Mas o bom do Renato, que de burro não tem nada, já pediu, ao que parece, uma avaliação à Christies. É que se não for possível a criação de um principado, será sempre possível a venda a um preço bastante superior aos 9.000 contos investidos na sua aquisição.
Chamem-no de louco, ora pois...
Se bem que, e agora a sério, acho que já vai sendo tempo do Forte passar para a propriedade da Câmara Municipal do Funchal. Seria uma boa prenda a todos os funchalenses, por ocasião das comemorações dos 500 anos. Fica aqui o repto!
"Reúne sete ou oito sábios e tornar-se-ão outros tantos tolos, pois incapazes de chegar a acordo entre eles, discutem as coisas em vez de as fazerem" - António da Venafro
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4.10.07
Principado da Pontinha
Ó Renato, onde é que arranjas essa droga? É que eu também quero!Para quem se assustar com o tamanho do texto, apenas um aperitivo: o bom do Renato quer criar um principado no Forte de São José.
Se quiser juntar-se à causa, ou simplesmente conhecer o local, clique aqui. Aconselho vivamente a visita virtual.
Assim que for possível, eu estarei na linha da frente na defesa deste novo país. Afinal, considero-me cidadão do principado, uma vez que já lá quase vivi (ou dormi!). Sou um Cavaleiro do Amor de pleno direito!
Liberdade para o Principado da Pontinha. Já!
10.9.07
Os homens do presidente ou o que pensa Jardim
Prólogo: por motivos vários não tenho lido a imprensa regional. Tenho acompanhado a realidade madeirense nos contactos que estabeleço com a minha família e com os meus amigos e através da blogosfera. A minha opinião, para além de - naturalmente - ser enviezada, pode também estar assente em incorrecções pelo que, se assim for, peço desde já desculpas aos visados.Decorre da leitura da blogosfera madeirense que nada mais se passa para além da sindicância à Câmara Municipal de Funchal e a possibilidade do Ministério Público investigar eventuais indícios de corrupção.
Sobre estes factos, não faço qualquer comentário, uma vez que não possuo informação suficiente para emitir uma opinião devidamente fundamentada.
Por outro lado, também não me interessa minimamente as pequenas lutas do PS, que agora pede a cabeça do presidente da Câmara Municipal de Funchal na expectativa de vir a beneficiar da guerra surda que estes acontecimentos indiciam: Miguel Albuquerque versus Cunha e Silva. Porque convenhamos que, conforme dizia o meu amigo Gonçalo, o resto é treta.
Mas o que tem mesmo me atraído em toda esta embrulhada tem sido o silêncio de Alberto João Jardim. Desde o início deste novo episódio da guerra entre delfins, que dura já há alguns anos, que Jardim tem mantido um silêncio sepulcral, nada habitual no presidente do PSD-Madeira e que poderá sugerir claramente qual o seu posicionamento relativamente à sua própria sucessão. Eu ainda me recordo do apoio que Jardim deu a autarcas correlegionários, mesmo depois de terem sido condenados pelos tribunais. Aliás, notam-se algumas movimentações subreptícias de homens próximos a Jardim que, não querendo assumir que neste embróglio há matéria mais relevante para o jogo da sucessão do que propriamente criminal, indicia quais são as preferências do presidente do Governo Regional. Veremos quais os próximos desenvolvimentos dentro do PSD/Madeira e qual a importância que todo este triste episódio terá na sucessão. E veremos quantos tiros sairão ao lado.
21.8.07
Agora percebeu?
Então não é que o ex-vereador do PS, Carlos Pereira, quer nova auditoria à CMF?
Aparentemente, o senhor estava esclarecido, de tal maneira que sem ler a primeira auditoria já queria que Miguel Albuquerque perdesse o mandato.
Pelos vistos, afinal já não está tão esclarecido, pedindo uma segunda auditoria. Será que, por portas e travessas, o Dr. Pereira viu o resultado do relatório dos auditores e percebeu que se tinha precipitado?
Aparentemente, o senhor estava esclarecido, de tal maneira que sem ler a primeira auditoria já queria que Miguel Albuquerque perdesse o mandato.
Pelos vistos, afinal já não está tão esclarecido, pedindo uma segunda auditoria. Será que, por portas e travessas, o Dr. Pereira viu o resultado do relatório dos auditores e percebeu que se tinha precipitado?
A Cidade do Funchal

(...)
A entrada da cidade
onde fizeram o cais,
á direita está o Pilar
onde botam os sinais.
Á frente vai o caminho
do porto atravessado,
que vai ter direito à praça,
ao açougue e ao mercado.
À esquerda ‘sta linda obra
(‘sta feita à vontade minha)
basta ela ter o nome
praça da nossa Rainha.
Ávante tem cinco fontes
mesmo pela natureza;
em cima delas está
Palácio da Fortaleza.
Está muito bem construído
com as suas bocas ao mar;
é aqui a residência
do Comando Militar.
Á direita as Obras Públicas
onde há senhores de bem,
mas trabalhos do Estado
bem poucos o Norte tem.
Mais àvante está o Passeio
colocado mesmo em frente,
onde se vê a passear
muita pessoa decente.
Á esquerda está o jardim
que é o recreio do Funchal,
foi feito pela Senhora
Câmara Municipal.
Na frente tem o Teatro
na mesma localidade,
é um edifício bonito
que dá importância à cidade.
Á direita está a Sé,
a casa da oração,
onde a gente vai orar
p´ra tratar da salvação.
A igreja é nossa mãe
na portuguesa nação.
Está em frente do Passeio
esta bela Catedral,
mais adiante se encontra
o Banco de Portugal…
(...)
São Pedro e Santa Luzia
e Santa Maria Maior
e as outras freguesias
que lhe ficam ao redor…
E ainda não falámos
num jardim de maravilha,
que é a floresta do Monte
a Sintra da nossa ilha;
o Monte está num jardim,
tem ali belos recreios
com calçadinhas bem feitas,
com bancadas e passeios.
Até o largo da Fonte,
onde está Nossa Senhora,
foi transformada de novo,
ficando mais belo agora.
Mas a esta freguezia
o que lhe dá maior valor
é a simpática companhia
do Comboio-Elevador.
Meus senhores, na verdade,
aquilo é um grande invento!
Estar a gente na cidade
e ir ao Monte num momento!
Foi p´ra nossa ilha inteira
um grande melhoramento!
(...)
Manuel Gonçalves (Feiticeito do Norte)
Funchal
hoje tive fome da cidade
da minha torre via o mundo pelos vidros
toldado pela cinza
da minha torre onde construo o mundo
é bom pairar na periferia
é só deslizar um pouco para dentro
e eis-me na cidade
na minha cidade enxameada pelas compras de natal
hoje chovia e tive fome da cidade
consegui estacionar o carro
e percorrer a salvo a rua de joão de tavira
atravessar rente à sé estava já o verde intermitente
comprar o jornal
sentar-me no apolo sem o ler
ouvir o mundo
ouvir a chuva a inundar o mundo
Carlos Nogueira Fino
da minha torre via o mundo pelos vidros
toldado pela cinza
da minha torre onde construo o mundo
é bom pairar na periferia
é só deslizar um pouco para dentro
e eis-me na cidade
na minha cidade enxameada pelas compras de natal
hoje chovia e tive fome da cidade
consegui estacionar o carro
e percorrer a salvo a rua de joão de tavira
atravessar rente à sé estava já o verde intermitente
comprar o jornal
sentar-me no apolo sem o ler
ouvir o mundo
ouvir a chuva a inundar o mundo
Carlos Nogueira Fino
...
a cidade tem língua
podes senti-la introspectiva na boca
se por acaso mãos
abstractas te aflorarem a linha das águas
ou dos olhos
e um mar incestuoso te envolver em labirintos
deita-se de coxas entreabertas
no tálamo das praças sob o dossel dos pássaros
e deixa correr apartando os cabelos a seiva
e a pressa das ribeiras
despida de buganvílias mas sôfrega
e tem braços
de mel
correndo nas axilas
sem sinais de pudor
Carlos Nogueira Fino
podes senti-la introspectiva na boca
se por acaso mãos
abstractas te aflorarem a linha das águas
ou dos olhos
e um mar incestuoso te envolver em labirintos
deita-se de coxas entreabertas
no tálamo das praças sob o dossel dos pássaros
e deixa correr apartando os cabelos a seiva
e a pressa das ribeiras
despida de buganvílias mas sôfrega
e tem braços
de mel
correndo nas axilas
sem sinais de pudor
Carlos Nogueira Fino
Funchal
Frente a Madeira cae la tarde
la clara tarde primaveral.
De sierra a sierra, de loma a loma
cuidad de sueños, sueña Funchal.
Nossa Senhora do Monte quiso
darle esta calma tan singular
y esta bahia, donde callada
orla de espuma le borda el mar.
Dadme una casa por la ladera.
Cien tardes quiero vivir acà.
Casa com huerto donde sus ramos
alce el florido jacarandà!
Nossa Senhora do Monte, pueda
esta hora frágil eternizar;
Gaviota…nube…sol que se pone….
vela que vuelve del vasto mar.
El mar en calma, que alegre espejo!
Mirante y sueña feliz, Funchal!
Gloria de un pueblo de navegantes!
Flor de los mares de Portugal!
Arturo Capdevila
la clara tarde primaveral.
De sierra a sierra, de loma a loma
cuidad de sueños, sueña Funchal.
Nossa Senhora do Monte quiso
darle esta calma tan singular
y esta bahia, donde callada
orla de espuma le borda el mar.
Dadme una casa por la ladera.
Cien tardes quiero vivir acà.
Casa com huerto donde sus ramos
alce el florido jacarandà!
Nossa Senhora do Monte, pueda
esta hora frágil eternizar;
Gaviota…nube…sol que se pone….
vela que vuelve del vasto mar.
El mar en calma, que alegre espejo!
Mirante y sueña feliz, Funchal!
Gloria de un pueblo de navegantes!
Flor de los mares de Portugal!
Arturo Capdevila
Funchal

amo o outono nesta cidade
as pequenas casas de todas as cores
os campos de vinhas e cana de açúcar os pomares entre maio e agosto
dizes:
eis a tua cidade
a de zarco e colombo
as ruas tão inclinadas como o sol dos invernos profundos
os carros de cestos os caminhantes da encumeada.
eis-te no centro de tudo e os navios parados.
amo o outono nesta cidade com todas as viagens sem chegada.
na véspera já amara as verdes montanhas de leste
as chuvas abundantes
machico entre os seios de ana d'arfert.
depois voltei para sul e amei-te quando cantavas.
séculos antes navegadores de portugal deram-te um nome e era funchal.
depois queimaram as árvores e o mais alto incêndio era uma ilha.
escravos errantes pararam o sol e à volta serenamente e com paixão
espalharam o verde e o azul.
nunca cantaram o bailinho.
hoje
solitários e ébrios trabalham a pedra a beleza a fome e o turismo.
tu
envolta nas lendas e no sonho surgiste devagar e devagar
deste-me os mais belos frutos e os mais estranhos
as pitangas os araçás os maracujás e as romãs da primeira primavera.
eras mulher e quis chamar-te joana d'arc no outono de uma
cidade surpreendida.
foi então que vi a morte aproximar-se vinda do horizonte e cobrir o
pôr do sol das tuas tardes
vi morrerem a água a luz a leve sombra da palidez da tua fronte
vi as aves marítimas seguirem para longe em voo raso
e pela última vez
definitivamente só
eu amei o outono nesta cidade.
José Agostinho Baptista
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