a WOAB a enriquecer.
Parece-me que gosta da filosofia analítica por esta, alegadamente, emprestar um método "científico" à filosofia, expurgando-a dos "floreados" literários. Se bem entendo, gosta de um certo rigor matemático aplicado à filosofia. Curioso que tenha falado em Poincaré: foi o próprio matemático que declarou que para a resolução dos maiores problemas que lhe foram colocados, nunca foi utilizado qualquer método, mas tão somente o que designou por "centelha criadora". Exactamente a mesma "centelha" que permite aos artistas (entre os quais, naturalmente, os poetas) criarem. Mas é apenas uma curiosidade.
Quanto à questão do(s) método(s) analítico(s), não passa exactamente disso: de método utilizado por alguns filósofos mas que não reduz, de forma nenhuma, a filosofia apenas a isso. Aliás, faz-me confusão como em Portugal se perde tempo a discutir esta questão: por muito que gritem, não há cá filosofia "pura e dura". A filosofia é constituída pelos contributos de todas as suas disciplinas, entre as quais, naturalmente, a filosofia analítica.
Quanto à sua questão, Heidegger contribuiu para a filosofia através da sua reflexão sobre a ontologia: pode parecer uma coisa de somenos importância, pois não é nada fácil identificar a sua mensurabilidade. Mas a questão do(e) Ser é fundamental à filosofia. É, assim, uma espécie de investigação fundamental (não aplicada), mas cujos resultados podem ser relevantes para aplicações mais objectivas (como qualquer outra investigação fundamental). Basta, para isso, lembrarmo-nos das consequências hermenêuticas ou éticas que resultaram da continuação do seu trabalho. É certo que a linguagem utilizada por Heidegger é algo obscura: mas que raio, a de Descartes, Hegel ou Kant não era melhor (nem me atrevo a falar em Sartre, pois esse deve ser um afrancesado absoluto e Camus não deve passar de um romancista).
Portanto, assim sendo, acho uma absoluta perda de tempo (insisto), discutir se a filosofia reduz-se, ou não, apenas a essa sua dimensão analítica, e acho ainda mais absurdo (não me refiro ao do Camus, mas mesmo ao adjectivo) que hajam professores de filosofia a tomarem partidos nesta questão que sempre me pareceu pateta!
Dito isto, deixo-lhe aqui, caro Funes, apenas uma ou outra réplica e um contributo para a resposta que solicitou e que espero seja apenas o mote para a WOAB a enriquecer.
Parece-me que gosta da filosofia analítica por esta, alegadamente, emprestar um método "científico" à filosofia, expurgando-a dos "floreados" literários. Se bem entendo, gosta de um certo rigor matemático aplicado à filosofia. Curioso que tenha falado em Poincaré: foi o próprio matemático que declarou que para a resolução dos maiores problemas que lhe foram colocados, nunca foi utilizado qualquer método, mas tão somente o que designou por "centelha criadora". Exactamente a mesma "centelha" que permite aos artistas (entre os quais, naturalmente, os poetas) criarem. Mas é apenas uma curiosidade.
Quanto à questão do(s) método(s) analítico(s), não passa exactamente disso: de método utilizado por alguns filósofos mas que não reduz, de forma nenhuma, a filosofia apenas a isso. Aliás, faz-me confusão como em Portugal se perde tempo a discutir esta questão: por muito que gritem, não há cá filosofia "pura e dura". A filosofia é constituída pelos contributos de todas as suas disciplinas, entre as quais, naturalmente, a filosofia analítica.
Quanto à sua questão, Heidegger contribuiu para a filosofia através da sua reflexão sobre a ontologia: pode parecer uma coisa de somenos importância, pois não é nada fácil identificar a sua mensurabilidade. Mas a questão do(e) Ser é fundamental à filosofia. É, assim, uma espécie de investigação fundamental (não aplicada), mas cujos resultados podem ser relevantes para aplicações mais objectivas (como qualquer outra investigação fundamental). Basta, para isso, lembrarmo-nos das consequências hermenêuticas ou éticas que resultaram da continuação do seu trabalho. É certo que a linguagem utilizada por Heidegger é algo obscura: mas que raio, a de Descartes, Hegel ou Kant não era melhor (nem me atrevo a falar em Sartre, pois esse deve ser um afrancesado absoluto e Camus não deve passar de um romancista).
Portanto, assim sendo, acho uma absoluta perda de tempo (insisto), discutir se a filosofia reduz-se, ou não, apenas a essa sua dimensão analítica, e acho ainda mais absurdo (não me refiro ao do Camus, mas mesmo ao adjectivo) que hajam professores de filosofia a tomarem partidos nesta questão que sempre me pareceu pateta!
20.5.08
Politiquices
Foi criada uma Associação dos Consumidores na Madeira.
Quem está à frente, ou pelo menos dá a cara é uma deputada do PSD.
Considero a iniciativa – a de criar a associação - louvável.
A dúvida é como esta associação, ou senhora deputada do partido do Governo, vai posicionar-se num conflito que envolva o executivo e um cidadão? Que liberdade tem a Associação e a respectiva presidente, para num caso extremo, avançar com uma queixa contra uma Secretaria ou Direcção Regional?
Quem está à frente, ou pelo menos dá a cara é uma deputada do PSD.
Considero a iniciativa – a de criar a associação - louvável.
A dúvida é como esta associação, ou senhora deputada do partido do Governo, vai posicionar-se num conflito que envolva o executivo e um cidadão? Que liberdade tem a Associação e a respectiva presidente, para num caso extremo, avançar com uma queixa contra uma Secretaria ou Direcção Regional?
Não sabe, não entende!
Não temos dúvidas que a lei dos subsídios está a ser cumprida. Melhor seria se assim não fosse e este não é um mérito que Vieira da Silva possa reclamar para si.
Mas o que se espera de um ministro, não é apenas que nos informe que a lei é cumprida: isso é o mínimo que podemos esperar de um estado de direito (bem sei que para este governo conseguir não violar as leis é, per se, uma vitória).
Espera-se que perante uma realidade diversa, diferente, o governante seja capaz de reagir de forma a responder aos novos desafios, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida das pessoas.
A notícia é de que há mais pessoas desempregadas sem qualquer tipo de rendimento: exige-se que o governo tome medidas. Mas, como está escrito em título, este é um raciocínio demasiado complexo para esta gente, cuja única preocupação é a espontaneidade da resposta: eu não fui e se fui, peço desculpa! É, não sabem... Não entendem!
Mas o que se espera de um ministro, não é apenas que nos informe que a lei é cumprida: isso é o mínimo que podemos esperar de um estado de direito (bem sei que para este governo conseguir não violar as leis é, per se, uma vitória).
Espera-se que perante uma realidade diversa, diferente, o governante seja capaz de reagir de forma a responder aos novos desafios, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida das pessoas.
A notícia é de que há mais pessoas desempregadas sem qualquer tipo de rendimento: exige-se que o governo tome medidas. Mas, como está escrito em título, este é um raciocínio demasiado complexo para esta gente, cuja única preocupação é a espontaneidade da resposta: eu não fui e se fui, peço desculpa! É, não sabem... Não entendem!
No one is untouchable
Caro amigo, foi apenas uma fuga para retemperar. Quanto à tua questão: sim, vão havendo alguns socialistas que escapam ao aparo das minhas teclas. Tu, por exemplo! Mas só até ver, porque sabemos que se o mundo está louco à excepção de nós dois, quer um quer outro não está muito certo acerca da sanidade alheia.
19.5.08
Apoio a Manuela Ferreira Leite
Ao contrário do que defendem alguns, a grande riqueza do PSD é o facto de acolher no seu seio diferentes correntes ideológicas: a social-democrata; a liberal, a conservadora; a democrata-cristã e até mesmo uma mais neo-liberal. Populismo não é uma matriz ideológica: é uma estratégia (que, aliás, Sócrates começa a aderir, conforme se comprova por aquele patético anúncio de que iria deixar de fumar), que socorre duas candidaturas: a de Pedro Passos Coelho e a de Santana Lopes (para falar apenas nas três que realmente contam), sendo que a santanista é marcadamente mais populista.
Por isso, nem vejo a balcanização (ideológica) do partido, nem vejo como isso poderia ser prejudicial. O CDS/PP defende a existência de correntes ideológicas diversas, princípio com o qual concordo e através do qual os populares pretendem crescer (à sombra do PSD). Não vejo, portanto, grandes problemas por não haver candidaturas sebastianicas que alegadamente reunificariam ideologicamente o partido, uma vez que não há uma matriz que tenha de ser reunificada. Oxalá todas as correntes estivessem, efectivamente, representadas nestas eleições.
Posto isto, apenas houve um líder verdadeiramente social-democrata (entendo-se, aqui, a social-democracia alemã): Sá Carneiro, do qual nenhuma destas candidaturas é herdeira e que suspeito ser bastante residual no PSD de hoje.
De um ponto de vista ideológico, nestas eleições apenas foram apresentadas candidaturas liberais, sendo que uma é um pouco mais conservadora do que as outras.
Assim sendo, não me revejo ideologicamente em nenhuma delas. Mas, se tivesse de votar, teria que escolher entre o que se nos é apresentado, o que, inevitavelmente, me obrigaria a optar. E se fosse este o caso, a minha opção passaria por Manuela Ferreira Leite.
Deixo aqui a minha razão, porque resume-se apenas a uma: a próxima liderança do PSD tem de, se não derrotar o PS, pelo menos retirar-lhe a maioria absoluta, recuperando algum do eleitorado do tal centrão decisivo. E, na minha opinião, tal só é possível com Manuela Ferreira Leite.
Comecemos por Santana Lopes: é certo que mais do que o conjunto de equívocos que foi o seu governo, foi-lhe feita a cama. Muito do que já assistimos com Sócrates teria sido motivo para sucessivas dissoluções da Assembleia da República. Por outro lado, até tem sido um bom líder parlamentar. Estas duas razões contribuem, portanto, para reunir algum capital de simpatia por parte de alguns militantes. Poderia ganhar o partido, mas não ganharia o país, uma vez que lhe falta credibilidade e apoio entre os opinion makers (e sabemos o quanto são fundamentais). Seria uma candidatura derrotada à partida e não me parece que tenha possibilidade de vencer o partido, porque os militantes querem um líder para se bater com Sócrates e não acreditam que Santana seja o tal.
Já Pedro Passos Coelho é um político com algum potencial (não queiram fazer dele um Príncipe) e que neste momento corre o risco de vencer estas eleições. Tem reunido imensos apoios, não pelo que vale, mas porque é a alternativa a Ferreira Leite e a Santana Lopes. Quem tem contas a acertar com um dos dois, opta por Passos Coelho. Mais, se fosse eleito, teria algumas possibilidades de reunir simpatias do centro-esquerda, dadas as suas posições progressistas nas tais questões sociais fracturantes. A sua candidatura tem tentado investir na alegada falta de experiência, apostando na imagem de outsider, que poderia contribuir para recolher apoio dos insatisfeitos com o sistema e a classe política. Não é, como todos sabemos: é um político profissional e isso seria devidamente explorado pelo PS. Para além disso, é algo incerto: ninguém sabe o que vale nas urnas e essa incerteza será mortal.
Temos, por fim, Manuela Ferreira Leite: tem a seu favor a imagem de rigor e austeridade, tão ao agrado dos opinion makers e dos próprios portugueses. Tem, também, experiência governativa, domina os assuntos económicos (e sabemos que hoje as eleições ganham-se com linguagem económica e não política) e é a preferida pelos barões (só o facto de ter o apoio de Miguel Veiga deveria ser motivo para eu distanciar-me o mais possível, mas nem sempre podemos ser coerentes...). Assim sendo, é aquela que reúne melhores condições para se bater com Sócrates em eleições, havendo mesmo a possibilidade de vencê-lo. Contribui para o meu apoio, ter começado a estruturar uma aproximação à matriz social-democrata, com laivos de um certo conservadorismo político-social. Começo a gostar do seu discurso e do seu programa.
E tendo possibilidade de vencer as eleições, acho que não conseguirá vencê-las por maioria absoluta, o que também é um ponto a seu favor (poderia ter tendência para o absolutismo que vimos em Sócrates e com tão maus resultados).
Por fim, acho que seria importante para a política portuguesa e mesmo para o PSD haver uma mulher líder, facto que, para além de valer por si, poderia mesmo reunir apoios insuspeitos.
Após tudo isto, volto ao início: tenho pena que não se tenham apresentado alguns outros bons candidatos, com proveniência noutras correntes ideológicas, mas percebo as suas razões.
Espero, contudo, que destas eleições surja uma candidatura forte, capaz de se bater com Sócrates e com um projecto para o país (uma ideia de país, conforme costumo dizer) que reúna contributos em todas as matrizes ideológicas, que constituem, afinal, toda a riqueza do PSD e podem ser a riqueza de um projecto político de governação.
Por isso, nem vejo a balcanização (ideológica) do partido, nem vejo como isso poderia ser prejudicial. O CDS/PP defende a existência de correntes ideológicas diversas, princípio com o qual concordo e através do qual os populares pretendem crescer (à sombra do PSD). Não vejo, portanto, grandes problemas por não haver candidaturas sebastianicas que alegadamente reunificariam ideologicamente o partido, uma vez que não há uma matriz que tenha de ser reunificada. Oxalá todas as correntes estivessem, efectivamente, representadas nestas eleições.
Posto isto, apenas houve um líder verdadeiramente social-democrata (entendo-se, aqui, a social-democracia alemã): Sá Carneiro, do qual nenhuma destas candidaturas é herdeira e que suspeito ser bastante residual no PSD de hoje.
De um ponto de vista ideológico, nestas eleições apenas foram apresentadas candidaturas liberais, sendo que uma é um pouco mais conservadora do que as outras.
Assim sendo, não me revejo ideologicamente em nenhuma delas. Mas, se tivesse de votar, teria que escolher entre o que se nos é apresentado, o que, inevitavelmente, me obrigaria a optar. E se fosse este o caso, a minha opção passaria por Manuela Ferreira Leite.
Deixo aqui a minha razão, porque resume-se apenas a uma: a próxima liderança do PSD tem de, se não derrotar o PS, pelo menos retirar-lhe a maioria absoluta, recuperando algum do eleitorado do tal centrão decisivo. E, na minha opinião, tal só é possível com Manuela Ferreira Leite.
Comecemos por Santana Lopes: é certo que mais do que o conjunto de equívocos que foi o seu governo, foi-lhe feita a cama. Muito do que já assistimos com Sócrates teria sido motivo para sucessivas dissoluções da Assembleia da República. Por outro lado, até tem sido um bom líder parlamentar. Estas duas razões contribuem, portanto, para reunir algum capital de simpatia por parte de alguns militantes. Poderia ganhar o partido, mas não ganharia o país, uma vez que lhe falta credibilidade e apoio entre os opinion makers (e sabemos o quanto são fundamentais). Seria uma candidatura derrotada à partida e não me parece que tenha possibilidade de vencer o partido, porque os militantes querem um líder para se bater com Sócrates e não acreditam que Santana seja o tal.
Já Pedro Passos Coelho é um político com algum potencial (não queiram fazer dele um Príncipe) e que neste momento corre o risco de vencer estas eleições. Tem reunido imensos apoios, não pelo que vale, mas porque é a alternativa a Ferreira Leite e a Santana Lopes. Quem tem contas a acertar com um dos dois, opta por Passos Coelho. Mais, se fosse eleito, teria algumas possibilidades de reunir simpatias do centro-esquerda, dadas as suas posições progressistas nas tais questões sociais fracturantes. A sua candidatura tem tentado investir na alegada falta de experiência, apostando na imagem de outsider, que poderia contribuir para recolher apoio dos insatisfeitos com o sistema e a classe política. Não é, como todos sabemos: é um político profissional e isso seria devidamente explorado pelo PS. Para além disso, é algo incerto: ninguém sabe o que vale nas urnas e essa incerteza será mortal.
Temos, por fim, Manuela Ferreira Leite: tem a seu favor a imagem de rigor e austeridade, tão ao agrado dos opinion makers e dos próprios portugueses. Tem, também, experiência governativa, domina os assuntos económicos (e sabemos que hoje as eleições ganham-se com linguagem económica e não política) e é a preferida pelos barões (só o facto de ter o apoio de Miguel Veiga deveria ser motivo para eu distanciar-me o mais possível, mas nem sempre podemos ser coerentes...). Assim sendo, é aquela que reúne melhores condições para se bater com Sócrates em eleições, havendo mesmo a possibilidade de vencê-lo. Contribui para o meu apoio, ter começado a estruturar uma aproximação à matriz social-democrata, com laivos de um certo conservadorismo político-social. Começo a gostar do seu discurso e do seu programa.
E tendo possibilidade de vencer as eleições, acho que não conseguirá vencê-las por maioria absoluta, o que também é um ponto a seu favor (poderia ter tendência para o absolutismo que vimos em Sócrates e com tão maus resultados).
Por fim, acho que seria importante para a política portuguesa e mesmo para o PSD haver uma mulher líder, facto que, para além de valer por si, poderia mesmo reunir apoios insuspeitos.
Após tudo isto, volto ao início: tenho pena que não se tenham apresentado alguns outros bons candidatos, com proveniência noutras correntes ideológicas, mas percebo as suas razões.
Espero, contudo, que destas eleições surja uma candidatura forte, capaz de se bater com Sócrates e com um projecto para o país (uma ideia de país, conforme costumo dizer) que reúna contributos em todas as matrizes ideológicas, que constituem, afinal, toda a riqueza do PSD e podem ser a riqueza de um projecto político de governação.
Saga Aérea
Já antevia que a liberalização do transporte aéreo para a Madeira seria um desastre.
As razões são óbvias: Na prática só voa para a região a companhia de bandeira. A SATA não tem músculo para fazer sombra à Tap. Além disso, são companhias parceiras de negócio – partilham aviões e lugares, na rota Funchal, continente. A Portugália é um sonho. Ainda voam os aviões, mas a empresa já não existe. Foi “engolida” pela Tap.
Só com base nestes três pressupostos é fácil perceber que não existiam, como ainda não existem condições para deixar o mercado funcionar. Nesta e noutras áreas, como é o caso do petróleo, ou dos cereais, por exemplo, quem fixa os preços é quem tem o poder.
A Tap agora cobra uma taxa por tudo e por nada: 50 EUROS, para quem mexer na data da passagem. Se não avisar com antecedência são mais 50 EUROS (100 euros) e no caso de não existirem lugares disponíveis na classe do bilhete, o passageiro é obrigado a desembolsar mais o acerto.
Exemplo prático: Viagem Funchal-Lisboa em classe económica 242,63. Foi necessário alterar o regresso + 50 euros de penalização + 42 euros porque não existiam vagas na classe adquirida . Total 334,63.
Em Portugal quem tem autoridade para fiscalizar este abuso de poder???? O Instituto Nacional de Aviação Civil? A polémica ASAE?? A Autoridade da Concorrência????
Será que os nosso governos (Madeira e Continente) – preocuparam-se em saber se existia concorrência na linha, antes de abrir o mercado??????
É um tema que dá pano para fazer muitos fatos.
Nem falo da hora que perdi entre os CTT; a agência de viagem onde comprei o bilhete e o balcão da Tap, que agora chama-se Groundforce. A minha sorte é que, as três entidades, não distavam uma da outra, mais de 15 metros. Levantei o subsídio no Aeroporto.
As razões são óbvias: Na prática só voa para a região a companhia de bandeira. A SATA não tem músculo para fazer sombra à Tap. Além disso, são companhias parceiras de negócio – partilham aviões e lugares, na rota Funchal, continente. A Portugália é um sonho. Ainda voam os aviões, mas a empresa já não existe. Foi “engolida” pela Tap.
Só com base nestes três pressupostos é fácil perceber que não existiam, como ainda não existem condições para deixar o mercado funcionar. Nesta e noutras áreas, como é o caso do petróleo, ou dos cereais, por exemplo, quem fixa os preços é quem tem o poder.
A Tap agora cobra uma taxa por tudo e por nada: 50 EUROS, para quem mexer na data da passagem. Se não avisar com antecedência são mais 50 EUROS (100 euros) e no caso de não existirem lugares disponíveis na classe do bilhete, o passageiro é obrigado a desembolsar mais o acerto.
Exemplo prático: Viagem Funchal-Lisboa em classe económica 242,63. Foi necessário alterar o regresso + 50 euros de penalização + 42 euros porque não existiam vagas na classe adquirida . Total 334,63.
Em Portugal quem tem autoridade para fiscalizar este abuso de poder???? O Instituto Nacional de Aviação Civil? A polémica ASAE?? A Autoridade da Concorrência????
Será que os nosso governos (Madeira e Continente) – preocuparam-se em saber se existia concorrência na linha, antes de abrir o mercado??????
É um tema que dá pano para fazer muitos fatos.
Nem falo da hora que perdi entre os CTT; a agência de viagem onde comprei o bilhete e o balcão da Tap, que agora chama-se Groundforce. A minha sorte é que, as três entidades, não distavam uma da outra, mais de 15 metros. Levantei o subsídio no Aeroporto.
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18.5.08
Feminismo tomado de assalto?
E de repente, um congresso feminista foi tomado de assalto pela ILGA (essa associação de gente maluca, não pelas suas orientações sexuais, mas por serem mesmo fundamentalistas malucos) e já parece um congresso sobre a homossexualidade no feminino...
E, amiga WOAB, desta vez não é o meu conservadorismo que veio ao de cima. Foi mesmo a má opção que a UMAR decidiu tomar...
E, amiga WOAB, desta vez não é o meu conservadorismo que veio ao de cima. Foi mesmo a má opção que a UMAR decidiu tomar...
Verdade ou consequência?
Manuel Alegre defende que Portugal inteiro deveria sair à rua para a defender a honra do impoluto Mário Soares face aos ataques e insídias de um jornal angolano. Provem-me que as denúncias (que correm à boca pequena há já muitos anos) do dito jornal são reamente caluniosas e eu serei o primeiro da linha da frente. Caso contrário, engulam-nas!
As novas oportunidades, velhos vícios
As novas oportunidades, mas os velhos vícios. E as desculpas de ministra da Educação são completamente imbecis.
Então o estado (o tal que afirma querer acabar com o trabalho precário) tem milhares de formadores das Novas Oportunidades a trabalhar a recibos verdes e a alguns não paga há meses e a ministra (a tal que quer moralizar a classe docente) acha que este é apenas um problemazinho a resolver?
Então o estado (o tal que afirma querer acabar com o trabalho precário) tem milhares de formadores das Novas Oportunidades a trabalhar a recibos verdes e a alguns não paga há meses e a ministra (a tal que quer moralizar a classe docente) acha que este é apenas um problemazinho a resolver?
Ainda sobre o acto criminoso de Sócrates
Alguns querem fazer crer que o acto do primeiro-ministro ter puxado de um cigarrinho dentro de um avião, quando ele próprio criou uma lei que proíbe o fumo dentro de transportes públicos, é de somenos importância. Mais, há mesmo alguns que acusam o jornalista de conduta incorrecta pelo facto de se atrevido a noticiar o incidente, quando viajava à borla no avião fretado, parecendo que o repórter teria a obrigação de ter calado o crime porque convidado (diz muito acerca do que Miguel Sousa Tavares pensa e/ou fez do/no jornalismo).
Mais, parece que o mea culpa deveria ter lavado a imagem do primeiro-ministro. Pois, mas a questão não é essa. Para mim, o acto apenas indicia algo de muito grave: que esta gente julga-se acima de lei e que não se reconhecem a si próprios os deveres que querem impor a todos os outros.
Aliás, a situação já chegou a um tal nível que mesmo deputados como João Soares acham que não têm que cumprir as regras que criaram, conforme demonstra a sua resposta à questão colocada pelo jornalista do Expresso sobre a não actualização da sua declaração de interesses.
Também acho piada, esta de andar a fretar aviões a torto e a direito. Ainda lembro-me de uma certa polémica que envolveu políticos do PSD, por não viajarem em voos comerciais. Mas esses eram outros tempos...
Mais, parece que o mea culpa deveria ter lavado a imagem do primeiro-ministro. Pois, mas a questão não é essa. Para mim, o acto apenas indicia algo de muito grave: que esta gente julga-se acima de lei e que não se reconhecem a si próprios os deveres que querem impor a todos os outros.
Aliás, a situação já chegou a um tal nível que mesmo deputados como João Soares acham que não têm que cumprir as regras que criaram, conforme demonstra a sua resposta à questão colocada pelo jornalista do Expresso sobre a não actualização da sua declaração de interesses.
Também acho piada, esta de andar a fretar aviões a torto e a direito. Ainda lembro-me de uma certa polémica que envolveu políticos do PSD, por não viajarem em voos comerciais. Mas esses eram outros tempos...
A minha ausência não quer dizer que esteja ausente.
Apenas ocupo-me com outras coisas.
Gosto da globosfera, mas por razões várias. Por falta de imaginação, por preguiça, por falta de tema………afastei-me…..
Para ti, Sancho, um grande abraço. Sem o teu contributo este “blogue” já teria encerrado as portas. Para o Gonçalo – o pai da criança – outro abraço. São os motores deste espaço.
Para os leitores - todos sem excepção – o meu muito obrigado pelas vossas visitas.
Não é um texto de despedida.
Espero que seja, o continuar..............
Apenas ocupo-me com outras coisas.
Gosto da globosfera, mas por razões várias. Por falta de imaginação, por preguiça, por falta de tema………afastei-me…..
Para ti, Sancho, um grande abraço. Sem o teu contributo este “blogue” já teria encerrado as portas. Para o Gonçalo – o pai da criança – outro abraço. São os motores deste espaço.
Para os leitores - todos sem excepção – o meu muito obrigado pelas vossas visitas.
Não é um texto de despedida.
Espero que seja, o continuar..............
14.5.08
Áh e tal que eu não sabia!
Declaração de interesses: nada tenho contra um cigarrinho e até acho que cai bem numa viagem tão longa.Mais, acho um absurdo esta perseguição a que os fumadores estão sujeitos.
Mas o que Sócrates e o Pinho fizeram não é um erro ingénuo: é uma hipocrisia que mostra que estes senhores acham estar isentos do sistema legal nacional.
E já agora, será que se eu violar alguma lei, bastará pedir desculpa para ser absolvido (Artigo n.º 6 do Código Civil: "A ignorância ou má interpretação da lei não justifica a falta do seu cumprimento nem isenta as pessoas das sanções nela estabelecidas)?!
O que acontecerá a este delito?
Israel: against all odds
Já por diversas vezes defendi que não se cria um país por decreto, alegando ser um direito tradicional e divino, conforme aconteceu com Israel. Todo o processo de criação do estado israelita foi mal conduzido, apoiado e aconselhado pelas potências ocidentais. É, naturalmente, legítima a luta dos palestinianos por uma terra que possam chamar de sua.No entanto, não podemos deixar de admirar um país que lutou - algumas vezes com um exército maltrapilho - diversas vezes contra exércitos combinados; que foi capaz de atrair para o meio do deserto inúmeros judeus espalhados pelo mundo fora, onde quase toda a população com idade superior a 40 anos esteve activamente envolvido em, pelo menos, uma batalha; que fez renascer um língua moribunda e ritual (hebraico), transformando-a numa língua viva de pleno direito; que colecciona uma quantidade enorme de prémios Nobel e que, contra todas as expectativas, consegue celebrar 60 anos de independência.
Portanto, está de parabéns Israel e toda a sua população.
8.5.08
Farto de Portugal
6.5.08
Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és!
Áh e tal, que isto é perseguição ao PM; que Sócrates é mesmo licenciado e tem boa formação académica (?); que foi ele que assinou aqueles projectos (são feios? Mas o homem não é arquitecto!); que ele nunca esteve metido em maroscas (como a do Freeport); que não era ilegal ser deputado em regime de exclusividade e exercer outra actividade; que está tudo dentro da lei e é transparente, naquele processo da Estradas de Portugal; que Sócrates nunca cometeu uma ilegalidade na vida; que é um exemplo de honestidade e virtude; que nunca tentou condicionar a liberdade de expressão de ninguém.
Para alguns patetas, Sócrates é um santo, o D. Sebastião regressado.
Está tudo muito bem, mas, uma vez mais, lá vêm os jornalistas noticiarem que um ex-professor de Sócrates na Independente (leccionou 4, das 5 cadeiras) foi pronunciado pelos crimes de corrupção e branqueamento de capitais. Claro que as denúncias de que teria sido Sócrates quem teria dado ordens para que António Morais [então seu professor e militante do PS] fosse encarregue da preparação e assessoria do concurso para a construção de um aterro não passam de fantasias maléficas de uma conspiração contra o magnânime líder. Claro que o facto do réu ser, na altura, assessor de Armando Vara, também é pura coincidência. Se o homem for condenado (coisa que duvido), as ligações que teve a Sócrates ou a Vara não passaram de meros encontros ocasionais na vida de todos nós. Porque Sócrates é incólume, um exemplo de pureza, constantemente conspurcado pela lama atirada a si, apenas porque teve, por vezes, ligações pouco recomendáveis!
Para alguns patetas, Sócrates é um santo, o D. Sebastião regressado.
Está tudo muito bem, mas, uma vez mais, lá vêm os jornalistas noticiarem que um ex-professor de Sócrates na Independente (leccionou 4, das 5 cadeiras) foi pronunciado pelos crimes de corrupção e branqueamento de capitais. Claro que as denúncias de que teria sido Sócrates quem teria dado ordens para que António Morais [então seu professor e militante do PS] fosse encarregue da preparação e assessoria do concurso para a construção de um aterro não passam de fantasias maléficas de uma conspiração contra o magnânime líder. Claro que o facto do réu ser, na altura, assessor de Armando Vara, também é pura coincidência. Se o homem for condenado (coisa que duvido), as ligações que teve a Sócrates ou a Vara não passaram de meros encontros ocasionais na vida de todos nós. Porque Sócrates é incólume, um exemplo de pureza, constantemente conspurcado pela lama atirada a si, apenas porque teve, por vezes, ligações pouco recomendáveis!
Parabéns Marítimo. Mas é preciso melhor...
Sou maritimista. Já antes de ser adepto do Benfica, era sócio do Marítimo. É, por isso, uma enorme alegria assistir a mais uma presença dos campeões das Ilhas na Taça UEFA.Por mais essa proeza, estão os jogadores de parabéns, está o treinador, está a direcção e está toda a massa associativa.
O momento é de festa merecida, porque a verdade é que o Marítimo foi prejudicado diversas vezes este ano, revestindo-se esta conquista de um sabor especial. Porque efectivamente, foi uma vitória contra um sistema mafioso que existe, a despeito do que alguns nos querem fazer crer.
Não podem os confeitos, no entanto, ofuscar-nos. A presença na Taça UEFA não é mais do que a obrigação do Marítimo. Não este ano, mas todos os anos. A isto, têm os maritimistas legitimidade para exigir à direcção, atendendo ao facto de ser o 4º maior orçamento da BwinLiga.
Portanto, esta vitória deve fazer-nos, maritimistas, reflectir e perguntar porque é que não estamos lá todos os anos.
Não chego ao ponto de exigir o 4º lugar, como alguns, mas a verdade é que este feito não pode branquear os maus resultados desportivos anteriores. E devem continuar a ser atribuídas as responsabilidades a quem as tem!
PS - Quero ver se a direcção vai, uma vez mais, desmembrar a equipa como tem feito noutros anos, com os maus resultados económicos e desportivos que se tem visto!
ALRM: será necessário encerrar?
Mais um exemplo de que são muito poucos aqueles que respeitam a Assembleia Legislativa Regional.Isto não foi um protesto: foi uma palhaçada orquestrada pelas cabecinhas da burguesia bom humorada do PND (para a qual, naturalmente, José Manuel Coelho não passa de bobo da corte).
Lamentável!
Imagem roubada do Diário de Notícias da Madeira
2.5.08
Pequenos prazeres
1.5.08
O que terão feito a Miguel de Sousa Tavares?
Terá Miguel Sousa Tavares sido abusado, quando menino (do Rio?), por algum(a) madeirense social-democrata? É que o homem destila um ódio visceral aos madeirenses e ao PSD que só se poderá explicar por um verdadeira trauma infantil...
Allô Allô Maya!
A ausência dos meus fracos escritos fica a dever-se a duas coisas. À manifesta falta de tempo - não é todos os dias que se fazem 500 Anos -, que é sempre uma óptima desculpa. Mas também a algum desencanto com a blogosfera.
Fui dos primeiros, cá no burgo, a entrar neste admirável mundo que já não é novo. E gostava do ar fresco da coisa. Gostava da leveza com que se encaravam textos que apenas exprimiam humores do momento.
Gostava do sítio porque era pouco frequentado e porque a maioria dos habitués não se levava a sério. Era como estar sentado à porta de um bar de estrada, com uma cerveja na mão, a dizer piadas idiotas sobre o mundo que ia passando a uns tipos que mal conhecia. Sem dramas ou tramas, sem comprometimentos ou aborrecimentos.
Mas de facto, o mundo andou depressa. A tasca fechou e no seu lugar instalou-se uma espécie de restaurante com cerveja estupidamente cara, cheio de tipos importantes a falar sobre coisas importantes. Acabaram-se as piadas sobre o mundo porque o mundo deixou de passar e sentou-se à nossa frente. De fato e gravata, como lhe convém.
Aguentei a conversa por uns tempos. Mas depois fartei-me. Hoje, jornais, parlamento, blogs confundem-se. Os textos, os discursos, os tiques, os interesses são os mesmos. Tal como acontecera no "contenênte", a blogosfera de cá foi tomada de assalto. Legitimamente, é preciso que se diga. Foi um assalto... legítimo (e eu continuo com a mania de escrever tudo de uma vez, sem voltar atrás para corrigir disparates de escrita ou pensamentos verdadeiramente mirabolantes). Mas que resultou naquilo que era esperado, ou seja, hoje a maioria dos blogs são apêndices de partidos. São o "Avante" em versão pós-moderna. São como o jornal do Sporting: Eu leio, porque para mim tudo o que se escreve em letras verde-garrafa é verdade... Mas sinceramente, começa a chatear-me.
Porque hoje já não se escrevem asneiras (para além das minhas, obviamente), porque na blogosfera deixou de haver aquela ternura de Verão de todos os começos. Porque a blogosfera envelheceu e desatou a querer casar e ter filhos e a fazer planos para uma casa de férias. Porque deixou de brincar para se transformar numa merda chata, sem graça, cinzenta, sem ponta por onde se pegue nem corno onde se agarre. Porque se começou a levar a sério.
Por isso, se calhar faço como o brasileiro e tiro "o time de campo". Se calhar... Ou então opto pelo plano "b": continuo a escrever as bostas que tenho escrito ultimamente.
Não sei, vou pensar nisso... Vou ver o que me dizem os astros...
(Allô Allô Maya, tá por aí?)
Fui dos primeiros, cá no burgo, a entrar neste admirável mundo que já não é novo. E gostava do ar fresco da coisa. Gostava da leveza com que se encaravam textos que apenas exprimiam humores do momento.
Gostava do sítio porque era pouco frequentado e porque a maioria dos habitués não se levava a sério. Era como estar sentado à porta de um bar de estrada, com uma cerveja na mão, a dizer piadas idiotas sobre o mundo que ia passando a uns tipos que mal conhecia. Sem dramas ou tramas, sem comprometimentos ou aborrecimentos.
Mas de facto, o mundo andou depressa. A tasca fechou e no seu lugar instalou-se uma espécie de restaurante com cerveja estupidamente cara, cheio de tipos importantes a falar sobre coisas importantes. Acabaram-se as piadas sobre o mundo porque o mundo deixou de passar e sentou-se à nossa frente. De fato e gravata, como lhe convém.
Aguentei a conversa por uns tempos. Mas depois fartei-me. Hoje, jornais, parlamento, blogs confundem-se. Os textos, os discursos, os tiques, os interesses são os mesmos. Tal como acontecera no "contenênte", a blogosfera de cá foi tomada de assalto. Legitimamente, é preciso que se diga. Foi um assalto... legítimo (e eu continuo com a mania de escrever tudo de uma vez, sem voltar atrás para corrigir disparates de escrita ou pensamentos verdadeiramente mirabolantes). Mas que resultou naquilo que era esperado, ou seja, hoje a maioria dos blogs são apêndices de partidos. São o "Avante" em versão pós-moderna. São como o jornal do Sporting: Eu leio, porque para mim tudo o que se escreve em letras verde-garrafa é verdade... Mas sinceramente, começa a chatear-me.
Porque hoje já não se escrevem asneiras (para além das minhas, obviamente), porque na blogosfera deixou de haver aquela ternura de Verão de todos os começos. Porque a blogosfera envelheceu e desatou a querer casar e ter filhos e a fazer planos para uma casa de férias. Porque deixou de brincar para se transformar numa merda chata, sem graça, cinzenta, sem ponta por onde se pegue nem corno onde se agarre. Porque se começou a levar a sério.
Por isso, se calhar faço como o brasileiro e tiro "o time de campo". Se calhar... Ou então opto pelo plano "b": continuo a escrever as bostas que tenho escrito ultimamente.
Não sei, vou pensar nisso... Vou ver o que me dizem os astros...
(Allô Allô Maya, tá por aí?)
28.4.08
Contributos para uma discussão fundamentada sobre o acordo ortográfico II
Mais um bom contributo do Miguel Fonseca para uma discussão fundamentada sobre a necessidade de um acordo ortográfico e a natural evolução da(s) língua(s).
Mantenho o que já havia dito: não tenho opinião formada sobre este acordo em concreto.
Se por um lado sou sensível à necessidade de aproximar o português de Portugal ao português falado nos outros países de língua oficial portuguesa, por outro também acho que é fundamental que o português (de Portugal) não se abrasileirize por decreto. A aproximação nunca poderá ser feita apenas pela cedência de um dos lados, a despeito da história, cultura e tradição do(s) outro(s). Teria de ser feito um acordo que aproximasse as duas "línguas" e não a absoluta submissão de uma delas, como parece ser o caso.
A língua evolui naturalmente (ou ainda estaríamos a falar português arcaico, ou uma espécie de castelhano, ou o dialecto latino que se falava na Península Ibérica, ou...), de forma lenta, ou de forma mais abrupta. Atendendo à imperiosa necessidade de aproximação de todas as formas escritas de português, admito que se dê o salto. Não deveria, contudo, ser apenas à custa do português de Portugal, mas sim uma solução de compromisso.
Por outro lado e se o que queremos é criar uma certa uniformização do português escrito em todos os países que adoptaram o português como sua língua oficial, os contributos dos países africanos não deveriam ser olvidados. Aliás, o acordo não deveria ser apenas ortográfico e deveria ter havido uma revisão que enriquecesse verdadeiramente a língua, com a introdução de regionalismos.
Tenho também ouvido argumentos de que o português de Portugal tem perdido a sua "pureza" (na falta de melhor sinónimo) devido aos anglicanismos (ou inglesismos, se preferirem). Mas, curiosamente, os inglesismos têm como porta principal de entrada o Brasil (e, em breve, Moçambique): lóbis, por exemplo (só não me ponham a escrever esnuca!).
Quanto ao argumento evocado pelo Zé da Burra de que os linguistas não precisam de ser ouvidos, tal como os juízes e advogados não produzem legislação, parece-me não ter grande sustentação, uma vez que cabe aos juristas enquadrarem legalmente as propostas legislativas dos políticos. E contraponho, ainda, de outra forma: os políticos decidem a construção de uma ponte, mas quem é que deve analisar as condições que devem ser observadas para a pôr de pé? Serão as negociações políticas?
Mantenho o que já havia dito: não tenho opinião formada sobre este acordo em concreto.
Se por um lado sou sensível à necessidade de aproximar o português de Portugal ao português falado nos outros países de língua oficial portuguesa, por outro também acho que é fundamental que o português (de Portugal) não se abrasileirize por decreto. A aproximação nunca poderá ser feita apenas pela cedência de um dos lados, a despeito da história, cultura e tradição do(s) outro(s). Teria de ser feito um acordo que aproximasse as duas "línguas" e não a absoluta submissão de uma delas, como parece ser o caso.
A língua evolui naturalmente (ou ainda estaríamos a falar português arcaico, ou uma espécie de castelhano, ou o dialecto latino que se falava na Península Ibérica, ou...), de forma lenta, ou de forma mais abrupta. Atendendo à imperiosa necessidade de aproximação de todas as formas escritas de português, admito que se dê o salto. Não deveria, contudo, ser apenas à custa do português de Portugal, mas sim uma solução de compromisso.
Por outro lado e se o que queremos é criar uma certa uniformização do português escrito em todos os países que adoptaram o português como sua língua oficial, os contributos dos países africanos não deveriam ser olvidados. Aliás, o acordo não deveria ser apenas ortográfico e deveria ter havido uma revisão que enriquecesse verdadeiramente a língua, com a introdução de regionalismos.
Tenho também ouvido argumentos de que o português de Portugal tem perdido a sua "pureza" (na falta de melhor sinónimo) devido aos anglicanismos (ou inglesismos, se preferirem). Mas, curiosamente, os inglesismos têm como porta principal de entrada o Brasil (e, em breve, Moçambique): lóbis, por exemplo (só não me ponham a escrever esnuca!).
Quanto ao argumento evocado pelo Zé da Burra de que os linguistas não precisam de ser ouvidos, tal como os juízes e advogados não produzem legislação, parece-me não ter grande sustentação, uma vez que cabe aos juristas enquadrarem legalmente as propostas legislativas dos políticos. E contraponho, ainda, de outra forma: os políticos decidem a construção de uma ponte, mas quem é que deve analisar as condições que devem ser observadas para a pôr de pé? Serão as negociações políticas?
27.4.08
Fartos de beatas
Lá, como cá, defendo sempre o mesmo que, de resto é o mesmo que tu: atire-se às beatas, à Eça de Queiroz!!
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