"Reúne sete ou oito sábios e tornar-se-ão outros tantos tolos, pois incapazes de chegar a acordo entre eles, discutem as coisas em vez de as fazerem" - António da Venafro
12.11.08
No melhor dos mundos, não há mal que dure!
No melhor dos mundos, no país do Magalhães (do Fernão, do PC e de milhares de outros) que é este cantinho chamado Portugal, governado pelo melhor dos governos - ai a porra da crise internacional que veio prejudicar a imagem do divino trabalho do magnânime líder -, o que importa é que o presidente da Autoridade da Concorrência estudou na mesma universidade que o presidente-eleito Obama (que nojo de declarações. Mas haverá algum neurónio dentro daquela cabeça?) e apenas foi nomeado pela sua competência técnica, que nada tem a ver com o facto de ser íntimo do ministro da Tutela.
7.11.08
Sem-vergonhice com rosto socialista
Então, está tudo normal? O processo é limpo, transparente?
Mas seria esperar muito, quando a verticalidade não é uma característica.
Felgueiras afinal não é corrupta!
Neste país, efectivamente a culpa morre sempre solteira!
MEDO.... !
6.11.08
Basta!
Como também são incríveis as imagens de televisão em que ouvimos os gritos histéricos não apenas de Baltazar Aguiar e do Coelho, mas também de Jaime Ramos!
O que os meninos ricos se devem ter rido à custa da palhaçada criada pela medida completamente desproporcionada de impedir a entrada desse inominável Coelho na Assembleia Legislativa Regional (ALRAM). Para todos os efeitos e para mal dos pecados dos que votaram no PND, o tipo é deputado!
Sei bem que pode ser difícil ter de aturar com as piadinhas idiotas dos meninos mimados. Mas a maioria parlamentar (e o presidente da ALRAM), exactamente por ser maioria, tem a obrigação de garantir o mínimo de dignidade no funcionamento do órgão máximo da Autonomia madeirense. Para alinhar nas brincadeiras, existem outros locais: que vão todos beber uns copos e mandem umas piadas uns aos outros. Mas que se comportem com alguma dignidade na casa da Autonomia.
Porque esta, se ontem foi achincalhada pelo deputado do PND, hoje foi-o pelo PSD-M.
É tempo de pôr ordem na casa. E só não sou favorável a uma dissolução da Assembleia porque acho que a última coisa que a Madeira precisa é de mais instabilidade política.
Todavia, parece-me fundamental que o PSD reflicta bem acerca da sua actividade parlamentar e se quer perpetuar o circo que a Assembleia se tem vindo a transformar. E nem é preciso muito: basta não reagir às provocações. Porque o PSD não precisa, porque ao PSD exige-se mais, porque, em última análise, respostas deste género envergonham a Madeira, os madeirenses, os órgãos de governo regional e a própria Autonomia.
E aborrece-me ainda mais porque com estas atitudes o PSD-M vai dando razão aos seus opositores internos e externos. Como me irritou ver esse propagandista socialista que é o Augusto Santos Silva dar-se ares de gente séria e sair em "defesa" da dignificação da ALRAM!
Não: é tempo de dizer basta! E alguém tem de pôr ordem na casa. Não podem continuar estas atitudes disparatadas por parte dos deputados do PSD. Não pode todo um conjunto de deputados alinhar com este tipo de metodologia. Não posso crer e estou certo que houve alguém com bom-senso que se insurgiu contra a ideia absurda de impedir a entrada a um deputado na Assembleia. Lamento é que as vozes discordantes da liderança de Jaime Ramos, que permite e promove este tipo de palhaçada, não se façam ouvir com mais regularidade e soundbites. Porque começa a ser necessário. O PSD tem capital eleitoral suficiente para absorver algumas divisões internas, se necessário for. Porque a verdade é que existe "tralha" que não é necessária, que não faz falta e que apenas prejudica o PSD-M.
E lamento que não seja Jardim a encabeçar um movimento que acabe com o gang que tomou conta da actividade parlamentar do PSD-M! Lamento-o profundamente!
O nosso Primeiro orgão de governo próprio - a ALRAM!
A questão de fundo centra-se no respeito e dignificação dos direitos da Oposição e protecção das minorias representadas no parlamento regional. É este o grande desígnio, e o propósito subjacente a estas "tristes figuras", protagonizadas pelo parlamentar do PND,José Manuel Coelho, e a maioria dos deputados do PSD.
Desde o inicio da IX Legislatura (2007) têm sido visíveis os esforços da Oposição, no exercício das suas competências, quer no âmbito da produção legislativa quer ao nível da insistente (tentativa) de fiscalização da acção do executivo. Os instrumentos disponíveis para a sua execução, são os chamados direitos potestativos, que funcionam como um garante da prática democrática das Oposições parlamentares, consagrados na Constituição da República Portuguesa (1976), no Estatuto Político-Administrativo (1999); e no próprio Regimento da Assembleia Legislativa Regional. É este o documento da discórdia. Nesta Legislatura, já é o terceiro projecto, objecto de revisões regimentais. Isto é, em menos de um ano e meio três alterações ao regimento. Com que objectivo?
Neste momento não existem razões que justifiquem este desenfreado investimento na alteração das regras do jogo parlamentar. As questões de governabilidade estão asseguradas (com as sucessivas maiorias absolutas do PSD); a proporcionalidade é o motivo?
Desde a génese do nosso sistema democrático e com a conquista da autonomia que os tempos de intervenção, quer no Período da ordem do Dia (PAOD), quer no Período da Ordem do Dia dos trabalhos plenários da ALRAM, no que respeita aos partidos da Oposição, têm sido sucessivamente reduzidos. Desde a apresentação da declaração política semanal, ao tratamento de assuntos relevantes; à apresentação de projectos de decreto legislativo, de resolução ou de alteração. O uso da palavra por parte dos parlamentares da Oposição é insistentemente quartado nas sucessivas alterações ao Regimento da Assembleia Legislativa Regional da Madeira (veja-se o Resolução nº1/93/M; Resolução nº1/2000/M; Resolução nº19-A/2005/M;Resolução nº17/2007/M).
No quadro das Comissões Especializadas a atribuição das presidências das comissões é quase exclusiva da bancada da maioria. A fiscalização do governo fica marcada pelos requerimentos, pelas tentativas de agendamento e pelo "esquecimento" de cumprimento dos prazos( por parte da Mesa da ALRAM) aquando da solicitação para a audição dos membros do executivo.
Como é possível com três décadas de democracia que a actividade parlamentar de qualquer assembleia legislativa esteja à mercê da discricionariedade e vontade da maioria parlamentar?
Em tese, as revisões regimentais, e em analogia à Assembleia da República foram realizadas com o intuito de inovar a organização e flexibilizar o seu funcionamento de modo a garantir uma maior expressão pública das diferentes forças políticas; no reforço dos meios de controle e participação das Oposições, clarificando as regras de cumprimento dos deveres do Governo para com os deputados, agilizando os seus procedimentos e reforçando os meios de acompanhamento da acção do poder executivo. Na ALRAM, o processo não passou de mais uma revisão, de mais alguns minutos retirados à Oposição para a vocalização e expressão das suas posições políticas e ideológicas, na tentativa de criar as condições necessárias à alternância no poder, que é em ultima instância o desígnio de qualquer força política que se encontra, num determinado momento, na Oposição.
Este momento protagonizado na ALRAM deveria levar-nos, como cidadãos, eleitores, portugueses e principalmente madeirenses, a reflectirmos, sobre o andamento e exercício do poder político na Região. Avaliar o sistema político regional tem sido um exercício constantemente adiado, mas acho que hoje foi "a gota de água" para todos, num consciente momento de cidadania darmos o nosso contributo!
5.11.08
Diz-me que história tens, dir-te-ei quem és!
É que começam a fartar as brincadeirinhas imbecis dos meninos ricos mimados do Garajau, afinal eminências pardas do PND-Madeira.
E tenho alguma curiosidade para saber o que pensariam verdadeiramente os papás sobre a bandeira desfraldada hoje na Assembleia Legislativa Regional. Quer me parecer que não gostariam de ver esta simbologia ser utilizada em vão!
The day after, ou como a cor de pele não determina a lealdade
É um logro consciente, pelo menos para os europeus mais atentos ou para aqueles que não querem se deixar enganar. Será uma frustração para África, porque os negros compreenderão uma vez mais que a cor de pele não determina a lealdade.
4.11.08
Quando falta tão pouco
Por isso e atendendo à simbologia de um negro (abomino a expressão afro-americano, como se isso fizesse dos pretos menos pretos - e esta é apenas uma constatação de facto que não pressupõe qualquer valor ético) chegar à Casa Branca, até acho que Obama poderá ser uma boa escolha.
Mas também enojou-me profundamente a campanha democrática e dos europeus contra a Sarah Palin. Quiseram apenas vender-nos um boneco que não corresponde, de todo, à governadora do Alaska. Mas o ajuste de contas será para outras nupcias...
E o índio sou eu?, terá perguntado Evo Morales
Agora a sério, numa escala de 1 a 10 o quão palermas foram as declarações de Sócrates? É que mesmo eu senti-me profundamente envergonhado com as patéticas palavras do primeiro-ministro português. E sou capaz de jurar que, durante o discurso, até vilsumbrei um ar de incredulidade seguido de um sorrisinho deliciado do índio Morales. Cheira-me que Evo terá pensado: e o índio sou eu? O provinciano sou eu? O que vem da floresta sou eu! Hãaaaa ...
3.11.08
Carta
Insensível à poesia?
Como, se poemas são as seringas contaminadas que vês todos os dias e a luz branca à beira do teu rio e as fotografias velhas que guardas e arquivas de forma quase esquizofrénica? a própria esquizofrenia é poética, vê lá tu!
Não serão figuras poéticas - poetas do novo, edificados com a massa decadente da tua cidade - os náufragos e as putas do Cais do Sodré? As meninas bonitas que enfeitam as noites do teu Lux(o) semanal? Os panascas do Bairro e as suas súplicas histeriónicas em esquinas cor de rosa? Os chulecos e os dealers que vendem farinha como se fosse coca - bons sonhos, camone!
As lágrimas são poesia pura! Como o riso, o sono, o despertar. Morrer é poético. Como nascer. E viver e aprender que há poesia em todos os gestos, no premir de um gatilho embriagado pela revolta suburbana e no sangue que jorra da ferida aberta no coração da cidade e numa mão que extende flores e numa língua que ajuda a soletrar
- g o s t o d e t i
- f i c o
- q u e r o
- s o u
- t e m o
- v i v o
e no primeiro passo de uma criança e no movimento do coveiro e no baque seco da terra sobre o caixão.
As ocorrências dos jornais não serão textos poéticos? Que serão os maus livros senão a mais clara e poética tradução da vida? Não serão os tratados médicos poemas em estado puro? Soletra:
D o r n o c i c e p t i v a
F a c t o r n e u t r ó f i c o d e r i v a d o d o c é r e b r o (BDNF)
M e c a n o r e c e p t o r
M e s e n c é f a l o
M e t e n c é f a l o
P a l i d e z
P a l p i t a ç õ e s
P a r e s t e s i a
P a r o x i s m o
P e r c e p ç ã o
A palidez poderá ser indício de palpitações que conduzirão a uma parestesia seguida de um paroxismo sem que a sensação seja revelada ao consciente através da percepção.
Não será poética a verdade revelada?
Insensível à poesia?
Gonçalo
28.10.08
Resultados da “corajosa” reforma da Função Pública
Muitas linhas se escreveram e muitos discursos se fizeram sobre a reforma da função pública. Não faltaram os aplausos e os elogios entusiásticos à coragem e ao arrojo do Reformador. Todavia o Diário de Notícias de hoje (17 de Outubro), ao analisar o Orçamento de 2009, revela-nos outro lado da corajosa e eficiente reforma. Segundo o DN mais de 1257 milhões de euros vão ser gastos na aquisição de serviços ao sector privado. Uma parte corresponde a uma “esquecida” (vá lá saber-se porquê...) reforma de combate ao despesismo: o Governo destinou 167,7 milhões de euros para estudos, projectos e pareceres a encomendar a gabinetes de advogados, de engenharia e consultores privados conhecidos de todos, uma parcela que conheceu um crescimento exponencial durante a actual legislatura. A outra, bafejada por idêntica generosidade, corresponde à substituição de serviços internos, por serviços prestados por empresas privadas a “preços de mercado” (talvez porque muitos funcionárias foram enviados para casa, visto que havia funcionários a mais). Destaque para o último parágrafo do artigo, “só no subsector Estado (excluindo serviços e fundos autónomos), a aquisição de bens e serviços ao sector privado vai crescer 6,3% em 2009, ascendendo a 1404 milhões de euros, revelam ainda os mapas de despesa da proposta de orçamento de Estado divulgada esta semana pelo Governo. Este custo corresponde a cerca de 13% da despesa total com pessoal”. É caso para se dizer que a “corajosa” e “eficiente” reforma, valeu mesmo a pena!
Não haveria a inteligentsia política e económica aplaudir os esforços deste governo!
Principios de Agosto
Al dia siguiente se levantó tarde. Después de comer estuvo pensando en todo aquello, en las chicas de los veranos y en algunas apariciones más recientes, como N., o J., X., S. y se sintió verdaderamente solo. Pasó el resto de la tarde con un amigo hasta que se hizo de noche. Al llegar a casa se miró en un espejo y sonrió. Su vida le pareció transitada por decenas de cosas que caminaban de puntillas para no ser vistas.
Migala
(Pode ser o princípio de um mês qualquer. Ou não?)
25.10.08
Descobertas
E um agradecimento à WOAB que nos vai permitindo estes encontros!
A kiss could've killed me
If it were not for the rain
A kiss could've killed me
Baby if it were not for the rain
And I had a feeling it was coming on
I felt it coming
For so long.
If I'm to be the fool
Then so it be.
This fool can die now
With a heart that's soaked
How
How had it coming
For so long.
And darling take my hand
And lead me through the door
Let's kidnap each other
And start singing our song
My heart is charged now
Oh, it's dancing in my chest
And I fly when I walk now
From the spell in that kiss.
Cause I...
It could've
It could've killed me x2
If not for the rain.
Oh darling let me dream
Cause somewhere inside me
I have been waiting
So patiently
For you.
So don't you cry.
Don't break my dream.
Let the rain exalt us
As the night draws in.
Winds howl around us
As we begin.
What a way to start a fire
Broken with the break of day
A kiss could have killed me
If it were not for rain.
I have a feeling it's coming on.
I felt it coming on
for so long.
And it could've
It could've killed me.
If it were not for the rain.
23.10.08
Canções de que gosto (muito)
O Primeiro dia
Sérgio Godinho
A principio é simples, anda-se sozinho
passa-se nas ruas bem devagarinho
está-se bem no silêncio e no burburinho
bebe-se as certezas num copo de vinho
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
Pouco a pouco o passo faz-se vagabundo
dá-se a volta ao medo, dá-se a volta ao mundo
diz-se do passado, que está moribundo
bebe-se o alento num copo sem fundo
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
E é então que amigos nos oferecem leito
entra-se cansado e sai-se refeito
luta-se por tudo o que se leva a peito
bebe-se, come-se e alguém nos diz: bom proveito
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
Depois vêm cansaços e o corpo fraqueja
olha-se para dentro e já pouco sobeja
pede-se o descanso, por curto que seja
apagam-se dúvidas num mar de cerveja
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
Enfim duma escolha faz-se um desafio
enfrenta-se a vida de fio a pavio
navega-se sem mar, sem vela ou navio
bebe-se a coragem até dum copo vazio
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida
E entretanto o tempo fez cinza da brasa
e outra maré cheia virá da maré vazia
nasce um novo dia e no braço outra asa
brinda-se aos amores com o vinho da casa
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida.
Hoje só poderia ser esta. Porque hoje é de facto uma espécie de primeiro dia.
21.10.08
Esperteza saloia da GESBA e da Direcção Regional de Agricultura
Ora, parece-me completamente indecente que a empresa se tente financiar com os lucros provenientes do trabalho dos produtores e dos seus investimentos e parece-me ainda mais indecente que a Direcção Regional da Agricultura ache que isto tudo é normal. Não é senhor director regional e exige-se-lhe que intervenha para repor alguma moralidade a este processo.
Mas isto remete-nos para um problema que é quase ancestral: os fundos europeus para a banana têm sempre ido para todos os lados menos para quem deles precisa, que são os produtores. Não pode, portanto, esta produção sair da cepa torta onde desde sempre tem estado mergulhada.
Percebo e até defendo que os apoios devam efectivamente ser investidos na melhoria da produção (melhorar a eficiência, pelo menos). Neste processo, os intermediários também são importantes e deve ser exigido aos produtores investimentos na qualificação do produto. O que não pode acontecer é o valor comercial do produto ser usado para financiamento de uma empresa, passando os subsídios a ser utilizados para o pagamento aos produtores. É imoral, é ilegítimo e estou mesmo convencido que até é ilegal, para além de que não beneficia nada o sector.
17.10.08
Palhaçadinhas, palhaçadas e palhações!
Carlos Pereira também já nos mostrou que tem uma certa dificuldadezinha em debater ideias e argumentos. À falta deles, vai de: habituem-se! Mas também já nos tinha habituado que o que gosta mesmo é de lançar umas farpelas mais ou menos generalistas, totalmente acríticas, sem que dê sequência à troca de ideias. É um estilo de se estar na blogosfera como outro qualquer.
Por isso, importa-me pouco, porque não sou seu (e)leitor (usual).
Este post vem apenas a propósito do tal habituem-se e das palminhas que bate (Carlos Pereira) e muitos outros socialistas ao programa Magalhães, ainda que existam muitas perguntas - que, ao que parece, não incomodam - sem respostas.
Ora, para além de termos sido informados que o Ministério da Educação (ME) anda a "sugerir" que as autarquias paguem o acesso à Internet (com uma despesa média anual de 300,00€ ano/máquina - não é um desperdício, seria um roubo e um rombo de dimensões monstruosas), não é que também soubemos o que entendem a Intel e o ME como formação? Ao que parece, no entender destas duas instituições, para rentabilizar este PC basta ensaiar umas musiquinhas de louvor ao programa! Entoam-se loas, que é como o líder quer e já está!
Então é isto que Carlos Pereira e outros denominam de qualidade governativa? É para isto que gostariam de ser alternativa na Madeira? É que se é isto que querem, obrigado, mas para mau, está bem como está!
16.10.08
Canções de que gosto (muito)
Os Índios da Meia Praia
Zeca Afonso
Aldeia da Meia Praia
Ali mesmo ao pé de Lagos
Vou fazer-te uma cantiga
Da melhor que sei e faco
De Montegordo vieram
Alguns por seu próprio pé
Um chegou de bicicleta
Outro foi de marcha à ré
Quando os teus olhos tropecam
No voo de uma gaivota
Em vez de peixe ve pecas de oiro
Caindo na lota
Quem aqui vier morar
Nao traga mesa nem cama
Com sete palmos de terra
Se constrói uma cabana
Tu trabalhas todo o ano
Na lota deixam-te nudo
Chupam-te até ao tutano
Levam-te o couro cabeludo
Quem dera que a gente tenha
De Agostinho a valentia
Para alimentar a sanha
De esganar a burguesia
Adeus disse a Montegordo
Nada o prende ao mal passado
Mas nada o prende ao presente
Se só ele é o enganado
Oito mil horas contadas
Laboraram a preceito
Até que veio o primeiro
Documento autenticado
Eram mulheres e criancas
Cada um com o seu tijolo
Isto aqui era uma orquestra
quem diz o contrario é tolo
E se a ma lingua nao cessa
Eu daqui vivo nao saia
Pois nada apaga a nobreza
Dos indios da Meia-Praia
Foi sempre tua figura
Tubarao de mil aparas
Deixas tudo à dependura
Quando na presa reparas
Das eleicões acabadas
Do resultado previsto
Saiu o que tendes visto
Muitas obras embargadas
Mas nao por vontade própria
Porque a luta continua
Pois é dele a sua história
E o povo saiu à rua
Mandadores de alta financa
Fazem tudo andar para tras
Dizem que o mundo só anda
Tendo à frente um capataz
Eram mulheres e criancas
Cada um com o seu tijolo
Isto aqui era uma orquestra
Que diz o contrario é tolo
E toca de papelada
No vaivém dos ministérios
Mas hao-de fugir aos berros
Inda a banda vai na estrada
PS: Alguém dizia-me ontem: E não é que a porra da canção é actual como tudo? Xiça...
Arengam-me há anos que vamos voltar aos tempos dos totalitarismos. Começo a acreditar... Que Deus nos acuda! Inda a banda vai na estrada!
15.10.08
Este país não é para velhos, não: é para patetas!
O que estes senhores esquecem é que não têm qualquer tipo de credibilidade. Esse capital, há muito que desbarataram. Mas continuam alguns patetas alegres a aplaudir.
O hiato que separa a propaganda de Sócrates e a realidade
Manoelinho coloca muito bem a questão: passando a propaganda, o que é que fica?
Magalhães: para quê, para quem e até quando?
1. o programa será apenas para este ano, ou manter-se-á no futuro? Por exemplo, como é que será no próximo ano lectivo? Está garantido que todas as crianças que entrem no 1º ciclo do ensino básico terão a mesma oportunidade?
2. A resposta à questão anterior é fundamental, por forma a que se determine que equipamentos deverão ser adquiridos pelas e para as escolas. Se o Estado oferece PC's, continua a fazer sentido investir em salas TIC? Não será um desperdício?
3. Se for para se manter, que custos acarreta? Há viabilidade e sustentabilidade, ou será uma mera medida avulso puramente eleitoralista?
4. As medidas do QREN abertas para a Educação privilegiam investimentos integrados, que prevejam o equipamento tecnológico. Onde é que deve ser feito o investimento?
5. Está a ser dada formação aos docentes por forma a puderem rentabilizar esse recurso no processo ensino-aprendizagem? Para que serve, se nem as famílias nem os docentes conseguirão orientar as crianças ? (Quem segue o processo das TIC em educação sabe que a orientação das crianças de tão tenra idade é fundamental. Por isso é que o Estado e a União Europeia investem fortunas em programas como o Seguranet.)
6. O Ministério da Educação quer que sejam as autarquias a assegurar o pagamento dos acessos à Internet, no âmbito da Acção Social Escolar. Foram ouvidas as autarquias, relativamente a este custo adicional que o governo lhes quer imputar? E se a verba for a mesma, onde é que se vai cortar: no material didáctico, no equipamento contra a chuva e contra o frio ou na alimentação?
É que parece muito bem falar-se em Plano Tecnológico de Educação e aplaudir-se medidas deste tipo. A questão é saber se as medidas terão algum efeito prático. Mas isso já é pedir muito, a muitos (passe a redundância) acéfalos que por aí proliferam.
14.10.08
Afinal o gajo é mesmo bom
Independentemente da opinião que eu possa ter sobre o seu trabalho político, serve o presente post apenas para acrescentar que o gajo não é apenas bom em economia e finanças.
Afinal, o gajo também é mesmo bom em exigir para si a liberdade que quer negar aos outros, conforme bem provam as suas invectivas contra Luís Filipe Malheiro (LFM). Veja-se aqui, aqui, aqui e aqui, e muitas mais, ao longo de todo o seu blogue.
Ora, era só o que faltava que fosse cerceada a liberdade de expressão ao cidadão LFM apenas porque é funcionário da Assembleia Legislativa Regional. Desde que este não use de informação confidencial acedida pela função que desempenha - e não me parece ser o caso -, o LFM tem todo o direito de expressar a sua opinião sobre política, economia, o PS, as flores do Jardim da Madre Teresa, o que quer que seja e o que lhe dê na real gana.
E ao deputado Carlos Pereira, que afinal é mesmo bom, ficaria bem que debatesse ideias e não atentasse contra a liberdade de outrem. Porque para quem tanto reclama por verticalidade, elevação e dignidade no debate político, as suas atitudes - das quais os seus textos são exemplares - não revelam o político da excelência moral e hombridade que tem tentado desesperadamente se fazer passar.
O que o gajo parece não saber é que para se ser mesmo bom, é preciso saber conviver com a crítica e reconhecer aos outros aquela mesma liberdade que reclamamos para nós próprios. Ou pretende o deputado Carlos Pereira, quiçá imbuído no espírito que prolifera no país, que o LFM seja despedido por delito de opinião?
E para que não me acusem de apenas manifestar a minha indignação porque se trata de um vil e ignóbil ataque à liberdade de expressão de um dirigente do PSD, lembro que já me manifestei noutras alturas sobre o direito à liberdade de expressão de outros bloggers, nomeadamente manifestando a minha solidariedade ao Emanuel Bento aquando do seu despedimento do Diário de Notícias ou ao amsf, sobre aquele patético voto de protesto apresentado pelo PSD da Madalena do Mar.
13.10.08
Herberto
se me vendam os olhos, eu, o arqueiro! acerto
em cheio no alvo porque o não vejo:
por pensamento e paixão,
ou porque foi tão sentido o vento a luzir nos botões dos salgueiros,
como se atirasse do outro lado do vento,
ou na solidão de um sonho,
ou como se tudo fosse o mesmo: flecha e alvo –
e
cego
acerto em cheio:
porque não quero
Herberto Hélder. Está no novo livro.
Este país não é para velhos
Ainda não o tinha lido. Li-o de supetão este fim de semana e aconselho-o a toda a gente: Este País não é Para Velhos, de Comarc MacCarthy.
Já tinha visto o filme. Mas a prosa de McCarthy é absolutamente arrasadora. Não sou daqueles que acham que o livro é sempre melhor que o filme. Há casos e casos mas neste caso a palavra escrita ganha por KO, embora eu seja o primeiro a reconhecer que a adaptação dos Irmãos Cohen, com Tommy Lee Jones, Javier Bardem ou Woody Harrelson, é excelente.
Canções de que gosto (muito)
The Passenger
by Iggy Pop
I am the passenger
And I ride and I ride
I ride through the citys backside
I see the stars come out of the sky
Yeah, theyre bright in a hollow sky
You know it looks so good tonight
I am the passenger
I stay under glass
I look through my window so bright
I see the stars come out tonight
I see the bright and hollow sky
Over the citys a rip in the sky
And everything looks good tonight
Singin la la la la la-la-la la
La la la la la-la-la la
La la la la la-la-la la la-la
Get into the car
Well be the passenger
Well ride through the city tonight
See the citys ripped insides
Well see the bright and hollow sky
Well see the stars that shine so bright
The sky was made for us tonight
Oh the passenger
How how he rides
Oh the passenger
He rides and he rides
He looks through his window
What does he see?
He sees the bright and hollow sky
He see the stars come out tonight
He sees the citys ripped backsides
He sees the winding ocean drive
And everything was made for you and me
All of it was made for you and me
cause it just belongs to you and me
So lets take a ride and see whats mine
Singing...
Oh, the passenger
He rides and he rides
He sees things from under glass
He looks through his windows eye
He sees the things he knows are his
He sees the bright and hollow sky
He sees the city asleep at night
He sees the stars are out tonight
And all of it is yours and mine
And all of it is yours and mine
Oh, lets ride and ride and ride and ride...
8.10.08
Só para descontrair
- Temos a situação tão degradada com os valores éticos, sociais e morais a ser postos quotidianamente em causa por este Governo, que até universitárias estão a começar a prostituir-se.
A resposta de Sócrates não se fez esperar:
- Em primeiro lugar, este Governo não recebe lições de ética, nem quaisquer outras, de ninguém; em segundo lugar e como é apanágio de V. Ex.ª que já nos habituou à distorção sistemática da realidade, o que acontece é exactamente o oposto: a situação é tão boa que devido ao Programa Novas Oportunidades até as prostitutas já são universitárias.
Recebida via e-mail.
Natureza humana (mas só para especialistas que é como quem diz: todos os que leiam mais que o DN-Madeira e uns artigos de economia)
"É indiscutível que o ser cujas capacidades de prazer são baixas tem uma maior possibilidade de vê-las inteiramente satisfeitas; e um ser superiormente dotado sentirá sempre que qualquer felicidade que possa procurar é imperfeita. (...) É melhor ser um ser humano insatisfeito do que um porco satisfeito; um Sócrates insatisfeito [the true an only one] do que um idiota satisfeito. E se o idiota ou o porco têm opinião diferente, é porque apenas conhecem o seu lado da questão. A outra parte da comparação conhece ambos os lados..."
E não é que assim de repente consigo aplicar esta máxima sobre a natureza humana a mim próprio, ao que hoje sinto e ao que penso sobre algumas pessoas?...
4.10.08
FMI também mente?
In Relatório Anual do FMI, citado na edição do Público do dia 3 de Outubro.
Ora, apesar das juras a pés juntos feitas por alguns socialistas, que conseguem encontrar as justificações mais rebuscadas para garantir de Sócrates criou os tais 150 mil postos de trabalho prometidos, a verdade é que a taxa de desemprego portuguesa continuou (e mantém-se) a divergir da média europeia. Ou será apenas o "pessimismo" do FMI, conforme já apelidou o ministro das Finanças?
São manifestamente exageradas as notícias da morte do capitalismo
Esperemos é que a sua nova forma agrade mais à maioria!
Por mim, continuo a acreditar que é mal menor, de todos os maus sistemas. Mas também acredito que é possível fazer melhor. Muito melhor!
Será isto o liberalismo?
Um ano depois, vêm os mesmos suplicar pela nacionalização das empresas; defendem a necessidade dos impostos pagarem a avareza dos empresários de um sector comercial, não vêm mal nenhum que empresas estatizadas compitam em pé de igualdade com empresas privadas, defendem um estado musculado na sua intervenção. Em desespero de causa (não de causas, porque o desespero advém apenas das necessidades e agendas pessoais), querem que o(s) estado(s) tome(m) conta do mercado.
Ora, será este o liberalismo que defendem? Será esta a independência que querem do estado?
É por isto que cada vez mais afasto-me da corrente do liberalismo económico (e até político). Com este liberalismo, com estes liberais, não quero ter nada a haver!
E talvez fosse mesmo necessário o mundo financeiro ruir. Por vezes, não há forma de recuperar um edifício: está tudo tão podre, tão mal construído, que a única solução é a demolição. Talvez fosse disso que o mundo precisasse.
E quem salva as famílias?
Existem milhares de famílias portuguesas que chegam ao dia 20 e não têm o que comer. É certo que os empréstimos foram contraídos de livre vontade (se bem que valeria a pena discutir as técnicas agressivas de publicidade e marketing utilizadas pelos bancos). Mas, quem lhes vale, neste momento de desespero? Todos os governos e governantes andam preocupados com a banca, mas não se vê uma medida que seja para apoiar as famílias.
Definitivamente, não é este o mundo em que eu acredito!
3.10.08
Ministro das declarações definitivas(mente idiotas)
Tenho dito que Pinho deste tipo, apenas para queimar. Retiro, contudo, o que disse: nem para a fogueira se o quero.
O eterno retorno
Por mim e apesar de saber que as consequências seriam imprevisíveis, não me importava que não houvesse intervenção dos Estados Unidos, nem que venha a haver por parte da Europa. Se rebentar, que rebente!
PS - O que mais me indigna é que depois de resolvida a crise, daqui a uns anos, aparecerão de novo os mesmos banqueiros e os estados permitirão que essa gente volte a ser dona das economias.
Isn't it ironic?
"Corja Maçónica"
1.10.08
Boa entrevista? Onde?
Já a mim, que sou leigo nestas coisas, pareceu-me ver um sacudir de água do capote. O líder do grupo parlamentar socialista várias vezes fala da gestão desastrosa de alguns dossiês por parte do PS-Madeira, como se nada tivesse a ver com a gestão política dos socialistas madeirenses nos últimos tempos. E perante tantos desastres, ainda atreve-se a dizer que se o PS-Madeira fosse governo não aceitaria a liberalização dos Transportes Aéreos nos termos em que o acordo foi feito.
Ora porra, a história demonstra que desde que Victor Freitas tem responsabilidades, o PS-Madeira só dá tiros nos pés, mas sente-se no direito de dizer que se fosse governo, só fariam maravilhas.
29.9.08
Cartas a um amigo comunista II
depois da primeira carta, fiquei em silêncio durante algum tempo. Bem sei que compreendes que por vezes o tempo não abunda e escrever para ti é sempre um exercício exigente.
Menos do que isso não mereces e seria desonesto da minha parte, ao mesmo tempo que seria ofensivo para ti. Por isso, talvez ainda não tenha conseguido escrever nada de verdadeiramente polémico e divergente, do ponto de vista doutrinário. E como verás, ainda não será hoje.
Para já, serve a presente para manifestar a minha surpresa com algumas atitudes da tua parte.
Sei que és um crente da doutrina marxista e entendes que o rumo por onde o mundo caminha é errado.
Crês que é necessária uma nova ordem mundial. Ou pelo menos, um outro equilibrio, parecido com o que existiu no mundo bipolar da Guerra Fria.
Compreendo e até posso aceitar isso! Mas, por vezes, confundes-me com as tuas opções. Ou então sou eu que não te sei ler.
Surpreende-me que aparentes acreditar que Hugo Chávez personifica a outra margem, aquela que introduzirá algum equilibrio num mundo dominado pelo império norte-americano. Estranho esta opção: como podes acreditar que um louco poderá ser o líder do movimento de contrapoder aos Estados Unidos? Alguém que tanto abre as portas do seu país à oligarquia nacionalista russa comandada por Putin, como apelida Sarkozy de "grande amigo", como considera que Sócrates é o rosto no novo socialismo, como identifica Fidel Castro como o seu mentor, como elege para maior aliado um fundamentalista religioso como Mahmoud Ahmadinejad, como defende as FARC, ao mesmo tempo que garante estar ao lado do governo colombiano, como apoia Evo Morales fraternalmente contra movimentos autonomistas... Enfim, pareces acreditar que o líder do novo mundo será o Chávez, que alguém chamaria de "monstro" da real politik, mas que para mim não passa de um esquizofrénico.
Sei que o teu "inimigo" é o (que acreditas ser) imperialismo americano. Estranho é que qualquer maluco, apenas porque se opõe aos Estados Unidos mereça o teu apoio. Mas posso - e espero - estar enganado!
O teu amigo,
Filho de Deus
Cormac McCarthy é dono de palavras belas e terrivelmente violentas. Em Filho de Deus essa linguagem mostra-nos o declínio de Ballard, expulso das suas terras, vagabundeando pelo imenso sul dos EUA num processo de autodestruição quase grotesco.
Editado pela Relógio D'àgua, vende-se na Bertrand por pouco mais de seis euros.
A ler.
Vencedor do Pulitzer em 2007, com A Estrada, McCarthy é um dos grandes romancistas norte-americanos vivos, a par de Roth, de Delillo, Pynchon ou Updike. Autor de No Country for Old Men, adaptado ao cinema com o sucesso que vocês conhecem, escreveu um dos melhores livros que li até hoje: Meridiano de Sangue.
Sporting
Quando não se tenta ganhar a derrota é inevitável. Chegará mais tarde ou mais cedo. Abater-se-á com toda a sua fúria. Deixar-nos-á tristes, porque perceberemos então que nada fizemos para a contrariar.

