16.11.06

"Até que dê sim"

Uma amiga, quando quer exemplificar a insistência absurda numa tese, numa ideia ou noutra coisa qualquer, utiliza a expressão "é como o referendo ao aborto. Vai tentar até que dê sim...".

E isto vem a propósto de um texto (muito bem) escrito aqui. A ler.

Milton Friedman


Não é um dos meus heróis (o Magno não dirá o mesmo). Mas é indiscutivelmente um dos mais marcantes economistas do século...

Regresso

Hoje, voltei a um sítio onde não ia há anos. E senti saudades. Do cheiro, dos monitores encostados uns aos outros, da "maior notícia do mundo" prestes a sair, do tocar incessante dos telefones, das portas que abrem e fecham constantemente...

Só 350 milhões?

Ao que parece, o Governo da Republica "escondeu" 350 milhões de euros da dívida pública. Para quem se dá ao luxo de apontar o dedo, não está nada mau...

Será que o Ministro das Finanças multar-se-á a si próprio? Espero para ver.

Festival

O Festival Internacional de Cinema do Funchal continua com mais espectadores do que o ano passado, com melhores filmes e com boa cobertura mediática. Quem parece ainda não saber o que se passa é o Governo Regional, atendendo ao "distanciamento" com que tem acompanhado o conjunto de eventos. É pena que aquele que poderia ser um óptimo cartaz turistico só recolha o apoio da Câmara Municipal do Funchal, que pese embora todas as suas limitações financeiras, faz o que pode...

12.11.06

Viva Portugal

1 - Foi bonito ver no Expresso desta semana Miguel Sousa Tavares elogiar o melhor primeiro-ministro português. Fiquei sensibilizado e deduzo que Sócrates também terá ficado. Começo a achar que mais dia, menos dia, MST vai mesmo para a RTP. É bonito ver que a amizade entre os dois prolifera a olhos vistos. O que é óptimo porque a amizade é uma relação nobre. Gostava é que o MST deixasse aquela sua pose de eu-que-sou-isento-tenho-reserva-moral-para-dizer-tudo-o-que-me-apetece. Porque também começamos a perceber que as suas opiniões estão profundamente inviezadas pelas suas crenças pessoais. Era bem melhor que o opinion-maker assumisse que gosta de fazer favores ao PS de Sócrates, como já assumiu que não gosta de Jardim. Pelo menos era mais honesto.

2 - De Santarém, nada de novo: os fiéis socialistas continuam a beijar o chão que Sócrates pisa. Esperemos que não sejam espezinhados.

3 - Parece que a Entidade Reguladora da Comunicação Social (ERC) vai investigar as pressões do PS aos jornalistas da RTP. Não percebo o silêncio do Sindicato dos Jornalistas que ainda não tomou qualquer posição sobre o assunto. Mas continuo à espera.

4 - Sócrates diz ouvir a rua. É pena que este fabuloso democrata não oiça os jornalistas quando lhe fazem perguntas incómodas. Não são muitas vezes, mas sempre que acontece Sócrates dá a sua melhor parte e o que mais gosta de dar: as costas. É interessante o processo de transformação que afecta o nosso PM: no início, sempre que a pergunta ponha em causa as suas posições, Sócrates assumia a postura de virgem ofendida e dizia: pelo amor de Deus! Agora, fica com ar furioso, não responde e pressiona, por trás do pano, os jornalistas. Cheira-me que qualquer dia começa a esmurrá-los. O que até nem seria mau, para ver se acordam e deixam de proteger este governo miserável.

5 - Por falar em jornalistas, é usual ver, nos dias que correm, a comunicação social questionar a progressão automática na carreira dos professores e demais função pública. Será que a rapaziada esquece que também eles têm um sistema de progressão automática? Afirmam que nem todos os jornalistas podem ser editores. Ora, pois bem, mas também nem todos os professores pertencem aos órgãos dirigentes das escolas.

Definitivamente, a falácia toldou a mentalidade a esta gente.

O que move Maximiano Martins

Não existem muitos socialistas madeirenses que mereçam o meu reconhecimento e admiração. Maximiano Martins foi uma excepção. Não só pela sua competência técnica e política, mas pelo facto de denotar um profundo sentir democrata. Por isso, sempre me pareceu que o deputado reunia condições óptimas para vir a ser, um dia, candidato a presidente do Governo Regional.
Todavia, nos últimos tempos, as suas atitudes têm sido uma desilusão. Isso mesmo fiz saber ao deputado, através de carta, aquando da polémica sobre o Centro Internacional de Negócios da Madeira (proposta para descida de IVA para as empresas de novas tecnologias). Na ocasião, o deputado teve a amabilidade de responder e reservando-me o direito de não publicar a sua resposta - não me parece curial, tendo em atenção que a troca de respondência obedeceu a um critério de eleitor-eleito - , retiro apenas uma citação; Maximiano Martins afirmou-me: Eu defendo, segundo o meu critério e a minha consciência, os interesses mais gerais da Madeira, dos madeirenses e do meu país.

Na ocasião, a sua afirmação bastou-me: afinal, podia divergir, mas teria que reconhecer a legitimidade da posição contrária. Todavia, desde o debate na 2, no passado sábado, as suas palavras têm me atormentado e não me saem da cabeça. Para quem não viu, quando inquirido sobre a bondade da proposta do Governo para a Lei das Finanças Regionais (LFR), o deputado eleito pelo círculo eleitoral da Madeira apenas soube dizer, em sua defesa, que a actual lei previa a sua revisão em 2001. Nada sobre a violação do Estatuto Político-Administrativo da Madeira, nada sobre o empolamento do PIB devido ao off-shore, nada sobre a real perda de fundos que a RAM irá sofrer e que, mais do que o Governo Regional e o seu presidente, irá prejudicar o povo madeirense. A sua posição foi não só frustrante, mas agoniante. Que interesses mais gerais da Madeira poderia o deputado defender com a apologia desta proposta do Governo, que prejudica objectivamente e de facto o povo madeirense? Para mim, foi a gota final que fez transbordar o copo: não tenho mais ilusões sobre o que move o deputado Maximiano Martins. Hoje, sei bem que a defesa clubística do seu partido é mais importante do que a defesa da Madeira e dos madeirenses. E isso jamais poderei aceitar.


4.11.06

Porque a irritação não permite escrever muito

1 - Eu, que não me revejo na arruaça, cada vez mais acho que só temos um caminho: para rua e com força, porque estou convencido que a luz ao fundo do túnel é efectivamente a de um combóio que nos vai albarroar.

2 - Felizmente, parece que este povo de brandos costumes começa a despertar para o perigo que nos ameaça. Prevejo que a insatisfação social continue a crescer e que o coro de assobios aos membros deste governo continue a aumentar. Não me parece que os próximos tempos sejam pacíficos para Sócrates e seus pares, o que é uma boa notícia.

3 - Os socialistas madeirenses aplaudem a nova lei das Finanças Regionais. O absurdo e a idiotice continuam a comandar a Rua do Surdo. Também esta é uma boa notícia. Pelo menos porque nos garante que a Madeira não será governada por um qualquer serrãozito. O cúmulo da estupidez é que ele não perceba isso.

4 - Afinal, as FARC não vêm à reunião do PCP. Esta é uma má notícia. Porque poderia ser que assim alguns destes criminosos fossem colocados a ferros. Que é o que merecem.
Já os democratas Norte-Coreanos irão marcar presença. Pode ser que instruam o Bernardino Soares na nobre arte de fazer morrer o povo, enquanto se criam umas bombinhas nucleares para ameaçar tudo o que mexe.


Por hoje chega. Estou demasiado irritado com o que se passa no meu país. Só me apetece fugir, mas não sem antes deixar umas bombas nuns lugares que eu cá sei.

Super-Sócrates, o seu amigo Sousa Tavares e a RTP

Afinal, parece mesmo que o PM convidou Sousa Tavares para director da RTP. Felizmente, para todos nós, o Miguelito recusou o tachinho. É que o cargo não lhe garantia tempo de antena para continuar a proferir os dislates e alarvidades com que nos brinda na TVI.

Parece, também, que um assessor de Sócrates anda a querer mandar bitates na RTP. De acordo com um deputado do PSD, o tal assessor telefonou para impedir - ou, pelo menos, para dourar - uma notícia desagradável ao Governo Português. Desde há algum tempo que a minha intuição me tem alertado para as tendências absolutistas e autoritárias deste Governo. Infelizmente, parece que não me enganei. Curioso é que os socialistas continuem calados com esta atrocidade. Aqueles mesmos que bradaram em alto e bom som contra o décifit democrático da Madeira, desta feita ficam caladinhos. Cá continuaremos para ver até onde chega o desplante.

Super-Sócrates

O Governo Português pagou uma pipa de massa a uma revista para publicar 10 páginas de elogios a Sócrates e a Manuel Pinho (esse personagem estranho, que profere imbecilidades a um ritmo estonteante, cujo principal mérito para os socialistas é o de ser exímio a fazer anúncios - aliás, se o investimento acontecesse ao ritmo com que anuncia, Portugal seria um fenómeno ímpar de competitividade). Ao que parece, no artigo, Sócrates é referenciado como um autêntico salvador da Pátria, qual D. Sebastião, que surge para nos livrar do jugo desgovernativo imposto por todos os seus antecessores. Parece mesmo que o Presidente da República surge como um figurante, para apadrinhar e embelezar a performance do nosso brilhante PM, que tão bom trabalho tem realizado no desenvolvimento do nosso país.

Resta esperar para ver o que fará a nossa Rainha de Inglaterra. Comportar-se-á como tal ou definitivamente fará o que esperam todos os eleitores que nele votaram? Cá estaremos para ver.

PS - Curioso que esta notícia tenha escapado à RTP, quando foi sobejamente esplanada no Sol.

24.10.06

“Memórias de um rústico erudito”


É dos melhores livros autobiográficos que já li. Pode não parecer, mas Rosado Fernandes foi professor na Universidade de Columbia em Nova Iorque, onde, em poucas linhas, diz aquilo que já todos sabemos: que nos EUA ninguém ganha nada sem trabalhar.

Para a posteridade fica o episódio em que Rosado Fernandes, quando era eurodeputado eleito pelo CDS, esbofeteou um deputado dinamarquês, supostamente por este ter insultado o seu “bom nome” e o de Portugal. Sem dúvida um grande homem, nas armas e nas letras, claro está.

A diarreia de Miguel Sousa Tavares


O mais pulha dos comentadores portugueses, de quando em quando, vomita o seu ódio contra a Madeira. Se pudesse, Miguel Sousa Tavares deixava os madeirenses à fome. E se se aguentassem, não ponho de parte que os mandava gasear.

O seu ódio é de tal ordem de ordinarice que omite tudo que possa credibilizar os madeirenses. Omite a percentagem de aplicação dos fundos comunitários, omite a melhor rede de estradas do país, omite os progressos evidentes, o aumento do poder de compra, o desporto, o crescimento de grupos empresariais (como se fossem só os empresários madeirenses a estarem conluiados com o Estado). A MST só o anedótico interessa.

Felizmente, MST é só um simples comentador que intervala análises políticas superficiais na TVI com personagens dos “Morangos com Açúcar” ou, mais recuadamente, com teenagers anónimos do Big Brother.

Se MST fosse alemão ou filandês, ainda se aturavam as suas críticas maldosas. Agora, ouvir sermões de dedo espetado de um tipo que é dum país que não consegue dar um só exemplo de organização e eficiência é que não.

O Independentista de São Vicente

O que mais irrita na sociedade madeirense é a sua capacidade para amplificar disparates, como é o caso da teoria da independência da Madeira.

Ainda não vi ninguém vir dizer ao senhor Gabriel Drumond para ter juízo. Dão-lhe importância e rios de entrevistas onde espalha os seus pensamentos de aldeão.

Para nosso grande mal, a Madeira não é mesmo auto-viável. E não há volta a dar a isto, pelo menos nas próximas décadas. Resta-nos pedir, e com jeitinho, como sempre se fez.

19.10.06

Patriotas (e cegos)

Quase 50% dos espanhóis querem uma união ibérica. "Deste" lado da fronteira, são pouco mais de 25% aqueles que defendem tal cenário. É a nossa tradicional cegueira a vir ao de cima!

Regresso

Depois de duas semanas de férias, uma delas passadas na melhor das cidades que conheço - Barcelona - voltar à realidade insular é um martírio. Brevemente, prometo escrever qualquer coisa sobre o assunto. Ah, e sobre a Lei das Finanças Regionais, o Estádio do Marítimo, o PS e o PSD e a CDU e o BÊEE. E sobre a crise, sobre os comboios que perdem carruagens em Cascais, sobre as novelas da TVI, sobre o Prof. Marcelo e sobre todos os assuntos que interessam à pátria lusa. Mas por agora, vou tomar qualquer coisa que me permita enfrentar o mundo como ele é.

Finalmente

Finalmente, a polícia fez o que lhe competia, ou seja, expulsou os ocupantes do Rivoli. O espectáculo já era deprimente!

Blog do BTT

Mais um blog. Para BTT (que bem merece).

16.10.06

Descobertas

O Público descobriu, através de um estudo encomendado pelo Ministério da Administração Interna destinado à reestruturação das polícias, que a larga maioria dos elementos da GNR não é dada ao uso das novas tecnologias. Diz o mesmo estudo que num total de aproximadamente 25 mil efectivos, apenas 300 têm correio electrónico, um número, pelos vistos, muito aquém do desejado e que manifestamente traduz o arcaísmo da instituição e dos seus elementos. A coisa não escandaliza, nem deve sobressaltar ninguém. O retrato do Portugal profundo está aqui e pedir mais é como pedir o impossível.
Num país onde navegar na net pode custar 35€ ao mês, muito me espanta a quantidade de gente que se predispõe a fazer um sacrifício enorme para ter um serviço péssimo, caríssimo e onde a velocidade de acesso não passa de uma mentira consentida e consagrada.
Quanto aos elementos da GNR, pelos vistos às vezes mais ligeiros no gatilho do que no botão do rato, nada a dizer. Se hoje estes elementos pertencem a uma força obsoleta, a culpa única é do Estado, incapaz de reformar e de requalificar as suas pessoas e de voltar a torná-las válidas para as funções nobres que exercem.
Para terminar apenas um aviso: não estendam estes estudos e estas preocupações aos professores, aos médicos, aos enfermeiros, aos juízes, aos advogados ou a outros largos sectores da função pública. Nunca se sabe quando pode surgir uma verdadeira, e desagradável, surpresa. É que não basta falar muito em tecnologia...

Dúvidas existenciais III

Não era o Dr. Dias Loureiro que queria fazer de Portugal uma imensa Madeira?

Negócios

O Google comprou o YouTube num negócio avaliado em largas centenas de milhões de dólares. Num mundo enlouquecido pelos grandes negócios – não apenas entre gigantes tecnológicos – este é apenas mais um exemplo de aparente sucesso. Mas o negócio, de contornos inimagináveis, tem algumas particularidades interessantes que valem a pena revelar. Por exemplo: ambas as empresas nasceram em garagens; ambas as empresas têm donos com idades inferiores a 35 anos; e ambas as empresas são fruto de verdadeiro capital semente oriundo de uma mesma empresa vocacionada para o capital de risco.
A ignorância leva-nos a que muitas vezes olhemos para a América como um monstro liberal de excessos em que a doutrina se resume ao dinheiro e à competição desenfreada entre pessoas que não olham a meios. Mas ao contrário desta Europa emperrada, onde quase tudo depende dos governos e consequentemente dos nossos impostos, na América o risco é um negócio que não é exclusivo dos bancos e dos seus inusitados e despropositados juros. Por isso, há verdadeiros mecenas dispostos a arriscar, no escuro, em gente nova e com ideias que aproveitam assim a deixa para mostrar o seu valor. Eis uma lição que alguns podiam aprender.

Dúvidas existenciais II

Se o jantar com o candidato a secretário-geral era apenas para destacados militantes, o que faziam na mesa de honra destacados independentes?

Dúvidas existenciais

O novo Sr. Loureiro não tinha prometido abandonar o cargo de deputado se fosse eleito presidente da Liga?

A verdadeira selecção

Eis uma verdadeira selecção dos grandes portugueses. Este, este, esta, este e ainda este. Delicioso, no mínimo. Neste país onde um povo ligeiramente ignorante e fantasioso se prepara para eleger o maior português de todos os tempos, há uma lição que todos temos que aprender: no humor, na tragédia e no suportar deste triste fado e destino ninguém nos bate. Só me espanta que ninguém se tenha lembrado da Teresa Guilherme, do Avô Cantigas, do Badaró, das Doce ou do Vítor Espadinha.

14.10.06

Professores e Sindicatos

Em boa parte, a proliferação de sindicatos e sindicatozinhos de professores chega para explicar a falta de qualidade da nossa Educação. E isto foi só uma pequena listagem compilada à pressa.

FENPROF – Federação Nacional dos Professores
FNE – Federação Nacional dos Sindicatos da Educação
SPLIU – Sindicato Nacional dos Professores Licenciados pelos Politécnicos e Universidades
SNPL – Sindicato Nacional dos Professores Licenciados
SEPLEU – Sindicato dos Educadores e Professores Licenciados pelas Escolas Superiores de Educação e Universidades
FENEI – Federação Nacional do Ensino e Investigação
ASPL – Associação Sindical de Professores Licenciados
PRÓ-ORDEM – Associação Sindical dos Professores Pró-Ordem
FEPECI – Federação Portuguesa dos Profissionais da Educação, Ensino, Cultura e Investigação
SIPPEB – Sindicato dos Professores do Pré-Escolar e do Ensino Básico
SIPE – Sindicato Independente dos Professores e Educadores
USPROF – União Sindical dos Professores
SINPROFE – Sindicato Nacional dos Professores e Educadores
SNPES – Sindicato Nacional dos Professores do Ensino Secundário

10.10.06

O ciclo das Obras

A história da Madeira é rica em ciclos. Primeiro foi o ciclo dos cereais. Encerrado o capítulo, foi criado o ciclo do vinho, o ciclo da cana-de-açucar. Depois, veio o do vinho
versus turismo. Turismo versus vinho e banana. Por último. Banana, versus vinho, turismo e obras.

Entre 1995 e 2005. Muitas Obras versus turismo; menos vinho e muito menos banana.

Futuro 2007 - 2010. A região procura uma nova saída. Precisa de fazer face ao fim de mais um ciclo. Nos últimos 4 séculos, tem sido esta a sina da Madeira.

Será que vai conseguir dar novamente a volta?


E já agora. Onde está a “Madeira nova”? Hoje percorri metade da ilha e só encontrei obra para inglês ver.

Os novos espaços balneários estão às moscas. Todos juntos, não sei se empregam 70 pessoas. Pergunto. Como vão viver os madeirenses? Vão voltar a emigrar? Vão regressar à agricultura? À pesca, etc,…

É verdade que a paisagem mudou, e muito, o resto está igual. A obra só dura enquanto há máquinas no terreno. Concluídos os trabalhos, ficam as estradas, os novos edifícios, mas para que servem, se não geram riqueza?

A Zona Franca está mais de que provado, que não passou de mais balão de ensaio. O projecto, entretanto, fraquejou

É esta a encruzilhada da Madeira nova. Uma obra inacabada. Mas pior do que isso, uma obra sem fim à vista, dadas as circunstâncias.

60 mil bípedes

60 mil bípedes docentes em escolas portuguesas desceram a Avenida da Liberdade para protestarem contra o quê? Contra o que justamente já deveria ter sido feito há 40 anos: a progressão na carreira pelo mérito.

Pelo que quer que seja, e com pouca ou nenhuma razão, não deixa de ser uma imagem triste ver uma imensa corporação (com qualificações de quadros superiores) bater em latas e agitar varapaus.

A verdade é que não vejo outros grupos laborais (advogados, médicos ou engenheiros) fazerem estas figuras. Em regra, estas corporações dão-se ao respeitinho, porque, o que explica quase tudo, não se deixaram disseminar por 1001 sindicatos. Daí o seu poder negocial e a sua maior dignidade.

Sócrates na Madeira

José Sócrates veio à Madeira. Veio na qualidade de secretário-geral do PS mas com mensagens do Primeiro-Ministro. Até aqui nada de estranho. Estranho foi o “brilhozinho” nos olhos dos seus confrades locais, talvez porque já sentem o cheiro do poder. Por mim, espero que se fiquem só pelo cheiro.

Mas o mais patético foi, no jantar, se terem atropelado mutuamente para estarem ao lado de Sócrates que, pelo que sei, é uma companhia bem desagradável. Fora da televisão, e já antes de ser Primeiro-Ministro, Sócrates era agressivo e empertigado. Todos o diziam e dizem, de uma ponta a outra do parlamento nacional.

Ora, este embevecimento com o sotaque e os modos continentais explica, em boa parte, o insucesso endémico do PS-Madeira. Sócrates veio dizer que haverá menos dinheiro para a região e estes bípedes ainda aplaudem, esquecendo que, no orçamento geral do Estado, a Madeira conta uns irrelevantes 0,38%. Depois o que é que querem que os madeirenses lhes digam?

9.10.06

É no mínimo estranho. O Primeiro Ministro de Portugal deslocou-se à Madeira para reafirmar os cortes de dinheiro à região e foi para meu espanto aplaudido por um punhado de madeirenses.

Basta inverter o ónus da prova para perceber a falsa cruzada de José Sócrates: - Portugal também furou e continua a ultrapassar os limites do pacto de estabilidade da União Europeia, mas nunca foi crucificado. A Madeira fê-lo e é imediatamente penalizada. É justo?

É a questão que deixo esta segunda-feira aos homens e mulheres que aplaudiram as rigorosas medidas anunciadas pelo Secretário Geral do Partido Socialista.

Se eu sei que o produto interno bruto da Madeira está empolado, (por causa da Zona Franca) se o Governo Regional já reconheceu que ainda existem carências na região, se o próprio PS-M afirma que não somos uma região rica….como é que os madeirenses podem ser solidários com o resto do país? No entanto, ouviram a justificação do Primeiro Ministro, mas calaram-se.

Eu considero que fui assaltado pelo Primeiro Ministro. Não posso aceitar que no meu país as regras só sejam cumpridas por alguns.
Que de manhã ninguém faça caso delas e que à tarde a lei seja para cumprir.

Preocupa-me os madeirenses. Os que vão ficar sem trabalho, os que ainda precisam da ajuda “região” para viver. É esta a minha indignação face ao que ainda está para acontecer.

5.10.06

David Cameron

Depois da Economist desta semana ter falado no assunto, os jornais portugueses começam também a despertar para o novo "conservadorismo liberal" personificado por David Cameron. As eleições são apenas em 2009. Mas o debate promete.

O cartão único do cidadão

Será uma realidade em breve e sem praticamente nenhuma observação de maior. Por mais que me garantam o contrário, este é mais um pequeno passo para um controlo excessivo do estado sobre o indivíduo. Ainda se lembram no que isto deu?

Delenda Est Carthago*

As palavras de Catão, o Antigo, servem que nem uma luva para catalogar esta interminável e idiota cruzada contra os voos da CIA, por parte do Dr. Coelho e da Dra. Gomes. Esperemos que tanta obsessão não lhes fira a vista e não os deixe a espumar raiva. Ou que tudo isto não seja uma triste vitória de Pirro. Esta coisa de gente sem legitimidade nenhuma vir para aqui armar-se em moralista num país soberano só tem um objectivo: dar nas vistas para agradar aos eurocratas – um bando cada vez mais insuportável –, e assim continuar a chefiar umas comissõezinhas que lhes dão um certo ar de gente importante (mas sem importância nenhuma). Basta olhar para as duas figurinhas.
Para mim, como já muitas vezes o referi, palhaçada só mesmo no circo, com tipos que engolem fogo ou contorcionistas que roem as unhas dos pés. São bem mais entretidos e não chateiam ninguém.

*Cartago tem de ser destruída

O SITAM

Um sindicato de nome SITAM (pelo que percebi, qualquer coisa ligada ao comércio) veio reivindicar o fecho das grandes superfícies ao domingo como forma de combater a crise que grassa no comércio tradicional. A ideia, simplista como tudo, pretende colocar do lado das grandes superfícies o ónus da culpa de tudo o que aos mais pequenos acontece. Claro que ninguém explicou a estes senhores que a crise é generalizada, por exemplo. E que o movimento dos centros comerciais é de algum modo contracíclico relativamente ao movimento do comércio tradicional. Mais: quem aposta numa superfície comercial tem rendas mais elevadas, contratos mais exigentes e ainda um pagamento mensal, em muitos casos, que incide sobre a sua facturação bruta o que pouco lhe deixa de margem de manobra. Tem ainda, consequentemente, mais funcionários para pagar devido aos horários mais alargados. Escusado será dizer que mais funcionários implicam mais ordenados, mais segurança social, mais prémios, mais subsídios, mais seguros, etc. Como se vê, se a rentabilidade parece ser maior, as despesas também o são. Eis uma realidade indesmentível.
O problema do comércio tradicional não passa por eliminar a concorrência como maliciosamente pretende. O problema do comércio tradicional passa por tornar-se mais atractivo, exigente e, claro, moderno. Mas isso é um outro problema que o SITAM se recusa ver. Para finalizar apenas uma pergunta: se a medida proposta fosse para a frente, o SITAM tem ideia de quanta gente poderia ir para o desemprego?

Tudo pra medicina

Os dois melhores alunos da região do ano lectivo passado (3º ciclo e secundário) têm como meta de vida seguir medicina. Não tem nada de mau e é um objectivo legítimo.
Porém, a escolha não é inocente. Na base desta ambição está, quanto a mim, o mais serôdio espírito de funcionário público e de emprego certinho para vida toda.

Ainda não conheci nenhum aluno que, com média superior a 19 valores, queira outra coisa senão medicina. Sendo alunos excepcionais poderiam exercer uma centena de ofícios. Mas não, escolhem a medicina porque ainda é bem valorizada socialmente e a remuneração compensa.

Como Portugal é dos poucos países modernos que não exige pré-requisitos relevantes para se frequentar um curso da área da saúde, o mais certo é se perderem bons investigadores, cientistas e engenheiros e se ganharem mais médicos medianos. Há pouco tempo um professor da Faculdade de Medicina de Coimbra dizia que não se lembrava de ver tantos alunos com aversão a cadáveres como os das fornadas dos últimos cinco anos. Pudera, vai tudo pra medicina.

O PIB empolado e sem números

Até que enfim alguém veio explicar de modo inteligível o caso do empolamento do PIB da região. Com um argumento tão bom, como há muito o GR não dava à oposição, foi preciso alguém de fora vir trocar tudo por miúdos, por sinal um ex-ministro (Augusto Mateus) do primeiro-ministro mais gastador de sempre (António Guterres).

Por cá, durante semanas, o PS repetiu até à exaustão que o PIB madeirense estava inflacionado. Mas mais não disse. E não disse porque não faz trabalho de casa e porque, o que é mais certo, não tem gente capaz ligar três ideias e formar uma conclusão. A “cantilhena” foi sendo repetida dias a fio, pelo séquito de iletrados que formam a oposição política madeirense e pela JS, e de lá não se saía.

Durante estes dias, a conversa do PIB nem sequer avançou um número. Nem líquido, nem por comparação com os das restantes regiões portuguesas, nem com as europeias. Nada, não houve nada. Houve até um debate na televisão em que se andou a divagar à volta de “contas de mercearia” e, pasme-se, da honradez das contas dum merceeiro.

Gonçalo Cadilhe em Angola

O “escritor” que andou a passar férias na casa da cultura da Calheta afinal não é tonto de todo. A propósito de Angola disse ele o seguinte:

«Segundo a minha perspectiva histórica, foi um alívio para este país ver-se livre dos portugueses – eram, na sua maioria, saqueadores tacanhos e iletrados, que sabiam apenas olhar para o próprio umbigo. Em 500 anos a colonizar não soubemos nem semear cultura, nem permitir a educação, nem fomentar uma classe média entre os colonizados – muito menos dividir qualquer dividendo com eles. E por isso, quando nos fomos embora, foi o descalabro que se viu.»
Revista “ÚNICA”, Expresso nº 1767.

3.10.06

O real versus o obtuso

É caso para dizer que está tudo louco.

O Governo Regional foi confrontado com um buraco de 140 milhões de euros.

O Bispo já pediu perdão. Não sei se foi pela parte do bolo com que a Igreja foi servida, ou se pelos pecados que D. Teodoro Faria cometeu ao longo dos 50 anos de sacerdócio.

Rui Alves não pode ver Carlos Pereira. Agora percebo porquê. Com um vizinho como o Presidente do Marítimo……o que fez, é no mínimo, feio.

Pelo menos, uma coisa é certa. Na Madeira, os árbitros não foram enganados. Agora no continente, ofereceram-lhes gato por lebre.

29.9.06

Documentários

O problema está muito bem tratado aqui. Eu também conheço um bom punhado de pessoas, que tenho como inteligentes e informadas, que acreditaram nesta idiotia. Quando, por exemplo, Michael Moore, um tipo sem escrúpulos, lançou o seu documentário “Fahrenheit 9/11”, muita gente também assistiu espantada, extasiada e de boca bem aberta à “maldade" dos Bush e à sua "terrível conspiração”. Poucos conseguiram descortinar e perceber a abjecta manipulação e a montagem tendenciosa ao serviço de uma causa. O documentário levou a melhor: conseguiu fazer com que os argumentos principais se cingissem ao simplismo do costume da análise marxista: o petróleo ou o dinheito que é exactamente o mesmo. Perante a aleivosia e ignorância gerais, culpa do ensino, claro está, que não transmite nenhuma capacidade de transcendência crítica e que por isso reproduz indefinidamente estas cabecinhas, o mundo, como diria o outro, está mesmo perigoso.

Mais uma etapa

Já sabíamos que o fascismo higiénico e alimentar havia tomado conta da União Europeia. Depois de regulamentar sobre embalagens, amendoins, azeite e palitos, por exemplo, e depois da fundamentalista cruzada contra o tabaco, as baterias e os recursos desta união viram-se agora para o álcool e os seus malefícios. Como sempre, as coisas começam devagarinho, como convém para não dar muito nas vistas: primeiro, controla-se a publicidade – uma forma recorrente de tratar toda a gente como atrasada mental –; depois, proibi-se essa mesma publicidade – outra forma subtil de tratar toda a gente como deficiente profundo –; em seguida, aumentam-se os impostos sobre o produto em questão para torná-lo acessível apenas aos ricos (que assim se podem rir dos pobres); e, finalmente, e como último passo, torna-se o seu consumo socialmente insuportável e inaceitável, através de legislação absurda.
Escusado será dizer que esta gente começa a abusar: a abusar da nossa liberdade, a abusar do seu poder e, acima de tudo, a abusar da nossa paciência. Aos poucos, esta manta de retalhos substitui-se aos estados que, petrificados pelo politicamente correcto, rapidamente interiorizam estas práticas fascistas que têm origem nos radicais que querem viver duzentos anos e que fazem disso uma obsessão: sua e para os outros. Num mundo cada vez mais delicado e difícil é bom andar atento. E já agora de garrafa na mão. Só para a eventualidade de algum chatear mais do que o costume.

Conselhos gastronómicos

De acordo com a secção Pessoas do Público, o príncipe Carlos de Inglaterra anda muito preocupado com a alimentação dos seus futuros súbditos. Daí ter escrito um prefácio num livro recente onde ele avisa que os ingleses “deviam preocupar-se mais com o que comem e com a origem da comida”. Eu acredito na sinceridade do príncipe e até acredito que ele seja um consumidor ávido de produtos biológicos como a notícia deixa também transparecer. Mas desconfio sempre que uma pessoa que trocou uma Diana por uma Camila tenha bons conselhos para dar sobre gastronomia.

Contem comigo, Gonçalo "Che" e Comandante!

Uma pequena interrupção ao meu silêncio apenas para demonstrar a minha total disponibilidade para lutar ao lado do Comandante Gabriel e do amigo Gonçalo. E se a invasão é para ser a sério, posso já formar uma guarda avançada por aqui. Tenho certeza que o Nuno Camacho não se importará que ocupemos o Convento do Espinheiro Heritage Hotel, para nosso Quartel-General. Afinal é por um bom motivo. Vamos lá fazer cair esta República podre. Pela Madeira!

PS - Posso ocupar o hotel desde já? É que dava cá um jeitão!

28.9.06

Ah, os imortais, os imortais!

O PSD Madeira costuma falar a mais de uma voz. Aliás, normalmente são tantas as vozes quantas as situações o exigem.

Hoje, no NM, mais uma garganta se (a)levanta contra a República. Uma garganta que aliás já fazia falta à revolução, perdão, à revolta anti Sócrates.

Gabriel Drumond, mais conhecido como o Xanana de São Vicente (talvez seja o bigode, não sei), promete um (a)levantamento generalizado contra o socrático primeiro, um tipo comparável, na sua óptica, ao velho Salazar.

O (a)levantamento promete ser sangrento. E vai contar com o apoio dos madeirenses do além (mar).

Ah, meus amigos, ja me estou a ver, de arma na mão - uma caçadeira roubada ao meu avô - a calcorrear as encostas de São Vicente, à caça de (a)cubanos manhosos que nos querem "mamar" "oi'recursos".

Oh dias românticos que aí vêem! Eu, qual Robert Jordan do Ernesto, sujo e sangrento, dormirei nos braços da amada numa gruta lá pós lados do Curral. A lua cheia dará um ar bucólico ao cenário. O chilrear da passarada, logo pela manhã, só será interrompido pelo trovejar dos canhões ali pr'ás bandas de Câmara de Lobos.

Ah, que belos serãos os dias vindouros!

Digo-lhe já, amigo Gabriel, conte comigo na revolução!

Vamos, todos juntos, empurrar essa cubanada pó galinheiro (a)donde veio! Vamos marchar ao som da internacional (perdão) da regional marcha que abaixo cito:

"Fui à feira pa comprar uma bandeira
eu vi uma e gostei dela
era azul e amarela"

Vamos obrigá-los a recuar até Sagres! Ou, mais longe que isso, até Lisboa. Aliás, invadiremos essa pestilenta capital com as nossas foices (mas sem martelos, pa não haver confusões). E derrubaremos a estátua do marquês, esse odioso colonialista!

Connosco, não haverá "meias tintas", "chove mas não molha", "diz mas não faz" e essas tretas todas. Connosco, será sempre a direito até São Bento! Só se admite um pequeno desvio, ali pela zona das queixadas. De Belém.

Anseio que comece o alistamento. Que o Exército principie a ganhar forma. E corpo. Que as foices e as botas d'água comecem a ser distribuídas por essas lombadas fora. Anseio pelo inicío da Revolução!

Até porque "A man has to do what men have to do". É ou não é, meu general?

26.9.06

A chantagem

A Bulgária e a Roménia farão parte da nossa maravilhosa União já a partir de 1 de Janeiro de 2007. Esta notícia foi avançada pelo próprio presidente da comissão que afastou assim a possibilidade de adiamento relativamente a esta questão. De facto, os dois novos países, futuros membros, podem rejubilar com o seu futuro. Mas o mesmo não se sucederá com outros países que pretendam fazer parte desta agremiação. O Dr. Barroso, aproveitando a deixa, veio avisar que é impossível meter mais gente cá dentro enquanto não houver uma reforma (ler um novo tratado) das instituições que garanta a governabilidade deste monstro burocrático. A verdade deve andar algures por aqui, se bem que as questões ligadas à distribuição dos dinheiros não devem ser alheias a esta nova estratégia. Neste novo enquadramento, a Croácia, por exemplo, ou mesmo a Turquia, vêem assim goradas as suas expectativas. É um mau sinal porque ambas são vitais para a nossa paz e para a nossa segurança, tudo conceitos que na Europa passam muito ao de leve pelas cabeças de certos senhores. Não ver isto é perceber muito pouco de história e de geoestratégia. Entretanto, o Dr. Barroso, subtilmente como só ele sabe, ao mesmo tempo que colocava o dedo na ferida dava a receita da milagrosa poção para o seu curativo: ou toda a gente faz como nós queremos, ou nós levamos a chave do campo e a bola para casa. Não exactamente com estas palavras, mas exactamente com este sentido. Esta espécie de chantagem pretende comover os europeus e sensibilizá-los para as dificuldades que os eurocratas enfrentam no seu dia-a-dia e dar início, quem sabe, a um novo processo de ratificação de um tratado de constituição idiota, imaculado e sem contestação. Já pouco espanta nestes senhores, ainda pouco avisados. Em Bruxelas continua a viver-se num mundo paralelo sem qualquer correspondência com a realidade. E isto sim, é realmente comovente.