19.12.08

Brief encounter

E já que hoje estou para o nostálgico, aqui fica uma pérola dos anos 80.



I. Brief Encounter

A spider wanders aimlessly within the warmth of a shadow
Not the regal creature of border caves
But the poor, misguided, directionless familiar
Of some obscure Scottish poet
The mist crawls from the canal
Like some primordial phantom of romance
To curl, under a cascade of neon pollen
While I sit tied to the phone like an expectant father
Your carnation will rot in a vase.

II. Lost Weekend

A train sleeps in a siding
The driver guzzles another can of lager
To wash away the memories of a Friday night down at the club
She was a wallflower at sixteen
She'll be a wallflower at thirty four

Her mother called her beautiful
Her daddy said, "A whore".

III. Blue Angel

The sky was Bible black in Lyon
When I met the Magdalene
She was paralysed in a streetlight
She refused to give her name
And a ring of violet bruises
They were pinned upon her arm.
Two hundred francs for sanctuary and she led me by the hand
To a room of dancing shadows where all the heartache disappears
And from glowing tongues of candles
I heard her whisper in my ear "'J'entend ton coeur"
I can hear your heart

IV. Misplaced Rendezvous

It's getting late, for scribbling and scratching on the paper
Something's gonna give under this pressure
And the cracks are already beginning to show
It's too late The weekend career girl never boarded the plane
They said this could never happen again
So wrong, so wrong
This time it seems to be another misplaced rendezvous
This time, it's looking like another misplaced rendezvous
With you The parallel of you, you

V. Windswept Thumb

On the outskirts of nowhere
On the ring road to somewhere
On the verge of indecision
I'll always take the roundabout way
Waiting on the rain
For I was born with a habit, from a sign
The habit of a windswept thumb
And the sign of the rain It's started raining


Marillion

Desert Rose



I dream of rain
I dream of gardens in the desert sand
I wake in vain
I dream of love as time runs through my hand
I dream of fire
Those dreams that tie two hearts that will never die
And near the flames
The shadows play in the shape of the mans desire

This desert rose
Whose shadow bears the secret promise
This desert flower
No sweet perfume that would torture you more than this
And now she turns
This way she moves in the logic of all my dreams
This fire burns
I realize that nothings as it seems
I dream of rain
I dream of gardens in the desert sand
I wake in vain
I dream of love as time runs through my hand
I dream of rain
I lift my gaze to empty skies above
I close my eyes
The rare perfume is the sweet intoxication of love
I dream of rain
I dream of gardens in the desert sand
I wake in vain
I dream of love as time runs through my hand
Sweet desert rose
Whose shadow bears the secret promise
This desert flower
No sweet perfume that would torture you more than this
Sweet desert rose
This memory of hidden hearts and souls
This desert flower
This rare perfurme is the sweet intoxication of love


Sting com Cheb Mami

Quasi

Um pouco mais de sol — eu era brasa,

Um pouco mais de azul — eu era além.

Para atingir, faltou-me um golpe d'asa…

Se ao menos eu permanecesse aquém…

Assombro ou paz? Em vão… Tudo esvaído

Num baixo mar enganador d'espuma;

E o grande sonho despertado em bruma,

O grande sonho — ó dor! — quasi vivido…

Quasi o amor, quasi o triunfo e a chama,

Quasi o princípio e o fim — quasi a expansão…

Mas na minh'alma tudo se derrama…

Entanto nada foi só ilusão!

De tudo houve um começo… e tudo errou…

— Ai a dor de ser-quasi, dor sem fim… —

Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,

Asa que se elançou mas não voou…

Momentos d'alma que desbaratei…

Templos aonde nunca pus um altar…

Rios que perdi sem os levar ao mar…

Ânsias que foram mas que não fixei…

Se me vagueio, encontro só indícios…

Ogivas para o sol — vejo-as cerradas;

E mãos d'herói, sem fé, acobardadas,

Puseram grades sobre os precipícios…

Num ímpeto difuso de quebranto,

Tudo encetei e nada possuí…

Hoje, de mim, só resta o desencanto

Das coisas que beijei mas não vivi…

Mário de Sá Carneiro

PS: Este poderá ser o retrato da minha geração. É um velho retrato, recuperado de uma espécie de báu qualquer, mas curiosamente, as faces que mostram são as nossas. A minha e as de tantos outros que como eu, habitam estes tempos de desencanto. Se calhar falta-nos um golpe d'asa. Sem ele, quasi mudamos, quasi crescemos, quasi os tiramos do caminho.

PS 2: pode ser que no final do próximo ano me apeteça postar outra merda qualquer...

16.12.08

Memórias que não se apagam

Ao que parece, a equipa que está a realizar e a produzir o filme "As memórias que não se apagam" ainda não conseguiu financiamento para terminar o filme. Mas pelo que nos é dado a conhecer, o projecto continua a apostar na qualidade musical, conforme se comprova.
Desejo toda a sorte do mundo à equipa e deixo o meu apelo a quem puder ajudá-los a concluir este projecto, que me parece de qualidade.


Hipocrisia vs defesa de princípios absolutos


Aqui há uns dias dei comigo a pensar sobre o holocausto e sobre o que representou esse período mais negro da humanidade.

A filosofia e mais concretamente a Ética já nos mostrou que aquele horror só foi possível porque o positivismo - e a crença absoluta e acrítica de que as ciências naturais nos libertariam -objectivaram o que jamais deveria ter sido objectivado: o homem.

Essa objectivação despiu o homem da sua humanidade e transformou-o num objecto como outro qualquer. A maior evidência encontra-se nos campos de concentração nazis. Ali, criou-se a indústria da morte; o extermínio de um povo foi reduzido a uma mera actividade económica. Só assim se compreende como é que os "funcionários" dos campos de concentração poderiam regressar às suas casas, no fim de mais um dia de trabalho, para brincarem alegremente com os seus filhos, ou jantarem calmamente com a família. Apenas compreenderemos aqueles homens, aqueles soldados, aqueles oficiais, se observarmos que eles acreditavam trabalhar num matadouro/fábrica, não de pessoas humanas, mas de meros objectos.

Em suma, parece-me claro que o holocausto apenas foi possível porque relativizaram-se os princípios valorativos a tal ponto que se perdeu a dimensão ética do homem (o judeu não era um homem, enquanto entidade plena de sentido).

Por isso, tenho sempre alguma reserva em aceitar a relativização de valores que considere importantes. É, também, por essa razão que percebo a dificuldade e a renitência da Igreja relativamente a algumas evoluções ditas progressistas. Porque torna-se difícil fundamentar um princípio que não seja absoluto e existem alguns que não admitem dimensões poliédricas.

Claro que, como qualquer homem, por vezes encontro-me em situações ambíguas: por vezes, defendo valores morais absolutos mas quando confrontado com realidades humanas diversas, sinto-me tentado a abrir excepções. Também eu sou hipócrita (como não sê-lo, quando colocados perante situações concretas em que o valor absoluto "viola" a dignidade de uma pessoa humana?), porque por vezes sinto e ajo contra valores em que acredito. Tento, contudo, fazer uma escala valorativa que me permita estar em paz com a minha consciência. E tento respeitar essa escala (que naturalmente, pode sofrer evoluções ou inflexões). Para que quando confrontado com acusações de radicalismo e intolerância possa, em boa verdade, defender aquilo em que acredito de forma intransigente, ainda que sabendo que apesar de acreditar em valores solutus ab omni re (que é como quem diz, que valem por si mesmos), não sou dono da verdade absoluta.

Mas reconheço que esta é apenas uma forma airosa de esconder a minha hipocrisia. E sei-o quando admiro a coragem dos que ousam manter-se fiéis ao princípio, independente dos prejuízos que daí possam, para si, resultar.

15.12.08

O Natal....

Devo confessar, que a epóca natalícia não me entusiasma muito... Ainda assim, ontem fui ao circo, ao Coliseu dos Recreios. A par de muitos elementos, o circo, faz parte da litúrgia natalícia, enriquecendo toda a sua tradição. Gostei de voltar ao circo.... Fez-me lembrar os tempos em que, com os meus pais e irmãos, íamos (à cidade) ao campo Almirante Reis, ver o espectáculo circence. A nostalgia tomou conta de mim... e de repente dei comigo a pensar numa infância distante, onde a família ainda se reunia no Natal e se cumpriam os rituais, desde a ida (à cidade) "ver as luzes"; a comparência às missas do parto e à missa do galo; a reunião familiar no dia 25 e a abertura das prendas; o provar dos doces e os licores da "festa"; o saborear da canja de galinha de casa acompanhada com o pão de batata.......
Com esta ida ao circo, de repente, o Natal ganhou outro significado, não porquê e em quê, mas certamente este Natal será diferente!
Boas Festas!

13.12.08

Mais de El Hijo

Mais de El Hijo.

O vídeo Conmigo a Tu Vera, realizado por Nacho Piedra.



Somos casi invisibles
Al caer la tarde
Somos los enmascarados
Sólo dos entre un millón
Así es, Reina Margot
Si te ríes es mejor
Que tu risa sea buen viento
hasta el final.

Tú y yo nos encaminamos
A salir de esto
Ya quedan atrás los muros
De la vieja catedral
Cuando vaya a ser lo último
Y se apague la ciudad
Que tus ojos sean mi puesto en el
timón.

Ven si quieres para mirar allá
A todo lo que dejarás
Aún se pueden ver
Torres de cristal
De la fortaleza

Ahora que zarpamos hacia alta mar
Tomemos ron para recordar
Sin miedo a la sal
Que querrá pegarse
A nuestros cuerpos.

Escucha eso que empieza a sonar
Será ruidoso hacia el final
Es una canción
Que canta la nave
En su extraña lengua.

De los que navegan dice el cantar
El tiempo es puñado de sal
Desvanécete
En el camarín
Conmigo a tu vera.

El Hijo

Depois de Migala, El Hijo. Abel Hernandez. Entrem no link abaixo, onde se prova que ainda existem segredos muito bem guardados.

http://www.myspace.com/elhijo

Este foi descoberto graças à WOAB. http://umblogquesejaseu.blogspot.com/

Se me permitem uma sugestão, comecem a audição por Los Reys que Traigo. É genial.

Eis a letra:

Dame algo
Del ruido secreto
Que sale de tu cuarto
Comparte
Un poco de aquello
Con mi corazón.
Alquílame tu bungalo(ve)
Hay veces que estás y otras no

Los reyes que traigo
Vienen igual que ayer
Toda la noche vagando
De día no andan bien.

Me cuentan
Que te volviste atrás
A las puertas de tu Shangri-La
Y que las luces
Que trajiste de allá
Se disfrazan de dragón.
Invítame a
Tu nº 2
Hay veces que estás y otras no.
Los reyes que traigo
Vienen igual que ayer
Toda la noche vagando
De día no andan bien.
Los reyes que traigo
Vienen igual que ayer
Toda la noche te miran
De día no pueden ver.

Si me tiras
Las llaves del castillo
He venido a quedarme aquí
Los guardias
En sus caballos
Me buscan por el parque
Helado.

12.12.08

Alentejo

Há dias em que nada mexe. Nem uma brisa afaga as faces mal barbeadas dos homens e os rostos tristes das mulheres. Nesses dias, o calor ganha formas sobre o alcatrão. E então é possível tocá-lo.
Nesses dias os homens desaparecem devagar na paisagem seca. Caminham lentamente, ofegando. Sentem a morte rondá-los. E por isso dão gritos loucos que assustam os pássaros. A terra quer-os quer bem assados!
Sentam-se devagar sob a sombra. Olham-se solenemente. Suam como porcos.
São os dias do tédio. As mulheres escondem-se dentro dos casebres. Unem delirantemente os fios de transpiração que os homens deixam quando regressam. Com eles tecem uma teia de ódio. Se pudessem, desencadeariam uma orgia. E lamberiam com prazer as últimas gotas de sangue dos homens degolados. Mas preferem ajoelhar-se e rezar o terço, com os olhos semicerrados e as mãos fechadas sobre as contas.

Nas noites desses dias, as mulheres encolhem-se na cama, fugindo das mãos ébrias que lhes afastam as camisas de dormir. Do hálito de vinho que as corrói. Nas noites desses dias, as mulheres escondem uma faca debaixo do travesseiro.

Lisboa não é a cidade perfeita

' Inda bem que o tempo passou
e o amor que acabou não saiu.

' Inda bem que há um fado qualquer
que diz tudo o que a vida não diz.
Ainda bem que Lisboa não é
a cidade perfeita p'ra nós.

Ainda bem que há um beco qualquer
que dá eco a quem nunca tem voz.

‘Inda agora vi a louca sozinha a cantar,
do alto daquela janela.
Há noites em que a saudade me deixa a pensar:
Um dia juntar-me a ela.
Um dia cantar…
como ela.

‘Inda bem que eu nunca fui capaz
de encontrar a viela a seguir.
‘Inda bem que o Tejo é lilás
e os peixes não param de rir.
Ainda bem que o teu corpo não quer
embarcar na tormenta do réu.
Ainda bem se o destino quiser
esta trágica historia, sou eu.
‘Inda agora vi a louca sozinha a cantar,
do alto daquela janela.
Há noites em que a saudade me deixa a pensar:
Um dia juntar-me a ela.
Um dia cantar…
como ela.

Deolinda

É imperfeita´mas por isso é a ela que às vezes me apetece voltar.

Esta banda sonora ajuda. E de que maneira.


Ronaldo global

Com mais de 1 milhão de visualizações. A ver através do Expresso.pt.

http://aeiou.expresso.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/475900

11.12.08

Há viagens que só se fazem uma vez na vida.
Não estou de partida. Apenas vou iniciar o começo de nada.

Há dias tristes. Dias felizes…
Os que mais custam passar são os cinzentos.

10.12.08

Nem Tudo é Dinheiro

Liguei o computador já passava meia-noite (0h03) do dia de ontem.

Fi-lo, por causa de uma entrevista que acabei de ver na SIC-Notícias a Luís Nobre Guedes. Não tenho a menor dúvida que será presidente do CDS. Gostei da serenidade com que respondeu às questões. Da forma, do conteúdo. Acima de tudo, da visão que tem do que deve ser a política e de como os políticos devem agir. Resume-se a duas palavras: VERDADE e AUTENTICIDADE.

Infelizmente, assisti na mesma televisão, minutos antes, a um debate sobre o Orçamento da Madeira para 2009.

Os registos que tenho dessa conversa são de intervenções musculadas, de políticos que ainda não perceberam que o Mundo está a mudar….a política já mudou.

Obama é o paradigma da viragem. O resto explica a crise: - começou pela perda dos valores, da entidade, da cultura, da forma de viver em sociedade, por muitas sociedades….até atingir o “alma” do mundo.

Errou quem considerou, o dinheiro, o motor do Mundo.

A crise não é económica. A crise é humana.

Hoje, estive com crianças institucionalizadas no Abrigo de Nossa Senhora da Conceição. Fui em trabalho. Não levei prendas, mas trouxe alegria.

Boa noite.

5.12.08

Beggin

Até a mim, que não sou muito dado a pezinhos de dança, todo o corpo balança-se-me ao ouvir este som. Gosto!



Se quiser, veja e oiça mais aqui.

3.12.08

Herberto

No sorriso louco das mães batem as leves

gotas de chuva. Nas amadas

caras loucas batem e batem

os dedos amarelos das candeias.

Que balouçam. Que são puras.

Gotas e candeias puras. E as mães

aproximam-se soprando os dedos frios.

Seu corpo move-se

pelo meio dos ossos filiais, pelos tendões

e orgãos mergulhados,

e as calmas mães intrínsecas sentam-se

nas cabeças filiais.

Sentam-se, e estão ali num silêncio demorado e apressado,

vendo tudo,

e queimando as imagens, alimentando as imagens,

enquanto o amor é cada vez mais forte.

E bate-lhes nas caras, o amor leve.

O amor feroz.

E as mães são cada vez mais belas.

Pensam os filhos que elas levitam.

Flores violentas batem nas suas pálpebras.

Elas respiram ao alto e em baixo.

São silenciosas.

E a sua cara está no meio das gotas particulares

da chuva,

em volta das candeias. No contínuo

escorrer dos filhos.

As mães são as mais altas coisas

que os filhos criam, porque se colocam

na combustão dos filhos. Porque

os filhos são como invasores dentes-de-leão

no terreno das mães.

E as mães são poços de petróleo nas palavras dos filhos,

e atiram-se, através deles, como jactos

para fora da terra.

E os filhos mergulham em escafandros no interior

de muitas águas,

e trazem as mães como polvos embrulhados nas mãos

e na agudez de toda a sua vida.

E o filho senta-se com a sua mãe à cabeceira da mesa,

e através dele a mãe mexe aqui e ali,

nas chávenas e nos garfos.

E através da mãe o filho pensa

que nenhuma morte é possível e as águas

estão ligadas entre si

por meio da mão dele que toca a cara louca

da mãe que toca a mão pressentida do filho.

E por dentro do amor, até somente ser possível amar tudo,

e ser possível tudo ser reencontrado

por dentro do amor.

Herberto Helder

Enviado por e-mail. Gostei do presente, a sério.

2.12.08

A flor do ódio

As novelas são coisas estúpidas.
Já me tinham dito isto.
Não me recordo quem.
O tema surge na sequência da novela que estão a rodar na ilha.
Vi dois episódios. Gostei das paisagens, não gostei do enredo.
Especialmente, da intriga. Confesso que me arrepiou assistir ao ódio que vomitam do ecrã para fora. Felizmente sei as linhas gerais da construção de um argumento, mas deixa-me triste, o resultado final. Sobretudo, porque existem muitas famílias, mulheres, que seguem religiosamente cada episódio.

Há sociólogos que defendem que o ser humano é influenciado pelo contexto social onde vive. Com base neste pressuposto, acredito que muitas mulheres destroem uma vida familiar agradável, pela influência das novelas.

Inconscientemente, revelam comportamentos adquiridos, num momento de tensão em casa.

Acabem com as novelas. Já!

30.11.08

Memória do Festival

Ver cinema para mim, é alimentar a magia.

O cinema surgiu na minha vida, em simultâneo, com as grandes paixões. Os dois sentimentos - a paixão e o cinema - cresceram juntos. As desilusões também, acompanhadas de emoções cada vez mais fortes.

Isto é cinema! O resto é pipocas.

Imaginem uma mulher jovem, mas gorda. Bonita, mas cuja beleza é difícil de ver após os primeiros 10 contactos. Talvez sejam necessários anos. Ela está desesperada, para deixar de ser virgem. Esta cena aconteceu à chuva. O cenário é idílico. Género, aldeia com casas isoladas e uma floresta exuberante à volta……..Agora, juntem-lhe um chiqueiro. Porcos e a tal mulher gorda - com mais pneus que um camião - sem roupa. Ela é, uma espécie de Eva no paraíso (completamente nua) que corajosamente vai para dentro do chiqueiro. Não se esqueçam que continua a chover. Ela deita-se na lama. Lambuza-se e tem como objectivo seduzir um dos porcos para..................

O caso é verídico. Eu vi em “Kino Lika” dia 12 de Novembro de 2008, no 4º Festival de Cinema do Funchal.

20.11.08

Volto já!

Acabo de ressuscitar de entre os vivos. Há dois mil anos, Jesus ressuscitou de entre os mortes ao terceiro dia. Eu estou a anos de luz dessa Criatura. Precisei de 365 dias, mais 10 dias. Não me enganei. É o tempo exacto, desde que me refugiei para cá chegar.
Cá estou. Voltei porque gosto de escrever. Voltei porque tenho algo para dizer. Não sei o quê, mas isso não importa. O que conta é a vontade. É a energia que a ausência provoca em quem quer falar, mas não consegue.

Gostava de falar de coisas importantes, mas será que vale a pena debruçar-me sobre a crise? Sobre a política? Sobre a novela da TVI, rodada na Madeira? Será que vale a pena ressuscitar assuntos esgotados, como os que acabei de citar.

Gostava de falar de cinema. Gosta de dissertar sobre as estrelas, mas impede-me um tecto de fazê-lo. Prometo que vou à rua e já volto. Não prometo que o escuro me deixe olhar para o céu, mas prometo descrever a noite. Estou a escrever estas palavras enquanto o relógio salta de minuto em minuto. O meu não tem segundos. E horas são 22.
Daqui a pouco muda o dia e ainda não fui à rua. Volto já!
…………

Tem estrelas e está nublado. Primeiro, só vi nuvens. Depois, estrelas. Depois nuvens, logo concluí que estava nublado. Falta a Lua. É verdade. Vou voltar à rua. Não custa muito. São duas portas. Não preciso descer andares. Até estou em vantagem. Estou dois palmos acima da superfície da terra. Em linguagem corrente, corresponde a uma casa com um andar. Se tem mais não sei. Sempre fiquei pelo primeiro andar. É o suficiente para ficar perto do céu, distante dos pormenores da terra.

Volto já………


Não há Lua!

Alteração de Lei por Despacho Ministerial não é ilegal?

Espanta-me que as forças políticas portuguesas estejam a deixar passar impune esta ilegalidade monumental cometida pelo Ministério da Educação, em que se pretende alterar uma Lei (3/2008, de 18 de Janeiro) recorrendo a um Despacho da ministra.
Para os que ainda têm dúvidas, reza o ponto 2, do art. 22º do Estatuto Disciplinar do Aluno: Sempre que um aluno, independente da natureza das faltas, atinja um número total de faltas correspondente a três semanas (...) ou tratando-se, exclusivamente, de faltas injustificadas, duas semanas (...) deve realizar (...) uma prova de recuperação.

Parece-me claro que esta redacção determina que a prova de recuperação aplica-se a todos os faltosos e não apenas à faltas injustificadas, com as seguintes consequências:
a) O cumprimento de um plano de acompanhamento especial (...);
b) A retenção do aluno (...).
Ambas as alíneas do ponto 3 do referido artigo.

E o que clarifica o Despacho da Sra. ministra da Educação, no seu ponto 2? A prova de recuperação a aplicar na sequência das faltas justificadas tem como objectivo exclusivamente diagnosticar (...).

Ora, na Lei, em lugar algum existe esta distinção, pelo que me parece manifestamente ilegal esta tentativa de regulamentação da Lei com recurso a um Despacho.

E assim sendo, seria necessário suspender a democracia? Para quê, se para este governo da República as regras de funcionamento do sistema estão sempre suspensas?

É a beleza de democracia à moda de Sócrates!

Ministra da Educação recua. E não há consequências políticas?

Depois de tudo o que disse sobre a importância dos resultados dos alunos para efeitos de avaliação do desempenho docente, recuar desta maneira e não retirar as consequências políticas apenas revela uma ministra da Educação demasiado agarrada ao poder.
Há dias, um amigo socialista lembrava-me que ministros que não pertencem aos aparelhos partidários têm sempre muitas dificuldades políticas. Mas esta atitude de Maria de Lurdes Rodrigues indicia que em três anos de política activa já aprendeu todos os maus vícios. E é com esta seriedade que se faz a política em Portugal...

19.11.08

Avaliação do desempenho docente: falar a sério!

Vamos lá ser sérios e honestos nesta questão da avaliação do desempenho docente. Para além do excesso de burocracia e da complexidade do modelo, bastariam três itens para exigir a sua imediata revogação:
1.º Fazer depender a nota do "sucesso" dos alunos (objectivos). Esta medida é um claro convite ao facilitismo, uma vez que um bom professor não se mede pelas notas que atribui. Quando atribui piores notas do que aquelas que recebeu, pode apenas demonstrar rigor e zelo no doloroso processo de avaliação;

2.º Fazer depender a nota do abandono escolar. Sabem os seus ilustres defensores que na prática esta medida apenas se aplica aos docentes do secundário, uma vez que "não há abandono" quando o aluno se insere na escolaridade obrigatória, uma vez que é considerado abandono apenas quando o aluno sai do sistema, o que o próprio sistema não admite que aconteça antes dos 16 anos? Mais, que em rigor, daqui a nada temos professores a bater à porta das famílias a implorarem que os meninos regressem à escola?;

3.º A possibilidade dos avaliadores serem de áreas científicas diferentes. Como é que um professor de matemática pode avaliar a consistência científica de um professor de Biologia? Não pode, não é, mas o diploma não só o permite, como o estimula porque não existem assim tantos titulares nas escolas para todas as estruturas de gestão. Ainda para mais quando todos conhecemos o processo de progressão na carreira para os titulares...

Se se quiser ser sério, apenas estas razões seriam suficientes para a suspensão do modelo. Porque a verdade é que mais nenhum modelo de avaliação é tão exigente. Nem mesmo a tontice do SIADAP...
Se não se quiser, pode-se continuar a proferir as alarvidades que bem se entender. Porque a ignorância não é nenhum crime e a patetice ainda não paga imposto.

Quero ver quando a ministra for embora

Agora que a ministra da Educação alterou o Estatuto Disciplinar do Aluno (não me venham com as imbecilidades do costume de que o Despacho apenas clarifica a Lei 3/2008), reina um certo silêncio da blogosfera socialista sobre o assunto (mesmo aqueles que defendiam de forma mais aguerrida o diploma "pouco claro"). Quero ver qual será a reacção desta Guarda Pretoriana quando o governo recuar no regime da avaliação docente, com ou sem a saída de Maria de Lurdes Rodrigues do Ministério da Educação (se Sócrates fosse coerente, demitia-a. E se assim não for, se ela for coerente, demite-se).
Apesar de até discordar da alteração do Estatuto (porque concordo que mesmo os alunos doentes deveriam fazer prova dos seus conhecimentos), espero que a oposição não deixe cair este assunto e não permita que uma Lei seja alterada por Despacho. Porque isso sim seria a suspensão do sistema democrático.

De repente, parece que o maior problema do país são as declarações de Ferreira Leite

Pretender que as declarações de Manuela Ferreira Leite são uma exortação à suspensão da democracia é apenas revelador da burrice de quem ouviu a líder do PSD.
Foi um exercício de ironia infeliz, reconheço. Mas tão só. Qualquer outra interpretação é pura idiotice...

18.11.08

Auto-retrato duas horas da manhã 20 de Agosto de 1959

Sentar à máquina de escrever. Folhear
Um romance policial. No fim
Saber o que agora já sabes:
O secretário de cara lisa e barba dura
É o assassino do senador.
E o amor do jovem sargento da brigada criminal
Pela filha do almirante é correspondido.
Mas não saltarás de página.
De vez em quando, folheando uma, um olhar rápido
Sobre a folha em branco da máquina de escrever.
Isto ao menos vai-nos ser poupado. Melhor que nada.
No jornal estava escrito: algures, uma aldeia
Foi arrasada por um bombardeamento.
É lamentável, mas o que é que tens a ver com isso.
O sargento está a impedir o segundo assassinato
Apesar da filha do almirante lhe oferecer (pela primeira vez)
Os lábios, serviço é serviço.
Não sabes quantos morreram, o jornal desapareceu.
Ao lado, a tua mulher sonha com o seu primeiro amor.
Ontem tentou enforcar-se. Amanhã
Vai cortar os pulsos ou que sei eu ainda
Ao menos tem um objectivo em vista
Que atingirá de uma maneira ou de outra.
E o coração é um vasto cemitério.
A história de Fátima no Neuen Deutschland
Estava tão mal escrita que te fez rir.
A tortura é mais fácil de aprender que a descrição da tortura.
O assassino caiu na armadilha
O sargento aperta a recompensa nos seus braços.
Agora podes dormir. Amanhã será um novo dia.

Heiner Müller

O Anjo do Desespero

Eu sou o anjo do desespero. Com as minhas mãos distribuo o êxtase, o adormecimento, o esquecimento, gozo e dor dos corpos. A minha fala é o silêncio, o meu canto o grito. Na sombra das minhas asas mora o terror. A minha esperança é o último sopro. A minha esperança é a primeira batalha. Eu sou a faca com que o morto abre o caixão. Eu sou aquele que há-de ser. O meu voo é a revolta, o meu céu o abismo de amanhã.

Heiner Müller

De um dos meus poetas favoritos.

13.11.08

Nóvoa vs Gago? A opção é fácil.

"A estratégia da arrogância e do medo, do controlo e da ameaça, até poderá ter
sucesso a curto prazo, infelizmente, mas destruirá por muitos anos as forças vivas
que existem nas universidades."

António Nóvoa, reitor da Universidade de Lisboa, em mais um brilhante discurso, que pode ler na íntegra aqui. Aliás, aconselho vivamente aqueles que gostam de opinar sobre a Educação a leitura do discurso de António Nóvoa. Pode ser que aprendam qualquer coisinha não apenas de educação, mas também de política e de como se deve estar na vida pública.
E bem pode esbracejar o ministro com a tutela do Ensino Superior, porque a verdade é que o reitor descreve imaculadamente o ambiente que se vive não apenas nas universidades portuguesas, mas em todos os sectores da sociedade. Este é o modelo de governação socialista de Sócrates.

E como a querer provar as declarações de António Nóvoa, vem Mariano Gago acusá-lo de estar a mentir ou, pelo menos, de não estar a falar verdade. Como se alguém com o seu curriculum* precisasse de se defender das míseras acusações de um qualquer governante.
E as declarações são ainda mais graves quando Gago, até como colega de Nóvoa, - que é um dos mais eminentes e brilhantes especialistas em Educação deste país, professor da universidade [Columbia, Nova Iorque] onde o tal Manuel Sebastião e Obama estudaram, conforme quis fazer questão de lembrar Manuel Pinho, naquelas ridículas declarações -, sabe que as suas acusações não passam de infâmias.


* Nota biográfica de Nóvoa:
- Doutor em Ciências da Educação (Universidade de Genève);

- Doutor em História (Universidade de Paris IV– Sorbonne).
Tem-se dedicado a estudos de história da educação e de educação comparada. Professor da faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Lisboa leccionou também em importantes universidades estrangeiras, como Genève, Paris V, Wisconsin, Oxford e Columbia. É autor de mais de 150 títulos (livros e artigos), publicados em doze países.

Até António Costa está contra este modelo de avaliação. O que falta mais?

Depois de 120 mil professores, depois de toda a oposição, depois de Manuel Alegre e outros socialistas, agora é o próprio António Costa que põe em causa o modelo de avaliação dos professores que Sócrates quer impor.
Quanto tempo mais faltará para o governo recuar? Quanto tempo mais manter-se-á Maria de Lurdes Rodrigues no Ministério da Educação?

12.11.08

Regime reage, ou acções responsabilizam apenas os seus autores?

O Tino e o Paulo Barata, do blog Farpas da Madeira, "assumem-se" como vítimas de perseguição do "regime jardinista": um por alegadamente ter sido ameaçado de violência física, outro por ter sido processado.
Antes de mais, a minha solidariedade para com os dois.
Mas parecem-me situações distintas. O Paulo foi processado: ora, quando se diz o que se quer, arrisca-se a este tipo acção. Confiemos na justiça (sei que não está fácil) e o Paulo terá oportunidade para lutar por ela.

Quanto ao caso do Tino: rapaz, se foste ameaçado, processa o gajo que o fez e denuncia-o publicamente (eu já teria escarrapachado o seu nome por tudo quanto é lado).

Agora, não nos tentem vender a ideia de que as duas situações são reacções do "regime" à vossa actividade política (porque calculo que não sejam pretenciosos ao ponto de se julgarem vítimas inocentes). No máximo, podemos atribuir a ameaça que o Tino sofreu a um imbecil qualquer, que por infeliz coincidência do destino foi parar ao PSD.

Mas, já agora, e já que fizeram publicidade das "represálias", seria importante que também tornassem públicos os motivos que os seus autores julgam ter (ainda que no caso de ameaça física não haja desculpa possível, se o tipo estiver na vida pública - ou mesmo que não esteja).

Vá, mas porque eu sou um democrata e porque gosto pouco de "perseguições" por delito de opinião, a minha solidariedade está convosco! Se efectivamente o único "crime" que cometeram foi emitir a vossa opinião: porrada neles!

Perfect Sense!*

Victor Constâncio garante que fez tudo o que podia para regular eficazmente a banca ao mesmo tempo que garante que situações como a do BPN lou a do BCP não se repetirão? Com que então, agora é que vai ser?!
Estou confuso: se tudo esteve bem, como é que agora será melhor???


* Título de uma música de Roger Waters.

Divisionismo ou democracia?

Quando no PSD alguém discorda da liderança, é divisionismo e balcanização; já se líderes do PS criticarem o governo e a direcção de Sócrates, pois que é a democracia em acção!
Registei.

País de caciquismo???

Tenho ouvido dizer que os caciques socialistas andam a recrutar tudo o que mexe para as eleições do próximo ano, com a promessa de deliciososos banhos futuros de hidromel - garantindo que não haverá quantidade suficiente de titulares para tantos tachos em perspectiva.
Segundo o que parece, sempre que o magnânime líder se desloca ao país real, o eficaz sistema cacico-propagandístico (vá lá, compreendam que esta é a minha catarse sendo, portanto, legítima a criação de neologismos) mobiliza todos os militantes socialistas para aplaudirem, implorarem por beijinhos e disputarem uns rabiscos num papel que se pareçam vagamente com José Sócrates.

No melhor dos mundos, não há mal que dure!

Passando assim ao de leve os olhos na blogosfera socialista (atenção caros anónimos, que não falo da blogosfera madeirense, nem falo da blogosfera de oposição. Mas podem continuar com as ofensas, que são divertidas...), parece que não houve uma manifestação de 120 mil professores contra as políticas deste Ministério da Educação; parece que não houve qualquer crítica de históricos do PS à falta de "cultura democrática" do governo da República; parece que a ministra da Educação não anda meio de cabeça perdida; parece que o ministro das Finanças não diz uma coisa e faz outra; enfim...


No melhor dos mundos, no país do Magalhães (do Fernão, do PC e de milhares de outros) que é este cantinho chamado Portugal, governado pelo melhor dos governos - ai a porra da crise internacional que veio prejudicar a imagem do divino trabalho do magnânime líder -, o que importa é que o presidente da Autoridade da Concorrência estudou na mesma universidade que o presidente-eleito Obama (que nojo de declarações. Mas haverá algum neurónio dentro daquela cabeça?) e apenas foi nomeado pela sua competência técnica, que nada tem a ver com o facto de ser íntimo do ministro da Tutela.

7.11.08

Sem-vergonhice com rosto socialista

Estranho o silêncio do blogosfera socialista - sempre tão célere na defesa da dignidade e transparência da vida pública quando em causa estão atitudes de dirigentes de outros partidos - relativamente à sem-vergonhice que o governo quer para o porto de Lisboa, com a coincidência de um dos principais interessados ser a Mota-Engil, gerida por Jorge Coelho.
Então, está tudo normal? O processo é limpo, transparente?

Mas seria esperar muito, quando a verticalidade não é uma característica.

Inqualificável!

É esta a coerência do PS. É este o corajoso governo que a canalha quer reeleger!

Felgueiras afinal não é corrupta!

Como se , a palhaçada e a filha-da-putice não é exclusiva da Madeira.
Neste país, efectivamente a culpa morre sempre solteira!

MEDO.... !

Estamos perante factos! Mas este entendimento não é comum na sociedade madeirense.
Ao lermos hoje a imprensa regional, parece que tudo não passou de um equívoco, e que o palco deste espectáculo não foi a Assembelia Legislativa Regional da Madeira. A RTP-M, também negligenciou esta realidade fáctica. O "caso Madeira" teve mais tempo de antena no quadro nacional, quer na sua exposição, análise e comentário do que no seu espaço natural...
Como é possível, com a gravidade de toda esta situação, por um lado de desrespeito pelas regras e convivência democrática, branqueamento de ilegalidades e inconstitucionalidades, que os agentes sociais madeirenses, adoptem uma atitude de incumbentes?
Neste momento a blogosfera madeirense sobrepoem-se a qualquer veículo de informação regional, com credibilidade e seriedade na inferência dos factos (causas e efeitos). Mais um "promenor" que merece reflexão!

6.11.08

Basta!

Incrível como o PSD-M caiu na esparrela imbecil do PND!
Como também são incríveis as imagens de televisão em que ouvimos os gritos histéricos não apenas de Baltazar Aguiar e do Coelho, mas também de Jaime Ramos!

O que os meninos ricos se devem ter rido à custa da palhaçada criada pela medida completamente desproporcionada de impedir a entrada desse inominável Coelho na Assembleia Legislativa Regional (ALRAM). Para todos os efeitos e para mal dos pecados dos que votaram no PND, o tipo é deputado!
Sei bem que pode ser difícil ter de aturar com as piadinhas idiotas dos meninos mimados. Mas a maioria parlamentar (e o presidente da ALRAM), exactamente por ser maioria, tem a obrigação de garantir o mínimo de dignidade no funcionamento do órgão máximo da Autonomia madeirense. Para alinhar nas brincadeiras, existem outros locais: que vão todos beber uns copos e mandem umas piadas uns aos outros. Mas que se comportem com alguma dignidade na casa da Autonomia.
Porque esta, se ontem foi achincalhada pelo deputado do PND, hoje foi-o pelo PSD-M.

É tempo de pôr ordem na casa. E só não sou favorável a uma dissolução da Assembleia porque acho que a última coisa que a Madeira precisa é de mais instabilidade política.
Todavia, parece-me fundamental que o PSD reflicta bem acerca da sua actividade parlamentar e se quer perpetuar o circo que a Assembleia se tem vindo a transformar. E nem é preciso muito: basta não reagir às provocações. Porque o PSD não precisa, porque ao PSD exige-se mais, porque, em última análise, respostas deste género envergonham a Madeira, os madeirenses, os órgãos de governo regional e a própria Autonomia.

E aborrece-me ainda mais porque com estas atitudes o PSD-M vai dando razão aos seus opositores internos e externos. Como me irritou ver esse propagandista socialista que é o Augusto Santos Silva dar-se ares de gente séria e sair em "defesa" da dignificação da ALRAM!

Não: é tempo de dizer basta! E alguém tem de pôr ordem na casa. Não podem continuar estas atitudes disparatadas por parte dos deputados do PSD. Não pode todo um conjunto de deputados alinhar com este tipo de metodologia. Não posso crer e estou certo que houve alguém com bom-senso que se insurgiu contra a ideia absurda de impedir a entrada a um deputado na Assembleia. Lamento é que as vozes discordantes da liderança de Jaime Ramos, que permite e promove este tipo de palhaçada, não se façam ouvir com mais regularidade e soundbites. Porque começa a ser necessário. O PSD tem capital eleitoral suficiente para absorver algumas divisões internas, se necessário for. Porque a verdade é que existe "tralha" que não é necessária, que não faz falta e que apenas prejudica o PSD-M.
E lamento que não seja Jardim a encabeçar um movimento que acabe com o gang que tomou conta da actividade parlamentar do PSD-M! Lamento-o profundamente!

O nosso Primeiro orgão de governo próprio - a ALRAM!

Hoje assistimos a mais um episódio lamentável na Assembleia Legislativa Regional da Madeira, primeiro órgão de governo próprio da Região.
A questão de fundo centra-se no respeito e dignificação dos direitos da Oposição e protecção das minorias representadas no parlamento regional. É este o grande desígnio, e o propósito subjacente a estas "tristes figuras", protagonizadas pelo parlamentar do PND,José Manuel Coelho, e a maioria dos deputados do PSD.
Desde o inicio da IX Legislatura (2007) têm sido visíveis os esforços da Oposição, no exercício das suas competências, quer no âmbito da produção legislativa quer ao nível da insistente (tentativa) de fiscalização da acção do executivo. Os instrumentos disponíveis para a sua execução, são os chamados direitos potestativos, que funcionam como um garante da prática democrática das Oposições parlamentares, consagrados na Constituição da República Portuguesa (1976), no Estatuto Político-Administrativo (1999); e no próprio Regimento da Assembleia Legislativa Regional. É este o documento da discórdia. Nesta Legislatura, já é o terceiro projecto, objecto de revisões regimentais. Isto é, em menos de um ano e meio três alterações ao regimento. Com que objectivo?
Neste momento não existem razões que justifiquem este desenfreado investimento na alteração das regras do jogo parlamentar. As questões de governabilidade estão asseguradas (com as sucessivas maiorias absolutas do PSD); a proporcionalidade é o motivo?
Desde a génese do nosso sistema democrático e com a conquista da autonomia que os tempos de intervenção, quer no Período da ordem do Dia (PAOD), quer no Período da Ordem do Dia dos trabalhos plenários da ALRAM, no que respeita aos partidos da Oposição, têm sido sucessivamente reduzidos. Desde a apresentação da declaração política semanal, ao tratamento de assuntos relevantes; à apresentação de projectos de decreto legislativo, de resolução ou de alteração. O uso da palavra por parte dos parlamentares da Oposição é insistentemente quartado nas sucessivas alterações ao Regimento da Assembleia Legislativa Regional da Madeira (veja-se o Resolução nº1/93/M; Resolução nº1/2000/M; Resolução nº19-A/2005/M;Resolução nº17/2007/M).
No quadro das Comissões Especializadas a atribuição das presidências das comissões é quase exclusiva da bancada da maioria. A fiscalização do governo fica marcada pelos requerimentos, pelas tentativas de agendamento e pelo "esquecimento" de cumprimento dos prazos( por parte da Mesa da ALRAM) aquando da solicitação para a audição dos membros do executivo.
Como é possível com três décadas de democracia que a actividade parlamentar de qualquer assembleia legislativa esteja à mercê da discricionariedade e vontade da maioria parlamentar?
Em tese, as revisões regimentais, e em analogia à Assembleia da República foram realizadas com o intuito de inovar a organização e flexibilizar o seu funcionamento de modo a garantir uma maior expressão pública das diferentes forças políticas; no reforço dos meios de controle e participação das Oposições, clarificando as regras de cumprimento dos deveres do Governo para com os deputados, agilizando os seus procedimentos e reforçando os meios de acompanhamento da acção do poder executivo. Na ALRAM, o processo não passou de mais uma revisão, de mais alguns minutos retirados à Oposição para a vocalização e expressão das suas posições políticas e ideológicas, na tentativa de criar as condições necessárias à alternância no poder, que é em ultima instância o desígnio de qualquer força política que se encontra, num determinado momento, na Oposição.
Este momento protagonizado na ALRAM deveria levar-nos, como cidadãos, eleitores, portugueses e principalmente madeirenses, a reflectirmos, sobre o andamento e exercício do poder político na Região. Avaliar o sistema político regional tem sido um exercício constantemente adiado, mas acho que hoje foi "a gota de água" para todos, num consciente momento de cidadania darmos o nosso contributo!