"Reúne sete ou oito sábios e tornar-se-ão outros tantos tolos, pois incapazes de chegar a acordo entre eles, discutem as coisas em vez de as fazerem" - António da Venafro
27.2.07
O Cúmulo do Ridículo
O que existem são filiais. Será que também têm negócios na zona offshore da região?
É que o Presidente da República recebeu, ontem, os partidos em Belém e só vi emplastros. Não ouvi nenhuma voz da Madeira.
Se não podem existir partidos regionais, porque é que estes “senhores” cantam de galo? São uma espécie de foras da lei. Não se percebe porque é que reclamam tempos de Antena, espaços no serviço público de rádio e televisão? Se não existem, não têm direitos. Se aparecem, não deviam.
Onde estão os partidos da autonomia, se nem partidos podem existir? Como é que os políticos deixaram que a situação chegasse a este cúmulo?
Finalmente, o Óscar
A Academia de Hollywood premiou um grande relizador, em deterimento de um excelente filme.Babel foi o derrotado dos Óscares. É verdade que Martin Scorsese já merecia uma estatueta. Só não sei se "The Departed — Entre Inimigos" é um trabalho notável. Ainda não vi o filme, mas uma coisa é certa. Scorsese é senhor de uma cinematografia invejável. Estamos a falar de mais de 40 filmes. O Óscar fugia-lhe, mas acabou por levá-lo segunda-feira para casa. Foram necessários: - Táxi Driver (1976 - curiosamente recebeu 4 nomeações para os óscares), O Toiro Enraivecido (1980), Nova Iorque Fora de Horas (1985) Tudo Bons Rapazes (1990). Em 1995 o delicioso Casino. Scorsese no seu melhor. Falha com Kundun (1997). É provavelmente o menos "hollywoodiano" de todos os filmes do realizador. Vi-o e não gostei. Mais recentemente devem estar lembrados de O Aviador (2004) com Leonardo Di Caprio no papel de um esquizofrénico amante de aeronaves.
É uma longa carreira de trabalho árduo, de um dos conceituados realizadores da actualidade. Scorsese é capaz do melhor e do pior. Não é um autor regular. Isso não lhe retira mérito. Acrescenta-lhe expectativa. Quando estreia um filme, deste homem, ninguém pode dizer que já sabe o que vai ver.
23.2.07
O gozo de Jardim

Passemos, então, às razões que legitimam esta tomada de posição por parte do ainda Presidente do Governo Regional da Madeira.
Do ponto de vista democrático esta decisão fundamenta-se pelo facto do Governo da RAM ver serem mudadas as regras de financiamento, colocando em causa o cumprimento do Programa de Governo aprovado há 2 anos. Ora, perante um tal cenário, é responsável, sensato e legítimo, que seja sufragado um novo programa. Por outro lado, o Governo da RAM entende que a Lei das Finanças Regionais é discriminatória para com a Madeira e atenta contra a Constituição da República e o Estatuto Político-Administrativo, pelo que, não tendo sido vetada pelo Presidente da República, não resta outro caminho que não a demissão. Existe, ainda o argumento de que esta é uma lei persecutória feita à medida da pessoa do Presidente do Governo. Ora, se se entende que o Governo da República cria uma lei que visa apenas prejudicar eleitoralmente o presidente de um Governo Regional, sem qualquer respeito pelas instituições, prejudicando, assim, todo o povo de uma Região, que caminho se poderá adoptar a não ser a demissão?
Do ponto de vista político, esta medida não só é legítima, como é extremamente inteligente porque:
1. denuncia as movimentações sub-reptícias do PS para derrotar o PSD-Madeira;
2. maximiza a oposição ao Governo da República que, num momento em que goza de um certo consenso publicado, irá ter em braços um processo eleitoral que tornará público, enfaticamente e com repercussões nacionais, todos os erros, asneiras, mentiras e aldrabices do Governo;
3. abre ruptura no PS, com um mais que provável afastamento do PS-Madeira em relação à governação socialista;
4. cria um sarilho ao Presidente da República, uma vez que a Lei das Finanças Locais estará efectivamente a ser plebiscitada e, com toda a certeza, será chumbada pela maioria da população madeirense;
5. poderá permitir ao PSD-Madeira uma das maiores maiorias absolutas de sempre, a reboque da revolta popular;
6. reduzirá as esperanças do PS-Madeira chegar a Governo, adiando sine die esta possibilidade (miragem???);
7. provocará uma derrota sem precedentes (estou certo) ao PS-Madeira atendendo à colagem desta direcção ao Governo do Eng. Sócrates, reduzindo a nada Jacinto Serrão e seus pares.
E para isto, Jardim tem alguns trunfos:
a) a vitimização, provocada pela atitude efectivamente persecutória do Governo da República;
b) o capital que detém junto da população sobre a capacidade de governação (alguém terá ilusões que, mesmo em tempo de crise, AJJ está infinitamente melhor preparado para Governar do que qualquer socialista madeirense?)
c) a próxima legislatura não é efectivamente benéfica para o PSD-Madeira, uma vez que muitos deputados deixarão a Assembleia Legislativa Regional. Esta tomada de decisão, contra o PSD-Madeira será devidamente explorada, com a demonstração que Jardim defende os interesses da Madeira, mesmo contra os interesses do Partido.
Strange Kind of Love

Até sempre, Zeca!

O tapete
Parece-me que, aprecebendo-se da hecatombe que aí vem, Victor Freitas já começou a puxar o tapete (devagarinho, como convém), ao líder a prazo (cada vez mais curto).
Nos próximos dias surgirão novidades. Ora se surgirão.
22.2.07
Concordo e subscrevo integralmente!

Mas, afinal, de que é culpado Alberto João Jardim?
É ‘culpado’ de a Madeira ter um dos melhores aeroportos de todos os territórios insulares. É ‘culpado’ de os que aí desembarcam conseguirem chegar ao centro do Funchal em dez minutos, quando antes era preciso mais de uma hora para fazer o mesmo percurso. É ‘culpado’ de se chegar em poucos minutos ao Curral das Freiras ou a Porto Moniz, quando antes qualquer visitante do arquipélago precisava de quase um dia para fazer o mesmo percurso.
É ‘culpado’ de ter um sistema de Saúde que antecedeu a introdução em Portugal do paradigma de solidariedade social das democracias mais evoluídas. Matéria tanto mais significativa quanto, no Continente, assistimos à destruição quotidiana do nosso ainda incipiente Estado Social.
É ‘culpado’ de ter uma excelente rede escolar, apoio domiciliário universal aos idosos, acompanhamento alargado da primeira infância.
É ‘culpado’ de ter sensibilidade social, governando para o povo e contra os interesses dos senhores feudais do tempo da ditadura.
É ‘culpado’ de, contrastando com a maioria da classe política pós-25 de Abril, viver na mesma casa onde vivia há trinta anos, ter o mesmo carro há mais de uma década, não se lhe conhecerem sinais exteriores de riqueza.
É ‘culpado’ de, também contra a corrente nacional, praticamente não ter tido casos judiciais a ensombrar a sua gestão de trinta anos.
Mas neste território de discussão alguns analistas preferem desvalorizar a obra e denegrir o homem. Para eles nada disso tem valor porque “foi feito à custa dos impostos dos continentais”, de acordo com uma governação qualificada de “democraticamente deficitária”.
Contudo, são estes mesmos analistas que passam ao lado das diferenças abissais de desenvolvimento existentes entre o Litoral e o Interior continental, entre alguns, poucos, portugueses com nível de vida médio europeu e um País real que agoniza com mais de 20% da sua população a sobreviver no limiar da pobreza.
Os mesmos analistas que acham que o povo é inteligente quando na Madeira vota à esquerda, contrariando Jardim, como já aconteceu diversas vezes, nomeadamente em eleições presidenciais, e é estúpido e analfabeto quando apoia esmagadoramente o presidente do Governo Regional.
Jardim foi coerente. Foi eleito para executar um programa e, a meio do campeonato, viu alterarem-se unilateralmente as regras do jogo. Pede legitimamente uma nova legitimidade.
É uma lição e um exemplo que devia ser seguido. Principalmente por quem prometeu governar sem subir impostos, sem cercear direitos sociais, sem portajar Scut, sem aumentar o desemprego.
19.2.07
Concordo em absoluto
"Nem mais uma sílaba antes da reunião de amanhã, porque já disse tudo o que eu tinha a dizer. Mas fica um registo, um último, acerca das reais intenções dos que não querem eleições. Eu percebo que existem calendários para algumas "aves de rapina" que ficam (?) alterados. Por isso a antecipação estraga-lhes o esquema de assalto ao poder. A mafia ainda não se organizou a tempo. Não se organiza a tempo. Quer dizer, Alberto João Jardim pode ser enxovalhado pelo colonialismnio lisboeta, pode ver as dificuldades aumentar, pode constatar que o programa de governo será posto em causa por falta de recursos (a calendarização foi feita em função de determinada realidade financeira entretanto altrerada), para que esses mafiosos mal-cheirpsos que andam a minar o PSD há muito tenham mais tempo para darem cabo de tudo o que ainda resta? Falta de dinheiro? Mas quanto quais são os recursos financeiros do PSD e demais partidos regionais? Acham que vale a pena desmistificar esse argumento? Será que alguém vai ter que esclarecer as bases o eleitorado fixo do PSD desses montantes?"
Assino por baixo este texto publicado no www.ulpraperiferias.blogspot.com
É óbvio há muito tempo que a antecipação de eleições é o melhor cenário para o PSD-Madeira. Porque permite, como refere o autor do texto, desmontar a estratégia de tomada de poder do PS-Madeira que passaria por colocar militantes (ou simpatizantes) em locais-chave - incluíndo um dos principais órgãos de comunicação social cá do burgo, bem como utilizar serviços da Répiblica como "contra-poder". Mudará também os "timings" de alguns socialistas convenientemente instalados em Lisboa. Mas, e o que está subentendido no texto do ultraperiferias, permitirá também "limpar" o PSD. É que as "aves de rapina" que verão os timings alterados não estarão só no outro lado.
A haver eleições, vai ser curioso observar as movimentações.
17.2.07
Notícia do SOL one-line
Jardim já comunicou ao PSD que se vai demitir
Está tudo a postos. Jardim vai anunciar aos sociais-democratas que se demite de Presidente do Governo Regional da Madeira e formalizará a saída a meio da próxima semana. O PSD não indicará substituto forçando Cavaco a convocar eleições antecipadas. E o sucessor de Jardim será o próprio Jardim
Alberto João Jardim vai mesmo anunciar a sua demissão esta segunda-feira. O SOL soube junto de fonte social-democrata que o Presidente do Governo Regional da Madeira já informou a direcção nacional do PSD do que se irá passar na próxima semana. Confirma-se que a reunião de segunda-feira com os sociais-democratas madeirenses servirá a Jardim para informar a sua estratégia política. O objectivo é a sua reeleição, para um novo mandato, com maioria reforçada. ..............
o blogue www.ultraperiferias.blogspot.com foi mais rápido. Dá como certa a demissão de Jardim.
16.2.07
A banda que veio do frio
Vulgarização do aborto já começou!

A argumentação desta gente miserável é a de que o objecto do referendo estaria a ser subvertido e acenam logo com um alegado condicionalismo ao poder de decisão da mulher, esquecendo que nenhum aconselhamento é vinculativo. No final, haja ou não tentativa de dissuasão, a decisão última será sempre da mulher. Portanto, deixem-se lá de retóricas idiotas e assumam que nesta questão, apenas é equacionada a liberdade da mulher. Que não existe mais nenhum elemento que deva ser ponderado. Que o aborto é uma coisa normal e vulgar e que deve ser entendido como tal.
O que sinto hoje é uma revolta do tamanho do mundo! Portanto, não me venham pedir que seja racional, perante esta total e absurda irracionalidade. Definitivamente vivemos numa cultura decadente!
Musical Hair.
A palhaçada continua

Esta campanha não só é idiota e imbecil, como também demonstra bem o que pensam os socialistas portugueses do seu país e o querem para o seu povo.
Definitivamente, estes gajos que estão no Governo estão pouco se lixando para as aparências. Não são sérios e agora já nem sequer querem parecer.
Coisas Inconvenientes
“Uma verdade inconveniente” estreou a semana passada na Madeira. Curiosamente a Calheta foi o local da primeira exibição.Uma semana depois, a capital continua entretida com outras fitas. Pior, só as escolas. Os programadores já disponibilizaram o filme para os alunos, mas o pouco flexível sistema de ensino, não se interessou.
Já vi o trabalho de Al Gore e não tenho dúvidas. Merece o Óscar de melhor documentário. Além do filme estar muito bem executado, é didáctico
Recomendo-o a dois políticos. Aos Senhores Secretários da Educação e do Ambiente.
Quer um quer outro gastam fortunas em campanhas. Fazem, inclusive, produções caseiras de medíocre qualidade científica e de imagem, para mostrar aos nossos alunos. Convidam oradores que não enxergam um palmo de terra além do nariz. Ou falam da colónia de lobos-marinhos ou da freira da Madeira. Agora existe um brilhante trabalho sobre o ambiente e não incentivam as escolas a vê-lo.
O outro senhor é Alberto João Jardim. Ganhou o referendo sobre o aborto na Madeira, perdeu-o no país. Ameaça pedir a inconstitucionalidade da Lei. Depois diz que ninguém o leva a sério. Pudera.
13.2.07
Zero(s)
12.2.07
Non Sense
Ontem vi o Dr. Louçã agradecer aos católicos terem votado Sim no referendo. Não me espantaria que qualquer dia o homem fosse pregar os disparates do costume para o átrio das Igrejas.
Resolvida que está esta questão, estou sinceramente curioso para ver qual será a grande bandeira que o Bloco de Esquerda irá desfraldar, mas deixo já aqui umas sugestões:
1. Liberalização das drogas;
2. Criação, em força, de salas de chuto;
3. Casamentos de homossexuais;
4. Casamentos católicos de homossexuais;
5. Adopção de crianças por casais homossexuais;
6. Despenalização da eutanásia;
7. Proibição de Cultos Religiosos em locais públicos (como em Fátima, por exemplo), que o Estado é laico e não se quer cá atrasados mentais que têm fé em divindades;
8. Extinção da propriedade privada;
9. Expulsão da Embaixada dos Estados Unidos.
Salvador Dali, Crucificação Hipercúbica
Efeitos colaterais do fim-de-semana
Por momentos só me ouvia. Tinha conseguido eliminar o barulho do oceano. Mas foi por pouco tempo. Assim que levantei a vista do jornal estava um homem a olhar para mim. Estava incrédulo. Fiz questão de acalmá-lo. Disse-lhe que poderia ficar para ouvir as notícias. O homem não ligou. Bateu duas vezes numa cerca de madeira. Bateu a segunda vez. Abriu uma pequena passagem. Estive quase a lhe dizer que seria mais fácil saltar. Enganei-me. O estranho era eu.
Passeava pela “Madeira nova”, quando decidi tomar café à beira mar e aquecer-me ao sol. O café estava encerrado. Ainda por cima quando lá cheguei não havia uma única alma por perto. As mesas faziam companhia às cadeiras. Não resisti. Puxei uma, sacudia-a. Ainda vi caírem uns grãos…imaginei que fosse sal. Sentei-me. Abri o jornal e mergulhei a vista nele. De 10 em 10 segundos levantava a cabeça para ter a certeza que continuava só.
Nunca mais perdi o rasto do homem. Passou de novo por mim, só que desta vez com um carro de mão carregado de “paletes salgadas”. Do nada surgiu um segundo indivíduo. Mais velho. Tinha à volta de 45 anos. Foi para junto do primeiro. Meia hora depois juntou-se a eles um rapaz. O primeiro trabalhava, os outros faziam-lhe companhia. Continuei a minha imperturbável leitura. É óbvio que deitava o olho para observá-los. Numa das vezes apanhei-os a beber “Coral”. A porta do balneário estava entreaberta. Fiz que não vi. Não queria perturbá-los. Era o mínimo que podia fazer.
Continuei a leitura. Já tinha lido os argumentos do SIM e do NÃO. Era o primeiro dia da campanha do referendo sobre o aborto.
Àquela hora o Primeiro-ministro já tinha chegado à China. O País tem mais de 1 bilião de habitantes. Muita gente. Faltava o mais importante. O Presidente da República para recebe-lo.
Foi no mesmo dia que se soube que tinha falecido a mulher mais velha do mundo. Tinha 114 anos. Era norte-americana. Fiquei contente. Não pela morte da senhora, mas pela data do aniversário. Nasceu no mesmo mês em que vi a luz do dia.
Uma hora depois já tinha lido o Calvin & companhia. Altura em que os homens abandonaram o local. O primeiro ficou de propósito para trás. Ao passar perguntou:
-Porque é que lê em voz alta?
-Por causa do trabalho
-Do tribunal.?
-Não! Pronuncia-se melhor as palavras.
Fez-me sinal com os olhos que tinha percebido, mas percebi que não tinha.
Tirei-lhe as dúvidas. Disse a verdade. Ele foi embora.
11.2.07
A dieta do Dr. Cavaco
O voto obrigatório
Votar é um direito e, simultaneamente, um dever. Ou seja: eu tenho o direito de voto, logo tenho o dever de ir votar. Mas esse direito ou dever não devem ser impostos como meios de aumentar a participação dos portugueses nos processos eleitorais apenas para satisfazer o capricho de políticos totalmente incapazes de mobilizar um eleitorado desiludido e amargurado com o quotidiano. Nem neste assunto nem noutro qualquer.
O problema da abstenção no país, aliás um problema generalizado em boa parte da Europa civilizada, é mais vasto e implica o combate efectivo às suas causas para que o guião não seja menosprezado. O que é preciso saber é porque não vão os portugueses votar. O que é preciso saber é porque preferem (os portugueses) passar os domingos de eleições em todo o lado menos numa fila ou numa mesa de voto. O que é preciso saber é porque desprezam (os portugueses), de ano para ano e cada vez mais, os políticos que se apresentam a eleições. O que é preciso saber é por que é que a imagem dos políticos está sempre conotada negativamente no espaço público. O que é preciso saber é por que razão o aborto não mobiliza [mobilizou] ninguém. Talvez muita gente se surpreendesse com as respostas.
O referendo
Infelizmente, para uns e outros, a coisa veio liminarmente mostrar que muitas vezes os políticos estão a mais no processo, que as pessoas estão fartas desta intromissão e deste visível descaramento que apenas procura um protagonismo fácil e mediático que renda votos. Quem viu o Dr. Louçã a cantar vitória percebe bem o desprezo que ele gera e o mal que ele faz à nossa jovem democracia. A mesma democracia que ele abomina, combatendo-a inapelavelmente, mas que o admite no seu seio, recebendo-o de braços abertos. Como, e muito bem, escreveu alguém um destes dias, curiosamente a democracia está cheia de pequeninos candidatos a ditadores. Disfarçados de cordeirinhos e de democratas, acrescento eu. Mandassem eles cinco minutos nas nossa vidas e o mundo nada teria de cinzento.
10.2.07
O mal dos outros
Disseram que o destino era o Entreposto da Cancela.
Eu não lhes perguntei nada, mas fizeram questão Justificar a viagem: – vou receber umas “massas” que o patrão me deve!
Não sei porque é que os toxicodependentes insistem, em não assumir a verdade.
É óbvio que o objectivo era comprar produto.
Ainda falamos do jogo, Portugal – Brasil, do tempo, da vida que estava difícil para eles, mas que eu estava bem…. Às tantas, o que ia no banco da frente adiantou mais qualquer coisa. Isto depois do intenso cheiro a cigarro já ter poluído o ar do habitáculo do carro. Ainda tentei olhar de esguelha, para ver se o que estava sentado ao meu lado tinha o braço picado. Foi quando disse que o destino era a Camacha (Bairro da Nogueira). A Justificação foi que tinha que chegar cedo, caso contrário, já não apanhava o patrão. Ainda olhei para o relógio para confirmar a hora. Já passavam 35 minutos do meio-dia.
Deixei-os no local que pediram, com a certeza de que os toxicodependentes são os únicos que não querem enxergar o mal.
9.2.07
Um grande equívoco
8.2.07
O Regresso d`Oliveira
Foi necessário 20 anos de férias na ilha dourada, para o mais proclamado cineasta da pátria fazer um filme no local de repouso.(todos os anos Oliveira faz 15 dias de férias no Porto Santo). É caso para afirmar que, uma vez mais, Manoel de Oliveira tem um ritmo próprio. Demasiado pessoal para a maioria dos telespectadores. Detestam os filmes do autor. Apesar disso, Oliveira continua a fazer sucesso lá fora. Sobretudo, junto crítica francófona.
Eu falo com à vontade. Já “gamei” Oliveira.( http://www.citi.pt/cultura/cinema/manoel_de_oliveira/index.html ) Até de mais. Tanto, que hoje sou um detractor do mestre. Se há 10 anos atrás era uma agradável descoberta, hoje é uma chata revisitação ver um filme do portuense.
Na altura valeu o esforço. Por causa do trabalho consegui despertar o interesse de uma lindíssima colega da faculdade. Julgo que se não fosse Oliveira, nunca teria namorado com ela.
A semana passada também chegou às nossas salas o último trabalho de Clint Eastwood. O realizador. O actor há muito que se retirou.O filme dá pelo nome de “” – As Bandeiras dos Nossos Pais.
Vi e não fiquei deslumbrado. Gostei de algumas coisas. De outras não.
Achei-o demasiado longo. Demasiado primário na forma como foram executados os regressos ao passado. Insuportável nalgumas cenas. Ao contrário de um amigo, não senti na película o sofrimento daqueles soldados. Os ditos heróis. Também não deixa de ser irónico que Eastwood se tenha aliado a Steven Spielberg para fazer este filme. Sobretudo porque “O Resgate do Soldado Ryan” é uma obra quase perfeita.
Já sabíamos que Eastwood é exímio na realização. “Flags of Our Fathers” tem momentos muito bons. Em especial, os de combate. São autênticos cenários de guerra. Por instantes esqueci-me que estava a ver um filme. Pensava que estava confortavelmente sentado, a assistir à batalha. Quando assim é, as palavras são sempre poucas. Noutros aspectos o filme pecou. Não gostei da entrada nem do recurso constante ao presente. Por causa disso perdeu-se um excelente filme, ganhou-se um bom bocado de cinema.
6.2.07
Pequenas notas soltas.
2. Sobre o indulto a um foragido da Justiça; sobre as afirmações miseráveis do Manuel Pinho na China; do Presidente da República, nem uma palavra. Num país decente, seria motivo para o Primeiro-Ministro ser chamado à pedra e demitir o seu Ministro. Mas não em Portugal, somos um país de brandos costumes... O País implode devagarinho, e Cavaco Silva continua agarrado à sua estratégia de cooperação e condecora loucos como o anterior Procurador-Geral da República. Elucidativo!
3. Menti! Afinal assisti a mais um debate sobre a liberalização do aborto. Foi ontem, no programa Prós e Contras. Sinceramente, gostei. Houve alguma elevação por parte dos intervenientes técnicos, isto é, por parte dos juristas e dos médicos. Curiosamente (ou não) as brejeirices, as futilidades, as ofensas gratuitas, praticamente foram inexistentes e integralmente assumidas pelos poucos políticos presentes. Começo a achar que o mal de Portugal é efectivamente a classe política.
4. Acho piada ao Francisco Louçã: primeiro adjectiva-me de hipócrita por defender o Não, depois diz que os portugueses entendem a necessidade de mudança da lei. Fiquei perplexo e (pior) com uma dúvida: serei português ou hipócrita? Será que ele falou também para mim, ou pura e simplesmente já assume que eu sou carta fora do baralho? Este homem ainda criar-me um problema existencial, fazendo com que eu tenha que procurar ajuda especializada de psicólogos. E só por isso (e porque não tenho dinheiro) jamais receberá o meu voto.
5. O que é que se passa com a classe política portuguesa? Será que agora é moda fazer visitas de Estado aos países asiáticos? Primeiro o Cavaco foi à Índia, depois vai o Sócrates à China (não é uma delícia denominar a viagem de visita de Estado?), agora o Amado vai para o Japão e Jaime Magalhães (Secretário de Estado Adjunto e da Administração Interna) para Timor-Leste. Para além do evidente desperdício, haverá algum motivo para estas visitas? Será uma tendência pan-lusitânica (perdoem o neologismo), ou uma nova versão expansionista? Fica a dúvida.
Herberto Hélder

Já agora, o outro escritor que o Penn Club indicou foi o também poeta António Ramos Rosa. Merecidamente, digo eu...
Os animais carnívoros
Dava pelo nome muito estrangeiro de Amor, era preciso chamá-lo sem voz - difundia uma colorida multiplicação de mãos, e aparecia depois todo nu escutando-se a si mesmo, e fazia de estátua durante um parque inteiro, de repente voltava-se e acontecera um crime, os jornais diziam, ele vinha em estado completo de fotografia embriagada, descobria-se sangue, a vítima caminhava com uma pêra na mão, a boca estava impressa na doçura intransponível da pêra, e depois já se não sabia oque fazer, ele era belo muito, daquela espécie de beleza repentina eurgente, inspirava a mais terrível acção do louvor, mas vinha comer às nossas mãos, e bastava que tivéssemos muito silêncio para isso, e então os dias cruzavam-se uns pelos outros e no meio habitava uma montanha intensa, e mais tarde às noites trocavam-se e no meio o que existia agora era uma plantação de espelhos, o Amor aparecia e desaparecia em todos eles, e tínhamos de ficar imóveis e sem compreender, porque ele era uma criança assassina e andava pela terra com as suas camisas brancas abertas, as suas camisas negras e vermelhas todas desabotoadas.
Herberto Hélder
Se houvesse degraus na Terra...
Se houvesse degraus na terra e tivesse anéis o céu,
eu subiria os degraus e aos anéis me prenderia.
No céu podia tecer uma nuvem toda negra.
E que nevasse, e chovesse, e houvesse luz nas montanhas,
e à porta do meu amor o ouro se acumulasse.
Beijei uma boca vermelha e a minha boca tingiu-se,
levei um lenço à boca e o lenço fez-se vermelho.
Fui lavá-lo na ribeira e a água tornou-se rubra,
e a fímbria do mar, e o meio do mar,
e vermelhas se volveram as asas da águia
que desceu para beber,
e metade do sol e a lua inteira se tornaram vermelhas.
Maldito seja quem atirou uma maçã para o outro mundo.
Uma maçã, uma mantilha de ouro e uma espada de prata.
Correram os rapazes à procura da espada,
e as raparigas correram à procura da mantilha,
e correram, correram as crianças à procura da maçã.
Herberto Hélder
Poema de um funcionário cansado
A noite trocou-me os sonhos e as mãos
dispersou-me os amigos
tenho o coração confundido e a rua é estreita
estreita em cada passo
as casas engolem-nos
sumimo-nos
estou num quarto só num quarto só
com os sonhos trocados
com toda a vida às avessas a arder num quarto só
Sou um funcionário apagado
um funcionário triste
a minha alma não acompanha a minha mão
Débito e Crédito Débito e Crédito
a minha alma não dança com os números
tento escondê-la envergonhado o chefe apanhou-me com o olho lírico na gaiola do quintal em frente
e debitou-me na minha conta de empregado
Sou um funcionário cansado dum dia exemplar
Por que não me sinto orgulhoso de ter cumprido o meu dever?
Por que me sinto irremediavelmente perdido no meu cansaço
Soletro velhas palavras generosas
Flor rapariga amigo menino
irmão beijo namorada
mãe estrela música
São as palavras cruzadas do meu sonho
palavras soterradas na prisão da minha vida
isto todas as noites do mundo numa só noite comprida
num quarto só.
António Ramos Rosa
António Ramos Rosa
Mas esse relógio não marca o tempo inútil.
São restos de tabaco e de ternura rápida.
É um arco-íris de sombra,
quente e trémulo.
É um copo de vinho com o meu sangue e o sol.
António Ramos Rosa
3.2.07
Há Ministro!
Cavaco enganado
Só!!!
Cavaco
Parabéns, camarada
A Figura de Dürer
2.2.07
Poema de fim-de-semana
ANTÓNIO LOBO ANTUNES
Sátira aos HOMENS quando estão com gripe
Pachos na testa, terço na mão,
Uma botija, chá de limão,
Zaragatoas, vinho com mel,
Três aspirinas, creme na pele
Grito de medo, chamo a mulher.
Ai mulher que vou morrer.
Mede-me a febre, olha-me a goela,
Cala os miúdos, fecha a janela,
Não quero canja, nem a salada,
Ai mulher , mulher , não vales nada.
Se tu sonhasses como me sinto,
Já vejo a morte nunca te minto,
Já vejo o inferno, chamas, diabos,
anjos estranhos, cornos e rabos,
Vejo demónios nas suas danças
Tigres sem listras, bodes sem tranças
Choros de coruja, risos de grilo
Ai mulher, mulher fica comigo
Não é o pingo de uma torneira,
Põe-me a Santinha à cabeceira,
Compõe-me a colcha,
Fala ao prior, Pousa o Jesus no cobertor.
Chama o Doutor, passa a chamada,
Ai mulher, mulher nem dás por nada.
Faz-me tisana e pão de ló,
Não te levantes que fico só,
Aqui sózinho a apodrecer,
Ai mulher, mulher que vou morrer.
1.2.07
Referendo ao Aborto - Algumas questões aos partidários do Sim.

Mas, por motivos familiares – a minha casa é uma verdadeira democracia! – tenho discutido e argumentado e fiz o exercício de ponderar razões para votar Sim, porque o aborto clandestino não é apenas uma preocupação dos que apoiam a mudança da lei.
Deixo aqui perguntas que, se forem respondidas categoricamente, serão suficientes para eu mudar de opinião.
1. Os defensores do Sim argumentam que apesar do embrião ser humano, não é pessoa humana (antes de mais, acho curioso ver esta distinção na boca de um Francisco Louça, de um Jerónimo de Sousa, ou mesmo de um Jorge Coelho. Então não é esta mesma Esquerda que nunca aceitou a distinção entre Indivíduo Humano e Pessoa Humana proposta pela Democracia Cristã, cujo expoente máximo é o Personalismo, de Mounier? Mas…adiante!).
Assim sendo, em que fase do desenvolvimento é que o embrião passa a ser pessoa? Sabemos que a ciência nos diz que o processo de vida é ininterrupto desde o momento da fecundação. O que falta então para conferirmos ao embrião a mesma dignidade que nos merece a mulher?
2. A formulação da pergunta: basta apenas a grávida manifestar o desejo de abortar. Então e se esta tiver 13 anos, ou 14, ou 15? Bastará dirigir-se a um estabelecimento de saúde e solicitar o aborto? O natural é que não, pois o Estado não lhes reconhece capacidade de decisão. Será, portanto, normal que exija a presença dos pais. Mas então, surge outra questão: o estudo da própria APF (feito por encomenda, diga-se de passagem) demonstra que a maior parte dos abortos são feitos por adolescentes, cuja principal razão é evitar que os seus encarregados de educação descubram. Estas miúdas passarão, por artes mágicas, a conversar com os pais, ou continuarão a recorrer ao aborto clandestino?;
5. As tais mulheres que não têm dinheiro para recorrer às clínicas espanholas e com as quais parecem muito preocupados os movimentos e partidos pelo Sim recorrerão a estes serviços, se o Estado não garante o seu anonimato?
6. Diminuirá o número de crianças espalhadas pelos bairros de lata, se estas famílias desestruturadas não estão formadas sequer para o uso do preservativo?
Eu sei que os movimentos pelo Sim não querem responder a estas perguntas (são incómodas, não são?), alegando não serem essenciais. Pois, para mim são. Respondam-nas e terão o meu voto!
PS – É curioso que num debate sobre um tema de ético-social, alguns defensores no SIM à mudança da lei façam da sua campanha uma perseguição à Igreja Católica. É ver cartazes contra a Fé dos Outros, são as suspeitas lançadas, são as invectivas, enfim, uma multiplicidade de ultrajes à escolha. Esta contemporaneidade, que assume como politicamente correcto perseguir os crentes, cheira a revolução jacobina. Eu já ouvi mesmo da boca de uma certa esquerda “mata-frades” que o Extremismo Islâmico é mais digno de respeito do que a Igreja Católica. Cada vez mais me convenço que esta não é apenas mais uma teoria da conspiração. A diferença é que, há 100 anos, esta mesma Esquerda usava como argumento para os levantamentos populares a miséria que então grassava, culpabilizando a Igreja por todos os males. Hoje, usa a Cultura, mas o objectivo é sempre o mesmo.
31.1.07
Quem muito se agacha, professora Caré...
É que, afinal, a maioria daqueles que foram intimados a ir à Polícia são, para além de docentes, dirigentes do Sindicato dos Professores da Madeira (SPM). O mesmo que a sra. professora Caré dirigiu durante anos. O mesmo que lhe deu a projecção política que hoje tem. ~
São, em muitos casos, antigos "companheiros de armas" da actual deputada socialista. Que fizeram - alguns deles - parte das direcções por ela presididas. E que hoje afirmam "nunca ter passado por situação semelhante", a ponto da intervenção das autoridades só ser comparável às famosas entrevistas "da PIDE" - as palavras entre-aspas são da autoria da actual presidente do SPM, uma das manifestantes intimadas.
Estou em crer que a sra. professora Caré não terá qualquer reacção. É que a cadeira de São Bento é tão... confortável. E o PS-M tão...subserviente.
Esquece-se a senhora professora Caré de uma frase que todos ouvimos da boca dos nosos avós: "quem muito se agacha o rabo lhe aparece". Mas era tão bom que de vez em quando se lembrasse...
A honestidade do Pinho
27.1.07
Breves
- Os manifestantes que na Madeira criticaram Sócrates estão a ser interrogados pela PSP. É a beleza da democracia socrática (do nosso, pois claro)!
- Parece que o Governo da República anuncia investimentos que (acredite se quiser) já estão concluídos. Só não é de levar às lágrimas, porque infelizmente este é o Governo de Portugal.
- Ontem o FCP perdeu. É apenas a 2º derrota do actual campeão e já o professor lançou suspeitas sobre a equipa de arbitragem. Parece que o tempo de formação no Porto é bastante curto. Mas isto vai ser bonito, quando o Porto começar a perder com maior frequência.
Bom fim-de-semana a todos.
Liberdade para a economia ("tadinha"...!)
Parece uma boa notícia, mas nós, leigos em economia, temos algumas perguntinhas para colocar a este movimento neo-liberal:
1) A liberalização absoluta da economia é vendida como a banha da cobra, prometendo resolver todos os nossos problemas económico-sociais. Ora, estando Portugal tão bem classificado, porque raio não saímos desta cepa torta?
2) Como poderão os espanhóis e os suecos viverem melhor do que os portugueses, se a economia deles é tão oprimida?
3) Em que é que a liberalização total dos despedimentos melhorará a vida de todos nós?
É que sinceramente não percebo. Mas isto deve ser defeito de formação.
PS - É por estas e por outras que cada vez mais olho com desconfiança para este liberalismo contemporâneo. Perdeu-se tudo o que de político havia neste movimento, passando a ser apenas um cálculo económico. Não me venham é pedir que acredite ainda ser possível encontrar políticas sociais.
Debaixo d`olho
É uma opção pouco inteligente da mulher eleita para comandar a maior organização política-juvenil na região. Até compreendo a ideia, mas quem quer fazer carreira política, tem que ter posição firme. Falo do aborto.
O clero madeirense continua órfão. Está difícil a escolha do novo líder da Igreja Católica regional. Já foi o ano passado que o actual bispo despediu-se com uma missa e ainda não se conhece o sucessor de D. Teodoro Faria. Fontes próximas da igreja, dizem que todos os eventuais candidatos demonstram pouco interesse pelo cargo. O homem que se segue, dizem, vem da diocese de Évora. Será?
Conceição Estudante, secretária com a pasta da saúde, “puxou as orelhas aos enfermeiros”. Foi um dia destes. É pena que a senhora não tenha coragem para fazer o mesmo com os médicos. Já ouvi vários discursos dela e em nenhum atreveu-se a chamar “os bois pelos nomes”. No auditório estavam os intocáveis senhores doutores. É pena que só faça política a reboque dos mais fracos. Foi, inclusive, deselegante com a classe. A única que é para mim, o motor do hospital. Isto porque os senhores doutores vão lá, fazem o mínimo, ganham o ordenado, e vão encher os bolsos para o privado. Não todos. A maioria.
