22.11.05

Excertos e intervenções VII

"Como foi possível ter chegado a isto? Como foi possível ter deixado as coisas chegarem a este ponto? Que esperança podem ter os nossos jovens quando todos os dias a caminhada fica mais longa, penosa e sem fim à vista? Que esperança podem ter os nossos jovens quando para progredir se vêem impelidos a sair do seu próprio país? Que esperança podem ter os nossos jovens quando saem das universidades directos para as esguias filas do desemprego? [...] A terra prometida afasta-se. Nem o “povo escolhido” atravessa o deserto nem Ulisses chega a casa. O que fazemos portanto? Nada como andar entretidos. Andar entretidos com eleições presidenciais que ainda estão a dois meses de distância. Faz-me lembrar o Natal e as decorações dos centros comerciais que chegam ao ridículo de começarem no dia 1 de Novembro. Afinal, o Natal sempre é quando um homem quiser. Vale tudo para encantar a serpente. Vale tudo para contentar o séquito sedento pela divisão dos despojos do saque. Entretidos com as eleições, os portugueses entrarão nesta quadra natalícia com a certeza do dever cumprido. Com dinheiro no bolso, álcool nas veias, carne na mesa e presentes no sapatinho, a época privilegia o adormecimento, o apaziguamento, o torpor desmazelado e o nacional-porreirismo de quem vive em festa permanente."

Excertos e intervenções VI

"A própria autoridade do Estado é questionável. E todos os dias diminui porque é colocada em causa aparentemente sem qualquer problema. Neste país já ninguém estranha que um órgão de soberania, e digo bem: um órgão de soberania, ande a brincar às greves enquanto, num outro prisma, o presidente do sindicato dos profissionais de polícia ameace bloquear Lisboa e com igual desplante, e em plena televisão, se vanglorie de já ter ajudado a despachar um primeiro-ministro para Bruxelas e que outro pode seguir a direcção do Quénia. Estamos em plena morte da autoridade: ninguém obedece a ninguém, ninguém cede, o regabofe está instituído [...]. Reina a impunidade geral, a chacota e a certeza corrente que a justiça nunca chegará."

Excertos e intervenções V

"[...] A tudo isto acresce a actividade política: os políticos começam a ser conhecidos pelas mentiras que dizem, pelas contradições evidentes, pelas acusações inusitadas que trocam e que em nada contribuem para a elevação do discurso político e seriedade das políticas. É indesmentível a ideia pejorativa que os cidadãos comuns transmitem e que têm dos políticos. E a coisa tende a piorar: às mentiras, às contradições, às acusações é preciso adicionar as sombras de corrupção, os favores feitos e a promiscuidade instituída. Se a isto juntarmos as promessas descaradas e por cumprir... o que falta para sermos linchados?"

Excertos e intervenções IV

"[...] Mas perceba-se as diferenças: por muito menos, a comunicação social adocicada e domesticada, fez do santanismo (um nome forçado), razão de ser da sua quimera, desgosto colectivo e seu inimigo declarado. Foi contra o que se fazia, contra o que não se fazia. Hoje as trapalhadas abundam, mas os silêncios são comprometedores e demonstrativos do conluio e da conivência entre ambos os poderes. Afinal, é chique ser-se de esquerda, estar-se com a esquerda, ser-se um intelectual, ler uns livros do Chomsky e acreditar na Bíblia, no “Império” do Negri; é chique ir às manifestações, atirar uns molotovs, fazer jardinagem guerrilheira enquanto o Dr. Louçã nos ensina a resistir à polícia e a sermos subversivos; é bonito ser-se assim, pensar-se assim; ainda para mais quando é o próprio aparelho ideológico do Estado a instigar e a fazer proliferar essa ideologia monstruosa que atende pelo nome de politicamente correcto, uma espécie de novo marxismo encapotado ao serviço da demagogia de pior índole e de gente que se julga moralmente superior aos outros."

Excertos e intervenções III

"A instabilidade é hoje uma manifestação característica da política em Portugal. Em pouco menos de meia dúzia de anos, três eleições para o governo, impuseram quatro primeiros-ministros e outros tantos executivos que se sucederam nos tempos, nos ministérios e nas políticas. Muitos orçamentos, muitos orientações, muitas bazófias: todos com a mesma premissa: controlar o monstro, matar o défice, salvar a pátria. Mas o problema não são as eleições, maioritariamente monótonas: o problema é o modo como elas são provocadas e as verdadeiras causas que ocultam. Ainda hoje, se está para perceber porque é que só agora os poderes presidenciais são demasiados poderosos quando não o foram para destituir, deselegante e pouco polidamente diga-se de passagem, um governo escolhido pela maioria dos portugueses. Só hoje se discute a filosófica questão do presidencialismo e dos seus poderes institucionais."

Excertos e intervenções II

"A crise financeira do Estado é grave. Ouvimos isto há muitos anos da boca dos mais diversos especialistas, peritos e outros géneros de experts. Todos conhecem as causas e têm os antídotos milagrosos. Há anos que os ouvimos, mas há anos também que estamos exactamente na mesma: a nossa economia não cresce, as despesas não diminuem, as receitas são colectadas pela metade, a terra prometida afasta-se. Temos de enfrentar a concorrência global, sendo um país periférico e tendo um vizinho que diariamente nos engole enquanto assobiamos para o lado, recusando nada ver. A tudo isto é preciso somar as hordas de analfabetos funcionais que anualmente produzimos, a ausência de políticas de incentivo ao risco e ao empreendedorismo, a inexistência de justiça fiscal, a evidente desqualificação e degradação dos sectores produtivos. Não há milagres. Por mais que supliquemos por Fátima, não há milagres. [...] Talvez por isso se fale hoje no esgotamento da social democracia clássica e do socialismo democrático. À esquerda, desde os gloriosos 30 anos, que é visível a sua decadência e o seu problema ideológico que mais não é do que a essência e razão da sua existência. Navegamos todos à deriva. E porquê? Porque a economia não cresce e não crescendo nada tem para dar e ou para distribuir. Porque a economia não cresce e não crescendo não produz emprego, não garante direitos, não garante benefícios; Porque a economia não cresce e não crescendo não garante a sobrevivência e põe em causa o Estado social. [...] Restam duas soluções: ou entrar na dança e caminhar dançando para o abismo – num suicídio que pelo menos poria fim definitivo ao nosso sofrimento; ou de facto mudar para transformar e não para deixar tudo exactamente na mesma, afrontando os interesses instalados."

Excertos e intervenções I

"O problema português é o atraso. Não são as palavras, o pessimismo, os avisos. O problema português, central, estrutural e, consequentemente, conjuntural é o nosso evidente, cego e nefasto atraso. A raiz da questão está nos embustes, nos truques, no subdesenvolvimento endémico, nas golpadas, na impossibilidade lusitana de viver à custa alheia; o problema não está no mundo, na concorrência dos outros, na globalização, no neoliberalismo; a base da tragédia está na nossa incompetência e neste conservadorismo que impede e bloqueia a mudança e no facto de não vivermos num verdadeiro estado liberal que defenda uma verdadeira economia de mercado; o problema só por si por não se resolver, naturalmente agrava-se; [...] o que os portugueses precisam de ouvir é a verdade; o que os portugueses não precisam de ouvir são os contos de fadas, histórias da carochinha ou novelas intermináveis que soam a falsidade, aleivosia e aldrabice à distância; A crise do Estado é política. [...] E é isso que os portugueses também precisam de ouvir; basta de mentiras, de encobrimentos, de patranhas, de trapaças. Não tenhamos qualquer pejo em assumir o risco e em chamar as coisas pelos nomes. E a crise é acima de tudo política porque o regime notabilizou-se pela ocupação empedernida, cúmplice e desenfreada do Estado e pela apropriação indevida das suas benesses, benefícios e outras espécies de vantagens, deixando-se dominar por um clientelismo político, cancerígeno, que o mina e atrofia e que o impede agora de respirar. Este clientelismo sobrevive há demasiado tempo e com a complacência dos partidos que se vão alternando na cadeira do poder, onde são já mais de cinco milhões aqueles que directa e indirectamente dependem do Estado nas suas mais diversas formas e feitios. Talvez seja por isso que as campanhas eleitorais em Portugal sejam gigantescas fraudes onde tudo se cala, tudo se esconde, tudo se evita. Em nome da paz podre, do silêncio cúmplice, do grito mudo, canta-se música alegre e anedotas giras para fazer rir o Zé Povinho enquanto se lhe abre a caça ao voto. É claro que ele acredita. Que cegamente acredita. Como recentemente acreditou no oásis no deserto que lhe garantia ir baixar os impostos, produzir 150 mil empregos ou aumentar as pensões de reforma dos portugueses."

"Mádira" Nights

Um turísta/cantor britânico resolveu fazer uma canção chamada "Madeira Nights" (Mádira, em inglês).

O homem, de nome artístico Nemo James, deu-se ao trabalho de incluir na cançoneta o cada vez menos pacato lugar da "Assomada" - não há turista que não vá lá! - só para arranjar termo que rimasse com "Levada". Ora digam lá se não foi um trabalho notável!

Resta dizer que o bom do Nemo, que lembra o Clif Richard nos seus piores dias, está a pensar seriamente abandonar a carreira musical porque, refere no seu sítio, é dificil viver só da música em Inglaterra. Principalmente quandoa o talento, a julgar pela amostra, não abunda.

Eu, que sou uma alma caridosa, dou um conselho ao nosso amigo Nemo: mande um mp3 para a Secretaria do Turismo. Acredite que se o fizer terá algumas probabilidades de vender a musiqueta. E vê-la tornar-se um "hino" do turismo da Madeira, cantada todas as noites no Casino pelo bom do Pires, substituto do "mítico" Sérgio Borges, que por sua vez substituira Tony Amaral, que era parecido com um dos membros dos Platers.

Caro Nemo, atreva-se. Meta-se no submarino e venha (esta ficou um bocado esquisita, mas que se lixe!). Eu ajudo-o. E começo por divulgar a sua canção. Aqui vai:

Madeira Nights

"Madeira nights, Madeira day
show I love your beautiful land
and your simple ways
from Camacha to Assomada
we Lambada'd down the Levada
you gave to me a gift I can never repay
Madeira nights, Madeira days

There's a place in my heart
where the sun always shines
any time of year onto the sparkling sea
it's a magical island under a mystical sky
and it cast it's spell on me

You can step back in time
to how it used to be
when you were young
and the world simple and free
you can walk down the street
with no fear of harm
smiling faces are all you'll see

From the peaks of the mountains to the countryside
from the clear mountain streams to the awesome tide
I loved every part of your wondrous land
I loved your strength and pride
The people of Madeira how I envy you
you have something special
something kind and true
don't ever change how you are inside
how you do the things you do"

Já agora, propangandeio o seu sítio: http://www.nemo-james.co.uk/

Só tenho pena de não conseguir colocar aqui a sua música. Penso que este blog ainda não tem essa funcionalidade. E se tem, eu não a sei utilizar. Mas prometo que reencaminharei a sua canção para todos os endereços de correio electrónico que conheço. Penso que contribuirei dessa forma para a promoção daquele que, comparado consigo, é um génio musical, o Toy.

21.11.05

Pelos tomates

Uma das melhores "estórias" que li ultimamente. Retirada daqui.


"Agarrei-o pelos tomates!

Na Lituânia, uma senhora de 93 anos fez um ladrão passar por um mau bocado, quando se agarrou impiedosamente aos testículos do malandro. Soja Popova foi atirada para o chão quando abriu a porta de casa a dois jovens, mas conseguiu ripostar ao "apertar com todas as minhas forças" aos testículos de um deles, garantiu a valente senhora. A idosa relata que o jovem começou a gritar que nem um animal e que o amigo tentou puxá-lo, mas "eu tenho um poder de agarrar como ferro". A mulher diz ter uma força descomunal nas mãos devido aos muitos anos a ordenhar cabras. Os gritos de agonia do rapaz alertaram a vizinhança que chamou de imediato a polícia. O infeliz par foi detido pelos agentes ao saírem por uma janela de um dos quartos. Um (o mais infeliz) foi levado para o hospital, o outro, para uma cela. Um porta-voz da polícia garantiu que "não teriam ido longe, já que um deles mal conseguia andar e até pareceu agradado quando viu os carros da polícia. Pediu de imediato que o levassem ao hospital, por causa de umas dores insuportáveis."Mandamento sagrado: Não assaltarás a casa de quem ordenhou cabras durante 70 anos, se fores homem (e se o quiseres continuar a ser).O jovem pertence agora ao grupo de coral em falsete da prisão-hospital onde está internado.

Vá lá... ainda teve sorte. Podia a senhora ter dado para ordenhá-lo..."

40 milhões com SIDA

Existem 40 milhões de pessoas, em todo o mundo, infectadas pelo vírus da SIDA. O flagelo atinge países ricos, mas dizima algumas nações pobres, particularmente em África. São números que convém recordar. Sempre.

Humor negro (ou a verdade escondida)

Sampaio iniciou uma presidência aberta para relevar a necessidade dos idosos se manterem activos. Creio que levará Mário Soares pelo país todo, apresentando-o como exemplo.

Porto





Colombo Regressa à Ilha

Porque será que Sílvio Santos, o testa de ferro do grupo Siram, fala tanto na necessidade de novas ligações aéreas entre a Madeira e o Porto Santo? “Mais qualidade, um outro avião, para dar resposta às necessidades da ilha."?
Será que não conseguiu fazer negócio com a Aerocondor, como já foi notícia, por mais do que uma vez, e agora faz retaliação à empresa? Será que abandonou o projecto de pareceria e tem um outro em vista, mas é necessário alertar para o serviço da Aerocondor?

É no mínimo, estranho, o comportamento do empresário, com interesses económico-turísticos no Porto Santo.

Há poucos dias, o Presidente da República deslocou-se à ilha, para assinar o Programa Piter para o Porto Santo. Como é do conhecimento público, há 2 anos que este empresário anda a apresentar o hotel Colombo`s Resort. Já o fez “n” vezes. A última das quais, ontem, com a presença do arquitecto catalão Ricardo Bofill.

Se Jorge Sampaio o fez há poucos dias, porque é que não aproveitou a boleia presidencial? Não teria mais “publicidade” de borla, se é esse o objectivo? Evitava pagar as viagens dos jornalistas da Madeira e dos espanhóis, que desta vez trouxe com a comitiva.

Este mesmo empresário, não apareceu no local, no dia em que Jorge Sampaio apadrinhou os contratos-programa com outros dois hoteleiros, para o Porto Santo. O projecto Colombo´s estava incluído no programa Piter mas ficou de fora devido aos elevados preços (diz agora 40 mil contos por quarto. Edição de hoje do DN) mas já ouvi falar em 60 mil contos. O dobro do preço praticado em Portugal.

Pelo menos acertou no nome. Colombo`s. Também andou às voltas para conseguir o que queria.






Revolta das ovelhas em Madrid


Em Madrid, as ovelhas voltaram a sair numa marcha de protesto contra o fim das rotas de transumância. E defilaram, patrióticamente, em frente às Portas do Sol, passendo-se pelo centro de uma das maiores metrópoles europeias. Tal como em em Portugal, na velha Espanha são ainda evidentes os contrastes resultantes das recentes transformações que motivaram o fim do domínio dos campos e das formas de vida tipicamente rurais. Agora, reinam as cidades e os códigos urbanos. Se calhar, para mal das ovelhas de Madrid.

19.11.05

Compras para o Natal


É inevitável. Com ou sem dinheiro os portugueses vão ser seduzidos, a gastar o que têm, e o que ainda vão ganhar no próximo ano.

Eu já decidi. Vou contra tudo e todos!
Contra as indicações da União Europeia, que já proibiu a importação de têxteis chineses. O país já ultrapassou a quota. Contra o meu Governo, que nada fez para modernizar a indústria têxtil. Contra os empresários do sector, em Portugal, que devem estar beira de um ataque de nervos. Vou, inclusive, contrariar as indicações da Quinta Vigia.

Que fique bem claro. Não sou do contra, mas vou agir contra: - Os preços altos, praticados pelo comércio tradicional, em Portugal; contra os salários baixos pagos no meu país.

É face a esta realidade, que vou fazer compras nas lojas chinesas. São mais económicas, têm produtos diferentes, -( porque também sou contra a globalização do comércio) e apresentam mais variedade.

Num destes dias entrei numa loja chinesa. Confesso! Fiquei estupefacto com a oferta. Encontrei desde uma sexy peça de langeri, até uma útil tampa para sanita. Só que não era uma tampa qualquer. Tinha um toque oriental. Estava forrada com um material, tipo esponja. Imaginem o conforto de uma ida à casa de banho…

Também dei com cabeças à venda. Sim; género manequim. Curiosamente eram todas ocidentais. Como sabem que não gostamos de chineses, pretos, indianos, e por aí fora, não querem hostilizar. Não é por acaso que têm, “sorte” para não dizer, olho, para o negócio.

Por momentos, ainda tive esperança que poderia fazer história em Portugal. Contrariar uma tendência dos blogues. Como a maioria dos leitores detesta, os gloguistas anónimos, procurei, cuidadosamente, a minha cabeça clone.. Juro! Ia fotografá-la e expô-la na CONSPIRAÇÃO. Infelizmente, nenhuma das que estava exposta era parecida com a minha.

Ainda pedi ajuda à chinesa da loja. Perguntei-lhe se não tinham mais cabeças. É óbvio que não sei falar chinês. Apontei com as mãos para minha cara e……
Disse-me que NAU, NAU..

Retribui-lhe com uma vénia, com a cabeça e continuei a ver loja….

NOTA: NO PRÓXIMO DIA, NÃO PERCA A HISTÓRIA DA CASA CHINESA NA MADEIRA.

18.11.05

Coisas que me chegam por e-mail



Imagens da derrocada que esta semana atingiu a Marginal e o Porto de Recreio da Calheta.

Eu não

Nos Açores, os ordenados "valem" mais 3%. Mesmo assim, eu não viveria nos Açores...

Estamos com eles


Estamos com eles. E gostaríamos que os exemplos de coragem e dedicação de todos eles fossem seguidos mais vezes neste país.

Apoio

A segunda é, curiosamente, apoiada por um dos maiores pensadores portugueses da actualidade: José Gil. Não deixa de ter graça.

Multiplicam-se

Eles multiplicam-se:

www.botelhoribeiro.org

http://www.manuelamagno.com.pt/

Coisas que me chegam por e-mail

O que ganha, quem nos quer esfolar!!!

- Boas Vidas!!!

Nem tudo vai mal nesta nossa República· (Pelo menos para alguns)

Com as eleições legislativas de 20/Fevereiro, metade dos 230 deputados não foram eleitos. Os que saíram regressaram às suas anteriores actividades.

Sem, contudo saírem tristes ou cabisbaixos. Quando terminam as funções, os deputados e governantes têm o direito, por Lei (deles) a um subsídio que dizem de reintegração:

- um mês de salário (3.449 euros) por cada seis meses de Assembleia ou governo.

Desta maneira um deputado que o tenha sido durante um ano recebe dois salários (6.898 euros). Se o tiver sido durante 10 anos, recebe vinte salários (68.980 euros). Feitas as contas e os deputados que saíram, o Erário Público desembolsou mais de 2.500.000 euros.

No entanto, há ainda aqueles que têm direito a subvenções vitalícias ou pensões de reforma (mesmo que não tenham 60 anos). Estas são atribuídas aos titulares de cargos políticos com mais de 12 anos.

Entre os ilustres reformados do Parlamento encontramos figuras como:

Almeida Santos......................... 4.400, euros;

Medeiros Ferreira....................... 2.800, euros;

Manuela Aguiar......................... 2.800, euros;

Pedro Roseta.............................. 2.800, euros;

Helena Roseta............................ 2.800, euros;

Narana Coissoró ...................... 2.800, euros;

Álvaro Barreto............................. 3.500, euros;

Vieira de Castro........................... 2.800, euros;

Leonor Beleza ............................ 2.200, euros;

Isabel Castro............................... 2.200, euros;

José Leitão................................ 2.400, euros;

Artur Penedos............................ 1.800, euros;

Bagão Félix............................... 1.800, euros.

Quanto aos ilustres reintegrados, encontramos os seguintes:

Luís Filipe Pereira ............... 26.890, euros / 9 anos de serviço;

Sónia Fortuzinhos .... 62.000, euros / 9 anos e meio de serviço

Maria Santos ..................... 62.000, euros /9 anos de Serviço;

Paulo Pedroso ........ 48.000, euros /7 anos e meio de serviço

David Justino ............ 38.000, euros /5 anos e meio de serviço;

Ana Benavente ................... 62.000, euros/9 anos de serviço;

Mª Carmo Romão .............. 62.000, euros /9 anos de serviço;

Luís Nobre Guedes ... 62.000, euros/ 9 anos e meio de serviço.

A maioria dos outros deputados que não regressaram estiveram lá somente a última legislatura, isto é, 3 anos, o suficiente para terem recebido cerca de 20.000, euros cada.

É ESTA A CLASSE POLÍTICA QUE TEM A LATA DE PEDIR SACRIFICIOS AOS PORTUGUESES PARA DEBELAR A CRISE..

MAS... HÁ MAIS !!!

APESAR de ter apenas 50 anos de idade e de gozar de plena saúde, o socialista Vasco Franco, número dois do PS na Câmara de Lisboa durante as presidências de Jorge Sampaio e de João Soares, está já reformado.

A pensão mensal que lhe foi atribuída ascende a 3.035 euros (608 contos), um valor bastante acima do seu vencimento como vereador.

A generosidade estatal decorre da categoria com que foi aposentado - técnico superior de 1ª classe, segundo o «Diário da República» - apesar de as suas habilitações literárias se ficarem pelo antigo Curso Geral do Comércio, equivalente ao actual 9º ano de escolaridade.

A contagem do tempo de serviço de Vasco Franco é outro privilégio raro, num país que pondera elevar a idade de reforma para os 68 anos, para evitar a ruptura da Segurança Social.

O dirigente socialista entrou para os quadros do Ministério da Administração Interna em 1972, e dos 30 anos passados só ali cumpriu sete de dedicação exclusiva; três foram para o serviço militar e os restantes 20 na vereação da Câmara de Lisboa, doze dos quais a tempo inteiro.Vasco Franco diz que é tudo legal e que a lei o autoriza a contar a dobrar 10 dos 12 anos como vereador a tempo inteiro.

Triplicar o salário. Já depois de ter entregue o pedido de reforma, Vasco Franco foi convidado para administrador da Sanest, com um ordenado líquido de 4000 euros mensais (800 contos). Trata-se de uma sociedade de capitais públicos, comparticipada pelas Câmaras da Amadora, Cascais, Oeiras e Sintra e pela empresa Águas de Portugal, que gere o sistema de saneamento da Costa do Estoril. O convite partiu do reeleito presidente da Câmara da Amadora, Joaquim Raposo, cuja mulher é secretária de Vasco Franco na Câmara de Lisboa. O contrato, iniciado em Abril, vigora por um período de 18 meses.

A acumulação de vencimentos foi autorizada pelo Governo mas, nos termos do acordo, o salário de administrador é reduzido em 50% - para 2000 euros - a partir de Julho, mês em que se inicia a reforma, disse ao EXPRESSO Vasco Franco.

Não se ficam, no entanto, por aqui os contributos da fazenda pública para o bolo salarial do dirigente socialista reformado. A somar aos mais de 5000 euros da reforma e do lugar de administrador, Vasco Franco recebe ainda mais 900 euros de outra reforma, por ter sido ferido em combate em Moçambique já depois do 25 de Abril (????????), e cerca de 250 euros em senhas de presença pela actuação como vereador sem pelouro.

Contas feitas, o novo reformado triplicou o salário que auferia no activo, ganhando agora mais de 1200 contos limpos. Além de carro, motorista, secretária, assessores e telemóvel.

16.11.05

Actualizações

Este blogue está a crescer. Não está mau.


My blog is worth $3,387.24.
How much is your blog worth?

Um verdadeiro candidato português

Encontrei finalmente um candidato à altura. Um alcoólico fala-barato com alma de artista, intelectual das bejecas e do torresmo. Um campeão dos matraquilhos. Um “Macho latino” com alma de fadista. Um homem sentimental que chora quando ouve a Ruth Marlene e o hino, nos jogos da selecção. Um benfiquista convicto, roedor de coiratos nas barracas que rodeiam a “catedral”. Um caminhante infatigável nos corredores do “Colombo” e nas sex-shoops da “baixa”. Um voyeur que espreita as meninas da escola secundária.

Um racista moderado que usa meia branca e sapato preto perfeitamente engraxado.

(e a unha do dedo mindinho crescida pra ser útil, pá!)

Um homem de família que usa um colar de Nossa Senhora da Aparição por fora da camisa branca de polyester. Um ás na cama e no volante

(a minha Rosa que o diga. E também se não disser leva logo com uma estalada que lhe desloco o maxilar, pá. Em casa mando eu, olha que f….).

Um atento leitor da bola

(esses tipos pá, não sabem escrever são todos do Porto, é o que é, o Pinto da Costo comprou-os todos pá. Quero é que se f…. todos, pá)!

Um iletrado assumido.

(Saramago? Punha esse gajo na agricultura, pá, pa quê que servem os livros? Eu nunca li nenhum e prontos, pá, sei mais que esses gajos todos, pá. Quero é que se f…. todos, pá!)

Um fã do Salazar

(se o homem não tivesse morrido pá, em África os turras tavam f… era o que era, pá… Gajos com tomates, é o que a gente precisa, pá… Só que apareceu o Bochechas e f… tudo pá, isso é que é, essa é a verdade pá, f… e agora ainda quer que votem nele pá…, vá mas é pó c…. que se a minha Rosa não tivesse a ouvir mandava-o prá p...q...p... pá!)

Um verdadeiro português.

http://www.vieira2006.com/

Vamos alcatroar Portugal com o Vieira!

(não pá, não é o do Benfica)!

Os cromos da bola

E se, de repente, desenterrados do baú surgissem os verdadeiros cromos da bola? Eis mais um blogue extraordinário, que prova como a blogosfera consegue diariamente surpreender. (Obrigado, Hugo.)

Netmadeira

As cartas sobre a Netmadeira multiplicam-se no espaço público madeirense. As queixas variam entre a lentidão comprovada e o dinheiro despendido. Que é “lenta”, que é “cara”, que é uma “desgraça”, que “me impede de trabalhar”, que não sei o quê, que não sei que mais, e outros primores do género. Como bons portugueses, os madeirenses passam boa parte do seu tempo a reclamar contra aquilo que não funciona. Têm esse direito. Têm esse dever. Não ponho em causa as reclamações até porque não utilizo o serviço da empresa em questão, embora veja tudo isto como tempo perdido uma vez que as queixas devem ser dirigidas, em primeiro lugar, à empresa.

Apenas duas perguntas: se a empresa não dá resposta e o serviço é mau, porque é que insistem no erro em vez de mudar para o ADSL, por exemplo? Acham o serviço muito caro e muito lento? Pois então aproveitem outras tarifas de outros serviços com velocidades iguais ou superiores. O mercado de acesso à Internet hoje em dia, felizmente, não é monopólio de ninguém. E se não estamos satisfeitos, podemos sempre mudar, que é coisa que na realidade nem custa muito. O que não falta por aí são alternativas para os clientes. Basta escolher.

O candidato que faltava

Agitam-se as águas. O (quase) candidato mais esperado já está em campo. Manuel João, pois claro.

Fnac

Ouvi dizer que a FNAC vai abrir brevemente uma loja no Funchal. Nem tudo é mau...

Elementos


Tédio

Na Madeira, ultimamente, vive-se na Paz do Senhor. Para além do Palácio e do facto do Bispo ter proibido missas de capas na Sé, não se passou absolutamente nada de relevante nos últimos dias. Assim, meus caros, isto torna-se um tédio...

15.11.05

Um conjunto de frases feitas

Cavaco conseguiu estar uma hora na televisão sem dizer nada. Ou melhor, dizendo o óbvio. Anunciou que estará "acima dos partidos", ou seja, cumprirá uma obrigação constitucional. Referiu que quer colaborar com o Governo, este ou qualquer outro, ao que parece. Afirmou considerar importante pôr todos os "órgãos de soberania" (os tribunais incluídos, presumo) a "remar para o mesmo lado nas grandes questões nacionais", a saber: competitividade das empresas, competitividade das empresas, competitividade das empresas e competitividade das empresas.

Para provar que é um homem que mobiliza voltou a referir-se aos seus governos, dizendo que mais ninguém teve tanto sucesso em matérias de consertação social. Para mostrar ser conhecedor dos dossiês lembrou ter participado em "29 conselhos europeus". Piscou o "olho à esquerda". Fez "olhinhos ao centro" e, confiante de que tem a direita no bolso, ignorou-a por completo. Presume-se que para se mostrar "homem de vasta cultura geral" citou Churchill, ou melhor, repetiu um dos mais conhecidos lugares-comuns ditos pelo estadista britânico.

Para reforçar que estava interessado nos grandes problemas internacionais anunciou que numa entrevista da qual ninguém se lembra, num canal de televisão do qual ninguém se recorda, criticou a diplomacia americana por não ter conseguido evitar a Guerra no Iraque (posição parecida à de Soares).

Cavaco voltou, enfim, a debitar uma série de frases feitas. E o pior é que basta continuar assim para chegar a Belém, tal a debilidade dos restantes candidatos.

14.11.05

"Mais parva não consigo ser (JAD)."

O post de Joana Amaral Dias (aqui) demonstra a tibieza da Brigitte Bardot da pseudo-esquerda portuguesa. O seu nível desceu a patamares inimagináveis, levando-me a concluir que a menina não passa de um torso convincente e de uma embalagem facial magnetizante.

Felizmente, estas posições farão o seu ocaso, não tem estrutura moral e intelectual para atingir algo de relevante. Plagia, copia, opina sem nexo, é malcriada, simplifica tudo, é óbvia, em suma, uma cabecinha oca, aqui e ali polvilhada de uma esperteza saloia, tão típica do nosso país.

Torna-se penoso seguir a sucessão de barbaridades proferidas ou escritas pela criatura, nem uma criança ou pré-adolescente recorre a tão vulgar argumentário. Não há pachorra para protagonistas tão básicos.

Um sucesso cinematográfico

A I Edição do Festival de Cinema do Funchal (FICF), integrada no Programa Oficial das Comemorações do V Centenário da Cidade do Funchal, foi um sucesso óbvio. Sobretudo pela participação do público e pela atenção mediática que conseguiu obter não só na Madeira, mas também nos órgãos nacionais.

No que respeita ao público, o FICF conseguiu atrair 3.500 pessoas, sendo que 500 assistiram às "curtas" no Jardim Municipal. As restantes fotam ao Teatro, sendo que nas sessões da noite foi atingida uma taxa de ocupação de 90%.

O evento teve uma cobertura mediática muito forte na Região, com destaques para o Diário, Notícias da Madeira, Jornal da Madeira e RTP-M, e foi amplamente divulgado em órgãos de comunicação social nacionais, com destaques, entre outros, para a "Premiére", que enviou até à Região José Vieira Mendes, editor-chefe, para o Público, que anunciou o Festival e entrevistou Victoria Abril ou para a Agência Lusa, que enviou o jornalista Pimenta de França.

Em resumo, o FICF tem potêncial para transformar-se num cartaz turístico importante para a cidade e para a Região.

Campanha

Soares faz a campanha em função de Cavaco. Alegre faz a campanha em função de Cavaco e de Soares. Louçã faz a campanha em função de Cavaco, Soares e de Alegre. Jerónimo faz a campanha em função de Cavaco, Soares, Louçã e agora também de Alegre. Garcia Pereira fará a campanha para tentar aparecer na televisão. Em resumo, cada qual atira-se ao que está à sua frente.

11.11.05

Encontro dos Amigos do Oriente

O Funchal receberá, a partir deste fim-de-semana, o Encontro da Associação dos Amigos do Oriente, integrado do calendário oficial das Comemorações do V Centenário da cidade. Entre nós estarão alguns dos maiores colecionadores e especialistas mundiais no que se refere a temáticas como a Expansão Portuguesa ou as relações da Europa com o Oriente no tempo das Descobertas.

Para além das conferências previstas para o Arquivo Regional da Madeira, que contarão com as participações, entre outros, de Ezio Bassani, Amin Jaffer, Ronald Fuchs II, William Sargent ou Maria Antónia Pinto de Matos, destacam-se as duas exposições englobadas no certame. A primeira apresentará ao público da Madeira uma das mais extraordinárias colecções mundiais de arte antiga - "Um Olhar do Porto - Colecção Dr. Jorge Mota". Estará patente no Museu da Quinta das Cruzes a partir de sábado.

A segunda, instalada no Museu de Arte Sacra, reúne um alargado leque de objectos de colecções madeirenses. "A Madeira nas Rotas do Oriente" será inaugurada domingo.

Um conjunto de eventos a não perder. Principalmente por aqueles que dizem que no Funchal nunca se passa nada de relevante.

Serviço cívico

Com deputados a prestarem uma espécie de "serviço cívico" não creio que se dignifique o Parlamento, o debate parlamentar e a acção legislativa. Sendo assim, a ideia hoje lançada por Jaime Ramos não é, na minha opinião, exequível. Até porque se todos os problemas do sistema político fossem os ordenados dos parlamentares estaríamos extraordináriamente bem. Acredito que Jaime Ramos esteja a tentar minimizar os danos que a nova Lei Eleitoral vai causar no partido da maioria. Mas não terá encontrado ainda a melhor forma de o fazer.

Mais um

Mais um candidato à presidência da República (eles multiplicam-se).

Só tenho pena que o Manuel João Vieira ainda não tenha avançado. Pelo menos tinha graça.

10.11.05

Não gosto dele. E pronto!

"Há qualquer coisa de visceral que me opõe a Mário Soares. Não tem nada a ver com as histórias que já ouvi ou com outra coisa qualquer. Não gosto dele. Pronto". A frase foi ontem proferida por uma amiga de Lisboa. E eu percebo-a perfeitamente.

Pulo do Lobo

Não escrevi no post anterior: O Pulo do Lobo é um blogue "não oficial nem oficioso" que apoia a candidatura de Cavaco Silva. Conta com as colaborações de Francisco Mendes da Silva, Francisco José Viegas, Pacheco Pereira, Pedro Lomba, Rafael Lucas Pires, entre outros.

A Direita e as direitas

Excelente o post de Francisco Mendes da Silva no Pulo do Lobo.

"Vamos ser claros. Portugal aproxima-se desse momento crucial em que terá obrigatoriamente de reformar profundamente a sua Constituição. É algo que a direita menos envergonhada defende desde 1974 e que hoje se afirma inevitável, em face da concorrência dentro e fora da Europa. Há muito que uma nova constituição deixou de ser um mero símbolo ideológico. Um destes dias, PS, PSD e CDS entender-se-ão nesse sentido. Fará algum sentido, dos que se candidatam, outro que não Cavaco na Presidência? Não faz. E o problema é que o perigo de a esquerda, unida na segunda volta, ganhar as eleições, é real. Se não o fosse, haveria tempo e disposição para floreados retóricos e afirmações sobre espaços vitais à direita. Como não é isso que sucede, o único espaço vital com que a direita em conjunto se deve preocupar, por ora, é a Presidência da República.", escreve Francisco Mendes da Silva, explicando assim porque razão a direita deve "tapar os olhos e votar Cavaco", que não é um candidato de direita, mas que se converteu no candidato da direita, para mal dos seus pecados.

O título deste post foi roubado, propositadamente, a uma obra de Jaime Nogueira Pinto.

Ricardo na mão dos... Astros

O treinador da selecção francesa ainda não escolheu o guarda-redes para o Campeonato do Mundo de Futebol. Tudo porque após terem sido consultados, os astros disseram-lhe para adiar a decisão.

O bom do treinador, que dá pelo nome de Domenech, já avançou, contudo, com algumas pistas. O guarda-redes não será leão, porque segundo os astros consultados, os nativos desse signo gostam de se exibir e por isso não dão bons defesas. E também não será Escorpião, porque o bendito técnico não confia nos azarados que nasceram sob tão má influência.

Não sei porquê, mas creio que o Scolari é da mesma escola do Domenech. É que só os astros podem explicar a continuidade de Ricardo na baliza da selecção nacional portuguesa. Ou a convocação de Petit e de Viana. Entre outras... "bizarrices" (para não escrever burrices) do género.

Esperemos, já agora, que a conjuntura astral nos seja favorável durante o Campeonato. Mas não sei se será melhor reforçar a equipa técnica com a astróloga (taróloga, peço desculpa) Maya. Ou com o "para-psicólogo" Alexandrino. Quem sabe se eles não davam uma ajudinha?

Uma questão de estilo

O belo e sonoro adjectivo "chulo" marcou o debate de ontem na Assembleia Regional. Não consta que Miguel Mendonça tenha posto ordem na casa.

Se os deputados "ofenderam ou insultaram não interessa. O importante é que estavam de fato e gravata", escreveu hoje - e bem, digo eu - Marta Caires no Diário . Eu não me lembraria de melhor.

No fundo, é tudo uma questão de estilo. Se bem que os conceitos estéticos de alguns dos senhores deputados sejam, no minímo, questionáveis.

Viver noutro mundo

A RTP/Madeira entrevista o Vice-Presidente da Associação de Estudantes da Universidade da Madeira para saber da jornada de luta nacional e do seu impacto na nossa região. O rapaz treme, vacila e dispara: não sabia de nada. Justificação do dirigente (por favor não rir à gargalhada por ser demasiado sério): a Madeira é uma ilha, logo as notícias e os acontecimentos chegam aqui mais tarde. (eu pedi-vos para não rirem)
Convém não manter o rapaz muito mais tempo na ignorância, e consequentemente nesta evidente felicidade. Afinal, ele não deve conhecer a Internet, a televisão ou mesmo os telemóveis e outros pormenores irrelevantes que tornam as comunicações actuais globais e instantâneas. Por isso é urgente que alguém lhe explique estes “milagres” do nosso tempo. Por arrasto, expliquem-lhe também que ler os jornais e/ou participar nos ENDAs ajuda a manter a malta mais informada sobre alguns assuntos (como este) e que a função de uma Associação de Estudantes não se resume a organizar praxes absurdas, festas imberbes ou definir as suas épocas especiais para exames.

Dúvida que me assalta

O Sindicato Democrático dos Professores decidiu marcar uma greve para o próximo dia 18 de Novembro. Em causa o aumento da idade da reforma, a não contagem de tempo de serviço e esse pedido, pelos vistos abstruso, de obrigar os professores a ficarem nas escolas em vez de, penso eu, irem dar explicações ou passear noutras freguesias (apenas por acaso, Portugal é o país da OCDE onde os professores, e consequentemente os alunos, menos tempo passam na escola).
Eu não ponho em causa o direito à greve. E não ponho em causa os argumentos apresentados para convocá-la. Cada classe profissional sabe de si e deve naturalmente defender os seus interesses usando as armas que entende e que acha legítimas. Mas uma dúvida me assalta: porque é que convocam sempre as greves para as sextas-feiras?

9.11.05

Aforismo (ou talvez refinada ironia)

É tão verdade dizer que Cavaco Silva é de direita, como dizer que Sócrates é de esquerda.

Importa-se de repetir?

Sócrates está neste momento na televisão a falar do cumprimento dos seus compromissos eleitorais com os portugueses.