27.9.08

Benfiiiiiica


PS - Deixa lá Gonçalo. Fica para a próxima!


É melhor não lançar foguetes antes da festa, mas...

BENFIIIIICA, BENFIIIIIIIICA, BENFIIIIIIIIIIIIIIICA!

Liberalizemos costumes

Porque estou farto de ouvir chamarem-me de ignorante, mente obtusa, homófobo, velho, etc., venho por este meio propor a liberalização de alguns costumes:

- Permitir casamentos poligâmicos, quer sejam entre 1 homem e várias mulheres (o céu é o limite), 1 mulher e muitos homens, muitas mulheres e muitos homens;
- Pemitir casamentos entre familiares próximos (como pais e filhos, irmãos e irmãs). Isto também é natural (a consanguinidade é comum nalgumas espécies) e afinal o estado não se deve intrometer na vida amorosa de cada indivíduo. Aliás, na Austrália, aqui há uns meses, um casal pretendeu o reconhecimento da sua relação e apenas as mentes obtusas, velhas, ignorantes e tacanhas australianas é que não entenderam a relação;
- Permitir a zoofilia (não está provado que esta parafilia derive de transtornos neuróticos). Também é natural, porque existem várias espécies que copulam com indivíduos de espécies diferentes. Aliás, quem nunca teve um cãozinho ou uma gatinha à perna???;
- Liberalizar as drogas leves. Mas também as pesadas, porque na moral privada, ninguém deve se intrometer. Para além disso, aos traficantes devem ser reconhecidos os direitos atribuídos aos demais trabalhadores.

Fico à espera de mais sugestões de costumes a liberalizar. E não me venham com prostituição e adopção por parte de homossexuais, porque essas já são questões menores e perfeitamente ultrapassadas.

Vá, juventudes partidárias arejadas, associações de gente progressista, façam as vossas propostas. Estaremos aqui para vos apoiar ou então eduquem-nos, pobres ignorantes...

O que querem, afinal, ILGA(s) e outros que tais

Ouvi hoje um gajo qualquer, que se encontra a participar num encontro de homossexuais alegadamente cristãos em Évora, afirmar que é preciso "liberalizar os costumes". É isto que esta gente quer e não poder afirmar publicamente o seu amor, conforme defendem algumas mentes mais ingénuas. O que pretendem é mesmo abalar as instituições e não direitos iguais, deixem-se lá de tretas.
No mesmo encontro, também ouvi o líder da JS afirmar que é preciso "educar as pessoas". Para este imbecil (sim, porque a adjectivação fica-lhe bem e é possível provar que alguém que profere estes dislates, mais não é do que um imbecil, com graves problemas de compreensão), quem não concorda com as suas ideias "progressistas" é ignorante. É este o tipo de "socialista" e "socialismo" que Sócrates trouxe para o PS.

25.9.08

Magalhães é mesmo tuga


Diálogo - O Menino Ostra e a Menina Fósforo

Menino Ostra (MO): Achas que o Tim nos pode salvar? A mim, especialmente, a quem advoga um triste fim?
Menina Fósforo (MF): Não. Acho que nada nos pode salvar. Não acredito no Tim e nos seus desenhos, nem em ti com o teu desejo. Não, creio que ninguém pode salvar-nos!
MO: E agora, esperamos o Inverno?
MF: Sim. Há de chegar. Em Outubro.
MO: E que farás no Inverno?
MF: Não sei. Diz-me tu...
MO: Saudarás a sua chegada?
MF: Anseio para que chegue!
MO: E depois?
MF: Não sei, diz-me tu como te aguentarás... Que farás se lhe seguir os passos, se me perder na neblina, se gostar do frio, se gostar que me toque outra e outra vez?
MO: Fecho-me, suponho eu.
MF: Fechas-te?
MO: Que me restará?
MF: Não sei.
MO: Só dúvidas, dúvidas e mais dúvidas! Não sei é tudo aquilo que consegues dizer?
MF: Sim. Já viste, consegui dizer sim!
MO: Tenho falado com o Tim, sabes? Talvez nos ajude mudando o desenho!
MF: Não acredito no Tim... Já te disse. Não existe nenhum Tim! Queres que te grite? Não existe nenhum Tim!
MO: De vez em quando acho que falo com ele. Sento-me e espero que me ordene, que me leve, que me desenhe outra e outra vez...
MF: Não ajuda...
MO: Talvez. Mas creio. Como creio que o Inverno não te levará...
MF: Se fosse a ti não tinha tantas certezas. Baixava as expectativas. Reforçava a guarda. Não acredito em ti, no Tim, nesta conversa... Se calhar, também não acredito no Inverno!
MO: Porque aguardas, então?
MF: Tenho de fazê-lo. Fui desenhada para o fazer...
MO: Desenhada por quem, pelo Tim?
MF: Não. Por mim!
MO: Resta-me esperar, também...
MF: Que remédio!
MO: Posso esperar contigo?
MF: Tu lá sabes...
MO: Vamos ver o mar. É lá que eu vivo. É de lá que sou, sabias?
MF: Achas que não?
MO: Era demasiado óbvio para que não o percebesses. Tenho algas e tempo agarrados à cara. Vou e venho com as marés. Cheiro a maresia.
MF: Já tinha notado...
MO: Vamos ver o mar?
MF: ...
MO: Até o Inverno?
MF: Até amanhã...

Diálogo irreal baseado em duas personagens de Tim Burton, roubadas ao livro O Triste Fim do Pequeno Menino Ostra e Outras Histórias. Uma obra infantil mas não aconselhada a crianças... A ler (o livro).

24.9.08

Ainda o casamento entre pessoas do mesmo sexo

Porque por vezes não é fácil fazermo-nos compreender, aqui vai mais um esboço de resposta.

Não tive tempo para confirmar, mas parece-me o reconhecimento das uniões de facto para relações homossexuais protege os seus direitos. Se assim não for, pois que se altere a legislação de modo a permitir uma equivalência de direitos em relações homossexuais, comparada aos casamentos. Crie-se um enquadramento legal e dê-se o nome que se quiser.
Não sou, portanto, contra a equivalência de direitos entre homossexuais e heterossexuais, que isto fique claro.
Sou contra, isso sim, o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Tal como sou contra o casamento poligamico (seja ele entre um homem e muitas mulheres, uma mulher e muitos homens, muitos homens e muitas mulheres), ainda que reconheça o direito aos indivíduos de estabelecerem as relações que bem entenderem. Para mim, não está em causa a igualdade de direitos legais. A questão é mais ética e normativa (entendida de um ponto de vista ético).
A minha oposição tem a ver com o rigor dos conceitos e a defesa da instituição. Casamento, por definição, é uma união matrimonial entre um homem e uma mulher com vista à constituição de uma família. Assim sendo, não vejo qual é a necessidade de se alterar esta formulação que responde à norma, uma vez que anormal é a relação homossexual (atenção, é anormal, porque não corresponde à norma, mas que não deixa de ser natural - porque existe na natureza). Assim sendo, sou contra a alteração de um conceito/instituição, com vista ao capricho de uma minoria. Porque para os homossexuais que se amam verdadeiramente, desde que os seus direitos estejam salvaguardados, não me parece que lhes seja fundamental poderem casar.
Querem um contrato? Pois que se faça e arranje-se outra terminologia. Não me parece é haver necessidade de se anular toda a carga valorativa tradicional que se encontra no casamento apenas por caprichos. Porque a exigência do casamento entre pessoas do mesmo sexo não corresponde a exigência de direitos civis, legais, ou os que se queira. Há apenas a tentativa de abalar as instituições, o que para mim não é um argumento válido.

Tecnologias, Magalhães e notícias

Tenho por hábito acender o televisor sempre que acordo, para ver as primeiras notícias do dia (que, na maior parte das vezes, são as últimas do dia anterior).
Seguindo este ritual, hoje fui surpreendido pelo anúncio da presença de João Correia de Freitas na RTP, para apresentar (vender) o PC Magalhães.
Ora, a minha surpresa não foi a presença do professor universitário: a minha surpresa deu-se quando ouvi a sua apresentação: professor da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa. É verdade que João Correia de Freitas é professor daquela faculdade. Mas não é apenas professor. O que o pivot esqueceu de dizer foi que João Correia de Freitas foi também gestor da extinta CRIE - Unidade de Missão de Computadores, Redes e Internet das Escolas, substituída, no ano passado, pela Tecnologias Educativas/Plano Tecnológico da Educação (ERTE/PTE), na dependêndia de Direcção-Geral de Inovação e de Desenvolvimento Curricular do Ministério da Educação.
E se reconheço competência ao docente para se manifestar sobre as TIC (que foi um bom gestor do CRIE), não deixa de ser verdade que a omissão deliberada do anterior cargo teve apenas como objectivo reforçar a idoneidade do especialista. Não tenho dúvidas que João Correia de Freitas acredita nos encómios que teceu ao Magalhães. Mas também não tenho dúvidas que houve má-fé (no mínimo) na forma como foi construída a sua apresentação, uma vez que foi prestada informação sobre apenas parte da sua actividade profissional. E a restante informação também era relevante, para esclarecimento dos telespectadores.

Também hoje fui informado que o Magalhães não é totalmente gratuito para os benecifiários de Acção Social Escolar (ASE). Parece que as famílias terão de pagar 5,00€ durante 36 meses. Não consegui perceber se tinha a ver com o acesso à internet, ou não (a informação on-line e mesmo aquela disponível nas escolas é escassa). Se esse for o pagamento para o acesso à internet, não me parece exagerado, uma vez que a ligação não é obrigatória (ainda que depois seja discriminatória, em contexto de sala de aula). Mas fazendo rapidamente as contas: 5,00€ X 36 meses dá um valor final de 180,00€, que é o custo de produção da máquina (anunciado pela JP Sá Couto). O que me parece coincidência a mais. Ainda assim, e antes de acusar o governo de mais uma farsa e mentira descarada, vou tentar reunir mais informação. Depois, logo direi de minha justiça.

Onda de criminalidade já passou?

Ao que parece, afinal, a onda de criminalidade ainda não terminou e continuam a proliferar os crimes violentos, a despeito do que arriscava o Tino no início do mês.
Afinal, o país não está mais seguro e as notícias sobre a criminalidade não apareciam apenas para embaraçar o governo da República que tão bom trabalho tem feito também neste domínio, conforme se vê pelos resultados.

Vem devagar Imigrante

A pedido de várias famílias, cá vai a pior canção jamais escrita em português. Tem uns anitos já, mas é, de facto, um clássico do mau gosto.

Ei-la. De Graciano Saga (quem!?) Vem Devagar Imigrante

Imigrante vem devagar por favor,
temos muito tempo para lá chegar
e depois, lá diz o velho ditado:
Mais vale um minuto na vida,
do que a vida num minuto."
Passou-se no mês de Agosto,
este drama tão cruel
de um imigrante infeliz
Foi tanta a pouca sorte,
na estrada encontrou a morte
quando vinha ao seu país
Do trabalho veio a casa,
preparou a sua mala
e partia da Alemanha
Mas seu destino afinal
acabou por ser fatal
numa estrada em Espanha
Dizem aqueles que viram
que ele ia tão apressado
a grande velocidade
Foi o sono que lhe deu
o controlo ele perdeu
desse carro de maldade
Foi o sono que lhe deu
o controlo ele perdeu
desse carro de maldade
Trazia na sua mente
ir ver o seu pai doente
que estava no hospital
Na ideia um só pensar
o seu paizinho beijar
ao chegar a Portugal
Mas tudo foi de repente
partiu de Benavente
o drama aconteceu
Ele vinha tão cansado
de tanto já ter rolado
e então adormeceu
Nada podendo fazer
num camião foi bater
e deu-se o choque frontal
Seu carro se esmagou
e desfeito ele ficou
num acidente mortal
Seu carro se esmagou
e desfeito ele ficou
num acidente mortal
Ele não vinha sozinho
trazia também consigo
sua mulher e filhinho
Sem dar conta de nada
e naquela madrugada
morrem os três no caminho
Quando a notícia chegou
no hospital alguém contou
o desastre que aconteceu
Seu pai que tanto sofria
nunca mais o filho via
fechou os olhos morreu
Imigrantes oiçam bem
não vale a pena correr
porque pode ser fatal
Venham todos devagar
há tempo para cá chegar
e abraçar Portugal
Venham todos devagar
há tempo para cá chegar
e abraçar Portugal

PS: O vídeo está disponível no YouTube. É quase tão mau como a canção. Por isso mesmo, merece ser visto.

Voltei voltei, voltei de lá

Decidi voltar a escrever. Não que isso interesse a alguém, como é óbvio. Quando muito, interessa-me a mim e ao massacrado teclado do meu moribundo portátil.

Não escreverei sobre Política. Nem sobre Economia. Nem sobre o Estado da Região, da Nação, do Afeganistão ou de outro sítio qualquer. Para isso existem demasiados blogs preenchidos por quem sabe mais desses assuntos transcendentais que eu, ou por quem se preocupa com eles mais do que eu.

Nos últimos tempos aprendi a viver a vida de forma mais leve. Por isso, se alguém me quiser ler, terá de contentar-se com temas menores como livros ou música (deixo o cinema com o Angelino. É o pelouro dele e ele domina-o bem melhor que eu). Ou como o Sporting, ou como as manhãs de domingo, ou como óculos verde garrafa, ou como buganvílias (escreve-se assim?) ou como a vida aos 33...

Agradeço ao Sancho ter mantido este blog vivo. E já que o Angelino voltará a escrever )diz-me ele), peço a todos os conspiradores para fazerem o mesmo. Escrevam sobre qualquer merda, mandem fotografias, poemas dedicados às namoradas ou namorados, relatos de futebol, microfilmes, o que quiserem. Escrevam sobre política, se vos apetecer.Ou sobre Religião. Ou sobre a Regionalização. Mas escrevam. Isso é que era simpático!

PS: o título foi roubado a uma canção pimba que reza assim: Voltei voltei, voltei de lá, Inda agora tava em França e agora já tou cá...

Uma obra-prima, de facto. Se não estou em erro, do José Reza. Ou será do Graciano Saga, aquele que tem o Toma Cuidado Emigrante, a pior canção jamais escrita em português?

Gurb Song

I wanted someone to enter my life like a bird that comes into a kitchen
And starts breaking things and crashes with doors and windows
Leaving chaos and destruction.
This is why I accepted her kisses as someone who has been given a leaflet at the subway.
I knew, don't ask me why or how, that we were gonna share even our toothpaste.
We got to know each other by caressing each other's scars
Avoiding getting too close to know too much
We wanted happiness to be like a virus that reaches every place in a sick body
I turned my home into a water bed and her breasts into dark sand castles
She gave me her metaphors, her bottles of gins and her North Africa stamp collection.
At night we would talk in dreams, back to back and we would always, always, agree.
The sheets were so much like our skin that we stopped going to work.
Love became a strong big man with us, terribly handy, a proper liar, with big eyes and red lips.
She made me feel brand new.
I watch her get fucked up, lose touch, we listened to Nick Drake in her tape recorder and she told me she was a writer.
I read her boook in two and a half hours and cried all the way through as watching Bambi.
She told me that when I think she has loved me all she could, she was gonna love me a little bit more.
My ego and her cynicism got on really well and we would say "what would you do in case I die" or
"what if I had Aids ?" or "don't you like the Smiths" or "let's shag now". We left our fingerprints all around
my room, breakfast was automatically made, and if it would come to bed in a trolley, no hands,
we did compete to see who would have the best orgasms, the nicer visions, the biggest hangovers.
And if she came pregnant we decided it would be God hand's fault.
The world was our oyster.
Life was life.
But then she had to go back to London, to see her boyfriend and her family and her best friends and her pet
called "Gus".
And without her I've been a mess. I've painted my nails black and got my hair cut.
I open my pictures collection and our past can be limitless and I know the process is to slice each
section of my story thinner and thinner until I'm left only with her, I've felt like shite all the time
no matter who I kiss or how charming I try to be with my new birds.
This is the point, isn't it ? New birds that will project me along a wire from the underground into the air,
into the world.

Obrigado a quem me enviou a canção. Traduziu os meus estados de alma de uma forma que nem eu seria capaz.

A propósito, isto chama-se Gurb Song e é de uma banda espanhola de nome Migala.

É das boas coisas que ouvi este ano. O Álbum chama-se Asi Duele Un Verano, editado no longínquo ano de 1992. Vão ouvir. É urgente. Se o quiserem comprar têm de tentar no e-bay ou na amazon. Ou saquem-no da net. O bom do Nacho Piedra não se deve importar.

Já agora, visitem o site da banda: www.migala.net

PS: This is the point, isn't it ? New birds that will project me along a wire from the underground into the air, into the world.

Durante anos acreditei piamente nesta frase. Agora não. Mas gostava de voltar a acreditar, a sério.

23.9.08

Por uma questão de justiça

Depois do acto de propaganda do governo de República que distribuiu hoje Classmates PC... Desculpem, Magalhães (quase toda a montagem feita em Portugal, disse hoje JP Sá Couto) numas inumeráveis 16 escolas, aguardamos pelos restantes 497.000.
E que já agora o acesso a determinados sites venha bloqueado. Podem perguntar ao CRIE como é que se faz e o que é a segurança na internet.
Mas justiça seja feita, porque não esperava que fossem distribuídos PCs tão depressa. Estaremos atentos às próximas remessas e à metodologia de entrega.

Justiça, também, seja feita à Júlia Caré que votou contra o Código do Trabalho do PS. Não sei se por consciência, por estratégia política ou por puro revanchismo, mas gostei da atitude. Veremos se será consequente agora que apenas falta um ano para o fim do mandato. Mas não esquecemos os outros três...

Moral a gosto (revisto)

A minha amiga WOAB, socorrendo-se de Agacinsky, aproveitou para clarificar os conceitos de Igualdade/Desigualdade e Diferença/Identidade (onde ficará a alteridade?), apontando o erro presente na formulação da minha questão.
Assim sendo e porque assumo que a definição de Agacinsky está correcta, adapto o meu post ao seu rigor.

Vemos movimentos gays que se batem pela diferença, mas simultaneamente exigem a identidade. Então como é: querem que se respeite a vossa diferença, ou querem ser aceites como idênticos (aos heterossexuais)?

Mas, desta vez, acrescento mais qualquer coisinha: alguns movimentos não se batem pela igualdade de direitos. Algumas das suas exigências visam apenas abalar e achincalhar instituições com as quais não concordam. Abalar valores instituídos, como forma de atentar contra a tradição, como se toda ela fosse prejudicial aos "direitos" que se querem ver garantidos. E a mim perturba-me ver instituições com o dever de responsabilidade (como partidos políticos) seguirem estas tentativas acriticamente, apenas porque parece progressista e opostas aos valores tradicionais (que é preciso combater a toda a força, defendem eles), mas que em nada contribuem para a igualdade de direitos.

Por outro lado, podemos legislar para a paridade de direitos (entre homens e mulheres, entre heterossexuais e homossexuais, entre humanos e animais, etc.), mas existem limitações que advêm da condição que não são superáveis. Já havia dado o exemplo da maternidade: pode ser-me reconhecido o direito a ser mãe, mas essa é uma impossibilidade biológica.

Outro exemplo: num casamento com filhos existe um pai e uma mãe. Numa relação homossexual com educandos [sem entrar pela questão da adopção, pensemos apenas no filho de um(a) deles(a)]: qual será o pai e qual será a mãe? É fundamental que haja um "pai" e uma "mãe"? É, sequer, possível ou mesmo digno fazer esta distinção entre pessoas do mesmo sexo?

São estas algumas das questões que alguns movimentos não querem ver discutidas, porque não são facilmente superáveis, posição a que alguns partidos têm dado cobertura. E isto preocupa-me.

Por último, reafirmo o que já tenho dito por diversas vezes: não gosto de morais prontas-a-consumir e descartáveis. A sociedade evolui, os conceitos evoluem, as civilizações evoluem: não quer, contudo, dizer, que tudo o que é tradicional esteja errado.
Até porque não acredito que todas as evoluções sejam positivas. Veja-se o exemplo do Islão que há 600 anos permitiu o nascimento no seu seio do Livro das Mil e Uma Noites e hoje tem como o seu principal cartão de visita a intolerância; ou o Cristianismo que passou de perseguido há dois mil anos, para perseguidor há quinhentos.

21.9.08

Moral a gosto

Vemos movimentos gays que se batem pela diferença, mas simultaneamente exigem a igualdade. Então como é: querem que se respeite a vossa diferença, ou querem ser aceites como iguais?

Questão às feministas que se bateram pela liberalização do aborto

Se a questão da maternidade reduz-se à opção da mulher - porque em última análise foi isso que defenderam as feministas mais aguerridas -, sem que para o efeito a opinião do homem seja tida em conta, então, caso a mulher opte por ter o filho, ainda que o homem se mostre contra, como é que fica a responsabilidade da paternidade? Se não é tido nem achado para os desmanchos, porque é que deverá ser caso a mulher opte por ser mãe, a despeito do que possa pensar o homem? Se para matar o embrião a mulher é soberana, deverá sê-lo igualmente caso opte por mantê-lo vivo, ou não?

19.9.08

ERSE a tabelar os combustíveis? Não, obrigado!

O ministro Manuel Pinho quer a ERSE a tabelar os preços dos combustíveis. A ideia até nem seria má, se a ERSE fosse uma entidade reguladora independente. Mas pelo que nos tem sido dado a ver , não me admiraria que a primeira medida fosse propor o aumento dos combustíveis, a contento das gasolineiras. Porque a ERSE já nos mostrou que gosta de fazer favorzinhos às empresas do mercado que deveria regular.

É a economia, estúpido! II

Quando se ousou solicitar a intervenção do(s) governo(s) para a resolução de problemas sociais que resultam da avareza (como muito bem classificou o Comissário Europeu da Economia, Joaquim Almunia) do mercado financeiro - mas que se aplica a qualquer sector empresarial porque o móbil das empresas é a produção de valor e não outro qualquer - apareceram uns puristas liberais a gritar que não podia ser, porque o mercado regula-se se for livre e outros que se escudavam nas directivas europeias para jurarem a pés juntos que o governo português não poderia intervir (como se o risco fosse para aí uma invasão bárbara - sim, por favor, grito eu). Agora, vemos bancos centrais a intervirem descaradamente nos mercados e empresas públicas a adquirirem monopólios (sim, porque a GALP tinha de ser privatizada, mas o capital pode ser da Sonangol, que é um fundo controlado pelo estado angolano) e parece que não há problema nenhum.
Então, se for o estado português o detentor de empresas, não pode ser, mas se essas mesmas empresas forem adquiridas por empresas estatais angolanas, chinesas e do raio-que-os-parta, já não há problema? Que raio de directivas são estas, alguém me pode explicar?

É a economia, estúpido!

Com o fim do mito do Jurista como derradeiro Político, apareceram o Economista e o Gestor em sua substituição, pois traziam as respostas para as preocupações da população, que não eram legalistas (ó blasfémia!) mas financeiras.
Com a actual crise e a mais que previsível queda do Rei-Economista, que classe emergirá?

PS - Preocupação social: o que farão tantos comentadores economistas desempregados?

17.9.08

Magalhães, imposturas e blogosfera

Não sei se o post sobre o computador Magalhães me era dedicado, mas acuso o toque.

Para além da confusão que o blogger faz entre projectos distintos - um de Nicholas Negroponte, que tem objectivos humanistas, uma vez que pretende democratizar o acesso às TIC e outro da Intel, que apenas tem objectivos mercantilistas -, o que me revolta é o governo dos camaradas socialistas tentar deliberadamente enganar a população portuguesa, reclamando para Portugal uma autoria que não é sua.
Os amiguinhos do PS chegaram mesmo a afirmar que o PC era de concepção portuguesa, desenvolvido no âmbito do Plano Tecnológico.
Ora, isso é um embuste, é uma farsa e é uma intrujice: quem quiser - e a quem não incomodar ser enganado - poderá chamá-la de outra coisa qualquer.
Para além disso, convém distinguir os conceitos de fazer e montar. O computador não será feito em Portugal, será montado. O que faz com que ele seja de origem tão portuguesa como qualquer outra máquina de marca branca, montado às peças.
É que nem a Intel, extremamente interessada na impostura porque permitirá a venda de 500 mil máquinas, reconhece qualquer autoria lusitana.
Por outro lado, não se assuma tão depressa que o projecto e a aquisição de 500 mil PC's estão já garantidos. Porque este governo já nos mostrou que nem tudo o que anuncia corresponde à verdade. E o que hoje o sr. primeiro-ministro propagandeia com tanta solenidade, amanhã poderá ser desmentido e objecto dos mais profundos silêncios.

Mas parece que ao companheiro da blogosfera Tino não incomoda um governo impostor . A mim, ofende-me... E sem histerias!

15.9.08

Wish you were here

Morreu o Pink Floyd Richard Wright, teclista da banda.
Como certa vez dedicaram a Syd Barret, aqui deixo a minha homenagem.

Teleférico no Rabaçal? Obrigado, mas dispenso.

Não vou ao ponto de adjectivar tão negativamente, como o faz o Nélio de Sousa, mas lá que a ideia de fazer um teleférico no Rabaçal é revoltante, lá isso é.
Nem sempre acontece, mas desta vez apoio a causa da Quercus, subscrita pelo Nélio e por outro qualquer madeirense que queira ver preservado aquele bocadito de paraíso.

Governo da República não é demagogo: é mentiroso!


"Magalhães - o mais escandaloso golpe de propaganda do ano

Os noticiários abriram há dias, com pompa e circunstância, anunciando o lançamento do 'Primeiro computador portátil português', o 'Magalhães'.A RTP refere que é 'um projecto português produzido em Portugal'A SIC refere que 'um produto desenvolvido por empresas nacionais e pela Intel' e que a 'concepção é portuguesa e foi desenvolvida no âmbito do Plano Tecnologico.'Na realidade, só com muito boa vontade é que o que foi dito e escrito é verdadeiro. O projecto não teve origem em Portugal, já existe desde 2006 e é da responsabilidade da Intel. Chama-se Classmate PC e é um laptop de baixo custo destinado ao terceiro mundo e já é vendido há muito tempo através da Amazon.As notícias foram cuidadosamente feitas de forma a dar ideia que o 'Magalhães' é algo de completamente novo e com origem em Portugal. Não é verdade. Felizmente, existem alguns blogues atentos. Na imprensa escrita salvou-se, que se tenha dado conta, a notícia do Portugal Diário: 'Tirando o nome, o logótipo e a capa exterior, tudo o resto é idêntico ao produto que a Intel tem estado a vender em várias partes do mundo desde 2006. Aliás, esta é já a segunda versão do produto.'Pelos vistos, o jornalista Filipe Caetano foi o único a fazer um trabalhinho de investigação em vez de reproduzir o comunicado de imprensa do Governo.A ideia é destruir os esforços de Negroponte para o OLPC. O criador do MIT Media Lab criou esta inovação, o portátil de 100 dólares...A Intel foi um dos parcceiros até ver o seu concorrente AND ser escolhida como fornecedor. Saiu do consórcio e criou o Classmate, que está a tentar impor aos países em desenvolvimento. Sócrates acaba de aliar-se, SEM CONCURSO, à Intel, para destruir o projecto de Negroponte. A JP Sá Couto, que ja fazia os Tsumanis, tem assim, SEM CONCURSO, todo o mercado nacional do primeiro ciclo.Tudo se justifica em nome de um número de propaganda política terceiro-mundista.Para os pivots (ex-jornalistas?) Rodrigues dos Santos ou José Alberto Carvalho, o importante é debitar chavões propagandísticos em vez de fazer perguntas. Se não fosse a blogosfera - que o ministro Santos Silva ainda não controla - esta propaganda não seria desmascarada. Os jornalistas da imprensa tradicional têm vindo a revelar-se de uma ignorância, seguidismo e preguiça atroz. "

Recebi este mail e fui fazer uma pequena pesquisa. E não é que descobri que a http://www.businessweek.com/ anunciou que a Intel prevê vender 500.000 Classmate PC em Portugal?!

A que ponto se rabaixará mais este governo? E a comunicação social? Até onde estará disposta a vender a sua idoneidade e isenção?

6.9.08

A ouvir, muitas vezes

Um som de fim-de-semana.
Enjoy!

E já agora, outro!

Coisas a não ouvir

Adoro Metallica. Adoro Dire Straits.
Mas isto não, por favor... É que chega a doer!

Diga lá outra vez!

Lido hoje no Diário de Notícias:

PS acusa governante de fazer política partidária
" PS não se conforma com o facto de Manuel António Correia ter ocultado que, afinal, o IFAP já não vai fechar na Região. Victor Freitas não tem dúvidas: "Foi por razões político-partidárias". O líder parlamentar dos socialistas ainda assim dá como que um benefício da dúvida ao secretário e, por isso, exige que o governante se explique perante o Parlamento.É o segundo pedido de audição parlamentar a Manuel António Correia sobre o assunto. Primeiro os socialistas simplesmente queriam saber o que ia acontecer e o que estava a ser feito. Depois foram surpreendidos com o anúncio do secretário a dizer que afinal o assunto estava resolvido desde o dia 25 de Agosto e a acusar o PS de assumir uma "posição politicamente hipócrita". No pedido de agora, os socialistas interrogam por que é que "o secretário fez segredo da resolução do problema durante dias e só veio a público depois de o PS e outras forças políticas tomarem posição".Victor Freitas vai mais longe e acusa Manuel António de usar as suas funções institucionais "para fazer política partidária, alimentando a central de intoxicação que o PSD está a montar contra o Governo da República, fazendo impender sobre o mesmo o ónus do receio de despedimento. Ou seja, o secretário não se preocupou com a angústia dos filhos e das famílias daqueles funcionários, procurando atingir o Governo da República". "

Comentário: ah, ah, ah, ah...

PS - Mas será que este tipo (leia-se o líder do grupo parlamentar do PS-Madeira) leva-se mesmo a sério?

Hipocrisia do PS-Madeira

Lido hoje no Diário de Notícias da Madeira:
"Manifestamente indecorosa".
É desta forma que o Grupo Parlamentar do PS define a Portaria da Secretaria Regional da Educação que regula os escalões da Acção Social Educativa. Referindo-se à notícia do DIÁRIO de que metade dos alunos matriculados na RAM beneficia de apoio público para alimentação, transportes e manuais, o PS refere que este número explica a dimensão do fenómeno da pobreza, "e a necessidade de políticas integradas de família que não podem se esgotar num apoio de natureza caritativa". Até porque nestes 47%, que beneficiam de apoio escolar, não estão contemplados os agregados familiares com um rendimento 'per capita' igual ou superior a 261 euros. Valor que, à luz do actual custo de vida das famílias, significa "um evidente estado de pobreza". Com estes indicadores, o PS considera que o governo mostra-se cego à realidade económica e social, preferindo distribuir umas migalhas aos pobres e excluídos. "O governo aposta na obra física, em estádios, naquilo que não é socialmente relevante, e deixa de lado a obra educativa que é a base do futuro da Região", salientam os socialistas. "
Ora, perante isto só me apetece dizer: vão lá ser hipócritas para o raio que vos parta!

Declaração de interesses: 261EUR per capita é mesmo um valor miserável.

5.9.08

Cartas a um amigo comunista I

Hoje, que é inaugurada a edição deste ano da Festa do Avante (este ano, que planeava confraternizar com os meus amigos comunistas naquela que é a sua festa, sou impedido por um evento bem mais burguês!), vou dar início a uma rubrica nova, que se chamará Cartas a um amigo comunista.
O título, como é evidente, não é da minha autoria, mas é uma adaptação das Cartas a um amigo alemão, que Albert Camus escreveu a partir de 1943.
Tentarei manter alguma frequência nestas missivas.

Caro amigo,

hoje para ti é dia de festa pelo que não te maçarei com questões demasiado doutrinárias ou discussões sobre práxis política.
Para começar este conjunto de missivas, apenas uma nota prévia sobre algo que venho vindo a observar e que nos distingue: eu prefiro a pior das democracias à melhor das ditaduras. Não estou tão certo que partilhes desta minha premissa.
Sei bem que a dicotomia que estabeleço é simplista, mas a ideologia subjacente é real: eu defendo o direito inalienável da liberdade individual, enquanto tu estás disposto a abdicar desse direito em prol de um bem comum que entendes poder ser garantido por um regime de partido único. Acho que aqui, jamais estaremos em acordo!
Um abraço,

Queimem o Pinho II

Parece que este foi o pior Agosto de sempre para o turismo algarvio.
Irão dizer: ah e tal que é a crise internacional, mas não deixa de ser curioso que tal aconteça quando se substituiu a marca Algarve por aquela imbecilidade e completamente estapafúrdia que dá pelo nome de Allgarve.
E aos empresários e gentes algarvias nem sequer valeram as poses mais idiotas do Pinho (insisto: a única forma de ser bem aproveitado é queimando-o), como aquela ao lado do Phelps.

Desemprego e irresponsabilidade

Quando ouvimos os socialistas ou os comentadores mais próximos (lacaios?) do governo da República falarem sobre o desemprego, parece que não há problema nenhum, visto que a diferença entre a percentagem de desempregados apenas aumentou 0,1% em três anos (passou de 7,2% para 7,3%). Chegam mesmo a falar de criação de emprego. Porque para estes senhores a demagogia não tem fim e o que importa é vender a ideia de que vivemos no melhor dos mundos, mesmo que isso seja feito à custa da miséria de 450 mil famílias.
Gritem o que quiserem mas a verdade é só uma: em três anos, a taxa de desemprego e o número de desempregados cresceu. Repito: cresceu! Tudo o resto são tretas demagógicas e irresponsáveis.

Comunicação institucional, ou mera propaganda?

Quando Santana Lopes falou em criar uma central de comunicação do Estado, parecia que o mundo iria acabar, como se o que se pretendesse fosse contratar o próprio Goebbels. Agora, o governo socialista cria um gabinete de comunicação (gab.comunicacao@me.gov.pt) e a inteligentsia aplaude, porque é preciso comunicar.
Assim se vê quem beneficia quem!

4.9.08

"Não entres tão depressa nessa noite escura"*, ou a política do embuste animada com palminhas babadas

Não haja dúvidas que a central de comunicação do governo socialista é uma máquina bem oleada. Conseguem criar manchetes e aberturas de telejornais não apenas com aquilo que fazem, como também com mentiras, embustes e demagogia, querendo fazer-nos acreditar que estamos perante o melhor governo do mundo (ideia que alguns estão dispostos a engolir sem qualquer tipo de crivo crítico sustentado).
Desta feita, apenas duas medidas "anunciadas" pelo governo e ambas relacionadas com a educação.
A primeira tem a ver com o denominado passe escolar «4_18@escola.tp», que visa a redução para metade do preço do passe de transportes públicos (120 transportadoras, segundo anunciam). Ora, vejamos o embuste: desde 1984 (decreto-lei 299/84) que qualquer criança que frequente a escolaridade obrigatória e que resida a mais de 3 km da escola da sua área de residência tem direito a transporte escolar gratuito, garantido pelas autarquias. Para os alunos do secundário (pelo menos até aos 18 anos, portanto), os transportes são comparticipados em pelo menos 50%, desde que os alunos não fiquem retidos mais do que 2 anos. Estão de fora: as crianças que frequentam a estabelecimentos de educação pré-escolar (entre os 4 e os 6 anos). Todavia, quase todos os municípios, ao prepararem os seus mapas de transportes escolares, integram também o transporte para estas crianças (com níveis de apoio que vai do gratuito até 50% de comparticipação), até porque crianças de 4 anos não vão para os jardins de infância sozinhas, numa qualquer linha da Carris ou do Metro de Lisboa.
Por outro lado, muitas autarquias já criaram outros apoios, como passes jovens e passes sociais, cujos benefícios ultrapassam os previstos para esta nova medida.
Medida embusteira, portanto. Mas é mais grave: o governo lança a medida, mas quer que as autarquias, que já asseguram os custos inerentes ao transporte escolar, assegurem, igualmente, os custos com esta nova medida, que irá apenas beneficiar alunos que frequentam estabelecimentos de ensino a menos de 3 km da sua residência (medida ecológica, como se vê, que promove o pedestrianismo). Ora, não é apenas um embuste: é uma aldrabice que o governo quer ver paga pelas autarquias; que não tem qualquer pertinência socio-educativa; e que não promove hábitos saudáveis, bem pelo contrário.
Segundo: acção social escolar (ASE) que, de acordo com a central de comunicação (leia-se governo), irá triplicar o número de crianças subsidiadas. Antes de mais, outra aldrabice a ser paga pelas autarquias, uma vez que de acordo com o decreto-lei 144/2008, a acção social escolar para os 1º, 2º e 3º ciclos (a quem se destina esta medida) passa a ser uma competência das autarquias (apenas o 1º ciclo estava já descentralizado). Ou seja, o governo apresenta esta como se fosse um custo social por si assumido, quando o que pretende é recolher dividendos políticos de um custo que será assumido integralmente pelas autarquias. Mais: esta alteração de paradigma não foi negociada e passaram este presente envenenado, dado que a verba inscrita em orçamento de estado previsto para esta descentralização de competências não cobre estas alterações.
Por outro lado, também anunciam que o número de beneficiários irá triplicar. Não sei se é verdade (porque não conheço o número de beneficiários de abono familiar), mas o que sei é que o valor do Indexante de Apoio Sociais (IAS) que serve de referência à fórmula faz subir em cerca de 150€ o rendimento familiar para atribuição do apoio (por exemplo: uma família com dois filhos para receber ASE a 100% não poderia ter um rendimento mensal superior a 856€, passando, com as novas regras, a 1021€), o que é efectivamente uma boa notícia mas não é, de todo, uma revolução ao nível de apoio social, conforme nos quiseram vender. Repare-se que para que uma criança receba ASE a família não poderá ter um rendimento per capita superior a 255€, o que não deixa de ser um valor miserável.

Esta é a política deste governo: embusteira, trapaceira e mentirosa, que visa apenas obter dividendos políticos, sem que contribua efectivamente para a qualidade de vida das pessoas.

PS – Curioso que não se veja qualquer socialista madeirense a vociferar contra os órgãos de comunicação social do continente - que se dispõem a vender este “peixe” conforme lhes fazem chegar através do notas de imprensa, criando embustes e falácias -, conforme os vemos gritar na Madeira. É o conceito de “democracia...mas pouco!” (se forem do meu partido, acrescento eu).
* Título roubado a António Lobo Antunes

3.9.08

It's all about it

O Sr. Lori Sandri, treinador do Marítimo, quando questionado sobre o adversário que coube em sorte à sua equipa na Taça UEFA respondeu desta forma: O pior possível.

Pois bem, do ponto de vista desportivo o Sr. Sandri até tem razão: É tão dificil ao Marítimo eliminar o Valência como a mim equilibrar-me nuns patins em linha. O drama é que, sem culpa, o Sr. Sandri não sabia que o mesmo Valência era, presumivelmente, o melhor adversário possível.

Baralhados? Então passo a explicar: A política desportiva do Governo Regional é justificada pela necessidade de promoção externa da Madeira. O argumento é, na minha opinião, discutível, embora a utilização do desporto enquanto veículo de comunicação de uma região ou de um país seja mais frequente que os assaltos a bombas de gasolina no continente. Basta ver, a outra dimensão, o esforço que a China fez para ganhar mais medalhas de ouro do que todos os outros em Pequim.

Partindo do pressuposto aqui enunciado, uma eliminatória disputada em Valência será sempre uma excelente oportunidade para promover o destino Madeira. Senão vejamos: Valência é a terceira cidade espanhola em número de habitantes. Valência é, logo depois de Barcelona e Madrid, a mais rica, mais dinâmica e mais pujante urbe do reino de “nuestros hermanos”. Espanha é, neste momento, um dos mais importantes mercados emissores de turismo para a Região. Juntando as variáveis desta equação é fácil perceber que a presença do Marítimo na cidade que roubou descaradamente a America’s Cup a Santana Lopes e a Lisboa-Cscais, aliada à criatividade necessária nestas situações, seria uma espécie de tiro na mouche – para o Turismo cá do burgo.

Aqui vão, de borla, algumas sugestões. Que obviamente não serão postas em práctica:

- Entrar em contacto imediato com o Dep. de Comunicação do Valência Club e sugerir-lhes que um vídeo da Madeira seja passado nos ecrãs gigantes do estádio antes do jogo e durante o intervalo. Caso não existam confiltos com patrocinadores do clube da casa, os espanhóis cederão sem grandes dramas.

(atenção: nos contactos como Valência existem palavras proíbidas: Quique Flores, Koeman ou Sarapandiquipiti são três delas. Só para evitar que chatisses!)

- Sugerir a inserção de material de comunicação da Madeira – texto, imagem - no Guia do Jogo, instrumento que, nos estádios decentes, chega à maioria dos espectadores;

- Contratar uma empresa local para deixar um flyer ou outro material de comunicação da Madeira em cada uma das cadeiras do estádio do Valência;

- Desenvolver acções de charme na zona vip e na sala de imprensa do Estádio, com distribuição de material informativo.

(sim senhor, o bolo de mel e o vinho podem entrar... Mas evitem o brinquinho, o despique e a poncha. São acções de... charme, não sei se me faço entender!)

- Colocar, nas imediações do recinto desportivo (estações de metro e de autocarros, por exemplo), algumas promotoras contratadas localmente para a distribuição de material informativo sobre a Madeira;

- Definir espaços na cidade (nas imediações do estádio) para a colocação de material de grande formato a promover o jogo e a Madeira. Para tal será necessário contactar uma das muitas empresas que, em Valência, fazem a gestão comercial dos espaços de comunicação;

(pois, não sei se um cartaz cor de laranja com a Madeira em marcha é o mais adequado, mas enfim...)

- O Gabinete de Imprensa da Secretaria do Turismo deveria, imediatamente após o sorteio, ter entrado em contacto com órgãos de informação locais para tentar colocar entrevistas de responsáveis locais pelo Turismo, que assim apanhariam a boleia da bola.

(por boleia entenda-se táxi, porque a viagem há muito que está paga!)

Seria fácil fazer isto:

- Sim! Se existisse uma estrutura capaze de responder com eficácia e rapidamente às oportunidades que os desporto subsidiado proporciona.

E esse é o drama – e o cerne desta questão: Quem gere os dinheiros do desporto é o IDRAM. Faz sentido. Mas ninguém gere a marca desportiva da Região. Pura e simplesmente porque ela não existe e, como toda a gente sabe – ou devia saber –, ninguém gere o inexistente.

(até Deus, por horror ao vazio, nos criou a nós!)

Em resumo: temos um desporto fortemente subsidiado com o objectivo de promover a Região. Mas não temos instrumentos para maximizar o retorno do investimento feito pelo erário público. Faz sentido?

(as canções do Tony também não mas vendem p’ra caraças! Xiiii, foi-se a minha teoria...)

Não fará mais sentido criar uma marca que corporize a actividade, sendo esta gerdida pela Secretaria Regional do Tursimo? Serão os professores de Educação Física do IDRAM – com todo o respeito – especialistas em Comunicação, ou antes em Desporto?

(esqueçam a anedota de nome Madeira Sabor a Desporto. A sério, pá. Vá lá, isso foi a brincar. Não era a valer. Vá, vamos começar de novo... Um, dois...).

Não faz sentido maximizar recursos, trabalhando em conjunto com os clubes tendo por objectivo observar janelas de oportunidade para promoção nos calendários desportivos?

Não faz sentido estudar o Desporto, os seus públicos, e desenvolver acções específicas junto dos clubes ou atletas que representam a Madeira lá fora?

Tem lógica deixar esse tipo de responsabilidade aos dirigentes, sabendo que a maioria das simpáticas agremiações da terra – todas com excepção de Marítimo e Nacional - não têm dimensão para sonhar com um departamento de Marketing e de Comunicação.

Esta ausência de Comunicação em torno do fenómeno desportivo faz algum sentido?

Pois é, seu Sandri... Ocê, quando botou discurso, esqueceu o principau! Sei que no peito dos desafinado também báte um coração. Mais báte pela promoção, né.. Ou devia!

28.8.08

JO, Rosa Mota e o governo

Sejamos realistas: a participação portuguesa nos Jogos Olímpicos de Pequim foi, no mínimo, embaraçosa. Todos os portugueses esperavam, com legitimidade, por melhores resultados.
A verdade é que Vicente Moura nem sequer foi ambicioso ao "prometer" 4 medalhas e 60 pontos. Se tudo tivesse corrido "naturalmente", 4 medalhas era o mínimo exigível: Vanessa Fernandes, Nelson Évora, Naíde Gomes e Telma Monteiro davam-nos garantias de medalhas. E havia ainda outros perfeitamente medalháveis, como Francis Obikwelu ou João Rodrigues.
Portanto, a meta traçada por Vicente Moura era até demasiado humilde, para as reais potencialidades da comitiva portuguesa.
Quer isto dizer que estaria o Comité Olímpico Português (COP) obrigado a trazer medalhas? De modo algum! O desporto é assim mesmo e - perdoem o cliché - não existem vitórias antecipadas. O facto de ser perfeitamente plausível que esperássemos que viessem 5 ou 6 medalhas e a frustração que as prestações de alguns atletas nos trouxeram não põe em causa o trabalho do Comité Olímpico, seja ele bom ou mau. Mostra-nos apenas - e de novo - que para se fazer campeões é necessário muito trabalho sério e árduo, haver bons momentos de forma e um momento de "magia", misturado com uma ponta de sorte (que, manifestamente faltou à Naíde e sobrou a Phelps, por exemplo).
Também não quero com isto dizer que não devam ser acicatadas responsabilidades ao COP. Foi estabelecido um contrato-programa com o governo, com metas quantificáveis (e, insisto, nem sequer eram ambiciosas) que não foram atingidas. Assim, essa responsabilidade deve ser imputada ao COP e ao seu responsável máximo. Não pode Vicente Moura vir agora assobiar e fingir que nada se passou, "apenas" porque a miúda e o super-homem (leia-se Vanessa e Nélson) trouxeram medalhas. A atitude mais decente a ser tomada seria a demissão imediata, sem recandidatura.
Mas se é indecente este aproveitamento de Vicente Moura (já parece o Madaíl), não me enoja menos atitude do governo para com o COP, ou mesmo a atitude de Rosa Mota. Aliás, se do governo este tipo de atitude é expectável, apanhou-me de surpresa este "fazer-se ao piso" de Rosa Mota. Ela não precisava de nada disto e mancha um capital de credibilidade que vinha a acumular há anos.
Neste momento, com as declarações de Laurentino Dias, já todos percebemos que o governo tentará pintar um quadro extremamente negro da participação portuguesa em Pequim, com vista ao lançamento da ex-atleta do Porto, que tantos favores tem feito ao PS, para a liderança do COP. Ora, deste PS nada nos espanta, porque sabemo-los quererem minar e dominar todos os sectores da sociedade. Agora, da Rosa Mota esperava mais. Mais alguma elevação, mais alguma honestidade e menos perfídia (ora enaltece Vicente Moura, ora passa-lhe as mais abjectas rasteiras). Mas se esperava uma atitude mais digna da ex-atleta que tantas alegrias me deu, talvez não tenha sido uma surpresa tão grande: a omnipresença de Rosa Mota em tudo o que eram eventos olímpicos já indiciava o que vinha a caminho.
Para concluir, isto tudo que se está a passar resume-se numa palavra: nojento!

25.8.08

Adenda à treta do post anterior

Só para acrescentar um livrinho: nada de pornografia. A escolha também não recai no Horácio Bento de Gouveia, apenas ao alcance de funcionários da Universidade da Madeira.
O vencedor é... O estranho caso da boazona que me entrou pelo escritório adentro, do advogado portuense José Pinto Carneiro. E apesar do título, este é a sério, porque o livro ainda que brejeiro, é bastante divertido (não será propriamente um Jaime Bunda do Pepetela, mas é bastante aproveitável...)

Silly season, mas nem tanto.

Ora, mais uma vez a minha amiga WOAB lança-me um repto (não confundir com réptil!):
- Se, durante vinte e quatro horas em férias, pudesse assistir aos seguintes eventos, qual a ordem cronológica que escolheria para fazê-lo: dança/bailado; peça de teatro; exposição; cinema.

Antes de mais, a cidade, que isto da cultura também tem geografia delimitada. Londres, porque em mais nenhuma cidade se poderia assistir num mesmo dia a tantos espectáculos de qualidade.

Poderíamos começar com dança. Estive na dúvida entre uma lap dance e uma dança no varão, mas a ameaça do chapadão que viria caso optasse pela primeira escolha dissiparam-nas: a opção é mesmo dança do varão. Regalo para o olhos, mas longe das mãos.

Depois, uma exposição para relaxar: uma vez que nada do Tate´s interessa-me para já, visita ao mais recente museu londrino: Museu do Sexo Amora. Ainda para mais, a exposição é interactiva e parece que é possível um spankingzinho numa boneca que, no entanto, avisa se ultrapassarmos os limites do tolerável.

Após exercício físico intenso (a palmadinha pode não doer na boneca mas e o que faz às mãos?... - um tapinha não dói, o tanas!), sentava-me confortavelmente a ver um outro espectáculo. Desta vez, teatro. Pensei no musical Dirty Dancing, mas não me parece ousado o suficiente. Uma vez em Londres, escolheria uma pequena sala para ver a Cozinha Canibal, de Roland Topor. Uma bela história com gajas nuas e pornografia a rodos.

Para terminar, um cineminha (curiosa esta palavra!). Como ando um bocado farto de clássicos, nada de Garganta Funda. Sejamos modernos: Traseiros húmidos e suculentos seria uma boa escolha.

Vá WOAB, espero que as minhas escolhas tenham sido do teu agrado (sabes o quanto gosto de responder a este tipo de repto). Quem sabe e até passaríamos juntos um dia de tão intensa actividade cultural???

PS - Qualquer semelhança com taradice sexual não é mera coincidência!

PS1 - Uma vez que mo passaram, desafio o João e o Miguel a avançarem com as suas preferências.

23.8.08

Olavo Manica e o Cidade

Simpatizo com a causa do Olavo Manica, com a sua cruzada de denúncia das perversidades do regime de Chávez na Venezuela.
Simpatizo também com o emigrante retornado, que não domina as ferramentas de exposição do seu raciocínio, que é como quem diz: o homem até não pensa mal, mas não sabe escrever, ainda que isso possa não lhe ser imputável.
Feita esta declaração de interesse, é necessário dizê-lo com clareza: os textos de Olavo Manica no diário Cidade são, na sua maioria, imperceptíveis. Erros ortográficos, de sintaxe, de concordância, pontuação e acentuação incorrectas, enfim, nos seus textos encontra-se de tudo.
Bem sei que após Saramago todos temos legitimidade para querer reinventar a língua escrita. É, contudo, necessário um certo limite imposto pelo bom senso e pelo respeito pela palavra escrita.
Mas se me incomodam os (erros dos) seus textos, incomoda-me ainda mais que ninguém do Cidade os corrija. Não sei se por respeito à originalidade dos textos, se por vontade de manter a fidelidade da sua linguagem, se - ainda e mais grave - para achincalhar o seu autor, a verdade é que os textos são publicados independentemente dos erros que possam conter.
Ora, há aqui uma questão de responsabilidade social do Cidade para com os seus leitores: a revisão e correcção dos textos publicados no diário deveria ser uma exigência editorial. Porque demonstraria respeito para com os seus leitores.
Por isso espero que revejam, rapidamente, este procedimento de modo a podermos acompanhar os raciocínios do Olavo Manica sem parecer que estamos a ler numa outra língua, que não a portuguesa.

Intensidez


Para combater o marasmo que se apodera do Alentejo, uma lufada de ar fresco. Intensidez começa a ser um dos meus locais preferidos em Évora...

PS - Para além de um interessante projecto editorial e bibliocafé, também o projecto de arquitectura é exemplar. Do arquitecto alentejano Rui Russo, que está de parabéns.

21.8.08

Senhora de 500 anos

Porque para mim, é a cidade mais bonita do Mundo. Parabéns Funchal pelos 500 anos!
Roubada daqui.

Porque Horácio Bento de Gouveia disse-o melhor do que eu alguma vez serei capaz

"(...) Do tombadilho contemplou a cidade longamente. Impressionou-o a cidade estrelada de luzes que subiam da beira-mar até aos píncaros da montanha. A terra ia ficando para trás; a gambiarra que, a partir do cais, se estendia rente à babugem do mar e terminava na Pontinha, amortecia e mudava de perspectiva ao passo que o paquete se afastava. De repente, o cabo Garajau, como pano de boca de prescénio que baixasse, escondeu a visão maravilhosa da cidade. Então, nesse momento, Manuel sentiu que alguma coisa que lhe pertencia, que fazia parte do seu psiquismo, ficava ao abandono da sua vida de emoções. Os objectos que sua retina fixava todos os dias, a realidade visual, a terra que pisara tantos anos, as ruas que lhe haviam conhecido os passos - a ilha, o seu mundo, o alfobre das suas mais caras impressões sentimentais, sumia-se na negridão da noite; e as únicas sensações que o punham em contacto com a vida cifravam-se no ruído cavernoso da máquina do vapor e no balanço muito lento que o entontecia (...)."

Horácio Bento de Gouveia, Canga

20.8.08

Casamento e Cavaco: até que enfim! Começava a ser tempo...

Gostei do veto de Cavaco Silva à lei do divórcio. Porque ao contrário do que afirmou Alberto Martins, para mim o casamento não é apenas uma união de afectos, mas também de deveres:
Dever de Respeito; Dever de Fidelidade; Dever de Cooperação; Dever de Assistência.
Estes são deveres que, parece-me, todos nós concordaremos que devem ser mantidos e defendidos. Assim sendo, o Estado não pode premiar quem não cumpre com estes deveres conjugais e tem a responsabilidade moral de garantir a reflexão dos indivíduos perante tão importante compromisso.
Reconheço que, ideologicamente, poderão contrapor-se aqui razões de ordem individual, como a liberdade. Todavia, o Dever de Assistência à família, numa escala de valores, é para mim mais importante do que a liberdade individual, individualista e individualizante. Há sacrifícios? Claro que o casamento exige sacrifícios. Viver com outro, constituir família, não é fácil. Não deve, contudo - e em minha opinião - o Estado vir afirmar que o casamento não vale os esforços individuais.
E sejamos honestos, em última análise, é bastante fácil obter-se um divórcio em Portugal (parece que apenas 8% dos divórcios são litigiosos).
Por último, não podemos andar todos atrás das pequenas modas efémeras, apenas para nos assumirmos progressistas. Se queremos uma sociedade de valores, temos que a defender e não embandeirar em arco perante pequenos desejos individuais.

19.8.08

Memórias felizes de lugares perfeitos





















Porque a WOAB despertou as memórias, aqui ficam umas imagens do lugar mais perfeito do mundo...

Ciganos ou socialistas?

Por falar em ciganos, parece que um tal Lello - desta feita membro de família socialista - intercedeu junto do Ministério da Economia pelo Boavista, para obter mais uns beneciozinhos do IAPMEI.
Vai que a coisa tornou-se pública e afinal não há benefícios para ninguém. Desse tal Lello e da sua bondosa e honesta acção, nunca mais se ouviu falar.
Esta família pode não ser cigana, mas lá que parece...

Meras coincidências? Nã...

Parece que o advogado daquele impoluto cigano que passeava em família quando o seu filho levou um tiro do GNR fascista e xenófobo irá processar o guarda por homicídio.
É verdade: os gajos não eram ladrões nem estavam a roubar; não fugiram à GNR nem tentaram atropelar um guarda; um deles não tinha fugido da prisão há 8 anos; esse mesmo também não mentiu à polícia e ao Ministério Público, usurpando a identidade de outrem; era uma família de gente trabalhadora, honesta e simples, que conduzia (e conduzem) Mercedes. Provavelmente também não receberiam o Rendimento Social de Inserção.

Esta história, lembra-me ainda uma outra, de umas famílias também ciganas (coincidência!) que exigiam ser realojados porque não gostavam do bairro onde moravam. Queriam assim umas casas novas e argumentavam que iriam ser assassinados - pobres coitados, que vimos tão desarmados nas imagens televisivas - pelos pretos. Dessas famílias, 85% dos indivíduos de idade adulta também recebia Rendimento Social de Inserção porque - umas autênticas vítimas! - ninguém os emprega - e eles desejosos de trabalhar, como todos nós sabemos.

Duas histórias similares, passadas com indivíduos de uma determinada etnia.
Chamem-me de xenófobo, porco fascista, o que quiserem, mas insisto que a similaridade entre as duas histórias não é mera coincidência.