11.1.08

Que se passa connosco?

Ontem, fui a um jantar de despedida. O D parte para África. Não consegue emprego na ilha.

Dois dias antes do novo ano a J ligou-me para se despedir. Foi para a América, ao encontro de uma irmã. Não volta. Não encontrava emprego na ilha.

No inicío de Dezembro de 2007 a N fartou-se de ser mal paga. De trabalhar 10 horas por dia e de chegar ao fim do mês sem um tostão. Apresentou a demissão e abalou para França.

Em 2006, e em 2007, vi vários amigos meus fecharem a mala para procurar vida noutros lados. Tal como o D,a J e a N têm formação. Tal como o D, a J e a N não conseguiam encontrar emprego ou ser pagos decentemente por aquilo que faziam.

Que se passa connosco?

10.1.08

Mapa de portugal em actualização

Se este já não é o mapa de Portugal segundo a versão de Mário Lino, qual será?!

País de matraquilhos....again!

Num país sério, Mário Lino teria ido embora perante tamanha desautorização. Ou teria sido demitido, por tamanha incompetência e ofensa à minoria tuaregue portuguesa. Mas não: em Portugal, este ser pavoneia-se pelas televisões, multiplicando-se em explicações tão estapafúrdias quanto as razões que evocava para não equacionar a possibilidade de um futuro aeroporto ficar situado na margem sul do Tejo.

Gostaria também de saber o que pensa Almeida Santos sobre esta decisão do governo. É que o perigo de um ataque terrorista às pontes sobre o Tejo coloca-se cada vez com mais acuidade.
Já o disse, já o repeti, já criei um rótulo, mas não me canso de afirmar: tudo isto se passa, apenas temos este governo fantoche e pateta, porque efectivamente somos um país de matraquilhos!

Que bem falam os outros

"Mas o Lino além de transfuga é um pobre diabo, do ponto de vista intelectual. Jamais ou "jamé" não tem importância nenhuma. Hoje está tudo histérico porque o Grande Engenheiro, qual Imperador do Japão, com um gesto como Luís XIV, como O Imperador da China até 1911,como o Czar Vermelho Estaline até 1953, apontou Alcochete para o local do Aeroporto. Fez um movimento de extensão do antebraço sobre o braço direito, movimento de supinação, extensão do indicador direito em força e apontou para um mapa na sala do trono, no imenso palácio, rodeado por todos os cortesãos. E disse baixo e sibilinamente: Ali! Bocejou e retirou-se para os aposentos privados. Estamos muito obrigados a Sua Excelência. E a todo o governo do aumento da carcaça".

Daqui

Laico, ou lacaio?

Ora cá estão umas palavras acertadas de Miguel Fonseca. Registo, aplaudo e subscrevo. Na íntegra!

Mensagem ao Rudy

E então, ó Rudy, não vai sendo tempo de entrares na "corrida"? Bem sei que andas meio doente mas xiça, o circo já atravessou dois estados e tu nem um delegadozinho elegeste, ó Rudy!

(3% no Iowa?! Já pareces o Garcia Pereira, homem!)

Ainda nos arriscamos a levar em cima (salvo seja!) com a Senhora Clinton.

Ou com um tipo que passa metade do tempo a convencer os eleitores de que é negro. Ou com um mórmon meio fanático.

A gente deste lado esforça-se, ó Rudy, mas parece que a "coisa" por aí tá negra. Vamos é esperar a chegada do circo à civilização. Pode ser que por aí a gente se safe, amigo Rudy.

Bem vinda, Teresa

Bem vinda, Teresa, a este admirável (cada vez menos) mundo da blogosfera.

Nos gostamos do Pinóquio!

Que Sócrates mente facilmente todos sabemos. Agora o que me custa perceber é a facilidade com que este bom povo de Portugal engole um Primeiro Ministro destes.

A propósito, alguém é capaz de me explicar que ráio é a "ética da responsabilidade", um dos argumentos que Sócrates utilizou para inviabilizar o referendo?

9.1.08

Tratado sobre a mentira

Sócrates e o referendo, ou o mais descarado mentiroso primeiro-ministro.

É essencial”, Outubro de 2004;
Desta vez tem de haver”, Dezembro de 2004;
Vai haver”, Fevereiro 2005,
O Governo defende que a aprovação e ratificação do Tratado deva ser precedida de referendo popular”, Março 2005 (Programa do Governo);
Mantenho”, Dezembro 2006 (em resposta à pergunta “mantém o objectivo de referendar o Tratado qualquer que seja o resultado deste processo institucional?”);
"O PS tinha um compromisso com o Tratado Constitucional. Agora é o Tratado de Lisboa, que não existia na altura. Não tem nada a ver uma coisa com a outra. As circunstâncias alteraram-se completamente. É um tratado diferente", Janeiro de 2008.

Mas ele não mente. É Manoelinho, os burros somos nós! Devemos ser...

Informação retirada Mais Évora

Tratado de Lisboa ratificado por via parlamentar

O Primeiro-Ministro, José Sócrates anunciou hoje na Assembleia da República, a ratificação parlamentar do Tratado de Lisboa. Uma posição latentemente esperada, na medida em que,durante a presidência da União Europeia, Portugal construiu com os outros Estados-Membro um "agremment consensual" para ratificar o Tratado de Lisboa nos respectivos Parlamentos nacionais´.
São muitas vozes que ecoam esta decisão, e muitos que não a compreendem nem a aceitam. Uns porque acham que o actual Primeiro-Ministro deveria cumprir uma promessa eleitoral, outros porque são apologistas do referendo popular como forma de debater as questões europeias.
Ora bem, quando Portugal iniciou as negociações e o processo de adesão à então Comunidade Europeia, ninguém quis saber a opinião do povo; quando Portugal recebeu os enormes volumes de transferências financeiras da Comunidade Europeia na década de 90 ninguém se questionou sobre a Europa; a adesão de Portugal à moeda única poderia ter sido sufragada etc...
Neste momento, são vários os quadrantes políticos, e até muitos eleitores que exigem uma consulta popular para a rectificação do Tratado de Lisboa. Esta situação, em minha opinião, levanta uma questão importante: os cidadãos anseiam pela sua participação mais próxima na vida pública, exigem a comunicação política das reformas governativas e apelam ao consentimento para a sua aplicação. Caminhamos para um retorno do Poder às bases (devolution) pondo em causa a democracia representativa?

7.1.08


Este blogue está a mudar e não foi necessário criar quotas.

A próxima conspiradora é uma mulher.
Chama-se Teresa.
Está fora da Madeira e é a partir de agora, o nosso olhar feminino, na CONSPIRAÇÃO.

Miguel Fonseca

Conheço o Miguel Fonseca há já pelo menos 16 anos. Conheci-o quando ele estagiou na EBS Gonçalves Zarco e foi meu professor de Latim. Nesse ano convivemos fora do âmbito escolar e tornamo-nos amigos. Foi o primeiro professor a quem eu tratei por tu. Nessa altura, a intimidade relativa que gozávamos permitiu-me descobrir um amigo que permaneceu e um professor que aprendi a admirar. Tenho-o por pessoa séria, inteligente e honesta. Nunca me deu razões para duvidar. Em determinada altura, sem qualquer prurido, manifestou enfaticamente a imbecilidade de uma decisão que eu pretendia tomar e que efectivamente tomei. Foi o único a fazê-lo e fê-lo efusivamente, com alguns adjectivos pouco abonatórios a meu respeito pelo meio. Por isso, reconheço também a sua frontalidade.
Assim sendo, não posso deixar de estranhar toda esta trapalhada em que está metido, relativamente a uma hipotética candidatura à Câmara Municipal de Santa Cruz, pelo PS-Madeira. Mas não tenho qualquer dúvida que se isto tudo não deriva de uma série de mal-entendidos e interpretações difusas e se alguém está efectivamente a mentir, não será, com toda a certeza o Miguel Fonseca.
Pela amizade que nutro por ele, entendi que deveria manifestar aqui a minha solidariedade. Até porque o Miguel foi alvo de um ataque canalha e ignóbil, numa carta do leitor do DN-Madeira, por um tal Andrade que desconfio ser um pseudónimo de algum ressabiado dentro do PS-Madeira!

PS - Não tendo nada a ver com o caso, acho sinceramente que o Miguel Fonseca tem qualidade para disputar e ocupar qualquer cargo político na Região (bem mais do que muitos dos instalados). Entre eles, naturalmente, o de presidente do executivo santacruzense. Não tenho dúvidas que seria um óptimo candidato e um melhor presidente!

6.1.08

FODA-SE......



O filme foi uma surpresa. É uma espécie de lufada de ar fresco no cinema português, e não me refiro ao efeito Soraia Chaves.
Ela é genial.
Não há uma única cena, plano, onde a actriz não esteja à altura do desafio. Soraia tem variações de humor e de interpretação fantásticas.
Ela é em Call Girl uma PUTA. Ponto parágrafo.
Se o olhar for romântico, então é a Marilyn Monroe à portuguesa.
Sem ela Call Girl não é nada.

O argumento está esgalhado e os diálogos são curtos, grossos e de uma extraordinária beleza feia.

A realização não falhou, mas caso fosse mais arrojada, Call Girl faria inveja a qualquer película Americana. Considero que faltou atrevimento a Pedro Vasconcelos na rodagem de alguns planos. Call Girl pede uma linguagem visual mais intensa.

Gostei do pormenor à Hitchcock, no final do filme, em que o realizador assina o trabalho.

CONCERTO DE ANO NOVO

Depois de um atribulado fim de 2007, entrei em 2008 de forma serena.

No primeiro dia do ano, assisti ao concerto da Orquestra Clássica da Madeira. Para o grupo de músicos e para o criativo maestro, os meus parabéns. Foi um agradável momento. Sobretudo, para quem como eu, transforma os pormenores da vida em grandes momentos.

4 dias depois, 5 de Janeiro, foi a vez de Call Girl.

Esquecimentos

Leio com frequência o Urbanidades da Madeira, blog de Rui Caetano, dirigente do PS-Madeira. Gosto da sua escrita escorreita e dos temas que aborda, mesmo que na maioria das vezes não concorde com as suas opiniões. Até ao momento, reconhecia-lhe verticalidade nas posições assumidas. Todavia, recentemente, o Rui publicou um post infeliz (classificação minha, naturalmente) e que me leva a questionar essa sua verticalidade.
Já por diversas vezes afirmei que à mulher de César não basta ser séria, é preciso parecer. E este é mais um caso que não parece nada sério. O Rui aproveita-se das críticas do líder da Quercus à política para o litoral (ou falta dela) do Governo Regional, para elogiar (o que em casa própria parece sempre mal, mas adiante que esta é uma questão de chá) João Carlos Gouveia e a acusação feita ao Procurador da República pelo PS-Madeira, sobre alegados indícios de corrupção.
Em primeiro lugar, é desonesto porque interpretações distintas a planos de ordenamento não implicam obrigatoriamente procedimentos criminais. Em segundo lugar e mais importante ainda, é que Helder Spínola, dirigente da Quercus é irmão de Vitor Freitas, Vice-Presidente do PS-Madeira e líder da sua bancada parlamentar à Assembleia Legislativa Regional. E estes são factos que Rui Caetano esqueceu de enunciar e que são importantes para a interpretação do seu texto, por parte dos seus leitores. Omitiu uma informação relevante, que poderia fazer ruir a sua teoria. É desonesto por parte de Rui Caetano.

PS - Curioso este esquecimento (estou certo que não passou disso, porque a relevância da informação é por demais evidente), num momento em que outros socialistas madeirenses dissertam tanto sobre a qualidade dos profissionais de comunicação social madeirense.
O deus Mercado, a nossa senhora Economia Livre, e a pomba Concorrência parecem ser a santíssima trindade dos tempos modernos, defendida por políticos e economistas, conforme se pode ver nesta caixa de comentários e em outros milhões de textos.
Por mim estou convencido de que tudo isto não passa de um flop e que o mito neoliberal de que a economia livre liberta ruirá em breve!
Quanto à questão de um novo canal, veremos a quem serve e em que altar será feita a adoração.

5.1.08

Equívoco

Tenho assistido à pseudo-polémica na blogosfera sobre a afirmação de D. José Policarpo de que "todas as expressões de ateísmo, todas as formas existenciais de negação ou esquecimento de Deus, continuam a ser o maior drama da humanidade". Ora, antes de mais, esta afirmação está retirada do seu contexto: uma missa de Natal, onde o Cardeal Patriarca pretendia exaltar o Amor de Cristo. D. José falava para os Católicos. Neste sentido, as palavras do cardeal são de esperança.
Para além disso, continuo a insistir que o ser humano tem uma forte dimensão religiosa (não apenas espiritual). A manifestação desta religiosidade nada tem a ver com a Ética: é, na minha opinião, de foro ontológico. É uma característica do Homem e faz parte da sua razão de ser. Neste sentido, a perda desta religiosidade - e na minha opinião, o ateísmo é uma forma de anular esta dimensão - amputa o ser humano. Torna-o menor. E por isso, é um dos maiores dramas da humanidade.
Não nos esqueçamos, ainda, que D. José Policarpo é o "líder" da Igreja Católica portuguesa. Não é líder de uma associação de cariz social, não é um político, não é elemento de um conselho deontológico. É um Homem de Fé, que numa homilia fala para a sua comunidade. Assim sendo, parece-me que toda esta pseudo-polémica nasceu de um equívoco, não restando muito mais a acrescentar!

Zapping

Agiu mal quem autorizou a abertura de um quinto canal, de televisão em Portugal.
A questão é muito simples. O país não gera, neste momento, riqueza suficiente para um quinto projecto de televisão, concorrente da SIC, TVI, RTP (e RTP2). O destino é que uma das actuais "estações" feche. Era mais honesto e politicamente correcto o actual governo dizer que encerrava a RTP2. Dos quatro canais é o mais frágil. Durão Barroso, através de Morais Sarmento, foi mais corajoso.

Agir, assim é mau. Muito mau para os operadores que estão no mercado e para os que, não estão, mas tencionam entrar.

Na década de 90, era matemático que iriam nascer televisões regionais como cogumelos. A CNL falhou, no Porto a experiência local foi engolida pela RTP (actual RTPN) para não falar dos canais locais que nunca saíram do papel.

Agora vem este governo, a pedido não sei de quantas famílias ricas, de Portugal e do mundo, abrir uma quarta licença de televisão de sinal aberto. Não é bom para ninguém. A SIC, a TVI e a própria RTP vão ser obrigadas a dividir por mais um, o já magro orçamento da publicidade. Alguém vai pagar a factura desta má decisão.

De certeza que não vai ser quem decidiu.

31.12.07

2008

Nestas últimas horas que restam do velho ano, estou cá para me despedir de 2007….

Dizer-te ADEUS.

Perdi a esperança, mas não esgotei a capacidade de olhar em frente. Para ti e para mim, um FELIZ 2008.

30.12.07

A Ilha do Dia Antes

Uma imprevisível queda ao mar, durante uma tormenta, dois dias a flutuar em cima de umas tábuas e o resgate do náufrago por um fluyt (navio holandês) onde aparentemente não há vivalma. Assim se inicia a descrição das aventuras e desventuras de Roberto de la Grive, o improvável herói piomontês d’A ilha do Dia Antes, romance de Umberto Eco, do qual já publiquei dois excertos (aqui e aqui). Com a ironia típica de Umberto Eco (cujo expoente máximo, na minha opinião, é o inacreditável Baudolino), é-nos descrito um Roberto inocente, pueril, manipulável, crédulo, idealista, aspirante a filósofo, apaixonado e o seu contrário, um Ferrante (irmão gémeo imaginário de Roberto), acusado pelo herói de todas as patifarias e das suas desgraças. Pelo meio disto tudo, uma Senhora, ou melhor, um anjo que Roberto ama castamente, mas cuja virtude não é respeitada por Ferrante - para regozijo da Senhora e tormento de Roberto. Discípulo de vários mestres – Saint Savin, filósofo autodidacta da vida e exímio espadachim; o padre Emanuel, especialista nas coisas divinas e em lógica gramatical; Salazar, político que ensina a arte da dissimulação(!); Igby, um inglês que se passeia pelos salões parisienses em tempos nada propícios à presença de ingleses por terras francesas, mas que lhe ensina os segredos do Pó de Simpatia; e o Padre Gaspar, que à moda dos filósofos gregos, é profundo conhecedor de teologia, geografia, astronomia, física e sábio em geral e que consegue conciliar sempre o conhecimento científico com a religião, recorrendo a uma erudição e a um poder de argumentação fora de série -, o jovem Roberto bebe de um cocktail de conhecimentos que reúne toda a erudição europeia da época. Depois ainda os mistérios do Ponto Fixo (perseguido por todas as potências do século XVII) e das longitudes - a cujos possuidores estariam prometidas todas as fabulosas riquezas das Ilhas de Salomão. Ainda o mistério do Pó de Simpatia e de alquimias são outros dos ingredientes deste romance que, à boa moda de Eco, mistura química, física, astronomia, religião e mitologia, em diálogos deliciosamente inverosímeis e improváveis, mas de uma riqueza rara. Por último, uma ilha, em cuja baía está ancorada Daphne - simultaneamente salvação e prisão do infeliz Roberto, que o mantém cativo dado não ter meio para de lá sair -, mas que está inacessível não só no espaço (algumas centenas de metros), como também e sobretudo no tempo (Roberto crê que o barco está separado da ilha pelo meridiano 360º, logo um dia antes – neste estranho e distorcido pensamento onde aqui é meio dia de hoje, ali é meio dia de ontem). Neste romance, nem Judas Escariote é esquecido, condenado a viver eternamente a trágica quinta-feira Santa – e que poderia ter retrocedido um dia a tempo de evitar a traição a Jesus Cristo, mas que o patife Ferrante não permite, mantendo assim a redenção dos homens, pela morte do Messias. E entre o que vive Roberto e aquilo que imagina ter vivido, se faz um romance absolutamente fantástico, onde Umberto Eco nos brinda uma vez mais com uma miscelânea de teorias improváveis, uma enorme diversidade de narrativas e temáticas, sempre com o rigor científico que todos lhe reconhecemos. Naturalmente, ficará desiludido quem procurar n’A Ilha do Dia Antes – assim como em toda a sua obra - o estilo ritmado com que já nos habituraram alguns dos autores de romances pseudo-históricos best-sellers. Este romance é para ser lido com calma, para ser apreciado convenientemente. Não é um romance pronto-a-consumir. Se necessário for, vale a pena ter uma enciclopédia por perto, para melhor percebermos os detalhes das tramas do enredo com que Eco nos enleia. Porque nem sempre é fácil acompanhar a sua profunda erudição. Mas se nos dispusermos a ler calmamente, o gozo proporcionado é proporcional à exigência. Mais um óptimo livro deste autor, que é uma referência na minha biblioteca pessoal.

27.12.07

Desígnios para 2008

Não gosto de ser pessimista, mas 2007 não foi um bom ano para a maioria dos madeirenses. O próximo não será muito diferente.

Eu, por exemplo, gastei mais 250 euros de gasóleo. Paguei mais 505 euros pela casa, em relação ao ano homólogo.

Só o ordenado é que não cresceu. O meu e o de milhares de cidadãos da minha terra. O desemprego disparou (são agora mais de 8 mil). O principal motor da economia gripou. Foi o governo quem nos últimos 20 anos, derramou dinheiro na economia, através de um forte investimento público. O turismo tenta recuperar o fôlego de outros tempos. Uma vez mais o Sr. Governo foi obrigado a intervir (paga algumas low cost para voarem para cá).

No meio deste deserto, resta-nos a Praça Financeira, mas a Europa e o Estado convivem mal com os paraísos ficais. Há quem diga que tem os dias contados (2011). O descrédito vem de dentro de algumas empresas lá instaladas.

Face aos actuais constrangimentos é urgente repensar o futuro.
Numa terra com recursos naturais limitados, como é o nosso caso, a riqueza ainda são as pessoas. É necessário formá-las. Como? Através de protocolos com instituições externas (portuguesas e estrangeiras). O IV quadro Comunitário de Apoio tem subsídios para esta área, mas considero que não vale a pena gastar o dinheiro com os formadores do costume. Alguns deles já estão em bicos de pé, como é o caso da ACIF, para ensinar. Todos nós conhecemos os nossos quadros técnicos. Todos nós, já fizemos formação e sabemos quem a dá. Com honrosas excepções, são cursos que normalmente não servem para nada. Se há dinheiro, que se invista, de forma a criar riqueza.

24.12.07

Noite do Mercado II

Não estive lá, mas acompanhei pela RTP Internacional, com a apresentação do Paulo Santos (então amigo, há quanto tempo?!...). Gostei!

Santo Natal a todos vós, a aqui uma prenda pela belíssima voz da Diane Krall.

23.12.07

LFM e o Ultraperiferias

Nos últimos dias, por motivos pessoais, tenho andado a leste da blogosfera. Por isso só hoje vi este post (Uma decisão) no Ultraperiferias.

Tenho pena que assim seja porque o blog do LFM contribuíu para o salto quantitativo e qualitativo que a blogosfera da Madeira registou em 2007.

Ainda espero que passado este período, que me parece de desencanto, o Luís Filipe Malheiro reconsidere a decisão.

Um rato (que não é cozinheiro)

Ainda a propósito do BCP. Ninguém vai perguntar nada ao Dr. Constâncio, do Banco de Portugal?

Mas então nunca ninguém percebeu que a "coisa" ia mal no Banco Comercial Português? Os auditores que andaram pelo BCP em 2005 eram cegos? Vedaram-lhes os olhos, querem ver...

O Dr. Constâncio tem por hábito nunca se justificar. Não se sente obrigado a isso, de facto. E desta vez, vai continuar calado que nem rato, à espera que passe o mau tempo.

O chapéu do Sr. Sócrates

O BCP é privado, ou não?

Se é, qual a legitimidade do Governo do Sr. Sócrates para tomar partido por uma qualquer facção entre as que disputam o poder no banco?

A "salvaguarda" do interesse nacional" é um chapéu onde cabe tudo, de facto...

A prenda

Sou uma espécie de vagabundo.
Um ser convalescente a caminho da felicidade.
Trabalho para resgatá-la.
Tenciono e quero ser feliz ao teu lado.
Não sei como te chamas.
Nunca vi a cor dos teus olhos, nem observei as curvas do teu rosto.
Apenas sei que existes.
Sinto-o, ainda distante, mas o teu pulsar caminha em direcção do meu.
Juntos seremos uma estrela.
Deixa tudo o que estás a fazer e sai.
Procura-me no infinito que estou, algures, à tua espera.

Trás contigo o teu ser, o teu sorriso. O resto, eu tenho.
Caminha sem medo, rumo ao desconhecido.

A segurança chega depois.
Trás contigo os teus tesouros e não te esqueças do coração.

Noite do Mercado


Não há verdadeiramente Natal sem a Noite do Mercado: o rebuliço, as sandes de carne-vinho-e-alhos, o cacau, os apertos, os sorrisos... Infelizmente, neste Natal terei de prescindir disso tudo. A boa notícia, é que já falta pouco tempo para regressar!


PS - Roubada daqui.

A ler

Uma entrevista a ler, do Homem do Ano, para o Jornal de Negócios. Bom registo, para melhor conhecer essa figura controversa da economia e cultura portuguesas.

De estado de graça, para estado desgraçado!

Esta semana foi profícua na desconstrução dos mitos da governação socialista. Primeiro foram os juízes do Palácio Ratton que chumbaram a Lei de Vínculos, Carreiras e Remunerações da Função Pública, depois foi o Tribunal de Contas que mostrou a sua desconfiança sobre rigor, veracidade e credibilidade das contas do Estado apresentadas pelo governo de José Sócrates.
É, aos poucos a máscara vai caindo. E as instituições voltam a começar a funcionar. Vamos esperar a ver o nos guarda o ano que se aproxima!

Ideias idiotas (passe a tautologia)

Parece que para Luís Filipe Menezes a solução para todos os problemas de Portugal passaria pela privatização de sectores como o ambiente, as comunicações, os transportes, os portos, passando a prestação do Estado Social ser contratualizada com os privados, acabando com o monopólio na saúde, educação e segurança social (Menezes dixit).
Até nem me parceria mal, se não soubéssemos que entregar o ambiente a empresas privadas seria estar a promover a promiscuidade (ou colocar a raposa a guardar as galinhas) - veja-se a vergonha das empresas de certificação de qualidade, que certificam qualquer treta desde que as tranches financeiras sejam feitas a tempo -; se não tivéssemos a experiência de que os transportes não mais eficientes por estarem nas mãos de privados (não têm menos desperdícios), que não são mais eficazes (não prestam um melhor serviço) e que, definitivamente, não mais mais baratos para os consumidores (todos conhecemos as propostas absurdas de aumentos e os pactos que se estabelecem entre empresas). Estaria tudo bem se não tivéssemos conhecimento de doentes postos à porta das clínicas por terem expirado os títulos de seguros (a denúncia é feita pela Ordem dos Médicos) e que estas empresas fogem como o diabo da cruz quando se trata de pagar (não teremos já todos passado pelo martírio que as seguradoras nos submetem para obtermos aquilo que é nosso por direito?!); se não conhecêssemos a falta de qualidade gritante de muitos colégios privados e das empresas de formação (estas então passam certificados a metro, sem qualquer rigor ou exigência).
Portanto, a ideia não é má, se o tecido empresarial português fosse minimamente credível. Mas todas trapaças no BCP (entre outras, que ao nível de aldrabice o BCP não é caso único), demonstra bem a grau de confiança que poderemos ter nas empresas portuguesas. Assim sendo, caro Luís, e que tal se fosses pregar para outra freguesia e me desamparasses a loja?!

Boas Festas



Como não terei tempo para passar pelos blogs que frequento, deixo aqui os meus votos de umas Festas Felizes a todos, bem como aos visitantes e leitores das conspirações que por cá se arquitectam.

Um abraço fraterno a todos!

21.12.07

O mundo dos números

A ACIF montou uma tenda gigante na Rua dos Aranhas e fez um duplo número de circo. Veio a calhar, porque é Natal.

A Câmara do Comércio apelou à redução da taxa do IVA (13%), para estimular o consumo. Segundo a Associação há comerciantes à beira de um ataque de nervos. A perda do poder de compra dos madeirenses está a fazer estragos na economia.

A explicação é simples. Quando a oferta é superior à procura a tendência é para que os preços baixem. Foi o que aconteceu ao longo de 2007. A inflação estabilizou na casa dos 1%.

É este o argumento que a ACIF também vai usar para negociar os aumentos dos salários para o próximo ano. Já avisou que face ao actual quadro macro económico os salários vão ser alinhados com a inflação. Ou seja, só podem crescer 1,1%.

C no P

Ontem, o Conspiração foi um dos blogs do dia no Público. Foi porreiro, pá!

Jantar

Foi um bom jantar, sim senhor...

Que venha o próximo.

19.12.07

Bom jantar!

Votos de um bom jantar a todos os bloggers que estarão presentes no convívio organizado pelo Baby_Boy_Swim.
Apenas lamento não poder estar presente, mas deixo os meus cumprimentos a todos.
Porque esta coisa da blogosfera deverá receber da nossa parte a importância que realmente tem. E fundamental, fundamental, são as pessoas e as relações que se estabelecem! Ainda que nos situemos em antípodas ideológicas.
Abraço a todos.
PS - Há jantaradas que valem a pena!

Virgens ofendidas

Alguma blogosfera mostra a sua indignação pelo facto do Tribunal Judicial do Funchal levar a julgamento Armando Baptista-Bastos, devido às alegadas ofensas a Alberto João Jardim, feitas num artigo de opinião publicado a 8 de Julho de 2005, no Jornal de Negócios.
Ora, era só o que faltava um governante não poder processar um comentador (atenção, foi um artigo de opinião), caso entenda que a sua honra foi ofendida. E Baptista-Bastos já é bem velhinho (porque o homem já é velho, não é apenas crescido) para saber que o seu artigo traria consequências, de resto, inevitáveis.

Mas acho especial piada aos paladinos da justiça que aplaudiram a vergonhosa recepção de Paulo Pedroso na Assembleia da República, após a sua libertação, ou que nada tiveram a opinar sobre o processo interposto por José Sócrates a António Balbino Caldeira, do Portugal Profundo, que denunciou toda aquela trapaça da Universidade Independente, mas que agora: aqui-del-rei, que Jardim é um fascista e que persegue os jornalistas.
Como diria o meu bom amigo Gonçalo, bordamerda convosco!
É mais do que legítimo que qualquer cidadão que sinta a sua honra ofendida processe o autor destas alegadas injúrias. Tal como quem as faz, tem que ser coerente e enfrentá-las sem subrefúgios.


PS - Por mim, estaria disposto a ir a tribunal por todos os adjectivos com que já mimei o governo da República. Porque gostaria de repeti-los todos.

Novos blogs

Como o prometido é devido, actualizámos a lista de blogs de cá e respectivos links.

Da lista sairam, por falta de actualização, A Vida de um Maxikeiro, Aberto Até de Madrugada, Jhurnalisto (é pena o Paulo não o actualizar porque na minha opinião era dos melhores), o Mundo de Lady Arwen, Pináculos, Refúgio, Telas Acrílicas, Terra dos xavelhas, Um Dia de Cada Vez e Veleiro à Deriva.

Sei que a esmagadora maioria dos conspiradores (todos, exceptuando eu) teriam preferido uma limpeza mais global. Mas acho que assim tá porreiro.

Acrescentei ainda alguns. A saber:

Docas nas Asas do Desejo
Pérolas Intemporais
O Mundo do meu sonho
Zaragata no Calhau
Urbanidades
Best Of Madeira (Nuno Morna)

Giuditta Russo

Giuditta Russo, uma italiana, foi advogada durante dez anos. Ao longo deste tempo, ganhou todos os processos que defendeu, qualquer coisa como 250, notabilizando-se como uma causídica de sucesso.

O feito é notável. Verdadeiramente notável. E ainda mais notável é se soubermos, como acrescento, que a boa da Giuditta Russo nunca frequentou sequer a Universidade de Direito e viveu, todo este período, numa bem montada farsa, ocultando as suas reais habilitações e fazendo-se passar por algo que não era. Ela própria, há pouco tempo, assim o confessou, farta que estava do embuste e perante a dificuldade de um processo mais complexo.

Agora, Giuditta Russo, enfrenta a justiça italiana e o seu próprio julgamento. Tem como atenuantes o facto de ter mostrado arrependimento e de ter confessado o crime, o que por si só não lhe deve valer de muito. Nos entrementes, Giuditta já fez o que qualquer um faria: escreveu uma autobiografia sobre o seu caso específico, um sucesso de vendas em Itália, e vendeu a sua história para argumento de filme, uma consequência lógica para histórias tão inverosímeis, mas que eu espero que tenha como protagonista central a Monica Belucci, uma excelente actriz.

Nós por cá ficamos a aguardar que outros tenham atrevimentos semelhantes e que o confessem humildemente em público, ao mesmo tempo que anunciam uma megaprodução cinematográfica.

Agora, assim de repente, um político a desempenhar um cargo importante já dava para animar a malta nesta quadra natalícia, marcada pela falta de dinheiro e algum desespero. A Monica Belucci, como é natural, não servia para o papel, mas o Joaquim de Almeida assentava que nem uma luva no mesmo. Afinal, ele tem andado bem longe dos portugueses, vive num outro mundo, tem um ar feroz, é bem parecido e fala bastante bem inglês.

Epílogo de uma festa

A festa de Natal do Manchester United já aconteceu. Lamentavelmente não houve desistências e assim não pude estar presente com tudo pago para discutir amenamente o aquecimento global e o papel do existencialismo na literatura. Azar o meu, sorte a deles.

No entanto, parece que a festa não acabou bem porque há, claramente, tendências internas inconciliáveis. O número de metros que a água do mar irá subir nos próximos 50 anos ou o número de quilos que o Sr. Gore tem actualmente são apenas alguns exemplos de uma luta fratricida pelo predomínio de uma teoria.

Houve, pelos vistos, críticas mais fortes de uma das “bailarinas” que farta de não conseguir impingir os seus pontos de vista aos fantásticos jogadores do United, decidiu chamar a polícia local para resolver o assunto, terminando prematuramente com a festa, sem se chegar a grandes conclusões.

Ainda assim, queria fazer duas pequeninas correcções relativamente ao post inicial sobre este assunto. Primeira: não foram “100 mulheres bonitas”; foram apenas “90 bailarinas”. Segunda: as suites, disponibilizadas acho eu que para as conferências e workshops paralelos, eram 35 e não 30, como anteriormente referi.

Feitas estas correcções, apenas mais um aparte: o nosso Ronaldo não pôde estar presente neste evento dos jogadores do United porque foi à gala da FIFA receber um prémio de terceiro melhor jogador do mundo. O miúdo merecia pelo menos ter ficado em segundo, não só pela época fantástica que fez como também por ter voluntariamente abdicado da festa mais aguardada do ano. De qualquer maneira, eis a prova de que um azar nunca vem só.

Ó Grande Abdallah!

O Abdallah é um gajo porreiro. Uma alma piedosa. Um lamechas, no fundo. Vai daí, indultou uma mulher que após ter sofrido uma violação colectiva foi condenada a 200 chicotadas e a seis meses de prisão...

Oh, grande Abdallah! Quão Misericordioso consegues ser! Se não fosse heresia, até te considerava um verdadeiro humanista, ó Abdallah!

Mostrar serviço

Cada vez mais estou convencido de que a "Operação Noite Branca" foi apenas uma manifestação de força da PJ do Porto e do MP lá do sítio face à Procuradoria. A precipitação pode sair cara. Se não, como é que se explica que cinco dos 11 suspeitos de associação criminosa, homicídio voluntário, tráfico de estupefacientes, receptação e detenção de armas proibidas saiam em liberdade, com medidas de coacção como "termo de identidade e residência" - três casos - ou "apresentações períodicas"?

Eu, de justiça, percebo pouco. Mas como leigo na matéria, custa-me a entender como é que alguém que é suspeito de semelhantes crimes sai em liberdade após o interrogatório. Na minha opinião, o "pessoal" do norte decidiu mostrar serviço antes de tempo. E não sei se não deu cabo da investigação.

18.12.07

Sabiá

(...)

Vou voltar!
Sei que ainda vou voltar
Não vai ser em vão
Que fiz tantos planos
De me enganar
Como fiz enganos
De me encontrar
Como fiz estradas
De me perder
Fiz de tudo e nada
De te esquecer...


Tom Jobim

Sabiá - Chico Buarque e Tom Jobim

Há uma versão genial de Sabiá no disco. Como não a encontrei no You Tube, deixo-vos esta.

Tom Jobim


Esta obra-prima está à venda na FNAC por 7,5 euros.

Docas nas asas do Desejo

Um blog com piada. De cá. Brevemente, vai para os links ali do lado (que têm de ser actualizados urgentemente, eu sei). Façam o favor de o lerem.

Docas nas asas do desejo;