25.1.07

O Rei faz anos!


O Rei faz anos... Parabéns ao Rei!

Negócios com e sem futuro

De acordo com notícia vinda a Público ontem (gostaram do trocadilho?), uma empresa alemã propõe-se a explorar um negócio inovador: o aluguer de manifestantes para causas sem adeptos. Os preços variam entre os 10 e os 30€ por hora, podendo chegar aos 145€ por dia, num máximo de 300 manifestantes (número de pessoas que se registaram no site a vender este serviço). Reconheço que já vi coisas mais estranhas a merecer maior atenção psiquiátrica: a Dra. Ana Gomes, por exemplo. Mas a ideia não parece descabida de todo, porque por esta Europa fora há na verdade muita causa a precisar de manifestantes. E de ideias, já agora.
Na verdade, este novo negócio abre portas a novos segmentos de mercado e é todo um novo mundo que os radicais se aprestam a explorar. Já consigo imaginar manifestações em Bruxelas a defender o casamento entre cães e gatos e protestos violentos contra o fim do tremoço nas tascas portuguesas. A imaginação é, e será, o limite.
Pena que em Portugal, o negócio não tenha qualquer viabilidade porque o sector vive numa espécie de monopólio. Como se sabe, a seita do Dr. Louçã preenche na totalidade as necessidades parcas do mercado. E faz esse trabalhinho... de graça.

Uma festa

A plataforma do Não Obrigada, continua em intensa e mirabolante campanha. Agora propõe-se fazer uma festa designada convenientemente por Party 4Life. Desconheço o autor de semelhante ideia, aliás, uma designação copiada de alguma rave com Dj’s que apelam à pastilha sob o ritmo da dance music. Mas o fenómeno é demonstrativo do patamar a que se chegou.
As campanhas, de ambos os lados, estão pelas ruas da amargura. Argumentos baixos são respondidos com argumentos ainda mais baixos e o esclarecimento é o último dos objectivos propostos (sobre este assunto, ler o artigo muito lúcido de Pacheco Pereira no Público de hoje). Como disse há uns tempos atrás, a campanha não mudará a opinião de ninguém e será, toda ela, inócua, radicalizando-se à medida que se aproxima a data do referendo. Se exemplos faltassem para me dar razão, bastava ler alguns posts do blogue da já referida plataforma ou imaginar esta ideia da rave Party4Life.
Era bom que ninguém seguisse estes espalhafatosos caminhos e não fizesse dum drama real, uma festa de ocasião. Mas naturalmente temo que uma campanha normal não seja mais possível. Infelizmente para todos nós, há muito sofrimento silencioso neste país. Que merecia mais respeito. E que merecia outro tipo de atenção.

Anúncio (pedido de desculpa)



Escandalosamente roubado aqui.

Contribuições dos leitores

Imaginem um lugar onde se pudessem ler, gratuitamente, as obras de Machado de Assis, ou A Divina Comédia, ou ter acesso a contos infantis de todos os tempos. Um lugar que vos mostrasse as grandes pinturas de Leonardo Da Vinci, ou onde se pudessem ouvir músicas em MP3 de alta qualidade. Esse lugar existe!!!!

O Ministério da Educação do Brasil, disponibiliza tudo isso; basta aceder ao site: www.dominiopublico.gov.br

Só de literatura portuguesa são 732 obras!

Estamos em via de perder tudo isso, pois vão desactivar o projecto por falta de uso, já que o volume de acesso é muito reduzido.

Vamos tentar impedir esta desgraça, divulgando e incentivando amigos, parentes e conhecidos, a utilizarem esta fantástica ferramenta de disseminação da Cultura e do gosto pela leitura.

AM

24.1.07

R'áis Parta

As inovações têm sempre estas merdas. Hoje, à hora de almoço, resolvi passar isto para a versão mais nova. Resultado: Os links que estavam separados por blogs de cá e blogs de lá desapareceram. Tal como os nossos perfis. R'àis parta a inovação...

Prometo que nos próximos dias vou resolver isto. Espero que com a ajuda dos outros tripulantes deste barco.

Ricardo


Confesso que gosto do Ricardo. O mais "português" dos futebolistas portugueses, reunindo em si as qualidades e defeitos geralmente apontados aos lusos. Inconstante, capaz do melhor e do pior em escassos segundos. É emotivo, valente mas às vezes deixa-se ir abaixo em situações inesperadas. Cria uma relação especial com os seus adeptos, que às vezes é de pura paixão e outras é de profunda desilusão.

O Ricardo não é consensual. É uma espécie de Pedro Barbosa debaixo dos postes. Um verdadeiro leão em dias bons. Um gato manso e gordo em dias maus.

De qualquer maneira, o Ricardo é um espectáculo. Quando defende penáltis sem luvas. Quando puxa a bola para si e num segundo resolve uma contenda interminável. Quando deixa os ingleses com os nervos em franja. Quando sai da baliza desesperado e falha a bola e recupera a tempo de salvar a vida. Quando voa a remates impossíveis. Quando motiva e se emociona. De qualquer maneira, o Ricardo é um espectáculo!

Agora, foi classiicado, pela Federação Internacional de História e Estatística do Futebol, o sétimo melhor gurda-redes do mundo. À frente, por exemplo, de Kanh, Dida, Barthez, Abbondazieri (da selecção argentina) e de muitos outros nomes famosos.

Sabe bem ter um dos melhores entre os nossos...

23.1.07

E a Mónica?

Que papel estará reservado a Mónica Lewinsky numa nova Administração Clinton?

Constatação

Hillary Clinton pode bater o recorde de Roosevelt: mais de 12 anos à frente da Casa Branca.

Pessoal e intransmissível

Na América, é-se presidente de Clinton para Clinton ou de Bush para Bush. Que é como quem diz, de marido para mulher ou de pai para filho. Não é uma monarquia. Mas convenhamos que é parecido. Ainda assim, sou e serei sempre, Republicano. Como diz o velho ditado: mais vale um Bush na mão que dois Clintons a voar.

Sem limites

A dona Edite Estrela anunciou ontem, toda eufana, que o Parlamento dinamarquês apelara a Portugal para votar "sim" no referendo. De facto, a pequenez lusa não tem limites... nem vergonha, pelos vistos.

Hilariante, no mínimo

Nos EUA a corrida à Casa Branca já teve o seu início. Depois de Barack Obama, eis que a senadora de Nova Iorque e ex-primeira dama americana, Hillary Clinton, também anunciou a sua candidatura à nomeação democrata. Nada tenho contra o Partido Democrata americano (aliás, um estranho repositório de muitas tendências e opiniões), mas na América muita coisa é na realidade possível – basta ver os delírios dos ficheiros secretos ou mesmo alguns filmes do Oliver Stone para se ver o quão delirante pode ser o clima e a imaginação.

A senadora de Nova Iorque promete luta, como é óbvio. O vídeo emitido na sua página de internet é disso elucidativo. Muito charme à mistura e doses q.b. de suposto diálogo tipo chuva de ideias. Quem quiser acreditar que acredite. A ingenuidade é uma qualidade preciosa.

É até provável, pelos tempos actuais, que Hillary atinja o objectivo a que se propõe: tem experiência por casamento, tem apoio popular, aguentou-se com dignidade enquanto mulher enganada pelo então homem mais poderoso do mundo, é inteligente, é branca, é protestante e, inclusive tão na moda, é mulher.

Contudo, é necessário colocar certos freios nalguns excitados comentários. O facto de Hillary poder chegar à Casa Branca em nada mudará a política externa americana como alguns incautos imaginam. A América continuará igual ao que sempre foi: expansionista, influenciadora, dominadora. Porque há um erro de base que os europeus antiamericanos, um estranho epifenómeno cada vez mais preocupante, (para quando um grupo parlamentar no Parlamento Europeu, Dr. Miguel Portas?) cometem frequentemente. A América joga em vários tabuleiros e a sua política externa não se esgota em Bagdad ou no conflito israelo-árabe. Vai muito para além disso. Enquanto os europeus lutavam abnegadamente por se fazerem notados (um esforço cada vez mais efémero e simpático) a América fechou, só no ano passado, e por exemplo, importantes acordos com a Índia, China, Indonésia e México, demonstrando um jogo geoestratégico brilhante que aumentou a sua influência. Reparem que as economias emergentes são as que mais se querem aproximar do mundo americano, ao contrário do que muitos afirmam.

Nós por cá, sediados nesta fortaleza inexpugnável mas ironicamente inamovível, continuamos no irrealismo do costume. O mesmo que já nos trouxe a decadência que nos recusamos enfrentar. A América, independentemente da sua liderança, continuará essencial para o mundo. A Europa, inutilmente, não será mais do que um acessório - de pouco peso, de pouca chama, já quase sem alma. Uma amostra de civilização. É isso que infelizmente boa parte dos europeus ainda não percebeu. Ou não quer perceber.

O sargento foi preso... e bem

Um sargento que não cumpre. Uma menina infeliz (qual Cinderela, ou Floribela, para ser mais moderno). Uma "mãe Aidida". Um pai deliquente. Um juiz. O Estado. Fazedores de opinião. Movimentos de cidadãos. Pedidos idiotas de "habeas corpus". Jornalistas a espreitar atrás de portas. Nem o mais reputado argumentista de uma das telenovelas da TVI seria capaz de lembrar-se de melhor enredo. Só que infelizmente o caso é real. Parece que o circo voltou mesmo à cidade.

A "estória" da "menina em fuga e do sargento preso" revela, mais uma vez, o gosto português pela tragédia (que o meu amigo Magno parece partilhar).

Então vamos aos factos. Mostrando as coisas como elas são. O sargento que foi preso mereceu o castigo. Senão vejamos: foi intimado, por um Tribunal, a entregar a criança. Não só não cumpriu a ordem como "desapareceu" com a mulher e com a filha para parte incerta. E foi julgado por isso mesmo. E condenado. E bem (tratando-se, ainda por cima, de um militar). Pode, caso se sinta injustiçado, recorrer para instâncias superiores.

Não ignoro o contexto em que tudo isto se desenrolou. Não ignoro que, em Portugal, os processos de adopção são uma idiotice pegada, feitos para que as criancinhas cheguem mesmo à idade adulta em instituições decadentes. Não ignoro que a divisão do país em "capelinhas" faz com que ninguém fale com ninguém e que os processos corram separados por várias instâncias até ao juízo final. E não ignoro que, provavelmente, para a menina o ideal seria ficar com o homem do boné.

O problema é que não foi isso que foi julgado em Torres Vedras.

Pode ser que toda esta trama tenha um lado positivo, ou seja, pode ser que abra o debate sobre os processos de adopção em Portugal e sobre a forma imbecil e desumana como o país tem tratado os seus mais desprotegidos cidadãos. De qualquer maneira, não tem sido essa a discussão que andado na praça pública. O que se tem discutido são os promenores sórdidos de um caso particular. E pedidos idiotas de "habeas corpus", feitos por gente que, apesar de professar direito, de direito não entende nada. Porque não entente que as decisões dos tribunais devem ser respeitadas. Porque esse respeito é um dos fundamentos do Estado. E que a lei permite o recurso até à ultima instância. Nestas coisas, é necessário separar a razão do coração.

Magno, já agora, utilizar toda esta novela para falar do aborto não é nada inteligente, de facto...

22.1.07

Os grandes portugueses

A RTP lançou um concurso dedicado à eleição dos maiores portugueses de sempre. A iniciativa não passa de um passatempo, mas levantou interessante celeuma nos indígenas com a chegada aos 10 finalistas de dois actores sombrios: Cunhal e Salazar. Não se percebe o drama. Nem o espanto. Em Inglaterra, nos dez finalistas, estiveram o Lennon e a Diana. Nos EUA, a Oprah e o Elvis. Reconheçam que ter nomeações deste calibre, no nosso país, era o mesmo que seleccionar o José Cid, o Quim Barreiros ou a Catarina Furtado. Infelizmente para o nosso imaginário colectivo, nenhum dos ilustres anteriores logrou atingir a final, o que nos deixa com este insosso dilema, sem grande graça e imaginação, e a discutir a personalidade de dois dos principais candidatos à vitória.

Enquanto portugueses, um traço essencial da nossa pérfida personalidade tem a ver com essa atracção fatal pela autoridade e pelo respeitinho. Se por um lado, admiramos e amamos o ditador de pacotilha que nos regeu, por um outro, idolatramos e respeitamos essa espécie de cópia de Estaline que quis transformar Portugal na nova Albânia. Um e outro são carne com a mesma origem: inimigos declarados da democracia, mas heróis velados do glorioso, e ainda estranhamente vivo, povo português. Nada de transcendental, portanto. E nada que a nossa triste história não demonstre e comente em abundância.

A corrida ao primeiro lugar, entretanto, começou, mesmo que os fãs dum e doutro – Salazar e Cunhal – se alimentem do ódio ao seu contrário. Já imaginaram melhor publicidade para o nosso país?

21.1.07

A filhinha de Deus


Não sou habitual comentador de “notícias” do género das da TVI. Mas até da Lua se vê que a condenação a 6 anos de prisão do pai adoptivo (e sargento, o que só o enterrou mais) da menina de Torres Novas é de uma total injustiça.

Só quem nunca assistiu a um processo de adopção em Portugal é que pode dizer o contrário. Nada nestes casos, mas mesmo nada, funciona sequer nos limites do tolerável. Nem mesmo quando as evidências são mais claras do que a água. E a evidência é que não se trata de um sequestro; a evidência é que a mãe biológica deu-o para adopção; a evidência é que o pai biológico nunca quis saber da pequena e é, ou sempre foi, um faminto e um reles desgraçado; a evidência é que a pequena cresceu cinco anos com os pais adoptivos, que para ela são também os “biológicos”.

De facto, este melodrama põe a nu, coisa que toda a gente já está farta de saber, a justiça desarticulada e hiperbolicamente objectiva que temos.

A coisa, provavelmente, acabará com um parecer mais ou menos criptográfico emitido pelo conjunto dos “deficientes motores”, quase todos com visíveis marcas de trombose, que formam o nosso Tribunal Constitucional. E tudo ficará na mesma, pois o povo não percebe nada de leis.

Olhem, em termos mais simples e práticos, e “asneira” por "asneira”, um aborto consciente e autorizado teria evitado toda esta novela em torno desta filhinha de Deus.

19.1.07

As abjectas palavras de Eduardo Prado Coelho.

A desonestidade intelectual e a baixeza moral de Eduardo Prado Coelho não param de surpreender. O colunista do Público, mais conhecido por adorar cobrir-se com pele de vestal da moralidade humanista, tem, de vez em quando, umas saídas muito mais adequadas à qualquer moço de recados, do que a um opinion maker.
Desta feita, na sua crónica do dia 18, a coberto de uma suposta crítica às afirmações proferidas por um clérigo (Monsenhor Luciano Guerra) sobre o aborto, Eduardo Prado Coelho (EPC) ataca traiçoeira e cobardemente uma instituição como a Igreja Católica que, por muito que lhe custe, reúne entre os seus membros uma grande parte da sociedade portuguesa. Fazendo crer que as suas críticas apenas se destinam às afirmações do clérigo em questão (algumas delas, de resto, muito infelizes) e que sabe separar aquela que é a posição de Igreja sobre o aborto, das posições adoptadas por alguns dos seus membros e sob o chapéu de uma suposta e auto-proclamada neutralidade, este candidato a “mata-frades” enfia a farpazita que tanto o orgulha e que motiva toda a sua ladainha. Depois de tanto alarde sobre isenção, EPC afirma: Gostaria que a doutrina da Igreja fosse de generosidade, alegria, amor pela vida. Mas, na maior parte das vezes, é este conjunto inacreditável, bolorento, enferrujado, de absurdos.
Não gosto do EPC e gostaria sinceramente de reconhecer-lhe tanta honestidade, quanto cultura e inteligência. Porque reconheço-lhe uma destreza mental que não é comum à maioria dos demais colunistas. Todavia, de cada vez que leio a sua coluna, mais do que admirar as qualidades intelectuais, culturais e literárias, abomino a vileza com que se dirige àqueles que pensam de forma diversa. Porque EPC, não sendo um imbecil qualquer, sabe perfeitamente que as posições assumidas pelo Monsenhor Guerra, ou pelo senhor pároco X ou Y, não fazem a doutrina da Igreja sobre as suas orientações ético-religiosas. E é vil, porque EPC conhecendo, omite, deliberadamente, todas as encíclicas e textos religiosos libertados por Roma sobre esta matéria. Como pensamento nascido do homem (o dogma da infalibilidade apenas se refere às questões religiosas), as orientações da Igreja são criticáveis. Mas EPC, pela responsabilidade que tem, deveria ser suficientemente honesto para não entorpecer a mente dos seus leitores com estes ardis. Se quer criticar a posição da Igreja Católica sobre o aborto, faça-o directamente. Se quer criticar o Catolicismo, é livre para o fazer. Não é legítimo, contudo, que de forma deliberada, EPC aproveite as afirmações infelizes de um clérigo, para confundi-las com a doutrina da Igreja. Porque conscientemente, não está a atirar apenas a água, mas o bebé. E isto é baixo, desonesto e abjecto.

PS - E antes que me venham acusar de tendencioso - que sou!-, oiçam ou leiam as palavras do Patriarca de Lisboa sobre métodos contraceptivos, aborto, pílula do dia seguinte. Porque ele sim, representa a Santa Sé em Portugal.

18.1.07

Apropriado

Na próxima época, o Benfica jogará de cor de rosa. Nada mais apropriado para uma equipa de "papoilas saltitantes" - juro que esta expressão faz parte do hino do clube do "barbas"...

O aborto segundo Vasco

Um dos mais inteligentes textos sobre o referendo. Embora não partilhe de alguns dos seus pontos de vista, confesso que ler o Vasco Pulido Valente é sempre um prazer.

Este texto, só descobri agora, numa viagem na blogosfera.

O Aborto

O referendo sobre a IVG, ou mais prosaicamente sobre o aborto, foi marcado. O Presidente da República, para presumível espanto dos portugueses, pediu "serenidade". Se o referendo se distinguir por alguma coisa, será com certeza por um excesso de serenidade. O cardeal Policarpo já disse que se tratava de um problema político e não religioso; um problema do Estado e não da Igreja. Os grandes partidos do "centrão" não se envolveram no caso. E é provável que menos de 50 por cento do eleitorado nem sequer se dê ao trabalho de ir votar. Claro que se constituíram uns pequenos grupos de personalidades, que defendem o "sim" ou defendem o "não", com o costumado zelo, mas não suscitaram, nem parecem vir a suscitar grande entusiasmo. Há boas razões para este desinteresse do país. Por muito que doa a uma certa demagogia, materialmente, a questão do aborto acabou por se tornar numa questão
residual. O uso dos contraceptivos (que não custam caro) e, sobretudo, a "pílula do dia
seguinte" (venda livre a menos de quatro euros) fizeram do aborto o resultado da
ignorância, da irresponsabilidade ou da má sorte.
A despenalização (para mim, obrigatória e tardia) não irá produzir um efeito social apreciável. O valor do referendo é, na essência, simbólico. É o confronto entre duas concepções do homem e da vida, que antigamente, de facto, provocou alguma excitação e violência. Só que hoje, num tempo em que se desvanece o sentimento do "sagrado", esse confronto também se diluiu e comove muito pouca gente (católica ou não). A gravidade da despenalização (a que, repito, sou favorável) está num ponto de que ninguém fala: no aborto gratuito no Serviço Nacional de Saúde. Não porque o Serviço Nacional não possa suportar o encargo. Mas porque se o Estado protege uma "cultura demorte", para usar a expressão do Papa Ratzinger, tem necessariamente de proteger uma "cultura de vida". Ou, traduzindo, se o Estado oferece o SNS a quem quer abortar, tem necessariamente de oferecer meios de subsistência a quem não quer abortar (a uma jovem grávida de 14 anos, por exemplo). Sabemos que pela "Europa" inteira a gravidez se transformou num processo de emancipação (da escola, do trabalho, dos pais), que sobrecarrega o Estado e criou uma "subclasse" parasítica e permanente (a cada filho, a mãe recebe mais dinheiro). Convinha que em Portugal a despenalização evitasse este corolário perverso. Infelizmente, não se vê bem como.

Vasco Pulido Valente

In Público, 2 de Dezembro de 2006

Gracices

Um dos blogs de que mais gosto. E talvez por isso, um dos que mais esqueço. Ontem, com o Angel e com a Tânia, lembrámo-nos dele. E de quem o preenche. (Será que a arrecadação ainda recebe gente?).

16.1.07

Um caso

A equipa do Dr. Louçã tem vindo acusar os defensores do não, e nomeadamente a equipa do Dr. Bagão Félix, de estar a ser financiada por milionários conservadores interessados em fazer chumbar o referendo. A história, uma demência completa, começou durante o fim-de-semana e foi hoje continuada por um tal de Jorge Costa, num sinal claro de que a tese, para além de perigosa, é também contagiosa. Para quem se diz muito interessado e empenhado no referendo, há que convir que este método de campanha (que basicamente se resume a fazer queixinhas do adversário) faz conjecturar sobre os seus verdadeiros propósitos. Com tanta asneira junta, é justo desconfiar de certos episódios políticos que servem, descaradamente, uma certa esquerda apelidada de folclórica quando esta se sente órfã das causas de ruptura que tanto gosta de desfilar. De facto, caro leitor, e na realidade complexa que nos amarra, se no referendo acabar por vencer o sim, o Dr. Louçã ficará mais pobre e com menos coelhos para sacar da cartola. E já agora sem as meninas à saída dos tribunais. Sem o aborto (uma causa social fracturante), o que ainda lhe resta é radicalmente pobre: a eutanásia, os casamentos dos homossexuais, a adopção pelos mesmos e talvez os charros fumados livre e impunemente nas salas de aulas (ao mesmo tempo que proíbem o cigarro em nome da higiene atmosférica e o professor em nome do ensino livre e sem barreiras). Convenhamos que não é muita coisa. Nem grande coisa. O Dr. Louçã tem legítimas razões para estar preocupado. Afinal, a partir de Fevereiro, há menos um drama no seu repertório. Ou, se preferirem, menos um número no seu eterno festival de circo. E como todos nós sabemos, em época de crise, o público não abunda.

Yo no creo en brujas pero que las hay... las hay!

O Ministério da Educação anunciou hoje que irá criar a figura do professor-tutor para o 2º ciclo, que será responsável pelas disciplinas de Português, Matemática e Ciências da Natureza. À partida, esta não me parece uma má ideia, uma vez que permitirá às crianças uma passagem menos agressiva entre o 1º e o 2º ciclo.
Espero, sinceramente, que se dê tempo às universidades para preparar curricula adequados, que se façam experiências e que só se avance para esta nova metodologia quando houver profissionais formados e certeza de que o modelo funciona. Mas tendo como exemplo o que se passou com as Actividades de Enriquecimento Curricular, em que bastou a Sra. Ministra sonhar durante a noite para se implementar durante o dia - sem que se tivesse acautelado formação para os professores de inglês e de educação física (cuja formação está apenas indicada para alunos com idades superiores a 10 anos, cujos processos cognitivos são, naturalmente, diferentes de alunos em estádios de desenvolvimento inferiores), ou que se tivesse confirmado se o mercado tinha capacidade para responder à necessidade de milhares de professores de música qualificados – eu não fico descansado. Espero é que a barraca que o Ministério provocou sirva de exemplo. Sob pena de se hipotecar (ainda mais) o futuro da Educação em Portugal. É como lá diz o ditado de nuestros hermanos...

Interessantes

"Alguns anos depois" e "Gustavatantodele" são dois blogs da Madeira que descobri aqui. Interessantes, por sinal. As portas são ali ao lado.

Um professor de música que não sabe tocar nenhum instrumento


É verdade, inteiramente verdade. Conheci hoje um professor de música (ele com azar e eu com sorte) que, afirmou o próprio, não sabe nem nunca soube tocar um instrumento musical que seja.

Juro que me apeteceu bater-lhe e depois mandar acoitá-lo publicamente. E olhem que não faltou muito. O ele ter dito que não sabia tocar qualquer instrumento musical não é em si o mais grave. O mais grave é este energúmeno ser diplomado e “ensinar” miúdos. E quantos outros como este já não debitou o Ensino Superior em Portugal.

Afinal, como suspeitava, sempre tive razão. A educação está como está porque, em primeira instância, existem muito maus professores. Não me digam que há muitas excepções porque sei isso muito bem.

15.1.07

O engodo

Disparando na direcção errada, como é habitual em si, o Sr. Hermínio Loureiro (que ainda não cumpriu a promessa de suspender o seu mandato) trouxe a profissionalização da arbitragem para a ordem do dia. A ideia é tão simplória como a mente que a avança: já que todos os protagonistas envolvidos no jogo são profissionais, os árbitros também têm de ser profissionais. Talvez fosse escusado comentar semelhante idiotia vinda de quem vem, mas se hoje, e como dizem, há corrupção como será se o sustento desta gente depender do modo como apita domingo a domingo? Mais: como se pode confiar nas classificações dos árbitros quando se conhecem tantos vergonhosos casos de situações surreais onde há claro benefício do infractor? O futebol em Portugal é cada vez mais uma utopia. Nesta jornada, em sete jogos até agora, apontaram-se oito golos. Isto depois de mais de um mês de descanso que não serviu para arejar as cabecinhas de técnicos medíocres e de jogadores preocupados em demasia com os seus desempenhos teatrais de má qualidade. No sábado, em jogo transmitido em sinal aberto, Belenenses e Sporting deram um bom exemplo de como o problema não está na arbitragem e na sua profissionalização. O problema está em tudo o resto: nos jogadores banais, nos técnicos insignificantes, nos dirigentes interesseiros e no público pouco exigente que ainda alimenta este circo. O Sr. Loureiro pode continuar descansado. Conseguiu o que todos os outros antes de si também conseguiram por tempo indeterminado: desviar as atenções do verdadeiro problema estrutural que o nosso futebol atravessa. Enquanto isso, lá vai ele passeando de terra em terra apresentando as suas salvadoras ideias para o pântano. Como a história infelizmente nos ensina, o Sr. Loureiro não é nenhum salvador: é apenas mais um coveiro.

A ler

"Lisura". "Porto Santo". "Cimentos". Três textos a ler com interesse atenção. Aqui.

Timing

Será que o "timing" de encerramento do NM tem alguma coisa a ver com um anúncio feito há uns dias por Augusto Santos Silva? Há reuniões de que se fala muito, outrs de que se fala pouco e outras de que não se fala de todo...

12.1.07

Ainda a propósito do aborto

Como já por diversas vezes afirmei, irei votar NÃO no referendo à alteração da lei sobre o aborto.
Mas, atendendo ao facto do Gonçalo ter resolvido promover uma discussão aberta no Conspiração às 7, deixo apenas alguns temas de reflexão, e a minha opinião sobre algumas das questões.

Assumo que acredito que a vida se inicia no momento da fecundação. O processo da vida é um processo ininterrupto, que se inicia no momento em que o espermatozóide fecunda o óvulo. Esta é uma verdade contestável, é certo, mas apoiada por muitos cientistas, entre os quais um dos maiores especialistas portugueses, o Dr. Gentil Martins. Portanto, entendo que qualquer óvulo fecundado é já uma forma de vida, ainda que desconheçamos alguns dos seus processos.
Poderia evocar inúmeras razões para votar NÃO. Mas deixo apenas uma. Sou contra a alteração da lei porque entendo que a legislação portuguesa deve ser orientada para a protecção da vida, esteja esta em que estado estiver. Portanto, acho que uma legislação sobre o aborto deve ter sempre como orientação o seu impedimento, pois a regra deve ser a protecção da vida intra-uterina e em caso de dúvida, dou sempre o primado a esta forma de vida.
Aceito, contudo, algumas excepções, que de resto, estão previstas na Lei (Lei 6/84 de 11 de Maio e Lei 90/97 de 30 de Julho). Apenas neste casos (e acho mesmo que a lei portuguesa, por vezes, até é demasiado liberalizante), aceito o primado da liberdade de escolha, porquanto colocam-se questões profundas de dignidade e qualidade de vida.
Votarei,ainda, Não, porque entendo que as leis devem servir para resolver problemas e não a promiscuidade que os rodeia.

PS – Caro Gonçalo, não é o tigre, mas lince e ao contrário do que disse a Rubina, não se designa por Lince da Malcata, mas Lince Ibérico. Afinal, o bichinho – que é o felídeo mais ameaçado do mundo - já foi comum a toda a Península! Bom fim-de-semana.

Pequena aldeia global

Os motores de busca têm estranhos caminhos. Hoje, enquanto passeava pelo nosso contador de visitas, descobri que alguém da Roménia veio parar à Conspiração após ter digitado, no Google, esta frase: procuramos arquitecto portugal salario.

Já um grego de Atenas andava a navegar calmamente pelo Blogger quando deu connosco.

Com muita pena, não creio que tenhamos condições para satisfazer as necessidades do nosso amigo romeno. Blog errado, meu caro!

Gostava ainda de perceber porque razão o camarada grego ficou quase 5 minutos entre nós... Juro que gostava!

É assim, esta pequena aldeia global...

Ainda sobre o aborto

Caro Bruno, embora comeces o texto "sem grandes certezas", aquilo que escreveste revela precisamente o contrário.

Na questão da discriminalização do aborto, existem questões fundamentais. A primeira é de ordem metafísica e não me parece passivel de grande discussão, ou seja, há quem acredite que a vida começa no momento da concepção e há quem acredite noutra coisa qualquer, portanto, não há volta a dar ao assunto.

As outras, porém, são bem reais. Vamos a elas.

A alteração da Lei garante que as mulheres não serão julgadas por abortarem?

Não. A proposta de mudança diz, apenas, que o aborto será permitido até às 10 semanas, ou seja, continua a ser crime abortar às 11. Ou, se quisermos ser mais radicais, às 10 semanas e um dia. Sendo assim, continuará a ser possivel levar mulheres a tribunal por abortar.

A alteração da lei garante que todas as mulheres terão condições de segurança para abortar? Acabar-se-ão os abortos em "vão de escada"?

Não. Em primeiro lugar, porque obriga quem quiser abortar a identificar-se. Caso a mulher seja menor, os tutores legais terão obrigatoriamente de ser contactados. E autorizar a intervenção. Isso significa, em primeira análise, uma clara "ingerência do Estado" na esfera privada, contrariando a tua tese de liberdade de decisão por parte da mulher (principalmente se tiver menos de 18 anos). Significa, em segunda análise, que muitos casos mais, digamos... complexos, continuar-se-ão a resolver em... vãos de escada. Ou que, em sítios pequenos (Portugal inteiro com excepção de Lisboa e algumas áreas da zona metropolitana do Porto), muitas moças casadoiras terão de contentar-se com a habitual solução das parteiras, para fugir à pressão social que uma gravidez "pré-matrimonial", e subsequente interrupção, necessariamente acarretam. Resumindo, o negócio do "vão de escada" continuará a florescer. A menos que haja uma política correcta de educação sexual e de prevenção, o que não me parece minimamente contemplado nesta proposta. Quanto à liberdade, então, meu caro, acabe-se com a obrigatoriedade de identificação. E acabe-se com o "limite das 10 semanas". Caso contrário, estaremos a falar de outra coisa qualquer que não a tal "liberdade de escolha".

Concordo contigo quando dizes que conheces bem as pessoas. E até acrescento que sim, acredito que em algumas esferas sociais o aborto pode vir a ser encarado como uma espécie de contraceptivo final.

Também estamos de acordo quando dizes que não existem sociedades ou homens perfeitos. Acho, apenas, que a alteração da Lei terá tão poucos resultados que não justifica que por ela se ponha em causa o princípio basilar, ou seja, o do direito à vida. Se quiseres, é uma questão de "deve e haver". Lembras-te daquela história, bem real, por certo, que repetíamos muitas vezes em miúdos, sobre uma equipa que utilizou a táctica do "bola vem bola vai"? No final, a "bola ficou 14 vezes", ou seja, não adianta chutar para a frente sem resolver o que quer que seja.

Vivemos nuna sociedade com claras limitações cognitivas e de percepção da realidade. Ainda por cima, fortemente marcada pelas doutrinas mais conservadoras da Igreja Católica. Achas que neste cenário, uma alteração da Lei iria resolver os problemas que tão bem apontas no teu texto? Parece-me que não...

Post-Sriptum: Irrita-me o folclore do BE e do PCP à volta deste debate. Então a divisão que alguns iluminados que por lá pululam procuram fazer entre "os-ricos-que-apoiam-o-actual-"status quo"-e-que-por-isso-financiam-campanhas-milionárias e os "pobrezinhos"-ingénuos-que-sofrem-e-não-têm-ninguém-que-os-defenda-do-capital-selvagem-e-presumivelmente-das-parideiras-de-vão-de-escada" é bestialmente idiota. A esses, de facto, apetece mandar "à borda merda". Irrita-me ainda o discurso do tigre da Malcata (espécie respeitável, de resto, e que nada tem a ver com esta treta toda).

Abraço

O aborto

Confesso que nesta matéria tenho mais dúvidas do que certezas. Mas daí até considerar esta temática como uma questão entre conservadores e liberais vai um passo de gigante que temo não conseguir dar. Não é aceitável também que os que votam não sejam tidos como retrógrados e os que votam sim tidos como visionários. Esta questão é muito superior a esta dialéctica simplista e de pouco sentido (neste caso específico) e merece algo mais do que uma simples catalogação. Daí que, talvez, o problema desta discussão resida, boa parte dele, na argumentação simplista e radical. De ambos os lados da barricada, onde naturalmente me incluo.

Já todos percebemos que o discurso irá endurecer. Os cartazes que por aí deambulam são um cheirinho de pouca intensidade para aquilo que se prepara para vir. O número de movimentos anti e pró aborto registados pela CNE, deixa também antever uma participação elevada de vários sectores da nossa sociedade, o que não quer dizer que venha a existir verdadeiro debate. Todos querem convencer (e não esclarecer) e ao radicalizarem as palavras contribuem mais para confundir. Sou a favor da despenalização por vários motivos.

Em primeiro lugar, abordo esta questão como um problema de liberdade. Liberdade da mulher de poder decidir sobre o seu corpo, ainda que até um determinado limite imposto pela lei. Desculpem a presunção, mas responsabilidade é dar às pessoas essa capacidade de discernir e de decidir: não é tratá-las como se fossem incapazes, situação cada vez mais recorrente nos tempos actuais. Isso é que é responsabilizar. E não o seu contrário.

Em segundo lugar, não adianta negar que o aborto é um problema grave no nosso país, com repercussões essencialmente junto das jovens solteiras e desamparadas que olham para o aborto como último recurso. Não acredito que o aborto seja feito de ânimo leve nem acredito que no futuro ele se torne um método contraceptivo por excelência (embora com algumas reticências neste ponto, porque conheço demasiado bem as pessoas).

Em terceiro lugar, é preferível que a prática esteja institucionalizada do que escondida nas mãos de sapateiros de conveniência. É melhor que o aborto esteja nas clínicas privadas do que nos consultórios pré-fabricados de gente que age por carolice ou por simples falta de escrúpulos. A separação entre ricos e pobres é aqui uma realidade inabalável e incontestável: actualmente, quem tem, faz em segurança e bem longe das vistas para não ferir as susceptibilidades; quem não tem, sujeita-se ao que aparece. Não se pode negar esta evidência.

Em quarto lugar, não há sociedades perfeitas. Nem homens perfeitos. Querer construir utopias baseadas nestas premissas é errado. Numa sociedade perfeita não haveria crime, não haveria fome ou miséria, as crianças cresceriam rodeadas de amor e carinho e a educação sexual seria a melhor coisa do mundo para ensinar aos nossos jovens. E também não haveria aborto, fora das causas médicas. Nem adolescentes grávidas. Nem aborto clandestino. Nem mortes estúpidas. Nem uma série de outras coisas. Mas isso seria num mundo perfeito.

Em quinto lugar, sei que a larga maioria de nós é contra a prática (como não podia deixar de ser), mas uma coisa é ser-se contra a prática, e outra bem diferente é condenar-se quem a ela recorre (nem que seja em imagens de tribunal). Isso é intolerável e inaceitável. Infelizmente, o circo que o Bloco ou o PC muitas vezes montam à volta destas situações contribuem mais para afastar do que para apoiar. A mediatização produz o efeito contrário ao desejado, tal e qual como acontece quando se utilizam argumentos que metem os sempre actuais linces da malcata. Um e outro são bons exemplos da radicalização não desejada dos discursos.

A discussão dentro dos limites do razoável, tem alguma pertinência, mesmo que seja profundamente inócua. Na verdade, ninguém irá convencer ninguém porque todos nós temos a nossa opinião formada sobre o assunto e por mais que estrebuchemos ou gritemos não iremos mudar grande coisa. De qualquer forma, conto ainda voltar a este assunto.

RTP-M lança desafio

Fazendo jus ao ditado “uma imagem vale mais que mil palavras”, a RTP-Madeira avança com um espaço dedicado às fotografias que possam constituir notícia e que falem por elas próprias.

Os espectadores podem enviar as fotos para sempalavras@rtp.pt desde que sejam os autores dos referidos trabalhos ou que tenham tido consentimento de quem fotografou.

Trata-se de um espaço para retratar o quotidiano a melhorar sempre com o objectivo de garantir um melhor serviço público de televisão.

Ainda o SIM ao aborto

Agradeço o esforço e a pedagogia de alguns leitores a favor do NÃO ao aborto. Mas, como já sou crescido não vou em cantigas. Claro que o ideal seria nem estarmos a discutir esta questão, isto se o planeamento familiar, a política de apoio às mães e a formação cívica duma boa parte dos pais portugueses fosse sólida. Mas não é. E esta conversa já tem décadas e não se passa disto.

Até compreendo os adeptos do NÃO e aceito que me digam que a vida começa na concepção e que um organismo de dois dias é tão ser vivo quanto um de dez semanas. Mas o ponto essencial é que a sua argumentação está no domínio da utopia, e não no da realidade. Que eu saiba em Portugal nenhuma mãe solteira e de poucos recursos, como há muitas, tem direito a uma casa e a um “ordenado” para poder levar uma vida digna com a criança. E não me parece que a vá ter nos próximos anos. Toda a gente sabe disto. Assim como sabe que Portugal não é o Canadá nem a Austrália.

E já agora uma perguntinha de algibeira. Os países europeus que têm leis mais flexíveis em relação ao aborto são o quê? Sanguinários? Desumanos? Sucedâneos de Heródes? Enfim, quer me parecer que nesta questão vamos chegar outra vez com mais 20 anos de atraso. Vamos agravar problemas sociais para o futuro que seriam resolvidos com um “mero” acto clínico que, a bom ver, não perturba a consciência de ninguém. Porque se perturbasse verdadeiramente os partidários do NÃO estes não teriam um só dia de paz. Ou então andam a fazer fita, o que é o mais certo.

Por mim, quando a “Maria” precisar ponho-a Espanha e vou dando cobro à hipocrisia do costume.

PS: O texto da senhora Rubina Berardo (“Contribuições II”) dói só de ouvir. É um chorrilho de banalidades e de “verdades” gerais que qualquer pessoa na rua também pode dizer. Mas se quiser eu também a ajudo com uma. Por exemplo: «a escola deve formar bons cidadãos». Sabe como está a Educação em Portugal não sabe? Pois…eu também sei.

A missa de Paulo Macedo


Só mesmo num reino de “cafres” é que a tributação dos impostos se fica a dever ao trabalho de um homem só. Não digo que o gestor Paulo Macedo não seja pessoa de mérito e competência, agora tanto alarido por causa do homem é que é de desconfiar. E se ele é atropelado? E se lhe passa uma trombose? Volta tudo à selvajaria do costume.

Mas como todo o português que brilha, também Paulo Macedo lhe deu para a tontaria. Para, presumo eu, fortalecer o espírito de cobrança, o gestor “comprou” uma missa de acção de graças. E lá foi todo o séquito da Direcção Geral dos Impostos para a igreja.

Isto em França vai dar "direito" a mais uma anedota sobre portugueses. E com inteira justiça.

11.1.07

Ainda sobre o NM

Sobre o encerramento do NOTÍCIAS, deixo aqui um texto do Jorge F. Sousa.

Em primeiro lugar, como já disse num programa de rádio em que se abordou este tema, quero deixar uma palavra de apoio e solidariedade aos camaradas jornalistas e outros profissionais daquela empresa que atravessam momentos difíceis.O fim do NM surge num momento complicado para a comunicação social madeirense em que será muito difícil absorver cerca de uma dezena de jornalistas. Se juntarmos a este caso do NM a previsível redução de quadros do Jornal da Madeira - negada por Jardim, mas como é habitual nestes casos o que ele diz não se escreve... - o panorama fica negro. Para todos, inclusive para o Diário que se arrisca a ficar cada vez mais sozinho, com as consequências óbvias que a falta de concorrência origina em qualquer sector de actividade.O NM fechou, provavelmente pela conjugação de três factores: política empresarial, política editorial e conjuntura do mercado.No primeiro caso, esta terá sido a terceira morte do jornal, provocada por empresários sem grande preparação para esta área de negócio em que o retorno dos investimentos obriga a muita paciência. No mínimo cinco anos. Era bom alguém explicar a certos empresários que uma empresa de comunicação social não se gere como uma construtora, ou uma fábrica de sanitas.Quanto à política editorial, o maior erro foi cometido pouco tempo depois do primeiro 'renascimento' do NM. Depois de na década de 90 ter sido um projecto para concorrer directamente com o Diário, destruído pro empresários sem preparação, regressou com o objectivo de ser um tablóide regional, com muitos 'casos do dia' e reportagens mais populares. Um nicho de mercado que, concordo com o Sancho, existe na Região e poderia ser a forma de sobrevivência do jornal. Estranhamente optou-se por mudar e seguir uma linha mais 'Jornal da Madeira', próxima do poder social-democrata. Se o NM já tinha o rótulo de 'jornal do Jaime Ramos', viu esse estigma agravado. A passagem a semanário não melhorou o panorama, uma vez que os leitores deste tipo de publicações são mais exigentes. Infelizmente o fim parecia traçado.Finalmente, o mercado regional de comunicação social escrita é ingrato, uma vez que o Diário domina quase completamente e sem necessitar dos subsídios que erradamente (o termo é muito simpático) o presidente do GR sucessivamente refere nos seus (maus)escritos.Se me é permitido apresentar receitas, acredito que, para sobreviver na Madeira, um novo jornal teria de estar totalmente afastado do poder político e dos 'seus' empresários.A ideia de um semanário autonomista (o que é isso?) de 16 páginas, defendida por Alberto João Jardim, é uma asneira de todo o tamanho que só prova que ele não percebe, nem nunca percebeu, de comunicação social.

JFS

Contribuições II

Pela Vida e pela emancipação da Mulher

Um dos mecanismos que o ser humano desenvolveu para viver em sociedade tem sido a criação de estereótipos, segundo os quais as nossas vidas tornam-se mais fáceis, pois à primeira análise sabemos logo como lidar com as pessoas, que tipo de cuidados devemos ter, e catalogamos essa pessoa numa certa caixa. E na questão sobre a liberalização do aborto, tal também se mantém...

Ora bem, eu sou uma jovem mulher, considero-me moderna, livre e informada. E perante alguns olhares atónitos de colegas, amigos e conhecidos, proclamo-me contra a liberalização do aborto e vou votar NÃO no referendo agendado para dia 11/02. E trago-vos aqui duas principais razões que fundamentam a minha intenção de voto.

Em primeiro lugar, defendo que o valor da vida e o próprio direito à vida humana são os pilares da sociedade humana. A Constituição portuguesa afirma que "a vida humana é inviolável". Consequentemente, a lei deve proteger a vida humana e condenar todos os actos que a ponham em causa, desde que começa até à morte natural. Eu não quero viver num país onde a vida de um lince da Serra da Malcata (cf. código penal, art 278º) acaba por ser mais protegido pela lei do que a vida do nascituro humano!E em segundo lugar, apelo aos cidadãos portugueses que não se deixem ofuscar pelo aparente efeito 'modernizador' da liberalização do aborto.

O aborto a pedido da mulher não a emancipa, não a moderniza e não a liberta. Antes pelo contrário: sedimenta ideias retrógradas de conformismo a normas do status quo, onde um bébé só pode vir ao mundo numa conjuntura de check-lists idealizadas. A verdade é que essas conjunturas são raríssimas - seja por motivos da carreira profissional, do parceiro, e de outros factores condicionantes. Mas um facto permanece sempre: a alegria de uma nova vida que simboliza o nosso futuro.

O Estado não se pode desresponsabilizar a sí e aos cidadãos portugueses: há que modernizar mentalidades, apoiar mães carenciadas e proceder a uma verdadeira educação sexual eficaz da juventude.Por isso, caros amigos, voto NÃO.

Rubina Berardo

Olhares do Morro











Um espaço (projecto) absolutamente notável. Onde se podem encontrar trabalhos como
aqueles que aqui mosto.

Quem quiser pode ainda passear pela Agência Olhares.

As fotografias aqui reproduzidas são, respectivamente, da autoria de Bruno Rodrigues, Ivanildo Carmo dos Santos e Daniel Martins.

Mais blogs de cá

A lista de blogs da Madeira foi actualizada. Acrescentámos novos espaços e retirámos aqueles que, por uma razão ou por outra, estão parados.

10.1.07

Ultraperiferias

www.ultraperiferias.blogspot.com. Um espaço que, provavelmente, visitarei muitas vezes.

Contribuições I

Porque me parece relevante para o debate, tomei a liberdade de trazer "para cima" um comentário do Jorge Sousa sobre a questão do referendo ao aborto, colocado num post do Magno.


Como parece que todos os que entram neste blog são defensores do 'não' - é triste ver tanto jovem com pensamento conservador, completamente anti-natural para a sua idade -, resolvi escrever para deixar uma palavra de solidariedade: eu também vou votar 'sim', como já o fiz em 1998.

Esta questão do aborto transformou-se numa estranha luta entre conservadores (de todos os partidos) e liberais (idem), o que me parece ser o pior serviço que se pode fazer a um exercício de cidadania como é o referendo e a um problema que é, simplesmente, uma questão de consciência.

Embora não acredite na democracia directa - em nenhum país democrático funciona, com excepção da Suíça mas aí devido a ter a única alternativa a uma legislação federal maluca - como os próprios resultados da abstenção mostram.

Em relação ao teu 'post', começo por não concordar com a 'consideração' que toda a gente convencionou ter por António Borges. Para mim é um dos maiores 'bluffs' produzidos na última década. Se estivermos atentos às suas intervenções,a frio, não diz coisa-com-coisa e vive num planeta que não é o nosso: é o planeta da alta finança, responsável pela maioria dos males de que nos queixamos. Parece-me que foi este senhor, junto com uns anormais do 'Compromisso Portugal' que deram como receita para o nosso país... o despedimento de 200 mil (!) funcionários públicos. Bonito!

Voltando ao aborto e comentando algumas afrirmações introduzidas neste 'blog', considero ridículo e até desumano tratar a questão como uma 'despesa' do Estado. Esta alteração à lei é uma questão de saúde pública, de direito à escolha de cada cidadã e, sobretudo, uma aproximação à esmagadora maioria dos países ocidentais.

Embora não seja defensor de 'seguidismos cegos' em relação aos países mais desenvolvidos, neste caso só deixava uma pergunta... Não estarão os defensores do 'não' a comportar-se como o pai do recruta que olhava para a parada e dizia "num batalhão inteiro, o meu filho é o único a marchar com o passo certo"?

Uma referência final para as campanhas. O 'sim' tenta convencer-nos que todas as mulheres que abortaram foram julgadas, o que não é verdade. O 'não' comete uma aldrabice de todo o tamanho ao transformar um feto de dez semanas (dois meses e meio) num bebé de colo. Vergonhoso.Como já escrevi uma vez, tudo isto teria sido evitado se os eleitos do povo cumprissem a sua obrigação e legislassem sobre esta matéria.

Um abraço

Jorge F. Sousa

9.1.07

A simbologia

A presidência alemã da União Europeia prepara-se para lançar uma cruzada contra a simbologia nazi, com o intuito, julgo eu, de jogar a porcaria visível para debaixo do tapete. A táctica é simples e, por isso, simplista: aquilo que está proibido na lei é como se não existisse ou não pudesse existir. É uma forma de combater os problemas que não me tem como adepto. Geralmente, negar um problema não se constitui como uma verdadeira solução. O mesmo começa a acontecer com os fumadores, escorraçados para longe da vista que é como quem diz, para bem longe do coração.

As práticas de higiene sociais, mentais e visuais são parte frequente da nossa ridícula existência e uma espécie de nova filantropia política que pretende acima de tudo uma procura positivista e racional por um homem novo, socialmente educado e perfeitamente previsível. Os regimes totalitários tiveram os mesmíssimos objectivos e também na altura ninguém deu por nada. Ou fingiu não dar. Nunca percebi a fúria e a enternecedora odisseia, porque se esperanças ainda houvesse na salvação ou na construção deste hipotético homem, ou nesta criação abstracta, bastava olhar para o período natalício para se perceber o quão irracional pode ser o homem e os seus descendentes dentro de um centro comercial.

Proibir a simbologia não vai resolver o problema, porque ela se calhar até se alimenta da sua alardeada e propagandeada clandestinidade. Os adeptos agradecem o gesto. Mas ainda assim várias coisas me preocupam nesta aberrante manipulação: porque é que esta fúria só se aplica à extrema-direita? Porque é que esta proibição não se estende à extrema-esquerda e aos seus símbolos? Até quando vou ter de aturar adolescentes patetas com a efígie de assassinos e terroristas estampados no peito, de Mao Tsé-Tung (ou Mao Zedong, se preferirem) a Che Guevara? E quando é que vão proibir a foice e o martelo, símbolo fracassado e representativo de uma utopia que ceifou a vida a milhões? Haja decoro.

Infelizmente para o mundo, o marxismo continua a ser o principal inimigo da democracia e o atractivo mundo de alguns intelectuais que nunca sofreram na pele as suas agruras. Curioso sistema o nosso que deixa que os seus inimigos permaneçam no seu seio a minar por dentro o que mais nos custou conquistar.

Serviço Público

A RTP esteve entretida na tarde de ontem a transmitir um desafio de futebol entre o Benfica e o Bayern de Munique. O jogo não era da Liga dos Campeões, do Mundial de Clubes ou da Taça UEFA, mas ainda assim a RTP decidiu que este desafio, feito algures no Dubai num torneio desconhecido, tinha todas as condições para ser televisionado em sinal aberto pelo povo sedento de bola.

Não sei quanto a RTP pagou para transmitir esta idiotia, mas no resumo que ouvi na TSF após o jogo, foi por lá descrito que o mesmo foi um suplício a toda a prova, o que é razão mais do que suficiente para questionarmos os critérios de escolha utilizados. Evidência incontestável: de acordo com o jornalista de serviço não houve uma única oportunidade de golo na segunda parte, sendo o jogo decidido no adverso e controverso sistema de lotaria. Mais: ambas as equipas, jogaram com os seus suplentes o que atesta bem o modo como encararam o torneio.

Desconheço porque se continuam a fazer este tipo de favores que são um caso axiomático de concorrência desleal para com todos os outros clubes. Mas a noção de serviço público tem de ser rapidamente revista para que estas situações não se repitam. As empresas públicas, pagas com o dinheiro de todos nós, devem ser superiores a estas artimanhas que fomentam um sentimento gritante de injustiça. Reparem que a RTP não transmitiu nenhum jogo da Taça de Portugal, por exemplo. E que ainda há bem pouco tempo, a Caixa Geral de Depósitos, através desse duvidoso Armando Vara, deu 15 milhões de euros ao Benfica para colocar o seu patético nome (o da Caixa) no centro de estágio (do Benfica).

Eu pensei que o tempo do Fado, Futebol e Fátima já tinha passado. Engano meu. Desculpem a ingenuidade.

Afinal, mãe há só uma?

No Canadá, um tribunal reconheceu como legal que um miúdo tenha duas mães e um pai. Não sei que caixa de Pandora foi aberta com semelhante decisão, mas importantes questões éticas, jurídicas e morais tomam forma.

Para além da mãe biológica, foi também considerada mãe a actual companheira da mãe biológica, que passa a ter igual estatuto. Isto para além do pai biológico, ex-companheiro da mãe biológica, que continua com o seu papel normal. Confusos? Por favor, não fiquem. No Canadá, muita coisa é possível. Aliás, tal como em Portugal, embora em doses e coreografias diferentes.

Ignoro o que acontecerá legalmente se o pai, um belo dia, conhecer um adónis que o leve à perdição e à homossexualidade assumida. Terá o seu companheiro igual estatuto e papel? Será esta criança a primeira criança no mundo com dois pais e duas mães formalmente constituídos? E o que acontecerá se um dia o casal (ou os casais) se separar(em)? Quem fica com a guarda do petiz? Tudo perguntas que por agora não têm resposta. Certo, certo é que mais uma verdade tida como absoluta foi inapelavelmente abatida: mãe, afinal, só há poucas. Esperemos agora pelo pai para ver o que acontece. Aceitam-se apostas.

Correia de Campos ajuda o Não

As mulheres que não quiserem ser identificadas não poderão ser atendidas nos hospitais do Estado, o que leva Correia de Campos, Ministro da Saúde, a admitir que a maioria dos abortos seja feita em clínicas privadas, e só uma pequena parte nos hospitais públicos.

O mesmo ministro revelou ainda que, no sector público, um aborto custará ao Estado entre 350 e 700 euros. Imagine-se, então, quanto custará em clínicas privadas. Já agora, quantas mulheres continuarão a optar pelos abortos clandestinos, porque não quererão ser identificadas nos hospitais públicos e não terão dinheiro para as clínicas privadas?

Mudar a lei para quê, senhor Ministro?

Em defesa do Não

Caro Magno, utilizar o "Freekonomics" como obra de referência para justificar um argumento ou para alicerçar um debate revela uma evidente impreparação. Como tal, o teu post não merece, da minha parte, qualquer comentário para além, evidentemente, daquilo que escrevi nas míseras três linhas anteriores.

Assumo-me como defensor do Não no referendo. E por diversas razões (que nada têm a ver, evidentemente, com as enormes lições aprendidas numa qualquer obra "fast-food" de literatura liberal). Uma delas é evidentemente, da ordem do simbólico: Acredito que a vida começa na altura da concepção. E tenho o direito de crer naquilo que me apetece, ou não?

Outras são de ordem sociológica (ou filosófica, se quiserem): Vivemos numa época em que a desresponsabilização é uma regra de ouro. E é esse o princípio que me parece nortear os defensores do "sim". E é esse o princípio em que não acredito. No debate, repetem-se argumentos que tendem a minimizar a responsabilidade individual. E que assim minimizam, também, a liberdade individual, ao contrário daquilo que querem fazer crer os defensores do "sim". Acredito numa liberdade responsável. Na qual cada um dos actores conhece as opções e é livre de seguir o caminho que entender, assumindo depois as vantagens e desvantagens das escolhas que faz.

Quanto às críticas que se ouvem em relação à "moral cristã", perdoe-se a ignorância de quem as faz, mas toda a nossa concepção de vida, toda a nossa organização social, toda a nossa existência enquanto sociedade e enquanto indivíduos alicerça-se nas directrizes morais judaico-cristãs.

Fala-se depois da questão do dinheiro. Pois eu continuo a achar que é importante, ao contrário daquilo que dizem os defensores do "sim", falar de verbas. Principalmente daquelas que serão gastas em abortos e que poderiam ser utilizadas na prevenção, na educação sexual e no apoio às mães e às familias, ou seja, atacando e prevenindo o drama, em vez de tentar solucioná-lo "a correr e aos gritos".

Ouvem-se, depois, argumentos fantásticos. Do género "há mulheres a ser despedidas por ficaram grávidas". E a solução será porventura, abortar para evitar o despedimento (juro que isto está no DN de hoje. E que Carvalho da Silva estava presente na mesa onde isto foi dito). Mais uma vez, procura-se resolver o problema a jusante, esquecendo-nos de procurar a solução a montante.

No que respeita ao "negócio" - e os defensores do "sim" apontam aqueles que pensam de forma contrária como pontas de lança do tenebroso mundo dos abortos clandestinos. Pois bem, a única coisa que vejo é o interesse de clínicas espanholas em abrir em Lisboa e no Porto. Financiando, quem sabe, alguns brupos interessados em mudar a Lei vigente.

Existem mais razões que me levam a votar Não. Deixo-vos duas:

Vocês imaginam a eficácia de uma Lei que não será cumprida, certamente, na maioria do território nacional, simplesmente porque a maioria dos portugueses a entendem como boa para os outros e não para si? Trocando por miúdos, estão a ver uma menina de São Vicente, de Freixo de Espada à Cinta ou de Bragança entrar pelo consultório do médico de familia dentro a pedir para fazer um aborto, correndo o risco de "ficar falada", ou seja, de deitar a perder parte do capital social da familia? Qual a eficácia, então, de tudo isto?

O que farão os defensores do "sim" se ao Tribunal chegar uma mulher acusada de ter feito um aborto, digamos, às 11 semanas? Acham que as mulheres deixarão de ir a Tribunal por causa de abortos clandestinos?

Resumindo: Acredito no primado da vida humana. E acredito numa sociedade responsável, que aposta na prevenção e no apoio quando essa prevenção não é suficiente. Não acredito que a alteração da actual Lei acabe com o aborto clandestino e muito menos contribua para minimizar um dos maiores dramas da sociedade portuguesa: a gravidez juvenil.

Post-Scriptum: Todos aqueles que discordarem de mim são benvindos ao debate. Acredito que a discussão em torno deste tema se deve fazer. Sem histerias. Por isso, este blog tem uma caixa de correio - conspiracaoassete@hotmail.com. Colocaremos, on-line, todos os textos que julgarmos fundamentados, pró e contra a alteração da Lei. Convidamos a escrever. Sem histeria.

8.1.07

Mais uma hipocrisia? Não, obrigado

Nem sei por onde começo. Mas não aturo, nem oiço mais, os argumentos “pro” vida sobre a questão do aborto. Gente que pensava sensata vive, e ainda por cima acredita, nesta hipocrisia latina e católica apostólica.

Até o dr. António Borges, pessoa que considero bastante, também vem com a conversa dos elevados custos dum aborto ao estado português. E então um marginal quanto custará à sociedade portuguesa?

Sem recorrer à ficção (ver o livrinho “Freekonomics”, de Steven Levitt e Stephen Dubner) provou-se que reduzindo as gravidezes indesejadas reduz-se directamente a marginalidade, pequena e grande, o insucesso escolar, a violência juvenil, enfim, um sem número de problemas sociais que, em regra, começam sempre num mau berço.

Depois vem a questão do envelhecimento da população. E daí? O equilíbrio demográfico não se faz com imposições. Por mim, prefiro ver velhos saudáveis em Paris do que crianças esgrenhadas nas Filipinas cujo destino mais do que certo todos sabemos bem qual é.

Há malta que viaja tanto, que vai à Holanda, Inglaterra, Alemanha, Canadá, e não sei o que aprende por lá. Não sei mesmo.