6.5.06

O Bem versus O Mal


Caro colega,

Compreendo as tuas palavras, mas não as percebo.

Esperava uma outra atitude. Infelizmente, enganei-me. No entanto, é a tua opinião. Respeito-a, mas não concordo com ela, por diversos motivos:

O Edifício 2000 tem apenas 5 pisos. O Funchal Centrum, depois de pronto, vai ficar com 7. (Não há nenhum prédio voltado para o Funchal Centrum com tamanha volumetria) Além disso, existem outras grosseiras violações da lei. Se há um responsável, o primeiro é a Câmara do Funchal. Foi ela quem aprovou o projecto. Em segundo lugar, os arquitectos. Reivindicam a assinatura exclusiva de projectos, mas o discurso não coincide com a prática

Concluo por isso, das duas uma : - Ou ainda não apreenderam a ler um PDM de um município; - ou são autênticos violadores das leis.

Parece-me que é a segunda hipótese, a mais correcta. Infelizmente existe uma Ordem dos Arquitectos , mas a Ordem só serve para manter o “status quo” da classe. Não pune quem não cumpre as regras. Organiza umas conferências, mobiliza uma malta, quando é necessário dar nas vistas. O resto é conversa fiada.

Quanto aos denominados “ayatolas” estão apenas e tão só, a exercer um direito que a lei lhes confere. Já que os eleitos não salvaguardam os interesses dos eleitores, alguém está fazê-lo.

Já agora, que o Funchal Centrum sirva de exemplo, aos nossos autarcas e governantes de Portugal.

Mas o que é que tem o “Funchal Centrum”?

À parte pequenos negócios e favores, que os há em tudo, o que é que afinal está mal no “Funchal Centrum”? Não está nada. O que está mal são alguns madeirenses. Segundo eles, bem melhor ficariam as casinhas e os prédios irregulares, degradados e inestéticos que lá estavam antes. Depois, aquela zona já tem o Edifício 2000, que não é nenhuma beleza da arquitectura, mas que já estava lá, e por isso não provoca choque algum.

Esses tipos, sempre os mesmos, divertem-se a embargar obras através de manigâncias jurídicas. Vendo-os de perto, esses mesmos tipos, pelo menos os que conheço, de bom gosto não têm nada. Têm casas horríveis, vestem-se mal, falam mal, têm hábitos saloios, possuem carros feios e barulhentos. Depois, nos jornais e na televisaozinha que deus nos deu, ainda os temos que ouvir.

E não me contem histórias, porque também sei muitas. A do “Hinton”, por exemplo, funciona ao contrário.

Já sei que vão chover comentários a dizer que há ali negociatas, esquemas, violações grosseiras do PDM e tudo mais, e que eu devia era estar calado. Não quero saber, prossigam a obra se faz favor.

Magno Velosa

4.5.06

The Constant Gardner

Ainda não tinha visto “O Fiel Jardineiro”. Vi ontem. É um filme absolutamente fantástico que fez com que o nó que persiste na garganta sempre que penso em África, aumentasse ao ponto de quase me asfixiar.

Não entro em discussões estéticas cinéfilas, sobre as técnicas elipsistas (perdoem-me o neologismo), a “sujidade” da imagem ou os benefícios da câmara ao ombro, pois apesar de gostar muito de cinema, não sou grande especialista.

O que me comoveu foi a sensação gritante – que, de resto, acompanhou-me ao longo de todo o filme – que a história poderia perfeitamente ser verídica. O que me revoltou foi saber que existem muitas empresas farmacêuticas que se aproveitam da miséria daquela gente para testar drogas. O que me indignou é que somos – todos, sem excepção! – coniventes com a barbaridade cometida pelos chefes tribais e senhores da guerra, que se auto-denominam de classe política, que por meia dúzia de dólares vendem o povo à voracidade de multinacionais menos escrupulosas. O que me chocou foi a confirmação de que um africano vale infinitamente menos do que eu e que consequentemente é dispensável. O que me enojou foi a comprovação (silly me!) que empresas farmacêuticas e outras que tais, recebem milhões em benesses fiscais, ao abrigos das leis do mecenato, para enviarem para África produtos com validades ultrapassadas.
Afinal, as pessoas africanas não são bem pessoas, são assim como uns elos perdidos e que, portanto, a sua pobreza é normal. Afinal, ainda são sociedades tribais, não é?
O problema de África é o de ainda existirem demasiados africanos que clamam pela nossa ajuda. São ainda demasiadas bocas que gritam. Portanto, se diminuírem, não faz mal!


Há uns tempos, o Bruno Macedo escreveu aqui um post, de que resto, concordo na generalidade, sobre África e os regimes militares, autoritários, corruptos e criminosos que grassam por aquele continente. Disse que este era o seu maior problema (não tive tempo para pesquisar, portanto é possível que as afirmações não estejam precisas). É verdade. Como também é verdade que apaziguamos a nossa consciência enviando para lá meia dúzia de patacas e uns saquinhos de arroz e chamamos-lhe de ajuda. Não tenho qualquer trauma colonialista. Mas sinceramente acho que podemos e devemos fazer algo por aquele continente. Acredito piamente que alguma coisa de boa aconteceria se apenas olhássemos as pessoas que lá vivem de outra forma. Se todos nós, que vivemos num continente civilizado, reivindicássemos que os nossos governos e as nossas empresas agissem lá, como exigimos que ajam cá.

2.5.06

Pergunta (II)

O que dirá a esquerda anti-imperialista-admiradora-do-índio-que-chegou-a-presidente (nunca percebi porque é que não gostavam do Walesa), agora que sabemos que os militares bolivianos irão tomar posse dos campos ora privatizados?

Não sei responder, mas arriscaria prognosticar que a boa da esquerda culta e intelectual europeia irá justificar estas evoluções com a necessidade da Bolívia proteger os seus recursos naturais das sôfregas garras da rapina nortenha. Aliás, como já o tinha feito com o ditador Chàvez!

Pergunta (I)

Em Janeiro deste ano, o Brasil estendeu a passadeira vermelha a Evo Morales. Será que o comunista Lula manterá as boas relações com o Chefe da Nação Índia depois da privatização de campos de gás natural, atendendo aos interesses
brasileiros neste sector na Bolívia?

Koeman

Koeman foi um excelente jogador de futebol. Qualquer guarda-redes que prezasse pela vida tremia quando o via partir para a bola, tal a violência com que rematava. Como treinador, porém, o bendito holandês ainda não provou nada a ninguém. E a julgar por aquilo que tem feito à frente do Benfica, não será um caso sério de competência.

Agora, esqueceu o desportivismo que demonstrara durante uma data de tempo e veio questionar o profissionalismo dos jogadores do Rio Ave, essa brilhante equipa de bola, por terem sofrido três golos esquisitos contra o Sporting.

Parece que na selectiva memória do bendito holandês imagens como as de Valnei a atrasar a bola a Mantorras, do guarda-redes do Gil Vicente a dar a bola a um avançado lampião, deixando a baliza completamente escancarada, ou de um defesa a marcar um belíssimo golo no último minuto de um "zero-zero" inevitável na Luz não aparecem. Foram apagadas. Penso que pelo desespero de quem conduziu o plantel mais caro da Liga à actual situação.

De facto, ninguém quer as desculps do homem da Holanda (terra que de bom só produziu girassóis, Van Gogh e os coffeeshops). O que todos queremos é que o bom do Koeman fique na Luz por mais uns anos. Olarila!

I Encontro de Blogs de Vila Viçosa

O Sancho, nosso representante no Alentejo, terá facilidade em dar com o sítio. Cá fica o anúncio (publicidade gratuita, é o que é...).

I Encontro de Blogues de Vila Viçosa

Dia 22 de Julho venha até Vila Viçosa conviver com os seus amigos, traga a sua família, tenha a oportunidade de se maravilhar com a beleza de Vila Viçosa, passe um dia diferente no I Encontro de Blogues de Vila Viçosa!

Blogs Aderentes (até agora):

O Restaurador da Independência

Emprego Alentejo

Taberna dos Inconformados

Cidadela dos Incultos

Abatá Afefê

Quinto Império

No país das maravilhas

Isto tá lindo...

O blog dos leitores

Não existe grandeza quando a simplicidade, bondade e a verdade estão ausentes...

Quando li esta frase, lembrei-me de uma rapaz mal intencionado, que num célebre dia decidiu (não se sabe a mando de quem) ocultar factos sobre uma pesquisa que elaborou com o fundamento de montar uma peça jornalística.

Esse rapaz com “Ar de leviano” abusou da boa vontade dos elementos de um órgão de poder local, roubando-lhes tempo para ajudar os que mais precisam, e acima de tudo adulterando tudo o que lhe foi dito.

Na verdade não lhe foi pedido para escrever o que quer que fosse, na verdade as pessoas deveriam por respeito mútuo para com todos os habitantes da cidade do Funchal, limpar a porta das suas casas e não esperar que fosse uma Junta de Freguesia a fazê-lo, na verdade deveriam ter afirmado que o seu rendimento era superior a dois salários mínimos nacionais logo, a Junta de Freguesia deveria canalizar subsídios aos mais carênciados.

Tudo foi dito a este senhor, mas a verdade não interessou.

Luís Filipe Santos

28.4.06

Quando os Cravos Murcham

Vem a propósito.

Este é o título de um livrinho de Barradas de Oliveira (não sei se vão encontrar!) que explica à imensa maioria dos bípedes portugueses que o 25 de Abril vale, afinal, bem menos do que parece e do que a historiografia quer fazer passar.

Magno Velosa

Os livros “a martelo” do Professor (outra vez)

Das várias partes da lenga-lenga de fim-de-semana do professor Marcelo na RTP, em que, regra geral, tenta agradar a todos, a poucos e a nenhuns, a que detesto mais é a dos livros. O professor em vários meses de emissão (sem contar com os da TVI) ainda não foi, pelo menos para mim, capaz de mostrar um só livro interessante, esclarecedor ou útil.

Ora é a “História dos Campanários de Idanha-a-Nova”, ora são “Os Subsídios para a Compreensão da Cultura de Alvito e Aljustrel”, ora ainda livrecos de ficção com nomes estranhos como “Uma Vida Triste”.

Assim se compreende porque é que alguns notáveis letrados, de cá e de lá, afirmam ter uma biblioteca de 100 mil livros e mais. Destes não, obrigado.

Magno Velosa

27.4.06

A consultar

A ideia é boa. Um blog a consultar.

Que vivas tempos interessantes (maldição chinesa)

Um dos problemas que mais se sente na ainda jovem democracia portuguesa é um insofismável paradoxo: os que querem mudar de facto as coisas são os conservadores; os que querem deixar tudo exactamente na mesma são os progressistas. E eu que pensava que devia ser exactamente o contrário...

O excesso de feriados

Leio algures que o eterno problema da produtividade portuguesa também passa pelo excesso de feriados automaticamente aproveitados para faustosas pontes e férias. Pego na minha agenda de secretária e vejo lá, claro como água, a negação absurda de semelhante afirmação, graças a um muito interessante quadro onde é possível aferir os feriados existentes em cada um dos 25 países da actual União Europeia. Assim, este ano Portugal tem 12 feriados – 1 de Janeiro, 14 de Abril (sexta-feira santa), 25 de Abril, 1 de Maio, 10 e 15 de Junho, 15 de Agosto, 5 de Outubro, 1 de Novembro, 1, 8 e 25 de Dezembro – contra, por exemplo, 15 da Áustria, 16 de Chipre e da Eslováquia, 14 da Eslovénia, da Finlândia, de Malta e da República Checa, 13 da Dinamarca, da Suécia e da Grécia. No mesmo patamar, ou seja com os mesmos 12, temos ainda a Bélgica, a Espanha, a França e a Itália. No extremo, está a Grã-Bretanha com 8 e a Lituânia com 10. Em qualquer um dos casos, sem excepção de país, é necessário somar os feriados municipais que como se sabe são variáveis. Perante este cenário, não consigo vislumbrar que extraordinária relação pode haver entre feriados e produtividade. Como se vê, eis como é fácil desmontar um mito repetidamente usado. Aliás, ainda há bem pouco tempo, constatou-se exactamente o contrário: os portugueses até trabalham muito. Ou pelo menos, trabalham muitas horas. O problema reside, por isso, no se trabalhar mal e não no trabalhar pouco. O que é diferente. Isto só por si iliba boa parte dos trabalhadores que se limita a fazer e a cumprir com o que é pedido. Mas obriga, num outro prisma, a fazer entrar na arena outras duas variáveis: os empresários de mercearia e de pouca visão e o próprio Estado incapaz de mudar a situação.

Leituras de fim de semana

Um romance ou uma reportagem?

A discussão é académica e manifestamente desinteressante. Porque a Esperança, de Malraux, é sobretudo um livro fascinante. Escrito por quem acreditava que a nobreza de alma dava um sentido ao ser humano. Por quem viveu a guerra enquanto combatente. Por quem escolheu um lado. Por quem viveu engajado em todas aquelas que acreditava serem as lutas pela liberdade.

A Esperança é um relato quase jornalístico das vivências de homens comuns transformados em heróis circunstânciais. E é um manifesto para todas as revoluções: "É preciso organizar o caos", grita Malraux. De facto, todas as revoluções para mudar a condição humana são possíveis. Desde que consigam organizar o caos.

26.4.06

O Lugar da Casa

O Lugar da Casa

"Uma casa que nem fosse um areal
deserto; que nem casa fosse;
só um lugar
onde o lume foi acesso, e à sua roda
se sentou a alegria; e aqueceu
as mãos; e partiu porque tinha
um destino; coisa simples
e pouca, mas destino:
crescer como árvore, resistir
ao vento, ao rigor da invernia,
e certa manhã sentir os passos
de abril
ou, quem sabe?, a floração
dos ramos, que pareciam
secos, e de novo estremecem
com o repentino canto da cotovia
."

Eugénio de Andrade

A.S. Byatt

O novo Philip Roth por A. S. Byatt

"Roth's characters inhabit a truly post-religious world, in which we do not have immortal souls, only sick, lively desire, and the dying of the animal. The title of this new, bleak tale is taken from a mediaeval morality play in which Everyman, the human soul, is called by Death to appear before God's judgement seat. He is deserted by his strength, discretion, beauty, knowledge and five wits, leaving only his Good Works to speak for him at the end."

Roubado aqui.

Se fosse anedota tinha piada...

Mas assim tem à mesma!

O Fim




Acabou. Apesar de tudo, vou ter saudades de o ver jogar...

Ler... devagar

Quem lê Dostoievsky e ainda por cima "posta" no blog reproduções de Hopper merece ser lido com atenção.

Decadência




Há vinte anos, o acidente na Central Nuclear de Chernobil, escondido e negado durante um mês pelo regime soviético, contribuíu para mostrar ao mundo a decadência patética dos substitutos dos czares.

Uma história de amor


Está entre nós um filme imperdível.
Inclusive, para os espectadores que gostam de cinema realizado em série pelos americanos, para vender na Europa.

Mesmo esses vão gostar de ver A History of Violence. Não é uma obra prima, nem tão pouco é o melhor filme de David Cronenber. Longe disso. É, no entanto, um esgalhado trabalho cinematográfico para quem gosta ver sétima arte.

O nome do filme diz tudo. Uma história de Violência. Ponto, parágrafo.
Quando assim é, pouco mais fica para acrescentar. A Verdade é que este golpe desperta o olhar de qualquer espectador menos atento. Mesmo os que só vão ao cinema comer pipocas. Até esses vão ser perturbados pelo desenrolar do alucinante argumento. É muito simples, mas extremamente eficaz.

Em apenas uma hora meia de imagens existe ainda tempo para um excelente trabalho de actores. Um simpático pai. Homem de família é inexplicavelmente transformado numa máquina assassina.

Um franzino rapaz num herói…e os heróis em autênticos vilões.

Se a isto juntarmos uma discreta, mas muito eficaz realização, o resultado é um filme acima da média. Um bom filme, não é contudo, um excelente trabalho.

Para quem não conhece o realizador aconselho um outro CRASH(1996). Não tem nada a ver com o que ganhou os Óscares. Este é intenso. Existe um Existanz (1999). Algo entre a ficção científica e a acção. O resto dos filmes do homem ainda não vi, mas é dos meus realizadores favoritos. Por acaso são dois DAVID. Um é Cronenber, o outro é mais célebre. Lynch, David Lynch.

25.4.06

Abril

Foi pior a emenda do que o soneto. Largas centenas de madeirenses juntaram-se à oposição de esquerda, para comemorar o 25 de Abril, em Machico.

Uma vez mais a Madeira é notícia nacional pelas piores razões. Será que ainda ninguém percebeu isto?

Depois querem que os continentais digam o que de nós?

20.4.06

Olho crítico

Tenho pena de só o ter descoberto agora. É o que dar andar quase sempre em círculos...

19.4.06

Obrigado, Bruno.

Faltaria dizer que o comportamento dessa organização deixa muito a desejar. Quando envia os seus activistas para impedir a construção de uma vedação de segurança, quando não pronunciam uma só palavra de repúdio contra os atentados suicidas, quando diz que as IDF (Israeli Defense Forces) é um bando de facínoras e chama os terroristas do Hamas militantes, quando chora baba e ranho pelas crianças palestinianas (este último suicida tinha 16 anos, as forças de segurança israelitas já detiveram uma criança atrasada mental envolta em explosivos, por exemplo) e afirma que os meninos e meninas judias são vítimas de guerra, quando canta loas às mais do que manipuladas eleições na Palestina e desrespeita, conforme é dito no artigo, a única democracia do Médio Oriente.

Não há dúvida que deve haver imparcialidade neste tipo de organizações, infelizmente não é o caso.

Quanto à minha posição pessoal, nada me obriga a não tomar parte. Estou do lado dos que defendem o direito à sua existência e sobrevivência, não agredindo mas defendendo-se; dos que aceitam os outros e reconhecem os seus direitos, não abdicando da DEFESA dos seus próprios; dos que transformaram pedras e areia em terrenos férteis; dos que decidem o seu destino de forma democrática; dos que procuram as suas oportunidades e não esperam milagres divinos; dos que se levantam para trabalhar e, provavelmente, não regressarão porque serão trespassados por pregos e estilhaços lançados por explosões cobardes. Eu escolhi !!!

Especialmente para o Carlos

“Um mundo sem clareza moral é um mundo no qual os ditadores falam em direitos humanos enquanto assassinam os seus povos; é um mundo que os admite a trata como iguais nas Nações Unidas; que considera que um déspota pode ser óptimo parceiro para paz e onde a única democracia do Médio Oriente é vista como a maior violadora dos direitos humanos; é um mundo onde uma conferência contra o racismo em Durban, se transforma num festival de ódio e onde pacifistas desfilam lado a lado com terroristas disfarçados de combatentes pela paz; é um mundo em que a principal organização de direitos humanos, a Amnistia Internacional, “não apoia nem rejeita nenhum governo, nem sistema político, porque a sua única preocupação é contribuir imparcialmente para a protecção dos direitos humanos”. Imparcialmente?!”

Esther Mucznik, Atlântico nº 13, p. 8

Surrealismo ilhéu

Confesso que já tinha ouvido falar em roubos de quase tudo: de máquinas fotográficas, de casacos, de computadores, de carros, de dinheiro, de joias, e de milhares de outras, pequenas e grandes coisas. Agora, confesso que a originalidade de roubar 500 pacotes de leite estava para além da minha curta, e pouco fértil, imaginação.

18.4.06

Os mortos






Porque o sangue tem nome, porque as vítimas têm rosto.


"David Shaulov, 29, of HolonDavid Shaulov, 29, from Holon, immigrated from Tashkent with his family 16 years ago. Shaulov, the eldest son of the family, acclimated well in Israel. He studied to be a dental technician and opened his own laboratory in Holon. Shaulov married Radmilla, and the couple had two children, who are now four and six. Radmilla is pregnant and due to give birth shortly. On Monday morning, Radmilla felt unwell and went to the hospital for a check-up, while David went to his dental lab. He was killed when he went to the Rosh Ha'ir restaurant for lunch.
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Shaulov's relatives shuttled among area hospitals searching for him, and eventually ended up at the Institute of Forensic Medicine at Abu Kabir. Against doctors' advice, Radmilla rushed to Abu Kabir and found out her husband was inside, dead. After identifying David's body, the family remained in the facility's yard for some time, weeping, while friends and other relatives continued to arrive. David's grandmother fainted shortly after reaching the site. Radmilla insisted on leaving her hospital bed to be with her family at Abu Kabir. "He was my tower of strength," David's brother Yossi, 17, said Monday. "I don't know what we'll do without him." Shaulov's funeral began at 11 A.M. Tuesday at the Holon Cemetery. The funeral procession left from his parents' home on Ha'etzel Street in Holon. (Asaf Carmel


Philip Balasan, 45 Philip Balasan set out from home Monday morning with his son Uri and daughter Linor to buy CDs and computer games at the old central bus station in Tel Aviv. They were passing by the Rosh Ha'ir shawarma stand when the bomber struck. Philip was badly wounded, but before he collapsed, he managed to pass his cellphone to Uri and said: "Call Mom and tell her there was an attack." The kids were slightly hurt by the blast, were examined at the hospital and released. Etti Balasan rushed to Tel Aviv to search for her wounded husband. Philip's brother-in-law Eli Aflalo said Monday night that Etti looked for Philip at every hospital in the area and when she couldn't find him, Aflalo suggested she go to the Institute of Forensic Medicine at Abu Kabir, where she received the bitter news. Philip is survived by his wife, Etti, 40, and their four children - Liran, 21, Lital, 19, Linor, 13, and Uri, 12.

Victor Erez, 60 Victor Erez was a Tel Aviv taxi driver. "He'd do hotels, not the central bus station," his brother Binyamin said. "But like all the drivers he'd go there to eat shawarma." He had just stepped out of his cab when the bomber exploded. "He went in one piece, without blood on his body," said Binyamin, as though trying to preserve his younger brother's memory. Victor lost a leg 42 years ago to a land mine. He married, divorced, remarried and always drove a cab. "He worked like a mule, six days a week," his brother said, "and really gave his all to his family up to the last minute." Victor is survived by his wife Miri, three children, a step-daughter and three grandchildren

Lily Yunes, 42, of OranitDozens of residents of Oranit, a small community near the seam line border with the West Bank, rushed to the home of the Yunes family when official word came that the mother, Lily, was one of the victims killed in the bombing. It was supposed to be an auspicious day for the family. Lily, her husband Menachem, their sons Lidor, 24, and Tzach, 11, and Lidor's girlfriend, Elodie Zion, 26, went together to Tel Aviv's old central bus station to purchase equipment for a new business the family was about to establish. They decided to stop for a bite on the way, so Menachem dropped the four off near the shawarma stand and stayed in the car. Then came the blast, followed by frantic running between Ichilov, where his sons were hospitalized, and Wolfson, where Elodie was taken. Lily was nowhere to be found. In the evening, Menachem's brother-in-law, Elias Tzemach, went to Abu Kabir and identified the body. Lily, who ran a Na'amat day care center in Matan, is survived by two other children, Assaf and Bat El.

Benjamin Haputa, 47, of Lod

Ariel Darhi, 31, of Bat Yam

Rosalia Basanya, 48, from Romania

Boda Proshka, 50, from Romania"


Fonte: Haaretz

Quem? Perguntou o mordomo (outra vez)

Serrão escreveu a Cavaco...

17.4.06

Tel Aviv 17.04.2006




Mais um atentado, 8 mortos, 60 feridos.

Novos blogs

Caixa de Ideias, Ecodebate, Educare, Espectarte, E_Comment, Penálti, Religião, Transnatur e Viva Mais são os blogs de que falei abaixo. Política, Ambiente, Desporto, Turismo ou Saúde são alguns dos temas focados. Gostei de diversas coisas que li. E gostaria ainda mais que alguns dos recém-chegados se mantivessem na blogosfera.

Novos blogs na UMa

Mais alguns a juntar à lista. Esperemos que tenham vida longa. Porque de entre os novos "bloggers" há gente com piada.

Blogs UMa

A pobreza franciscana.

Quando se anda a rastejar durante muito tempo, natural e facilmente acabamos por asneirar.

"O funcionário do sr. Jaime Ramos, promovido a membro da Comissão Política do PSD, dr. Rodrigues, vai preparar a Universidade J qualquer coisa que cheira a imitação do que já fazem há anos no continente, em Viseu, segundo creio. Será que as aulas de boa educação, civismo e democracia começarão para os aduitos, o seu patrão inclusivé? Será que as praticas terão combates de boxe e treinos de linguagem...mais agressiva? Pagamos para ver. Este rapaz vai longe depois de ter perdido a ambicionada (até dizem que entrou em depressão) eleição para deputado da Assembleia da República(Toupeira)"

O cobarde e medroso anónimo que escreveu isto, um qualquer que até do seu nome tem vergonha, enganou-se nalgumas coisinhas.

Primeiro vem com a história do funcionário, coitado, é a fantasia do costume. Uma tentativa de menosprezo, velha estratégia de enfraquecer aqueles de quem se tem inveja. De facto já lhe dei o meu NIB, mas ainda não começou a pingar nada, acho que estou a ser explorado (vou fazer queixa ao Garajau e às Toupeiras Malandras - os Libertadores do Povo Oprimido).

Segundo, uma imitação do que se passa a nível nacional que, por sua vez, é uma imitação do que se passa a nível europeu. A irazinha destes papalvos tudo lhes tolda, há algum problema em proporcionar a 60 jovens mais e melhor informação e formação, está errado ?

Terceiro, os idiotazinhas com complexo de inferioridade informaram-se mal, ó tontinhos, não é sempre em Viseu. Quando se critica, não se deve inventar muito.

Quarto, a parvoíce culmina com a baboseira da minha derrota (dita por eles) nas legislativas. Amputados de bom senso, esclerosados pela doentia maldicência avançam com julgamentos e análises de um recorte finíssimo. Para que conste, depressão só se for pelos três anos em que não estive presente no crescimento do meu filho ou nas decisões da empresa onde trabalho. O resto, fica para os vermes que se roem pela sua incapacidade de fazer seja o que for de relevante, de contribuir com algo de útil para a sociedade onde apodrecem.

Coitados, que ignorância. Fico com pena, mas doenças de espírito dificilmente se curam.

Saudação e repto

Não o escondo: gostei que o Marítimo tivesse ganho ao Nacional. Embora seja do Sporting, por cá pendo muito mais para os verde-rubros. Mas gostei mais da festa que envolveu o jogo, do ambiente de fair-play que o rodeou, da tarde de sol, de sentir o estádio cheio que nem um ovo. De ver, enfim, o futebol regressado à essência primordial, a de um verdadeiro espectáculo popular.

Seria bom que os presidentes dos dois maiores clubes de cá optassem por tentar ter sempre os estádios cheios, convidando os espectadores a pagar preços simbólicos para assistirem aos jogos. Ficariam todos a ganhar: clubes, patrocinadores e aqueles que gostam do jogo.

Porque o futebol é um desporto essencialmente popular. Em época de crise, quem mais o sente não deve ficar de fora por não ter dinheiro para os bilhetes.

Fica lançado o repto. Com o desejo de ver repetidos espectáculos como o de domingo.

14.4.06

O Diabo na Terra enquanto Jesus vai a caminho do céu

Faltam poucas horas para a abertura do Madeira@paradise. Será que os cidadãos ofendidos com a realização do evento, em período pascal, vão manifestar-se?
Se não o fizerem, de imediato, retiro quatro ideias:

- A primeira é que as ameaças de manifestação partiram de falsos profetas.

- A outra ideia é, o que afinal pesava era local e não o conteúdo da mega-festa.

- Em terceiro lugar, só posso concluir que ainda reina muito provincianismo em certas cabeças….para não falar na descarada manipulação da opinião pública.

Nada mudou. O que foi alterado foi o local do concerto, por isso, deveriam lá estar na hora de abertura das portas do Madeira Tecnopolo para demonstrar a indignação pela escolha da data da iniciativa.

Se assim não acontecer, há uma escandalosa falta de coerência. Mais uma entre tantas outras da Igreja Católica e do seu rebanho.


PS: Sou católico. Talvez seja por isso, que até compreendia os argumentos para a “revolta”. Também percebo os que estão no outro lado da barricada. Têm todo o direito de escolher as datas. O que não compreenderei é o silêncio dos que durante toda a semana apregoaram o Diabo na Terra e agora vão ficar em casa.


Aqui como noutras situações deveria de existir a livre escolha. Compete a cada um decidir.

12.4.06

À antiga portuguesa

Se tiver filhos, já sabe: o Supremo Tribunal de Justiça acha lícito amarrá-los à cama e fechá-los num quarto escuro. Se os "piquenos" forem deficientes mentais, tanto melhor. Como não aprendem à primeira (nem à segunda, nem à terceira, nem à vigéssima quinta), os correctivos acima descritos são mesmo uma obrigação paternal, imperativo moral ditado por uma educação à antiga portuguesa.

11.4.06

Itália


Para gáudio da esquerda militante, Sílvio Berlusconi parece ter perdido (à conta da lei que fez aprovar - depois digam que ele era pouco democrata - por imperativo moral, Prodi devia recusar este resultado, afinal de contas opôs-se à actual lei), não obstante a anulação de 500 mil votos.

Os coglioni derrotaram os paesani. Sim porque, tal como aqui, quem vota esquerda é esclarecido, inteligente, culturalmente avançado, honesto, transparente, cristalino, bem pensante, lúcido, moralmente intocável, social e politicamente correcto. Por outro lado, nós os que votamos à direita, somos os "vilhões", estúpidos, cegos, surdos, mudos, incapacitados, intelectualmente degenerados, aldrabões, mafiosos, criminosos, mentecaptos, básicos, burros, influenciáveis (isto segundo a teoria de inúmeros anónimos cobardes que pululam nas caixas de comentários e de conhecidos editores esvoaçantes e apaniguados).

Que grande primeiro ministro Itália terá, nem num cenário de vitória folgada, perante um adversário ridicularizado por todo o país, um panorama económico assustador e uma dita (pelo menos pela comunicação social militante) movimentação popular de apoio, não consegue mais do que umas insignificantes décimas de diferença e só com o recurso a uma lei a que ele se opôs conseguiu a maioria absoluta. Curiosas as voltas que o mundo dá.

Já agora, Bernardo Provenzano, o mítico padrinho de Corleone (logo meu herói, a fiar nas palavras dos anteriormente referidos) foi preso. A guerra da sucessão promete sangue e dor.

Talk Talk


Meti no carro um CD dos Talk Talk. E descobri que às vezes é bom voltar atrás, viajar até ao tempo dos momentos breves (leves).

Prodi vs Berlusconi II

Parece que afinal o Berluconi vai ficar mais uns tempos. Só que depois destas eleições, a Itália voltará a ficar ingovernável. O que, para os italianos, até será bom, a julgar pelo passado.

- Quem? Perguntou o mordomo

Serrão desafiou Cavaco a... fazer qualquer coisa

10.4.06

Prodi vs Berlusconi

Prodi ganhou em Itália. Não sei se será assim tão bom livrarmo-nos de Berlusconi. O homem fugia ao "politicamente correcto". Não era um chato de merda a tentar ser levado a sério...

9.4.06

Pergunta

O corte do subsídio para o transporte de revistas e jornais nacionais para a Madeira e Açores mereceria uma "palavrinha" dos socialistas madeirenses, ou não? Até porque não me parece que o GR seja o principal interessado na reposição da situação anterior.

Carta da Noruega (II)

Para os que acham que ando "deslumbrado" com a Escandinavia, aqui vai o que da Noruega näo interessa.

Hoje, coisa que raramente faco, fui ver um jogo de futebol do campeonato nacional da 2a divisäo da Noruega. O jogo era entre o Haugesund (pequena cidade a 100 km de Stavanger) e o Follo. Claro que de futebol vi muito pouco. Apesar da sua estatura, todos os jogadores (sem nenhuma excepcao) eram uns «pernas de pau». E por momentos pensei que estivesse a assistir a um jogo de «paraolimpicos». Mas näo, era mesmo real.

Ainda assim, na bancada estavam sentadas 2 mil pessoas. Bem mais gente do que todos os jogos de uma ëpoca de clubes como o Portossantense, Machico ou o Ribeira Brava. Mas o mais espantoso ë que no estadio näo havia um sö policia. Verdade!

Magno Velosa

7.4.06

Carta da Noruega

Estou na Noruega ha alguns dias e vim para aqui com algumas certezas. Por exemplo, a de que estamos 30 anos atrasados em relacäo a esta gente. Mas näo, o quanto nos separa dos noruegueses é, na minha opiniäo, meio século. E com boa vontade, talvez 40 anos.

Devo ser o ünico «turista» neste momento em Bergen. Quando, e só por extrema necessidade, tenho que dizer que sou portugues, perguntam logo se vim trabalhar para cá.

Quanto as norueguesas, depois digo o que valem. Ainda assim, confirmo o que me disseram: sö um indivuduo com paralasia cerebral (e mesmo assim!) é que nao se safa.

PS: desculpem la os acentos e outras gralhas, mas este teclado esta feito para noruegues e n'ao para essa lingua barbara atraves da qual, infelizmente, tenho de comunicar.

Magno Velosa

O choque tecnológico e o uso das TIC on-line

No país do choque tecnológico, quase dois terços da população entre os 16 e os 74 anos nunca utilizaram a Internet em casa, no emprego ou noutro local, de acordo com o Eurostat. Com uma realidade destas, parece algo demagógico pretender que TODOS os portugueses adquiram o vulgarmente denominado “selo do carro” pela Internet. Ao Estado cabe a responsabilidade de avançar com medidas de e-government: mas como possibilidade e não obrigatoriedade. É preciso reforçar o acesso às Tecnologias de Informação, é preciso incentivar o seu uso, mas com algum bom-senso. Ainda por cima, porque o acesso às TIC não é completamente democrático.

PS – Não deixa de ser curioso que no mesmo dia seja divulgada a notícia da milionária poupança do Estado em 2005, devido ao recurso, por parte dos cidadãos, aos serviços prestados pelo portal da DGCI. O que só vem comprovar o que estou farto de dizer: Este governo faz uma utilização exímia da propaganda política.