25.10.08

Descobertas

Uma descoberta recente, provavelmente porque até nos meus gostos musicais sou conservador. E como tal, irei conservar durante muitos anos mais esta pérola. A ouvir em repeat...
E um agradecimento à WOAB que nos vai permitindo estes encontros!


A kiss could've killed me
If it were not for the rain
A kiss could've killed me
Baby if it were not for the rain
And I had a feeling it was coming on
I felt it coming
For so long.
If I'm to be the fool
Then so it be.
This fool can die now
With a heart that's soaked
How
How had it coming
For so long.
And darling take my hand
And lead me through the door
Let's kidnap each other
And start singing our song
My heart is charged now
Oh, it's dancing in my chest
And I fly when I walk now
From the spell in that kiss.
Cause I...
It could've
It could've killed me x2
If not for the rain.
Oh darling let me dream
Cause somewhere inside me
I have been waiting
So patiently
For you.
So don't you cry.
Don't break my dream.
Let the rain exalt us
As the night draws in.
Winds howl around us
As we begin.
What a way to start a fire
Broken with the break of day
A kiss could have killed me
If it were not for rain.
I have a feeling it's coming on.
I felt it coming on
for so long.
And it could've
It could've killed me.
If it were not for the rain.

23.10.08

Canções de que gosto (muito)

O Primeiro dia

Sérgio Godinho

A principio é simples, anda-se sozinho
passa-se nas ruas bem devagarinho
está-se bem no silêncio e no burburinho
bebe-se as certezas num copo de vinho
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

Pouco a pouco o passo faz-se vagabundo
dá-se a volta ao medo, dá-se a volta ao mundo
diz-se do passado, que está moribundo
bebe-se o alento num copo sem fundo
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

E é então que amigos nos oferecem leito
entra-se cansado e sai-se refeito
luta-se por tudo o que se leva a peito
bebe-se, come-se e alguém nos diz: bom proveito
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

Depois vêm cansaços e o corpo fraqueja
olha-se para dentro e já pouco sobeja
pede-se o descanso, por curto que seja
apagam-se dúvidas num mar de cerveja
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

Enfim duma escolha faz-se um desafio
enfrenta-se a vida de fio a pavio
navega-se sem mar, sem vela ou navio
bebe-se a coragem até dum copo vazio
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

E entretanto o tempo fez cinza da brasa
e outra maré cheia virá da maré vazia
nasce um novo dia e no braço outra asa
brinda-se aos amores com o vinho da casa
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida.

Hoje só poderia ser esta. Porque hoje é de facto uma espécie de primeiro dia.

21.10.08

Falta de sensibilidade feminista ou a piada do ano!

WOAB, você tem de ser mais sensível a estas questões de género...

PS - Esta é uma private joke!

Esperteza saloia da GESBA e da Direcção Regional de Agricultura

Tive hoje conhecimento, pelo Diário de Notícias da Madeira (sim, o mesmo que é tão duramente criticado pelo PS-Madeira, mas para qual todos os seus dirigentes se põem em bicos de pé, tipo: escolhe-me a mim, escolhe-me a mim!) que a GESBA (empresa criada pela Direcção Regional da Agricultura para gerir o mercado da banana) anda a pagar aos produtores praticamente com os fundos comunitários. Ao que parece, os rendimentos dos produtores até sobem um pouco - razão pela qual estariam (a empresa e a DRA) à espera do seu silêncio -, mas apenas à custa dos subsídios. A título de exemplo, a banana de segunda deixa de ter qualquer valor comercial, passando a ser totalmente paga com os fundos europeus. Uma vez que sabemos que esta banana também tem mercado e tem valor comercial, se o dinheiro não vai para os produtores, a pergunta que se impõe é: vai para quem, então?
Ora, parece-me completamente indecente que a empresa se tente financiar com os lucros provenientes do trabalho dos produtores e dos seus investimentos e parece-me ainda mais indecente que a Direcção Regional da Agricultura ache que isto tudo é normal. Não é senhor director regional e exige-se-lhe que intervenha para repor alguma moralidade a este processo.
Mas isto remete-nos para um problema que é quase ancestral: os fundos europeus para a banana têm sempre ido para todos os lados menos para quem deles precisa, que são os produtores. Não pode, portanto, esta produção sair da cepa torta onde desde sempre tem estado mergulhada.
Percebo e até defendo que os apoios devam efectivamente ser investidos na melhoria da produção (melhorar a eficiência, pelo menos). Neste processo, os intermediários também são importantes e deve ser exigido aos produtores investimentos na qualificação do produto. O que não pode acontecer é o valor comercial do produto ser usado para financiamento de uma empresa, passando os subsídios a ser utilizados para o pagamento aos produtores. É imoral, é ilegítimo e estou mesmo convencido que até é ilegal, para além de que não beneficia nada o sector.

17.10.08

Palhaçadinhas, palhaçadas e palhações!

À excepção de algumas noções económicas (área que assumo que domina, atendendo à minha total ignorância e - porque não dizê-lo? - desinteresse), Carlos Pereira já nos demonstrou que há poucas outras áreas que domine. Educação não é, definitivamente, uma delas, atendendo aos totais disparates que às vezes manda ao ar.
Carlos Pereira também já nos mostrou que tem uma certa dificuldadezinha em debater ideias e argumentos. À falta deles, vai de: habituem-se! Mas também já nos tinha habituado que o que gosta mesmo é de lançar umas farpelas mais ou menos generalistas, totalmente acríticas, sem que dê sequência à troca de ideias. É um estilo de se estar na blogosfera como outro qualquer.
Por isso, importa-me pouco, porque não sou seu (e)leitor (usual).
Este post vem apenas a propósito do tal habituem-se e das palminhas que bate (Carlos Pereira) e muitos outros socialistas ao programa Magalhães, ainda que existam muitas perguntas - que, ao que parece, não incomodam - sem respostas.
Ora, para além de termos sido informados que o Ministério da Educação (ME) anda a "sugerir" que as autarquias paguem o acesso à Internet (com uma despesa média anual de 300,00€ ano/máquina - não é um desperdício, seria um roubo e um rombo de dimensões monstruosas), não é que também soubemos o que entendem a Intel e o ME como formação? Ao que parece, no entender destas duas instituições, para rentabilizar este PC basta ensaiar umas musiquinhas de louvor ao programa! Entoam-se loas, que é como o líder quer e já está!
Então é isto que Carlos Pereira e outros denominam de qualidade governativa? É para isto que gostariam de ser alternativa na Madeira? É que se é isto que querem, obrigado, mas para mau, está bem como está!

16.10.08

Canções de que gosto (muito)

Os Índios da Meia Praia

Zeca Afonso

Aldeia da Meia Praia
Ali mesmo ao pé de Lagos
Vou fazer-te uma cantiga
Da melhor que sei e faco
De Montegordo vieram
Alguns por seu próprio pé
Um chegou de bicicleta
Outro foi de marcha à ré
Quando os teus olhos tropecam
No voo de uma gaivota
Em vez de peixe ve pecas de oiro
Caindo na lota
Quem aqui vier morar
Nao traga mesa nem cama
Com sete palmos de terra
Se constrói uma cabana
Tu trabalhas todo o ano
Na lota deixam-te nudo
Chupam-te até ao tutano
Levam-te o couro cabeludo
Quem dera que a gente tenha
De Agostinho a valentia
Para alimentar a sanha
De esganar a burguesia
Adeus disse a Montegordo
Nada o prende ao mal passado
Mas nada o prende ao presente
Se só ele é o enganado
Oito mil horas contadas
Laboraram a preceito
Até que veio o primeiro
Documento autenticado
Eram mulheres e criancas
Cada um com o seu tijolo
Isto aqui era uma orquestra
quem diz o contrario é tolo
E se a ma lingua nao cessa
Eu daqui vivo nao saia
Pois nada apaga a nobreza
Dos indios da Meia-Praia
Foi sempre tua figura
Tubarao de mil aparas
Deixas tudo à dependura
Quando na presa reparas
Das eleicões acabadas
Do resultado previsto
Saiu o que tendes visto
Muitas obras embargadas
Mas nao por vontade própria
Porque a luta continua
Pois é dele a sua história
E o povo saiu à rua
Mandadores de alta financa
Fazem tudo andar para tras
Dizem que o mundo só anda
Tendo à frente um capataz
Eram mulheres e criancas
Cada um com o seu tijolo
Isto aqui era uma orquestra
Que diz o contrario é tolo
E toca de papelada
No vaivém dos ministérios
Mas hao-de fugir aos berros
Inda a banda vai na estrada

PS: Alguém dizia-me ontem: E não é que a porra da canção é actual como tudo? Xiça...

Arengam-me há anos que vamos voltar aos tempos dos totalitarismos. Começo a acreditar... Que Deus nos acuda! Inda a banda vai na estrada!

15.10.08

Este país não é para velhos, não: é para patetas!

No ano passado, também estes senhores que desgovernam esta nação prometiam que a inflação seria inferior aos aumentos salariais, garantindo que os funcionários públicos não perderiam poder de compra. Foi o que se viu e agora: ah e tal que foi a crise internacional, mas agora é que é!
O que estes senhores esquecem é que não têm qualquer tipo de credibilidade. Esse capital, há muito que desbarataram. Mas continuam alguns patetas alegres a aplaudir.

O hiato que separa a propaganda de Sócrates e a realidade

Manoelinho coloca muito bem a questão: passando a propaganda, o que é que fica?

Magalhães: para quê, para quem e até quando?

Para além da fraude que parece não incomodar os socialistas portugueses sobre a originalidade do PC Magalhães, relativamente a este programa há várias questões que o governo parece não querer responder e que parece mesmo que ninguém quer colocar:
1. o programa será apenas para este ano, ou manter-se-á no futuro? Por exemplo, como é que será no próximo ano lectivo? Está garantido que todas as crianças que entrem no 1º ciclo do ensino básico terão a mesma oportunidade?
2. A resposta à questão anterior é fundamental, por forma a que se determine que equipamentos deverão ser adquiridos pelas e para as escolas. Se o Estado oferece PC's, continua a fazer sentido investir em salas TIC? Não será um desperdício?
3. Se for para se manter, que custos acarreta? Há viabilidade e sustentabilidade, ou será uma mera medida avulso puramente eleitoralista?
4. As medidas do QREN abertas para a Educação privilegiam investimentos integrados, que prevejam o equipamento tecnológico. Onde é que deve ser feito o investimento?
5. Está a ser dada formação aos docentes por forma a puderem rentabilizar esse recurso no processo ensino-aprendizagem? Para que serve, se nem as famílias nem os docentes conseguirão orientar as crianças ? (Quem segue o processo das TIC em educação sabe que a orientação das crianças de tão tenra idade é fundamental. Por isso é que o Estado e a União Europeia investem fortunas em programas como o Seguranet.)
6. O Ministério da Educação quer que sejam as autarquias a assegurar o pagamento dos acessos à Internet, no âmbito da Acção Social Escolar. Foram ouvidas as autarquias, relativamente a este custo adicional que o governo lhes quer imputar? E se a verba for a mesma, onde é que se vai cortar: no material didáctico, no equipamento contra a chuva e contra o frio ou na alimentação?

É que parece muito bem falar-se em Plano Tecnológico de Educação e aplaudir-se medidas deste tipo. A questão é saber se as medidas terão algum efeito prático. Mas isso já é pedir muito, a muitos (passe a redundância) acéfalos que por aí proliferam.

14.10.08

Afinal o gajo é mesmo bom I

Só faltou chamá-lo de pai...

Afinal o gajo é mesmo bom

Aqui há uns tempos atrás, o Miguel Fonseca escreveu um post, com o mesmo título que eu agora usurpei, para retratar a sua opinião sobre o deputado Carlos Pereira e a sua actividade parlamentar.

Independentemente da opinião que eu possa ter sobre o seu trabalho político, serve o presente post apenas para acrescentar que o gajo não é apenas bom em economia e finanças.
Afinal, o gajo também é mesmo bom em exigir para si a liberdade que quer negar aos outros, conforme bem provam as suas invectivas contra Luís Filipe Malheiro (LFM). Veja-se aqui, aqui, aqui e aqui, e muitas mais, ao longo de todo o seu blogue.

Ora, era só o que faltava que fosse cerceada a liberdade de expressão ao cidadão LFM apenas porque é funcionário da Assembleia Legislativa Regional. Desde que este não use de informação confidencial acedida pela função que desempenha - e não me parece ser o caso -, o LFM tem todo o direito de expressar a sua opinião sobre política, economia, o PS, as flores do Jardim da Madre Teresa, o que quer que seja e o que lhe dê na real gana.
E ao deputado Carlos Pereira, que afinal é mesmo bom, ficaria bem que debatesse ideias e não atentasse contra a liberdade de outrem. Porque para quem tanto reclama por verticalidade, elevação e dignidade no debate político, as suas atitudes - das quais os seus textos são exemplares - não revelam o político da excelência moral e hombridade que tem tentado desesperadamente se fazer passar.
O que o gajo parece não saber é que para se ser mesmo bom, é preciso saber conviver com a crítica e reconhecer aos outros aquela mesma liberdade que reclamamos para nós próprios. Ou pretende o deputado Carlos Pereira, quiçá imbuído no espírito que prolifera no país, que o LFM seja despedido por delito de opinião?

E para que não me acusem de apenas manifestar a minha indignação porque se trata de um vil e ignóbil ataque à liberdade de expressão de um dirigente do PSD, lembro que já me manifestei noutras alturas sobre o direito à liberdade de expressão de outros bloggers, nomeadamente manifestando a minha solidariedade ao Emanuel Bento aquando do seu despedimento do Diário de Notícias ou ao amsf, sobre aquele patético voto de protesto apresentado pelo PSD da Madalena do Mar.

13.10.08

Herberto

se me vendam os olhos, eu, o arqueiro! acerto

em cheio no alvo porque o não vejo:

por pensamento e paixão,

ou porque foi tão sentido o vento a luzir nos botões dos salgueiros,

como se atirasse do outro lado do vento,

ou na solidão de um sonho,

ou como se tudo fosse o mesmo: flecha e alvo  –

e

cego

acerto em cheio:

porque não quero

Herberto Hélder. Está no novo livro.

Este país não é para velhos

Ainda não o tinha lido. Li-o de supetão este fim de semana e aconselho-o a toda a gente: Este País não é Para Velhos, de Comarc MacCarthy.

Já tinha visto o filme. Mas a prosa de McCarthy é absolutamente arrasadora. Não sou daqueles que acham que o livro é sempre melhor que o filme. Há casos e casos mas neste caso a palavra escrita ganha por KO, embora eu seja o primeiro a reconhecer que a adaptação dos Irmãos Cohen, com Tommy Lee Jones, Javier Bardem ou Woody Harrelson, é excelente.

Canções de que gosto (muito)

The Passenger

by Iggy Pop

I am the passenger
And I ride and I ride
I ride through the citys backside
I see the stars come out of the sky
Yeah, theyre bright in a hollow sky
You know it looks so good tonight
I am the passenger
I stay under glass
I look through my window so bright
I see the stars come out tonight
I see the bright and hollow sky
Over the citys a rip in the sky
And everything looks good tonight
Singin la la la la la-la-la la
La la la la la-la-la la
La la la la la-la-la la la-la
Get into the car
Well be the passenger
Well ride through the city tonight
See the citys ripped insides
Well see the bright and hollow sky
Well see the stars that shine so bright
The sky was made for us tonight
Oh the passenger
How how he rides
Oh the passenger
He rides and he rides
He looks through his window
What does he see?
He sees the bright and hollow sky
He see the stars come out tonight
He sees the citys ripped backsides
He sees the winding ocean drive
And everything was made for you and me
All of it was made for you and me
cause it just belongs to you and me
So lets take a ride and see whats mine
Singing...
Oh, the passenger
He rides and he rides
He sees things from under glass
He looks through his windows eye
He sees the things he knows are his
He sees the bright and hollow sky
He sees the city asleep at night
He sees the stars are out tonight
And all of it is yours and mine
And all of it is yours and mine
Oh, lets ride and ride and ride and ride...

8.10.08

Só para descontrair

Em Portugal, o poder de compra caiu de tal modo que até a classe média está a sentir na pele essa queda. No seu estilo inconfundível, o Bloco de Esquerda atacou o Governo com o seguinte argumento:
- Temos a situação tão degradada com os valores éticos, sociais e morais a ser postos quotidianamente em causa por este Governo, que até universitárias estão a começar a prostituir-se.
A resposta de Sócrates não se fez esperar:

- Em primeiro lugar, este Governo não recebe lições de ética, nem quaisquer outras, de ninguém; em segundo lugar e como é apanágio de V. Ex.ª que já nos habituou à distorção sistemática da realidade, o que acontece é exactamente o oposto: a situação é tão boa que devido ao Programa Novas Oportunidades até as prostitutas já são universitárias.

Recebida via e-mail.

Natureza humana (mas só para especialistas que é como quem diz: todos os que leiam mais que o DN-Madeira e uns artigos de economia)

Recebi hoje um mail de um amigo com a seguinte citação de Stuart Mill:

"É indiscutível que o ser cujas capacidades de prazer são baixas tem uma maior possibilidade de vê-las inteiramente satisfeitas; e um ser superiormente dotado sentirá sempre que qualquer felicidade que possa procurar é imperfeita. (...) É melhor ser um ser humano insatisfeito do que um porco satisfeito; um Sócrates insatisfeito [the true an only one] do que um idiota satisfeito. E se o idiota ou o porco têm opinião diferente, é porque apenas conhecem o seu lado da questão. A outra parte da comparação conhece ambos os lados..."

E não é que assim de repente consigo aplicar esta máxima sobre a natureza humana a mim próprio, ao que hoje sinto e ao que penso sobre algumas pessoas?...

4.10.08

FMI também mente?

"O crescimento modesto do emprego não conseguiu manter o ritmo do continuado crescimento da força de trabalho, o que levou o desemprego a ultrapassar a média europeia."



In Relatório Anual do FMI, citado na edição do Público do dia 3 de Outubro.



Ora, apesar das juras a pés juntos feitas por alguns socialistas, que conseguem encontrar as justificações mais rebuscadas para garantir de Sócrates criou os tais 150 mil postos de trabalho prometidos, a verdade é que a taxa de desemprego portuguesa continuou (e mantém-se) a divergir da média europeia. Ou será apenas o "pessimismo" do FMI, conforme já apelidou o ministro das Finanças?

São manifestamente exageradas as notícias da morte do capitalismo

Ao contrário do que apregoam, defendem e desejam, aberta ou secretamente, a verdade é que é manifestamente exagerada a notícia da morte do capitalismo. Este é um camaleão que conseguirá metamorfasear-se para se manter vivo. A crise apenas servirá para mudar de roupagem, não para o eliminar.

Esperemos é que a sua nova forma agrade mais à maioria!


Por mim, continuo a acreditar que é mal menor, de todos os maus sistemas. Mas também acredito que é possível fazer melhor. Muito melhor!

Será isto o liberalismo?

Há cerca de um ano discutíamos a legitimidade do estado português (e dos restantes estados europeus) ter uma golden share numa determinada empresa. Discutíamos a transparência e a igualdade de direitos num mercado onde competem empresas públicas e privadas. Discutíamos sobre o reforço da liberdade para o mercado. Uns ultraliberais defendiam um Estado mais magro, menos interventivo, com menor capacidade de influência e mais pobre. "Função apenas reguladora", defendiam. Seria o sector privado que garantiria os direitos sociais, a saúde, a educação, a segurança social e todas as prestações sociais, gritavam.
Um ano depois, vêm os mesmos suplicar pela nacionalização das empresas; defendem a necessidade dos impostos pagarem a avareza dos empresários de um sector comercial, não vêm mal nenhum que empresas estatizadas compitam em pé de igualdade com empresas privadas, defendem um estado musculado na sua intervenção. Em desespero de causa (não de causas, porque o desespero advém apenas das necessidades e agendas pessoais), querem que o(s) estado(s) tome(m) conta do mercado.
Ora, será este o liberalismo que defendem? Será esta a independência que querem do estado?

É por isto que cada vez mais afasto-me da corrente do liberalismo económico (e até político). Com este liberalismo, com estes liberais, não quero ter nada a haver!
E talvez fosse mesmo necessário o mundo financeiro ruir. Por vezes, não há forma de recuperar um edifício: está tudo tão podre, tão mal construído, que a única solução é a demolição. Talvez fosse disso que o mundo precisasse.

E quem salva as famílias?

De há 5 anos para cá, uma família jovem que tenha contraído um empréstimo para habitação viu a taxa de juro duplicar (com o fim do crédito bonificado e os constantes aumentos das taxas de juro).
Existem milhares de famílias portuguesas que chegam ao dia 20 e não têm o que comer. É certo que os empréstimos foram contraídos de livre vontade (se bem que valeria a pena discutir as técnicas agressivas de publicidade e marketing utilizadas pelos bancos). Mas, quem lhes vale, neste momento de desespero? Todos os governos e governantes andam preocupados com a banca, mas não se vê uma medida que seja para apoiar as famílias.
Definitivamente, não é este o mundo em que eu acredito!

3.10.08

Ministro das declarações definitivas(mente idiotas)

E o Pinho voltou a surpreender esta semana, anunciando que terminaram os bons tempos de crescimento económico. Sim, este é o mesmo que há um ano anunciava o fim da crise.
Tenho dito que Pinho deste tipo, apenas para queimar. Retiro, contudo, o que disse: nem para a fogueira se o quero.

O eterno retorno

Ora, e o que aconteceria caso o plano Paulson não fosse aprovado? O mundo acabaria? É que quem defende acérrimamente o plano foram exactamente os mesmos que defenderam medidas que levaram a esta crise. Será de confiar no que dizem estes senhores?
Por mim e apesar de saber que as consequências seriam imprevisíveis, não me importava que não houvesse intervenção dos Estados Unidos, nem que venha a haver por parte da Europa. Se rebentar, que rebente!

PS - O que mais me indigna é que depois de resolvida a crise, daqui a uns anos, aparecerão de novo os mesmos banqueiros e os estados permitirão que essa gente volte a ser dona das economias.

Isn't it ironic?

Não é irónico que os economistas (gestores, empresários e outros que tais) mais ultraliberais de há apenas 1 ano, são os que mais desesperam pela intervenção dos governos para resolver a crise? Quando a crise aperta é o tal estado-papá que tem de resolver a merda que o menino fez, é?!

"Corja Maçónica"

Mário Machado é um imbecil, que defende causas imbecis, com argumentos imbecis, rodeado por um bando de imbecis. Todavia, não deixa de ter razão quando afirma que a "corja maçónica" tomou conta do país.

1.10.08

Boa entrevista? Onde?

A blogosfera socialista viu no DN-Madeira uma boa entrevista de Victor Freitas. Houve mesmo quem tivesse visto um discurso de liderança. Um estratega, um visionário, que com a sua destreza mental, confundiu o PSD.
Já a mim, que sou leigo nestas coisas, pareceu-me ver um sacudir de água do capote. O líder do grupo parlamentar socialista várias vezes fala da gestão desastrosa de alguns dossiês por parte do PS-Madeira, como se nada tivesse a ver com a gestão política dos socialistas madeirenses nos últimos tempos. E perante tantos desastres, ainda atreve-se a dizer que se o PS-Madeira fosse governo não aceitaria a liberalização dos Transportes Aéreos nos termos em que o acordo foi feito.
Ora porra, a história demonstra que desde que Victor Freitas tem responsabilidades, o PS-Madeira só dá tiros nos pés, mas sente-se no direito de dizer que se fosse governo, só fariam maravilhas.

29.9.08

Cartas a um amigo comunista II

Caro amigo,

depois da primeira carta, fiquei em silêncio durante algum tempo. Bem sei que compreendes que por vezes o tempo não abunda e escrever para ti é sempre um exercício exigente.
Menos do que isso não mereces e seria desonesto da minha parte, ao mesmo tempo que seria ofensivo para ti. Por isso, talvez ainda não tenha conseguido escrever nada de verdadeiramente polémico e divergente, do ponto de vista doutrinário. E como verás, ainda não será hoje.
Para já, serve a presente para manifestar a minha surpresa com algumas atitudes da tua parte.
Sei que és um crente da doutrina marxista e entendes que o rumo por onde o mundo caminha é errado.
Crês que é necessária uma nova ordem mundial. Ou pelo menos, um outro equilibrio, parecido com o que existiu no mundo bipolar da Guerra Fria.
Compreendo e até posso aceitar isso! Mas, por vezes, confundes-me com as tuas opções. Ou então sou eu que não te sei ler.
Surpreende-me que aparentes acreditar que Hugo Chávez personifica a outra margem, aquela que introduzirá algum equilibrio num mundo dominado pelo império norte-americano. Estranho esta opção: como podes acreditar que um louco poderá ser o líder do movimento de contrapoder aos Estados Unidos? Alguém que tanto abre as portas do seu país à oligarquia nacionalista russa comandada por Putin, como apelida Sarkozy de "grande amigo", como considera que Sócrates é o rosto no novo socialismo, como identifica Fidel Castro como o seu mentor, como elege para maior aliado um fundamentalista religioso como Mahmoud Ahmadinejad, como defende as FARC, ao mesmo tempo que garante estar ao lado do governo colombiano, como apoia Evo Morales fraternalmente contra movimentos autonomistas... Enfim, pareces acreditar que o líder do novo mundo será o Chávez, que alguém chamaria de "monstro" da real politik, mas que para mim não passa de um esquizofrénico.

Sei que o teu "inimigo" é o (que acreditas ser) imperialismo americano. Estranho é que qualquer maluco, apenas porque se opõe aos Estados Unidos mereça o teu apoio. Mas posso - e espero - estar enganado!
O teu amigo,

Filho de Deus

Filho de Deus. O livro é brilhante. Conta a história de Lester Ballard, uma espécie de morto-vivo (desculpem-me a expressão) sem nada para ganhar ou para perder.

Cormac McCarthy é dono de palavras belas e terrivelmente violentas. Em Filho de Deus essa linguagem mostra-nos o declínio de Ballard, expulso das suas terras, vagabundeando pelo imenso sul dos EUA num processo de autodestruição quase grotesco.

Editado pela Relógio D'àgua, vende-se na Bertrand por pouco mais de seis euros.

A ler.

Vencedor do Pulitzer em 2007, com A Estrada, McCarthy é um dos grandes romancistas norte-americanos vivos, a par de Roth, de Delillo, Pynchon ou Updike. Autor de No Country for Old Men, adaptado ao cinema com o sucesso que vocês conhecem, escreveu um dos melhores livros que li até hoje: Meridiano de Sangue.

Sporting

Honestamente, nem vi bem o jogo. Olhava para a televisão condicionado por outras coisas. Mas daquilo que vi, o "meu" Sporting entrou em campo norteado pelo objectivo de não perder. Tal como acontecera, de resto, contra o Barça.

Quando não se tenta ganhar a derrota é inevitável. Chegará mais tarde ou mais cedo. Abater-se-á com toda a sua fúria. Deixar-nos-á tristes, porque perceberemos então que nada fizemos para a contrariar.

Partida

Às vezes, urge deixar partir. Por uns tempos, talvez. Para saborear o regresso, se o regresso acontecer. Ou para enfrentar a ausência derradeira. Não sei bem porquê, mas às vezes é urgente deixar partir...

27.9.08

Benfiiiiiica


PS - Deixa lá Gonçalo. Fica para a próxima!


É melhor não lançar foguetes antes da festa, mas...

BENFIIIIICA, BENFIIIIIIIICA, BENFIIIIIIIIIIIIIIICA!

Liberalizemos costumes

Porque estou farto de ouvir chamarem-me de ignorante, mente obtusa, homófobo, velho, etc., venho por este meio propor a liberalização de alguns costumes:

- Permitir casamentos poligâmicos, quer sejam entre 1 homem e várias mulheres (o céu é o limite), 1 mulher e muitos homens, muitas mulheres e muitos homens;
- Pemitir casamentos entre familiares próximos (como pais e filhos, irmãos e irmãs). Isto também é natural (a consanguinidade é comum nalgumas espécies) e afinal o estado não se deve intrometer na vida amorosa de cada indivíduo. Aliás, na Austrália, aqui há uns meses, um casal pretendeu o reconhecimento da sua relação e apenas as mentes obtusas, velhas, ignorantes e tacanhas australianas é que não entenderam a relação;
- Permitir a zoofilia (não está provado que esta parafilia derive de transtornos neuróticos). Também é natural, porque existem várias espécies que copulam com indivíduos de espécies diferentes. Aliás, quem nunca teve um cãozinho ou uma gatinha à perna???;
- Liberalizar as drogas leves. Mas também as pesadas, porque na moral privada, ninguém deve se intrometer. Para além disso, aos traficantes devem ser reconhecidos os direitos atribuídos aos demais trabalhadores.

Fico à espera de mais sugestões de costumes a liberalizar. E não me venham com prostituição e adopção por parte de homossexuais, porque essas já são questões menores e perfeitamente ultrapassadas.

Vá, juventudes partidárias arejadas, associações de gente progressista, façam as vossas propostas. Estaremos aqui para vos apoiar ou então eduquem-nos, pobres ignorantes...

O que querem, afinal, ILGA(s) e outros que tais

Ouvi hoje um gajo qualquer, que se encontra a participar num encontro de homossexuais alegadamente cristãos em Évora, afirmar que é preciso "liberalizar os costumes". É isto que esta gente quer e não poder afirmar publicamente o seu amor, conforme defendem algumas mentes mais ingénuas. O que pretendem é mesmo abalar as instituições e não direitos iguais, deixem-se lá de tretas.
No mesmo encontro, também ouvi o líder da JS afirmar que é preciso "educar as pessoas". Para este imbecil (sim, porque a adjectivação fica-lhe bem e é possível provar que alguém que profere estes dislates, mais não é do que um imbecil, com graves problemas de compreensão), quem não concorda com as suas ideias "progressistas" é ignorante. É este o tipo de "socialista" e "socialismo" que Sócrates trouxe para o PS.

25.9.08

Magalhães é mesmo tuga


Diálogo - O Menino Ostra e a Menina Fósforo

Menino Ostra (MO): Achas que o Tim nos pode salvar? A mim, especialmente, a quem advoga um triste fim?
Menina Fósforo (MF): Não. Acho que nada nos pode salvar. Não acredito no Tim e nos seus desenhos, nem em ti com o teu desejo. Não, creio que ninguém pode salvar-nos!
MO: E agora, esperamos o Inverno?
MF: Sim. Há de chegar. Em Outubro.
MO: E que farás no Inverno?
MF: Não sei. Diz-me tu...
MO: Saudarás a sua chegada?
MF: Anseio para que chegue!
MO: E depois?
MF: Não sei, diz-me tu como te aguentarás... Que farás se lhe seguir os passos, se me perder na neblina, se gostar do frio, se gostar que me toque outra e outra vez?
MO: Fecho-me, suponho eu.
MF: Fechas-te?
MO: Que me restará?
MF: Não sei.
MO: Só dúvidas, dúvidas e mais dúvidas! Não sei é tudo aquilo que consegues dizer?
MF: Sim. Já viste, consegui dizer sim!
MO: Tenho falado com o Tim, sabes? Talvez nos ajude mudando o desenho!
MF: Não acredito no Tim... Já te disse. Não existe nenhum Tim! Queres que te grite? Não existe nenhum Tim!
MO: De vez em quando acho que falo com ele. Sento-me e espero que me ordene, que me leve, que me desenhe outra e outra vez...
MF: Não ajuda...
MO: Talvez. Mas creio. Como creio que o Inverno não te levará...
MF: Se fosse a ti não tinha tantas certezas. Baixava as expectativas. Reforçava a guarda. Não acredito em ti, no Tim, nesta conversa... Se calhar, também não acredito no Inverno!
MO: Porque aguardas, então?
MF: Tenho de fazê-lo. Fui desenhada para o fazer...
MO: Desenhada por quem, pelo Tim?
MF: Não. Por mim!
MO: Resta-me esperar, também...
MF: Que remédio!
MO: Posso esperar contigo?
MF: Tu lá sabes...
MO: Vamos ver o mar. É lá que eu vivo. É de lá que sou, sabias?
MF: Achas que não?
MO: Era demasiado óbvio para que não o percebesses. Tenho algas e tempo agarrados à cara. Vou e venho com as marés. Cheiro a maresia.
MF: Já tinha notado...
MO: Vamos ver o mar?
MF: ...
MO: Até o Inverno?
MF: Até amanhã...

Diálogo irreal baseado em duas personagens de Tim Burton, roubadas ao livro O Triste Fim do Pequeno Menino Ostra e Outras Histórias. Uma obra infantil mas não aconselhada a crianças... A ler (o livro).

24.9.08

Ainda o casamento entre pessoas do mesmo sexo

Porque por vezes não é fácil fazermo-nos compreender, aqui vai mais um esboço de resposta.

Não tive tempo para confirmar, mas parece-me o reconhecimento das uniões de facto para relações homossexuais protege os seus direitos. Se assim não for, pois que se altere a legislação de modo a permitir uma equivalência de direitos em relações homossexuais, comparada aos casamentos. Crie-se um enquadramento legal e dê-se o nome que se quiser.
Não sou, portanto, contra a equivalência de direitos entre homossexuais e heterossexuais, que isto fique claro.
Sou contra, isso sim, o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Tal como sou contra o casamento poligamico (seja ele entre um homem e muitas mulheres, uma mulher e muitos homens, muitos homens e muitas mulheres), ainda que reconheça o direito aos indivíduos de estabelecerem as relações que bem entenderem. Para mim, não está em causa a igualdade de direitos legais. A questão é mais ética e normativa (entendida de um ponto de vista ético).
A minha oposição tem a ver com o rigor dos conceitos e a defesa da instituição. Casamento, por definição, é uma união matrimonial entre um homem e uma mulher com vista à constituição de uma família. Assim sendo, não vejo qual é a necessidade de se alterar esta formulação que responde à norma, uma vez que anormal é a relação homossexual (atenção, é anormal, porque não corresponde à norma, mas que não deixa de ser natural - porque existe na natureza). Assim sendo, sou contra a alteração de um conceito/instituição, com vista ao capricho de uma minoria. Porque para os homossexuais que se amam verdadeiramente, desde que os seus direitos estejam salvaguardados, não me parece que lhes seja fundamental poderem casar.
Querem um contrato? Pois que se faça e arranje-se outra terminologia. Não me parece é haver necessidade de se anular toda a carga valorativa tradicional que se encontra no casamento apenas por caprichos. Porque a exigência do casamento entre pessoas do mesmo sexo não corresponde a exigência de direitos civis, legais, ou os que se queira. Há apenas a tentativa de abalar as instituições, o que para mim não é um argumento válido.

Tecnologias, Magalhães e notícias

Tenho por hábito acender o televisor sempre que acordo, para ver as primeiras notícias do dia (que, na maior parte das vezes, são as últimas do dia anterior).
Seguindo este ritual, hoje fui surpreendido pelo anúncio da presença de João Correia de Freitas na RTP, para apresentar (vender) o PC Magalhães.
Ora, a minha surpresa não foi a presença do professor universitário: a minha surpresa deu-se quando ouvi a sua apresentação: professor da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa. É verdade que João Correia de Freitas é professor daquela faculdade. Mas não é apenas professor. O que o pivot esqueceu de dizer foi que João Correia de Freitas foi também gestor da extinta CRIE - Unidade de Missão de Computadores, Redes e Internet das Escolas, substituída, no ano passado, pela Tecnologias Educativas/Plano Tecnológico da Educação (ERTE/PTE), na dependêndia de Direcção-Geral de Inovação e de Desenvolvimento Curricular do Ministério da Educação.
E se reconheço competência ao docente para se manifestar sobre as TIC (que foi um bom gestor do CRIE), não deixa de ser verdade que a omissão deliberada do anterior cargo teve apenas como objectivo reforçar a idoneidade do especialista. Não tenho dúvidas que João Correia de Freitas acredita nos encómios que teceu ao Magalhães. Mas também não tenho dúvidas que houve má-fé (no mínimo) na forma como foi construída a sua apresentação, uma vez que foi prestada informação sobre apenas parte da sua actividade profissional. E a restante informação também era relevante, para esclarecimento dos telespectadores.

Também hoje fui informado que o Magalhães não é totalmente gratuito para os benecifiários de Acção Social Escolar (ASE). Parece que as famílias terão de pagar 5,00€ durante 36 meses. Não consegui perceber se tinha a ver com o acesso à internet, ou não (a informação on-line e mesmo aquela disponível nas escolas é escassa). Se esse for o pagamento para o acesso à internet, não me parece exagerado, uma vez que a ligação não é obrigatória (ainda que depois seja discriminatória, em contexto de sala de aula). Mas fazendo rapidamente as contas: 5,00€ X 36 meses dá um valor final de 180,00€, que é o custo de produção da máquina (anunciado pela JP Sá Couto). O que me parece coincidência a mais. Ainda assim, e antes de acusar o governo de mais uma farsa e mentira descarada, vou tentar reunir mais informação. Depois, logo direi de minha justiça.

Onda de criminalidade já passou?

Ao que parece, afinal, a onda de criminalidade ainda não terminou e continuam a proliferar os crimes violentos, a despeito do que arriscava o Tino no início do mês.
Afinal, o país não está mais seguro e as notícias sobre a criminalidade não apareciam apenas para embaraçar o governo da República que tão bom trabalho tem feito também neste domínio, conforme se vê pelos resultados.

Vem devagar Imigrante

A pedido de várias famílias, cá vai a pior canção jamais escrita em português. Tem uns anitos já, mas é, de facto, um clássico do mau gosto.

Ei-la. De Graciano Saga (quem!?) Vem Devagar Imigrante

Imigrante vem devagar por favor,
temos muito tempo para lá chegar
e depois, lá diz o velho ditado:
Mais vale um minuto na vida,
do que a vida num minuto."
Passou-se no mês de Agosto,
este drama tão cruel
de um imigrante infeliz
Foi tanta a pouca sorte,
na estrada encontrou a morte
quando vinha ao seu país
Do trabalho veio a casa,
preparou a sua mala
e partia da Alemanha
Mas seu destino afinal
acabou por ser fatal
numa estrada em Espanha
Dizem aqueles que viram
que ele ia tão apressado
a grande velocidade
Foi o sono que lhe deu
o controlo ele perdeu
desse carro de maldade
Foi o sono que lhe deu
o controlo ele perdeu
desse carro de maldade
Trazia na sua mente
ir ver o seu pai doente
que estava no hospital
Na ideia um só pensar
o seu paizinho beijar
ao chegar a Portugal
Mas tudo foi de repente
partiu de Benavente
o drama aconteceu
Ele vinha tão cansado
de tanto já ter rolado
e então adormeceu
Nada podendo fazer
num camião foi bater
e deu-se o choque frontal
Seu carro se esmagou
e desfeito ele ficou
num acidente mortal
Seu carro se esmagou
e desfeito ele ficou
num acidente mortal
Ele não vinha sozinho
trazia também consigo
sua mulher e filhinho
Sem dar conta de nada
e naquela madrugada
morrem os três no caminho
Quando a notícia chegou
no hospital alguém contou
o desastre que aconteceu
Seu pai que tanto sofria
nunca mais o filho via
fechou os olhos morreu
Imigrantes oiçam bem
não vale a pena correr
porque pode ser fatal
Venham todos devagar
há tempo para cá chegar
e abraçar Portugal
Venham todos devagar
há tempo para cá chegar
e abraçar Portugal

PS: O vídeo está disponível no YouTube. É quase tão mau como a canção. Por isso mesmo, merece ser visto.

Voltei voltei, voltei de lá

Decidi voltar a escrever. Não que isso interesse a alguém, como é óbvio. Quando muito, interessa-me a mim e ao massacrado teclado do meu moribundo portátil.

Não escreverei sobre Política. Nem sobre Economia. Nem sobre o Estado da Região, da Nação, do Afeganistão ou de outro sítio qualquer. Para isso existem demasiados blogs preenchidos por quem sabe mais desses assuntos transcendentais que eu, ou por quem se preocupa com eles mais do que eu.

Nos últimos tempos aprendi a viver a vida de forma mais leve. Por isso, se alguém me quiser ler, terá de contentar-se com temas menores como livros ou música (deixo o cinema com o Angelino. É o pelouro dele e ele domina-o bem melhor que eu). Ou como o Sporting, ou como as manhãs de domingo, ou como óculos verde garrafa, ou como buganvílias (escreve-se assim?) ou como a vida aos 33...

Agradeço ao Sancho ter mantido este blog vivo. E já que o Angelino voltará a escrever )diz-me ele), peço a todos os conspiradores para fazerem o mesmo. Escrevam sobre qualquer merda, mandem fotografias, poemas dedicados às namoradas ou namorados, relatos de futebol, microfilmes, o que quiserem. Escrevam sobre política, se vos apetecer.Ou sobre Religião. Ou sobre a Regionalização. Mas escrevam. Isso é que era simpático!

PS: o título foi roubado a uma canção pimba que reza assim: Voltei voltei, voltei de lá, Inda agora tava em França e agora já tou cá...

Uma obra-prima, de facto. Se não estou em erro, do José Reza. Ou será do Graciano Saga, aquele que tem o Toma Cuidado Emigrante, a pior canção jamais escrita em português?

Gurb Song

I wanted someone to enter my life like a bird that comes into a kitchen
And starts breaking things and crashes with doors and windows
Leaving chaos and destruction.
This is why I accepted her kisses as someone who has been given a leaflet at the subway.
I knew, don't ask me why or how, that we were gonna share even our toothpaste.
We got to know each other by caressing each other's scars
Avoiding getting too close to know too much
We wanted happiness to be like a virus that reaches every place in a sick body
I turned my home into a water bed and her breasts into dark sand castles
She gave me her metaphors, her bottles of gins and her North Africa stamp collection.
At night we would talk in dreams, back to back and we would always, always, agree.
The sheets were so much like our skin that we stopped going to work.
Love became a strong big man with us, terribly handy, a proper liar, with big eyes and red lips.
She made me feel brand new.
I watch her get fucked up, lose touch, we listened to Nick Drake in her tape recorder and she told me she was a writer.
I read her boook in two and a half hours and cried all the way through as watching Bambi.
She told me that when I think she has loved me all she could, she was gonna love me a little bit more.
My ego and her cynicism got on really well and we would say "what would you do in case I die" or
"what if I had Aids ?" or "don't you like the Smiths" or "let's shag now". We left our fingerprints all around
my room, breakfast was automatically made, and if it would come to bed in a trolley, no hands,
we did compete to see who would have the best orgasms, the nicer visions, the biggest hangovers.
And if she came pregnant we decided it would be God hand's fault.
The world was our oyster.
Life was life.
But then she had to go back to London, to see her boyfriend and her family and her best friends and her pet
called "Gus".
And without her I've been a mess. I've painted my nails black and got my hair cut.
I open my pictures collection and our past can be limitless and I know the process is to slice each
section of my story thinner and thinner until I'm left only with her, I've felt like shite all the time
no matter who I kiss or how charming I try to be with my new birds.
This is the point, isn't it ? New birds that will project me along a wire from the underground into the air,
into the world.

Obrigado a quem me enviou a canção. Traduziu os meus estados de alma de uma forma que nem eu seria capaz.

A propósito, isto chama-se Gurb Song e é de uma banda espanhola de nome Migala.

É das boas coisas que ouvi este ano. O Álbum chama-se Asi Duele Un Verano, editado no longínquo ano de 1992. Vão ouvir. É urgente. Se o quiserem comprar têm de tentar no e-bay ou na amazon. Ou saquem-no da net. O bom do Nacho Piedra não se deve importar.

Já agora, visitem o site da banda: www.migala.net

PS: This is the point, isn't it ? New birds that will project me along a wire from the underground into the air, into the world.

Durante anos acreditei piamente nesta frase. Agora não. Mas gostava de voltar a acreditar, a sério.

23.9.08

Por uma questão de justiça

Depois do acto de propaganda do governo de República que distribuiu hoje Classmates PC... Desculpem, Magalhães (quase toda a montagem feita em Portugal, disse hoje JP Sá Couto) numas inumeráveis 16 escolas, aguardamos pelos restantes 497.000.
E que já agora o acesso a determinados sites venha bloqueado. Podem perguntar ao CRIE como é que se faz e o que é a segurança na internet.
Mas justiça seja feita, porque não esperava que fossem distribuídos PCs tão depressa. Estaremos atentos às próximas remessas e à metodologia de entrega.

Justiça, também, seja feita à Júlia Caré que votou contra o Código do Trabalho do PS. Não sei se por consciência, por estratégia política ou por puro revanchismo, mas gostei da atitude. Veremos se será consequente agora que apenas falta um ano para o fim do mandato. Mas não esquecemos os outros três...

Moral a gosto (revisto)

A minha amiga WOAB, socorrendo-se de Agacinsky, aproveitou para clarificar os conceitos de Igualdade/Desigualdade e Diferença/Identidade (onde ficará a alteridade?), apontando o erro presente na formulação da minha questão.
Assim sendo e porque assumo que a definição de Agacinsky está correcta, adapto o meu post ao seu rigor.

Vemos movimentos gays que se batem pela diferença, mas simultaneamente exigem a identidade. Então como é: querem que se respeite a vossa diferença, ou querem ser aceites como idênticos (aos heterossexuais)?

Mas, desta vez, acrescento mais qualquer coisinha: alguns movimentos não se batem pela igualdade de direitos. Algumas das suas exigências visam apenas abalar e achincalhar instituições com as quais não concordam. Abalar valores instituídos, como forma de atentar contra a tradição, como se toda ela fosse prejudicial aos "direitos" que se querem ver garantidos. E a mim perturba-me ver instituições com o dever de responsabilidade (como partidos políticos) seguirem estas tentativas acriticamente, apenas porque parece progressista e opostas aos valores tradicionais (que é preciso combater a toda a força, defendem eles), mas que em nada contribuem para a igualdade de direitos.

Por outro lado, podemos legislar para a paridade de direitos (entre homens e mulheres, entre heterossexuais e homossexuais, entre humanos e animais, etc.), mas existem limitações que advêm da condição que não são superáveis. Já havia dado o exemplo da maternidade: pode ser-me reconhecido o direito a ser mãe, mas essa é uma impossibilidade biológica.

Outro exemplo: num casamento com filhos existe um pai e uma mãe. Numa relação homossexual com educandos [sem entrar pela questão da adopção, pensemos apenas no filho de um(a) deles(a)]: qual será o pai e qual será a mãe? É fundamental que haja um "pai" e uma "mãe"? É, sequer, possível ou mesmo digno fazer esta distinção entre pessoas do mesmo sexo?

São estas algumas das questões que alguns movimentos não querem ver discutidas, porque não são facilmente superáveis, posição a que alguns partidos têm dado cobertura. E isto preocupa-me.

Por último, reafirmo o que já tenho dito por diversas vezes: não gosto de morais prontas-a-consumir e descartáveis. A sociedade evolui, os conceitos evoluem, as civilizações evoluem: não quer, contudo, dizer, que tudo o que é tradicional esteja errado.
Até porque não acredito que todas as evoluções sejam positivas. Veja-se o exemplo do Islão que há 600 anos permitiu o nascimento no seu seio do Livro das Mil e Uma Noites e hoje tem como o seu principal cartão de visita a intolerância; ou o Cristianismo que passou de perseguido há dois mil anos, para perseguidor há quinhentos.

21.9.08

Moral a gosto

Vemos movimentos gays que se batem pela diferença, mas simultaneamente exigem a igualdade. Então como é: querem que se respeite a vossa diferença, ou querem ser aceites como iguais?

Questão às feministas que se bateram pela liberalização do aborto

Se a questão da maternidade reduz-se à opção da mulher - porque em última análise foi isso que defenderam as feministas mais aguerridas -, sem que para o efeito a opinião do homem seja tida em conta, então, caso a mulher opte por ter o filho, ainda que o homem se mostre contra, como é que fica a responsabilidade da paternidade? Se não é tido nem achado para os desmanchos, porque é que deverá ser caso a mulher opte por ser mãe, a despeito do que possa pensar o homem? Se para matar o embrião a mulher é soberana, deverá sê-lo igualmente caso opte por mantê-lo vivo, ou não?