25.1.08

Nova Lei Eleitoral Autárquica.

Ontem, dia 24 de Janeiro, o movimento de Cidadãos por Lisboa, liderado por Helena Roseta promoveu um acção de esclarecimento acerca do projecto de lei, para a alteração da Lei Eleitoral para as Autarquias Locais, intitulada "O que vai mudar na nova Lei Autárquica?".
Foram vários os oradores convidados, a saber: Presidente da ANAFRE; o deputado do CDS/PP Nuno Melo; o deputado do BE Francisco Louçã; o deputado do PS Mota Andrade e o politólogo André Freire. Eu, como interessada pela matéria e estudiosa dos sistemas eleitorais e representação política, compareci!
As eleições têm como objectivo a conquista do voto, mecanismo principal da instituição da representação política, estabelecendo-se, por esta via a relação entre governantes e governados, permitindo o funcionamento da democracia e de tornar eficaz "a voz dos cidadãos enquanto vontade popular" (art.1º da CRP).
É com base na legislação eleitoral, que as regras do jogo da competição política são estabelecidas, e que configuram o tipo de dinâmica ao nível das estratégias da campanha eleitoral, bem como são passíveis de gerar alterações no comportamento do eleitorado.
Em relação a este projecto de lei apresentado pelo PS/PSD e já aprovado na generalidade tenho a minha opinião. Este diploma têm no âmbito da sua argumentação legislativa, a eficiência e a eficácia dos governos municipais. Ora bem, os estudos evidenciam (Manuel Meirinho Marins) que existe uma grande estabilidade e condições de governabilidade muito elevadas nos municípios: 90% dos exexutivos municipais são com a lei em vigor, maioritários; em 30 anos de Democracia, o poder local apenas registou 20 eleições entrecalares (a maioria em situações de coligação)...
As razões evocadas para alteração da Lei Autárquica ainda requerem algum rigor, na medida em que aquilo que este projecto de lei pretende introduzir é o presidencialismo do chefe do executivo, que é eleito através da lista mais votada, e depois escolhe de entre os eleitos da sua lista, os elementos que irão integrar a vereação da Câmara. O que acontece por exemplo, no munícipio de Lisboa que tem mais de 100.000 eleitores, serão eleitos 12 vereadores pela lista mais votada + o presidente da Câmara, e a oposição apenas obterá 5 mandatos que terá depois de ser distribuido entre a oposição de acordo com os resultados eleitorais.
Estes dois item são alguns dos pontos argumentativos para a mudança da lei. Em meu entender , o caminho deveria ser a parlamentarização do executivo, reforçando as atribuições e competências das Assembleias Municipais para com o executivo, e não o seu esvaziamento, por forma a uma maior responsabilização e accountability do executivo camarário.
Este projecto de lei, atribui ao governo municipal um poder discricionário enorme, permeia a desporporcionalidade do sistema eleitoral, e acima de tudo consigna um bonús na atribuição da vitória. Basta a obtenção de 30% dos votos, para obter 51% dos mandatos.
Em suma, a minha posição em relação a esta matéria é muito clara: a lista mais votada e com a respectiva maioria na Assembleia Municipal, forma o governo municipal. A assembleia Municipal, neste caso, será o garante do funcionamento e fiscalizador da actividade do executivo municipal. Espero que sejam realizados alguns ajustes em sede de especilidade, e que este projecto de lei, determine o reforço e a qualidade da democracia.

24.1.08

Não sabem? Eu explico!

Sobre este, este e este post e as perguntas que neles constam, apenas uma resposta: estão em S. Bento, enviados pelo PS-Madeira (se bem que um já retornou à base, não foi?)

Servilismo e subserviência , ou puro lambe-botismo?

Já repararam que os bloggers com actividade política gostam de manter os títulos académicos e/ou profissionais, mesmo quando escrevem para a blogosfera. Ele é Sr. Dr., ou Arqº., ou Sr Deputado, à boa moda do servilismo do Estado Novo! Só ainda não percebi se é mesmo apenas por servilismo e subserviência, se por puro lambe-botismo, não vá um dia precisarmos deles. Mas acho piada. A patetice, por vezes tem piada...

Contando, ninguém acredita!

Até há dois ou três anos pagávamos multas por ultrapassar as quotas de produção de leite atribuídas a Portugal. Hoje anunciam-se aumentos de 10 cêntimos ao litro devida à falta de produção. Ora, os versados em economia que pela blogosfera abundam expliquem-me lá que puta de economia e que puta de estratégia é esta?

22.1.08

Pateta alegre III

Não tem nada a ver, não tem nada a ver, mas a verdade é que estas notícias vão se sucedendo a um ritmo vertiginoso. Ora que é uma idosa que morre à espera da sua vez; ora são b ebés que vão nascendo nas ambulâncias; ora é uma criança que morre às portas do hospital de Anadia; ora é um doente que morre a caminho do hospital porque o SAP da sua localidade foi encerrado; ora são doentes crónicos obrigados a trabalhar, ora... Pois é, Yo no creo en brujas, pero... ...que las hay, hay!

PS - Gostava, sinceramente, de saber como sairá este ministro da Saúde com a sua consciência! Sairá tranquila?!

Pateta alegre II

Num momento delicado para milhares de portugueses, quando o futuro não se avizinha nada fácil, éis que o presidente da República promove um roteiro da cultura. Pertinente e urgente, sem dúvida.
Mas Cavaco Silva ainda consegue fazer pior (!): vai ao encontro das populações questionar a legitimidade das manifestações contra uma política de saúde que - a bem dizer e para evitar adjectivar em demasia - não tem ponta por onde se pegue e que não responde às suas aspirações e anseios.
Apetece perguntar: em que raio de mundo anda o nosso presidente? É que a época natalícia terminou com os Reis. Vai sendo tempo de olhar para a realidade do país!

Pateta alegre

Quando todos os líderes de governo da Europa estão pessimistas relativamente à crise do mercado de capitais, Sócrates, qual pateta alegre, destoa e mostra-se confiante.
Será para levar a sério um primeiro-ministro como este?

20.1.08

Afinal, não é assim tão mau!

Afinal, de acordo com a SIC (acho eu), a maior parte dos visitantes da Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL) elegeu a Madeira como o melhor destino turístico nacional. É uma boa notícia e acalma-me. É que estava a ficar preocupado com as opiniões veiculadas na blogosfera madeirense. De repente, parecia que o destino Madeira era o mais horrendo do mundo. Parece que, afinal, muitos portugueses não pensam assim!

Roubada daqui

19.1.08

Augusto Santos Silva, ou ...


Diz que é uma espécie de Goebbels... mas sem a inteligência, a capacidade retórica, a cultura e a eficácia do ministro da propaganda nazi. De semelhante, apenas o facto de ambos tentarem defender o indefensável!

BTL!

A Bolsa de Turismo de Lisboa é um certame que decorre na Feira Internacional de Lisboa, todos os anos no mês de Janeiro. Esta feira tem como objectivo dar a oportunidade aos operadores turísticos apresentarem os seus produtos. Este ano o enfoque turístico centrou-se em duas regiões portuguesas: Madeira e Açores.
Tive a oportunidade de visitar a feira, e logo à entrada do 1º pavilhão, vislumbra-se logo o stand megalómano da Madeira. Uma estrutura fantástica, apelativa! Ainda assim, com uma adesão pouco siginificativa... Um espaço enorme, mas vazio, onde os únicos atractivos foram alguns prospectos da Madeira e Porto Santo, uma representação do IVBAM, mas sem vinhos nem bordados(no mínimo estranho!), e uma provas dos produtos regionais produzidos pela Empresa de Cervejas da Madeira. Já no pavilhão 4, encontramos a gastronomia típica das várias regiões , a Madeira apostou na Escola de Turismo e Hotelaria da Madeira para mostrar o melhor da nossa gastronomia, e fez muito bem!
No 1º dia da BTL, decorreram algumas palestras sobre o destino Madeira, com o intuito de promover e atrair outros segmentos de mercado, nomeadamente o Continental, mas a adesão não correspondeu às expectativas. Nesse mesmo dia, a Madeira ofereceu um jantar num edifício requisitado à República, o Convento do Beato! Com a remodelada Casa da Madeira em Lisboa, será que não faria sentido utilizá-la , depois de tanto investimento? Há coisas fantástica, não há?
Em relação à outra região em destaque, os Açores, a realidade que presenciei foi diferente. O stand apresentava as várias valência do produto turístico Açores: turismo ecológico; aquático; romântico etc. As várias empresas da àrea estavam lá representadas; ofereciam aos visitantes alguns doces típicos (queijadas de vila-franca, bolos levedos, os queijos...), alguns jogos com ofertas de brindes, e até havia happy hour do famoso gin tónico do Peter Café!!
Considero que a BTL é uma aposta ganha, constitui um excelente instrumento de marketing gestionário com o intuito de cativar novos consumidores do nosso país, para conhecer as nossas maravilhas , incentivando o "vá para fora cá dentro"! É também um óptimo veículo para os que os outros países divulguem os seus produtos turísticos, e pelo menos fazermos uma viagem virtual aos nossos destinos de sonho! A minha viagem de férias de verão, começa a ser planeada a partir de agora... Jamaica aqui vou eu!!

16.1.08

Bem prega frei Tomás...

Este Armando Vara não foi aquele gestor socialista de elite que se formou nesse outro Palácio da Sabedoria que deu pelo nome de Universidade Independente? Com dois tão nobres ex-alunos (Sócrates e Vara), porque é que fecharam aquela soberba instituição de ensino?

PS - Mas atentem à notícia. O homem saía apenas se fosse eleito. Que é como quem diz, se não há uma mama, há outra! Este gajo tem mérito? Não brinquem comigo...

Menos pobres?! Ninguém diria!

Só não é de levar às lágrimas, porque é de pessoas que estamos a falar. Mais uma vez, a puta da estatística a trabalhar para negar uma evidência. Há cada vez mais pobres em Portugal e hoje mesmo muitos cidadãos que trabalham estão votados à pobreza. Algo que não acontecia há 25 anos. Tudo o resto não passa de engenharia de números. Tudo o resto é pura demagogia... treta para pacóvios ouvirem!

E o burro sou eu?!

A culpa deve ser minha, mas por vezes não entendo que altos desígnios nacionais exigem que a palermice e a estupidez sejam a matriz de algumas tomadas de decisão do PSD. Hoje critica-se, amanhã assobiamos para o ar. Quase que começo a achar que a solução para este país não reside em nenhum dos partidos do centrão. É que dá vontade de radicalizar...

Redundância

Se o povo madeirense quiser independência, será o povo a solicitá-la e que lutará por ela! É o que acontece com qualquer povo que exige a sua autodeterminação.

Nove anos

Pelo nono ano consecutivo os funcionários públicos do país perderão poder de compra. Depois dos anunciados milagres económicos, financeiros e tecnológicos, eis a realidade crua que nos aguarda depois do governo falhar clamorosamente mais uma previsão relacionada com a inflação.

Os prognósticos governamentais continuam pelos vistos no domínio do totoloto: lançam-se uns números e fica-se à espera que a sorte nos saia, sem grande trabalho e com a confiança vã que ninguém dê pelo assunto. Claro está que quem sofre com as sucessivas imprecisões são os do costume, cada vez mais habituados a contar os tostões para pagar prestações sem fim à vista. Permanecemos assim no domínio do paranormal. Há anos que ouvimos falar de crise, de sacrifícios, de reformas, de medidas, de projectos, de desejos, do agora é que é. Passam-se os anos, passam-se os ministros e os primeiros-ministros, passam-se as políticas e tudo continua igual ao de sempre: muito longe da União Europeia, saturados pelas medidas de cosmética que não nos auguram nada de novo para o futuro, mas com a inusitada esperança que algo nos vai segurar e remediar. Continuar assim não é apenas uma triste sina: é um traço pronunciado de que não aprendemos nada. Nem queremos aprender.

Silêncios comprometedores

Há silêncios que revelam bem a disposição das pessoas e a cumplicidade instituída nas cúpulas do dinheiro que depois traz poder, que depois traz dinheiro e que depois traz mais poder (e assim sucessivamente, não se sabendo bem se nasce primeiro o ovo ou a galinha). Na mais mediática eleição bancária de sempre, a lista vencedora nem se deu ao trabalho de explicar à arraia-miúda (um evidente incómodo) as linhas gerais que preconiza e que defende para o futuro do BCP. Santos Ferreira não apareceu (não era preciso), e um tal de Vara não se atreveu explicar coisas que muito provavelmente desconhece (não vá a montanha parir um rato).

No final da peça, o governo lá conseguiu o que queria: influenciar, e ganhar, as eleições num banco privado, ao mesmo tempo que mantém toda a sua omnipresença no banco público. As regras do jogo democrático encontram-se outra vez subvertidas graças a esta mentalidade mesquinha que prolifera pelo nosso país e que coloca o papel do Estado no centro da nossa vidinha mundana. No fundo, a ideia que passa é que tudo deve sempre depender do Estado, da sua anuência e da sua boa-vontade. Não há vida sem Estado. Lamentavelmente, o triste espectáculo que por agora termina, mais não é do que (mais uma) imagem fiel do nosso triste e endémico atraso.

Talvez seja Mentira

Roque Martins, ex-director da Segurança social, continua a sua cruzada.

Depois de ouvir cobras e lagartos sobre o homem. (É quase sempre assim quando alguém cai em desgraça nesta terra), disseram-me que almoçou no restaurante Clássico - Duas Torres - a semana passada.

Nada de mais, caso não partilhasse a mesa com João Carlos Gouveia – Presidente do PS-Madeira.

Roque Martins nunca negou as ligações ao Partido Socialista nacional. Dizia-se próximo de António Guterres.

Imagino o teor da conversa. Talvez passou pelos polémicos números da pobreza e pela atribulada demissão.

Roque Martins talvez tenha confessado a João Carlos Gouveia que apenas 800 idosos estavam até ao final de 2007, a receber o “Complemento Solidário para o Idoso”. As estimativas da Segurança Social liderada pelo próprio Roque apontavam para um universo bem maior de potenciais beneficiários. Estavam em condições de auferir da ajuda do Estado 30 mil madeirenses.

Caso o almoço não tenha sido regado de vinho, João Carlos Gouveia também terá sido informado que, a Madeira é das regiões do país, com a mais baixa taxa do Rendimento Social de Inserção. Nos Açores, há por exemplo, o dobro dos habitantes a receber o vulgarmente chamado rendimento mínimo garantido, apesar dos índices de pobreza, por concelho, serem idênticos nos dois arquipélagos.

A mesma pessoa que os viu disse que o líder socialista estava com um ar estupefacto. De certeza que Roque aproveitou o momento, a sós, para impressionar Gouveia. Terá dito algo do género - que a taxa de requerimentos para o Rendimento Social de Inserção não acompanhava o número de deferimentos das pessoas que pediam ajuda à segurança social.

É óbvio que os números são manipuláveis. Talvez nunca tenha existido o dito almoço. Talvez nunca se saiba o teor da conversa a dois.

A Caça ao Subsídio

Há poucos dias foi apresentada com pompa uma nova associação.

Chama-se AICA – Associação de Investigação Científica do Atlântico.

Para meu espanto, possui um quadro científico tecnicamente fraco. 99% dos membros fundadores estão ligados ao ensino, mas não basta dar aulas para fazer investigação, muito menos, boa investigação.

Estes senhores, em troca de alguns milhares de euros da União Europeia, (IV quadro de apoio 2007-2013) vão apresentar estudos nas áreas do turismo, dos transportes, da saúde, do ambiente, das novas tecnologias da Informação, etc., etc.

O resultado dos trabalhos é para o poder político encetar o tal novo ciclo, na economia da Madeira.

Suspeito dos seus nobres objectivos. Mais me parecem um bando de esfomeados de euros, à procura de uma esmola, para melhorarem a qualidade económica de vida.

Estavam lá os agentes do costume. Os doutores que narraram os 588 anos da história da Madeira e um bando de novos carreiristas.

Não me parece que seja este o caminho.

À boa maneira portuguesa, vamos gastar o dinheiro e não vamos ver resultados.

14.1.08

Referendos e promessas

O Eng. (?) Sócrates quebrou mais uma promessa. Com o argumento singelo de que se trata de um documento de natureza diferente, que não colide com o compromisso, primeiro, pré-eleitoral e, depois, governativo, já não vai haver referendo ao tratado europeu aprovado pelas cabecinhas europeias (cujo topo é o Dr. Barroso, interessado aparentemente num regresso à pátria) pela porta do cavalo, como o povo muito gosta de dizer. A coisa fica assim para a Assembleia da República e fica nas mãos dos principais situacionistas do regime que acham que o povo é um incómodo sem solução.

Quem ainda gesticula contra a criatura perde tempo. Na realidade, se observarem bem, estamos entregues a dois seres que, num ambiente muito propício, tratam da sua vidinha por uma questão de interesse mútuo, ao mesmo tempo que dão um ar e pose de estado conveniente e de aparente desconcertação concertada. Ao Dr. Cavaco interessa manter o Eng. (?) Sócrates e ao Eng. (?) Sócrates interessa manter o Dr. Cavaco: será isso que lhes garantirá uma reeleição calma, sem nada a atrapalhar. Neste regime de terceira república, cada vez mais convertido num regime de bufaria, de perseguição, de polícias dos costumes e de higienização popular e populista, não tenho dúvidas que estão muito bem um para o outro. E vão ver que ambos vão continuar os seus passeios na avenida perfeitamente incólumes e serenos, sem o pastel de nata, sem o arroz de cabidela, sem referendo, sem Ota, mas muito magrinhos e saudáveis.

Um quinto canal

A celeuma levantada pelo anúncio de um quinto canal generalista é a habitual. Para alguns não há necessidade, para outros não há mercado, para outros ainda vai gerar desemprego. Para mim, nada disto será absoluto e não passa de uma simples e boa notícia. Como sabem, sou muito liberal no que ao mercado diz respeito e assim entendo que cabe aos anunciantes decidir e ao público escolher o que vale ou não vale a pena. O que não faz sentido é manter negócios protegidos nas mãos dos suspeitos do costume. O cerne do problema cabe então à gestão dos canais, às receitas publicitárias, às audiências e à própria qualidade dos conteúdos e das emissões. Não cabe ao Estado e ao seu papel omnipresente decidir quem deve e quem não deve abrir um canal de televisão. Tudo o resto me é indiferente: cinco canais, dez canais, duzentos canais, nenhum canal, tanto me faz. Na verdade, não vejo praticamente nenhum. A televisão generalista portuguesa, pública e privada, é verdadeiramente insuportável. E desconfio eu que isso nada tem a ver com o número de emissões e de licenças.

Uma incoerência

Nunca percebi os princípios liberais e democráticos de alguma gente. Se por um lado, são contra o facto do governo regional manter um jornal subsidiado, não percebo então a razão de se ser a favor da manutenção pública de televisões e rádios com os mesmos princípios e orientações. Ou se é contra tudo, ou se é contra nada. Se aos governos não cabe interferir nem ser donos de jornais, o mesmo se aplica às rádios e às televisões.

Voltando...

E aos poucos, regresso. Com mais disponibilidade e com maior atenção. Como boa notícia registo o facto de haver mais uma participação neste blogue, que alguns trataram logo de apelidar de feminina, como se isto, por cá, precisasse de adornos e de cosmética. Para mim, o mais importante é que a Teresa (que eu não conheço) participe, uma vez que não terá tratamento privilegiado por causa disso. Pelo menos da minha parte, isso de certeza absoluta. Problemas com quotas e coisas politicamente correctas, é noutros lados, noutras funções, noutras agremiações. Comigo isso não pega. Bem-vinda.

13.1.08

Ou é do malho, ou é do malhadeiro!


Muito frequentemente vejo críticas feitas pela oposição madeirense à comunicação social regional, mais concretamente ao Jornal da Madeira e à RTP-Madeira. Porque conheço profissionais (e sou amigo de alguns) quer de um, quer de outro órgão - bem como de outros órgãos de comunicação -, sei que a sua idoneidade, profissionalismo, isenção e competência situa-se ao nível dos melhores, provocando-me alguma urticária a crítica gratuita. Se é verdade que por vezes existe algum condicionalismo e mesmo auto-censura - afinal, a pior das limitações à liberdade de expressão -, situação que, estou certo, serão os próprios profissionais os primeiros a reconhecerem, não me parece justo que reiteradamente estes profissionais sejam sempre o alvo a abater, quando a dita oposição não é tão mediática quanto gostaria. Mais, não conheço nenhuma cidade do país onde exista tanta pluralidade de órgãos de comunicação social local, ou que as oposições sejam tão mediatizadas quanto acontece na Madeira.
Na minha infância aprendi um ditado que dizia o seguinte: quanto o ferro quente não se molda, ou é do malho, ou é do malhadeiro. E sinceramente parece-me que é isso que acontece na Madeira. Porque se a oposição é célere a criticar a comunicação social, ofendendo profissionais íntegros, tem alguma resistência em reconhecer a sua falta de capacidade de criar eventos/acções que captem o interesse dos cidadãos e que sejam mediático/mediatizáveis. Por outro lado, também existe muita falta de humildade por parte de alguma oposição: chegamos ao ridículo de ver um deputado queixar-se por aparecer sempre de costas (ó homem, quer aparecer de frente, vire-se para onde está o cameramen... não é assim tão difícil nem me parece que o pobre do homem passe o tempo todo a correr para apenas apanhar o seu costado - por mais fotogénico que seja). Ou então, acharem que uma acção que reúne três pessoas, à volta de 4 dirigentes, para denunciar o furo numa levada, mereça honras de abertura do jornal.
Para concluir, se é verdade que o poder político e económico tenta reiteradamente manipular a comunicação social (realidade que acontece no Funchal, em Lisboa, em Londres e nos jardins da Madre Teresa de Calcutá); se é verdade que muitos profissionais fazem uma espécie de auto-censura; se é verdade que existe pressão por parte do governo (e acredito que assim é) e de algum poder económico; se é verdade que por vezes as c hefias são submissas e não defendem a isenção dos órgãos para os quais trabalham; se é verdade que muitos profissionais estão/sentem-se condicionados, por motivos de ordem pessoal, ideológica, conjuntural; também é verdade que muitas das coisas que diz a oposição não tem qualquer tipo de interesse, logo não merecendo qualquer cobertura mediática. Em grande parte dos casos, nem os assuntos são verdadeiramente políticos, nem quem os apresenta aprendeu a fazê-lo convenientemente. Sinceramente, para a oposição que temos, no que ao nível de comunicação social diz respeito, já se vai muito bem...

PS1 - Alguém sabe o que se passa com o site do DN-Madeira? É que não consigo aceder a nenhuma notícia...

PS2 - Para que fique claro, acho um absurdo o que o governo regional gasta com o Jornal da Madeira. E ainda mais absurdas as explicações dadas.

11.1.08

Que se passa connosco?

Ontem, fui a um jantar de despedida. O D parte para África. Não consegue emprego na ilha.

Dois dias antes do novo ano a J ligou-me para se despedir. Foi para a América, ao encontro de uma irmã. Não volta. Não encontrava emprego na ilha.

No inicío de Dezembro de 2007 a N fartou-se de ser mal paga. De trabalhar 10 horas por dia e de chegar ao fim do mês sem um tostão. Apresentou a demissão e abalou para França.

Em 2006, e em 2007, vi vários amigos meus fecharem a mala para procurar vida noutros lados. Tal como o D,a J e a N têm formação. Tal como o D, a J e a N não conseguiam encontrar emprego ou ser pagos decentemente por aquilo que faziam.

Que se passa connosco?

10.1.08

Mapa de portugal em actualização

Se este já não é o mapa de Portugal segundo a versão de Mário Lino, qual será?!

País de matraquilhos....again!

Num país sério, Mário Lino teria ido embora perante tamanha desautorização. Ou teria sido demitido, por tamanha incompetência e ofensa à minoria tuaregue portuguesa. Mas não: em Portugal, este ser pavoneia-se pelas televisões, multiplicando-se em explicações tão estapafúrdias quanto as razões que evocava para não equacionar a possibilidade de um futuro aeroporto ficar situado na margem sul do Tejo.

Gostaria também de saber o que pensa Almeida Santos sobre esta decisão do governo. É que o perigo de um ataque terrorista às pontes sobre o Tejo coloca-se cada vez com mais acuidade.
Já o disse, já o repeti, já criei um rótulo, mas não me canso de afirmar: tudo isto se passa, apenas temos este governo fantoche e pateta, porque efectivamente somos um país de matraquilhos!

Que bem falam os outros

"Mas o Lino além de transfuga é um pobre diabo, do ponto de vista intelectual. Jamais ou "jamé" não tem importância nenhuma. Hoje está tudo histérico porque o Grande Engenheiro, qual Imperador do Japão, com um gesto como Luís XIV, como O Imperador da China até 1911,como o Czar Vermelho Estaline até 1953, apontou Alcochete para o local do Aeroporto. Fez um movimento de extensão do antebraço sobre o braço direito, movimento de supinação, extensão do indicador direito em força e apontou para um mapa na sala do trono, no imenso palácio, rodeado por todos os cortesãos. E disse baixo e sibilinamente: Ali! Bocejou e retirou-se para os aposentos privados. Estamos muito obrigados a Sua Excelência. E a todo o governo do aumento da carcaça".

Daqui

Laico, ou lacaio?

Ora cá estão umas palavras acertadas de Miguel Fonseca. Registo, aplaudo e subscrevo. Na íntegra!

Mensagem ao Rudy

E então, ó Rudy, não vai sendo tempo de entrares na "corrida"? Bem sei que andas meio doente mas xiça, o circo já atravessou dois estados e tu nem um delegadozinho elegeste, ó Rudy!

(3% no Iowa?! Já pareces o Garcia Pereira, homem!)

Ainda nos arriscamos a levar em cima (salvo seja!) com a Senhora Clinton.

Ou com um tipo que passa metade do tempo a convencer os eleitores de que é negro. Ou com um mórmon meio fanático.

A gente deste lado esforça-se, ó Rudy, mas parece que a "coisa" por aí tá negra. Vamos é esperar a chegada do circo à civilização. Pode ser que por aí a gente se safe, amigo Rudy.

Bem vinda, Teresa

Bem vinda, Teresa, a este admirável (cada vez menos) mundo da blogosfera.

Nos gostamos do Pinóquio!

Que Sócrates mente facilmente todos sabemos. Agora o que me custa perceber é a facilidade com que este bom povo de Portugal engole um Primeiro Ministro destes.

A propósito, alguém é capaz de me explicar que ráio é a "ética da responsabilidade", um dos argumentos que Sócrates utilizou para inviabilizar o referendo?

9.1.08

Tratado sobre a mentira

Sócrates e o referendo, ou o mais descarado mentiroso primeiro-ministro.

É essencial”, Outubro de 2004;
Desta vez tem de haver”, Dezembro de 2004;
Vai haver”, Fevereiro 2005,
O Governo defende que a aprovação e ratificação do Tratado deva ser precedida de referendo popular”, Março 2005 (Programa do Governo);
Mantenho”, Dezembro 2006 (em resposta à pergunta “mantém o objectivo de referendar o Tratado qualquer que seja o resultado deste processo institucional?”);
"O PS tinha um compromisso com o Tratado Constitucional. Agora é o Tratado de Lisboa, que não existia na altura. Não tem nada a ver uma coisa com a outra. As circunstâncias alteraram-se completamente. É um tratado diferente", Janeiro de 2008.

Mas ele não mente. É Manoelinho, os burros somos nós! Devemos ser...

Informação retirada Mais Évora

Tratado de Lisboa ratificado por via parlamentar

O Primeiro-Ministro, José Sócrates anunciou hoje na Assembleia da República, a ratificação parlamentar do Tratado de Lisboa. Uma posição latentemente esperada, na medida em que,durante a presidência da União Europeia, Portugal construiu com os outros Estados-Membro um "agremment consensual" para ratificar o Tratado de Lisboa nos respectivos Parlamentos nacionais´.
São muitas vozes que ecoam esta decisão, e muitos que não a compreendem nem a aceitam. Uns porque acham que o actual Primeiro-Ministro deveria cumprir uma promessa eleitoral, outros porque são apologistas do referendo popular como forma de debater as questões europeias.
Ora bem, quando Portugal iniciou as negociações e o processo de adesão à então Comunidade Europeia, ninguém quis saber a opinião do povo; quando Portugal recebeu os enormes volumes de transferências financeiras da Comunidade Europeia na década de 90 ninguém se questionou sobre a Europa; a adesão de Portugal à moeda única poderia ter sido sufragada etc...
Neste momento, são vários os quadrantes políticos, e até muitos eleitores que exigem uma consulta popular para a rectificação do Tratado de Lisboa. Esta situação, em minha opinião, levanta uma questão importante: os cidadãos anseiam pela sua participação mais próxima na vida pública, exigem a comunicação política das reformas governativas e apelam ao consentimento para a sua aplicação. Caminhamos para um retorno do Poder às bases (devolution) pondo em causa a democracia representativa?

7.1.08


Este blogue está a mudar e não foi necessário criar quotas.

A próxima conspiradora é uma mulher.
Chama-se Teresa.
Está fora da Madeira e é a partir de agora, o nosso olhar feminino, na CONSPIRAÇÃO.

Miguel Fonseca

Conheço o Miguel Fonseca há já pelo menos 16 anos. Conheci-o quando ele estagiou na EBS Gonçalves Zarco e foi meu professor de Latim. Nesse ano convivemos fora do âmbito escolar e tornamo-nos amigos. Foi o primeiro professor a quem eu tratei por tu. Nessa altura, a intimidade relativa que gozávamos permitiu-me descobrir um amigo que permaneceu e um professor que aprendi a admirar. Tenho-o por pessoa séria, inteligente e honesta. Nunca me deu razões para duvidar. Em determinada altura, sem qualquer prurido, manifestou enfaticamente a imbecilidade de uma decisão que eu pretendia tomar e que efectivamente tomei. Foi o único a fazê-lo e fê-lo efusivamente, com alguns adjectivos pouco abonatórios a meu respeito pelo meio. Por isso, reconheço também a sua frontalidade.
Assim sendo, não posso deixar de estranhar toda esta trapalhada em que está metido, relativamente a uma hipotética candidatura à Câmara Municipal de Santa Cruz, pelo PS-Madeira. Mas não tenho qualquer dúvida que se isto tudo não deriva de uma série de mal-entendidos e interpretações difusas e se alguém está efectivamente a mentir, não será, com toda a certeza o Miguel Fonseca.
Pela amizade que nutro por ele, entendi que deveria manifestar aqui a minha solidariedade. Até porque o Miguel foi alvo de um ataque canalha e ignóbil, numa carta do leitor do DN-Madeira, por um tal Andrade que desconfio ser um pseudónimo de algum ressabiado dentro do PS-Madeira!

PS - Não tendo nada a ver com o caso, acho sinceramente que o Miguel Fonseca tem qualidade para disputar e ocupar qualquer cargo político na Região (bem mais do que muitos dos instalados). Entre eles, naturalmente, o de presidente do executivo santacruzense. Não tenho dúvidas que seria um óptimo candidato e um melhor presidente!

6.1.08

FODA-SE......



O filme foi uma surpresa. É uma espécie de lufada de ar fresco no cinema português, e não me refiro ao efeito Soraia Chaves.
Ela é genial.
Não há uma única cena, plano, onde a actriz não esteja à altura do desafio. Soraia tem variações de humor e de interpretação fantásticas.
Ela é em Call Girl uma PUTA. Ponto parágrafo.
Se o olhar for romântico, então é a Marilyn Monroe à portuguesa.
Sem ela Call Girl não é nada.

O argumento está esgalhado e os diálogos são curtos, grossos e de uma extraordinária beleza feia.

A realização não falhou, mas caso fosse mais arrojada, Call Girl faria inveja a qualquer película Americana. Considero que faltou atrevimento a Pedro Vasconcelos na rodagem de alguns planos. Call Girl pede uma linguagem visual mais intensa.

Gostei do pormenor à Hitchcock, no final do filme, em que o realizador assina o trabalho.

CONCERTO DE ANO NOVO

Depois de um atribulado fim de 2007, entrei em 2008 de forma serena.

No primeiro dia do ano, assisti ao concerto da Orquestra Clássica da Madeira. Para o grupo de músicos e para o criativo maestro, os meus parabéns. Foi um agradável momento. Sobretudo, para quem como eu, transforma os pormenores da vida em grandes momentos.

4 dias depois, 5 de Janeiro, foi a vez de Call Girl.

Esquecimentos

Leio com frequência o Urbanidades da Madeira, blog de Rui Caetano, dirigente do PS-Madeira. Gosto da sua escrita escorreita e dos temas que aborda, mesmo que na maioria das vezes não concorde com as suas opiniões. Até ao momento, reconhecia-lhe verticalidade nas posições assumidas. Todavia, recentemente, o Rui publicou um post infeliz (classificação minha, naturalmente) e que me leva a questionar essa sua verticalidade.
Já por diversas vezes afirmei que à mulher de César não basta ser séria, é preciso parecer. E este é mais um caso que não parece nada sério. O Rui aproveita-se das críticas do líder da Quercus à política para o litoral (ou falta dela) do Governo Regional, para elogiar (o que em casa própria parece sempre mal, mas adiante que esta é uma questão de chá) João Carlos Gouveia e a acusação feita ao Procurador da República pelo PS-Madeira, sobre alegados indícios de corrupção.
Em primeiro lugar, é desonesto porque interpretações distintas a planos de ordenamento não implicam obrigatoriamente procedimentos criminais. Em segundo lugar e mais importante ainda, é que Helder Spínola, dirigente da Quercus é irmão de Vitor Freitas, Vice-Presidente do PS-Madeira e líder da sua bancada parlamentar à Assembleia Legislativa Regional. E estes são factos que Rui Caetano esqueceu de enunciar e que são importantes para a interpretação do seu texto, por parte dos seus leitores. Omitiu uma informação relevante, que poderia fazer ruir a sua teoria. É desonesto por parte de Rui Caetano.

PS - Curioso este esquecimento (estou certo que não passou disso, porque a relevância da informação é por demais evidente), num momento em que outros socialistas madeirenses dissertam tanto sobre a qualidade dos profissionais de comunicação social madeirense.
O deus Mercado, a nossa senhora Economia Livre, e a pomba Concorrência parecem ser a santíssima trindade dos tempos modernos, defendida por políticos e economistas, conforme se pode ver nesta caixa de comentários e em outros milhões de textos.
Por mim estou convencido de que tudo isto não passa de um flop e que o mito neoliberal de que a economia livre liberta ruirá em breve!
Quanto à questão de um novo canal, veremos a quem serve e em que altar será feita a adoração.

5.1.08

Equívoco

Tenho assistido à pseudo-polémica na blogosfera sobre a afirmação de D. José Policarpo de que "todas as expressões de ateísmo, todas as formas existenciais de negação ou esquecimento de Deus, continuam a ser o maior drama da humanidade". Ora, antes de mais, esta afirmação está retirada do seu contexto: uma missa de Natal, onde o Cardeal Patriarca pretendia exaltar o Amor de Cristo. D. José falava para os Católicos. Neste sentido, as palavras do cardeal são de esperança.
Para além disso, continuo a insistir que o ser humano tem uma forte dimensão religiosa (não apenas espiritual). A manifestação desta religiosidade nada tem a ver com a Ética: é, na minha opinião, de foro ontológico. É uma característica do Homem e faz parte da sua razão de ser. Neste sentido, a perda desta religiosidade - e na minha opinião, o ateísmo é uma forma de anular esta dimensão - amputa o ser humano. Torna-o menor. E por isso, é um dos maiores dramas da humanidade.
Não nos esqueçamos, ainda, que D. José Policarpo é o "líder" da Igreja Católica portuguesa. Não é líder de uma associação de cariz social, não é um político, não é elemento de um conselho deontológico. É um Homem de Fé, que numa homilia fala para a sua comunidade. Assim sendo, parece-me que toda esta pseudo-polémica nasceu de um equívoco, não restando muito mais a acrescentar!

Zapping

Agiu mal quem autorizou a abertura de um quinto canal, de televisão em Portugal.
A questão é muito simples. O país não gera, neste momento, riqueza suficiente para um quinto projecto de televisão, concorrente da SIC, TVI, RTP (e RTP2). O destino é que uma das actuais "estações" feche. Era mais honesto e politicamente correcto o actual governo dizer que encerrava a RTP2. Dos quatro canais é o mais frágil. Durão Barroso, através de Morais Sarmento, foi mais corajoso.

Agir, assim é mau. Muito mau para os operadores que estão no mercado e para os que, não estão, mas tencionam entrar.

Na década de 90, era matemático que iriam nascer televisões regionais como cogumelos. A CNL falhou, no Porto a experiência local foi engolida pela RTP (actual RTPN) para não falar dos canais locais que nunca saíram do papel.

Agora vem este governo, a pedido não sei de quantas famílias ricas, de Portugal e do mundo, abrir uma quarta licença de televisão de sinal aberto. Não é bom para ninguém. A SIC, a TVI e a própria RTP vão ser obrigadas a dividir por mais um, o já magro orçamento da publicidade. Alguém vai pagar a factura desta má decisão.

De certeza que não vai ser quem decidiu.

31.12.07

2008

Nestas últimas horas que restam do velho ano, estou cá para me despedir de 2007….

Dizer-te ADEUS.

Perdi a esperança, mas não esgotei a capacidade de olhar em frente. Para ti e para mim, um FELIZ 2008.

30.12.07

A Ilha do Dia Antes

Uma imprevisível queda ao mar, durante uma tormenta, dois dias a flutuar em cima de umas tábuas e o resgate do náufrago por um fluyt (navio holandês) onde aparentemente não há vivalma. Assim se inicia a descrição das aventuras e desventuras de Roberto de la Grive, o improvável herói piomontês d’A ilha do Dia Antes, romance de Umberto Eco, do qual já publiquei dois excertos (aqui e aqui). Com a ironia típica de Umberto Eco (cujo expoente máximo, na minha opinião, é o inacreditável Baudolino), é-nos descrito um Roberto inocente, pueril, manipulável, crédulo, idealista, aspirante a filósofo, apaixonado e o seu contrário, um Ferrante (irmão gémeo imaginário de Roberto), acusado pelo herói de todas as patifarias e das suas desgraças. Pelo meio disto tudo, uma Senhora, ou melhor, um anjo que Roberto ama castamente, mas cuja virtude não é respeitada por Ferrante - para regozijo da Senhora e tormento de Roberto. Discípulo de vários mestres – Saint Savin, filósofo autodidacta da vida e exímio espadachim; o padre Emanuel, especialista nas coisas divinas e em lógica gramatical; Salazar, político que ensina a arte da dissimulação(!); Igby, um inglês que se passeia pelos salões parisienses em tempos nada propícios à presença de ingleses por terras francesas, mas que lhe ensina os segredos do Pó de Simpatia; e o Padre Gaspar, que à moda dos filósofos gregos, é profundo conhecedor de teologia, geografia, astronomia, física e sábio em geral e que consegue conciliar sempre o conhecimento científico com a religião, recorrendo a uma erudição e a um poder de argumentação fora de série -, o jovem Roberto bebe de um cocktail de conhecimentos que reúne toda a erudição europeia da época. Depois ainda os mistérios do Ponto Fixo (perseguido por todas as potências do século XVII) e das longitudes - a cujos possuidores estariam prometidas todas as fabulosas riquezas das Ilhas de Salomão. Ainda o mistério do Pó de Simpatia e de alquimias são outros dos ingredientes deste romance que, à boa moda de Eco, mistura química, física, astronomia, religião e mitologia, em diálogos deliciosamente inverosímeis e improváveis, mas de uma riqueza rara. Por último, uma ilha, em cuja baía está ancorada Daphne - simultaneamente salvação e prisão do infeliz Roberto, que o mantém cativo dado não ter meio para de lá sair -, mas que está inacessível não só no espaço (algumas centenas de metros), como também e sobretudo no tempo (Roberto crê que o barco está separado da ilha pelo meridiano 360º, logo um dia antes – neste estranho e distorcido pensamento onde aqui é meio dia de hoje, ali é meio dia de ontem). Neste romance, nem Judas Escariote é esquecido, condenado a viver eternamente a trágica quinta-feira Santa – e que poderia ter retrocedido um dia a tempo de evitar a traição a Jesus Cristo, mas que o patife Ferrante não permite, mantendo assim a redenção dos homens, pela morte do Messias. E entre o que vive Roberto e aquilo que imagina ter vivido, se faz um romance absolutamente fantástico, onde Umberto Eco nos brinda uma vez mais com uma miscelânea de teorias improváveis, uma enorme diversidade de narrativas e temáticas, sempre com o rigor científico que todos lhe reconhecemos. Naturalmente, ficará desiludido quem procurar n’A Ilha do Dia Antes – assim como em toda a sua obra - o estilo ritmado com que já nos habituraram alguns dos autores de romances pseudo-históricos best-sellers. Este romance é para ser lido com calma, para ser apreciado convenientemente. Não é um romance pronto-a-consumir. Se necessário for, vale a pena ter uma enciclopédia por perto, para melhor percebermos os detalhes das tramas do enredo com que Eco nos enleia. Porque nem sempre é fácil acompanhar a sua profunda erudição. Mas se nos dispusermos a ler calmamente, o gozo proporcionado é proporcional à exigência. Mais um óptimo livro deste autor, que é uma referência na minha biblioteca pessoal.

27.12.07

Desígnios para 2008

Não gosto de ser pessimista, mas 2007 não foi um bom ano para a maioria dos madeirenses. O próximo não será muito diferente.

Eu, por exemplo, gastei mais 250 euros de gasóleo. Paguei mais 505 euros pela casa, em relação ao ano homólogo.

Só o ordenado é que não cresceu. O meu e o de milhares de cidadãos da minha terra. O desemprego disparou (são agora mais de 8 mil). O principal motor da economia gripou. Foi o governo quem nos últimos 20 anos, derramou dinheiro na economia, através de um forte investimento público. O turismo tenta recuperar o fôlego de outros tempos. Uma vez mais o Sr. Governo foi obrigado a intervir (paga algumas low cost para voarem para cá).

No meio deste deserto, resta-nos a Praça Financeira, mas a Europa e o Estado convivem mal com os paraísos ficais. Há quem diga que tem os dias contados (2011). O descrédito vem de dentro de algumas empresas lá instaladas.

Face aos actuais constrangimentos é urgente repensar o futuro.
Numa terra com recursos naturais limitados, como é o nosso caso, a riqueza ainda são as pessoas. É necessário formá-las. Como? Através de protocolos com instituições externas (portuguesas e estrangeiras). O IV quadro Comunitário de Apoio tem subsídios para esta área, mas considero que não vale a pena gastar o dinheiro com os formadores do costume. Alguns deles já estão em bicos de pé, como é o caso da ACIF, para ensinar. Todos nós conhecemos os nossos quadros técnicos. Todos nós, já fizemos formação e sabemos quem a dá. Com honrosas excepções, são cursos que normalmente não servem para nada. Se há dinheiro, que se invista, de forma a criar riqueza.

24.12.07

Noite do Mercado II

Não estive lá, mas acompanhei pela RTP Internacional, com a apresentação do Paulo Santos (então amigo, há quanto tempo?!...). Gostei!

Santo Natal a todos vós, a aqui uma prenda pela belíssima voz da Diane Krall.