Aos poucos, a mentira começa a cair. Afinal, em 2 meses de completa liberalização, foram praticados em Portugal cerca de 1400 abortos (muito longe dos 60.000 abortos anuais que nos quiseram impingir), e apenas 5 foram feitos em grávidas com idades inferior a 15 anos.
Aliás, 67% (947) dos abortos praticados desde a entrada em vigor da nova legislação, foram realizados em mulheres com idades compreendidas entre os 20 e os 35 anos.
Posso estar a exagerar, mas estou convencido que se fizéssemos uma análise às condições socio-economicas das grávidas que abortaram, constataríamos que afinal não são provenientes das classes sociais mais desprivilegiadas.
Por enquanto, manda-nos a prudência aguardar. Mas veremos no futuro, quando algum estudo verdadeiramente sério for feito.
Se bem que nessa altura, o aborto será já tido como um método contraceptivo perfeitamente normal e legítimo e não um procedimento de excepção que deva er combatido. E isso é o que mais me revolta!
"Reúne sete ou oito sábios e tornar-se-ão outros tantos tolos, pois incapazes de chegar a acordo entre eles, discutem as coisas em vez de as fazerem" - António da Venafro
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24.9.07
18.7.07
Ainda o aborto da Lei n.º 16/2007
"É injustificado e insultuoso pretender que os médicos tenham de confirmar, por escrito, o seu respeito pela ética.
Após o referendo nacional sobre o "aborto", antecedido por frequentes e claras afirmações de muitos dos mais representativos dos votantes pelo "sim", de que o consideravam um mal (embora por vezes, e segundo eles, necessário), surgiu a Lei n.º 16/2007, seguida da Portaria n.º 741-A/2007.
Para além do conteúdo-base (que repudiamos), verifica-se que a lei, no seu artigo 6.º, assegura aos profissionais de saúde, e nomeadamente aos médicos, a "objecção de consciência". A objecção de consciência, direito fundamental constitucionalmente protegido, permite que os médicos recusem a prática de actos da sua profissão quando tal prática entre em conflito com a sua consciência moral, religiosa ou humanitária ou contradiga o disposto no seu código deontológico.
Obviamente esses profissionais não poderão ser prejudicados, de nenhum modo e sob nenhum pretexto, por exercerem tal direito. Se, por outro lado, o regime aprovado proíbe os médicos de participar na consulta prévia, e no acompanhamento durante o período de reflexão, por outro pretende, de forma contraditória, injustificada e ilegal, obrigá-los a indicar quem pratique o aborto.
Se, com uma mão, a lei assina um atestado de incompetência e falta de isenção aos médicos, impedindo-os de acompanhar a grávida na fase pré-aborto, com a outra empurra, sem corda, para a falésia, este direito de agir segundo os seus princípios morais, religiosos ou humanitários, ao obrigar esses mesmos profissionais, "incompetentes e parciais", a que encaminhem a grávida até ao... aborto. Afinal, deve ou não o objector de consciência pronunciar-se? A partir de que fase tem competência, dignidade moral e isenção para intervir? Porque só é obrigado a intervir para que a prática do aborto, de que discorda, se concretize? Como será possível conciliar as duas imposições?A portaria indica que a objecção de consciência deve ser manifestada em documento (burocrático e mesmo insultuoso, porque parece desconhecer a ética médica), assinado pelo objector, o qual deve ser apresentado ao seu director clínico. Mas, certamente, apenas deverá competir a quem aprovou a lei, o Estado, divulgar onde o aborto poderá, infelizmente, vir a materializar-se. (...)
Assim sendo, e mesmo quando objector de consciência, nunca deixará o médico de tratar uma doente que, por causa de um aborto, sofra consequências. É, por isso mesmo, injustificado e insultuoso pretender que os médicos tenham de confirmar, por escrito, o seu respeito pela ética. (...)
No artigo 30.º do código, referente à objecção de consciência, diz-se claramente que o médico tem o direito de recusar a prática de actos da sua profissão quando tal entre em conflito com a sua consciência moral, religiosa ou humanitária ou contradiga o disposto no código deontológico.
Pontos essenciais, incluídos no juramento hipocrático, estão consagrados no artigo 47.º, onde se estabelece que o médico deve guardar respeito pela vida humana desde o seu início; que constitui falta deontológica grave a prática do aborto e da eutanásia; que esclarece, no entanto, que não é considerado aborto uma terapêutica imposta pela situação clínica do doente como único meio capaz de salvaguardar a sua vida.
É o caso-limite, do confronto entre duas vidas, das quais só uma poderá ser salva.
Sabendo-se, segundo a leges artis, que a ecografia é o meio mais fiável para datar uma gravidez, era bom que a lei dissesse se, neste momento, se conhece outro meio alternativo igualmente fiável para que seja possível dispensar a ecografia, que na lei deixou de ser obrigatória.
Assim sendo, esperamos que o Governo proceda à alteração da portaria referida, por considerar necessária e suficiente uma simples declaração, sob compromisso de honra profissional, dos médicos objectores de consciência."
Prof. Gentil Martins, Ex-bastonário da Ordem dos Médicos e ex-presidente da Associação Médica Mundial e da sua comissão de ética, in Público, de 17 de Julho de 2007
Após o referendo nacional sobre o "aborto", antecedido por frequentes e claras afirmações de muitos dos mais representativos dos votantes pelo "sim", de que o consideravam um mal (embora por vezes, e segundo eles, necessário), surgiu a Lei n.º 16/2007, seguida da Portaria n.º 741-A/2007.
Para além do conteúdo-base (que repudiamos), verifica-se que a lei, no seu artigo 6.º, assegura aos profissionais de saúde, e nomeadamente aos médicos, a "objecção de consciência". A objecção de consciência, direito fundamental constitucionalmente protegido, permite que os médicos recusem a prática de actos da sua profissão quando tal prática entre em conflito com a sua consciência moral, religiosa ou humanitária ou contradiga o disposto no seu código deontológico.
Obviamente esses profissionais não poderão ser prejudicados, de nenhum modo e sob nenhum pretexto, por exercerem tal direito. Se, por outro lado, o regime aprovado proíbe os médicos de participar na consulta prévia, e no acompanhamento durante o período de reflexão, por outro pretende, de forma contraditória, injustificada e ilegal, obrigá-los a indicar quem pratique o aborto.
Se, com uma mão, a lei assina um atestado de incompetência e falta de isenção aos médicos, impedindo-os de acompanhar a grávida na fase pré-aborto, com a outra empurra, sem corda, para a falésia, este direito de agir segundo os seus princípios morais, religiosos ou humanitários, ao obrigar esses mesmos profissionais, "incompetentes e parciais", a que encaminhem a grávida até ao... aborto. Afinal, deve ou não o objector de consciência pronunciar-se? A partir de que fase tem competência, dignidade moral e isenção para intervir? Porque só é obrigado a intervir para que a prática do aborto, de que discorda, se concretize? Como será possível conciliar as duas imposições?A portaria indica que a objecção de consciência deve ser manifestada em documento (burocrático e mesmo insultuoso, porque parece desconhecer a ética médica), assinado pelo objector, o qual deve ser apresentado ao seu director clínico. Mas, certamente, apenas deverá competir a quem aprovou a lei, o Estado, divulgar onde o aborto poderá, infelizmente, vir a materializar-se. (...)
Assim sendo, e mesmo quando objector de consciência, nunca deixará o médico de tratar uma doente que, por causa de um aborto, sofra consequências. É, por isso mesmo, injustificado e insultuoso pretender que os médicos tenham de confirmar, por escrito, o seu respeito pela ética. (...)
No artigo 30.º do código, referente à objecção de consciência, diz-se claramente que o médico tem o direito de recusar a prática de actos da sua profissão quando tal entre em conflito com a sua consciência moral, religiosa ou humanitária ou contradiga o disposto no código deontológico.
Pontos essenciais, incluídos no juramento hipocrático, estão consagrados no artigo 47.º, onde se estabelece que o médico deve guardar respeito pela vida humana desde o seu início; que constitui falta deontológica grave a prática do aborto e da eutanásia; que esclarece, no entanto, que não é considerado aborto uma terapêutica imposta pela situação clínica do doente como único meio capaz de salvaguardar a sua vida.
É o caso-limite, do confronto entre duas vidas, das quais só uma poderá ser salva.
Sabendo-se, segundo a leges artis, que a ecografia é o meio mais fiável para datar uma gravidez, era bom que a lei dissesse se, neste momento, se conhece outro meio alternativo igualmente fiável para que seja possível dispensar a ecografia, que na lei deixou de ser obrigatória.
Assim sendo, esperamos que o Governo proceda à alteração da portaria referida, por considerar necessária e suficiente uma simples declaração, sob compromisso de honra profissional, dos médicos objectores de consciência."
Prof. Gentil Martins, Ex-bastonário da Ordem dos Médicos e ex-presidente da Associação Médica Mundial e da sua comissão de ética, in Público, de 17 de Julho de 2007
29.6.07
A guerra
"Entre 2002 e 2006, foram assassinados no Médio Oriente 729 menores. No mesmo período, foram assassinados no Rio de Janeiro 1857 jovens. É a guerra"
In Público
O Estado Brasileiro resolveu, através da Polícia Federal, cercar hoje a Rocinha e outras quatro favelas do Rio.
In Público
O Estado Brasileiro resolveu, através da Polícia Federal, cercar hoje a Rocinha e outras quatro favelas do Rio.
27.5.07
Um caso de polícia

Levantei-me e as nuvens continuam carregadas. Cor de chumbo. Nem parece Primavera.
Este tempo recorda-me o estado da política, da economia e da sociedade na Madeira. Apenas acrescentava-lhe o estado da justiça em Portugal.
O caso Madeleine Mccann colocou a nu a forma de agir das nossas polícias. Continuam a trabalhar à moda do século XIX, XVIII ou quem sabe XVI.? Viradas para dentro, para não ter que admitir, para cada uma delas. Parece-me que ainda não perceberam que a sociedade evoluiu. Que o mundo mudou. Não sei se é mais transparente, mas uma coisa é certa. Comunica mais.
Só tenho pena que tenham sido os ingleses a colocar o dedo na ferida. Como sabem, são presunçosos. Infelizmente, sinto que foi obrigado a vergar-me perante “Sua Majestade”.
Vamos aos factos. À moda portuguesa não existiam conferências de imprensa. Com o batalhão de jornalistas a especulação e o disse que, viu, supõe-se que aconteceu, seria o dia-a-dia da informação.
Numa sociedade mediatizada como a actual, até o Brasil dá cartas nesta matéria. Só o Portugal europeu, mas virado para o Atlântico, (USA e cultura anglo-saxónica) ainda não percebeu isso.
No meu país quando um cidadão roubado, um familiar de alguém se dirige à polícia para saber em que ponto está a investigação, a resposta é matemática: - ESTAMOS A INVESTIGAR!
Não há direito, a um mas; nem como, nem onde.
Nada! Caso a vítima insista ainda corre o risco de ser escorraçada. Em Portugal as polícias não dão justificações. São uma espécie intocável. Se dizem que estão a investigar, é que estão! Ponto final!
É também neste mesmo país que há investigações com 3 anos (caso Sofia de Câmara de Lobos), 9 anos (caso João Teles, também de Câmara de Lobos). São duas crianças madeirenses desaparecidas
Das outras investigações nem falo. A polícia chega ao cúmulo de dizer na cara dos familiares que só devem falar (com a polícia) quando tiverem provas. A isto chama-se demissão de funções e subversão, inaceitável, de quem deve investigar.
Será que vai existir um antes Madeleine Mccannn e um depois???????????
Este tempo recorda-me o estado da política, da economia e da sociedade na Madeira. Apenas acrescentava-lhe o estado da justiça em Portugal.
O caso Madeleine Mccann colocou a nu a forma de agir das nossas polícias. Continuam a trabalhar à moda do século XIX, XVIII ou quem sabe XVI.? Viradas para dentro, para não ter que admitir, para cada uma delas. Parece-me que ainda não perceberam que a sociedade evoluiu. Que o mundo mudou. Não sei se é mais transparente, mas uma coisa é certa. Comunica mais.
Só tenho pena que tenham sido os ingleses a colocar o dedo na ferida. Como sabem, são presunçosos. Infelizmente, sinto que foi obrigado a vergar-me perante “Sua Majestade”.
Vamos aos factos. À moda portuguesa não existiam conferências de imprensa. Com o batalhão de jornalistas a especulação e o disse que, viu, supõe-se que aconteceu, seria o dia-a-dia da informação.
Numa sociedade mediatizada como a actual, até o Brasil dá cartas nesta matéria. Só o Portugal europeu, mas virado para o Atlântico, (USA e cultura anglo-saxónica) ainda não percebeu isso.
No meu país quando um cidadão roubado, um familiar de alguém se dirige à polícia para saber em que ponto está a investigação, a resposta é matemática: - ESTAMOS A INVESTIGAR!
Não há direito, a um mas; nem como, nem onde.
Nada! Caso a vítima insista ainda corre o risco de ser escorraçada. Em Portugal as polícias não dão justificações. São uma espécie intocável. Se dizem que estão a investigar, é que estão! Ponto final!
É também neste mesmo país que há investigações com 3 anos (caso Sofia de Câmara de Lobos), 9 anos (caso João Teles, também de Câmara de Lobos). São duas crianças madeirenses desaparecidas
Das outras investigações nem falo. A polícia chega ao cúmulo de dizer na cara dos familiares que só devem falar (com a polícia) quando tiverem provas. A isto chama-se demissão de funções e subversão, inaceitável, de quem deve investigar.
Será que vai existir um antes Madeleine Mccannn e um depois???????????
22.5.07
Portugal é Lisboa e o resto é paisagem

O programa versava a temática dos corredores do poder e pretendia analisar a forma como a sociedade portuguesa olhava as políticas e os políticos. Ficámos apenas por uma análise dos problemas de Lisboa. Má, ainda por cima!
Razão tinha o vilhão madeirense quando, confrontado com uma partida para o território continental, afirmava: ele vai pa lisbaua, independente do local de destino. Porque para as cabeças bem pensantes lisboetas, Portugal é apenas Lisboa e o resto é paisagem.
21.5.07
Pecados da Direita

Não é de agora. Desde há algum tempo que não me revejo nos discursos dos políticos de Direita (para que conste, também não me revejo nos da Esquerda, mas isso não é novo). A Direita portuguesa parece que esqueceu que também defende valores que vão muito além do discurso económico. É certo que, tal como na Esquerda, existem direitas para todos os gostos. Mas a verdade é que desde há uns anos estas apenas falam economicês, onde abundam vocábulos como eficácia, eficiência, produtividade. A Direita já não tem discurso político, tem apenas discurso económico. O próprio liberalismo, que na sua génese foi uma corrente política de vanguarda no combate ao despotismo, hoje mais não é do que a Guarda Pretoriana do capitalismo.
Sintomático é o desdém com que esta Direita executiva olha para questões de civilização, as denominadas questões fracturantes.
É legítima a desconfiança dos motivos que levam este PS a sacar de tais questões. É óbvio que não passam de fait-divers do bacharel Sócrates (desculpem, mas o tipo não é engenheiro e também não reconheço qualquer validade àquela licenciatura manhosa), em momentos de alguma aflição, bem como para contento dos (poucos) socialistas que ainda existem no PS.
Todavia, apesar de reconhecer estas manobras de diversão, a Direita não se pode alhear, suicidariamente, de questões de civilização, como é a questão do Divórcio.
Por isso saúdo o aparecimento de correntes dentro do CDS-PP, como foi o caso da ala liberal, liderada por Pires de Lima.
Não concordo com a posição por eles defendida, mas não posso deixar de reconhecer a importância que foi dada ao tema e que centralizou o discurso político desta ala no último congresso dos populares. É importante que a Direita mostre que também defende valores. Neste caso foi uma corrente liberal, gostaria que a corrente democrata-cristã (será que ainda existe em Portugal?) também assumisse a sua posição de forma clara e sem sub-refúgios. Tem que deixar de ser sacrilégio afirmarmo-nos conservadores (infelizmente, o conservadorismo em Portugal é envergonhado, refém da leitura provinciana que Salazar fez desta práxis política).
Mas tudo isto a propósito da proposta de lei apresentada pelo BE na Assembleia da República, agora repescada pela direcção do PS.
Reconheço que tenho opinião fácil e por vezes insuficientemente fundamentada. Mas, nesta questão não tenho dúvidas: permitir a anulação do casamento a pedido de um dos cônjuges é aprofundar o individualism já reinamente na nossa sociedade. Será a vitória final do Homem Light de Enrique Rojas. A pretexto da defesa da liberdade individual, são os políticos e indicarem a via do imediato, como o caminho a percorrer. E este caminho eu recurso a trilhar.
PS - Não sou casado por opção. E tal como eu, qualquer nubente tem o direito de escolher, porque o casamento não é uma fatalidade.
Capa do livro O Homem Light, de Enrique Rojas
18.5.07
Não é ético, é estético!
16.5.07
Sem vontade!
Ando sem qualquer vontade de escrever. De resto, também a actualidade não é rica em acontecimentos que me suscitem algum interesse. Nem as eleições de Lisboa, nem mesmo a idiotice que foi aquele post do blog do PS (estão loucos, não estão?). Nem sequer as mensagens completamente absurdas que a Direcção do PS - Madeira enviou na noite das eleições aos militantes socialistas - que obtive através de um amigo de longa data e meu ex-professor e que, sendo socialista, não compactuou com o absurdo que foi o reinado de Jacinto Serrão).
Sendo assim, deixo-vos com uma foto do paraíso e uma bonita melodia de Geoffrey Oryema.
Divirtam-se!
PS - É Gonçalo, pode parecer ridículo, mas também eu tenha uma fezada... Só que no Benfica! Ainda assim, acho que na segunda-feira quem se ri é o Dragão.
PS2 - Oiçam toda a melodia. Quem gosta de música não se arrependerá!
15.5.07
Direito à crítica (a altura da relva na área do guarda-redes)
Não me compete, de forma alguma, comentar textos publicados nos jornais. E raramente o faço. Fui jornalista durante tempo suficiente para perceber que muitas vezes as informações recolhidas no terreno levam os profissionais a valorizar factos, por vezes menos importantes, em deterimento de outros, se calhar bastante mais significativos. Aconteceu-me muitas vezes. Em condições normais não vejo, por isso, em cada texto jornalístico uma espécie de elemento de uma cabala contra "A", "B" ou "C".
Este esclarecimento vem a propósito de um texto hoje publicado no Diário, com chamada à primeira página. E que vou comentar, abrindo uma excepção.
O trabalho do meu amigo Ricardo Freitas conduz - inadvertidamente, estou em crer - o publico a encarar a Feira do Livro 2007 como um espaço onde os livros estão fechados em local quase inacessivel, protegidos pela altura dos balcões dos stands. Essa "barreira", conclui um leitor menos atento, marca o evento de forma indelével, contribuindo, quiçá, para afastar os espirítos menos tenazes do universo da leitura!
No texto do Ricardo, que se supõe ser um balanço intermédio ao evento, não há uma única referência a uma série de projectos postos em práctica este ano e que são absolutamente inovadores por cá. E que têm tido excelente aceitação por parte do público.
Basicamente, foi como ir ao Estádio dos Barreiros fazer um relato de um jogo e gritar, ao intervalo, que o elemento mais significativo da primeira parte fora... a altura da relva na área do guarda-redes. Esquecendo quantos ataques cada equipa fizera, quantos remates tinham seguido para a baliza e quantos fora-de-jogo assinalara o fiscal de linha.
Convém por isso esclarecer o equívoco.
Em primeiro lugar, os stands são cerca de 5 cm mais altos em comparação com aqueles que foram utilizados em anos anteriores. Mas permitem mais espaço para arrumação - consequentemente mais livros - e mais gente para informar os leitores.
Não me parece que o sucesso ou insucesso de uma Feira, ou que a qualidade (ou falta dela) de uma organização se possa medir por 5 cm. E muito menos que o apelo e o incentivo à leitura tenham alguma coisa a ver com a altura dos pavilhões. Embora, voltando aos treinadores de futebol, alguns utilizem desculpas como altura da relva na área do guarda-redes!
E então vamos aos factos, ou seja, àquilo que não foi escrito pelo Ricardo.
Este ano fez-se um esforço notável para angariar novos leitores. Que se traduziu na criação de eventos e de actividades como o "Ler a Andar". No primeiro dia do evento, 14 alunos do Conservatório fizeram dezenas de carreiras dos Horários do Funchal, devidamente identificados, a ler pequenas obras de escritores como Helena Marques, José Viale Moutinho, Rui Fino, Tolentino Mendonça e José Agostinho Baptista. Enquanto liam, distribuíam livros pelos passageiros, ou por quem estava nas paragens. E anunciavam a Feira. A Câmara Municipal do Funchal e a organização distribuiram, nos primeiros dias do certame, 10.000 livros. De forma absolutamente gratuita.
Este ano promoveu-se um concurso entre as escolas secundárias da Região. Participam 11 establecimentos de ensino de quase todos os concelhos, que se prepararam durante meses e que constituiram equipas de sete elementos para disputar, no auditório do Jardim Municipal, um concurso que ontem (primeira sessão) levou centenas de pessoas ao Jardim.
Este ano criaram-se, ao fim-de-semana, percursos pedonais pela baixa do Funchal, começando e acabando no recinto da Feira. Ao logo do passeio, os concorrentes (equipas) são obrigados a passar por vários pontos, respondendo a questões relacionadas com o Funchal e com livros. Sábado, primeiro dia do evento, participaram nele mais de 150 pessoas.
Este ano todas as apresentações de livros foram feitas em espaço aberto. Tornando-as mais visiveis e permitindo a participação de mais gente. De pessoas que, muitas vezes, não frequentam círculos culturais redondos e fechados. Rogério Marques, um estreante, apresentou um livro e conseguiu que a ficassem ocupados todos os locais disponíveis na plateia. É um bom exemplo.
Este ano foram criados espaços para os mais novos. Ateliers infantis que funcionam ao fim de semana, e nos quais os miúdos têm livros à disposição (em pequenas mesas, convém esclarecer), ouvem histórias - Irene Lucilia foi a narradora do fim de semana passado - vêem sessões de teatro de fantoches (Companhia de Teatro de Bonifrates, de Maria Aurora), têem workshops sobre o manuseamento de fantoches entre outras actividades. Sábado e domingo passados o atelier infantil recebeu centenas de crianças.
Este ano fez-se uma leitura colectiva de uma obra de um dos escritores madeirenses que mais se recomendam. Sábado passado, dezenas de pessoas de todos os quadrantes sociais leram extratos de "Ilhéus", de Horácio Bento de Gouveia. Gente conhecida e gente anónima partilhou o prazer da ler. E de ouvir.
Este ano a organização incluiu no programa da Festa do Livro uma peça de Teatro da Companhia Com.Tema. "Comichão Europeia", de Nuno Morna.
Este ano a Feira está mais bonita. Há mais gente a circular por entre os stands.
Este ano há mais participação de gente nova.
Este ano, provavelmente, vender-se-ão mais livros que em anos anteriores.
Este ano, até a Livraria Esperança, a maior do país, veio à Feira.
Este ano deram-se oportunidades às bandas regionais, aos musicos do conservatório ou do Gabinete Coordenador de Educação Artística.
Este ano deram-se oportunidade aos escritores madeirenses. A quem quer mostrar aquilo que faz, mesmo que não agrade a uma certa elite instituida.
Este ano procurou-se inovar.
Este ano o Diário faz uma primeira página com uma diferença de 5 cm. Que ainda por cima já tinha sido falada na comunicação social. Que ainda por cima já tinha sido assumida como erro pela organização. Erro a corrigir em edições futuras.
Neste, como em qualquer ano, dia, ou mês, a critica é sempre bem vinda. É absolutamente necessária. No caso em apreço, entendo que se critique o formato ou a dimensão dos stands. E a altura dos respectivos balcões. Mas não entendo que numa análise se sobrevalorize essa variável, subvalorizando, ou mesmo esquecendo, todas as outras.
É como dizer que se ganhou, ou se perdeu, por causa do tamanho da relva na área do guarda-redes!
Só para concluir, que fique bem claro que faço este texto como leitor. E não noutra condição qualquer. E já agora, repito, tenho grande respeito profissional e pessoal pelo Ricardo, a quem prezo como amigo.
E para que não fiquem dúvidas, nada me move contra o Diário, antes pelo contrário. Continuo a considerar aquela como sendo a casa onde passei alguns dos melhores anos da minha vida. E onde aprendi tudo o que sei sobre jornalismo. Uma casa de bons profissionais, onde se faz excelente jornalismo. Mas desta vez o Diário (e o Ricardo) falharam. E da mesma maneira que têm o direito à crítica, têm também de assumir a crítica como algo próprio.
Este esclarecimento vem a propósito de um texto hoje publicado no Diário, com chamada à primeira página. E que vou comentar, abrindo uma excepção.
O trabalho do meu amigo Ricardo Freitas conduz - inadvertidamente, estou em crer - o publico a encarar a Feira do Livro 2007 como um espaço onde os livros estão fechados em local quase inacessivel, protegidos pela altura dos balcões dos stands. Essa "barreira", conclui um leitor menos atento, marca o evento de forma indelével, contribuindo, quiçá, para afastar os espirítos menos tenazes do universo da leitura!
No texto do Ricardo, que se supõe ser um balanço intermédio ao evento, não há uma única referência a uma série de projectos postos em práctica este ano e que são absolutamente inovadores por cá. E que têm tido excelente aceitação por parte do público.
Basicamente, foi como ir ao Estádio dos Barreiros fazer um relato de um jogo e gritar, ao intervalo, que o elemento mais significativo da primeira parte fora... a altura da relva na área do guarda-redes. Esquecendo quantos ataques cada equipa fizera, quantos remates tinham seguido para a baliza e quantos fora-de-jogo assinalara o fiscal de linha.
Convém por isso esclarecer o equívoco.
Em primeiro lugar, os stands são cerca de 5 cm mais altos em comparação com aqueles que foram utilizados em anos anteriores. Mas permitem mais espaço para arrumação - consequentemente mais livros - e mais gente para informar os leitores.
Não me parece que o sucesso ou insucesso de uma Feira, ou que a qualidade (ou falta dela) de uma organização se possa medir por 5 cm. E muito menos que o apelo e o incentivo à leitura tenham alguma coisa a ver com a altura dos pavilhões. Embora, voltando aos treinadores de futebol, alguns utilizem desculpas como altura da relva na área do guarda-redes!
E então vamos aos factos, ou seja, àquilo que não foi escrito pelo Ricardo.
Este ano fez-se um esforço notável para angariar novos leitores. Que se traduziu na criação de eventos e de actividades como o "Ler a Andar". No primeiro dia do evento, 14 alunos do Conservatório fizeram dezenas de carreiras dos Horários do Funchal, devidamente identificados, a ler pequenas obras de escritores como Helena Marques, José Viale Moutinho, Rui Fino, Tolentino Mendonça e José Agostinho Baptista. Enquanto liam, distribuíam livros pelos passageiros, ou por quem estava nas paragens. E anunciavam a Feira. A Câmara Municipal do Funchal e a organização distribuiram, nos primeiros dias do certame, 10.000 livros. De forma absolutamente gratuita.
Este ano promoveu-se um concurso entre as escolas secundárias da Região. Participam 11 establecimentos de ensino de quase todos os concelhos, que se prepararam durante meses e que constituiram equipas de sete elementos para disputar, no auditório do Jardim Municipal, um concurso que ontem (primeira sessão) levou centenas de pessoas ao Jardim.
Este ano criaram-se, ao fim-de-semana, percursos pedonais pela baixa do Funchal, começando e acabando no recinto da Feira. Ao logo do passeio, os concorrentes (equipas) são obrigados a passar por vários pontos, respondendo a questões relacionadas com o Funchal e com livros. Sábado, primeiro dia do evento, participaram nele mais de 150 pessoas.
Este ano todas as apresentações de livros foram feitas em espaço aberto. Tornando-as mais visiveis e permitindo a participação de mais gente. De pessoas que, muitas vezes, não frequentam círculos culturais redondos e fechados. Rogério Marques, um estreante, apresentou um livro e conseguiu que a ficassem ocupados todos os locais disponíveis na plateia. É um bom exemplo.
Este ano foram criados espaços para os mais novos. Ateliers infantis que funcionam ao fim de semana, e nos quais os miúdos têm livros à disposição (em pequenas mesas, convém esclarecer), ouvem histórias - Irene Lucilia foi a narradora do fim de semana passado - vêem sessões de teatro de fantoches (Companhia de Teatro de Bonifrates, de Maria Aurora), têem workshops sobre o manuseamento de fantoches entre outras actividades. Sábado e domingo passados o atelier infantil recebeu centenas de crianças.
Este ano fez-se uma leitura colectiva de uma obra de um dos escritores madeirenses que mais se recomendam. Sábado passado, dezenas de pessoas de todos os quadrantes sociais leram extratos de "Ilhéus", de Horácio Bento de Gouveia. Gente conhecida e gente anónima partilhou o prazer da ler. E de ouvir.
Este ano a organização incluiu no programa da Festa do Livro uma peça de Teatro da Companhia Com.Tema. "Comichão Europeia", de Nuno Morna.
Este ano a Feira está mais bonita. Há mais gente a circular por entre os stands.
Este ano há mais participação de gente nova.
Este ano, provavelmente, vender-se-ão mais livros que em anos anteriores.
Este ano, até a Livraria Esperança, a maior do país, veio à Feira.
Este ano deram-se oportunidades às bandas regionais, aos musicos do conservatório ou do Gabinete Coordenador de Educação Artística.
Este ano deram-se oportunidade aos escritores madeirenses. A quem quer mostrar aquilo que faz, mesmo que não agrade a uma certa elite instituida.
Este ano procurou-se inovar.
Este ano o Diário faz uma primeira página com uma diferença de 5 cm. Que ainda por cima já tinha sido falada na comunicação social. Que ainda por cima já tinha sido assumida como erro pela organização. Erro a corrigir em edições futuras.
Neste, como em qualquer ano, dia, ou mês, a critica é sempre bem vinda. É absolutamente necessária. No caso em apreço, entendo que se critique o formato ou a dimensão dos stands. E a altura dos respectivos balcões. Mas não entendo que numa análise se sobrevalorize essa variável, subvalorizando, ou mesmo esquecendo, todas as outras.
É como dizer que se ganhou, ou se perdeu, por causa do tamanho da relva na área do guarda-redes!
Só para concluir, que fique bem claro que faço este texto como leitor. E não noutra condição qualquer. E já agora, repito, tenho grande respeito profissional e pessoal pelo Ricardo, a quem prezo como amigo.
E para que não fiquem dúvidas, nada me move contra o Diário, antes pelo contrário. Continuo a considerar aquela como sendo a casa onde passei alguns dos melhores anos da minha vida. E onde aprendi tudo o que sei sobre jornalismo. Uma casa de bons profissionais, onde se faz excelente jornalismo. Mas desta vez o Diário (e o Ricardo) falharam. E da mesma maneira que têm o direito à crítica, têm também de assumir a crítica como algo próprio.
11.5.07
Festa do Livro
Começa hoje a Festa do Livro - 33ª Feira do Livro do Funchal. Com novidades do programa. A não perder...
10.5.07
Pergunta
E se Madeleine se chamasse Madalena? Abriria durante tantos dias o Telejornal?
Honestamente, gostaria que este caso se resolvesse e que a menina aparecesse sã e salva. A pergunta não traduz falta de compaixão pelo caso em apreço.
Honestamente, gostaria que este caso se resolvesse e que a menina aparecesse sã e salva. A pergunta não traduz falta de compaixão pelo caso em apreço.
5.4.07
Os nomes não dizem tudo

Era comum, na Grécia antiga, que os sábios não tivessem qualquer especialização, sendo sabedores de muitas artes, como matemática, filosofia, astronomia, biologia, Música, etc. Aliás, quem ler qualquer biografia de um qualquer filósofo grego, encontrará, sempre a referência deliciosa: Sábio em geral.
Veja-se o exemplo de Sócrates (Σωκράτης, para que não haja confusões): grande formação em literatura e música, especialista em política, filósofo fundador do pensamento ocidental, foi um sábio em geral. Apesar de não se lhe reconhecer qualquer curso, afinal à época não haviam canudos, sabe-se que aprendeu muitas coisas com mestres conhecidos e com outros mais anónimos. As referências elogiosas dos seus seguidores, alguns deles igualmente sábios em geral, são disso desmontrativas. Diz-se que tinha o gosto por rapazinhos, mas que raio, não se pode ser perfeito e a relação amorosa entre mestre e discípulo era comum naqueles tempos.
Comparando com o seu homónimo português, encontramos algumas características algo comuns, para além do nome:
- nenhum deles é detentor do grau académico de licenciatura;
- ambos tiveram incursões na política.
Todavia, neste caso, como em tantos outros, é mais o que os separa do que os une. O primeiro era um orador nato, o segundo sonha em sê-lo; o grego gostava do diálogo, o português foge dele; o filósofo criou o método da maiêutica para desconstruir a ilusão de saber, o PM português vive na ilusão que sabe; um é óptimo a expor ao ridículo os seus adversários, o outro é fabuloso a expor-se a ele próprio; o primeiro conquistou discípulos, o segundo nunca sequer foi discípulo, quanto mais mestre. O grego bebeu sicuta e dignamente recusou fugir ou humilhar-se a clamar perdão, o português virá mentir para a TV inventando cabalas contra si próprio.
Definitivamente, os nomes não dizem tudo acerca de uma pessoa.
PS1: Esta novela na pseudo-licenciatura de José Sócrates só não é de levar às lágrimas, porque é extremamente grave. Porque é uma fraude. E o pior disto tudo, é que de certeza que nada acontecerá à Independente. Porque os favores são para se pagar.
PS2: Como muito bem demonstrou ontem Ricardo Costa, com aquele diz e desdiz, a comunicação social portuguesa não é livre. O medo há muito que está instalado! Afinal, existem muitos telhados de vidro.
PS3: Apesar do exemplo de Jesus, nem sempre é fácil perdoar aqueles “que não sabem o que fazem”. Mas faremos esse sacrifício.
Veja-se o exemplo de Sócrates (Σωκράτης, para que não haja confusões): grande formação em literatura e música, especialista em política, filósofo fundador do pensamento ocidental, foi um sábio em geral. Apesar de não se lhe reconhecer qualquer curso, afinal à época não haviam canudos, sabe-se que aprendeu muitas coisas com mestres conhecidos e com outros mais anónimos. As referências elogiosas dos seus seguidores, alguns deles igualmente sábios em geral, são disso desmontrativas. Diz-se que tinha o gosto por rapazinhos, mas que raio, não se pode ser perfeito e a relação amorosa entre mestre e discípulo era comum naqueles tempos.
Comparando com o seu homónimo português, encontramos algumas características algo comuns, para além do nome:
- nenhum deles é detentor do grau académico de licenciatura;
- ambos tiveram incursões na política.
Todavia, neste caso, como em tantos outros, é mais o que os separa do que os une. O primeiro era um orador nato, o segundo sonha em sê-lo; o grego gostava do diálogo, o português foge dele; o filósofo criou o método da maiêutica para desconstruir a ilusão de saber, o PM português vive na ilusão que sabe; um é óptimo a expor ao ridículo os seus adversários, o outro é fabuloso a expor-se a ele próprio; o primeiro conquistou discípulos, o segundo nunca sequer foi discípulo, quanto mais mestre. O grego bebeu sicuta e dignamente recusou fugir ou humilhar-se a clamar perdão, o português virá mentir para a TV inventando cabalas contra si próprio.
Definitivamente, os nomes não dizem tudo acerca de uma pessoa.
PS1: Esta novela na pseudo-licenciatura de José Sócrates só não é de levar às lágrimas, porque é extremamente grave. Porque é uma fraude. E o pior disto tudo, é que de certeza que nada acontecerá à Independente. Porque os favores são para se pagar.
PS2: Como muito bem demonstrou ontem Ricardo Costa, com aquele diz e desdiz, a comunicação social portuguesa não é livre. O medo há muito que está instalado! Afinal, existem muitos telhados de vidro.
PS3: Apesar do exemplo de Jesus, nem sempre é fácil perdoar aqueles “que não sabem o que fazem”. Mas faremos esse sacrifício.
Boa Páscoa a todos os leitores da Conspiração.
23.3.07
Coisas de macho

Ando a ler uma coisa interessante, de Elisabeth Badinter: XY Identidade Masculina. Gosto especialmente da tónica colocada no facto da identidade masculina ser um processo muito mais traumatizante do que a criação da identidade feminina. Os homens são verdadeiros traumatizados, por isso todo o machismo posterior apenas repõe a igualdade questionada pela natureza. Gostei!
Roubada daqui.
Sociedade equivocada

Que sociedade é esta em que se celebra a estupidez e existam pessoas que não se coíbam de desfilar toda a sua ignorância? Em nome de quê?
Roubada daqui.
20.3.07
Deve ter sido do vento...
Esta manhã, a Avenida do Mar pareceu-me tão bonita outra vez... Deve ter sido do vento de ontem, não sei. Mas lá que me pareceu bonita, sem objectos estranhos presos por cordas, pareceu-me... Deve ter sido do vento!
16.3.07
Playground
Na Ponta do Sol, o interesse público continua a ceder ao privado. A demolição de um edificío classificado no centro da localidade é o último exemplo. Não se pode pura e simplesmente fazer desaparecer uma terra para dar lugar a hóteis e estalagens. Não se pode.
E aquela que poderia ser uma das mais simpáticas vilas da ilha está já transformada, pura e simplesmente, numa espécie de Playground para os (poucos) turistas que se hospedam por lá. Não tem alma, não tem vida e não tem gente. É pena, de facto.
E aquela que poderia ser uma das mais simpáticas vilas da ilha está já transformada, pura e simplesmente, numa espécie de Playground para os (poucos) turistas que se hospedam por lá. Não tem alma, não tem vida e não tem gente. É pena, de facto.
6.3.07
Morreu Miguel Baptista Pereira

Morreu ontem, dia 5 de Março, Miguel Baptista Pereira. Com o homem, morreu uma das mentes portuguesas mais brilhantes do século XX.
Para quem não conhece, Miguel Baptista Pereira era professor catedrático reformado, leccionou durante décadas na Universidade de Coimbra, foi director do Instituto de Estudos Filosóficos da Faculdade de Letras, foi investigador da Faculdade de Ciência e Tecnologia e tem uma produção filológica e filosófica bastante intensa, com estudos publicados sobre as mais variadas temáticas. Especialista em Filosofia Moderna, escreveu sobre quase tudo, desde o sentido da vida à tecnologia, passando pela educação, comunicação, hermenêutica, ética e bioética, antropologia filosófica, enfim....
Para quem não conhece, Miguel Baptista Pereira era professor catedrático reformado, leccionou durante décadas na Universidade de Coimbra, foi director do Instituto de Estudos Filosóficos da Faculdade de Letras, foi investigador da Faculdade de Ciência e Tecnologia e tem uma produção filológica e filosófica bastante intensa, com estudos publicados sobre as mais variadas temáticas. Especialista em Filosofia Moderna, escreveu sobre quase tudo, desde o sentido da vida à tecnologia, passando pela educação, comunicação, hermenêutica, ética e bioética, antropologia filosófica, enfim....
Ao contrário da praxis portuguesa, Baptista Pereira não se limitava a estudar o passado: questionava-se e questionava o futuro, sem receio do progresso científico mas profundamente preocupado com as implicações éticas que daí, obrigatoriamente, derivam.
Não tive o privilégio de ter sido seu aluno. Miguel Baptista Pereira reformou-se andava eu no 2º ano de curso (apenas leccionava no 4º), mas era uma lenda entre todos nós. Aliás, Miguel Baptista Pereira era uma lenda em Coimbra: ainda há bem pouco tempo era comum vê-lo no Largo da Portagem, numa esplanada ou dentro de uma qualquer pastelaria a ser questionado por quem quer que o reconhecesse. Quem não o conhecia, jamais suspeitaria que debaixo do casaco roçado (quantos anos teria?) e a coberto daquele cabelo (é difícil arranjar um adjectivo simpático, que caracterize), morava uma mente brilhante. Era preciso falar um pouco com ele, para perceber o quão genial se revelava.
A sua morte, é uma perda terrível para a Coimbra, para a Filosofia e para Portugal.
Deixo-vos as palavras bem mais eloquentes de Maria de Jesus Fonseca, sobre Miguel Baptista Pereira: (...) por ser uma daquelas raras personalidades que se sabe fazer amar pelos alunos; pelo seu imenso saber e pela actualidade desse saber; pela sua espantosa facilidade de nos fazer ver relações onde não as suspeitávamos, pelo seu domínio amadurecido de todo o pensamento filosófico e mesmo cultural, pela sua clareza e profundidade.
Não tive o privilégio de ter sido seu aluno. Miguel Baptista Pereira reformou-se andava eu no 2º ano de curso (apenas leccionava no 4º), mas era uma lenda entre todos nós. Aliás, Miguel Baptista Pereira era uma lenda em Coimbra: ainda há bem pouco tempo era comum vê-lo no Largo da Portagem, numa esplanada ou dentro de uma qualquer pastelaria a ser questionado por quem quer que o reconhecesse. Quem não o conhecia, jamais suspeitaria que debaixo do casaco roçado (quantos anos teria?) e a coberto daquele cabelo (é difícil arranjar um adjectivo simpático, que caracterize), morava uma mente brilhante. Era preciso falar um pouco com ele, para perceber o quão genial se revelava.
A sua morte, é uma perda terrível para a Coimbra, para a Filosofia e para Portugal.
Deixo-vos as palavras bem mais eloquentes de Maria de Jesus Fonseca, sobre Miguel Baptista Pereira: (...) por ser uma daquelas raras personalidades que se sabe fazer amar pelos alunos; pelo seu imenso saber e pela actualidade desse saber; pela sua espantosa facilidade de nos fazer ver relações onde não as suspeitávamos, pelo seu domínio amadurecido de todo o pensamento filosófico e mesmo cultural, pela sua clareza e profundidade.
16.2.07
Vulgarização do aborto já começou!

Parece que a Esquerda portuguesa, a começar pelo PS, não quer consultas de aconselhamento para as mulheres que pretendam abortar. A vulgarização do aborto, que ninguém queria reconhecer, já começou. Para quê aconselhar, se o aborto é pura e simplesmente um acto médico?, questiona esta Esquerda lúcida, esclarecida e moderna. Por isso é que os movimentos defensores do Sim não queriam discutir a regulamentação da lei. Porque nunca reconheceram qualquer dignidade à vida humana intra-uterina, mas sabiam que não o poderiam assumir. Para eles, o feto mais não passa de um conjunto amorfo de células sem qualquer importância. É um apêndice no corpo da mulher, podendo esta dispor dele como muito bem lhe aprouver. Se quiser tirá-lo, pois bem, esteja à vontade. É um direito que lhe assiste.
Espero é que depois disto, a hipocrisia (curiosa, esta inversão do adjectivo) acabe e que odetes, chiquinhos, jominhos, zezinhos, coelhinhos e outros que tais não se atrevam a afirmar que são contra o aborto. Porque não pode ser contra o aborto quem não acha importante aconselhar e mesmo dissuadir a realização desta aberração. Porque não pode ser contra o aborto quem não considera importante que seja demonstrada à mulher fragilizada que existem alternativas ao aborto. Que por muito que a gravidez esteja a ser vista como um problema insolúvel, poderão haver soluções menos definitivas e violentas para a mulher e para a vida que carrega dentro de si. Não pode ser contra o aborto quem não acha importante a presença de um psicólogo e mesmo de um assistente social numa consulta de aconselhamento.
A argumentação desta gente miserável é a de que o objecto do referendo estaria a ser subvertido e acenam logo com um alegado condicionalismo ao poder de decisão da mulher, esquecendo que nenhum aconselhamento é vinculativo. No final, haja ou não tentativa de dissuasão, a decisão última será sempre da mulher. Portanto, deixem-se lá de retóricas idiotas e assumam que nesta questão, apenas é equacionada a liberdade da mulher. Que não existe mais nenhum elemento que deva ser ponderado. Que o aborto é uma coisa normal e vulgar e que deve ser entendido como tal.
O que sinto hoje é uma revolta do tamanho do mundo! Portanto, não me venham pedir que seja racional, perante esta total e absurda irracionalidade. Definitivamente vivemos numa cultura decadente!
A argumentação desta gente miserável é a de que o objecto do referendo estaria a ser subvertido e acenam logo com um alegado condicionalismo ao poder de decisão da mulher, esquecendo que nenhum aconselhamento é vinculativo. No final, haja ou não tentativa de dissuasão, a decisão última será sempre da mulher. Portanto, deixem-se lá de retóricas idiotas e assumam que nesta questão, apenas é equacionada a liberdade da mulher. Que não existe mais nenhum elemento que deva ser ponderado. Que o aborto é uma coisa normal e vulgar e que deve ser entendido como tal.
O que sinto hoje é uma revolta do tamanho do mundo! Portanto, não me venham pedir que seja racional, perante esta total e absurda irracionalidade. Definitivamente vivemos numa cultura decadente!
Musical Hair.
13.2.07
Zero(s)
O resultado do referendo, na Madeira, provou mais uma vez o que valem eleitoralmente a dona Violante SARAMAGO, o sr. Serrão, o Dr. Maximiano, a dona Aurora e companhia: um grande e redondo zero.
10.2.07
O mal dos outros
Um dia destes dei boleia a dois jovens.
Disseram que o destino era o Entreposto da Cancela.
Eu não lhes perguntei nada, mas fizeram questão Justificar a viagem: – vou receber umas “massas” que o patrão me deve!
Não sei porque é que os toxicodependentes insistem, em não assumir a verdade.
É óbvio que o objectivo era comprar produto.
Ainda falamos do jogo, Portugal – Brasil, do tempo, da vida que estava difícil para eles, mas que eu estava bem…. Às tantas, o que ia no banco da frente adiantou mais qualquer coisa. Isto depois do intenso cheiro a cigarro já ter poluído o ar do habitáculo do carro. Ainda tentei olhar de esguelha, para ver se o que estava sentado ao meu lado tinha o braço picado. Foi quando disse que o destino era a Camacha (Bairro da Nogueira). A Justificação foi que tinha que chegar cedo, caso contrário, já não apanhava o patrão. Ainda olhei para o relógio para confirmar a hora. Já passavam 35 minutos do meio-dia.
Deixei-os no local que pediram, com a certeza de que os toxicodependentes são os únicos que não querem enxergar o mal.
Disseram que o destino era o Entreposto da Cancela.
Eu não lhes perguntei nada, mas fizeram questão Justificar a viagem: – vou receber umas “massas” que o patrão me deve!
Não sei porque é que os toxicodependentes insistem, em não assumir a verdade.
É óbvio que o objectivo era comprar produto.
Ainda falamos do jogo, Portugal – Brasil, do tempo, da vida que estava difícil para eles, mas que eu estava bem…. Às tantas, o que ia no banco da frente adiantou mais qualquer coisa. Isto depois do intenso cheiro a cigarro já ter poluído o ar do habitáculo do carro. Ainda tentei olhar de esguelha, para ver se o que estava sentado ao meu lado tinha o braço picado. Foi quando disse que o destino era a Camacha (Bairro da Nogueira). A Justificação foi que tinha que chegar cedo, caso contrário, já não apanhava o patrão. Ainda olhei para o relógio para confirmar a hora. Já passavam 35 minutos do meio-dia.
Deixei-os no local que pediram, com a certeza de que os toxicodependentes são os únicos que não querem enxergar o mal.
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