5.12.05

Paixão pelos Euros


"Quando eles não sabem o que dizem, perdoai-lhes Senhor."


O bispo deve andar com alucinações. O Pior… é que homem pensa que o governo é o Pai Natal.

Ele, - D. Teodoro Faria, já era para estar na reforma e o Alberto João Jardim até pode parecer aos olhos do Bispo o Pai Natal, mas garanto-lhe que ainda não é.

É preciso ter muita lata para pedir que o Executivo pague à igreja, o terreno onde foi construído o arquivo regional.

De certeza que o Bispo deve sofrer de “alzheimer”e não sabe. Se sabe, já se esqueceu que foi o governo - quer dizer, os madeirenses - que pagaram a construção das igrejas da Madeira Nova.

Recordo-me da igreja da Nazaré, da de São Roque e Livramento no concelho do Funchal.
Em Machico foi erguida a do Caniçal e recuperada a do Porto da Cruz.

Em projecto está a igreja do Jardim da Serra para construir de raiz.

Se a este aleatório pacote juntarmos a recuperação de telhados, de fachadas, de órgãos, de capelas, adros e por aí fora,... o executivo gastou fortunas. Dinheiro que dava para construir uma nova sé.

Agora o Bispo ainda quer mais dinheiro antes da reforma? É a anedota do Ano. Chegou tarde, mas a tempo de fazer parte das melhores piadas de 2005.

Comentários

Um "boicote" qualquer do meu computador obrigou-me a a reabrir os comentários. Até o conseguir resolver, vou ter de aceitar todas as palermices (e não só) que aqui quiserem escrever. Mas não as prometo ler.

Tem graça

"Amanhã temos o Porto-Artmedia. Quarta-feira temos o Benfica-Manchester. Hoje, para a quecer, temos o Alegre-Cavaco".

Cartoon do "desportivo" Record.

Debate

Cavaco tem hoje um dos debates mais dificeis desta primeira volta das presidênciais. Vamos ver como se sai.

Bom negócio

Sócrates prepara-se para entregar a gestão de todos os aeroportos portugueses ao concessionário que ganhar o Concurso do século, perdão, da OTA. Todos não. Os quatro aeroportos dos Açores não serão geridos por privados. Pura e simplesmente porque dão prejuízo. Um excelente negócio para o Estado, não hajam dúvidas!

Para saber mais ler aqui.

Ignorância

Teria graça ouvir a esquerda acusar a direita de querer "mitificar" a figura de Sá Carneiro. Esquecendo-se do "Cunhal mítico". E do próprio processo de mitificação de Soares, recusado pelo próprio ao candidatar-se à presidência da Republica, impondo-se a toda essa esquerda, para mal dela. Mas não tem, porque a acusação resulta da ignorância. Do desconhecimento do percurso político e da herança política de um dos portugueses mais importantes do século XX.

3.12.05

Palpites

Estou cá com um palpite que a partir desta semana a arbitragem e o sistema vão ser os responsáveis por tudo o que acontecer ao Nacional...

Doenças incuráveis

Num assomo de loucura, apostei com um amigo meu que o Marítimo fica à frente do Nacional...

2.12.05

No Algarve

O blog de uma madeirense temporariamente no Algarve.

Vagabundear pela blogosfera

Um blog que representou uma agradável surpresa.

Dúvida

Como é que um país que não produz quase nada chega a isto?

A caça às bruxas

A OMS decidiu não contratar mais fumadores. A medida é ridícula e demonstrativa do novo fascismo politicamente correcto que por aí abunda. Tudo isto, claro, sem contar com o inusitado atentado aos direitos, liberdades e garantias dos seres humanos.
A interferência, da OMS, em assuntos que são do foro íntimo de cada um é evidente. E esclarecedor da idiotia que reina sobre certas cabeças iluminadas que pretendem fazer do mundo um paraíso artificial. Depois dos fumadores, virão os gordos (hambúrgueres e seus derivados), os viciados em cafeína e a geração Prozac. Depois os feios. E assim sucessivamente, até se formar uma espécie de novos arianos puro-sangue. Daí até as análises exaustivas à procura de doenças geneticamente perigosas e vírus desconhecidos será um outro pequeno passo rumo à selecção dos ilustres e distintos funcionários da OMS, uma casta apurada cientificamente. Em pouco tempo, a OMS será um conjunto de gente sã, esbelta e provavelmente muito bonita e inteligente, imune a doenças e a vícios, coisas mundanas das pessoas inferiores. Pena, para eles, que o mundo inteiro não seja igual à estética do circo que rodeia a fórmula 1 (e igual também à futura OMS): significava estar muito perto do objectivo final e que a caça às bruxas tinha de facto resultado. E ainda dizem que o fascismo morreu.

30.11.05

O último herói do Porto


O Jorge Costa foi o último herói romântico do futebol português. Um tipo duro. Temido pelos adversários. E pelos companheiros de equipa que ousavam ultrapassar os limites impostos pela disciplina férrea do FC Porto. Um tipo frágil. Que chorava em campo quando perdia. Ou quando ganhava.

O capitão nunca foi um jogador brilhante. Mas nunca lhe faltou coragem. Fazia-se a cada bola com a determinação de quem acreditava numa causa. De quem estava disposto a sacrificar-se. O capitão foi um caso singular de amor clubístico. E não merecia que um holandês manifestamente inapto para a função que desempenha lhe apontasse a saída da maneira como o fez.

Quando escrevo isto sou insuspeito. Porque sou do Sporting. E, meus caros amigos, quanta pancada deu o Jorge Costa nos avançados do meu clube!

Torres presidente

Li, num sítio qualquer, que o Torres Couto quer ser presidente do Sporting. Deus nos livre e guarde de semelhante atrocidade!

Quem me dera que eu fosse o pó da estrada

Mais um de Fernando Pessoa. Contributo do Ricardo


Quem me dera que eu fosse o pó da estrada
E que os pés dos pobres me estivessem pisando...

Quem me dera que eu fosse os rios que correm
E que as lavadeiras estivessem à minha beira...

Quem me dera que eu fosse os choupos à margem do rio
E tivesse só o céu por cima e a água por baixo...

Quem me dera que eu fosse o burro do moleiro
E que ele me batesse e me estimasse...

Antes isso que ser o que atravessa a vida
Olhando para trás de si e tendo pena...

Alberto Caeiro

Ciríaco e a asneira do ano

Após meses de vãs tentativas, o deputado socialista Óscar Ciríaco Teixeira conseguiu fazer-se notar no Parlamento. E como: gritando, a plenos pulmões, a asneira do ano.

Esta manhã, no debate parlamentar, o bom do Ciríaco, atarantado com uma discussão que visivelmente o transcendia, disparou que Santa Cruz poderia ser a segunda cidade da Madeira se não tivesse o Aeroporto. É que, defendeu o amigo Ciríaco, em Santa Catarina, sítio onde aterram e descolam aviões e avionetas, não se pode construir, pelo que a Câmara da terra perde uma fortuna na cobrança do Imposto Municipal sobre Imóveis.

Pelos vistos, para o genial Ciríaco socialista, uma infra-estrutura de somenos importância como um aeroporto inteiro (com pistas, aviões, guardas fiscais e um milhão de passageiros por ano) não justifica tão avultada perda de receitas. Por isso, os aviões deviam aterrar noutra terra, de preferência bem longe da bela Santa Cruz.

Se o presidente da Câmara que tutela a aldeia da Ota toma conhecimento de tão brilhante análise, Sócrates vai ter sarilhos, oh se vai!

Parabéns, caro Óscar Ciríaco. Há barbaridades que não estão ao alcance de qualquer um!

Vota Vieira


O meu candidato. Pelo menos na primeira volta.

"Basta de políticos de carreira, vota Vieira; Não faças asneira, vota Vieira; Queres dinheiro na algibeira, vota Vieira; Já os conheces de gingeira, vota Vieira."

Acrescento para acabar com bandalheira, vota Vieira

Datas

Curta biografia do dono dos dias.

13 de Junho de 1888 - Nasce em Lisboa Fernando António Nogueira Pessoa
1896 - Parte para Durban
1905 - Regressa a Lisboa
1906 - Inscreve-se no Curso Superior de Letras
1907 - Abandona o curso
1915 - Lançada Revista Orfeu. "Morte" de Alberto Caieiro
1916 - Suicídio de Mário de Sá Carneiro
1924 - Aparece a Revista Athena, dirigida por ele e Ruy Vaz
1927 - Começa a colaborar com a revista Presença
1934 - Edita a Mensagem, o seu único livro publicado em vida
30 de Novembro de 1935 - Morre em Lisboa, aos 47 anos

Liberdade

Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.

O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa...

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto é melhor, quando há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

O mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...

Fernando Pessoa

Fernando Pessoa por Almada Negreiros

Invasão

Morreu, faz hoje 70 anos, um poeta universal, o português mais importante do século XX. Eis porque invade a Conspiração.

Fernando Pessoa por Luís Badosa

Se, depois de eu morrer...

"Se, depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,~
Não há nada mais simples.
Tem só duas datas --- a da minha nascença e a da minha morte.
Entre uma e outra todos os dias são meus.

Sou fácil de definir.
Vi como um danado.
Amei as coisas sem setimentalidade nenhuma.
Nunca tive um desejo que não pudesse realizar, porque nunca ceguei.
Mesmo ouvir nunca foi para mim senão um acompanhamento de ver.
Compreendi que as coisas são reais e todas diferentes umas das outras;
Compreendi isto com os olhos, nunca com o pensamento.
Compreender isto com o pensamento seria achá-las todas iguais.
Um dia deu-me o sono como a qualquer criança.
Fechei os olhos e dormi.
Além disso fui o único poeta da Natureza."

Alberto Caeiro

28.11.05

E se um dia...




...tivesse sido possível, juntar estes três numa mesma equipa?

Mitos e lendas




George Best

Livros

Via Origem das Espécies, uma lista que se propõe escolher os melhores livros de 2005. Alguns deles, foram aqui referenciados.

Está quase na hora

Os meninos do coro

Fuzileiros britânicos são apanhados numa praxe, filmados em plena luta livre e coisas afins. A coisa espanta e choca o mundo dos contos de fadas onde nada disto pode existir. Porquê? O pessoal odeia violência, principalmente se for gratuita. Claro que pelo meio devora tudo o que passa na televisão sem mastigar e sem apanhar nenhuma indigestão. Pormenor: a rapaziada em questão é toda voluntária, logo sabe bem ao que está e para o que vai. Segundo pormenor: ninguém se lembrou que a guerra não é propriamente higiénica e o “inimigo”, muitas vezes, pêra doce. Se for preciso sobreviver em ambientes inóspitos, convém ter estaleca e estar preparado para o drama. Terceiro pormenor: na guerra, eureka, morre-se. E, claro, mata-se. Não queiram transformar as nossas forças armadas num bando de meninos do coro incapazes de suportar a dor, as privações e as consequências da profissão/actividade que escolheram. E leram bem: que escolheram.

MOSQUITO I


Já começou a saga do Mosquito.

Não sei se já repararam, mas já está a ser exibido na televisão, o anúncio do ano.

Chama-se MOSQUITO I e é um conceito desenvolvido por sua excelência, a
Secretaria Regional dos Assuntos Sociais e pela Directora do Serviço Regional de Saúde Pública.

Segundo li na Internet, o “spot” já foi nomeado pela Associação de Publicitários de Portugal, o melhor anúncio de 2005.

Calma! Existem mais novidades!
MOSQUITO I já despertou, inclusive, o interesse de alguns gurus do marketing norte-americano.

Consta que numa daquelas viagens, secretas de aviões da CIA, entre a América e a Europa, o filme foi espionado, através de um super-potente aparelho de captação de imagem. Uma espécie de, telescópio AR-TERRA, que existe a bordo dos aviões.

A obra despertou, tanto interesse, que houve um espião, maluco da CIA, que o colocou na Internet.

Agora chovem pedidos de informação, nos serviços centrais do governo, para saber mais pormenores sobre o insecto, e sobre quem teve a brilhante ideia.

A comunidade de zoologistas americana também está interessada em estudar o insecto. O ex-reitor da Universidade – Ruben Capela – é que já afirmou que tem a solução para o problema. Como nasceu em África, e viveu no Continente durante vários anos, conhece bem esta espécie de insecto.

É tudo uma questão de pormenores. Basta uns dinheiros extras, que lhe foram retirados assim que deixou o cargo de reitor, para acabar com a praga.

Nada de americanos. Ou será que o povo tem memória curta? Já não se recordam das ameaças, americanas sobre a Madeira, do início da década de 90?

27.11.05

As contradições do governo

As contradições do governo


Passou despercebido à maioria do comum dos mortais.

O Governo anda baralhado.

No dia 8 deste mês, o director do Instituto Regional de Emprego, disse num órgão de Comunicação Social, que na Madeira, o desemprego atingia 3,9% da população.

Alguns dias depois, o director, foi desmentido por outro director. Só que desta vez, o da Segurança Social. Roque Martins cifra o valor, bastante acima, daquele que é oficialmente divulgado pelo Governo. Fala em 7% da população, à procura de trabalho na Madeira.





É sempre agradável viajar de avião. Principalmente quando quando é a última viagem. Tal como a última ceia, esta também é regada com vinho. Nada mau para uma despedida.

Chegou via e-mail.

24.11.05

Projecto

O projecto parece bom. Vamos ver se funciona. Via Blasfémias.

Plano Tecnológico

O Governo aprova hoje, em Conselho de Ministros, o Plano Tecnológico, uma das "bandeiras" eleitorais de José Sócrates. A aprovação acontecerá uma semana depois da demissão do coordenador do Plano, José Tavares que, recorde-se, "bateu com a porta" alegando divergências com o Ministro da Economia, Manuel Pinho, ou seja, estava farto de ver o sr. Ministro "meter o bedelho" em assuntos que o transcendiam. O cenário traçado diz-me que poderemos estar a assistir a mais uma apresentação folclórica, destinada a convencer os parolos do burgo de que daqui a dez anos seremos os maiores. Mas espero, de facto, estar enganado.

O Público oferece o Plano em PDF. Basta clicar aqui.

Quem quiser entrar na discussão pode fazê-lo aqui.

23.11.05

Telenovela

Louçã diz que o Valter foi despedido por ser faltoso (provavelmente é verdade). O Valter diz que Louçã é mentiroso (provavelmente é verdade). O Sindicato diz que viu a acta que trama o Valter. Um tal de Ribeiro diz que o Valter não faltava. Um jornalista diz que o Ribeiro é mentiroso.

Não, não é o enredo de uma telenovela mexicana. É a política portuguesa no seu melhor. Para acompanhar clique aqui. A "estória" promete

Tá gira

Esta tá gira. Como se o Governo português soubesse alguma coisa...

ILGA

A risível ILGA está chateada porque a Igreja Católica não admite padres homosexuais. E o que se poderia esperar de uma associação com nome de matrona de bordel?

Texto

Bom texto de um tal Isaque Ladeira nas cartas de leitor do Diário, publicadas hoje. A ler.

Canção

A cançoneta do Nemo James de que vos falei ontem pode ser sacada aqui. Boa sorte.

Tá lindo

- Ele gosta de mim. Só não quer é dizer

afirma o menino Alegre.

- Não gosto nada. Agora só brinco com o gordo

responde o menino Sócrates.

Isto tá bonito. Lindo de ser ver...

22.11.05

Mais um Roth nas bancas

Excertos e intervenções XII

"Mas os objectivos políticos das últimas eleições eram claros: eles iam ganhar cidades, eles iam ganhar vilas e freguesias. Eles iam ganhar aldeias inteiras, sítios e outros lugarejos. Eles iam inclusive ganhar a capital, e daí promover, quem sabe, “a queda do império”; e gritá-la a plenos pulmões “urbi et orbi”; para a cidade de Roma e para o mundo. Fasquia alta: queriam ganhar o mundo; ganharam um poço sem fundo. Mas como diz o povo: entradas de leão, saídas de sendeiro. Não só o mundo era demasiado grande, como espantados perceberam que tudo era demasiado ambicioso. Mas aplauda-se a nova jurisprudência: houve por aí quem garantisse que, em política, não se pode perder aquilo que não se tem. Está explicada a razão de muitos não perderem a vergonha na cara. As eleições não afastaram os politicamente incapazes, como acontece por toda a parte. Uma vez mais se deu por este território autónomo uma inusitada anomia, cultivada por quem lhe convém manter o status quo e deixar tudo igual. Orgulhosamente só, o bando caminha alegre e ingloriamente de derrota em derrota até à derrota final. Alguns, mais espertos, já desertam; outros resistem; no fim todos aguardam; [...]."

Excertos e intervenções XI

"A obsessão pela Câmara do Funchal só tem comparação com a obsessão romana em querer destruir Cartago: a qualquer preço, a qualquer custo. Delenda Est Carthago, eram as palavras de Catão, o Antigo sempre que terminava as suas intervenções no senado romano. Mas a raiva, a ira, o ódio, a hipocrisia, a mentira e a calúnia, tiveram a resposta esperada de quem é soberano nestas matérias: o povo. Tentou-se denegrir a imagem, fazendo da política um circo, uma feira de vaidades, por onde se passeava arrogância, altivez, presunção, insolência, soberba e onde não havia, pasme-se, humildade."

Excertos e intervenções X

"E por cá, como vamos? Na Madeira grassa uma espécie de conformismo hipócrita em que a oposição se limita a debitar ideias velhas e gastas com o intuito claro de ganhar tempo na comunicação social. Esta fúria imberbe que ganha contornos pitorescos à frente dos microfones e dos gravadores, assume-se como o singular estratagema visível de pessoas que não têm ideias, projectos ou ambições políticas que vão para além do botequim da esquina, da estrada esburacada ou da casa onde chove dentro, sempre com a conivência descarada de quem lhes dá cobertura. Vivemos por isso num absurdo. Num absurdo inenarrável e sem fim à vista. Há partidos que hoje, e aliás como sempre, se comportam como se tivessem 40 ou 50% dos votos e não o um ou os dois deputados do costume. E dão-se ao luxo de falar em nome dum grupo ou mesmo duma representação parlamentar num eufemismo que substitui bem, e comodamente, a piada de mau gosto. Basta ver as reportagens televisivas: sempre os mesmos; louve-se a decência de se alternarem nos microfones e nas cadeiras onde se sentam. Mas que dizer das estratégias políticas individuais que minam as actuais estruturas da oposição e que promovem a perpetuação dos politicamente incapazes, num assomo indiscritível de falta de dignidade na derrota? Sim, porque se enganam todos aqueles que julgam que as eleições afastam ou removem os politicamente incapazes. Nesta terra, a meio do oceano imersa, há partidos políticos que ganham eleições consecutivamente quase há tantos anos como o PSD. A ingenuidade é muito querida e ainda por cima é de graça. Mas houve tempos recentes de singela expectativa. Houve tempos em que um exército de mercenários se propunha conquistar Roma e entregá-la aos bárbaros. Foram tempos de grande fanfarronice e jactância. Foram tempos de apalermada desorientação, também. Para a história ficaram alguns momentos humorísticos e algumas ideias peregrinas de cariz satírico; Mas chegados ao campo de batalha, a fúria e o ódio viscerais eram tão fortes que impediram os mercenários de ter qualquer veleidade. Estavam cansados e desgastados. Sem liderança e já sem força. Mas encheram-se, como sempre, de vitórias morais. Tentou-se inclusive assustar o povo como antigamente se assustavam as criancinhas romanas: inventado medos, espantalhos e outros monstros; “Aníbal está às portas” [...]."

Excertos e intervenções IX

"Lá longe continua a ver-se, algures, o D. Sebastião. Triste povo este que não entende que o D. Sebastião não existe, que nunca chegou, que nunca vai chegar. E que é precisamente por isso que o mito sobrevive: porque ele precisa de se reproduzir eternamente no tempo e no espaço, carregando às costas o seu simbolismo que é a certeza de que nunca se concretizará, enquanto entra no nosso imaginário colectivo e connosco convive nas horas dos dias e nos dá aquilo que mais procuramos e ambicionamos: uma luz ao fundo do túnel, uma corda onde nos agarrarmos, uma lufada de ar fresco, qualquer coisa que nos ligue à máquina e nos dê fé e nos dê uma nova e continuamente renovada esperança. Agora é pela figura austera. Antes tinha sido pela terceira via, pelo choque fiscal, pelo choque tecnológico e outras balelas parecidas. O que nos importa isso? Nada. Há uma nova luz ao fundo do túnel. Mas desenganem-se os mais inquietos que vêem na figura do Dr. Cavaco o homem que vai mudar de vez o regime e entregar nas mãos da “perigosa” e “envergonhada” direita o poder que o camarada Presidente Sampaio lhes sonegou. Não há perigo. O consenso é geral, porque o sistema limita-se a reproduzir-se, a manter-se, a conservar-se.[...]"

Excertos e intervenções VIII

"O ridículo não mata em política. E nunca matou por sinal. Se dúvidas houvesse, bastava olhar para o circo montado à esquerda para perceber o arraial onde a festa se desenvolve. Como se avança na política em Portugal, senhores? Como avançam os candidatos presidenciais? O camarada Jerónimo avançou para marcar terreno; o Dr. Francisco Anacleto Louçã avançou porque o camarada Jerónimo avançou para marcar terreno e assim lhe fazer marcação cerrada; o Dr. Mário Nobre Soares avançou porque não queria que o Dr. Cavaco fizesse um passeio pela avenida; e o Dr. Alegre avançou porque pá, se chateou com a malta, pá, em nome da ética republicana, pá. Em comum, todos tinham um ódio escondido e uma motivação secreta: derrotar o putativo Dr. Cavaco que conseguiu a proeza de juntar toda a esquerda, da operária à burguesa radical, da clerical à aristocrata, num mesmo saco e com um mesmo objectivo. A busca incessante pelo protagonismo tem destas cenas irreais, dignas da Twilight Zone. O nosso absurdo já não precisa de ser representado por Sísifo acartando infinitamente o seu fardo montanha acima; basta olhar para os aspirantes da esquerda à presidência da república portuguesa e chorar pelo nosso fado, pelo nosso destino. Ao que chegamos. Nietzsche falou-nos do mito do eterno retorno. Uma ideia nefasta e filosoficamente complicada: imaginem a ideia de que tudo aquilo que viveram se há-de um dia repetir infinitamente, uma vez, duas vezes, três vezes, tal como a Fénix que das cinzas renasce, e às cinzas volta para das mesmas cinzas renascer. Só isto justifica a exumação política do Dr. Soares que, supostamente reformado e cansado, andou por aí a escrever livros, andou pela Europa, dirigiu fundações e ainda teve tempo de marchar contra a guerra. Mas o Dr. Soares não é como alguns vinhos que se refinam com a idade; pelo contrário, azedou, endureceu o discurso e mesmo trocando alguns nomes mostra que o seu problema não é de facto a idade: são as ideias perigosas que no fim de uma etapa decidiu abraçar e que o levaram do centro político ao extremismo personificado no apóstolo da democracia portuguesa, o evangelista Francisco Anacleto Louçã e que fizeram do par o novo par maravilha da política portuguesa."