6.9.08

Hipocrisia do PS-Madeira

Lido hoje no Diário de Notícias da Madeira:
"Manifestamente indecorosa".
É desta forma que o Grupo Parlamentar do PS define a Portaria da Secretaria Regional da Educação que regula os escalões da Acção Social Educativa. Referindo-se à notícia do DIÁRIO de que metade dos alunos matriculados na RAM beneficia de apoio público para alimentação, transportes e manuais, o PS refere que este número explica a dimensão do fenómeno da pobreza, "e a necessidade de políticas integradas de família que não podem se esgotar num apoio de natureza caritativa". Até porque nestes 47%, que beneficiam de apoio escolar, não estão contemplados os agregados familiares com um rendimento 'per capita' igual ou superior a 261 euros. Valor que, à luz do actual custo de vida das famílias, significa "um evidente estado de pobreza". Com estes indicadores, o PS considera que o governo mostra-se cego à realidade económica e social, preferindo distribuir umas migalhas aos pobres e excluídos. "O governo aposta na obra física, em estádios, naquilo que não é socialmente relevante, e deixa de lado a obra educativa que é a base do futuro da Região", salientam os socialistas. "
Ora, perante isto só me apetece dizer: vão lá ser hipócritas para o raio que vos parta!

Declaração de interesses: 261EUR per capita é mesmo um valor miserável.

5.9.08

Cartas a um amigo comunista I

Hoje, que é inaugurada a edição deste ano da Festa do Avante (este ano, que planeava confraternizar com os meus amigos comunistas naquela que é a sua festa, sou impedido por um evento bem mais burguês!), vou dar início a uma rubrica nova, que se chamará Cartas a um amigo comunista.
O título, como é evidente, não é da minha autoria, mas é uma adaptação das Cartas a um amigo alemão, que Albert Camus escreveu a partir de 1943.
Tentarei manter alguma frequência nestas missivas.

Caro amigo,

hoje para ti é dia de festa pelo que não te maçarei com questões demasiado doutrinárias ou discussões sobre práxis política.
Para começar este conjunto de missivas, apenas uma nota prévia sobre algo que venho vindo a observar e que nos distingue: eu prefiro a pior das democracias à melhor das ditaduras. Não estou tão certo que partilhes desta minha premissa.
Sei bem que a dicotomia que estabeleço é simplista, mas a ideologia subjacente é real: eu defendo o direito inalienável da liberdade individual, enquanto tu estás disposto a abdicar desse direito em prol de um bem comum que entendes poder ser garantido por um regime de partido único. Acho que aqui, jamais estaremos em acordo!
Um abraço,

Queimem o Pinho II

Parece que este foi o pior Agosto de sempre para o turismo algarvio.
Irão dizer: ah e tal que é a crise internacional, mas não deixa de ser curioso que tal aconteça quando se substituiu a marca Algarve por aquela imbecilidade e completamente estapafúrdia que dá pelo nome de Allgarve.
E aos empresários e gentes algarvias nem sequer valeram as poses mais idiotas do Pinho (insisto: a única forma de ser bem aproveitado é queimando-o), como aquela ao lado do Phelps.

Desemprego e irresponsabilidade

Quando ouvimos os socialistas ou os comentadores mais próximos (lacaios?) do governo da República falarem sobre o desemprego, parece que não há problema nenhum, visto que a diferença entre a percentagem de desempregados apenas aumentou 0,1% em três anos (passou de 7,2% para 7,3%). Chegam mesmo a falar de criação de emprego. Porque para estes senhores a demagogia não tem fim e o que importa é vender a ideia de que vivemos no melhor dos mundos, mesmo que isso seja feito à custa da miséria de 450 mil famílias.
Gritem o que quiserem mas a verdade é só uma: em três anos, a taxa de desemprego e o número de desempregados cresceu. Repito: cresceu! Tudo o resto são tretas demagógicas e irresponsáveis.

Comunicação institucional, ou mera propaganda?

Quando Santana Lopes falou em criar uma central de comunicação do Estado, parecia que o mundo iria acabar, como se o que se pretendesse fosse contratar o próprio Goebbels. Agora, o governo socialista cria um gabinete de comunicação (gab.comunicacao@me.gov.pt) e a inteligentsia aplaude, porque é preciso comunicar.
Assim se vê quem beneficia quem!

4.9.08

"Não entres tão depressa nessa noite escura"*, ou a política do embuste animada com palminhas babadas

Não haja dúvidas que a central de comunicação do governo socialista é uma máquina bem oleada. Conseguem criar manchetes e aberturas de telejornais não apenas com aquilo que fazem, como também com mentiras, embustes e demagogia, querendo fazer-nos acreditar que estamos perante o melhor governo do mundo (ideia que alguns estão dispostos a engolir sem qualquer tipo de crivo crítico sustentado).
Desta feita, apenas duas medidas "anunciadas" pelo governo e ambas relacionadas com a educação.
A primeira tem a ver com o denominado passe escolar «4_18@escola.tp», que visa a redução para metade do preço do passe de transportes públicos (120 transportadoras, segundo anunciam). Ora, vejamos o embuste: desde 1984 (decreto-lei 299/84) que qualquer criança que frequente a escolaridade obrigatória e que resida a mais de 3 km da escola da sua área de residência tem direito a transporte escolar gratuito, garantido pelas autarquias. Para os alunos do secundário (pelo menos até aos 18 anos, portanto), os transportes são comparticipados em pelo menos 50%, desde que os alunos não fiquem retidos mais do que 2 anos. Estão de fora: as crianças que frequentam a estabelecimentos de educação pré-escolar (entre os 4 e os 6 anos). Todavia, quase todos os municípios, ao prepararem os seus mapas de transportes escolares, integram também o transporte para estas crianças (com níveis de apoio que vai do gratuito até 50% de comparticipação), até porque crianças de 4 anos não vão para os jardins de infância sozinhas, numa qualquer linha da Carris ou do Metro de Lisboa.
Por outro lado, muitas autarquias já criaram outros apoios, como passes jovens e passes sociais, cujos benefícios ultrapassam os previstos para esta nova medida.
Medida embusteira, portanto. Mas é mais grave: o governo lança a medida, mas quer que as autarquias, que já asseguram os custos inerentes ao transporte escolar, assegurem, igualmente, os custos com esta nova medida, que irá apenas beneficiar alunos que frequentam estabelecimentos de ensino a menos de 3 km da sua residência (medida ecológica, como se vê, que promove o pedestrianismo). Ora, não é apenas um embuste: é uma aldrabice que o governo quer ver paga pelas autarquias; que não tem qualquer pertinência socio-educativa; e que não promove hábitos saudáveis, bem pelo contrário.
Segundo: acção social escolar (ASE) que, de acordo com a central de comunicação (leia-se governo), irá triplicar o número de crianças subsidiadas. Antes de mais, outra aldrabice a ser paga pelas autarquias, uma vez que de acordo com o decreto-lei 144/2008, a acção social escolar para os 1º, 2º e 3º ciclos (a quem se destina esta medida) passa a ser uma competência das autarquias (apenas o 1º ciclo estava já descentralizado). Ou seja, o governo apresenta esta como se fosse um custo social por si assumido, quando o que pretende é recolher dividendos políticos de um custo que será assumido integralmente pelas autarquias. Mais: esta alteração de paradigma não foi negociada e passaram este presente envenenado, dado que a verba inscrita em orçamento de estado previsto para esta descentralização de competências não cobre estas alterações.
Por outro lado, também anunciam que o número de beneficiários irá triplicar. Não sei se é verdade (porque não conheço o número de beneficiários de abono familiar), mas o que sei é que o valor do Indexante de Apoio Sociais (IAS) que serve de referência à fórmula faz subir em cerca de 150€ o rendimento familiar para atribuição do apoio (por exemplo: uma família com dois filhos para receber ASE a 100% não poderia ter um rendimento mensal superior a 856€, passando, com as novas regras, a 1021€), o que é efectivamente uma boa notícia mas não é, de todo, uma revolução ao nível de apoio social, conforme nos quiseram vender. Repare-se que para que uma criança receba ASE a família não poderá ter um rendimento per capita superior a 255€, o que não deixa de ser um valor miserável.

Esta é a política deste governo: embusteira, trapaceira e mentirosa, que visa apenas obter dividendos políticos, sem que contribua efectivamente para a qualidade de vida das pessoas.

PS – Curioso que não se veja qualquer socialista madeirense a vociferar contra os órgãos de comunicação social do continente - que se dispõem a vender este “peixe” conforme lhes fazem chegar através do notas de imprensa, criando embustes e falácias -, conforme os vemos gritar na Madeira. É o conceito de “democracia...mas pouco!” (se forem do meu partido, acrescento eu).
* Título roubado a António Lobo Antunes

3.9.08

It's all about it

O Sr. Lori Sandri, treinador do Marítimo, quando questionado sobre o adversário que coube em sorte à sua equipa na Taça UEFA respondeu desta forma: O pior possível.

Pois bem, do ponto de vista desportivo o Sr. Sandri até tem razão: É tão dificil ao Marítimo eliminar o Valência como a mim equilibrar-me nuns patins em linha. O drama é que, sem culpa, o Sr. Sandri não sabia que o mesmo Valência era, presumivelmente, o melhor adversário possível.

Baralhados? Então passo a explicar: A política desportiva do Governo Regional é justificada pela necessidade de promoção externa da Madeira. O argumento é, na minha opinião, discutível, embora a utilização do desporto enquanto veículo de comunicação de uma região ou de um país seja mais frequente que os assaltos a bombas de gasolina no continente. Basta ver, a outra dimensão, o esforço que a China fez para ganhar mais medalhas de ouro do que todos os outros em Pequim.

Partindo do pressuposto aqui enunciado, uma eliminatória disputada em Valência será sempre uma excelente oportunidade para promover o destino Madeira. Senão vejamos: Valência é a terceira cidade espanhola em número de habitantes. Valência é, logo depois de Barcelona e Madrid, a mais rica, mais dinâmica e mais pujante urbe do reino de “nuestros hermanos”. Espanha é, neste momento, um dos mais importantes mercados emissores de turismo para a Região. Juntando as variáveis desta equação é fácil perceber que a presença do Marítimo na cidade que roubou descaradamente a America’s Cup a Santana Lopes e a Lisboa-Cscais, aliada à criatividade necessária nestas situações, seria uma espécie de tiro na mouche – para o Turismo cá do burgo.

Aqui vão, de borla, algumas sugestões. Que obviamente não serão postas em práctica:

- Entrar em contacto imediato com o Dep. de Comunicação do Valência Club e sugerir-lhes que um vídeo da Madeira seja passado nos ecrãs gigantes do estádio antes do jogo e durante o intervalo. Caso não existam confiltos com patrocinadores do clube da casa, os espanhóis cederão sem grandes dramas.

(atenção: nos contactos como Valência existem palavras proíbidas: Quique Flores, Koeman ou Sarapandiquipiti são três delas. Só para evitar que chatisses!)

- Sugerir a inserção de material de comunicação da Madeira – texto, imagem - no Guia do Jogo, instrumento que, nos estádios decentes, chega à maioria dos espectadores;

- Contratar uma empresa local para deixar um flyer ou outro material de comunicação da Madeira em cada uma das cadeiras do estádio do Valência;

- Desenvolver acções de charme na zona vip e na sala de imprensa do Estádio, com distribuição de material informativo.

(sim senhor, o bolo de mel e o vinho podem entrar... Mas evitem o brinquinho, o despique e a poncha. São acções de... charme, não sei se me faço entender!)

- Colocar, nas imediações do recinto desportivo (estações de metro e de autocarros, por exemplo), algumas promotoras contratadas localmente para a distribuição de material informativo sobre a Madeira;

- Definir espaços na cidade (nas imediações do estádio) para a colocação de material de grande formato a promover o jogo e a Madeira. Para tal será necessário contactar uma das muitas empresas que, em Valência, fazem a gestão comercial dos espaços de comunicação;

(pois, não sei se um cartaz cor de laranja com a Madeira em marcha é o mais adequado, mas enfim...)

- O Gabinete de Imprensa da Secretaria do Turismo deveria, imediatamente após o sorteio, ter entrado em contacto com órgãos de informação locais para tentar colocar entrevistas de responsáveis locais pelo Turismo, que assim apanhariam a boleia da bola.

(por boleia entenda-se táxi, porque a viagem há muito que está paga!)

Seria fácil fazer isto:

- Sim! Se existisse uma estrutura capaze de responder com eficácia e rapidamente às oportunidades que os desporto subsidiado proporciona.

E esse é o drama – e o cerne desta questão: Quem gere os dinheiros do desporto é o IDRAM. Faz sentido. Mas ninguém gere a marca desportiva da Região. Pura e simplesmente porque ela não existe e, como toda a gente sabe – ou devia saber –, ninguém gere o inexistente.

(até Deus, por horror ao vazio, nos criou a nós!)

Em resumo: temos um desporto fortemente subsidiado com o objectivo de promover a Região. Mas não temos instrumentos para maximizar o retorno do investimento feito pelo erário público. Faz sentido?

(as canções do Tony também não mas vendem p’ra caraças! Xiiii, foi-se a minha teoria...)

Não fará mais sentido criar uma marca que corporize a actividade, sendo esta gerdida pela Secretaria Regional do Tursimo? Serão os professores de Educação Física do IDRAM – com todo o respeito – especialistas em Comunicação, ou antes em Desporto?

(esqueçam a anedota de nome Madeira Sabor a Desporto. A sério, pá. Vá lá, isso foi a brincar. Não era a valer. Vá, vamos começar de novo... Um, dois...).

Não faz sentido maximizar recursos, trabalhando em conjunto com os clubes tendo por objectivo observar janelas de oportunidade para promoção nos calendários desportivos?

Não faz sentido estudar o Desporto, os seus públicos, e desenvolver acções específicas junto dos clubes ou atletas que representam a Madeira lá fora?

Tem lógica deixar esse tipo de responsabilidade aos dirigentes, sabendo que a maioria das simpáticas agremiações da terra – todas com excepção de Marítimo e Nacional - não têm dimensão para sonhar com um departamento de Marketing e de Comunicação.

Esta ausência de Comunicação em torno do fenómeno desportivo faz algum sentido?

Pois é, seu Sandri... Ocê, quando botou discurso, esqueceu o principau! Sei que no peito dos desafinado também báte um coração. Mais báte pela promoção, né.. Ou devia!

28.8.08

JO, Rosa Mota e o governo

Sejamos realistas: a participação portuguesa nos Jogos Olímpicos de Pequim foi, no mínimo, embaraçosa. Todos os portugueses esperavam, com legitimidade, por melhores resultados.
A verdade é que Vicente Moura nem sequer foi ambicioso ao "prometer" 4 medalhas e 60 pontos. Se tudo tivesse corrido "naturalmente", 4 medalhas era o mínimo exigível: Vanessa Fernandes, Nelson Évora, Naíde Gomes e Telma Monteiro davam-nos garantias de medalhas. E havia ainda outros perfeitamente medalháveis, como Francis Obikwelu ou João Rodrigues.
Portanto, a meta traçada por Vicente Moura era até demasiado humilde, para as reais potencialidades da comitiva portuguesa.
Quer isto dizer que estaria o Comité Olímpico Português (COP) obrigado a trazer medalhas? De modo algum! O desporto é assim mesmo e - perdoem o cliché - não existem vitórias antecipadas. O facto de ser perfeitamente plausível que esperássemos que viessem 5 ou 6 medalhas e a frustração que as prestações de alguns atletas nos trouxeram não põe em causa o trabalho do Comité Olímpico, seja ele bom ou mau. Mostra-nos apenas - e de novo - que para se fazer campeões é necessário muito trabalho sério e árduo, haver bons momentos de forma e um momento de "magia", misturado com uma ponta de sorte (que, manifestamente faltou à Naíde e sobrou a Phelps, por exemplo).
Também não quero com isto dizer que não devam ser acicatadas responsabilidades ao COP. Foi estabelecido um contrato-programa com o governo, com metas quantificáveis (e, insisto, nem sequer eram ambiciosas) que não foram atingidas. Assim, essa responsabilidade deve ser imputada ao COP e ao seu responsável máximo. Não pode Vicente Moura vir agora assobiar e fingir que nada se passou, "apenas" porque a miúda e o super-homem (leia-se Vanessa e Nélson) trouxeram medalhas. A atitude mais decente a ser tomada seria a demissão imediata, sem recandidatura.
Mas se é indecente este aproveitamento de Vicente Moura (já parece o Madaíl), não me enoja menos atitude do governo para com o COP, ou mesmo a atitude de Rosa Mota. Aliás, se do governo este tipo de atitude é expectável, apanhou-me de surpresa este "fazer-se ao piso" de Rosa Mota. Ela não precisava de nada disto e mancha um capital de credibilidade que vinha a acumular há anos.
Neste momento, com as declarações de Laurentino Dias, já todos percebemos que o governo tentará pintar um quadro extremamente negro da participação portuguesa em Pequim, com vista ao lançamento da ex-atleta do Porto, que tantos favores tem feito ao PS, para a liderança do COP. Ora, deste PS nada nos espanta, porque sabemo-los quererem minar e dominar todos os sectores da sociedade. Agora, da Rosa Mota esperava mais. Mais alguma elevação, mais alguma honestidade e menos perfídia (ora enaltece Vicente Moura, ora passa-lhe as mais abjectas rasteiras). Mas se esperava uma atitude mais digna da ex-atleta que tantas alegrias me deu, talvez não tenha sido uma surpresa tão grande: a omnipresença de Rosa Mota em tudo o que eram eventos olímpicos já indiciava o que vinha a caminho.
Para concluir, isto tudo que se está a passar resume-se numa palavra: nojento!

25.8.08

Adenda à treta do post anterior

Só para acrescentar um livrinho: nada de pornografia. A escolha também não recai no Horácio Bento de Gouveia, apenas ao alcance de funcionários da Universidade da Madeira.
O vencedor é... O estranho caso da boazona que me entrou pelo escritório adentro, do advogado portuense José Pinto Carneiro. E apesar do título, este é a sério, porque o livro ainda que brejeiro, é bastante divertido (não será propriamente um Jaime Bunda do Pepetela, mas é bastante aproveitável...)

Silly season, mas nem tanto.

Ora, mais uma vez a minha amiga WOAB lança-me um repto (não confundir com réptil!):
- Se, durante vinte e quatro horas em férias, pudesse assistir aos seguintes eventos, qual a ordem cronológica que escolheria para fazê-lo: dança/bailado; peça de teatro; exposição; cinema.

Antes de mais, a cidade, que isto da cultura também tem geografia delimitada. Londres, porque em mais nenhuma cidade se poderia assistir num mesmo dia a tantos espectáculos de qualidade.

Poderíamos começar com dança. Estive na dúvida entre uma lap dance e uma dança no varão, mas a ameaça do chapadão que viria caso optasse pela primeira escolha dissiparam-nas: a opção é mesmo dança do varão. Regalo para o olhos, mas longe das mãos.

Depois, uma exposição para relaxar: uma vez que nada do Tate´s interessa-me para já, visita ao mais recente museu londrino: Museu do Sexo Amora. Ainda para mais, a exposição é interactiva e parece que é possível um spankingzinho numa boneca que, no entanto, avisa se ultrapassarmos os limites do tolerável.

Após exercício físico intenso (a palmadinha pode não doer na boneca mas e o que faz às mãos?... - um tapinha não dói, o tanas!), sentava-me confortavelmente a ver um outro espectáculo. Desta vez, teatro. Pensei no musical Dirty Dancing, mas não me parece ousado o suficiente. Uma vez em Londres, escolheria uma pequena sala para ver a Cozinha Canibal, de Roland Topor. Uma bela história com gajas nuas e pornografia a rodos.

Para terminar, um cineminha (curiosa esta palavra!). Como ando um bocado farto de clássicos, nada de Garganta Funda. Sejamos modernos: Traseiros húmidos e suculentos seria uma boa escolha.

Vá WOAB, espero que as minhas escolhas tenham sido do teu agrado (sabes o quanto gosto de responder a este tipo de repto). Quem sabe e até passaríamos juntos um dia de tão intensa actividade cultural???

PS - Qualquer semelhança com taradice sexual não é mera coincidência!

PS1 - Uma vez que mo passaram, desafio o João e o Miguel a avançarem com as suas preferências.

23.8.08

Olavo Manica e o Cidade

Simpatizo com a causa do Olavo Manica, com a sua cruzada de denúncia das perversidades do regime de Chávez na Venezuela.
Simpatizo também com o emigrante retornado, que não domina as ferramentas de exposição do seu raciocínio, que é como quem diz: o homem até não pensa mal, mas não sabe escrever, ainda que isso possa não lhe ser imputável.
Feita esta declaração de interesse, é necessário dizê-lo com clareza: os textos de Olavo Manica no diário Cidade são, na sua maioria, imperceptíveis. Erros ortográficos, de sintaxe, de concordância, pontuação e acentuação incorrectas, enfim, nos seus textos encontra-se de tudo.
Bem sei que após Saramago todos temos legitimidade para querer reinventar a língua escrita. É, contudo, necessário um certo limite imposto pelo bom senso e pelo respeito pela palavra escrita.
Mas se me incomodam os (erros dos) seus textos, incomoda-me ainda mais que ninguém do Cidade os corrija. Não sei se por respeito à originalidade dos textos, se por vontade de manter a fidelidade da sua linguagem, se - ainda e mais grave - para achincalhar o seu autor, a verdade é que os textos são publicados independentemente dos erros que possam conter.
Ora, há aqui uma questão de responsabilidade social do Cidade para com os seus leitores: a revisão e correcção dos textos publicados no diário deveria ser uma exigência editorial. Porque demonstraria respeito para com os seus leitores.
Por isso espero que revejam, rapidamente, este procedimento de modo a podermos acompanhar os raciocínios do Olavo Manica sem parecer que estamos a ler numa outra língua, que não a portuguesa.

Intensidez


Para combater o marasmo que se apodera do Alentejo, uma lufada de ar fresco. Intensidez começa a ser um dos meus locais preferidos em Évora...

PS - Para além de um interessante projecto editorial e bibliocafé, também o projecto de arquitectura é exemplar. Do arquitecto alentejano Rui Russo, que está de parabéns.

21.8.08

Senhora de 500 anos

Porque para mim, é a cidade mais bonita do Mundo. Parabéns Funchal pelos 500 anos!
Roubada daqui.

Porque Horácio Bento de Gouveia disse-o melhor do que eu alguma vez serei capaz

"(...) Do tombadilho contemplou a cidade longamente. Impressionou-o a cidade estrelada de luzes que subiam da beira-mar até aos píncaros da montanha. A terra ia ficando para trás; a gambiarra que, a partir do cais, se estendia rente à babugem do mar e terminava na Pontinha, amortecia e mudava de perspectiva ao passo que o paquete se afastava. De repente, o cabo Garajau, como pano de boca de prescénio que baixasse, escondeu a visão maravilhosa da cidade. Então, nesse momento, Manuel sentiu que alguma coisa que lhe pertencia, que fazia parte do seu psiquismo, ficava ao abandono da sua vida de emoções. Os objectos que sua retina fixava todos os dias, a realidade visual, a terra que pisara tantos anos, as ruas que lhe haviam conhecido os passos - a ilha, o seu mundo, o alfobre das suas mais caras impressões sentimentais, sumia-se na negridão da noite; e as únicas sensações que o punham em contacto com a vida cifravam-se no ruído cavernoso da máquina do vapor e no balanço muito lento que o entontecia (...)."

Horácio Bento de Gouveia, Canga

20.8.08

Casamento e Cavaco: até que enfim! Começava a ser tempo...

Gostei do veto de Cavaco Silva à lei do divórcio. Porque ao contrário do que afirmou Alberto Martins, para mim o casamento não é apenas uma união de afectos, mas também de deveres:
Dever de Respeito; Dever de Fidelidade; Dever de Cooperação; Dever de Assistência.
Estes são deveres que, parece-me, todos nós concordaremos que devem ser mantidos e defendidos. Assim sendo, o Estado não pode premiar quem não cumpre com estes deveres conjugais e tem a responsabilidade moral de garantir a reflexão dos indivíduos perante tão importante compromisso.
Reconheço que, ideologicamente, poderão contrapor-se aqui razões de ordem individual, como a liberdade. Todavia, o Dever de Assistência à família, numa escala de valores, é para mim mais importante do que a liberdade individual, individualista e individualizante. Há sacrifícios? Claro que o casamento exige sacrifícios. Viver com outro, constituir família, não é fácil. Não deve, contudo - e em minha opinião - o Estado vir afirmar que o casamento não vale os esforços individuais.
E sejamos honestos, em última análise, é bastante fácil obter-se um divórcio em Portugal (parece que apenas 8% dos divórcios são litigiosos).
Por último, não podemos andar todos atrás das pequenas modas efémeras, apenas para nos assumirmos progressistas. Se queremos uma sociedade de valores, temos que a defender e não embandeirar em arco perante pequenos desejos individuais.

19.8.08

Memórias felizes de lugares perfeitos





















Porque a WOAB despertou as memórias, aqui ficam umas imagens do lugar mais perfeito do mundo...

Ciganos ou socialistas?

Por falar em ciganos, parece que um tal Lello - desta feita membro de família socialista - intercedeu junto do Ministério da Economia pelo Boavista, para obter mais uns beneciozinhos do IAPMEI.
Vai que a coisa tornou-se pública e afinal não há benefícios para ninguém. Desse tal Lello e da sua bondosa e honesta acção, nunca mais se ouviu falar.
Esta família pode não ser cigana, mas lá que parece...

Meras coincidências? Nã...

Parece que o advogado daquele impoluto cigano que passeava em família quando o seu filho levou um tiro do GNR fascista e xenófobo irá processar o guarda por homicídio.
É verdade: os gajos não eram ladrões nem estavam a roubar; não fugiram à GNR nem tentaram atropelar um guarda; um deles não tinha fugido da prisão há 8 anos; esse mesmo também não mentiu à polícia e ao Ministério Público, usurpando a identidade de outrem; era uma família de gente trabalhadora, honesta e simples, que conduzia (e conduzem) Mercedes. Provavelmente também não receberiam o Rendimento Social de Inserção.

Esta história, lembra-me ainda uma outra, de umas famílias também ciganas (coincidência!) que exigiam ser realojados porque não gostavam do bairro onde moravam. Queriam assim umas casas novas e argumentavam que iriam ser assassinados - pobres coitados, que vimos tão desarmados nas imagens televisivas - pelos pretos. Dessas famílias, 85% dos indivíduos de idade adulta também recebia Rendimento Social de Inserção porque - umas autênticas vítimas! - ninguém os emprega - e eles desejosos de trabalhar, como todos nós sabemos.

Duas histórias similares, passadas com indivíduos de uma determinada etnia.
Chamem-me de xenófobo, porco fascista, o que quiserem, mas insisto que a similaridade entre as duas histórias não é mera coincidência.

13.8.08

Santa Teresa Benedita da Cruz: a Santa Judia ou a descoberta da Verdade em Jesus

No dia 9 de Agosto celebrou-se o dia de Santa Teresa Benedita da Cruz, co-padreira da Europa.
Poderia a data ter importância apenas litúrgica. Mas falo nisso porque Santa Teresa Benedita é-me cara, pelo seu martírio, mas especialmente pela vida que levou e a intensidade com que sofreu o apelo da sua vocação.
Nasceu judia de nome Edith Stein, em Breslau (então Alemanha, hoje Polónia), no final do séc. XIX. Apesar do apelo familiar para professar o judaísmo, desde a sua juventude (14 anos, mais concretamente) que se auto-intitulou ateia. Talvez por isso tenha seguido Filosofia, tornando-se discípula da Fenomenologia de Edmund Husserl (também mestre e amigo de Martin Heidegger e atraiçoado por este último), chegando mesmo a ser sua professora assistente na universidade.
Defendia, portanto, o ateísmo militante, ainda que reconhecesse que a fenomenologia husserliana permitia a verdade católica (estabelece mesmo, ou pretende estabelecer, uma ponte mística entre a filosofia e Deus, como um dia reconheceu Husserl).
Aos 30 anos lê a autobiografia de Santa Teresa de Ávila e fica maravilhada. Aos 31 anos é baptizada, contra a vontade da família. Aos 42 entra para as Carmelitas Descalças, tomando o nome de Santa Teresa Benedita da Cruz, em honra da sua devoção pela homónima de Ávila e por Jesus Cristo.
Em 1940 foge da perseguição nazi para a Holanda, mas é alvo de denúncia e é presa e levada para Auschwitz, continuando a envergar o hábito das carmelitas e onde tentava converter os judeus ao cristianismo (entendia ser essa a sua missão evangelizadora).
Morreu, gaseada, no dia 9 de Julho de 1942.
Ao longo da sua vida como cristã tentou conciliar a fenomenologia com a tradição filosófica da cristandade, mais concretamente de S. Tomás de Aquino, tendo produzido algumas obras como "Ser finito e Ser eterno", "A ciência da cruz" ou "Diálogo nocturno". Poderia ter sido uma filósofa brilhante (Max Scheller o reconhecia). Preferiu ser "noiva" de Jesus, entendendo que como religiosa prestava um melhor serviço à humanidade.
Por tudo isto, Santa Teresa Benedita da Cruz é uma das minhas mais dilectas Santas, até porque a minha devoção é também intelectual.

Anúncio de construção de uma nova linha? Não, são uns grandiosos 200 metros...

Caros amigos socialistas não corem: é verdade, o governo que vocês tanto veneram não se limita a inaugurar obra já feita (atitude que vós tanto criticam no governo regional). O governo do vosso contentamento ultrapassa quem querem imitar e inauguram o lançamento de uma obra de uns grandiosos 200 metros. É verdade, a senhora secretária de Estado dos Transportes, com toda a pompa e circunstância, chama a comunicação social para anunciar a assinatura de um contrato de construção. Prodigioso, não haja dúvida...

8.8.08

Sobre as declarações do Presidente da República

Diga-se com clareza: a declaração de Presidente da República sobre a proposta de revisão do Estatuto Politico-administrativo do Açores mais não revela do que um sentir anti-autonómico primário e profundamente centralista de que Cavaco Silva padece desde sempre.
Quanto às normas inconstitucionais, estamos conversados: têm que ser revistas ou então terá a Constituição que ser alvo de uma revisão.
No que toca às outras normas, aquelas a que Cavaco mostrou "sérias reservas", visto não violarem a lei fundamental, parece-me que tomada de posição do Presidente foi despropositada. Uma vez que são normas políticas, a opinião do presidente não passa disso mesmo: de uma opinião, uma vez que a Assembleia da República tem toda a legitimidade para as propor.
Mas reconhecendo-lhe o direito de fazer uma comunicação ao país sobre o que bem lhe apetecer, o que o Presidente disse tem consequências profundamente graves:
1. tendo o Estatuto sido aprovado por unanimidade, Cavaco Silva mostrou um desrespeito enorme pela Assembleia da República enquanto órgão de soberania, uma vez que levanta suspeitas sobre a sua legitimidade para propor um aprofundamento da autonomia dos Açores dentro do quadro legal.
2. Cavaco contribuiu para a emergência do fantasma independentista, visto a gravidade com que fez a sua comunicação ter provocado na população portuguesa continental uma desconfiança sobre o modelo de autonomia progressiva e, em última análise, sobre as próprias autonomias.
Se a primeira consequência pode ser minimizada caso os partidos políticos com assento parlamentar não empolem a questão, a segunda terá repercussões bem mais graves pois desperta o sentimento anti-autonómico, baseado no desconhecimento e ignorância do que a população portuguesa continental sofre relativamente às autonomias. Apesar dos discursos, a verdade é que falando com o português continental mediano (e mesmo com aqueles melhor informados) apercebemo-nos de que a autonomia conquistada pelos povos ilhéus não é bem aceite. Aliás, basta vermos as reacções favoráveis que provocaram e de onde vieram. E se passados 30 anos já ninguém levava a sério as ameaças de separatismo, quer vindas das regiões autónomas, quer vindas de outros centros de poder, a verdade é aquela declaração reacendeu a suspeição, que nada beneficia a unidade nacional, podendo mesmo constituir-se como um motivo de cisma entre a população continental e os povos ilhéus.
Assim sendo, o Presidente da República, atendendo mais às suas crenças pessoais - anti-autonómicas e ainda mais antagónicas relativamente ao conceito de autonomia progressiva instituído na última revisão constitucional - do que ao interesse da Nação, prestou, uma vez mais, um péssimo serviço ao país.

PS - Veremos se o Presidente estará tão atento e manterá "sérias reservas" a alterações de paradigma político propostas por futuras leis da República.

6.8.08

Razões pelas quais me orgulho de ser conservador

Um carro atropelou o burro, coitadinho. E dono daquela coisa lá disse:
- A estima que o dono tinha pelo burro eu não posso pagar, mas quanto ao resto...
E enquanto o burro não podia andar, todos os dias vinha um carro da praça para levar os que da quinta queriam ir à cidade.

Esta história é verdadeira, passou-se no Alentejo há 70 anos e foi-me contada hoje por alguém que a viveu, enquanto partilhávamos uma belíssima açorda de marisco, bem regada com um branco da Vidigueira (de onde mais?).
Na época, eram raríssimos os automóveis, quase nenhum dos condutores possuia carta e de certeza não haviam seguros. Havia, contudo, a palavra dada...

A Ilha de Arguim, ou uma lenda (presságio?) sobre o Rei "garboso" da Ilha das Laranjeiras

"(...) Tinham colhido apenas algumas braçadas de feno à mistura com ramos de faia e outros arbustos, quando um deles endireitando as costas, para respirar mais profundamente, por acaso alongou os olhos para a Ponta de S. Lourenço e para o chamadao «Mar da Travessa», que nesse dia estava calmo e derregado, como se um bergantim tivesse andado por ali a passear, deixando nas ondas mansas os listrados vestígios da sua passagem.
Então, os olhos do camponês viram um espectáculo inaudito, assombroso, surpreendente...
O mar do norte da Madeira separava-se perfeitamente do mar do sul e no intervalo, entre um e outro, o homem julgou ver surgir diante dos seus olhos atónitos uma terra encantadora, que não poderia ser senão a tão falada Ilha Encoberta.
As cumeadas dos seus montes pareceram-lhe envolvidas numa transparente neblina, como se fora um lindo véu de noiva.
Fixou e assestou melhor a vista e no centro da suposta Ilha entreviu um regato, marginado de salgueiros, como cabeças desgrenhadas sobre as águas, e depois muitas laranjeiras, além de outras árvores mui amenas e agradáveis.
Ao longo dessa ribeira viam-se muitas lavadeiras e muitas roupas a corar ao sol, nas ervas e arbustos marginais.
Numa vasta campina o nosso camponês julgou ver todo um exército em manobras militares, dirigidas e orientadas por um Rei mui aprumado e garboso."

Alfredo Vieira de Freitas, Era uma vez... Na Madeira!

3.8.08

A propósito de jantares, livros e promessas

No seguimento deste post (que se seguiu à conversa), fiz a promessa de escrever, eu próprio, um texto sobre as minhas preferências literárias e sobre obras/autores de que não consigo ler. Porque nunca me é fácil escrever sobre literatura, andava a ver se adiava a missão, mas a WOAB, qual cobradora de promessas (vestida de fraque ou de coelhinha?!) veio exigir que não esquecesse a palavra dada. Assim sendo, aqui vai.

Já tentei ler, por diversas vezes, o "Levantado do chão" e o "Ensaio sobre a cegueira", mas definitivamente não consigo ler Saramago. A sua escrita irrita-me e apesar dos tais conceitos "geniais" que podem abundar nas suas obras, a verdade é que não desperta o meu sentido estético, maçando-me.
Do Sousa Tavares, li apenas "O segredo do rio", para além das crónicas no Expresso. Como quase toda literatura infantil, é imbecil e imbecilizante (garanto-vos que não cometerei a atrocidade de dar a um filho meu livrinhos com títulos como "Chapeuzinho vermelho" ou "'Pinok e Baleote" - ambos aconselhados pelo Plano Nacional de Leitura, o que diz bem do grau de exigência desta "bandeira" de Sócrates).
Há pouco tempo, passei os olhos, à socapa, pelo "Rio das Flores", visto que a minha namorada estava a lê-lo por sugestão de uma amiga. Pois que me pareceu pretensioso e sem um pingo de talento, versão, aliás, confirmada por ela, cuja opinião me merece todo o crédito. Assim sendo, e porque tenho tanto para ler, não perderei tempo a fazer esse esforço.
Fora da ficção, também tenho um autor que não consigo ler (áh pois é, WOAB!): Jacques Derrida. O homem é absolutamente ilegível (irónico que apenas se consiga ler as suas margens, que é como quem diz alguns dos seus especialistas). Se alguma vez vos aconselharem a ler Derrida, saquem da bengala a façam-n@ sofrer pela ousadia!

Passemos, então aos autores e aos livros preferidos.
Como apaixonado pelo existencialismo, fascinam-me os personagens de Albert Camus e de Fiódor Dostoiévski. Entre as bibliografias de ambos não é fácil optar por um livro mas, a ter de ser, a opção passaria por "O estrangeiro" de Camus e "Os irmãos Karamazov" e "Os Demónios" (na maior parte das traduções é apresentado como "Os Possessos" mas, na minha opinião, o primeiro título é mais adequado) de Dostoiévski. Ambos brindam-nos com personagens condenadas a viver o absurdo, com a particularidade de, pelo menos, terem disso noção. São personagens que vivem em constante (des)equilíbrio, consecutivamente esbofeteadas por essa lassidão tingida de espanto (nas palavras de Camus) ainda que condenadas, como Sísifo, a carregar a pedra montanha fora, para depois a deixar rolar.
"Se numa noite de inverno um viajante...", de Ítalo Calvino, é absolutamente delicioso. Como ele explica, é pura lógica aplicada à literatura do mais alto nível e a prova de que para escrever um romance não é necessário ter uma história. Basta ter o início de muitas.
"Baudolino", de Humberto Eco, também é um livro de referência. Uma viagem pela época medieval guiados pelo maior mentiroso da história, muito parecido com o abade da sopa de pedra.
"A sombra de Foucault", da Patricia Duncker é, igualmente, um dos meus livros preferidos, em pé de igualdade com "De Amor e de Sombra", de Isabel Allende. Duas histórias de amor passadas em realidades muito bem definidas, que interligam maravilhosamente os contextos que as autoras pretendem descrever com as histórias pessoais das personagens.
Mais recentemente descobri Philip Roth, do qual sou um fã incondicional. Se "O complexo de Portnoy" é divertidíssimo e "Todo-o-Mundo" e "Património" são autobiografias enternecedoras (o segundo, assumidamente), "Casei com um Comunista" e "Conspiração contra a América" figuram entre os meus livros de culto.
Da literatura portuguesa poderia escolher inúmeros exemplares. Opto por "Um deus passeando pela brisa da tarde" de Mário de Carvalho. Um romance histórico rigoroso e magistralmente escrito, que relata as perseguições sofridas pelos cristãos de Roma e a consciência de um homem público.
Porque todos nós temos esqueletos guardados, assumo que sou um leitor assíduo de José Rodrigues dos Santos. Reconheço que lhe falta o veludo dos escritores (aqueles a quem se pode chamar assim), não conseguindo descrever uma única cena com talento. Vale, contudo, pela correcção da escrita e sobretudo pela pertinência dos temas que aborda e o rigor com que se reveste as suas investigações. Um bom jornalista que escreve como tal, mesmo quando tenta escrevinhar um romance.

2.8.08

Jantar III

O jantar aconteceu mesmo. Com a presença da maior parte dos bloggers da minha webring e, felizmente, sem a presença de anónimos ou penetras (ainda que me conste que comentadores andaram por perto...). Foi um serão agradável, partilhado com pessoas extremamente interessantes. Não foi, portanto, surpresa nenhuma confirmar que os bloggers cujos espaços frequento são efectivamente pessoas com as quais poderíamos estar durante muito tempo e bastante mais vezes. O que, naturalmente, acontecerá.
Deixo, aqui, a lista dos convivas e a todos eles o meu muito obrigado! Haveremos de nos encontrar outras vezes.
- Gonçalo (Conspiração às 7);
- Angel (Conspiração às 7)
- Woman once a bird (Um blog que seja seu);
- Flor (Um blog que seja seu);
- Rui Caetano (Urbanidades);
- Blueminerva (Pérolas Intemporais);
- Su (Marakoka);
- Baby boy swim (Madeira minha vida);
- Tino (Farpas da Madeira);
- Miguel Fonseca (Basta que Sim);
- AMSF (Pensa Madeira);
- Duarte Gouveia (Melhor do que o teu).

Não me levem a mal que deixe um beijo especial às meninas, muito especialmente à WOAB, à Blueminerva e à Su, que confirmaram a minha suspeita de serem mulheres muito interessantes (a WOAB é já uma veterana dos meus elogios e admiração)...

Regresso



Uma vez mais, o abandono da ilha. A saída de casa! Afinal, a nós mortais, não nos é permitido viver sempre acima das nuvens...
Mas é assim a vida e por isso vivemo-la sem arrependimentos, sem tristezas, sem frustrações. Afinal, há sempre a promessa do (eterno) retorno, esse regresso ao local onde somos verdadeiramente felizes.
Até breve...

28.7.08

Sim ou não (conversas privadas)

- uma praia. calções e chinelos. histórias. daquelas inventadas, sabes, para contar a ébrias nórdicas, histórias de gente fantástica, de gigantes que acalmam maremotos, de peixes que devoram homens. ritos e sacrifícios humanos e sangue e sexo contados pela noite dentro com precisão cirúrgica. Livros espalhados. charros cor de rosa. a terra pequena para tanto mar. um Deus que se manifesta apenas ao raiar de cada dia. um Deus quase ausente. Alinhas?

-Não.

-É pena.

23.7.08

Jantar

Sei que não tenho dado muitas notícias sobre o jantar, mas outras obrigações impedem o acesso mais frequente à blogosfera.
Foram analisadas várias possibilidades, mas a pedido de muitas famílias foi tomada a decisão do repasto ter lugar no restaurante Solar do Piano, ex-Mozart.
A ementa será composta por entradas, perna de borrego assada, sobremesa, bebidas e café. Arranjam-se soluções para quem não gostar de borrego.
Sei que tinha prometido peixe (pessoalmente, seria a minha escolha), mas esta foi a opção mais votada por alguns dos convivas.
Está marcado para as 21h00.
O restaurante fica na Estrada Monumental, n.º 341-343, logo após o hotel Orca Praia, à esquerda, se se seguir no sentido Funchal-Câmara de Lobos.
Temos, para já, cerca de 20 confirmações.

Amanhã volto a dar notícias. Qualquer questão ou esclarecimento adicional, para o mail: sanchogomes@gmail.com.

PS - O preço é 20,00€/pax.

PS1 - Para além daqueles que confirmaram a sua presença comigo (aqui na Conspiração, para o mail ou através de telefone), apenas tenho mais algumas confirmações que me foram dadas pelo Baby_Boy_Swim (BBS). Quem ainda não tiver feito a confirmação, que o faça comigo ou com o BBS até às 12h00 do dia 24.

18.7.08

Forgive me, Father, for I have sinned!

Cohen toca hoje em Lisboa. Por milhares de razões não posso lá estar. Prometo-te ouvir o "Songs Of Love and Hate" durante o fim-de-semana todo. Forgive me, Father, for I have sinned!

15.7.08

Finalmente uma boa notícia!

Após vários dias de angústia, de andar de simulação em simulação, para arranjar um bilhete de avião Lisboa/Funchal e Funchal/Lisboa a preços acessíveis, eis que invade-me um sentimento de alívio!
Hoje ao ler o Diário Cidade, a grande chamada de capa anunciava a entrada da Easy Jet na rota aérea da Madeira a partir do final de Outubro e que a compra de bilhetes já estava disponível no site da companhia.
De imediato, liguei-me ao site e confirmei a notícia avançada! O segundo passo, foi proceder à compra do bilhete para a época de Natal e regresso nos primeiros dias de Janeiro. Para este percurso a TAP pedia um valor exorbitante, 435 euros, e pela Easy Jet comprei por, pasmem-se, 143 euros! Incrível!
Estou muito aliviada e sinto que comprei um serviço ao preço real, sem o reduto da crescente inflação dos combústiveis, sem o cumprimento de serviço público etc... Só prova que é possível existir uma concorrêcia saudável e justa na linha aéra da Madeira, e definitivamente o processo de liberalização infermou de algumas falhas....
Já fiz algumas viagens pela Easy Jet e o serviço é muito eficiente, desde o ckeck-in, ao embarque. Não há atrasos, a eficácia é a demanda da companhia. Para os passageiros mais exigentes terão alguns constrangimentos, não existem lugares marcados e as refeições servidas a bordo são da responsabilidade dos próprios passageiros.
Eu por mim, estou satisfeita!
Bem Hajam!

10.7.08

Jantar de bloggers

Como certamente saberão os leitores dos meus textos, passo muito tempo fora da Madeira (infelizmente a maior parte).
Por outro lado, os mais atentos também saberão que eu tenho um gosto especial pela blogosfera e folgo ver que na Madeira a actividade blogger tem uma grande dinâmica. Como adepto deste espaço de liberdade, frequento com muita regularidade alguns blogs, entre os quais muitos de cujos autores discordo em absoluto e frontalmente. Por isso e porque gosto do debate de ideias, mas também do confronto e da provocação (eu provocador me confesso), frequentemente “meto-me” com alguns bloggers. Nalguns casos conheço pessoalmente os seus autores, mas existem muitos outros, que fazem parte da minha webring e que frequento com alguma regularidade, cujos escribas desconheço absolutamente.
Assim sendo, porque gostaria de rever alguns amigos e de conhecer alguns bloggers cujos espaços frequento, e como em breve estarei na Madeira, lembrei-me de tentar juntar um grupo deles.
Inicialmente pensei em lançar o desafio a todos os blogs. Mas como estou mais interessado em passar um serão agradável entre amigos, conhecidos e pessoas que por uma razão ou por outra nutro alguma simpatia (ou antipatia, ou simplesmente empatia), resolvi fazer uma proposta algo diferente. Achei que seria mais interessante convidar apenas aqueles com quem me apetece estar. Naturalmente, apercebi-me que para além de revelar um egoísmo grande, esta seria uma atitude egocêntrica, uma vez que estaria a assumir a reciprocidade de um sentimento. Assim, tentei encontrar uma solução mais democrática. E porque também sei que muitos bloggers não costumam participar neste tipo de iniciativa porque não querem perder o seu anonimato, resolvi criar um pequeno conjunto de regras:

1º - farei a minha lista de convidados, que torno pública. Ainda assim, irei enviar um mail pessoal a todos eles;
2.º os convidados manifestam a sua aceitação (ou não) e emitem, eles próprios, a sua lista;
3.º no jantar, ninguém é obrigado a assumir a sua identidade blogger (pseudónimo), nem identificar o blog para onde escreve. Apresenta-se como quiser e basta;
4.º cada convidado fica responsável por passar o n.º de confirmações ao seu anfitrião (quem o convidou), por forma a estabelecer o número de presenças ao jantar. Cada um deverá ter cuidado em não convidar alguém que tenha já o tenha sido;
5.º encarrego-me de marcar o restaurante e negociar um preço em conta :);
6.º o jantar terá lugar no dia 25 de Julho;
7.º o restaurante ficará por definir ainda que, atendendo à época do ano, deverá ter como especialidade o peixe.

As regras parecem-me simples e poderá reunir um grupo interessante de pessoas.

Deixo aqui a lista de bloggers que gostaria de ver nesse jantar (a ordem é completamente aleatória):
- Gonçalo (Conspiração às 7)
- Bruno (Conspiração às 7);
- Angel (Conspiração às 7)
- Magno (Conspiração às 7);
- Carlos (Conspiração às 7);
- Teresa Ruel (Conspiração às 7);
- Woman once a bird (Um blog que seja seu);
- Nefertiti (Um blog que seja seu);
- Luis Filipe Malheiro (Ultraperiferias);
- Rui Caetano (Urbanidades);
- Blueminerva (Pérolas Intemporais);
- Nélio de Sousa (Olho de Fogo);
- Baby boy swim (Madeira minha vida);
- Su (Marakoka)
- Soslayo (In mente);
- Alberto Pita (Hora Madeira);
- Tino (Farpas da Madeira);
- Paulo Barata (Farpas da Madeira);
- Cláudio (Farpas da Madeira);
- Miguel Fonseca (Basta que Sim);
- AMSF (Pensa Madeira).

Esta é a minha webring da blogosfera madeirense. Façam a vossa e encontramo-nos no dia 25.

Confirmações na caixa de comentários ou para o mail: sanchogomes@gmail.com.

PS - Se não for possível este jantar, pois que não seja!
PS2 - Alguns não receberão convite no mail, pelo facto do contacto não estar disponível.

Boa notícia para um desastre

O DN-Madeira noticiou o interesse do Grupo Pestana em investir na marina do Lugar de Baixo. A ser verdade, é uma boa notícia para aquele que foi um dos maiores cancros na Madeira Nova e da vice-presidência do Governo Regional. Se o investimento se realizar e se aquele espaço for requalificado, é uma óptima notícia.
Lamento, contudo, que a solução tenha chegado tão tarde. Lamento ainda mais que alguma vez se tenha construído tal aborto. Que não se tenham feito todos os estudos necessários para a viabilização daquela obra. E lamento que ninguém tenha sido responsabilizado por aquele desastre (não sei se acidente, se atentado).

Para a posteridade.... Eu fui!

A digressão «Somewhere Back In Time», trouxe os Iron Maiden ao festival Super Bock Super Rock Lisboa 2008, celebrando a carreira entre 1980 e 1989, uma verdadeira década de ouro para a banda inglesa.
Tendo como fundo cénico o antigo Egipto - numa recriação do cenário da «World Slavery Tour», de 1985 - o palco tomou forma e cor. Sarcófagos; murais com hieróglifos e estátuas do tempo da Cleópatra; efeitos pirotécnicos, um nevoeiro cerrado; o famoso Eddie, a mascote da banda, em versão futurista e múmia, a banda de Bruce Dickinson apresentou-nos um espectáculo memorável para todos aqueles que apreciam o estilo heavy metal...
Simplesmente magnânimo e poderoso!
Um concerto que ficará para a posteridade!!

8.7.08

Sócrates acossado?

O PS tenta minimizar, mas não há volta a dar. A tomada de posição da SEDES vai direita ao coração do governo da República e da maioria socialista e enuncia aquilo que é óbvio para todos, menos para os indefectíveis de José Sócrates: neste momento, são já parte do problema e não da solução.
Esta posição é tão mais grave se atendermos que é a primeira desde a tomada de posse de Campos e Cunha, ex-ministro das Finanças do Governo de Sócrates, como presidente da associação.
Não me verão, como é óbvio, concordar com todos as conclusões da SEDES, até porque algumas estão nas antípodas do meu horizonte ideológico. Não posso, contudo, deixar de notar que esta tomada de posição mostra-nos que Sócrates começa a ficar acossado por aqueles que lhe cantavam loas. Sinal dos tempos, que é como quem diz: é já a liderança de Manuela Ferreira Leite a fazer estragos ao estado de graça que embalava o governo socialista.
Hoje, em conversa entre amigos, concordávamos que a maioria absoluta para o PS nas próximas legislativas já é uma miragem. Mas Sócrates tem mais motivos para estar preocupado. Porque parece que a "cooperação estratégica" que o primeiro-ministro usufruiu até ao momento, quer por parte de Cavaco Silva, quer por parte de outros sectores da sociedade portuguesa, parece estar a chegar ao fim.
Para mim, por tudo o que tenho defendido até ao momento (e porque, assumo-o com frontalidade, sinto como meu grande adversário político o Partido Socialista), são boas novas. Qualquer "movimentação" no sentido de derrotar o PS é bem-vindo. Porque a exemplo do que pensam outros amigos e companheiros desta coisa que é o interesse pela causa pública, as ideias de Sócrates - e, consequentemente, o próprio -, não servem ao país.

4.7.08

Contentores com eles

Ultimamente temos assistido, na blogosfera madeirense mais afecta ao PS, elogios à governação de Carlos César nos Açores, sendo feita, diversas vezes, a comparação entre o governo açoriano e o governo da Madeira.
Dou de barato: o governo socialista dos Açores tem feito um bom trabalho.

Mas, atendendo à manifesta incapacidade, falta de competência e de qualidade do PS-Madeira, parece-me que a única solução para os madeirenses será exportar os socialistas do Funchal e ir contratar os socialistas açorianos. Aos contentores e em força!

Estranhezas II

Relativamente a este relatório do Tribunal de Contas sobre a empresa Águas de Portugal, apenas algumas notas:
1.º Naturalmente que a empresa deu lucro durante muito tempo, uma vez que herdou património sem qualquer tipo de investimento próprio e dado ter recebido financiamentos milionários da União Europeia;
2.º os preços e as taxas pagas pelos cidadãos são indecentes e bem superiores aos custos de produção do serviço prestado. Mais uma razão para os grandes lucros;
3.º o negócio da água é tão rentável que, de novo, pairam abutres sedentos pelo desmembramento da empresa pública, com vista a poderem agarrar nos bocados de carniça que dele resultarem;
4.º temo que este relatório sirva apenas para justificar a privatização da água, um bem elementar fundamental;
5.º uma vez mais se comprova que uma gestão "empresarial" da coisa pública não beneficia o cidadão: o serviço não é melhor prestado, nem há aumento de eficácia. Pode, portanto, continuar a ser gerida administração pública;
6.º diga o senhor administrador o que quiser, é indecente andar-se a pagar prémios quando a empresa apenas apresenta prejuízos;
7.º acho estranho que uma empresa que foi criada com o único objectivo de prestar serviço público ande a investir os lucros obtidos através desse serviço em empresas estrangeiras de rentabilidade duvidosa, em vez que investir na melhoria do serviço, por forma a diminuir os custos e baixar os preços. Como já não acredito no pai natal, suspeito que alguém recebeu muito por isto;
8.º sobre isto, o relatório refere que a empresa foi instrumentalizada pelo poder político: quem são, então, os responsáveis (para além das administrações, claro está)?;
9.º contra o argumento de que a sua privatização permitiria maiores eficiência e eficácia já estamos vacinados. Estou já a ver os investidores e a entidade reguladora a jurarem a pés juntos ser fundamental o aumento das tarifas. Obrigado, mas passo!

Para concluir: em Portugal roubar é o que está a dar! Ou então sou eu que começo a me tornar cínico...

2.7.08

Estranhezas....

Não conheço em pormenor o plano de recuperação da zona ribeirinha de Lisboa. Espero, no futuro, escrever mais qualquer coisinha sobre esse conjunto de intenções.
Para já, apenas uma nota: que sentido faz planear uma praia com ondas artificiais para uma cidade como Lisboa, cercada em mais de 50% do seu território por água (Tejo e mar)? Não haveriam outros projectos onde investir melhor o dinheiro?
Por outro lado, não começa a ser ensurdecedor este silêncio a que toda a gente se submeteu relativamente à saída de Júdice da sociedade que será responsável pela intervenção, antes mesmo de tomar posse? O que estará por detrás desta saída?

Fazer a festa com o dinheiro alheio

E como Sócrates é bom a pagar as dívidas com o dinheiro dos outros... Depois de todos pagarmos o déficit, eis que agora o primeiro-ministro prepara-se para pôr as autarquias a pagarem os custos desta nova crise. Nisso, realmente o tipo é bom !

Hino à demagogia

Sócrates anunciou que as novas barragens já anunciadas irão ser totalmente pagas por investimento privado e que esses mesmos investidores ressarcirão o Estado pelo uso do domínio hídrico nacional.
Ora, antes de mais, tenho muitas dúvidas acerca destas promessas de custo zero para os contribuintes. E reconhecerão alguma legitimidade, porque este governo não prima pela honestidade e transparência.
Mas o que mais me espantou foi o ar triunfal com que o primeiro-ministro anunciou que as empresas terão que pagar pela utilização dos recursos hídricos. Ora, é só o que faltava, usurparem assim o domínio público, para vender energia aos cidadãos portugueses, e não pagarem nada. Mas é demonstrativo da forma de pensar deste governo.

Sócrates também anunciou (como ele é bom a anunciar! E como alguns estão dispostos a engolir até ao sufoco todo o isco, linha e cana atirados por ele!) que governar não é ceder aos interesses de alguns sectores. Não reconhece, contudo, que governar também é não deixar a imoralidade determinar os destinos do país, como são os lucros apresentados pelas petrolíferas.

Esta entrevista, se para alguma coisa serviu, foi para mostrar que, na arte da demagogia e de tentar sobressair pelo realce do desconhecimento concreto dos dossiês por parte dos seus interlocutores, Sócrates é efectivamente um ás. Mas não passa disso. De uma bela cauda de pavão, que não serve para absolutamente nada.

1.7.08

Ideias avulsas*

A actual incapacidade dos estados intervirem para conter e combater a crise economico-financeira-social e a falência do sistema liberal na redistribuição da riqueza, aliada à cada vez mais evidente premissa de que o sector privado não satisfaz as necessidades das populações fazem-me acreditar que qualquer dia estaremos todos a gritar: volta Keynes, estás perdoado!

* Adaptado das Cogitações avulsas da minha amiga WOAB e das quais temos saudades.

Saúde para quem?

E o problema não reside só no facto das entidades privadas tomarem decisões nas quais o risco é diminuto; o principal problema é que enquanto o Estado está a financiar o sector privado, está a optar — porque os recursos são escassos — por não investir no sector público. Os custos de oportunidade são enormes. É o futuro do serviço público de saúde que está em jogo.


Pedro Lopes Ferreira, Coordenador do Observatório Português dos Sistemas de Saúde (OPSS), no Relatório Primavera 2008.



Num dia em que o primeiro-ministro vem para a RTP fazer propaganda e demagogia política, um bom relatório, que vale a pena ler e sobre o qual vale a pena reflectir.

It's the end of the world as we know it

Mais uma notícia que reforça a minha opinião de que o Tratado de Lisboa não entrará em vigor. Esperemos que o mundo não acabe em janeiro de 2009...

Risível

Sou só eu, ou foi um desvario hilariante que levou Manuel Pinho a uma superfície comercial para assinalar a baixa do IVA em um ponto percentual?
Para além disso, ouvi o senhor dizer: "eu gostaria de descer mais". Ora, o que faz o ministro da Economia falar na primeira pessoa de uma matéria que não é da sua competência?

Ora pois: e qual é a novidade?!

De acordo com o Diário de Notícias da Madeira, Ricardo Freitas, delegado regional da UGT, mostrou-e satisfeito com o novo Código do Trabalho.
Ora, só não é grave porque é patético: o sindicalista - que intermeia esta actividade com a actividade político/partidária militante -, ex-deputado à Assembleia da República eleito pelo PS, que em todas as matérias votadas mostrou a sua subordinação à orientação do seu grupo parlamentar, resolve convocar uma conferência de imprensa para mostrar o seu regozijo pelo acordo alcançado.
Com exemplos destes, não sei onde é que os socialistas ainda conseguem ir buscar alguma coragem(?) para ousar criticar a CGTP. É que se a CGTP é o braço "armado" do PCP, a UGT é a a mais doce das "amantes" do PS.

PS - E já que agora é moda atacar toda a comunicação social da Madeira deixo aqui a minha opinião: se eu fosse editor, não publicava esta notícia porque nem tem relevância informativa nem social. E que me acusassem de censura...

30.6.08

Obrigado, ó Espanha

A vitória de Espanha deu um enorme contributo ao futebol. "La roja" provou que ganhar e jogar bem não são variáveis mutuamente exclusivas. E que os grandes jogadores não se medem pelos centímetros que separam a cabeça das botas, mas sim pela habilidade e pela inteligência. Obrigado, camaradas, por nos relembrarem que o futebol é um jogo bonito. Marcamos encontro na África do Sul (espero eu).