31.12.07

2008

Nestas últimas horas que restam do velho ano, estou cá para me despedir de 2007….

Dizer-te ADEUS.

Perdi a esperança, mas não esgotei a capacidade de olhar em frente. Para ti e para mim, um FELIZ 2008.

30.12.07

A Ilha do Dia Antes

Uma imprevisível queda ao mar, durante uma tormenta, dois dias a flutuar em cima de umas tábuas e o resgate do náufrago por um fluyt (navio holandês) onde aparentemente não há vivalma. Assim se inicia a descrição das aventuras e desventuras de Roberto de la Grive, o improvável herói piomontês d’A ilha do Dia Antes, romance de Umberto Eco, do qual já publiquei dois excertos (aqui e aqui). Com a ironia típica de Umberto Eco (cujo expoente máximo, na minha opinião, é o inacreditável Baudolino), é-nos descrito um Roberto inocente, pueril, manipulável, crédulo, idealista, aspirante a filósofo, apaixonado e o seu contrário, um Ferrante (irmão gémeo imaginário de Roberto), acusado pelo herói de todas as patifarias e das suas desgraças. Pelo meio disto tudo, uma Senhora, ou melhor, um anjo que Roberto ama castamente, mas cuja virtude não é respeitada por Ferrante - para regozijo da Senhora e tormento de Roberto. Discípulo de vários mestres – Saint Savin, filósofo autodidacta da vida e exímio espadachim; o padre Emanuel, especialista nas coisas divinas e em lógica gramatical; Salazar, político que ensina a arte da dissimulação(!); Igby, um inglês que se passeia pelos salões parisienses em tempos nada propícios à presença de ingleses por terras francesas, mas que lhe ensina os segredos do Pó de Simpatia; e o Padre Gaspar, que à moda dos filósofos gregos, é profundo conhecedor de teologia, geografia, astronomia, física e sábio em geral e que consegue conciliar sempre o conhecimento científico com a religião, recorrendo a uma erudição e a um poder de argumentação fora de série -, o jovem Roberto bebe de um cocktail de conhecimentos que reúne toda a erudição europeia da época. Depois ainda os mistérios do Ponto Fixo (perseguido por todas as potências do século XVII) e das longitudes - a cujos possuidores estariam prometidas todas as fabulosas riquezas das Ilhas de Salomão. Ainda o mistério do Pó de Simpatia e de alquimias são outros dos ingredientes deste romance que, à boa moda de Eco, mistura química, física, astronomia, religião e mitologia, em diálogos deliciosamente inverosímeis e improváveis, mas de uma riqueza rara. Por último, uma ilha, em cuja baía está ancorada Daphne - simultaneamente salvação e prisão do infeliz Roberto, que o mantém cativo dado não ter meio para de lá sair -, mas que está inacessível não só no espaço (algumas centenas de metros), como também e sobretudo no tempo (Roberto crê que o barco está separado da ilha pelo meridiano 360º, logo um dia antes – neste estranho e distorcido pensamento onde aqui é meio dia de hoje, ali é meio dia de ontem). Neste romance, nem Judas Escariote é esquecido, condenado a viver eternamente a trágica quinta-feira Santa – e que poderia ter retrocedido um dia a tempo de evitar a traição a Jesus Cristo, mas que o patife Ferrante não permite, mantendo assim a redenção dos homens, pela morte do Messias. E entre o que vive Roberto e aquilo que imagina ter vivido, se faz um romance absolutamente fantástico, onde Umberto Eco nos brinda uma vez mais com uma miscelânea de teorias improváveis, uma enorme diversidade de narrativas e temáticas, sempre com o rigor científico que todos lhe reconhecemos. Naturalmente, ficará desiludido quem procurar n’A Ilha do Dia Antes – assim como em toda a sua obra - o estilo ritmado com que já nos habituraram alguns dos autores de romances pseudo-históricos best-sellers. Este romance é para ser lido com calma, para ser apreciado convenientemente. Não é um romance pronto-a-consumir. Se necessário for, vale a pena ter uma enciclopédia por perto, para melhor percebermos os detalhes das tramas do enredo com que Eco nos enleia. Porque nem sempre é fácil acompanhar a sua profunda erudição. Mas se nos dispusermos a ler calmamente, o gozo proporcionado é proporcional à exigência. Mais um óptimo livro deste autor, que é uma referência na minha biblioteca pessoal.

29.12.07

27.12.07

Desígnios para 2008

Não gosto de ser pessimista, mas 2007 não foi um bom ano para a maioria dos madeirenses. O próximo não será muito diferente.

Eu, por exemplo, gastei mais 250 euros de gasóleo. Paguei mais 505 euros pela casa, em relação ao ano homólogo.

Só o ordenado é que não cresceu. O meu e o de milhares de cidadãos da minha terra. O desemprego disparou (são agora mais de 8 mil). O principal motor da economia gripou. Foi o governo quem nos últimos 20 anos, derramou dinheiro na economia, através de um forte investimento público. O turismo tenta recuperar o fôlego de outros tempos. Uma vez mais o Sr. Governo foi obrigado a intervir (paga algumas low cost para voarem para cá).

No meio deste deserto, resta-nos a Praça Financeira, mas a Europa e o Estado convivem mal com os paraísos ficais. Há quem diga que tem os dias contados (2011). O descrédito vem de dentro de algumas empresas lá instaladas.

Face aos actuais constrangimentos é urgente repensar o futuro.
Numa terra com recursos naturais limitados, como é o nosso caso, a riqueza ainda são as pessoas. É necessário formá-las. Como? Através de protocolos com instituições externas (portuguesas e estrangeiras). O IV quadro Comunitário de Apoio tem subsídios para esta área, mas considero que não vale a pena gastar o dinheiro com os formadores do costume. Alguns deles já estão em bicos de pé, como é o caso da ACIF, para ensinar. Todos nós conhecemos os nossos quadros técnicos. Todos nós, já fizemos formação e sabemos quem a dá. Com honrosas excepções, são cursos que normalmente não servem para nada. Se há dinheiro, que se invista, de forma a criar riqueza.

24.12.07

Noite do Mercado II

Não estive lá, mas acompanhei pela RTP Internacional, com a apresentação do Paulo Santos (então amigo, há quanto tempo?!...). Gostei!

Santo Natal a todos vós, a aqui uma prenda pela belíssima voz da Diane Krall.

23.12.07

LFM e o Ultraperiferias

Nos últimos dias, por motivos pessoais, tenho andado a leste da blogosfera. Por isso só hoje vi este post (Uma decisão) no Ultraperiferias.

Tenho pena que assim seja porque o blog do LFM contribuíu para o salto quantitativo e qualitativo que a blogosfera da Madeira registou em 2007.

Ainda espero que passado este período, que me parece de desencanto, o Luís Filipe Malheiro reconsidere a decisão.

Um rato (que não é cozinheiro)

Ainda a propósito do BCP. Ninguém vai perguntar nada ao Dr. Constâncio, do Banco de Portugal?

Mas então nunca ninguém percebeu que a "coisa" ia mal no Banco Comercial Português? Os auditores que andaram pelo BCP em 2005 eram cegos? Vedaram-lhes os olhos, querem ver...

O Dr. Constâncio tem por hábito nunca se justificar. Não se sente obrigado a isso, de facto. E desta vez, vai continuar calado que nem rato, à espera que passe o mau tempo.

O chapéu do Sr. Sócrates

O BCP é privado, ou não?

Se é, qual a legitimidade do Governo do Sr. Sócrates para tomar partido por uma qualquer facção entre as que disputam o poder no banco?

A "salvaguarda" do interesse nacional" é um chapéu onde cabe tudo, de facto...

A prenda

Sou uma espécie de vagabundo.
Um ser convalescente a caminho da felicidade.
Trabalho para resgatá-la.
Tenciono e quero ser feliz ao teu lado.
Não sei como te chamas.
Nunca vi a cor dos teus olhos, nem observei as curvas do teu rosto.
Apenas sei que existes.
Sinto-o, ainda distante, mas o teu pulsar caminha em direcção do meu.
Juntos seremos uma estrela.
Deixa tudo o que estás a fazer e sai.
Procura-me no infinito que estou, algures, à tua espera.

Trás contigo o teu ser, o teu sorriso. O resto, eu tenho.
Caminha sem medo, rumo ao desconhecido.

A segurança chega depois.
Trás contigo os teus tesouros e não te esqueças do coração.

Noite do Mercado


Não há verdadeiramente Natal sem a Noite do Mercado: o rebuliço, as sandes de carne-vinho-e-alhos, o cacau, os apertos, os sorrisos... Infelizmente, neste Natal terei de prescindir disso tudo. A boa notícia, é que já falta pouco tempo para regressar!


PS - Roubada daqui.

A ler

Uma entrevista a ler, do Homem do Ano, para o Jornal de Negócios. Bom registo, para melhor conhecer essa figura controversa da economia e cultura portuguesas.

De estado de graça, para estado desgraçado!

Esta semana foi profícua na desconstrução dos mitos da governação socialista. Primeiro foram os juízes do Palácio Ratton que chumbaram a Lei de Vínculos, Carreiras e Remunerações da Função Pública, depois foi o Tribunal de Contas que mostrou a sua desconfiança sobre rigor, veracidade e credibilidade das contas do Estado apresentadas pelo governo de José Sócrates.
É, aos poucos a máscara vai caindo. E as instituições voltam a começar a funcionar. Vamos esperar a ver o nos guarda o ano que se aproxima!

Ideias idiotas (passe a tautologia)

Parece que para Luís Filipe Menezes a solução para todos os problemas de Portugal passaria pela privatização de sectores como o ambiente, as comunicações, os transportes, os portos, passando a prestação do Estado Social ser contratualizada com os privados, acabando com o monopólio na saúde, educação e segurança social (Menezes dixit).
Até nem me parceria mal, se não soubéssemos que entregar o ambiente a empresas privadas seria estar a promover a promiscuidade (ou colocar a raposa a guardar as galinhas) - veja-se a vergonha das empresas de certificação de qualidade, que certificam qualquer treta desde que as tranches financeiras sejam feitas a tempo -; se não tivéssemos a experiência de que os transportes não mais eficientes por estarem nas mãos de privados (não têm menos desperdícios), que não são mais eficazes (não prestam um melhor serviço) e que, definitivamente, não mais mais baratos para os consumidores (todos conhecemos as propostas absurdas de aumentos e os pactos que se estabelecem entre empresas). Estaria tudo bem se não tivéssemos conhecimento de doentes postos à porta das clínicas por terem expirado os títulos de seguros (a denúncia é feita pela Ordem dos Médicos) e que estas empresas fogem como o diabo da cruz quando se trata de pagar (não teremos já todos passado pelo martírio que as seguradoras nos submetem para obtermos aquilo que é nosso por direito?!); se não conhecêssemos a falta de qualidade gritante de muitos colégios privados e das empresas de formação (estas então passam certificados a metro, sem qualquer rigor ou exigência).
Portanto, a ideia não é má, se o tecido empresarial português fosse minimamente credível. Mas todas trapaças no BCP (entre outras, que ao nível de aldrabice o BCP não é caso único), demonstra bem a grau de confiança que poderemos ter nas empresas portuguesas. Assim sendo, caro Luís, e que tal se fosses pregar para outra freguesia e me desamparasses a loja?!

Boas Festas



Como não terei tempo para passar pelos blogs que frequento, deixo aqui os meus votos de umas Festas Felizes a todos, bem como aos visitantes e leitores das conspirações que por cá se arquitectam.

Um abraço fraterno a todos!

21.12.07

O mundo dos números

A ACIF montou uma tenda gigante na Rua dos Aranhas e fez um duplo número de circo. Veio a calhar, porque é Natal.

A Câmara do Comércio apelou à redução da taxa do IVA (13%), para estimular o consumo. Segundo a Associação há comerciantes à beira de um ataque de nervos. A perda do poder de compra dos madeirenses está a fazer estragos na economia.

A explicação é simples. Quando a oferta é superior à procura a tendência é para que os preços baixem. Foi o que aconteceu ao longo de 2007. A inflação estabilizou na casa dos 1%.

É este o argumento que a ACIF também vai usar para negociar os aumentos dos salários para o próximo ano. Já avisou que face ao actual quadro macro económico os salários vão ser alinhados com a inflação. Ou seja, só podem crescer 1,1%.

C no P

Ontem, o Conspiração foi um dos blogs do dia no Público. Foi porreiro, pá!

Jantar

Foi um bom jantar, sim senhor...

Que venha o próximo.

19.12.07

Bom jantar!

Votos de um bom jantar a todos os bloggers que estarão presentes no convívio organizado pelo Baby_Boy_Swim.
Apenas lamento não poder estar presente, mas deixo os meus cumprimentos a todos.
Porque esta coisa da blogosfera deverá receber da nossa parte a importância que realmente tem. E fundamental, fundamental, são as pessoas e as relações que se estabelecem! Ainda que nos situemos em antípodas ideológicas.
Abraço a todos.
PS - Há jantaradas que valem a pena!

Virgens ofendidas

Alguma blogosfera mostra a sua indignação pelo facto do Tribunal Judicial do Funchal levar a julgamento Armando Baptista-Bastos, devido às alegadas ofensas a Alberto João Jardim, feitas num artigo de opinião publicado a 8 de Julho de 2005, no Jornal de Negócios.
Ora, era só o que faltava um governante não poder processar um comentador (atenção, foi um artigo de opinião), caso entenda que a sua honra foi ofendida. E Baptista-Bastos já é bem velhinho (porque o homem já é velho, não é apenas crescido) para saber que o seu artigo traria consequências, de resto, inevitáveis.

Mas acho especial piada aos paladinos da justiça que aplaudiram a vergonhosa recepção de Paulo Pedroso na Assembleia da República, após a sua libertação, ou que nada tiveram a opinar sobre o processo interposto por José Sócrates a António Balbino Caldeira, do Portugal Profundo, que denunciou toda aquela trapaça da Universidade Independente, mas que agora: aqui-del-rei, que Jardim é um fascista e que persegue os jornalistas.
Como diria o meu bom amigo Gonçalo, bordamerda convosco!
É mais do que legítimo que qualquer cidadão que sinta a sua honra ofendida processe o autor destas alegadas injúrias. Tal como quem as faz, tem que ser coerente e enfrentá-las sem subrefúgios.


PS - Por mim, estaria disposto a ir a tribunal por todos os adjectivos com que já mimei o governo da República. Porque gostaria de repeti-los todos.

Novos blogs

Como o prometido é devido, actualizámos a lista de blogs de cá e respectivos links.

Da lista sairam, por falta de actualização, A Vida de um Maxikeiro, Aberto Até de Madrugada, Jhurnalisto (é pena o Paulo não o actualizar porque na minha opinião era dos melhores), o Mundo de Lady Arwen, Pináculos, Refúgio, Telas Acrílicas, Terra dos xavelhas, Um Dia de Cada Vez e Veleiro à Deriva.

Sei que a esmagadora maioria dos conspiradores (todos, exceptuando eu) teriam preferido uma limpeza mais global. Mas acho que assim tá porreiro.

Acrescentei ainda alguns. A saber:

Docas nas Asas do Desejo
Pérolas Intemporais
O Mundo do meu sonho
Zaragata no Calhau
Urbanidades
Best Of Madeira (Nuno Morna)

Giuditta Russo

Giuditta Russo, uma italiana, foi advogada durante dez anos. Ao longo deste tempo, ganhou todos os processos que defendeu, qualquer coisa como 250, notabilizando-se como uma causídica de sucesso.

O feito é notável. Verdadeiramente notável. E ainda mais notável é se soubermos, como acrescento, que a boa da Giuditta Russo nunca frequentou sequer a Universidade de Direito e viveu, todo este período, numa bem montada farsa, ocultando as suas reais habilitações e fazendo-se passar por algo que não era. Ela própria, há pouco tempo, assim o confessou, farta que estava do embuste e perante a dificuldade de um processo mais complexo.

Agora, Giuditta Russo, enfrenta a justiça italiana e o seu próprio julgamento. Tem como atenuantes o facto de ter mostrado arrependimento e de ter confessado o crime, o que por si só não lhe deve valer de muito. Nos entrementes, Giuditta já fez o que qualquer um faria: escreveu uma autobiografia sobre o seu caso específico, um sucesso de vendas em Itália, e vendeu a sua história para argumento de filme, uma consequência lógica para histórias tão inverosímeis, mas que eu espero que tenha como protagonista central a Monica Belucci, uma excelente actriz.

Nós por cá ficamos a aguardar que outros tenham atrevimentos semelhantes e que o confessem humildemente em público, ao mesmo tempo que anunciam uma megaprodução cinematográfica.

Agora, assim de repente, um político a desempenhar um cargo importante já dava para animar a malta nesta quadra natalícia, marcada pela falta de dinheiro e algum desespero. A Monica Belucci, como é natural, não servia para o papel, mas o Joaquim de Almeida assentava que nem uma luva no mesmo. Afinal, ele tem andado bem longe dos portugueses, vive num outro mundo, tem um ar feroz, é bem parecido e fala bastante bem inglês.

Epílogo de uma festa

A festa de Natal do Manchester United já aconteceu. Lamentavelmente não houve desistências e assim não pude estar presente com tudo pago para discutir amenamente o aquecimento global e o papel do existencialismo na literatura. Azar o meu, sorte a deles.

No entanto, parece que a festa não acabou bem porque há, claramente, tendências internas inconciliáveis. O número de metros que a água do mar irá subir nos próximos 50 anos ou o número de quilos que o Sr. Gore tem actualmente são apenas alguns exemplos de uma luta fratricida pelo predomínio de uma teoria.

Houve, pelos vistos, críticas mais fortes de uma das “bailarinas” que farta de não conseguir impingir os seus pontos de vista aos fantásticos jogadores do United, decidiu chamar a polícia local para resolver o assunto, terminando prematuramente com a festa, sem se chegar a grandes conclusões.

Ainda assim, queria fazer duas pequeninas correcções relativamente ao post inicial sobre este assunto. Primeira: não foram “100 mulheres bonitas”; foram apenas “90 bailarinas”. Segunda: as suites, disponibilizadas acho eu que para as conferências e workshops paralelos, eram 35 e não 30, como anteriormente referi.

Feitas estas correcções, apenas mais um aparte: o nosso Ronaldo não pôde estar presente neste evento dos jogadores do United porque foi à gala da FIFA receber um prémio de terceiro melhor jogador do mundo. O miúdo merecia pelo menos ter ficado em segundo, não só pela época fantástica que fez como também por ter voluntariamente abdicado da festa mais aguardada do ano. De qualquer maneira, eis a prova de que um azar nunca vem só.

Ó Grande Abdallah!

O Abdallah é um gajo porreiro. Uma alma piedosa. Um lamechas, no fundo. Vai daí, indultou uma mulher que após ter sofrido uma violação colectiva foi condenada a 200 chicotadas e a seis meses de prisão...

Oh, grande Abdallah! Quão Misericordioso consegues ser! Se não fosse heresia, até te considerava um verdadeiro humanista, ó Abdallah!

Mostrar serviço

Cada vez mais estou convencido de que a "Operação Noite Branca" foi apenas uma manifestação de força da PJ do Porto e do MP lá do sítio face à Procuradoria. A precipitação pode sair cara. Se não, como é que se explica que cinco dos 11 suspeitos de associação criminosa, homicídio voluntário, tráfico de estupefacientes, receptação e detenção de armas proibidas saiam em liberdade, com medidas de coacção como "termo de identidade e residência" - três casos - ou "apresentações períodicas"?

Eu, de justiça, percebo pouco. Mas como leigo na matéria, custa-me a entender como é que alguém que é suspeito de semelhantes crimes sai em liberdade após o interrogatório. Na minha opinião, o "pessoal" do norte decidiu mostrar serviço antes de tempo. E não sei se não deu cabo da investigação.

18.12.07

Sabiá

(...)

Vou voltar!
Sei que ainda vou voltar
Não vai ser em vão
Que fiz tantos planos
De me enganar
Como fiz enganos
De me encontrar
Como fiz estradas
De me perder
Fiz de tudo e nada
De te esquecer...


Tom Jobim

Sabiá - Chico Buarque e Tom Jobim

Há uma versão genial de Sabiá no disco. Como não a encontrei no You Tube, deixo-vos esta.

Tom Jobim


Esta obra-prima está à venda na FNAC por 7,5 euros.

Docas nas asas do Desejo

Um blog com piada. De cá. Brevemente, vai para os links ali do lado (que têm de ser actualizados urgentemente, eu sei). Façam o favor de o lerem.

Docas nas asas do desejo;

Sugestão I

"Memórias do Funchal", de Melim Mendes, obra ontem apresentada e incluída na colecção Funchal 500 Anos. À venda nas livrarias. Um excelente presente de Natal.

Apenas um aparte

A Jugoslávia (Sérvia, Macedónia, Eslovénia, Croácia, Montenegro e Bósnia-Herzegovina), criada em 1918, era um estado com dois alfabetos, três línguas, quatro religiões, cinco nacionalidades, seis repúblicas e sete vizinhos.”* Como vêem um belo quadro multicultural. Quem gostar de nós, que desate este.

*João César das Neves, Dois milhões de anos de Economia, p.180

Um apelo

Depois de tanta “história” (ou será histeria?) feita à pressão, convém salientar que acho absolutamente irrelevante qualquer referendo, qualquer consulta ou qualquer outra chatice que me faça sair de casa num qualquer domingo primaveril, para exercer um qualquer acto desnecessário. Depois de votar no Prof. Cavaco e de eleger o Eng. (?) Sócrates, o povo português já provou inequivocamente que não deve ser chamado para absolutamente nada. Cada um tem o que merece.

A Menina Natal II

Este ano, a menina natal veio de calças. Reconheça-se que está mais frio.

A Costa Oeste da Europa

Há dias, quase distraído, dei por mim a ouvir o fecho do telejornal da RTP1. O Ministro da Economia, que andava estranha e convenientemente desaparecido, veio apresentar a nova (mais uma) imagem de Portugal no exterior. Portugal - Europe’s West Coast (Portugal - a Costa Oeste da Europa) assim se chama a campanha dirigida para um conjunto de mercados específicos e prioritários para o país e que mete, ao barulho, gente ilustre como Mourinho, Mariza e o nosso Cristiano Ronaldo. Ao som do fado, uma tristeza cantada, a notícia discorria sobre a potencialidade e os objectivos do governo para um sector que, ao fim e ao cabo, deve ser o único com parcial futuro nesta modorra instalada.

Entendo, claro, que o governo faz muito bem em aproveitar a notoriedade destas individualidades, mesmo que elas pouco ou nada tenham a ver com o país que as viu nascer, um mero acidente que genética e socialmente não deve ter lá grande explicação. Mourinho, por exemplo, quem não se lembra?, sofria de um primário ódio nacional antes de se tornar no Special One inglês e o treinador mais desejado (pelos adeptos da bola e por alguns segmentos femininos) no mundo. Relembre-se ainda que alguns dos atletas recomendados, nem se treinam em Portugal para sorte do desporto mundial e, por arrasto, da glória da pátria.

Pessoalmente admiro ainda a imaginação do nome e a forma encontrada para promover a nação nuns cartazes bem desenhados. No fundo, os portugueses não são mesquinhos nem egoístas, amam a “energia eólica” e desejam, intimamente, que muitos estrangeiros dêem abnegadamente pela nossa existência. Que dêem abnegadamente pela nossa existência e que dêem verdadeiramente com a costa e à costa como nós, há muito tempo, já demos. De preferência, ao som do eterno fado e, se não for muito incómodo, com uma ventoinha na mão.

16.12.07

Sofrimento por amor


Há muitos anos que sou apaixonado por Paula Moura Pinheiro. A mistura dos olhos verdes com uma atípica capacidade de comunicação, fina ironia, boa argumentação e manifesta desenvoltura intelectual (para além de um sorriso lindo!) há muito que me fizeram cativo da apresentadora. Reconheço: é patético, mas sou apaixonado por uma figura da televisão!

Contudo, ultimamente este amor - provavelmente como qualquer outro amor (será a sua natureza?) - tem sido abalado. É que o Câmara Clara, que começou por ser um bom programa, começa a ficar um bocado chato. Estou um tudo-ou-nada fartinho de ver convidados que apenas falam para si.

Vá lá Paula, não faças morrer este já tão velho amor!

Rica democracia, gritam os socialistas II

Será este tipo de transparência que os socialistas madeirenses reclamam para a Madeira?

Rica democracia, gritam os socialistas

"(...) Sócrates não quer hipotecar o seu contributo «histórico» para o projecto europeu, rompendo o compromisso com os restantes líderes europeus para que o Tratado seja rapidamente ratificado, evitando consultas populares (...)."

SOL

Quando a merda de um pseudo-prestígio vale mais do que o interesse de uma Nação.
Não será este um acto de traição?!

14.12.07

Por um referendo

Também já assinei a petição. Porque acho que é hora de em Portugal se discutir verdadeiramente a Europa, ouvindo os cidadãos.

13.12.07

Uma piadinha...

Apoio telefónico do Hospital Psiquiátrico Júlio de Matos.

Responde o atendedor de chamadas da Casa de Saúde:
"Obrigado por ter ligado para o Júlio de Matos (Instituto de Saúde Mental), a companhia mais adequada aos seus momentos de maior loucura.
Se você é obsessivo-compulsivo, marque repetidamente o 1;
Se você é co-dependente, peça a alguém que marque o 2 por si;
Se você tem múltipla personalidade, marque o 3, 4, 5 e 6;
Se você é paranóico, nós sabemos quem você é, o que você faz e o que quer. Aguarde em linha enquanto localizamos a sua chamada;
Se você sofre de alucinações, marque o 7 nesse telefone colorido gigante que você, e só você, vê à sua direita;
Se você é esquizofrénico, oiça com atenção, e uma voz interior lhe indicará o número a marcar; Se você é depressivo, não interessa que número vai marcar. Nada o vai tirar dessa sua lamentável situação;
Porém, se VOCÊ votou Sócrates, não há solução, desligue e espere até 2009.
Aqui atendemos LOUCOS, não atendemos PARVOS nem INGÉNUOS! Obrigado!

Ó rapaz, são moinhos!

Hoje, passando a revista diária pela blogosfera (socialista, neste caso) surgiram-me de repente as palavras de António Gedeão:
«Os meus olhos são uns olhos.
E é com esses olhos uns
que eu vejo no mundo escolhos
onde outros, com outros olhos,
não vêem escolhos nenhuns.
Quem diz escolhos diz flores.
De tudo o mesmo se diz.
Onde uns vêem luto e dores,
uns outros descobrem cores
do mais formoso matiz.
Nas ruas ou nas estradas
onde passa tanta gente,
uns vêem pedras pisadas,
mas outros gnomos e fadas
num halo resplandescente.
Inútil seguir vizinhos,
que ser depois ou ser antes.
Cada um é seus caminhos.
Onde Sancho vê moinhos
D. Quixote vê gigantes.
Vê moinhos? São moinhos.
Vê gigantes? São gigantes

Eles estão convencidos que são gigantes, mas o bom do Sancho é que sabe!

Pintura de Daumier

Europa para os cidadãos

Atendendo que o projecto de construção europeia não é exclusivo dos políticos, empresários e eurocratas;
atendendo que os cidadãos têm direito a decidir que Europa querem;
atendendo que não podemos compactuar com a mentira, enquanto forma de fazer política;
atendendo que os governantes não estão mandatados para decidir discricionariamente sobre a vida dos povos que os elegem;
atendendo que o identidade nacional não é património dos governos;
atendo que a cabordia não pode ser a norma da conduta política;
atendendo que este monte de papel iluminaria alguém apenas se lhe deitássemos fogo e que é fundamental esclarecer os europeus sobre o que aqui está escrito, eu já assinei a petição e exorto a que façam o mesmo!

Tá melhor... parece-me

Ontem, foi a segunda ou a terceira vez no ano que gostei de ver o Sporting jogar.

Os ucranianos não eram propriamente um adversário temível (particularmente com 12 lesionados, entre os quais seis titulares), de qualquer maneira já deu para ver um Sporting diferente para melhor. A ver vamos se nos próximos jogos a boa impressão se confirma.

Post-Scriptum: Gostei do Adrien (grande estreia!). E gostei da atitude do Paulo Bento que não teve receio de "encostar" o Miguel Veloso, um excelente jogador que tem de perceber que deve manter a humildade se quiser continuar a evoluir. Gostei também do Izmailov (muito bom jogador). Já o Farnerud mostrou porque joga pouco tempo. É que o homem não desenvolve, xiça...

12.12.07

Jardim sucede a Jardim

Estou em crer que todas as recentes movimentações conduzem a um caminho... Jardim sucederá a Jardim em 2011... Sou capaz de apostar um jantar, até porque já vi este filme antes... São testados vários cenários e depois...

Post-Scriptum: Não tenho nada contra ou a favor, uma vez que, não sendo militante do PSD (ou de qualquer outro partido), os assuntos internos "laranja" não me dizem respeito.

Sítio do Governo Sérvio

O sítio do governo sérvio sobre o Kosovo. Em inglês.

Resposta Sérvia

Eis as respostas sérvias ao discurso da UE. Não vai ser fácil...

Balcãs



Para que se perceba melhor o "drama balcânico", dois excelentes mapa sobre as divisões étnicas na península. Um deles representa aquilo que etnicamente era a Jugoslávia. O Outro representa o Kosovo antes da guerra de 1999. É óbvio que os números se alteraram. Mas são um bom instrumento de análise para quem quiser perceber os Balcãs.
Nos últimos dias revisitei o passado. O recente e o longínquo. Foi uma aventura debruçar-me sobre algumas coisas que a memória, entretanto, apagou.

Nesta viagem parti, passei e regressei a ontem. Refiz sinuosos percursos. Confrontei-me com as minhas dúvidas, com os meus receios.

Encontrei frases belas: “as dúvidas acumulam-se. Saltam como se de gotículas de água se tratassem”.

Existem outras mas escolhi esta.
Talvez por ser a mais bonita, talvez por ser a que melhor espelha a alma.

11.12.07

Um teste fundamental

A Resolução 1244 do Conselho de Segurança da ONU, de 10 de Junho de 1999, põe fim à guerra do Kosovo e apoia uma "autonomia substancial" para o território, passando a província para o controlo da ONU mas mantendo a integridade territorial da Sérvia. Oito anos depois, continua a ser a única válida para o Kosovo. Esperemos pois que a UE e os EUA não a tentem contornar, apoiando uma qualquer declaração unilateral de independência por parte das autoridades kosovares, que estão a ser pressionadas nesse sentido por grupos mais radicais da maioria albanesa (os norte-americanos estão mais virados para esse cenário do que os europeus). Se o fizerem, poderão desencadear um terremoto com graves consequências, particularmente nas relações do Ocidente com a Russia, já de si tão instáveis. Poderão ainda contribuir para acender rastilhos em outras zonas de delimitação étnica no Cáucaso ou nos próprios Balcãs.

As declarações hoje produzidas pelos representantes kosovares vão no sentido de "acalmar as hostes", sublinhando que a independência é uma questão de (pouco) tempo. Mas nos Balcãs tudo é possível, pelo que é conveniente que os europeus e os norte-americanos se preparem para o pior cenário.

Para a UE, o problema agudiza-se pela proximidade geográfica. Mas não só. Alguns dos estados que a compõem não são favoráveis às pretensões separatistas. A começar pelo Chipre, passando pela Grécia (tradicional aliada de Belgrado), indo até à Eslováquia e a Espanha (por razões óbvias). Se não chegar a um consenso interno a União dará mais uma gritante demonstração de fraqueza, num processo que deveria liderar.

Mas o que fazer neste momento, sabedo-se da dificuldade para colocar em prática uma das permissas mais... ingénuas do "Plano Ahtisaari" - conseguir uma Resolução do Conselho de Segurança da ONU que apoiasse a independência do Kosovo, "dando a volta" aos "amigos" russos?

Neste momento, é esta a situação:

De um lado temos um "candidato a Estado" que não passa de um "buraco negro", como escreveu recentemente o Le Temps em editorial. Dominado por máfias e por corrupção, com infra-estruturas inexistentes ou parcialmente arruinadas. Com o desemprego a rondar os 40% (dados da UE). Mas cuja esmagadora maioria da população (constituída por 2 milhões de albaneses e pouco mais de 100 mil sérvios) defende a autodeterminação. Com autoridades eleitas sem a participação da minoria sérvia (recorde-se que Belgrado ordenou aos seus cidadãos no território para boicotarem as recentes eleições), mas apoiadas pelos EUA e pela maioria dos estados da UE (Portugal incluído).

Do outro, um estado soberano que fruto da política criminosa de Milosevic se transformou no grande derrotado dos recentes conflitos dos Balcãs. Mas que hoje é uma democracia, procurando aproximar-se da Europa. E que vê no Kosovo uma espécie de "berço da Nação", território onde se situam, por exemplo, alguns dos espaços e monumentos mais representativos da identidade nacional sérvia.

Desde 1999 temos duas comunidades que vivem em linhas paralelas, mas que procuram não se cruzar. Principalmente no que aos sérvios diz respeito. Se não, consultem o sítio da Igreja Ortodoxa sérvia na província (em inglês). Bastante revelador, denunciando crimes e alegados crimes perpetrados pela maioria albanesa.

E então, o que fazer agora? Será a independência coordenada a melhor solução, como defende Timothy Garton Ash, um dos europeus que melhor entende o leste e os Balcãs? Talvez. Até porque, como refere Ash, a "História (...) pratica uma justiça aproximada, na melhor das hipóteses".

Para a Sérvia, será doloroso perder a província, mas a médio prazo a "amputação" poderá trazer proveitos, porque libertará energia para aquilo que é realmente importante.

O discurso a fazer aos sérvios deve então ser, ainda segundo Ash, "negoceiem a soberania formal sobre o Kosovo pela hipótese concreta de um futuro melhor na UE".

Para completar o puzle, diga-se que em Março realizam-se as eleições presidênciais sérvias. "Um passo em falso" poderá levar ao poder grupos nacionalistas com discurso - e práxis - muito semelhante ao do velho "Slobo". O que não deixará de causar instabilidade numa das fronteiras da Europa dos 27.

Muito do futuro da UE nas próximas décadas jogar-se-á na capacidade ou incapacidade que os 27 demonstrarem para liderar o processo em curso. Este um teste no qual a União não pode falhar, uma vez que o Kosovo "é na Europa, e não no Wisconsin", como bem escreve Ash.

No Público de hoje surge um bom calendário. Que "marca" a independência do Kosovo para Fevereiro. Sob a liderança da União Europeia. A ver vamos.

Diamonds and Rust

Mais uma música que não ouvia há anos. Voltei a ouvi-la aqui.

A propósito, Joan Baez faz 50 anos no próximo ano... Uma informação ao melhor estilo do "Trivial Pursuit"...

Conquista de uma nova fronteira

Mundos virtuais: a conquista de uma nova fronteira?

Ler em The Economist. Via discursos.

Orçamento

Há 31 anos a Madeira adquiriu o Estatuto de Região Autónoma. Tem agora poderes, próprios e entretanto reforçou as competências em matéria fiscal e económica.

31 anos depois continua a ter uma economia frágil. Baseada no turismo, nos serviços da administração pública, na construção civil e num tecido empresarial que depende da saúde do resto dos sectores de actividade para sobreviver.

Continuamos a ser financeiramente dependentes de um pai que muitas vezes mal tratamos.

O nosso dinheiro nunca chegou para pagar as nossas contas. Nos últimos anos foram ensaiadas engenharias financeiras para fintar as regras impostas por um pai forreta (continente). Criamos sociedades de desenvolvimento, a IGA, o Serviço Regional de Saúde EP e outras do género estão a ser preparadas, como uma SGPS para gerir as águas da Madeira.

É com estes constrangimentos que começa hoje mais um debate da conta da Madeira.

Os números do Governo nunca coincidem com as contas da oposição.

Os bates de orçamentos são terrenos pantanosos. Têm uma matriz matemática, mas quem melhor domina as regras da retórica é que vence a batalha dos números.

Ao Governo compete fazer a defesa das contas. À oposição, revelar a fragilidade dos valores. É este o guião do filme que vai ser rodado nos próximos 4 dias no parlamento.

No final tudo vai ficar bem.

A democracia cumpriu-se, mas a democracia, só por si, não faz milagres. Muito menos económicos.

Funchal 500 Anos

No Farpas, surgiu ontem uma crítica à programação do Funchal 500 Anos. A crítica é livre, mas convém esclarecer alguns pontos:

- Em primeiro lugar, existe, ao contrário daquilo que foi escrito, um eixo programático. Como não me apetece repetir tudo aquilo que já foi dito e que já está publicado remeto-vos para aqui. Ao analisar a programação ver-se-á, facilmente, que os eixos fundamentais definidos no documento apresentado estão nela representados.

- Em segundo lugar, dizer-se que não existem actividades para o público escolar revela alguma falta de atenção. Se não, vejamos estes dois itens da programação, sendo que o Concurso Escolar está a ser realizado desde 2003, caminhando já para a V Edição (em 2006, envolveu quase 1.000 alunos ou pessoas integradas em instituições).

- Em terceiro lugar não será correcto dizer-se que a área do património foi esquecida. Ver aqui, aqui e aqui.

Os 500 Anos do Funchal servirão, nesta área, para contribuir para que os cidadãos se interessem pelo património. Só isso faz sentido. Para além do mais, muitos dos livros que serão editados na Colecção Funchal 500 Anos versarão o tema do património. Representam em conjunto um bom levantamento da história da cidade e da Madeira. Acredito pois que a melhor forma de fazer com que a população comece a pensar a cidade é dá-la a conhecer melhor. E é isso que se vai fazer.

- Em relação à integração de eventos "habituais" na programação, creio é de uma lógica elementar. A CMF e a EM Funchal 500 Anos ajudarão a contextualizá-los no ano das comemorações. É o que se faz em todo o lado. Não é novidade, por isso, não percebo a crítica, honestamente. Faria sentido ver, em 2008, a Festa da Flor versar outra temática que não o V Centenário? Ou que as Festas de Natal e Fim de Ano da cidade esquecessem os 500 Anos? Aliás, são óptimos exemplos de trabalho em conjunto.

Para preparar 2008 dezenas de entidades públicas e privadas (basta reparar no calendário de eventos) de todas as áreas, bem como centenas de pessoas a título individual estão, hoje, a trabalhar com a Funchal 500 Anos. Consegue o autor do post encontrar melhor exemplo de busca de sinergias? Consegue o autor do post ver que este é um óptimo exemplo para o futuro? Não se esqueça ainda que eventos como o Festival Internacional de Cinema, por exemplo, nasceram debaixo do chapéu dos 500 Anos, com o apoio da CMF desde o primeiro dia. No exemplo em questão, graças ao empenho, à generosidade e à competência do Henrique Teixeira O FICF há de viver muitos anos. Se calhar, havemos de estar presentes na XX edição!

Repare, caro Cláudio, o objectivo do Funchal 500 Anos é muito mais ambicioso do que possa parecer a quem não estiver com atenção. Pretende-se revolucionar mentalidades, oferecendo uma programação de qualidade em todas as áreas (estão programados eventos na área do Desporto, da Ciência, da Literatura, das Artes Plásticas, do Cinema, do Teatro...) e procurando que os hábitos de consumo de produtos culturais cheguem à maior parte da população. Criando um Plano de Comunicação ambicioso. Que chegue a toda a gente, em todo o lado. Que promova o conhecimento da cidade.

Promovendo intercâmbios, trocas de conhecimento e experiências entre os agentes culturais da Madeira e de fora para que os primeiros (e os segundos, em alguns casos) evoluam. Percebam, em última análise, a vantagem de trabalhar em conjunto.

Ambiciona-se deixar uma marca permanente para o futuro.

E a propósito, as críticas são sempre bem vindas. Desde que não sejam feitas, apenas, com motivações políticas.

Se precisar de mais informações, vemo-nos no jantar do dia 19, no qual participarei com muito prazer.

Cumprimentos

Post-Scripum: A Programação completa, com o respectivo organigrama, está aqui.

A Marca chega a Portugal

A Económica SGPS, proprietária do Diário Económico e Semanário Económico, vai lançar, ainda antes do Euro 2008, a edição portuguesa do jornal A Marca. Que promete ter um alinhamento equidistante dos três maiores clubes, procurando assim abranger o maior número de leitores possível. Mais atenção ao campeonato espanhol (a competição "fora de portas" mais seguida em Portugal) e aos clubes ditos pequenos são outras das possíveis mais-valias do projecto.

10.12.07

Real politik vs ética

Robert Mugabe é um ditador, responsável por um desgoverno absoluto que está a arruinar o Zimbabwe. Não tem qualquer respeito pelos direitos mais elementares do homem. Dos homens. Dos negros como ele e que jurou defender. Tem razão Brown para não querer sentar à mesa deste déspota, apesar dos motivos serem errados. Porque não passa do orgulho ferido e porque o império britânico foi prejudicado com a tomada de poder de Mugabe. Não se trata da defesa efectiva dos direitos do homem, por parte do PM inglês (todos sabemos que é uma questão de política interna). Porque o governo britânico não tem pruridos em sentar à mesa de outras ditaduras tão ou mais violentas que a do Zimbabwe, como a Arábia Saudita.

Há algumas semanas, o governo português acolheu com honras de Estado o cacique-aspirante-a-ditador Hugo Chávez. Na altura, reconhecia a pertinência de termos de engolir este sapo: a comunidade portuguesa na Venezuela é demasiado grande e o governo português tem o dever de zelar pelos seus interesses.
Parece, contudo, que o principal motivo do encontro não foi a defesa da comunidade portuguesa, mas garantir negócios chorudos para a Galp. E sinceramente, senti um amargo de boca!

Este fim-de-semana, recebemos com pompa e circunstância Muammar Kadhafi, líder do regime opressivo que governa a Líbia. Aliás, vimos Sócrates de mão dada com o Líder Supremo líbio e todo ele era sorrisos. O motivo para tanta alegria era a garantia de outros negócios chorudos para a Galp e para outras empresas portuguesas. Que são levadas para a Líbia atraídas pelos dinares líbios, sem qualquer tipo de preocupação com essas questões humanistas.
Uma vez mais, todo um povo vergou-se aos interesses económicos de meia dúzia.
A isto chamam de real politik: eu chamaria de hipocrisia. E a mim, custou-me a engolir ver o PM do meu país a fazer acordos com um líder de um governo que não tem qualquer respeito pelos direitos do homem. A fazer acordos económicos. A vender a dignidade de um país aos interesses de alguns!
Não me admiro nada que qualquer dia estejamos à mesa de negociações com terroristas, conforme propunha, num rasgo invulgar de imbecilidade, Mário Soares. Já estivemos mais longe!

Provocação

E você, sabe o que é um pleonasmo?!
O Pleonasmo é uma redundância linguística (também conhecido pelo termo filosófico de tautologia).
Denominado pleonasmo de reforço ou estilístico, trata-se do uso da redundância como figura de estilo, para enfatizar ou reforçar uma ideia, recorrendo às mesmas palavras ou a outras semelhantes. Muito utilizado por autores como Pessoa, Camões, Vergílio Ferreira.

Jantar de bloggers

Porque me parece uma boa ideia para deixarmos cair os nossos alter-egos bloggers e porque se estivesse na Madeira participaria, aqui fica a divulgação desta iniciativa.

7.12.07

Parabéns!

Para uma amiga muito especial.
Parabéns!

Who killed Bambi II



Pessoalmente, suspeito do Tambor... Um crime passional?

Who killed Bambi?

Who killed Bambi?

Murder murder murder
Someone should be angry
The crime of the century
Who shot little Bambi
Never trust a hippie
'Cause I love punky Bambi
I'll kill to find the killer
In that rotten roll army
All the spikey punkers
Believers in the ruins
With one big shout
They all cry out
Who killed Bambi?

Sex Pistols

(Se alguém me conseguir explicar como é que a meio da tarde de trabalho surgiu-me na cabeça a letra de uma canção que não oiço há mais de dez anos, agradeço...)

Uma Foca que dá dinheiro

A "Foca" dá dinheiro.

Quartos Vagos

Um projecto criativo que rasga o marasmo em que muitas vezes se transforma o panorama artístico regional.

A acompanhar de perto.

Já agora, quem quiser ir à inauguração tá convidado. É sábado, às 18:00 horas.

6.12.07

Uma cimeira

Lisboa acolhe, este fim-de-semana, uma importante cimeira entre a União Europeia e as nações africanas. A principal razão do acontecimento, descobri há pouco, é afinal validar mais um pacote de ajudas financeiras aos países africanos onde se destaca “um fundo para ajuda ao comércio e apoio à competitividade” – que arranca já em 2008 com 1,2 mil milhões de euros que se tornarão em 2 mil milhões em 2010, data da próxima cimeira – e um fundo especial de 600 milhões destinado à União Africana para “facilitar a paz” e a sua capacidade de intervenção em zonas de conflito.

Pelo meio, e como disfarce, alguns líderes europeus vão pregar sobre direitos humanos, desenvolvimento e crescimento, democracia e aquecimento global. Claro está que os senhores que mandam em África dirão que sim a tudo, que está tudo muito bem e que aceitam todas as críticas e reparos, porque na realidade o que lhes interessa verdadeiramente é o pote de ouro no fim do arco-íris, mesmo que para tal tenham de participar em workshops alternativos com o Sr. Zapatero, o Sr. Sarkozy, o Sr. Prodi ou a D. Merkel e olhar para o ar angélico do Sr. Mugabe enquanto ouve falar sobre os direitos humanos.

Já se sabe o ridículo de tudo isto. Dar dinheiro a rodos nunca resolveu nenhum problema estrutural; antes adiou a inevitabilidade de soluções urgentes que são necessárias para dar aos africanos a dignidade que merecem e uma esperança num verdadeiro futuro. Já aqui uma vez expliquei como é mais fácil passar um cheque. Noutra vez ainda, tentei demonstrar como se sossegam as consciências. Como é óbvio, a receita mantém-se inalterável: em 2010, aprovaremos mais um pacote de fundos para destinos e fins incertos e sem olhar para o que foi feito e receberemos, novamente e de braços abertos, mas talvez um pouco mais gordos, muita gentinha que pouco ou nada fez pelos seus povos. Mas claro que o faremos de consciência tranquila e com mais um cheque chorudo na mão.

O homem voltou à carga

O "bom" do Chávez voltou ao normal... Já insultou quem venceu, já garantiu que voltará à carga com a mesma proposta (só não disse quando), enfim... Vai ser um martírio...

Fartar vilagem IV

Ficámos a saber pela revista Sábado (da semana passada) que muitos dos nossos eurodeputados, despudoradamente, contratam familiares para o cargo de assessores em Bruxelas.
Assim, Edite Estrela (PS) contratou um genro e uma enteada, Capoulas Santos (PS) uma filha, Manuel dos Santos (PS) o genro, Duarte Freitas (PSD) um irmão e Sérgio Marques (PSD) a esposa.

É bom saber que estas são famílias competentíssimas e que estas contratações nada têm a ver com (uma legal mas) absolutamente imoral beneficiação de familiares.

Questionados sobre os vencimentos dos assessores, ziiip! Nem uma palavra. Mas tenho cá para mim que qualquer um destes assessores ganhará mais dos que os deputados (3.500,00€), uma vez que cada um deles pode dispor de um máximo de 15.000,00€ para contratações.


Digam lá se estes senhores têm algum pingo de vergonha na cara?! É que isto nem parece - e tenho cá para mim - nem é sério!

Um epílogo

Ponto prévio: a violência nas escolas é uma realidade.

Ponto 1: É salutar que haja polémica. E é salutar que se possa debater pontos de vista diferentes sobre um mesmo assunto, ainda para mais, e aparentemente, baseados numa mesma notícia.

Ponto 2: Já não é tão salutar, embora se aceite, que se tente virar ao contrário os argumentos outrora apresentados. Graças a um artifício, ficamos candidamente a saber que para alguns só se pode falar de violência escolar a partir de uma certa percentagem, que tem de ser calculada através do número total de elementos do sector em análise a dividir pelo número de queixas. Todos os outros casos, abaixo dos intervalos previamente definidos (que eu não faço a mínima ideia de quais sejam), são casos isolados onde ninguém sofre, ninguém sente, ninguém vê, ninguém vive. Em última e radical análise, esta generalização daria inclusive para negar a existência de um problema de sinistralidade rodoviária ou mesmo de um problema de HIV no país, uma vez que as suas taxas são irrisórias, o que absteria o governo, qualquer governo, e os cidadãos das suas responsabilidades.

Ponto 3: Para mim, a violência nas escolas existe e não é negando o problema que ele se resolve. Reparem que eu não digo que a responsabilidade é deste ou daquele governo: antes de mais, a responsabilidade advém do excessivo número de anos que o PS e o PSD (e um infindável número de ministros) dedicaram a reformar e a contra-reformar a educação com os brilhantes resultados que conhecemos e que ainda ontem foram visíveis numa lista da OCDE.

Ponto 4: Este tipo de argumentação traz ainda outro problema: impede-nos de ver as coisas com clareza porque cegados com os números, assumimos que tudo está bem. Reparem que não fazemos a mínima ideia dos números reais (aqueles que estão para além da estatística) da violência escolar, uma vez que não sabemos quantas denúncias ficaram por fazer, quantas escolas abafaram os casos para não terem chatices, quantos alunos, professores e funcionários sofreram em silêncio e, por fim, quantos psicologicamente ficaram afectados, o que pode não ter forçosamente a ver com a violência física ou com os casos denunciados.

Ponto 5: “Quanto às melhorias verificadas, a ministra sublinha o contributo dado pela generalização das aulas de substituição para o "abaixamento do clima de descontrolo nas escolas".” Não são palavras minhas: o “abaixamento do clima de descontrolo nas escolas” são palavras da própria ministra. Assumirmos que há um clima de descontrolo nas escolas é igual a assumirmos que há um problema que é preciso resolver. O que já é qualquer coisa.

Ponto último: Folgo saber que de um post para outro, se passou de um problema que não existe para um problema quase inexistente. Também já é qualquer coisa.

Fartar vilagem III

O governo faz a festa e quem paga são os pequenos empresários.

Fartar vilagem II

Ou seja, quando não são as empresas, ou entidades reguladoras a querem vir ao bolso do Zé Povinho, parece que é o Governo, com esta taxa que queria aplicar sobre os sacos de supermercado. Não estando ainda convencido que tenha havido um recuo efectivo por parte do governo, fico a aguardar.

PS - O argumento da preservação do ambiente é ridículo: porque os ganhos para o ambiente seriam facilmente cobertos com um maior número de deslocações ao supermercado!

Fartar vilanagem

Digam lá se esta Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) não parece mesmo estar a soldo da EDP?
Depois daquela bela proposta de aumento de electricidade (claro que a inteligentsia economista do PS concordou), eis que agora propõe que seja o consumidor a arcar com as despesas da conversão dos contadores de electricidade. Já agora, quando quiserem aumentar o ordernado dos administradores, ou fazer uma qualquer modernização, não se esqueçam da nossa contribuição. Estamos cá para isso!

5.12.07

Violência nas escolas


Quem conhece minimamente a realidade da Educação em Portugal sabe que existem problemas graves de (in)segurança nas escolas. Assim, sem mais qualquer justificação, porque quem por lá anda sabe ser assim.
Como também é do conhecimento geral que este fenómeno (bullying, violência contra professores e funcionários) , tem vindo a crescer nos últimos anos, por diversos factores que não se reduzem à análise simplista do contexto social onde se insere o estabelecimento de educação/ensino. E não me venham com estatísticas, que todos sabemos quem fornece os dados e a quem interessam. E não venham também dizer: áh e tal, que são só umas dezenas de escolas, porque bonito, bonito, seria a violência dentro das escolas ser a norma e não a excepção! O problema existe, está a crescer e nenhum governo tem agido conformidade. E basta de enterrar a cabeça na areia!
Mas, na minha opinião, há um problema a montante para o qual o ministério da Educação e alguns dos especialistas (ou pseudo) têm estado algo desatentos, que é o aumento exponencial da indisciplina. Qualquer professor pode atestar que existem cada vez mais casos de indisciplina dentro das salas de aula, que começa a demonstrar-se cada vez mais cedo.
E já nem o 1º ciclo do ensino básico escapa. Aliás, tem sido neste ciclo que o problema tem se agudizado cada vez mais, em grande parte devido à imposição das Actividades de Enriquecimento Curricular (AEC), que obrigam as crianças a permanecer em "trabalho" entre as 09h00 e as 17h30. Efectivamente, e como qualquer pedopsiquiatra diria, é fundamental tempo para brincar. Que as crianças já não têm. Dir-se-ia que muitas outras já o faziam e não denotavam comportamentos incorrectos: pois, mas essa era a excepção e não a norma. Para além disso, as AEC estão minadas com problemas basilares, como o são a pouca importância atribuída pelos encarregados de educação, o facto de muitos docentes não estarem habilitados a trabalhar com crianças desta faixa etária, o fraco envolvimento dos titulares de turma, as temáticas trabalhadas (e a intransigência na sua adaptação), que fazem destas "disciplinas" efectivas e não "actividades", num ciclo ainda regido por um sistema de monodocência, sem compartimentação dos saberes (a persistência dos problemas com as AEC serão tema para um outro post).

Esta desatenção vê-se no próprio facto do Estatuto Disciplinar do Aluno (o anterior, porque o novo ainda não o conheço em profundidade - dizem ser bem pior!) não poder ser aplicado aos alunos do 1º ciclo, não havendo responsabilização nem do aluno, nem do encarregado de educação.
É verdade que eu jamais aceitaria comportamentos incorrectos por parte de uma criança de 9 anos: mas o problema é que não lhe é possível aplicar qualquer medida disciplinar e aquelas que ainda assim são possíveis, não passam de paliativos.

E por muitas estatísticas que sejam feitas, a verdade é que eu não vejo qualquer medida profiláctica por parte do ministério relativamente ao aumento da indisciplina. Bem pelo contrário. Digam lá a Sra. ministra a bando de apaniguados o que bem entenderem!

PS - Não posso deixar de estranhar como ainda alguns engolem (nas palavras de Vasco Pulido Valente) o isco, o anzol e a cana, isto é, as patranhas propagandísticas do Ministério da Educação.

...

A dona das Pérolas no Charco presenteou os conspiradores com um prémio. Pela minha parte, mostro-me grato!
Presumo que não será possível nomear outros cinco, porque somos muitos e com gostos eclécticos e diversificados. Fica o agradecimento à Bluminerva e a promessa de que continuarei a ser um frequentador assíduo daquele charco!

Vergonha II

No sítio do Marítimo escreve-se assim na crónica do jogo de Braga:

"Um conjunto de «golpes baixos» de um dos mais conhecidos e experimentados «controladores» do futebol português destruiu a melhor equipa deste jogo e empurrou a menos capaz para um triunfo de todo injusto e «pintado» com as cores da desonestidade, que há quem diga que são o «dourado»...".

Está bem escrito. Mas creio que a Direcção do Clube deve sair em defesa dos seus jogadores, e não deixar que sejam eles, e quem escreve no sítio, a assumir a batalha...

A bem da verdade

Menos 36 por cento de ocorrências participadas pelas escolas. Uma redução do número de docentes agredidos de 390 para 185 face aos últimos dados conhecidos. Tudo isto no espaço de um ano lectivo.

Estas são algumas conclusões do último levantamento sobre a violência e segurança em meio escolar, relativo a 2006/2007, e apresentado ontem pelos ministros da Educação e da Administração Interna. Mas os números são também estes: em média, a cada dia que passa há um professor agredido ou vítima de tentativa de agressão (o ano lectivo tem cerca de 180 dias de aulas).

Os funcionários das escolas estão sujeitos ao mesmo tipo de violência e, de acordo com os dados compilados pelos Observatório da Segurança em Meio Escolar, houve 147 agressões ou tentativas contra o pessoal auxiliar.

Este foi o primeiro ano em que o Governo apresentou os números da violência escolar de forma agregada (com uma nova metodologia, e recolhendo as participações feitas pelas escolas ao Ministério da Educação e às forças de segurança do Programa Escola Segura, evitando assim a duplicação de registo de incidentes). E talvez por isso, as comparações com o passado podem causar alguma estranheza.

Sobe e desce

Em Fevereiro, e tendo em consideração apenas as denúncias das escolas ao ME, foi anunciado pelo coordenador do observatório, João Sebastião, que 390 professores tinham sido agredidos em 2005/2006. Um ano depois o número caiu para metade. Já em relação aos alunos, os estabelecimentos de ensino tinham participado ao ME 207 casos. No ano seguinte o número disparava para mais de mil.

Ficando pelos dados absolutos, constata-se que, no último ano lectivo, 94 por cento das escolas não participaram qualquer ocorrência. E que as muito graves têm uma frequência reduzida. "Estes são dados muito animadores para continuarmos o nosso trabalho. É preciso distinguir entre violência e indisciplina. A primeira, associada a ocorrências graves, tem uma incidência rara e circunscrita. A segunda é mais dispersa mas tem uma gravidade completamente diferente" face à ideia que se possa ter, sustentou a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues.

Questionada sobre as preocupações recentemente manifestadas pelo procurador-geral da República - que acusou a ministra de "minimizar a dimensão da violência nas escolas e revelou que recebia bastantes faxes de professores a relatar agressões -, Maria de Lurdes Rodrigues sublinhou a realidade demonstrada pelos "factos" ontem apresentados. "Não podemos desvalorizar um caso de violência que aconteça numa escola. Mas não temos nas escolas um clima de violência generalizada."

"Os números contrariam a ideia de que as escolas estavam numa roda-viva e que eram locais cada vez mais inseguros", insistiu João Sebastião.

Pior em Lisboa e Porto
A verdade é que os números evidenciam existir poucos estabelecimentos de ensino muito problemáticos. É o caso dos 31 que, num ano lectivo, participaram mais de 21 ocorrências. No entanto, estas escolas correspondem a 0,2 por cento do total das mais de 12 mil abrangidas pelo Escola Segura. São sobretudo frequentadas por muitos alunos e concentram-se nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto.

A distribuição regional revela ainda que há outros distritos menos óbvios, como Beja ou Bragança, com um número de ocorrências por mil alunos superior à média (3,32 neste último caso).

Quanto às melhorias verificadas, a ministra sublinha o contributo dado pela generalização das aulas de substituição para o "abaixamento do clima de descontrolo nas escolas".


Público, 4 de Dezembro de 2007

Vergonhoso

Eis uma declaração que faz todo o sentido.

Embora seja Sportinguista tenho pelo Marítimo um sentimento muito especial. E este ano, custa-me ver os "verde-rubros" serem continuamente "gamados". Foi na Luz, foi nos Barreiros contra o Guimarães. E segunda-feira, em Braga, o "roubo" - não conheço outra palavra - foi escandaloso. Um pénalti por marcar contra a rapaziada do norte, uma expulsão perfeitamente injustificada do Makukula (que "apanhou" com três jogos, ainda por cima) e uma série de faltas marcadas ao contrário.

Creio que é tempo da Direcção do Marítimo tomar uma posição frontal contra a falta de qualidade e a dualidade de critérios dos tipos que vestem de preto (ou amarelo, ou côr de rosa). É vergonhoso. O Briguel, ontem, esteve bem.

4.12.07

Uma festa

Em Manchester a equipa de futebol local mais famosa prepara-se afincadamente para a festa do ano. Sob a organização de Rio Ferdinand, o evento destina-se exclusivamente aos jogadores da equipa de futebol, o que implica não haver treinadores nem dirigentes nas proximidades, e muito menos namoradas ou mulheres à espreita.

À festa, que não é de beneficência, juntam-se apenas “100 mulheres bonitas”, com o intuito de fazer passar o tempo enquanto se discorre, penso eu embora não seja claro na notícia, sobre o aquecimento global, a luta contra o terrorismo e os problemas filosóficos ligados ao existencialismo.

Pelo meio, há um bar, um restaurante, um casino e até uma discoteca onde todos podem convenientemente descomprimir do ritmo frenético do dia-a-dia. A discoteca tem inclusive umas mesas especiais que tornam possível que algumas das “100 mulheres bonitas” expliquem o que é o aquecimento global e como funciona numa relação dialéctica.

Para o evento, cada um dos jogadores do plantel do United contribui apenas com a módica quantia de 5400 euros, valor que inclui bebida (talvez sem gás), comida (quem sabe se sem sal nem gordura), “100 mulheres bonitas”, os temas propostos para reflexão e 30 suites cuidadosamente preparadas para o descanso merecido da rapaziada embevecida.

Eu por mim, nada tenho a opor. Mas se houver alguma desistência de última hora, sabem onde me podem encontrar. No fundo, embora não sendo um verdadeiro existencialista, o aquecimento global sempre me fascinou.

Cosmética mortuária

Na Alemanha, inventou-se um novo conceito de negócio. Um canal televisivo comercial propõe-se fazer obituários e filmes de homenagem aos mortos. A iniciativa deve ter a ver com a diversificação do negócio, uma vez que todos os anos várias centenas de milhar de alemães morrem sem que os seus entes mais chegados possam lhes prestar uma última, justa e sentida, homenagem para além das páginas lúgubres dos jornais, aparentemente sem espaço para tanta solicitação.

Os preços, convenhamos, são nesta primeira fase tentadores: 2000 euros por um filme de 2 minutos, o que dá 500 euros por cada trinta segundos. A coisa deve dar para tudo, incluindo coisas do género: “Olá, boa tarde. Este era o Hans (e aparece uma grande foto de BI do Hans). O Hans faleceu ontem às 22h32, de acordo com a certidão do médico. Morreu sozinho e abandonado na cama de um hospital, ligeiramente agonizado, porque o pessoal ultimamente andava com muitos afazeres e sem tempo para visitá-lo. Nós, os seus familiares directos, um pouco envergonhados com o assunto, decidimos por isso homenageá-lo depois de morto porque a herança que ele deixou vai dar um jeito do caraças e dá para pagar este vídeo. O Hans até era um tipo porreiro, boa pessoa, embora um pouco mesquinho nas pequeninas coisas do dia-a-dia. Não tinha muitos amigos, mas os que tinha eram verdadeiros amigos. O Hans morreu. Viva o Hans. Paz eterna à sua alma.

Desconheço por agora o volume de receita esperado, mas desde que uma empresa se propôs a alugar manifestantes para causas sem adeptos que não me ria tanto. Embora não pelas mesmas razões.

Um sinal

A violência nas escolas é uma interessante actividade nacional. Os petizes, muitas vezes entediados com as aulas inclusivas e com as actividades de grupo, parece que perdem as estribeiras muito facilmente e desatam a agredir colegas, funcionários e professores quando há problemas familiares em casa, quando estão deprimidos ou eufóricos, quando revelam algumas dificuldades de aprendizagem e/ou quando não lhes deixam brincar com o telemóvel nas aulas.

As causas são todas conhecidas. O Estado, esse nosso farol orientador e educador, não só não expulsa os mal-educados e mal comportados como agora até lhes dá a escolaridade obrigatória à força. As faltas nem precisam de grande justificação, tal como os exames e os testes não precisam de qualquer estudo prévio que exija empenho. O petiz, um verdadeiro terror na primeira classe, pode assim tornar-se num criminoso empedernido até ao nono ano, sem grandes complicações matemáticas e ortográficas, e aprovado com distinção.

Perante a falta de autoridade e de interpretações básicas de regras disciplinares, cabe aos meninos, felizes ou infelizes e no seu meio ambiente, decidirem o que fazer, quando fazer e como fazer. Tudo acontece, tudo é permitido. Os números elucidam o problema: 300 casos conhecidos de agressão a funcionários e professores apenas este ano. Desconhecem-se, no entanto, os números sobre a violência psicológica e sobre a violência, de todas as formas e generalizada, sobre os próprios colegas, que devem ser algo de perturbador.

Desde o soco, ao pontapé, passando por pneus furados e outras originalidades, as nossas criancinhas fazem da escola uma plataforma para a vida. O Estado encolhe os braços, o professor esconde a cara (não vá um soco acertar em cheio) e o funcionário, mal pago, saiu e muito provavelmente já não volta hoje (não vá ter alguma coisa a ver com o assunto). Para todos os efeitos, convém não depreciar muito o drama: à classe docente não se recomenda por acréscimo a exibição de carros de gama muito alta e aos restantes funcionários escolares propõe-se a baixa psicológica prolongada. Quanto ao Estado, deseja-se, no íntimo, que continue assim. Afinal, meia dúzia de maçãs podres jamais estragaram uma colheita. O que deve ser um sinal manifesto de que vamos no bom caminho.

Taxas de estacionamento no aeroporto: um roubo!

Preços de parque no Aeroporto crescem 25%
Ano e meio após actualizar as tarifas, a ANAM fixa novos preços para estacionar
Data: 04-12-2007
Estacionar nos parques do Aeroporto da Madeira passou a ser mais caro desde sexta-feira. Os aumentos, por fracção de 15 minutos, passam de 0,30 para 0,40 euros no parque 0 (+25%), e entram em vigor com as novas taxas aplicadas pela ANAM - Aeroportos e Navegação Aérea da Madeira. Estão incluídos o aluguer de equipamentos, a prestação de serviços, os consumos (água e luz, por exemplo), o depósito de bagagem, os cacifos de bagagem, a fotografia e filmagem, os equipamentos diversos para formação e, como referido, os parques de estacionamento de viaturas. Em todos há aumentos, nalguns casos residuais, noutros ascendem a centenas de euros (os elevadores pneumáticos, que passam de 11.000 euros por dia, para 11.550 euros). A alteração de tarifas, justificada no despacho mandado publicar pela Secretaria Regional do Turismo e Transportes (n.º17/2007) no Jornal Oficial (JORAM), pelo facto de a última actualização de 'Outras Taxas de Natureza Comercial' ter sido feita efectuada a 11 de Junho de 2005. Ou seja, "importa proceder à respectiva actualização de acordo com a taxa de inflação verificada nos últimos dois anos", diz o documento. No entanto, há cerca de ano e meio, aplicando a lei nacional que obriga a fraccionar por cada 15 minutos os períodos de estacionamento, a então Secretaria do Equipamento Social e Transportes alterara os preçários. Antes era cobrado um euro à hora no parque 0, passando para 0,30 euros por cada 15 minutos. Ou seja, de 1,20 euro por hora. Agora são 1,60. Nos outros parques, mais afastados, vai de 0,30 a 0,20 euros. 'Negócios não aviação' lucrativos Nos últimos relatórios e contas da ANAM a importância da exploração dos espaços comerciais dos aeroportos da Madeira e do Porto Santo no saldo final é cada vez maior. Do retalho ao imobiliário, da publicidade ao rent-a-car, passando pelos parques de estacionamento, as actividades tiveram "nos últimos anos um grande incremento", com um crescimento global de 16,1% em 2005 (5,4 milhões de euros) e de 6,2% em 2006 (5,7 milhões).As receitas dos parques de estacionamento no Aeroporto da Madeira foram de 450 mil euros em 2004, de 498 mil em 2005 (+10,6%) e 544 mil em 2006 (+9,3%). Receitas que representam pouco se contar os mais de 36,8 milhões de euros de proveitos arrecadados em 2006.
DN Madeira,
Francisco José Cardoso

Depois de ler uma notícia destas nó apetece gritar: LADRÕES!
Parece ainda que a actual Secretaria Regional de Transportes e Turismo ou não sabe fazer contas, ou mente descaradamente, com a agravante de publicar as mentiras no JORAM!
Haja decência!

3.12.07

Para que servem os regimes de excepção?

Neste fim-de-semana ficamos a saber, através do Público e do Expresso, que mais um tipo do BCP viu uma dívida na ordem dos 28,5 milhões de euros perdoada por ser considerada incobrável. Sempre admirei os truques bancários e a imaginação das cláusulas. A imaginação humana é audaciosa e prodigiosa. Só assim se percebe que os coitados que não pagam a prestação da casa sejam imediatamente penhorados e que tipos com 28,5 milhões de euros em dívidas, gastas em especulação bolsista, sejam considerados inimputáveis. É um tipo de justiça social muito interessante.

Entretanto, as receitas milionárias dos bancos ascendem aos 1700 milhões de euros, graças ao inenarrável regime de excepção de que os bancos gozam com o beneplácito cândido do governo. Mas a pergunta que faço é tão simples quanto a minha ignorância: não era mais simples cobrar o que deve ser cobrado aos bancos e promover uma, nem que fosse leve, descida dos impostos que beneficiasse todos os portugueses? Se os bancos caucionam este tipo de comportamento temos todo o direito de questionar esta pouca-vergonha. Afinal, para que servem os regimes de excepção?

Contra a discriminação

Na sexta-feira, foi votada na Assembleia da República a lei contra a discriminação por sexo. A proposta resulta da transposição de uma directiva europeia porque nestas coisas temos por hábito só entrar na civilização quando a União determina e manda, não vá toda a gente esperar demasiado tempo sentada. A nova lei quer, entre outras coisas, proibir a “discriminação por sexo no cálculo de prémios e prestações de seguros e no acesso a outros serviços ou bens”, propondo-se, pelo meio, pesadas multas correctivas para os prevaricadores e infractores. Claro está que aplaudo a iniciativa. De pé e debaixo de ovação, pedindo bis se necessário. Há por aí muito energúmeno que não entende que uma mulher é igual a um homem nos direitos e nos deveres e consequentemente nas situações laborais, sociais e familiares.

A luta contra a discriminação é assim, e sempre, muito bem-vinda, havendo, na minha modesta opinião, vários sítios excelentes para se começar, desde já, a aplicar a lei: na pouca-vergonha das bilheteiras dos estádios de futebol, nos clubes políticos exclusivamente femininos ou masculinos e nas famigeradas discotecas e bares que promovem indescritíveis ladies night. Quem disse que a discriminação por sexo não existe, nunca saiu à noite.

Venezuela

A Venezuela deu ontem um enorme exemplo a todo o mundo, e aos vizinhos da América Latina em particular, de comportamento civilizado e democrático.

Mas é importante não esquecer que a sociedade venezuelana está profundamente dividida. E que, embora social e culturalmente o povo da Venezuela seja avesso aos conflitos (basta lembrar que é o único país da zona que nunca se envolveu numa guerra dentro ou fora de portas), uma pequena fagulha pode acender um rastilho com consequências imprevisíveis.

Ontem, o discurso de Chávez foi muito interessante. Ponderado, reconheceu a derrota e a consequente impossibilidade de levar a efeito as reformas que pretendia introduzir. Apelou à unidade nacional e serenou os ânimos quer dos seus apoiantes, quer da oposição. O Chávez que ontem assumiu que tinha perdido foi radicalmente diferente do Chávez habitual, que ataca desenfreadamente todos aqueles que a ele se opõem, quer no plano interno quer no plano externo, criando dessa forma clivagens dispensáveis. A confirmar-se e a manter-se o tom e o conteúdo, as tenções poderão acalmar. Mas não acabam certamente, já que o exercício efectivo do poder não deve sofrer alterações visíveis. Para além do mais, com Chávez deve desconfiar-se sempre...

Não creio que a derrota implique uma viragem política na Venezuela ou nas relações do país com o exterior. Hugo Chávez manterá, internamente, uma praxis política populista, que a curto prazo poderá atenuar superficialmente as desigualdades, mas que médio e longo prazo será um desastre para a Venezuela. Vai continuar a desconfiar do sector privado da Economia, impondo medidas restritivas. Vai insistir no projecto de silenciar a oposição e os média por esta influênciados ou controlados. Não desistirá da ideia peregrina de perpetuar-se no poder.

A nível externo, continuará a perseguir a criação de uma espécie de bloco latino-americano que se afirme por oposição política aos Estados Unidos e à União Europeia (opção condenada ao fracasso devido à óbvia resistência do Brasil ou da Argentina, as maiores economias da zona, em juntar-se àquela espécie de "guerra santa").

Enfim, embora mais controlado, Chávez tentará, até à sua extinção (que agora me parece mais ou menos inevitável), continuar a marcar a agenda política mundial.

Paulo Bento e o Sporting

Tenho para mim que Paulo Bento continua s ser o melhor treinador para a Sporting. O momento da equipa não é bom, é certo, mas quem advoga a saida do técnico esquece-se de tudo aquilo que de bom ele fez. Há dois anos, pegou numa equipa que se arrastava e tranformou-a num conjunto forte e competitivo. O ano passado, ganhou a Taça e lutou com o Porto até à ultima jornada pela conquista do título. Conseguiu ainda algo que era inédito na história do Sporting: o apuramento, pelo segundo ano consecutivo, para a Liga dos Campeões.

Contribuíu para a formação de jovens talentos como Miguel Veloso, Nani, Moutinho, Abel, lançando ainda jogadores como Pereirinha ou Ronny.

É óbvio que nem tudo é perfeito no trabalho de Paulo Bento. Também creio que a teimosia excessiva por ele tantas vezes revelada conduz a alguns erros, que setiam evitáveis com maior dose de bom senso. Mas honestamente, não sou daqueles que agitam lenços brancos à primeira crise.

E não esqueço, por exemplo, que existem situações que fogem às competências do treinador e que lhe limitam o trabalho. Se não vejamos: O orçamento para o Futebol Profissional do FC Porto é mais do dobro que o do Sporting. O do Benfica é superior em mais de 50%. Meus caros, sem dinheiro, no futebol moderno é quase impossível competir de igual para igual. Há, de facto, muito pouco a fazer.

A equipa do Sporting é ainda mais jovem do que era o ano passado. Jogadores como Stojkovic (na minha opinião, um excelente guarda-redes), Izmailov, Purovic ou Vucevic são "miúdos" que por isso precisam de tempo para se adaptar. Não fácil pegar numa equipa jovem e reconstruí-la em dois ou três meses. Basta lembrar que entre o Sporting 06/07 e 07/08 existem diferenças óbvias.

A começar pela baliza, com a saida de Ricardo. Passando pela defesa, que perdeu Tello e, sobretudo, Caneira. No meio-campo Nani faz uma falta do caraças. No ataque Derlei, que entrara bem e parecia ser o companheiro ideal para Liédson, teve o azar que sabemos.

Não é fácil, convenhamos.

Creio que o campeonato está perdido e há que pensar na Taça e na UEFA, competições que ainda podemos ganhar. Sem grandes dramas existenciais.

Só para terminar, "Sir" Alex chegou ao Manchester e esteve sete anos sem ganhar nada... SETE, repito. Hoje é considerado, a par de Matt Bubsy, o melhor treinador de sempre da história dos Red Devils. Um bom exemplo...

Post-Sriptum: Já agora, e falando de política desportiva, é fácil, neste momento, criticar a direcção do Sporting. Mas basta parar para pensar e olhar para o lado. Se não vejamos: O Benfica gastou 9 (NOVE) MILHÕES DE EUROS num tipo grande, de nome Cardozo, que vai com certeza entrar para a história como um dos maiores "flops" do futebol português. O clube dos provincianos da capital gastou 14 milhões de euros em contratações e vejamos os resultados: Bergessio é igual a nulidade, Maxi Pereira joga com grande esforço, Adu ainda não justificou grande coisa (embora lhe dê o desconto da juventude), Bynia, Pelo Amor de Deus... Luís Filipe é exclente para o Marítimo e para o Braga, de resto... Aproveitam-se, na minha modesta opinião, Di Maria (um talento que, com maior amadurecimento, vai dar que falar) e Rodriguez (bom jogador).

Quanto ao Porto, o cenário é mais desastroso. Milhões de euros investidos em reforços e até agora, nenhum deles (leu bem, nenhum deles) se estabeleceu na equipa principal. Zero... Um número redondo como uma bola de futebol saída dos pés do Moutinho...

Se isto tivesse acontecido no Sporting, era o fim do mundo, parece-me...

1.12.07

Lógicas

Ora, aqui está um belo post. Ainda que o autor limite-se a uma lógica estóica.
Porque as proposições são mesmo feito à medida.

PS - Dizem que este blogue é da autoria de Miguel Fonseca. Aguarda-se confirmação! Mesmo que não seja, será um blogue a visitar frequentemente.

29.11.07

Não só é pateta, como é ignorante!


Valter Lemos esteve ontem, dia 28 de Novembro, no Alentejo para anunciar que para os programas de requalificação das escolas básicas do 1º ciclo estará disponível, no QREN (Quadro de Refência Estratégico Nacional), a maravilhosa quantida de... 14 milhões! É verdade, 14 milhões para 58 municípios é o que o senhor secretário de estado da Educação acha que vale a requalificação do parque escolar do 1º ciclo. No seu entender, é mais do que suficiente para requalificar algumas centenas de escolas, grande parte delas do Plano Centenário, sem quaisquer condições para o serviço de refeições (fundamental para a implementação do conceito de escola a tempo inteiro), de espaços polivalentes (mandamos as criancinhas lá para fora quando chove, neva, ou estão 40 graus?), de bibliotecas, com mobiliário bastante deteriorado e graves lacunas ao nível de equipamentos tecnológicos.
Mas compreende-se, uma vez que este secretário de estado mostrou-se indignado pelo facto das Cartas Educativas terem previstos estes espaços. Na sua opinião, não é necessário - ele disse-o! Quando confrontado com o facto destes documentos terem sido elaborados de acordo com as orientações do GIASE (Gabinete de Informação e Avaliação do Sistema Educativo), como tão bem sabe fazer assobiou para o ar e disse umas alarvidades patetas sobre a rentabilização de recursos (como se quem trabalha nesta área não estivesse já atento).
É verdade, é isto que o Ministério da Educação está disposto a investir nos espaços físicos do 1º ciclo, fundamental para todo o restante percurso educativo dos alunos. E assim que se pretende combater o insucesso escolar e a iliteracia generalizada.

A quase moral da história do futebol português

Como quase sempre, as equipas portuguesas estiveram quase a fazer boa figura na Liga dos Campeões e quase a garantir a passagem à fase seguinte.

O Benfica, por exemplo, esteve quase a ganhar ao Milan.
O Sporting, por seu lado, esteve quase a empatar com o Manchester.
E o Porto, até ao último instante, esteve quase a só apanhar três do Liverpool.

Uma dúvida

A novela que envolveu os deputados socialistas madeirenses na Assembleia da República parece finalmente concluir-se. Depois do jogo do empurra, de reuniões silenciosas e de acordos secretos eis que uma nova justificação para o voto favorável no Orçamento do Estado surgiu no horizonte: o Eng. Sócrates ameaçou expulsar do partido todos aqueles que não cumprissem com a rígida disciplina de voto. Pessoalmente, não sei se a coisa é legítima, mas isso pouco importa para o caso, porque uma outra dúvida, neste momento, me assalta: como é que se expulsa de um partido pessoas que não são militantes desse partido?

Sobre a crítica

O recente folhetim sobre a crítica ao novo livro de MST feita por VPV traz hoje novos desenvolvimentos. A Sábado decidiu publicar uma reportagem onde tenta explicar as razões do “ódio” entre as duas figuras públicas, como se isso interessasse para alguma coisa.

Este tipo de reportagem de cordel demonstra bem o espírito mesquinho em que vive o país. Para a Sábado, como aliás para a maioria dos portugueses, uma crítica tem de ter sempre, como motivação acrescida, um ódio pessoal ou uma movimentação obscura, porque só isso justifica o texto destrutivo que VPV explanou sobre a nova obra (atenção: sobre a nova obra) de MST. É deste modo que se esquece muito frequentemente a essência, preferindo-se a aparência, o que impele o debate para o domínio pessoal.

Como é natural, quem fica a perder é a cultura do país, pouco habituada ao espírito crítico que deve ser tido como mais um elemento preponderante do processo criativo e da sua própria afirmação.

É recorrente nos jornais portugueses o lambe-botismo enfadonho que não olha para a obra e que prefere mil vezes o autor. Aliás, muitas das críticas parecem cingir-se à mera leitura da contracapa ou dos seus resumos e conclusões. Para alguns críticos, todos os livros lidos são óptimos e contam estórias igualmente óptimas onde tudo é perfeito: o enredo, as personagens, as contextualizações, a narrativa, a conclusão, etc. Das duas uma: ou se é pouco esclarecido e se reconhece a incapacidade para se ser crítico, ou se tem vergonha de reconhecer que lemos um obra de merda, que verdadeiramente odiamos, mas da qual não queremos, ou não podemos, dizer mal.

Claro está que quando surge uma crítica mais encarniçada, quem sente a sua obra criticada vê logo ali, e em primeira instância, um ataque pessoal, mediado por invejas crónicas ou frustração impenitente, por parte do crítico ou de quem dá palco ao crítico.

Infelizmente, os criticados deviam aprender a tirar lições das críticas em vez de responderem sem o nível que habitualmente ostentam e que desejam ver nos outros. A incapacidade de encaixe, a incapacidade de aceitar que outros pensem diferente e a incapacidade de aceitar que olhem para aquilo que fazemos com um espírito fora do normalmente aceite, também é um sinónimo inequívoco do nosso fatídico e endémico atraso.

Por certo muitos dirão que VPV foi excessivamente violento. Pessoalmente, não concordo. Outros dirão que VPV não tem nada que se veja em termos literários ou de produção cultural (um perfeito absurdo que a minha biblioteca em casa desmente e comprova). Outros falarão ainda de inveja, de mesquinhez, de manias de superioridade. Aceitar-se-ão todas as ideias, se bem que o VPV até teria muitas razões para se sentir superior. Mas é pena que todos se recusem a ver aquilo que é um facto ainda não desmentido e que o ruído das coisas desviou: o romance, que MST apresentou como histórico e como retrato de uma época, tem erros crassos que convém não menosprezar. Esta foi a crítica mais mordaz que VPV (que é uma autoridade no assunto) fez a MST e que MST infelizmente parece não querer compreender. Tudo o resto, sobre as frases feitas, sobre a vacuidade das personagens, sobre o enredo ou mesmo sobre a descrição das refeições, são opiniões de uma pessoa habituada ao poder de síntese e à objectividade (leiam as suas crónicas para perceber do que se fala) e que se consubstanciam numa forma muito própria de ver o mundo.

Por fim, os critérios de qualidade não se medem por se ter colocado os portugueses a comprar e a ler os seus livros, como MST parece defender. Num país de iletrados e de analfabetos funcionais, onde a maioria não responde a um questionário sem ajuda especializada, qualquer coisinha devidamente embrulhada serve de divertimento, como MST muito bem sabe. O Sr. Dan Brown, por exemplo, aqui há uns tempos também lançou uma obra muito profunda sobre a descendência de Jesus Cristo, os merovíngios e o Priorado do Sião, um romance também ele histórico (?!), mas mais pelo conjunto impressionante de invenções e alarvidades produzidas. A coisa foi o sucesso que foi: mais de duzentos mil (!!) exemplares vendidos que serviram de mero passaporte para entrada da restante obra (?) do senhor. Ainda hoje, muitos dos que leram o Sr. Brown, e que depois foram a correr ao cinema ver o filme sobre a obra, acreditam que anda por aí um descendente de Jesus Cristo. Esperemos que, entretanto, já tenham percebido que o Tom Hanks nada tem a ver com o assunto.