12.1.09

Mais nascimentos? Ah, isso foi o Sócrates...


Parece que no ano passado nasceram mais bebés. Lá para o final da semana veremos José Sócrates a reclamar para si o mérito deste aumento da taxa de natalidade.

Retirada daqui.

Repita lá outra vez...

Ouvi Mário Lino afirmar que o TGV é indispensável para combater a crise. A crise de quem? Da Alemanha? Da Siemens? É que de Portugal não será com certeza, uma vez que não produz qualquer mais-valia e a nenhuma da tecnologia é portuguesa...

Ditosa Pátria, minha amada

São directos atrás de directos e mais um documentário e mais um prós e contras e mais minutos e minutos de informação

(perfeitamente dispensável)

na "N", na 1, na 2

(ainda bem que não há uma 3)

desde sexta-feira passada!

Parece-me que a RTP exagerou um ... bocadinho na cobertura e na importância dada à eleição do melhor jogador do mundo...

Mas tá certo... Este ano há eleições e o país precisa é de boas notícias.

Ah, e se a Mariza ganha um grammyzinho que seja!

Ou um prémiozito dado pelos nossos compinchas franceses...

Ou outra merda qualquer, sei lá, um cabaz de compras num sorteio promovido pela CNN, por exemplo!

Ah, Ai sim, o Futebol e Fátima elevarão o nome desta ditosa pátria, minha amada, aos altares da Glória, levando à boleia o primeiro sargento Sócrates y sus muchachos...

(que Nossa Senhora de Fátima o acompanhe!)

A RTP já arrancou em força...

(e vai ter de descalçar uma bota do caraças se o bom do Ronaldo fica em segundo ou terceiro...)

Post-Scriptum: Antes de ser acusado de anti-patriota, anti-madeirense, anti-social ou antidepressivo, digo e escrevo que gostava de ver o Ronaldo ganhar o bendito prémio, deixando-lhe também o pedido para que não o leve de carro para casa...

Giulia y los Tellarini

Mais uma banda que nuestros hermanos esconderam durante um porradão de tempo. Felizmente, um senhor de nome Woody Allen decidiu incluir esta Barcelona, de Giulia y los Tellarini no seu Vicky Cristina Barcelona...

A velha questão

A Sofia apareceu na blogosfera. À procura de respostas para uma velha questão?

Bons escritos, piquena...

Dave Matthews Band - The Space Between

Uma bela canção, de uma grande banda que começa, lentamente, a recuperar da morte de LeRoi Moore. Saxofonista brilhante, Moore, um dos fundadores da Dave Matthews Band morreu, em Agosto de 2008, na sequência de um acidente com uma mota todo-o-terreno. Já Dave Matthews passou metade do ano envolvido na campanha de Obama.

Após quatro anos longe dos estúdios de gravação, a DMB apresentará, em Abril deste ano, um novo álbum de originais. Esperemos que bem melhor do Stand Up, editado em 2005.

The Space Between como banda sonora para o tempo de espera

Tindersticks

É já a 13 de Fevereiro que os Tindersticks tocam em Lisboa. Os bilhetes já estão à venda. Disseram-me que a FNAC cá do sítio já os tem mas eu, honestamente, ainda não confirmei.

Ah ganda Baptista!

O Benfica contratou, em Janeiro, um reforço absolutamente extraordinário. Eu, que ando meio desligado das notícias da bola, só tive conhecimento da contratação ontem, quando vi um resumo do jogo que colocou frente a frente os amigos lampiões e o Braga. O senhor, de nome Paulo Baptista, fez uma exibição monumental. Que classe!

Qual Aimar, Cardozo, Bynia... Qual Rui Costa, qual Leonor Pinhão, qual carapuça! O Baptista é que é... Ele corre, ele finta, ele apita para todos os lados... O homem é uma potência... Vivó Baptista! Mais três ou quatro jogos assim é terá uma estátua igual à do Eusébio. E Já agora, que vivó Eusébio!

Com "jogadores" do calibre do Baptista os vermelhuscos poderiam até, quem sabe, ser campeões europeus. Pena é que o reforço só possa mostrar os seus dotes artísticos por cá, nos nossos belos e cada vez mais vazios campos da bola... Ah ganda Baptista! Agora Todos, em uníssono: Vivó Baptista! Viva!

7.1.09

Mão cheia de nada...

ou como José Sócrates consegue dar uma entrevista cujo conteúdo limita-se a um conjunto de metas com as quais todos estaremos de acordo. Como chegar lá? Isso não interessa. Este ano é ano de eleições, pá!

O outro lado também existe

Vale a pena ver, para nos apercebermos da crueldade que por estes dias grassa na Terra Santa.
Aviso, contudo, os meus amigos que me vão enviando estes links que também quero receber imagens das vítimas dos atentados terroristas do Hamas e outros movimentos islâmicos.
Como também gostaria de ver a esquerda europeia fazer concentrações e manifestar-se contra esses mesmos atentados. Porque vítimas existem dos dois lados. E é doloroso ver ver a vida extinguir-se nos olhos de qualquer criança: seja ela palestiniana, israelita, sudanesa, ruandesa ou de qualquer outra parte do mundo!

Manuela Ferreira Leite também se enganou!

Ministro das Finanças dixit, quando confrontado com as previsões de crescimento perfeitamente desajustadas apresentadas no Orçamento de Estado.
Assim se governa Portugal!

Janeiro

Já tinha saudades do dia ser claro e a noite escura. Sem luzinhas a afastar a dictomia. Agora, para consolo da minha pobre alma, esses tempos estão de volta. É bom viver em Janeiro!

6.1.09

Eu fui à Austrália

Adelaide, Alice Springs, Darwin. Um trio de cidades que povoa o meu universo mítico. Um ponto de partida. Um ponto de passagem. Um ponto de chegada. Ligados por trilhos cantados. O Outback como prova de fogo.

- Você também leu o Bruce Chatwin?

O Outback levou-me à Austrália. No Fórum Madeira. Com a Nicole Kidman e com um ex X-Men de nome Hugh Jackman (tipo que eu, francamente, conhecia muito mal).

Foi uma viagem demorada. Não se chega à Austrália assim, de uma hora à outra e sem algum sofrimento. O continente é duro. O filme também. Um épico romântico, imagine você imaginando também que épicos e românticos não são os meus filmes favoritos!

Viajei pela ilha durante quase três horas, guiado pelas câmaras do senhor Baz. Vi belas paisagens. E encontrei-me com uma fita que será, posso apostar, "oscarizada". As interpretações da sra. Kidnam e do sr. Jackman são boas, a "estória" é dicotómica e por isso fácil de entender e leva meia sala de cinema às lágrimas e tem algum humor à mistura e tem aventura, acção, drama, etc e tal, ou seja, quase tudo aquilo de que a Academia gosta.

Eu gostei das paisagens. Da forma como muitas delas foram filmadas. E da ideia de aproveitar a importância do canto na cultura aborígene. O resto do filme não é mau, a sério. Mas como os romances épicos não são o meu forte...

Roubei-o à Sónia

Sónia Andrade, com o seu estilo inconfundível oferece-nos hoje uma receita de cladeirada, feita com ternura, nesta pré-publicação em exclusivo do Diário de Odivelas do seu livro 'A olho'.



Ficaram no fundo do congelador para uma ocasião especial. Chegavam para três pessoas, fossem as ditas grelhadas ou estufadas, ou algo do género. Deixei-as em paz até àquele domingo.

Afinal tinha-se despachado mais cedo, conseguia chegar a Lisboa ainda esta noite. Soube bem sabê-lo a caminho, estava irritada, não me apetecia nada, nem coisa nenhuma. Apeteceu-me estar com ele. Desliguei o telefone e fui direitinha ao super-mercado. Para o jantar só me faltava um pimento e cebolas mas pus no cesto leite, queijo e fiambre, pão, umas bolachinhas e umas laranjas. Queria que houvesse na cozinha aquele essencial que podemos comer sem cozinhar ou esperar que a anfitriã acorde. Queria que ele se sentisse à vontade.

Apanhou-me de táxi, ajudou-me com os sacos e largou os dele. Estávamos de novo frente a frente. Tirando uns cabelos brancos, que não condizem com um ar de criança que se sempre lhe vi, estava igual, mais bonito até. Estava com ar de homem. Falámos com calma, sem pressas, sem discursos de saudades. Não nos víamos há cinco anos, (ou será seis?) mas falamos, ao longo dos anos, por telefone e pela Net. Foi assim que acompanhei os seus amores e desamores, o trabalho, os problemas, a vida. E ele a minha.

Não havia pressa mas havia que começar a fazer o jantar. Pu-lo a descascar batatas e a cortá-las em rodelas grossas. Admirei a naturalidade com que o fez. Depois tomei conta do balcão e dei-lhe uma garrafa de vinho branco para abrir. Não foi fácil. Chegámos até a pensar a enfiar a rolha para dentro mas ele foi persistente e lá se ouviu o clássico ploc!

Enquanto escutava a tranquilidade com que falava, fui tirando as entranhas às ditas. Depois dediquei-me a cortar cebolas às rodelas enquanto falou das lágrimas que verteu por causa da outra. Daquela que era a tal, à que virou as costas, apesar dos concelhos contrários que lhe dei naquela tarde, primeiro por telefone, depois pelo MSN. Lembro-me da bonita tarde de Primavera que estava. Sei que me deu razão, mesmo antes de tomar a decisão, mas não conseguiu fazer de maneira diferente. Cortei o pimento às fatias. Só nós é que podemos viver a nossa vida, não é? Enquanto falava do coração partido, esmaguei alhos. Falava sem dramatismo, sem culpa, apenas com objectividade, tal como fazem as pessoas crescidas. É importante conseguir ler a própria vida.

Pus o tacho ao lume com o azeite a aquecer. Olhei-o de alto a baixo, estava atraente, com um corpo delineado. Lembrei os dias em que desejei aquele corpo e o levei por caminhos desconhecidos. Houve uma altura em que aquele corpo não sabia bem como moldar-se a outro, por mais que quisesse. Dei-lhe o meu por fases, por toques, por movimentos ligeiros, ternos. Foi ternura, e não paixão, que levou o meu corpo de encontro ao dele, é a ternura que nos mantém juntos, apesar de separados por um avião.

Mudámos para o tema da fé. Enquanto ele falava sobre o caminho que segue, pus uma camada de cebolas e alhos no tacho, por cima uma camada de rodelas das batatas que cortou para nós, depois outra camada de lulas. Sim, decidira fazer-lhe uma caldeirada de lulas. É substancial e faz-se a si própria, permitindo espaço para a conversa, que é o que mais interessa. Caldeirada é às camadas e não mexer mais. Em lume brando.

Enquanto pus ao calhas cubos de tomate lá para dentro, falei-lhe da minha antiga fé e temperei tudo com o respeito e contenção que tenho para com todas as religiões. Sal grosso, pimenta, uma folha de louro, pimentão-doce e uma pitada de orégãos.

Voltei a repetir a ordem das camadas enquanto lhe expliquei que para mim a ordem do caos é só uma: o amor. O amor move montanhas, faz milagres, o amor é a única coisa que interessa. Como quem não quer a coisa, pus um raminho de coentros na panela e rectifiquei os temperos despreocupadamente.

Falámos do trabalho, da nossa parca arte. Das histórias que passam pela nossa voz, pela nossa escrita e pela criatividade de que não abdicamos. Das pessoas, as que conhecemos e as que trabalham connosco. Perdida na conversa esqueci-me de pôr a mesa. Desliguei o lume e dei um tempinho para apurar.

Enquanto falava do equilíbrio que tem hoje a comer, servi a caldeirada e fui buscar o pão que me esquecera na bancada. Jantamos com o tema da alimentação equilibrada à mesa. Quando pediu para repetir, aí, fiquei orgulhosa. Acendi um cigarro enquanto o vi comer o segundo prato com deleite. Fiz café. Para a sobremesa ficaram mais histórias, mais memórias.

Almocei caldeirada dois dias depois. Estava picante de jindungo de malaguetas indianas que fiz há tempos. Claro que estava boa. Foi temperada com amizade e ternura. Sem mexer.


Sónia Andrade

Nota: Obrigado pela nossa amizade

3.1.09

Pergunta

Acreditas?

DSC03032

Porquê?

Por nada...

(fotografia tirada esta manhã).

A comédia do ano (e hoje ainda são três de Janeiro)

O melhor programa de televisão do ano está a passar agora na RTP-1. Se acham que é exagero "bros", liguem urgentemente a televisão  e preparem-se para assistir a uma coisa deliciosamente inenarrável de nome Hip-Hop Pobreza Stop.

Um festival de novos talentos na área do Hip-Hop, "Frends" - assim mesmo, mas com sotaque do Porto -, que consegue a proeza de não mostrar nenhum (novo talento).

As 12 bandas seleccionadas para a suposta final têm uma "cena" em comum: deviam dedicar-se a outra merda qualquer que não a música, "Yo".

Deixo uma sugestão aos "manos" a concurso:

- "ide" assaltar bombas de gasolina. Terão mais hipóteses de sobreviver. Mesmo com a GNR, a PSP e a Manuela Moura Guedes à perna! Valeu, "bros"? 

À sonata desafinada dos "manos" juntaram-se um padre com a língua sempre de fora e de boné "graffitado" com a inscrição "Padre Mário" - esqueceram-se do "Yo" - e a Catarina Furtado, tão desenquadrada como um pinguim em Copacabana. E foi a receita para o desastre mais divertido dos últimos tempos. É caso para dizer que nunca a assinatura saia da rotina, entre na RTP, fez tanto sentido!

A comédia repete no dia 11 de Janeiro, às 21:15, na RTP-i. Imperdível.

Elogio à loucura, ou como um bando de loucos alimenta o vício de meia dúzia de chico-espertos!

Cada vez mais me convenço que vivemos num país de loucos. De perfeitos desequilibrados, conduzido por uma chusma de bandidos.
Esta semana apareceu um certo secretário de Estado de Educação a ameaçar os professores: ou desconvocam a greve, ou deixamos cair algumas propostas por nós apresentadas. Para quem quer fechar os olhos parece não ser nada de muito grave. Mas, se quisermos ver as coisas como elas são, as ameaças de Jorge Pedreira apenas demonstram um governo que governa discricionariamente. Porque ou as medidas são justas e adequadas e por isso não podem servir de arma de arremesso, ou não são e o governo nunca deveria tê-las proposto.
Mas a loucura continua. O Ministério da Educação (ME) insiste em manter a divisão da carreira docente. Uns tontos que por aí andam disponíveis para aplaudir qualquer idiotice que venha deste (des)governo, batem palminhas (de educação percebem tanto como eu de astrofísica). Mas o efeito concreto é que se passa a falar de docentes com a categoria de "Titulares" e outros com a categoria de "Professores". Já viram bem, docentes com a categoria de "Professores"?!!! Não será esta uma perversão absoluta da realidade? Não será isto um reinventar da profissão? Não serão, afinal, todos os docentes professores???
Não se pense que a loucura é prerrogativa das luminárias do ME. Um senhor da ACIP (Associação de Comércio e Indústria da Panificação) veio defender aumentos de 5% para o pão. Pois que os empresários do sector dizem que nem este, nem qualquer aumento é necessário, porque se algumas matérias-primas aumentaram, outras desceram. Ora, o que pretendia afinal este senhor? Será ele um homem honesto? Quem representa ele? "Baterá bem da tola"?
Loucura por loucura, lá vem o Ministério da Saúde chamar a si os méritos de uma alegada quebra do número de fumadores. Para além de ter as maiores dúvidas sobre esta baixa, vejo cada vez mais fumadores envergonhados. É verdade, eu conheço duas senhoras, socialistas por sinal, já avós, que fumam nas casas de banho e escondidas. Será este um sinal de sanidade?
E por falar em saúde, o que dizer daquela patética conferência de imprensa em que a ministra da Saúde informava os portugueses o que fazer em caso de sentirem alguns sintomas da gripe? Ora, minha senhora, eu não quero uma ministra que me diga que eu devo telefonar para um número verde. Eu quero uma ministra que garanta que eu e a minha família seremos atendidos com qualidade e em tempo útil, caso eu tenha que ir ao hospital.
Por outro lado, há dois meses atrás o ministro das Finanças garantia a robustez da economia portuguesa. Pois que passados alguns dias, estava a ser nacionalizado um banco e todos os restantes correm à procura das garantias do governo, sem depois beneficiarem a economia com as mordomias oferecidas pelo Estado. Os tais bancos que tiveram lucros fantásticos no ano passado, beneficiando gestores e accionistas. E o tal Estado que acusavam de ser demasiado interventivo.
Já que falamos em bancos, digam lá se o governador Banco de Portugal não parece um autêntico louco: então há corrupção por todo o lado na banca portuguesa, a entidade reguladora não faz nada, ele diz que tem todos os meios necessários e depois ainda garante que fez um bom trabalho?! E a maioria socialista concorda?!
Depois é o primeiro-ministro que reclama os louros da baixa da taxa de juro ao crédito habitação, quando passou meses a garantir não ter qualquer meio para influenciar o mercado. E perante mentiras deste calibre e outras idiotices similares, está o Presidente da República preocupado com o Estatuto dos Açores e o facto de ter de ouvir os órgãos de poder local antes de dissolver a Assembleia Legislativa Regional? Para loucura, não está mal!
E na Madeira, a loucura atinge patamares impensáveis: querem construir um teleférico para o Rabaçal, em nome de uma suposta valorização do património natural; um deputado desfralda uma bandeira nazi no Parlamento, a maioria suspende-o ilegalmente (cada vez mais se parece com um circo); esse mesmo deputado oferece 30,00€ aos idosos, obrigando-os a passar pela humilhação pública de terem de estender as mãos (não percebo porque é que os amiguinhos Canha, Welsh, Aguiar não distribuem as suas fortunas pessoais) e o Partido Socialista aplaude?! E isto é normal?!
E falando no PS-Madeira, então a rapaziada representa cerca de 16% dos eleitores madeirenses, andam a levar abadas eleitorais há 30 ano e de repente, para quem lê o que eles escrevem, parece que o PSD-Madeira é que tem razões para andar com preocupações eleitorais? Mas serão aqueles senhores bons da tola?
E o que dizer dos analistas e economistas que andam a gritar: “cuidado com a deflação” e, no início do ano, deparamo-nos com aumentos sucessivos bem superiores à taxa de inflação prevista? E a corrupção, que parece não existir em Portugal?
Enfim, ou eu é que estou louco e devo ter de ser internado, ou este bocado que terra em que vivemos não passa de um manicómio. Com dois ou três chico-espertos a se lambuzarem com as drogas que para cá mandam!

24.12.08

Feliz Natal!

Serve o presente post apenas para desejar um Feliz Natal a todos os leitores deste V/ blogger.
E deixo-vos com dois textos que sugerem a reflexão: um de Ary dos Santos que parece-me claro. O outro é um belíssimo excerto retirado do Evangelho de São Lucas, em que Zacarias fala ao filho, São João Baptista - aquele que precedeu Jesus. O motivo pelo qual deixo este texto prende-se com o facto de me parecer fundamental que os cristão reflictam sobre essa sua condição e o que deve significar o Natal. Uma mensagem que nos exorta a pedir conforto e esperança e o respeito por quem nos precede.

Tu que dormes a noite na calçada de relento
Numa cama de chuva com lençóis feitos de vento
Tu que tens o Natal da solidão, do sofrimento
És meu irmão amigo
És meu irmão

E tu que dormes só no pesadelo do ciúme
Numa cama de raiva com lençóis feitos de lume
E sofres o Natal da solidão sem um queixume
És meu irmão amigo
És meu irmão
Natal é em Dezembro

Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um homem quiser
Natal é quando nasce uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher

Tu que inventas ternura e brinquedos para dar
Tu que inventas bonecas e comboios de luar
E mentes ao teu filho por não os poderes comprar
És meu irmão amigo
És meu irmão
E tu que vês na montra a tua fome que eu não sei

Fatias de tristeza em cada alegre bolo-rei
Pões um sabor amargo em cada doce que eu comprei
És meu irmão amigo
És meu irmão

Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um homem quiser
Natal é quando nasce uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher

José Carlos Ary dos Santos


Zacarias, seu pai, ficou cheio do Espírito Santo e profetizou, nestes termos: Bendito seja o Senhor, Deus de Israel, porque visitou e resgatou o seu povo, e suscitou-nos um poderoso Salvador, na casa de David, seu servo (como havia anunciado, desde os primeiros tempos, mediante os seus santos profetas), para nos livrar dos nossos inimigos e das mãos de todos os que nos odeiam. Assim exerce a sua misericórdia com nossos pais, e se recorda de sua Santa Aliança, segundo o juramento que fez a nosso pai Abraão: de nos conceder que, sem temor, libertados de mãos inimigas, possamos servi-Lo em santidade e justiça, em Sua presença, todos os dias da nossa vida. E tu, menino, serás chamado profeta do Altíssimo, porque precederás o Senhor e lhe prepararás o caminho, para dar ao seu povo conhecer a salvação, pelo perdão dos pecados. Graças à ternura e misericórdia de nosso Deus, que nos vai trazer do Alto a visita do Sol nascente, que há-de iluminar os que jazem nas trevas e na sombra da morte e dirigir os nossos passos no caminho da paz.
O menino foi crescendo e fortificava-se em espírito, e viveu nos desertos até o dia em que se apresentou diante de Israel.

Evangelho de S. Lucas

Feliz Natal!

PS - O "pai" Natal está um bocado verde. Quem o "pintou", fê-lo assim! Não o queiram nas vossas casas.

Pouca-vergonha do PND

Ao que parece, anda tudo embevecido (vejam os blogs madeirenses, de esquerda e de direita) com aquela ultrajante manifestação de desprezo pelas necessidades das pessoas levada avante pelo PND. Eles montaram o circo e parece que ainda ninguém se apercebeu da indecência inominável que foi aquela acção. Lembra-me um episódio ocorrido aqui há uns anos no Karaoke do Hotel do Mar, em que Rui Alves despejou um monte de notas de 500 escudos e era ver como as pessoas batalhavam por umas míseras patacas. Também este foi um espectáculo decadente, em que o PND usou as necessidades das pessoas para fazer política rasteira. Mais baixo, mais reles, mais vil, não podia ser. E estranho que por uma demagogia política brejeira e desprezível, ninguém o denuncie. Mais, ainda tecem-lhes encómios. E os princípios, meus amigos? Cadê os princípios?
Mas, pelos vistos, devo ser apenas eu que sou uma ave rara. Porque mais ninguém parece se aperceber desta miserável pouca-vergonha!

23.12.08

Movimentos anti-eclesiásticos ou os novos mata-frades! Um mau serviço à Humanidade.

O padre Federico Lombardi colocou a questão de forma clara: a Igreja opõe-se a qualquer tipo de discriminação relativamente aos homossexuais. São, portanto, falsas as notícias que correram mundo e que davam conta de uma alegada oposição da Igreja à descriminalização da homossexualidade - que, infelizmente, ainda permanece em 192 países que integram a ONU -, proposta pela França no seio das Nações Unidas.
E também não é verdade que a oposição do Vaticano ao texto apresentado pela França se deva à diferenciação que é feita entre orientação sexual e prática sexual (que também existe).

O oposição da Igreja deve-se ao facto da proposta francesa não pretender apenas a descriminalização: pretendia impor um código de conduta a todas as organizações sociais e religiosas relativamente à homossexualidade, obrigando-as a aceitar, em igualdade de circunstâncias, todas as orientações sexuais. Ora, na prática, a proposta francesa elevava a atentado contra os direitos do Homem qualquer norma ética emitida por uma qualquer organização que "ousasse" diferenciar as várias orientações sexuais. Isto obrigaria todos os estados a liberalizarem o casamento entre pessoas dos mesmo sexo, obrigando, igualmente, a Igreja a emitir o sacramento do casamento para relações homossexuais, sob pena de poderem ser alvo de processos por crimes contra a Humanidade.

E se esta norma seria ilegítima e uma manifesta intromissão nos sistemas axiológicos de todos os países que integram a ONU, seria ainda mais gravosa para a Igreja e outras organizações religiosas, uma vez que as impediria de exercer o direito legítimo de emitirem normas morais relativamente aos Costumes.

Ou seja, a França, que encabeçou - em bem! - a separação entre Estado e Religião, uma vez mais tenta encabeçar um movimento avant garde que, desta feita, visa a subordinação da Religião ao Estado Laico. Já não quer a separação de poderes: quer a subordinação de um relativamente a outro!

Esteve bem, portanto, o Vaticano quando se opôs (e expôs) ao texto apresentado pela França. Esteve mal a França que, com o absurdo daquele texto, adiou sine die a descriminalização da homossexualidade, prestando um mau serviço aos homossexuais e à própria Humanidade uma vez que conseguiu extremar ainda mais as posições daqueles 192 países onde os homossexuais ainda são perseguidos, processados e condenados pela sua orientação sexual.

22.12.08

"The Blowers Daughter", by Damien Rice




And so it is
Just like you said it would be
Life goes easy on me
Most of the time
And so it is
The shorter story
No love, no glory
No hero in her sky
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes...

And so it is
Just like you said it should be
We'll both forget the breeze
Most of the time
And so it is
The colder water
The blower's daughter
The pupil in denial
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes...

Did I say that I loathe you?
Did I say that I want to
Leave it all behind?
I can't take my mind off of you
I can't take my mind off you
I can't take my mind off of you
I can't take my mind off you
I can't take my mind off you
I can't take my mind...My mind...my mind...'
Til I find somebody new!

Outono

Fotos tiradas no fim-de-semana passado.

Madeira 0712

Madeira 078 Madeira 173

Madeira 169 árvores 11

19.12.08

Brief encounter

E já que hoje estou para o nostálgico, aqui fica uma pérola dos anos 80.



I. Brief Encounter

A spider wanders aimlessly within the warmth of a shadow
Not the regal creature of border caves
But the poor, misguided, directionless familiar
Of some obscure Scottish poet
The mist crawls from the canal
Like some primordial phantom of romance
To curl, under a cascade of neon pollen
While I sit tied to the phone like an expectant father
Your carnation will rot in a vase.

II. Lost Weekend

A train sleeps in a siding
The driver guzzles another can of lager
To wash away the memories of a Friday night down at the club
She was a wallflower at sixteen
She'll be a wallflower at thirty four

Her mother called her beautiful
Her daddy said, "A whore".

III. Blue Angel

The sky was Bible black in Lyon
When I met the Magdalene
She was paralysed in a streetlight
She refused to give her name
And a ring of violet bruises
They were pinned upon her arm.
Two hundred francs for sanctuary and she led me by the hand
To a room of dancing shadows where all the heartache disappears
And from glowing tongues of candles
I heard her whisper in my ear "'J'entend ton coeur"
I can hear your heart

IV. Misplaced Rendezvous

It's getting late, for scribbling and scratching on the paper
Something's gonna give under this pressure
And the cracks are already beginning to show
It's too late The weekend career girl never boarded the plane
They said this could never happen again
So wrong, so wrong
This time it seems to be another misplaced rendezvous
This time, it's looking like another misplaced rendezvous
With you The parallel of you, you

V. Windswept Thumb

On the outskirts of nowhere
On the ring road to somewhere
On the verge of indecision
I'll always take the roundabout way
Waiting on the rain
For I was born with a habit, from a sign
The habit of a windswept thumb
And the sign of the rain It's started raining


Marillion

Desert Rose



I dream of rain
I dream of gardens in the desert sand
I wake in vain
I dream of love as time runs through my hand
I dream of fire
Those dreams that tie two hearts that will never die
And near the flames
The shadows play in the shape of the mans desire

This desert rose
Whose shadow bears the secret promise
This desert flower
No sweet perfume that would torture you more than this
And now she turns
This way she moves in the logic of all my dreams
This fire burns
I realize that nothings as it seems
I dream of rain
I dream of gardens in the desert sand
I wake in vain
I dream of love as time runs through my hand
I dream of rain
I lift my gaze to empty skies above
I close my eyes
The rare perfume is the sweet intoxication of love
I dream of rain
I dream of gardens in the desert sand
I wake in vain
I dream of love as time runs through my hand
Sweet desert rose
Whose shadow bears the secret promise
This desert flower
No sweet perfume that would torture you more than this
Sweet desert rose
This memory of hidden hearts and souls
This desert flower
This rare perfurme is the sweet intoxication of love


Sting com Cheb Mami

Quasi

Um pouco mais de sol — eu era brasa,

Um pouco mais de azul — eu era além.

Para atingir, faltou-me um golpe d'asa…

Se ao menos eu permanecesse aquém…

Assombro ou paz? Em vão… Tudo esvaído

Num baixo mar enganador d'espuma;

E o grande sonho despertado em bruma,

O grande sonho — ó dor! — quasi vivido…

Quasi o amor, quasi o triunfo e a chama,

Quasi o princípio e o fim — quasi a expansão…

Mas na minh'alma tudo se derrama…

Entanto nada foi só ilusão!

De tudo houve um começo… e tudo errou…

— Ai a dor de ser-quasi, dor sem fim… —

Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,

Asa que se elançou mas não voou…

Momentos d'alma que desbaratei…

Templos aonde nunca pus um altar…

Rios que perdi sem os levar ao mar…

Ânsias que foram mas que não fixei…

Se me vagueio, encontro só indícios…

Ogivas para o sol — vejo-as cerradas;

E mãos d'herói, sem fé, acobardadas,

Puseram grades sobre os precipícios…

Num ímpeto difuso de quebranto,

Tudo encetei e nada possuí…

Hoje, de mim, só resta o desencanto

Das coisas que beijei mas não vivi…

Mário de Sá Carneiro

PS: Este poderá ser o retrato da minha geração. É um velho retrato, recuperado de uma espécie de báu qualquer, mas curiosamente, as faces que mostram são as nossas. A minha e as de tantos outros que como eu, habitam estes tempos de desencanto. Se calhar falta-nos um golpe d'asa. Sem ele, quasi mudamos, quasi crescemos, quasi os tiramos do caminho.

PS 2: pode ser que no final do próximo ano me apeteça postar outra merda qualquer...

16.12.08

Memórias que não se apagam

Ao que parece, a equipa que está a realizar e a produzir o filme "As memórias que não se apagam" ainda não conseguiu financiamento para terminar o filme. Mas pelo que nos é dado a conhecer, o projecto continua a apostar na qualidade musical, conforme se comprova.
Desejo toda a sorte do mundo à equipa e deixo o meu apelo a quem puder ajudá-los a concluir este projecto, que me parece de qualidade.


Hipocrisia vs defesa de princípios absolutos


Aqui há uns dias dei comigo a pensar sobre o holocausto e sobre o que representou esse período mais negro da humanidade.

A filosofia e mais concretamente a Ética já nos mostrou que aquele horror só foi possível porque o positivismo - e a crença absoluta e acrítica de que as ciências naturais nos libertariam -objectivaram o que jamais deveria ter sido objectivado: o homem.

Essa objectivação despiu o homem da sua humanidade e transformou-o num objecto como outro qualquer. A maior evidência encontra-se nos campos de concentração nazis. Ali, criou-se a indústria da morte; o extermínio de um povo foi reduzido a uma mera actividade económica. Só assim se compreende como é que os "funcionários" dos campos de concentração poderiam regressar às suas casas, no fim de mais um dia de trabalho, para brincarem alegremente com os seus filhos, ou jantarem calmamente com a família. Apenas compreenderemos aqueles homens, aqueles soldados, aqueles oficiais, se observarmos que eles acreditavam trabalhar num matadouro/fábrica, não de pessoas humanas, mas de meros objectos.

Em suma, parece-me claro que o holocausto apenas foi possível porque relativizaram-se os princípios valorativos a tal ponto que se perdeu a dimensão ética do homem (o judeu não era um homem, enquanto entidade plena de sentido).

Por isso, tenho sempre alguma reserva em aceitar a relativização de valores que considere importantes. É, também, por essa razão que percebo a dificuldade e a renitência da Igreja relativamente a algumas evoluções ditas progressistas. Porque torna-se difícil fundamentar um princípio que não seja absoluto e existem alguns que não admitem dimensões poliédricas.

Claro que, como qualquer homem, por vezes encontro-me em situações ambíguas: por vezes, defendo valores morais absolutos mas quando confrontado com realidades humanas diversas, sinto-me tentado a abrir excepções. Também eu sou hipócrita (como não sê-lo, quando colocados perante situações concretas em que o valor absoluto "viola" a dignidade de uma pessoa humana?), porque por vezes sinto e ajo contra valores em que acredito. Tento, contudo, fazer uma escala valorativa que me permita estar em paz com a minha consciência. E tento respeitar essa escala (que naturalmente, pode sofrer evoluções ou inflexões). Para que quando confrontado com acusações de radicalismo e intolerância possa, em boa verdade, defender aquilo em que acredito de forma intransigente, ainda que sabendo que apesar de acreditar em valores solutus ab omni re (que é como quem diz, que valem por si mesmos), não sou dono da verdade absoluta.

Mas reconheço que esta é apenas uma forma airosa de esconder a minha hipocrisia. E sei-o quando admiro a coragem dos que ousam manter-se fiéis ao princípio, independente dos prejuízos que daí possam, para si, resultar.

15.12.08

O Natal....

Devo confessar, que a epóca natalícia não me entusiasma muito... Ainda assim, ontem fui ao circo, ao Coliseu dos Recreios. A par de muitos elementos, o circo, faz parte da litúrgia natalícia, enriquecendo toda a sua tradição. Gostei de voltar ao circo.... Fez-me lembrar os tempos em que, com os meus pais e irmãos, íamos (à cidade) ao campo Almirante Reis, ver o espectáculo circence. A nostalgia tomou conta de mim... e de repente dei comigo a pensar numa infância distante, onde a família ainda se reunia no Natal e se cumpriam os rituais, desde a ida (à cidade) "ver as luzes"; a comparência às missas do parto e à missa do galo; a reunião familiar no dia 25 e a abertura das prendas; o provar dos doces e os licores da "festa"; o saborear da canja de galinha de casa acompanhada com o pão de batata.......
Com esta ida ao circo, de repente, o Natal ganhou outro significado, não porquê e em quê, mas certamente este Natal será diferente!
Boas Festas!

13.12.08

Mais de El Hijo

Mais de El Hijo.

O vídeo Conmigo a Tu Vera, realizado por Nacho Piedra.



Somos casi invisibles
Al caer la tarde
Somos los enmascarados
Sólo dos entre un millón
Así es, Reina Margot
Si te ríes es mejor
Que tu risa sea buen viento
hasta el final.

Tú y yo nos encaminamos
A salir de esto
Ya quedan atrás los muros
De la vieja catedral
Cuando vaya a ser lo último
Y se apague la ciudad
Que tus ojos sean mi puesto en el
timón.

Ven si quieres para mirar allá
A todo lo que dejarás
Aún se pueden ver
Torres de cristal
De la fortaleza

Ahora que zarpamos hacia alta mar
Tomemos ron para recordar
Sin miedo a la sal
Que querrá pegarse
A nuestros cuerpos.

Escucha eso que empieza a sonar
Será ruidoso hacia el final
Es una canción
Que canta la nave
En su extraña lengua.

De los que navegan dice el cantar
El tiempo es puñado de sal
Desvanécete
En el camarín
Conmigo a tu vera.

El Hijo

Depois de Migala, El Hijo. Abel Hernandez. Entrem no link abaixo, onde se prova que ainda existem segredos muito bem guardados.

http://www.myspace.com/elhijo

Este foi descoberto graças à WOAB. http://umblogquesejaseu.blogspot.com/

Se me permitem uma sugestão, comecem a audição por Los Reys que Traigo. É genial.

Eis a letra:

Dame algo
Del ruido secreto
Que sale de tu cuarto
Comparte
Un poco de aquello
Con mi corazón.
Alquílame tu bungalo(ve)
Hay veces que estás y otras no

Los reyes que traigo
Vienen igual que ayer
Toda la noche vagando
De día no andan bien.

Me cuentan
Que te volviste atrás
A las puertas de tu Shangri-La
Y que las luces
Que trajiste de allá
Se disfrazan de dragón.
Invítame a
Tu nº 2
Hay veces que estás y otras no.
Los reyes que traigo
Vienen igual que ayer
Toda la noche vagando
De día no andan bien.
Los reyes que traigo
Vienen igual que ayer
Toda la noche te miran
De día no pueden ver.

Si me tiras
Las llaves del castillo
He venido a quedarme aquí
Los guardias
En sus caballos
Me buscan por el parque
Helado.

12.12.08

Alentejo

Há dias em que nada mexe. Nem uma brisa afaga as faces mal barbeadas dos homens e os rostos tristes das mulheres. Nesses dias, o calor ganha formas sobre o alcatrão. E então é possível tocá-lo.
Nesses dias os homens desaparecem devagar na paisagem seca. Caminham lentamente, ofegando. Sentem a morte rondá-los. E por isso dão gritos loucos que assustam os pássaros. A terra quer-os quer bem assados!
Sentam-se devagar sob a sombra. Olham-se solenemente. Suam como porcos.
São os dias do tédio. As mulheres escondem-se dentro dos casebres. Unem delirantemente os fios de transpiração que os homens deixam quando regressam. Com eles tecem uma teia de ódio. Se pudessem, desencadeariam uma orgia. E lamberiam com prazer as últimas gotas de sangue dos homens degolados. Mas preferem ajoelhar-se e rezar o terço, com os olhos semicerrados e as mãos fechadas sobre as contas.

Nas noites desses dias, as mulheres encolhem-se na cama, fugindo das mãos ébrias que lhes afastam as camisas de dormir. Do hálito de vinho que as corrói. Nas noites desses dias, as mulheres escondem uma faca debaixo do travesseiro.

Lisboa não é a cidade perfeita

' Inda bem que o tempo passou
e o amor que acabou não saiu.

' Inda bem que há um fado qualquer
que diz tudo o que a vida não diz.
Ainda bem que Lisboa não é
a cidade perfeita p'ra nós.

Ainda bem que há um beco qualquer
que dá eco a quem nunca tem voz.

‘Inda agora vi a louca sozinha a cantar,
do alto daquela janela.
Há noites em que a saudade me deixa a pensar:
Um dia juntar-me a ela.
Um dia cantar…
como ela.

‘Inda bem que eu nunca fui capaz
de encontrar a viela a seguir.
‘Inda bem que o Tejo é lilás
e os peixes não param de rir.
Ainda bem que o teu corpo não quer
embarcar na tormenta do réu.
Ainda bem se o destino quiser
esta trágica historia, sou eu.
‘Inda agora vi a louca sozinha a cantar,
do alto daquela janela.
Há noites em que a saudade me deixa a pensar:
Um dia juntar-me a ela.
Um dia cantar…
como ela.

Deolinda

É imperfeita´mas por isso é a ela que às vezes me apetece voltar.

Esta banda sonora ajuda. E de que maneira.


Ronaldo global

Com mais de 1 milhão de visualizações. A ver através do Expresso.pt.

http://aeiou.expresso.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/475900

11.12.08

Há viagens que só se fazem uma vez na vida.
Não estou de partida. Apenas vou iniciar o começo de nada.

Há dias tristes. Dias felizes…
Os que mais custam passar são os cinzentos.

10.12.08

Nem Tudo é Dinheiro

Liguei o computador já passava meia-noite (0h03) do dia de ontem.

Fi-lo, por causa de uma entrevista que acabei de ver na SIC-Notícias a Luís Nobre Guedes. Não tenho a menor dúvida que será presidente do CDS. Gostei da serenidade com que respondeu às questões. Da forma, do conteúdo. Acima de tudo, da visão que tem do que deve ser a política e de como os políticos devem agir. Resume-se a duas palavras: VERDADE e AUTENTICIDADE.

Infelizmente, assisti na mesma televisão, minutos antes, a um debate sobre o Orçamento da Madeira para 2009.

Os registos que tenho dessa conversa são de intervenções musculadas, de políticos que ainda não perceberam que o Mundo está a mudar….a política já mudou.

Obama é o paradigma da viragem. O resto explica a crise: - começou pela perda dos valores, da entidade, da cultura, da forma de viver em sociedade, por muitas sociedades….até atingir o “alma” do mundo.

Errou quem considerou, o dinheiro, o motor do Mundo.

A crise não é económica. A crise é humana.

Hoje, estive com crianças institucionalizadas no Abrigo de Nossa Senhora da Conceição. Fui em trabalho. Não levei prendas, mas trouxe alegria.

Boa noite.

5.12.08

Beggin

Até a mim, que não sou muito dado a pezinhos de dança, todo o corpo balança-se-me ao ouvir este som. Gosto!



Se quiser, veja e oiça mais aqui.

3.12.08

Herberto

No sorriso louco das mães batem as leves

gotas de chuva. Nas amadas

caras loucas batem e batem

os dedos amarelos das candeias.

Que balouçam. Que são puras.

Gotas e candeias puras. E as mães

aproximam-se soprando os dedos frios.

Seu corpo move-se

pelo meio dos ossos filiais, pelos tendões

e orgãos mergulhados,

e as calmas mães intrínsecas sentam-se

nas cabeças filiais.

Sentam-se, e estão ali num silêncio demorado e apressado,

vendo tudo,

e queimando as imagens, alimentando as imagens,

enquanto o amor é cada vez mais forte.

E bate-lhes nas caras, o amor leve.

O amor feroz.

E as mães são cada vez mais belas.

Pensam os filhos que elas levitam.

Flores violentas batem nas suas pálpebras.

Elas respiram ao alto e em baixo.

São silenciosas.

E a sua cara está no meio das gotas particulares

da chuva,

em volta das candeias. No contínuo

escorrer dos filhos.

As mães são as mais altas coisas

que os filhos criam, porque se colocam

na combustão dos filhos. Porque

os filhos são como invasores dentes-de-leão

no terreno das mães.

E as mães são poços de petróleo nas palavras dos filhos,

e atiram-se, através deles, como jactos

para fora da terra.

E os filhos mergulham em escafandros no interior

de muitas águas,

e trazem as mães como polvos embrulhados nas mãos

e na agudez de toda a sua vida.

E o filho senta-se com a sua mãe à cabeceira da mesa,

e através dele a mãe mexe aqui e ali,

nas chávenas e nos garfos.

E através da mãe o filho pensa

que nenhuma morte é possível e as águas

estão ligadas entre si

por meio da mão dele que toca a cara louca

da mãe que toca a mão pressentida do filho.

E por dentro do amor, até somente ser possível amar tudo,

e ser possível tudo ser reencontrado

por dentro do amor.

Herberto Helder

Enviado por e-mail. Gostei do presente, a sério.

2.12.08

A flor do ódio

As novelas são coisas estúpidas.
Já me tinham dito isto.
Não me recordo quem.
O tema surge na sequência da novela que estão a rodar na ilha.
Vi dois episódios. Gostei das paisagens, não gostei do enredo.
Especialmente, da intriga. Confesso que me arrepiou assistir ao ódio que vomitam do ecrã para fora. Felizmente sei as linhas gerais da construção de um argumento, mas deixa-me triste, o resultado final. Sobretudo, porque existem muitas famílias, mulheres, que seguem religiosamente cada episódio.

Há sociólogos que defendem que o ser humano é influenciado pelo contexto social onde vive. Com base neste pressuposto, acredito que muitas mulheres destroem uma vida familiar agradável, pela influência das novelas.

Inconscientemente, revelam comportamentos adquiridos, num momento de tensão em casa.

Acabem com as novelas. Já!

30.11.08

Memória do Festival

Ver cinema para mim, é alimentar a magia.

O cinema surgiu na minha vida, em simultâneo, com as grandes paixões. Os dois sentimentos - a paixão e o cinema - cresceram juntos. As desilusões também, acompanhadas de emoções cada vez mais fortes.

Isto é cinema! O resto é pipocas.

Imaginem uma mulher jovem, mas gorda. Bonita, mas cuja beleza é difícil de ver após os primeiros 10 contactos. Talvez sejam necessários anos. Ela está desesperada, para deixar de ser virgem. Esta cena aconteceu à chuva. O cenário é idílico. Género, aldeia com casas isoladas e uma floresta exuberante à volta……..Agora, juntem-lhe um chiqueiro. Porcos e a tal mulher gorda - com mais pneus que um camião - sem roupa. Ela é, uma espécie de Eva no paraíso (completamente nua) que corajosamente vai para dentro do chiqueiro. Não se esqueçam que continua a chover. Ela deita-se na lama. Lambuza-se e tem como objectivo seduzir um dos porcos para..................

O caso é verídico. Eu vi em “Kino Lika” dia 12 de Novembro de 2008, no 4º Festival de Cinema do Funchal.