8.2.07

O Regresso d`Oliveira

Manoel de Oliveira anunciou que vai filmar no Porto Santo a vida de Colombo. Espero que o mestre não cometa o mesmo erro do navegador. Apontou um destino, desembarcou noutro.

Foi necessário 20 anos de férias na ilha dourada, para o mais proclamado cineasta da pátria fazer um filme no local de repouso.(todos os anos Oliveira faz 15 dias de férias no Porto Santo). É caso para afirmar que, uma vez mais, Manoel de Oliveira tem um ritmo próprio. Demasiado pessoal para a maioria dos telespectadores. Detestam os filmes do autor. Apesar disso, Oliveira continua a fazer sucesso lá fora. Sobretudo, junto crítica francófona.
Eu falo com à vontade. Já “gamei” Oliveira.( http://www.citi.pt/cultura/cinema/manoel_de_oliveira/index.html ) Até de mais. Tanto, que hoje sou um detractor do mestre. Se há 10 anos atrás era uma agradável descoberta, hoje é uma chata revisitação ver um filme do portuense.

Na altura valeu o esforço. Por causa do trabalho consegui despertar o interesse de uma lindíssima colega da faculdade. Julgo que se não fosse Oliveira, nunca teria namorado com ela.

A semana passada também chegou às nossas salas o último trabalho de Clint Eastwood. O realizador. O actor há muito que se retirou.
O filme dá pelo nome de “” – As Bandeiras dos Nossos Pais.
Vi e não fiquei deslumbrado. Gostei de algumas coisas. De outras não.
Achei-o demasiado longo. Demasiado primário na forma como foram executados os regressos ao passado. Insuportável nalgumas cenas. Ao contrário de um amigo, não senti na película o sofrimento daqueles soldados. Os ditos heróis. Também não deixa de ser irónico que Eastwood se tenha aliado a Steven Spielberg para fazer este filme. Sobretudo porque “O Resgate do Soldado Ryan” é uma obra quase perfeita.

Já sabíamos que Eastwood é exímio na realização. “Flags of Our Fathers” tem momentos muito bons. Em especial, os de combate. São autênticos cenários de guerra. Por instantes esqueci-me que estava a ver um filme. Pensava que estava confortavelmente sentado, a assistir à batalha. Quando assim é, as palavras são sempre poucas. Noutros aspectos o filme pecou. Não gostei da entrada nem do recurso constante ao presente. Por causa disso perdeu-se um excelente filme, ganhou-se um bom bocado de cinema.

3 comentários:

Anónimo disse...

O homem chama-se Clint Eastwood!!! O filme é realmente muito bom.

Jorge Soares Aka Shinobi disse...

Julgo que o outro filme de Eastwood, realizado quase ao mesmo tempo, chamado "Letters From Iwo Jima", e que apresenta o cenário do conflito do ponto de vista do império nipónico, deve ser muito melhor. Pelo menos, as críticas na net têm sido francamente mais positivas!

Anónimo disse...

Angelino, parece que vai uma confusão nessa cabeça!
Primeiro dizes que, ao contráio do teu amigo, não sentiste o sofrimento dos soldados. Depois, dizes que nas cenas de combate sentiste-te dentro de uma guerra!...
Não foi o melhor filme que vi na vida mas está muito bem feito!
Tânia