Como devem ter reparado os que gostam de uma boa conspiração (que é como quem diz, os cibernautas que por cá passam), tenho reduzido a minha produção bloguista nos últimos tempos. Sim, o principal motivo é a falta de tempo, misturada com alguma saturação de ter de alimentar o "monstro". No entanto, a principal razão é mesmo a falta de temas. Melhor, há temas sobre os quais gostaria de escrever: o problema é não ter tempo para os desenvolver convenientemente. Assim sendo, tenho optado por não escrever nada.
Uma sorte, dir-me-ão alguns! Não são, contudo, obrigados a ler as minhas
larachinhas e há sempre a opção de eliminar do histórico do
browser a morada deste
blog (ou então, apenas não ler).
Mas porque fiz uma pausa e para que este texto não seja uma inutilidade absoluta, deixo apenas a minha surpresa pelas últimas atitudes do governo da República.
Conforme previsto há uns tempos pela
SEDES, Portugal está mergulhado numa convulsão social sem precedentes desde há pelo menos vinte anos. A pobreza aumenta, o fosso entre ricos e pobres não pára de crescer, a classe média começa a ser eliminada, a degradação do sistema e a desconfiança nos políticos generaliza-se. Perante tal cenário, as manifestações contra o governo e as suas políticas (que Sócrates, num exercício atroz de autismo, insiste em atribuir aos comunistas, como se estes pudessem manipular cem mil professores) sucedem-se a um ritmo vertiginoso; somos diariamente confrontados com novos problemas que afectam trabalhadores e empresas de áreas para as quais não estávamos atentos (a pesca e o transporte, apenas para lembrar as últimas); enfim, encaminhamo-nos perigosamente para um certo caos social.
Estando a raiz de alguns problemas distante do centro de decisão política do nosso país, seria, no entanto, natural e expectável que os nossos governantes estivessem atentos e agissem no sentido de minimizar algumas das suas consequências, numa intervenção com vista à reposição da paz social.
O que assistimos, contudo, é imensuravelmente ofensivo e de uma grosseria política ímpar.
Perante a crise nas pescas, o ministro afirmava "esperar" - é verdade, um ministro que entende que o seu trabalho é "esperar"... - que não faltasse peixe nas bancas; uma paralisação nos transportes e o primeiro-ministro que mostra-se dispostos a "ajudar" o sector - vejam bem o verbo empregue: "ajudar", como se a sua função não fosse resolver os problemas dos portugueses -, constituído, na sua maior parte, por pequenos empresários que atravessam uma crise sem precedentes; uma manifestação de 200 mil pessoas e um governo que afirma que não governa pela rua.
O estilo mudou. Não muda, no entanto, a absoluta falta de capacidade e competência para resolver os problemas do país; não há um laivo de criatividade para o desenvolvimento de novos rumos, com novas políticas. Enfim, o país arde e à boa maneira de Nero, os governantes desta nação assistem sem qualquer tipo de intervenção. Pelo menos, por agora, algum pudor ainda os vai impedindo de rir. Veremos até quando!