20.11.08

Ministra da Educação recua. E não há consequências políticas?

Depois de tudo o que disse sobre a importância dos resultados dos alunos para efeitos de avaliação do desempenho docente, recuar desta maneira e não retirar as consequências políticas apenas revela uma ministra da Educação demasiado agarrada ao poder.
Há dias, um amigo socialista lembrava-me que ministros que não pertencem aos aparelhos partidários têm sempre muitas dificuldades políticas. Mas esta atitude de Maria de Lurdes Rodrigues indicia que em três anos de política activa já aprendeu todos os maus vícios. E é com esta seriedade que se faz a política em Portugal...

19.11.08

Avaliação do desempenho docente: falar a sério!

Vamos lá ser sérios e honestos nesta questão da avaliação do desempenho docente. Para além do excesso de burocracia e da complexidade do modelo, bastariam três itens para exigir a sua imediata revogação:
1.º Fazer depender a nota do "sucesso" dos alunos (objectivos). Esta medida é um claro convite ao facilitismo, uma vez que um bom professor não se mede pelas notas que atribui. Quando atribui piores notas do que aquelas que recebeu, pode apenas demonstrar rigor e zelo no doloroso processo de avaliação;

2.º Fazer depender a nota do abandono escolar. Sabem os seus ilustres defensores que na prática esta medida apenas se aplica aos docentes do secundário, uma vez que "não há abandono" quando o aluno se insere na escolaridade obrigatória, uma vez que é considerado abandono apenas quando o aluno sai do sistema, o que o próprio sistema não admite que aconteça antes dos 16 anos? Mais, que em rigor, daqui a nada temos professores a bater à porta das famílias a implorarem que os meninos regressem à escola?;

3.º A possibilidade dos avaliadores serem de áreas científicas diferentes. Como é que um professor de matemática pode avaliar a consistência científica de um professor de Biologia? Não pode, não é, mas o diploma não só o permite, como o estimula porque não existem assim tantos titulares nas escolas para todas as estruturas de gestão. Ainda para mais quando todos conhecemos o processo de progressão na carreira para os titulares...

Se se quiser ser sério, apenas estas razões seriam suficientes para a suspensão do modelo. Porque a verdade é que mais nenhum modelo de avaliação é tão exigente. Nem mesmo a tontice do SIADAP...
Se não se quiser, pode-se continuar a proferir as alarvidades que bem se entender. Porque a ignorância não é nenhum crime e a patetice ainda não paga imposto.

Quero ver quando a ministra for embora

Agora que a ministra da Educação alterou o Estatuto Disciplinar do Aluno (não me venham com as imbecilidades do costume de que o Despacho apenas clarifica a Lei 3/2008), reina um certo silêncio da blogosfera socialista sobre o assunto (mesmo aqueles que defendiam de forma mais aguerrida o diploma "pouco claro"). Quero ver qual será a reacção desta Guarda Pretoriana quando o governo recuar no regime da avaliação docente, com ou sem a saída de Maria de Lurdes Rodrigues do Ministério da Educação (se Sócrates fosse coerente, demitia-a. E se assim não for, se ela for coerente, demite-se).
Apesar de até discordar da alteração do Estatuto (porque concordo que mesmo os alunos doentes deveriam fazer prova dos seus conhecimentos), espero que a oposição não deixe cair este assunto e não permita que uma Lei seja alterada por Despacho. Porque isso sim seria a suspensão do sistema democrático.

De repente, parece que o maior problema do país são as declarações de Ferreira Leite

Pretender que as declarações de Manuela Ferreira Leite são uma exortação à suspensão da democracia é apenas revelador da burrice de quem ouviu a líder do PSD.
Foi um exercício de ironia infeliz, reconheço. Mas tão só. Qualquer outra interpretação é pura idiotice...

18.11.08

Auto-retrato duas horas da manhã 20 de Agosto de 1959

Sentar à máquina de escrever. Folhear
Um romance policial. No fim
Saber o que agora já sabes:
O secretário de cara lisa e barba dura
É o assassino do senador.
E o amor do jovem sargento da brigada criminal
Pela filha do almirante é correspondido.
Mas não saltarás de página.
De vez em quando, folheando uma, um olhar rápido
Sobre a folha em branco da máquina de escrever.
Isto ao menos vai-nos ser poupado. Melhor que nada.
No jornal estava escrito: algures, uma aldeia
Foi arrasada por um bombardeamento.
É lamentável, mas o que é que tens a ver com isso.
O sargento está a impedir o segundo assassinato
Apesar da filha do almirante lhe oferecer (pela primeira vez)
Os lábios, serviço é serviço.
Não sabes quantos morreram, o jornal desapareceu.
Ao lado, a tua mulher sonha com o seu primeiro amor.
Ontem tentou enforcar-se. Amanhã
Vai cortar os pulsos ou que sei eu ainda
Ao menos tem um objectivo em vista
Que atingirá de uma maneira ou de outra.
E o coração é um vasto cemitério.
A história de Fátima no Neuen Deutschland
Estava tão mal escrita que te fez rir.
A tortura é mais fácil de aprender que a descrição da tortura.
O assassino caiu na armadilha
O sargento aperta a recompensa nos seus braços.
Agora podes dormir. Amanhã será um novo dia.

Heiner Müller

O Anjo do Desespero

Eu sou o anjo do desespero. Com as minhas mãos distribuo o êxtase, o adormecimento, o esquecimento, gozo e dor dos corpos. A minha fala é o silêncio, o meu canto o grito. Na sombra das minhas asas mora o terror. A minha esperança é o último sopro. A minha esperança é a primeira batalha. Eu sou a faca com que o morto abre o caixão. Eu sou aquele que há-de ser. O meu voo é a revolta, o meu céu o abismo de amanhã.

Heiner Müller

De um dos meus poetas favoritos.

13.11.08

Nóvoa vs Gago? A opção é fácil.

"A estratégia da arrogância e do medo, do controlo e da ameaça, até poderá ter
sucesso a curto prazo, infelizmente, mas destruirá por muitos anos as forças vivas
que existem nas universidades."

António Nóvoa, reitor da Universidade de Lisboa, em mais um brilhante discurso, que pode ler na íntegra aqui. Aliás, aconselho vivamente aqueles que gostam de opinar sobre a Educação a leitura do discurso de António Nóvoa. Pode ser que aprendam qualquer coisinha não apenas de educação, mas também de política e de como se deve estar na vida pública.
E bem pode esbracejar o ministro com a tutela do Ensino Superior, porque a verdade é que o reitor descreve imaculadamente o ambiente que se vive não apenas nas universidades portuguesas, mas em todos os sectores da sociedade. Este é o modelo de governação socialista de Sócrates.

E como a querer provar as declarações de António Nóvoa, vem Mariano Gago acusá-lo de estar a mentir ou, pelo menos, de não estar a falar verdade. Como se alguém com o seu curriculum* precisasse de se defender das míseras acusações de um qualquer governante.
E as declarações são ainda mais graves quando Gago, até como colega de Nóvoa, - que é um dos mais eminentes e brilhantes especialistas em Educação deste país, professor da universidade [Columbia, Nova Iorque] onde o tal Manuel Sebastião e Obama estudaram, conforme quis fazer questão de lembrar Manuel Pinho, naquelas ridículas declarações -, sabe que as suas acusações não passam de infâmias.


* Nota biográfica de Nóvoa:
- Doutor em Ciências da Educação (Universidade de Genève);

- Doutor em História (Universidade de Paris IV– Sorbonne).
Tem-se dedicado a estudos de história da educação e de educação comparada. Professor da faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Lisboa leccionou também em importantes universidades estrangeiras, como Genève, Paris V, Wisconsin, Oxford e Columbia. É autor de mais de 150 títulos (livros e artigos), publicados em doze países.

Até António Costa está contra este modelo de avaliação. O que falta mais?

Depois de 120 mil professores, depois de toda a oposição, depois de Manuel Alegre e outros socialistas, agora é o próprio António Costa que põe em causa o modelo de avaliação dos professores que Sócrates quer impor.
Quanto tempo mais faltará para o governo recuar? Quanto tempo mais manter-se-á Maria de Lurdes Rodrigues no Ministério da Educação?

12.11.08

Regime reage, ou acções responsabilizam apenas os seus autores?

O Tino e o Paulo Barata, do blog Farpas da Madeira, "assumem-se" como vítimas de perseguição do "regime jardinista": um por alegadamente ter sido ameaçado de violência física, outro por ter sido processado.
Antes de mais, a minha solidariedade para com os dois.
Mas parecem-me situações distintas. O Paulo foi processado: ora, quando se diz o que se quer, arrisca-se a este tipo acção. Confiemos na justiça (sei que não está fácil) e o Paulo terá oportunidade para lutar por ela.

Quanto ao caso do Tino: rapaz, se foste ameaçado, processa o gajo que o fez e denuncia-o publicamente (eu já teria escarrapachado o seu nome por tudo quanto é lado).

Agora, não nos tentem vender a ideia de que as duas situações são reacções do "regime" à vossa actividade política (porque calculo que não sejam pretenciosos ao ponto de se julgarem vítimas inocentes). No máximo, podemos atribuir a ameaça que o Tino sofreu a um imbecil qualquer, que por infeliz coincidência do destino foi parar ao PSD.

Mas, já agora, e já que fizeram publicidade das "represálias", seria importante que também tornassem públicos os motivos que os seus autores julgam ter (ainda que no caso de ameaça física não haja desculpa possível, se o tipo estiver na vida pública - ou mesmo que não esteja).

Vá, mas porque eu sou um democrata e porque gosto pouco de "perseguições" por delito de opinião, a minha solidariedade está convosco! Se efectivamente o único "crime" que cometeram foi emitir a vossa opinião: porrada neles!

Perfect Sense!*

Victor Constâncio garante que fez tudo o que podia para regular eficazmente a banca ao mesmo tempo que garante que situações como a do BPN lou a do BCP não se repetirão? Com que então, agora é que vai ser?!
Estou confuso: se tudo esteve bem, como é que agora será melhor???


* Título de uma música de Roger Waters.

Divisionismo ou democracia?

Quando no PSD alguém discorda da liderança, é divisionismo e balcanização; já se líderes do PS criticarem o governo e a direcção de Sócrates, pois que é a democracia em acção!
Registei.

País de caciquismo???

Tenho ouvido dizer que os caciques socialistas andam a recrutar tudo o que mexe para as eleições do próximo ano, com a promessa de deliciososos banhos futuros de hidromel - garantindo que não haverá quantidade suficiente de titulares para tantos tachos em perspectiva.
Segundo o que parece, sempre que o magnânime líder se desloca ao país real, o eficaz sistema cacico-propagandístico (vá lá, compreendam que esta é a minha catarse sendo, portanto, legítima a criação de neologismos) mobiliza todos os militantes socialistas para aplaudirem, implorarem por beijinhos e disputarem uns rabiscos num papel que se pareçam vagamente com José Sócrates.

No melhor dos mundos, não há mal que dure!

Passando assim ao de leve os olhos na blogosfera socialista (atenção caros anónimos, que não falo da blogosfera madeirense, nem falo da blogosfera de oposição. Mas podem continuar com as ofensas, que são divertidas...), parece que não houve uma manifestação de 120 mil professores contra as políticas deste Ministério da Educação; parece que não houve qualquer crítica de históricos do PS à falta de "cultura democrática" do governo da República; parece que a ministra da Educação não anda meio de cabeça perdida; parece que o ministro das Finanças não diz uma coisa e faz outra; enfim...


No melhor dos mundos, no país do Magalhães (do Fernão, do PC e de milhares de outros) que é este cantinho chamado Portugal, governado pelo melhor dos governos - ai a porra da crise internacional que veio prejudicar a imagem do divino trabalho do magnânime líder -, o que importa é que o presidente da Autoridade da Concorrência estudou na mesma universidade que o presidente-eleito Obama (que nojo de declarações. Mas haverá algum neurónio dentro daquela cabeça?) e apenas foi nomeado pela sua competência técnica, que nada tem a ver com o facto de ser íntimo do ministro da Tutela.

7.11.08

Sem-vergonhice com rosto socialista

Estranho o silêncio do blogosfera socialista - sempre tão célere na defesa da dignidade e transparência da vida pública quando em causa estão atitudes de dirigentes de outros partidos - relativamente à sem-vergonhice que o governo quer para o porto de Lisboa, com a coincidência de um dos principais interessados ser a Mota-Engil, gerida por Jorge Coelho.
Então, está tudo normal? O processo é limpo, transparente?

Mas seria esperar muito, quando a verticalidade não é uma característica.

Inqualificável!

É esta a coerência do PS. É este o corajoso governo que a canalha quer reeleger!

Felgueiras afinal não é corrupta!

Como se , a palhaçada e a filha-da-putice não é exclusiva da Madeira.
Neste país, efectivamente a culpa morre sempre solteira!

MEDO.... !

Estamos perante factos! Mas este entendimento não é comum na sociedade madeirense.
Ao lermos hoje a imprensa regional, parece que tudo não passou de um equívoco, e que o palco deste espectáculo não foi a Assembelia Legislativa Regional da Madeira. A RTP-M, também negligenciou esta realidade fáctica. O "caso Madeira" teve mais tempo de antena no quadro nacional, quer na sua exposição, análise e comentário do que no seu espaço natural...
Como é possível, com a gravidade de toda esta situação, por um lado de desrespeito pelas regras e convivência democrática, branqueamento de ilegalidades e inconstitucionalidades, que os agentes sociais madeirenses, adoptem uma atitude de incumbentes?
Neste momento a blogosfera madeirense sobrepoem-se a qualquer veículo de informação regional, com credibilidade e seriedade na inferência dos factos (causas e efeitos). Mais um "promenor" que merece reflexão!

6.11.08

Basta!

Incrível como o PSD-M caiu na esparrela imbecil do PND!
Como também são incríveis as imagens de televisão em que ouvimos os gritos histéricos não apenas de Baltazar Aguiar e do Coelho, mas também de Jaime Ramos!

O que os meninos ricos se devem ter rido à custa da palhaçada criada pela medida completamente desproporcionada de impedir a entrada desse inominável Coelho na Assembleia Legislativa Regional (ALRAM). Para todos os efeitos e para mal dos pecados dos que votaram no PND, o tipo é deputado!
Sei bem que pode ser difícil ter de aturar com as piadinhas idiotas dos meninos mimados. Mas a maioria parlamentar (e o presidente da ALRAM), exactamente por ser maioria, tem a obrigação de garantir o mínimo de dignidade no funcionamento do órgão máximo da Autonomia madeirense. Para alinhar nas brincadeiras, existem outros locais: que vão todos beber uns copos e mandem umas piadas uns aos outros. Mas que se comportem com alguma dignidade na casa da Autonomia.
Porque esta, se ontem foi achincalhada pelo deputado do PND, hoje foi-o pelo PSD-M.

É tempo de pôr ordem na casa. E só não sou favorável a uma dissolução da Assembleia porque acho que a última coisa que a Madeira precisa é de mais instabilidade política.
Todavia, parece-me fundamental que o PSD reflicta bem acerca da sua actividade parlamentar e se quer perpetuar o circo que a Assembleia se tem vindo a transformar. E nem é preciso muito: basta não reagir às provocações. Porque o PSD não precisa, porque ao PSD exige-se mais, porque, em última análise, respostas deste género envergonham a Madeira, os madeirenses, os órgãos de governo regional e a própria Autonomia.

E aborrece-me ainda mais porque com estas atitudes o PSD-M vai dando razão aos seus opositores internos e externos. Como me irritou ver esse propagandista socialista que é o Augusto Santos Silva dar-se ares de gente séria e sair em "defesa" da dignificação da ALRAM!

Não: é tempo de dizer basta! E alguém tem de pôr ordem na casa. Não podem continuar estas atitudes disparatadas por parte dos deputados do PSD. Não pode todo um conjunto de deputados alinhar com este tipo de metodologia. Não posso crer e estou certo que houve alguém com bom-senso que se insurgiu contra a ideia absurda de impedir a entrada a um deputado na Assembleia. Lamento é que as vozes discordantes da liderança de Jaime Ramos, que permite e promove este tipo de palhaçada, não se façam ouvir com mais regularidade e soundbites. Porque começa a ser necessário. O PSD tem capital eleitoral suficiente para absorver algumas divisões internas, se necessário for. Porque a verdade é que existe "tralha" que não é necessária, que não faz falta e que apenas prejudica o PSD-M.
E lamento que não seja Jardim a encabeçar um movimento que acabe com o gang que tomou conta da actividade parlamentar do PSD-M! Lamento-o profundamente!

O nosso Primeiro orgão de governo próprio - a ALRAM!

Hoje assistimos a mais um episódio lamentável na Assembleia Legislativa Regional da Madeira, primeiro órgão de governo próprio da Região.
A questão de fundo centra-se no respeito e dignificação dos direitos da Oposição e protecção das minorias representadas no parlamento regional. É este o grande desígnio, e o propósito subjacente a estas "tristes figuras", protagonizadas pelo parlamentar do PND,José Manuel Coelho, e a maioria dos deputados do PSD.
Desde o inicio da IX Legislatura (2007) têm sido visíveis os esforços da Oposição, no exercício das suas competências, quer no âmbito da produção legislativa quer ao nível da insistente (tentativa) de fiscalização da acção do executivo. Os instrumentos disponíveis para a sua execução, são os chamados direitos potestativos, que funcionam como um garante da prática democrática das Oposições parlamentares, consagrados na Constituição da República Portuguesa (1976), no Estatuto Político-Administrativo (1999); e no próprio Regimento da Assembleia Legislativa Regional. É este o documento da discórdia. Nesta Legislatura, já é o terceiro projecto, objecto de revisões regimentais. Isto é, em menos de um ano e meio três alterações ao regimento. Com que objectivo?
Neste momento não existem razões que justifiquem este desenfreado investimento na alteração das regras do jogo parlamentar. As questões de governabilidade estão asseguradas (com as sucessivas maiorias absolutas do PSD); a proporcionalidade é o motivo?
Desde a génese do nosso sistema democrático e com a conquista da autonomia que os tempos de intervenção, quer no Período da ordem do Dia (PAOD), quer no Período da Ordem do Dia dos trabalhos plenários da ALRAM, no que respeita aos partidos da Oposição, têm sido sucessivamente reduzidos. Desde a apresentação da declaração política semanal, ao tratamento de assuntos relevantes; à apresentação de projectos de decreto legislativo, de resolução ou de alteração. O uso da palavra por parte dos parlamentares da Oposição é insistentemente quartado nas sucessivas alterações ao Regimento da Assembleia Legislativa Regional da Madeira (veja-se o Resolução nº1/93/M; Resolução nº1/2000/M; Resolução nº19-A/2005/M;Resolução nº17/2007/M).
No quadro das Comissões Especializadas a atribuição das presidências das comissões é quase exclusiva da bancada da maioria. A fiscalização do governo fica marcada pelos requerimentos, pelas tentativas de agendamento e pelo "esquecimento" de cumprimento dos prazos( por parte da Mesa da ALRAM) aquando da solicitação para a audição dos membros do executivo.
Como é possível com três décadas de democracia que a actividade parlamentar de qualquer assembleia legislativa esteja à mercê da discricionariedade e vontade da maioria parlamentar?
Em tese, as revisões regimentais, e em analogia à Assembleia da República foram realizadas com o intuito de inovar a organização e flexibilizar o seu funcionamento de modo a garantir uma maior expressão pública das diferentes forças políticas; no reforço dos meios de controle e participação das Oposições, clarificando as regras de cumprimento dos deveres do Governo para com os deputados, agilizando os seus procedimentos e reforçando os meios de acompanhamento da acção do poder executivo. Na ALRAM, o processo não passou de mais uma revisão, de mais alguns minutos retirados à Oposição para a vocalização e expressão das suas posições políticas e ideológicas, na tentativa de criar as condições necessárias à alternância no poder, que é em ultima instância o desígnio de qualquer força política que se encontra, num determinado momento, na Oposição.
Este momento protagonizado na ALRAM deveria levar-nos, como cidadãos, eleitores, portugueses e principalmente madeirenses, a reflectirmos, sobre o andamento e exercício do poder político na Região. Avaliar o sistema político regional tem sido um exercício constantemente adiado, mas acho que hoje foi "a gota de água" para todos, num consciente momento de cidadania darmos o nosso contributo!

5.11.08

Diz-me que história tens, dir-te-ei quem és!

Não seria já tempo de se começar a meter uns freios nas mãos dos manipuladores do boneco coelho?
É que começam a fartar as brincadeirinhas imbecis dos meninos ricos mimados do Garajau, afinal eminências pardas do PND-Madeira.
E tenho alguma curiosidade para saber o que pensariam verdadeiramente os papás sobre a bandeira desfraldada hoje na Assembleia Legislativa Regional. Quer me parecer que não gostariam de ver esta simbologia ser utilizada em vão!

The day after, ou como a cor de pele não determina a lealdade

Depois da vitória, apenas lamento a frustração que reinará por África e entre os africanos, verdadeiras vítimas da campanha mundial montada para fazer de Obama o libertador do povos. E lamento por África porque os povos africanos são aqueles que mais verdadeiras esperanças depositaram em Barack Obama e aqueles que mais necessitariam de uma real política norte-americana que visasse o combate às desigualdades que este modelo de globalização criou.
É um logro consciente, pelo menos para os europeus mais atentos ou para aqueles que não querem se deixar enganar. Será uma frustração para África, porque os negros compreenderão uma vez mais que a cor de pele não determina a lealdade.

4.11.08

Quando falta tão pouco

Quando falta tão pouco para sabermos quem será o próximo presidente dos Estados Unidos, quero apenas dizer que, por muito que me esforçasse, nunca McCain conseguiu me convencer.
Por isso e atendendo à simbologia de um negro (abomino a expressão afro-americano, como se isso fizesse dos pretos menos pretos - e esta é apenas uma constatação de facto que não pressupõe qualquer valor ético) chegar à Casa Branca, até acho que Obama poderá ser uma boa escolha.
Mas também enojou-me profundamente a campanha democrática e dos europeus contra a Sarah Palin. Quiseram apenas vender-nos um boneco que não corresponde, de todo, à governadora do Alaska. Mas o ajuste de contas será para outras nupcias...

E o índio sou eu?, terá perguntado Evo Morales

A acreditar que o Magalhães é indicado para crianças com idades compreendidas entre os 6 e os 10 anos (vá lá, até aos 12), a declaração de Sócrates de que todo o seu gabinete usa o portentoso computador leva-me que concluir que a idade mental do seu staff não é superior a de crianças que frequentam o 2º ciclo. O que eu já desconfiava, mas nada como obtermos a prova pelo próprio.

Agora a sério, numa escala de 1 a 10 o quão palermas foram as declarações de Sócrates? É que mesmo eu senti-me profundamente envergonhado com as patéticas palavras do primeiro-ministro português. E sou capaz de jurar que, durante o discurso, até vilsumbrei um ar de incredulidade seguido de um sorrisinho deliciado do índio Morales. Cheira-me que Evo terá pensado: e o índio sou eu? O provinciano sou eu? O que vem da floresta sou eu! Hãaaaa ...

Em defesa do património natural madeirense

Eu também já assinei a petição contra a construção de um teleférico no Rabaçal.

3.11.08

Carta

M:

Insensível à poesia?

Como, se poemas são as seringas contaminadas que vês todos os dias e a luz branca à beira do teu rio e as fotografias velhas que guardas e arquivas de forma quase esquizofrénica? a própria esquizofrenia é poética, vê lá tu!

Não serão figuras poéticas - poetas do novo, edificados com a massa decadente da tua cidade - os náufragos e as putas do Cais do Sodré? As meninas bonitas que enfeitam as noites do teu Lux(o) semanal? Os panascas do Bairro e as suas súplicas histeriónicas em esquinas cor de rosa? Os chulecos e os dealers que vendem farinha como se fosse coca - bons sonhos, camone!

As lágrimas são poesia pura! Como o riso, o sono, o despertar. Morrer é poético. Como nascer. E viver e aprender que há poesia em todos os gestos, no premir de um gatilho embriagado pela revolta suburbana e no sangue que jorra da ferida aberta no coração da cidade e numa mão que extende flores e numa língua que ajuda a soletrar

- g o s t o d e t i
- f i c o
- q u e r o
- s o u
- t e m o
- v i v o

e no primeiro passo de uma criança e no movimento do coveiro e no baque seco da terra sobre o caixão.

As ocorrências dos jornais não serão textos poéticos? Que serão os maus livros senão a mais clara e poética tradução da vida? Não serão os tratados médicos poemas em estado puro? Soletra:

D o r n o c i c e p t i v a
F a c t o r n e u t r ó f i c o d e r i v a d o d o c é r e b r o (BDNF)
M e c a n o r e c e p t o r
M e s e n c é f a l o
M e t e n c é f a l o
P a l i d e z
P a l p i t a ç õ e s
P a r e s t e s i a
P a r o x i s m o
P e r c e p ç ã o

A palidez poderá ser indício de palpitações que conduzirão a uma parestesia seguida de um paroxismo sem que a sensação seja revelada ao consciente através da percepção.

Não será poética a verdade revelada?

Insensível à poesia?

Gonçalo

28.10.08

Resultados da “corajosa” reforma da Função Pública

Recebi de uma amiga este mail interessante. Não fui confirmar os dados, mas não me custa crer que são verdadeiros, conhecendo o modus operandi deste governo do PS...

Muitas linhas se escreveram e muitos discursos se fizeram sobre a reforma da função pública. Não faltaram os aplausos e os elogios entusiásticos à coragem e ao arrojo do Reformador. Todavia o Diário de Notícias de hoje (17 de Outubro), ao analisar o Orçamento de 2009, revela-nos outro lado da corajosa e eficiente reforma. Segundo o DN mais de 1257 milhões de euros vão ser gastos na aquisição de serviços ao sector privado. Uma parte corresponde a uma “esquecida” (vá lá saber-se porquê...) reforma de combate ao despesismo: o Governo destinou 167,7 milhões de euros para estudos, projectos e pareceres a encomendar a gabinetes de advogados, de engenharia e consultores privados conhecidos de todos, uma parcela que conheceu um crescimento exponencial durante a actual legislatura. A outra, bafejada por idêntica generosidade, corresponde à substituição de serviços internos, por serviços prestados por empresas privadas a “preços de mercado” (talvez porque muitos funcionárias foram enviados para casa, visto que havia funcionários a mais). Destaque para o último parágrafo do artigo, “só no subsector Estado (excluindo serviços e fundos autónomos), a aquisição de bens e serviços ao sector privado vai crescer 6,3% em 2009, ascendendo a 1404 milhões de euros, revelam ainda os mapas de despesa da proposta de orçamento de Estado divulgada esta semana pelo Governo. Este custo corresponde a cerca de 13% da despesa total com pessoal”. É caso para se dizer que a “corajosa” e “eficiente” reforma, valeu mesmo a pena!

Não haveria a inteligentsia política e económica aplaudir os esforços deste governo!

Líderes europeus à procura da solução para a crise...

Recebida via e-mail.

Principios de Agosto

Al dia siguiente se levantó tarde. Después de comer estuvo pensando en todo aquello, en las chicas de los veranos y en algunas apariciones más recientes, como N., o J., X., S. y se sintió verdaderamente solo. Pasó el resto de la tarde con un amigo hasta que se hizo de noche. Al llegar a casa se miró en un espejo y sonrió. Su vida le pareció transitada por decenas de cosas que caminaban de puntillas para no ser vistas.

Migala

(Pode ser o princípio de um mês qualquer. Ou não?)

25.10.08

Descobertas

Uma descoberta recente, provavelmente porque até nos meus gostos musicais sou conservador. E como tal, irei conservar durante muitos anos mais esta pérola. A ouvir em repeat...
E um agradecimento à WOAB que nos vai permitindo estes encontros!


A kiss could've killed me
If it were not for the rain
A kiss could've killed me
Baby if it were not for the rain
And I had a feeling it was coming on
I felt it coming
For so long.
If I'm to be the fool
Then so it be.
This fool can die now
With a heart that's soaked
How
How had it coming
For so long.
And darling take my hand
And lead me through the door
Let's kidnap each other
And start singing our song
My heart is charged now
Oh, it's dancing in my chest
And I fly when I walk now
From the spell in that kiss.
Cause I...
It could've
It could've killed me x2
If not for the rain.
Oh darling let me dream
Cause somewhere inside me
I have been waiting
So patiently
For you.
So don't you cry.
Don't break my dream.
Let the rain exalt us
As the night draws in.
Winds howl around us
As we begin.
What a way to start a fire
Broken with the break of day
A kiss could have killed me
If it were not for rain.
I have a feeling it's coming on.
I felt it coming on
for so long.
And it could've
It could've killed me.
If it were not for the rain.

23.10.08

Canções de que gosto (muito)

O Primeiro dia

Sérgio Godinho

A principio é simples, anda-se sozinho
passa-se nas ruas bem devagarinho
está-se bem no silêncio e no burburinho
bebe-se as certezas num copo de vinho
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

Pouco a pouco o passo faz-se vagabundo
dá-se a volta ao medo, dá-se a volta ao mundo
diz-se do passado, que está moribundo
bebe-se o alento num copo sem fundo
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

E é então que amigos nos oferecem leito
entra-se cansado e sai-se refeito
luta-se por tudo o que se leva a peito
bebe-se, come-se e alguém nos diz: bom proveito
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

Depois vêm cansaços e o corpo fraqueja
olha-se para dentro e já pouco sobeja
pede-se o descanso, por curto que seja
apagam-se dúvidas num mar de cerveja
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

Enfim duma escolha faz-se um desafio
enfrenta-se a vida de fio a pavio
navega-se sem mar, sem vela ou navio
bebe-se a coragem até dum copo vazio
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

E entretanto o tempo fez cinza da brasa
e outra maré cheia virá da maré vazia
nasce um novo dia e no braço outra asa
brinda-se aos amores com o vinho da casa
e vem-nos à memória uma frase batida
hoje é o primeiro dia do resto da tua vida.

Hoje só poderia ser esta. Porque hoje é de facto uma espécie de primeiro dia.

21.10.08

Falta de sensibilidade feminista ou a piada do ano!

WOAB, você tem de ser mais sensível a estas questões de género...

PS - Esta é uma private joke!

Esperteza saloia da GESBA e da Direcção Regional de Agricultura

Tive hoje conhecimento, pelo Diário de Notícias da Madeira (sim, o mesmo que é tão duramente criticado pelo PS-Madeira, mas para qual todos os seus dirigentes se põem em bicos de pé, tipo: escolhe-me a mim, escolhe-me a mim!) que a GESBA (empresa criada pela Direcção Regional da Agricultura para gerir o mercado da banana) anda a pagar aos produtores praticamente com os fundos comunitários. Ao que parece, os rendimentos dos produtores até sobem um pouco - razão pela qual estariam (a empresa e a DRA) à espera do seu silêncio -, mas apenas à custa dos subsídios. A título de exemplo, a banana de segunda deixa de ter qualquer valor comercial, passando a ser totalmente paga com os fundos europeus. Uma vez que sabemos que esta banana também tem mercado e tem valor comercial, se o dinheiro não vai para os produtores, a pergunta que se impõe é: vai para quem, então?
Ora, parece-me completamente indecente que a empresa se tente financiar com os lucros provenientes do trabalho dos produtores e dos seus investimentos e parece-me ainda mais indecente que a Direcção Regional da Agricultura ache que isto tudo é normal. Não é senhor director regional e exige-se-lhe que intervenha para repor alguma moralidade a este processo.
Mas isto remete-nos para um problema que é quase ancestral: os fundos europeus para a banana têm sempre ido para todos os lados menos para quem deles precisa, que são os produtores. Não pode, portanto, esta produção sair da cepa torta onde desde sempre tem estado mergulhada.
Percebo e até defendo que os apoios devam efectivamente ser investidos na melhoria da produção (melhorar a eficiência, pelo menos). Neste processo, os intermediários também são importantes e deve ser exigido aos produtores investimentos na qualificação do produto. O que não pode acontecer é o valor comercial do produto ser usado para financiamento de uma empresa, passando os subsídios a ser utilizados para o pagamento aos produtores. É imoral, é ilegítimo e estou mesmo convencido que até é ilegal, para além de que não beneficia nada o sector.

17.10.08

Palhaçadinhas, palhaçadas e palhações!

À excepção de algumas noções económicas (área que assumo que domina, atendendo à minha total ignorância e - porque não dizê-lo? - desinteresse), Carlos Pereira já nos demonstrou que há poucas outras áreas que domine. Educação não é, definitivamente, uma delas, atendendo aos totais disparates que às vezes manda ao ar.
Carlos Pereira também já nos mostrou que tem uma certa dificuldadezinha em debater ideias e argumentos. À falta deles, vai de: habituem-se! Mas também já nos tinha habituado que o que gosta mesmo é de lançar umas farpelas mais ou menos generalistas, totalmente acríticas, sem que dê sequência à troca de ideias. É um estilo de se estar na blogosfera como outro qualquer.
Por isso, importa-me pouco, porque não sou seu (e)leitor (usual).
Este post vem apenas a propósito do tal habituem-se e das palminhas que bate (Carlos Pereira) e muitos outros socialistas ao programa Magalhães, ainda que existam muitas perguntas - que, ao que parece, não incomodam - sem respostas.
Ora, para além de termos sido informados que o Ministério da Educação (ME) anda a "sugerir" que as autarquias paguem o acesso à Internet (com uma despesa média anual de 300,00€ ano/máquina - não é um desperdício, seria um roubo e um rombo de dimensões monstruosas), não é que também soubemos o que entendem a Intel e o ME como formação? Ao que parece, no entender destas duas instituições, para rentabilizar este PC basta ensaiar umas musiquinhas de louvor ao programa! Entoam-se loas, que é como o líder quer e já está!
Então é isto que Carlos Pereira e outros denominam de qualidade governativa? É para isto que gostariam de ser alternativa na Madeira? É que se é isto que querem, obrigado, mas para mau, está bem como está!

16.10.08

Canções de que gosto (muito)

Os Índios da Meia Praia

Zeca Afonso

Aldeia da Meia Praia
Ali mesmo ao pé de Lagos
Vou fazer-te uma cantiga
Da melhor que sei e faco
De Montegordo vieram
Alguns por seu próprio pé
Um chegou de bicicleta
Outro foi de marcha à ré
Quando os teus olhos tropecam
No voo de uma gaivota
Em vez de peixe ve pecas de oiro
Caindo na lota
Quem aqui vier morar
Nao traga mesa nem cama
Com sete palmos de terra
Se constrói uma cabana
Tu trabalhas todo o ano
Na lota deixam-te nudo
Chupam-te até ao tutano
Levam-te o couro cabeludo
Quem dera que a gente tenha
De Agostinho a valentia
Para alimentar a sanha
De esganar a burguesia
Adeus disse a Montegordo
Nada o prende ao mal passado
Mas nada o prende ao presente
Se só ele é o enganado
Oito mil horas contadas
Laboraram a preceito
Até que veio o primeiro
Documento autenticado
Eram mulheres e criancas
Cada um com o seu tijolo
Isto aqui era uma orquestra
quem diz o contrario é tolo
E se a ma lingua nao cessa
Eu daqui vivo nao saia
Pois nada apaga a nobreza
Dos indios da Meia-Praia
Foi sempre tua figura
Tubarao de mil aparas
Deixas tudo à dependura
Quando na presa reparas
Das eleicões acabadas
Do resultado previsto
Saiu o que tendes visto
Muitas obras embargadas
Mas nao por vontade própria
Porque a luta continua
Pois é dele a sua história
E o povo saiu à rua
Mandadores de alta financa
Fazem tudo andar para tras
Dizem que o mundo só anda
Tendo à frente um capataz
Eram mulheres e criancas
Cada um com o seu tijolo
Isto aqui era uma orquestra
Que diz o contrario é tolo
E toca de papelada
No vaivém dos ministérios
Mas hao-de fugir aos berros
Inda a banda vai na estrada

PS: Alguém dizia-me ontem: E não é que a porra da canção é actual como tudo? Xiça...

Arengam-me há anos que vamos voltar aos tempos dos totalitarismos. Começo a acreditar... Que Deus nos acuda! Inda a banda vai na estrada!

15.10.08

Este país não é para velhos, não: é para patetas!

No ano passado, também estes senhores que desgovernam esta nação prometiam que a inflação seria inferior aos aumentos salariais, garantindo que os funcionários públicos não perderiam poder de compra. Foi o que se viu e agora: ah e tal que foi a crise internacional, mas agora é que é!
O que estes senhores esquecem é que não têm qualquer tipo de credibilidade. Esse capital, há muito que desbarataram. Mas continuam alguns patetas alegres a aplaudir.

O hiato que separa a propaganda de Sócrates e a realidade

Manoelinho coloca muito bem a questão: passando a propaganda, o que é que fica?

Magalhães: para quê, para quem e até quando?

Para além da fraude que parece não incomodar os socialistas portugueses sobre a originalidade do PC Magalhães, relativamente a este programa há várias questões que o governo parece não querer responder e que parece mesmo que ninguém quer colocar:
1. o programa será apenas para este ano, ou manter-se-á no futuro? Por exemplo, como é que será no próximo ano lectivo? Está garantido que todas as crianças que entrem no 1º ciclo do ensino básico terão a mesma oportunidade?
2. A resposta à questão anterior é fundamental, por forma a que se determine que equipamentos deverão ser adquiridos pelas e para as escolas. Se o Estado oferece PC's, continua a fazer sentido investir em salas TIC? Não será um desperdício?
3. Se for para se manter, que custos acarreta? Há viabilidade e sustentabilidade, ou será uma mera medida avulso puramente eleitoralista?
4. As medidas do QREN abertas para a Educação privilegiam investimentos integrados, que prevejam o equipamento tecnológico. Onde é que deve ser feito o investimento?
5. Está a ser dada formação aos docentes por forma a puderem rentabilizar esse recurso no processo ensino-aprendizagem? Para que serve, se nem as famílias nem os docentes conseguirão orientar as crianças ? (Quem segue o processo das TIC em educação sabe que a orientação das crianças de tão tenra idade é fundamental. Por isso é que o Estado e a União Europeia investem fortunas em programas como o Seguranet.)
6. O Ministério da Educação quer que sejam as autarquias a assegurar o pagamento dos acessos à Internet, no âmbito da Acção Social Escolar. Foram ouvidas as autarquias, relativamente a este custo adicional que o governo lhes quer imputar? E se a verba for a mesma, onde é que se vai cortar: no material didáctico, no equipamento contra a chuva e contra o frio ou na alimentação?

É que parece muito bem falar-se em Plano Tecnológico de Educação e aplaudir-se medidas deste tipo. A questão é saber se as medidas terão algum efeito prático. Mas isso já é pedir muito, a muitos (passe a redundância) acéfalos que por aí proliferam.

14.10.08

Afinal o gajo é mesmo bom I

Só faltou chamá-lo de pai...

Afinal o gajo é mesmo bom

Aqui há uns tempos atrás, o Miguel Fonseca escreveu um post, com o mesmo título que eu agora usurpei, para retratar a sua opinião sobre o deputado Carlos Pereira e a sua actividade parlamentar.

Independentemente da opinião que eu possa ter sobre o seu trabalho político, serve o presente post apenas para acrescentar que o gajo não é apenas bom em economia e finanças.
Afinal, o gajo também é mesmo bom em exigir para si a liberdade que quer negar aos outros, conforme bem provam as suas invectivas contra Luís Filipe Malheiro (LFM). Veja-se aqui, aqui, aqui e aqui, e muitas mais, ao longo de todo o seu blogue.

Ora, era só o que faltava que fosse cerceada a liberdade de expressão ao cidadão LFM apenas porque é funcionário da Assembleia Legislativa Regional. Desde que este não use de informação confidencial acedida pela função que desempenha - e não me parece ser o caso -, o LFM tem todo o direito de expressar a sua opinião sobre política, economia, o PS, as flores do Jardim da Madre Teresa, o que quer que seja e o que lhe dê na real gana.
E ao deputado Carlos Pereira, que afinal é mesmo bom, ficaria bem que debatesse ideias e não atentasse contra a liberdade de outrem. Porque para quem tanto reclama por verticalidade, elevação e dignidade no debate político, as suas atitudes - das quais os seus textos são exemplares - não revelam o político da excelência moral e hombridade que tem tentado desesperadamente se fazer passar.
O que o gajo parece não saber é que para se ser mesmo bom, é preciso saber conviver com a crítica e reconhecer aos outros aquela mesma liberdade que reclamamos para nós próprios. Ou pretende o deputado Carlos Pereira, quiçá imbuído no espírito que prolifera no país, que o LFM seja despedido por delito de opinião?

E para que não me acusem de apenas manifestar a minha indignação porque se trata de um vil e ignóbil ataque à liberdade de expressão de um dirigente do PSD, lembro que já me manifestei noutras alturas sobre o direito à liberdade de expressão de outros bloggers, nomeadamente manifestando a minha solidariedade ao Emanuel Bento aquando do seu despedimento do Diário de Notícias ou ao amsf, sobre aquele patético voto de protesto apresentado pelo PSD da Madalena do Mar.

13.10.08

Herberto

se me vendam os olhos, eu, o arqueiro! acerto

em cheio no alvo porque o não vejo:

por pensamento e paixão,

ou porque foi tão sentido o vento a luzir nos botões dos salgueiros,

como se atirasse do outro lado do vento,

ou na solidão de um sonho,

ou como se tudo fosse o mesmo: flecha e alvo  –

e

cego

acerto em cheio:

porque não quero

Herberto Hélder. Está no novo livro.

Este país não é para velhos

Ainda não o tinha lido. Li-o de supetão este fim de semana e aconselho-o a toda a gente: Este País não é Para Velhos, de Comarc MacCarthy.

Já tinha visto o filme. Mas a prosa de McCarthy é absolutamente arrasadora. Não sou daqueles que acham que o livro é sempre melhor que o filme. Há casos e casos mas neste caso a palavra escrita ganha por KO, embora eu seja o primeiro a reconhecer que a adaptação dos Irmãos Cohen, com Tommy Lee Jones, Javier Bardem ou Woody Harrelson, é excelente.

Canções de que gosto (muito)

The Passenger

by Iggy Pop

I am the passenger
And I ride and I ride
I ride through the citys backside
I see the stars come out of the sky
Yeah, theyre bright in a hollow sky
You know it looks so good tonight
I am the passenger
I stay under glass
I look through my window so bright
I see the stars come out tonight
I see the bright and hollow sky
Over the citys a rip in the sky
And everything looks good tonight
Singin la la la la la-la-la la
La la la la la-la-la la
La la la la la-la-la la la-la
Get into the car
Well be the passenger
Well ride through the city tonight
See the citys ripped insides
Well see the bright and hollow sky
Well see the stars that shine so bright
The sky was made for us tonight
Oh the passenger
How how he rides
Oh the passenger
He rides and he rides
He looks through his window
What does he see?
He sees the bright and hollow sky
He see the stars come out tonight
He sees the citys ripped backsides
He sees the winding ocean drive
And everything was made for you and me
All of it was made for you and me
cause it just belongs to you and me
So lets take a ride and see whats mine
Singing...
Oh, the passenger
He rides and he rides
He sees things from under glass
He looks through his windows eye
He sees the things he knows are his
He sees the bright and hollow sky
He sees the city asleep at night
He sees the stars are out tonight
And all of it is yours and mine
And all of it is yours and mine
Oh, lets ride and ride and ride and ride...