6.3.07

Morreu Miguel Baptista Pereira


Morreu ontem, dia 5 de Março, Miguel Baptista Pereira. Com o homem, morreu uma das mentes portuguesas mais brilhantes do século XX.
Para quem não conhece, Miguel Baptista Pereira era professor catedrático reformado, leccionou durante décadas na Universidade de Coimbra, foi director do Instituto de Estudos Filosóficos da Faculdade de Letras, foi investigador da Faculdade de Ciência e Tecnologia e tem uma produção filológica e filosófica bastante intensa, com estudos publicados sobre as mais variadas temáticas. Especialista em Filosofia Moderna, escreveu sobre quase tudo, desde o sentido da vida à tecnologia, passando pela educação, comunicação, hermenêutica, ética e bioética, antropologia filosófica, enfim....

Ao contrário da praxis portuguesa, Baptista Pereira não se limitava a estudar o passado: questionava-se e questionava o futuro, sem receio do progresso científico mas profundamente preocupado com as implicações éticas que daí, obrigatoriamente, derivam.
Não tive o privilégio de ter sido seu aluno. Miguel Baptista Pereira reformou-se andava eu no 2º ano de curso (apenas leccionava no 4º), mas era uma lenda entre todos nós. Aliás, Miguel Baptista Pereira era uma lenda em Coimbra: ainda há bem pouco tempo era comum vê-lo no Largo da Portagem, numa esplanada ou dentro de uma qualquer pastelaria a ser questionado por quem quer que o reconhecesse. Quem não o conhecia, jamais suspeitaria que debaixo do casaco roçado (quantos anos teria?) e a coberto daquele cabelo (é difícil arranjar um adjectivo simpático, que caracterize), morava uma mente brilhante. Era preciso falar um pouco com ele, para perceber o quão genial se revelava.
A sua morte, é uma perda terrível para a Coimbra, para a Filosofia e para Portugal.
Deixo-vos as palavras bem mais eloquentes de Maria de Jesus Fonseca, sobre Miguel Baptista Pereira: (...) por ser uma daquelas raras personalidades que se sabe fazer amar pelos alunos; pelo seu imenso saber e pela actualidade desse saber; pela sua espantosa facilidade de nos fazer ver relações onde não as suspeitávamos, pelo seu domínio amadurecido de todo o pensamento filosófico e mesmo cultural, pela sua clareza e profundidade.

1 comentário:

Woman Once a Bird disse...

Chocada. Soube aqui, pelo teu post.