PS e PSD conseguiram em conjunto, sob o paterno e beneplácito olhar de Cavaco Silva, esventrar uma vez mais a democracia portuguesa, contribuindo irremediavelmente para a descredibilização da classe política. Sufragados programas que defendiam a via referendária para a aprovação do Tratado Europeu, os senhores deputados não tiveram qualquer pudor em mandar às malvas as promessas eleitorais - em nome de um qualquer bem maior, cuja evidência ainda está por demonstrar! -, envergonhando, uma vez mais, aqueles que estão na política em nome de causas. Sinceramente, com sucessivos exemplos destes, começa a custar perder tempo para ir às urnas. E acho que isto já só vai ao lugar quando o povo sair à rua e em força! Porque esta gente não tem qualquer pejo em mentir descaradamente e já não é fácil identificar partidos com causas e projectos políticos que ousem afrontar os interesses instalados, em nome de uma verdadeira democracia.
Já não é surpresa ou desilusão o que me vai dominando quando vejo este tipo de comportamento por parte de gente que deveria ser responsável. Ao ver as notícias, ainda que perfeitamente antecipáveis, não consigo evitar sentir um nauseabundo sabor a vómito!
PS - E não me venham com declaraçãozinhas de votos, como fez Júlia Caré e outros deputados. Porque a verdade é que em nome do tacho toda esta gente alinhou pela orientação das cúpulas partidárias, cujas agendas não são as mesmas dos verdadeiros democratas.
"Reúne sete ou oito sábios e tornar-se-ão outros tantos tolos, pois incapazes de chegar a acordo entre eles, discutem as coisas em vez de as fazerem" - António da Venafro
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20.9.07
Migalhas de poder
O PS-Madeira e o Bloco de Esquerda mostram-se interessados em continuar na Madeira o que os dirigentes nacionais fizeram em Lisboa. Eles dizem que que não, mas a verdade é que todos sabemos que isto poderá não passar de mais uma experiência, antecipando uma possível aliança nacional, a estabelecer já nas próximas legislativas. Mas sendo previsível, é igualmente legítimo. É naturalíssimo que o Francisco Louçã queira ser ministro. Aliás, acredito mesmo que ele poderá ser um bom ministro (desde que evite participar em manifestações orgásticas de destruição de milho transgénico, ou de andar à mocada com a polícia). Estou, portanto, a favor da coligação. Espero é que os dirigentes do Bloco deixem agora de parte a sua arrogância, altivez e pseudo-superioridade moral e assumam que são um partido como todos os outros: disposto a vender a sua agenda política em troca de umas migalhas de poder.
18.9.07
Retrato de Família II
A PSP continua a ter pouco prestígio junto de quem serve.
Domingo, assisti a uma cena que atesta a má imagem da Polícia em Portugal.
Um grupo de uns 8 agentes foi, literalmente vaiado, ao encerrar uma festa local. Passavam 30 segundos da meia-noite e os super agentes, todos com cara de maus, invadiram a divertida multidão.
A actuar desta forma, duvido que algum dia consiga obter o respeito dos cidadãos. Desconheço as licenças, mas o bom-senso mandava que, neste caso, existisse sensibilidade e bom senso, de quem zela pelo respeito da lei.
Eles, os polícias, multam indiscriminadamente.
Eles, os polícias, impõem as leias, sem olhar a factos.
Eles, os polícias, julgam-se acima da lei.
Eles, os policias, …
Eles, os …..
Domingo, assisti a uma cena que atesta a má imagem da Polícia em Portugal.
Um grupo de uns 8 agentes foi, literalmente vaiado, ao encerrar uma festa local. Passavam 30 segundos da meia-noite e os super agentes, todos com cara de maus, invadiram a divertida multidão.
A actuar desta forma, duvido que algum dia consiga obter o respeito dos cidadãos. Desconheço as licenças, mas o bom-senso mandava que, neste caso, existisse sensibilidade e bom senso, de quem zela pelo respeito da lei.
Eles, os polícias, multam indiscriminadamente.
Eles, os polícias, impõem as leias, sem olhar a factos.
Eles, os polícias, julgam-se acima da lei.
Eles, os policias, …
Eles, os …..
17.8.07
"Taliban" de cor de rosa
O PS chegou, na Madeira, a uma situação absolutamente desesperada. E no Funchal um grupo, se calhar à revelia da direcção do partido - JCG, para bem ou para mal, ainda não se pronunciou sobre a situação na CMF - tenta minimizar os danos provocados por duas mais mais estrondosas derrotas eleitorais de que há memória. E mostra à saciedade porque razão não poderia, em circunstância alguma, liderar a maior autarquia da Região.
Em primeiro lugar porque não conhece, e nesse caso é ignorante, ou finge não conhecer, e nesse caso é mentiroso, os efeitos provocados pela prevalência de uma série idiota de imposições e normas legais que condicionam de tal forma as autarquias que as tornam ingovernáveis. Tal é observado, e referido, por autarcas do PSD, do PS ou da CDU, ou seja, por gente que tem experiência no assunto. O cumprimento cego do quadro legal levaria à paralização total de órgãos eleitos democráticamente, impedindo por completo a legitima tomada de decisão política. Seria a completa submissão da política às imposições dos técnicos.
Não sabe, ou finge não saber, que uma autarquia deve ser governada quase "rua a rua ou bairro a bairro". É impossível criar planos de orientação macro que imponham regulamentos cegos e surdos, que não tenham em consideração as especificidades próprias do espaço fisico e humano. Tem é de haver coerência na tomada de decisão política, coerência essa que deve advir da ideia de cidade que é proposta, e sufragada, pelos eleitores a cada quatro anos.
Não sabe, ou finge não saber, que todas as alegadas irregularidades apontadas à CMF advéem das tentativas de minimização do tal estrangulamento legal. Sejamos honestos: é necessário, em determinadas circunstâncias, aligeirar procedimentos de forma a viabilizar projectos que tenham interesse económico ou social, ou seja, que sirvam a comunidade. Se foi isso que a CMF fez, já que não existem indicíos das tais "negociatas" ou de favorecimentos pessoais, deve ser condenada? Eu não creio, de facto...
Pode ser que toda esta situação contribua para que se debata aquelas que são, realmente, as condições em que trabalham as autarquias na Região e no país. Pelo menos isso...
A argumentação do grupo do PS é no mínimo "sui-generis" quando pede a destituição de mandato de Miguel Albuquerque. Antes sequer do Ministério Público se pronunciar sobre os documentos entregues, pede-se uma condenação pública. Isto faz sentido?
Furiosos, quais "taliban" cor de rosa, os representantes de uma qualquer facção do PS-Madeira agarram-se ao legalismo extremo por um lado, mas por outro nem admitem permitir que os órgãos que se devem pronunciar sobre o assunto o façam. A ideia é esta: mandamos para a fogueira e depois veremos se era culpado... Seria hilariante se não estívessemos a falar de gente que foi eleita por uma percentagem, mesmo que minoritaria, do eleitorado funchalense.
Há, no caso em apreço, uma tentativa de tomar de assalto a Câmara Municipal do Funchal, inadmissível em democracia. Estou em crer que a situação será cabalmente esclarecida. E que, em 2009 o eleitorado da capital - mais esclarecido, na minha opinião, que o restante eleitorado da Região - dará a resposta clara que esta facção do PS merece.
Post-Scriptum1: Curiosamente, a maioria das alegadas irregularidades foram aprovadas em reunião de Câmara, com votos favoráveis do PS e da restante oposição. Uma curiosidade, apenas...
Post-Scriptum2: O grupo anda a ficar nervoso. É que ao que parece a mensagem não está a passar outra vez. E vai daí, "porrada" nos jornalistas, particularmente na RTP-M, no DN e no Tribuna (este é mesmo apelidado, num determinado blog, de "pasquim". Os jornalistas que lá trabalham serão, apenas mensageiros do poder, autómatos sem acção própria). Em resumo, somos muito democráticos, mas ou nos põem a abrir o Telejornal ou então, porrada neles... E ainda dão querem dar lições, ou amigos, valha-nos Deus Nosso Senhor!
Post-Scriptum3: os tais democratas afirmam-se ainda indignados pelo facto da restante oposição não alinhar naquela estratégia suicida. E querem, a todo o custo, condicionar a estratégia dos restantes partidos, da CDU ao PP. Há ali alguma dose de loucura, ou não?
Em primeiro lugar porque não conhece, e nesse caso é ignorante, ou finge não conhecer, e nesse caso é mentiroso, os efeitos provocados pela prevalência de uma série idiota de imposições e normas legais que condicionam de tal forma as autarquias que as tornam ingovernáveis. Tal é observado, e referido, por autarcas do PSD, do PS ou da CDU, ou seja, por gente que tem experiência no assunto. O cumprimento cego do quadro legal levaria à paralização total de órgãos eleitos democráticamente, impedindo por completo a legitima tomada de decisão política. Seria a completa submissão da política às imposições dos técnicos.
Não sabe, ou finge não saber, que uma autarquia deve ser governada quase "rua a rua ou bairro a bairro". É impossível criar planos de orientação macro que imponham regulamentos cegos e surdos, que não tenham em consideração as especificidades próprias do espaço fisico e humano. Tem é de haver coerência na tomada de decisão política, coerência essa que deve advir da ideia de cidade que é proposta, e sufragada, pelos eleitores a cada quatro anos.
Não sabe, ou finge não saber, que todas as alegadas irregularidades apontadas à CMF advéem das tentativas de minimização do tal estrangulamento legal. Sejamos honestos: é necessário, em determinadas circunstâncias, aligeirar procedimentos de forma a viabilizar projectos que tenham interesse económico ou social, ou seja, que sirvam a comunidade. Se foi isso que a CMF fez, já que não existem indicíos das tais "negociatas" ou de favorecimentos pessoais, deve ser condenada? Eu não creio, de facto...
Pode ser que toda esta situação contribua para que se debata aquelas que são, realmente, as condições em que trabalham as autarquias na Região e no país. Pelo menos isso...
A argumentação do grupo do PS é no mínimo "sui-generis" quando pede a destituição de mandato de Miguel Albuquerque. Antes sequer do Ministério Público se pronunciar sobre os documentos entregues, pede-se uma condenação pública. Isto faz sentido?
Furiosos, quais "taliban" cor de rosa, os representantes de uma qualquer facção do PS-Madeira agarram-se ao legalismo extremo por um lado, mas por outro nem admitem permitir que os órgãos que se devem pronunciar sobre o assunto o façam. A ideia é esta: mandamos para a fogueira e depois veremos se era culpado... Seria hilariante se não estívessemos a falar de gente que foi eleita por uma percentagem, mesmo que minoritaria, do eleitorado funchalense.
Há, no caso em apreço, uma tentativa de tomar de assalto a Câmara Municipal do Funchal, inadmissível em democracia. Estou em crer que a situação será cabalmente esclarecida. E que, em 2009 o eleitorado da capital - mais esclarecido, na minha opinião, que o restante eleitorado da Região - dará a resposta clara que esta facção do PS merece.
Post-Scriptum1: Curiosamente, a maioria das alegadas irregularidades foram aprovadas em reunião de Câmara, com votos favoráveis do PS e da restante oposição. Uma curiosidade, apenas...
Post-Scriptum2: O grupo anda a ficar nervoso. É que ao que parece a mensagem não está a passar outra vez. E vai daí, "porrada" nos jornalistas, particularmente na RTP-M, no DN e no Tribuna (este é mesmo apelidado, num determinado blog, de "pasquim". Os jornalistas que lá trabalham serão, apenas mensageiros do poder, autómatos sem acção própria). Em resumo, somos muito democráticos, mas ou nos põem a abrir o Telejornal ou então, porrada neles... E ainda dão querem dar lições, ou amigos, valha-nos Deus Nosso Senhor!
Post-Scriptum3: os tais democratas afirmam-se ainda indignados pelo facto da restante oposição não alinhar naquela estratégia suicida. E querem, a todo o custo, condicionar a estratégia dos restantes partidos, da CDU ao PP. Há ali alguma dose de loucura, ou não?
7.6.07
Meninos imberbes
Na Alemanha o velhinho circo anti-globalização está montado. Reunidos na cimeira, os líderes dos países do denominado G8, enfrentam a contestação de rua dos meninos imberbes que para além de não saberem o que dizem, executam mal aquilo que fazem.
Naturalmente, o principal visado é o presidente americano, o alvo perfeito para todos os males que grassam no mundo desde a caça ilegal ao elefante ao desaparecimento, quem sabe, da Maddy.
Ironicamente, a ignorância dos meninos é um mal geral. Basta ver o papel da educação para se perceber a incapacidade de raciocínio da maioria da malta e o modo simplista como se deixa influenciar e manipular pelo profetas da demagogia do costume, senhores aliás tidos como muito intelectuais. Ora, querer fazer da América e de um acontecimento como a cimeira do G8 as razões de todas as frustrações é remédio que não serve e sapato que não se calça.
A realidade, infelizmente para eles, existe e não adianta procurar subterfúgios menores. Muita gente ainda não percebeu que a globalização não é coisa que se controle e que se apelide. Ela simplesmente existe; ela simplesmente é. Mas as ditas cabecinhas nem o mais simples percebem: que os que mais sofrem com a globalização são aqueles que estão à margem da mesma. Precisamente aqueles que, por incapacidade política e pela solidariedade que nada produz, constantemente se recusam a enfrentar o presente e a pensar no futuro. Quem disse que era fácil matar utopias?
Naturalmente, o principal visado é o presidente americano, o alvo perfeito para todos os males que grassam no mundo desde a caça ilegal ao elefante ao desaparecimento, quem sabe, da Maddy.
Ironicamente, a ignorância dos meninos é um mal geral. Basta ver o papel da educação para se perceber a incapacidade de raciocínio da maioria da malta e o modo simplista como se deixa influenciar e manipular pelo profetas da demagogia do costume, senhores aliás tidos como muito intelectuais. Ora, querer fazer da América e de um acontecimento como a cimeira do G8 as razões de todas as frustrações é remédio que não serve e sapato que não se calça.
A realidade, infelizmente para eles, existe e não adianta procurar subterfúgios menores. Muita gente ainda não percebeu que a globalização não é coisa que se controle e que se apelide. Ela simplesmente existe; ela simplesmente é. Mas as ditas cabecinhas nem o mais simples percebem: que os que mais sofrem com a globalização são aqueles que estão à margem da mesma. Precisamente aqueles que, por incapacidade política e pela solidariedade que nada produz, constantemente se recusam a enfrentar o presente e a pensar no futuro. Quem disse que era fácil matar utopias?
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