26.12.09

Publicidade

Há gestos que não devem ser publicitados.
O cónego Martins, ex-padre da Sé, criticou as empresas e os particulares que, no Natal - e apenas nesta altura do ano, fazem caridade. Pior, é expor o acto na comunicação social.
Foi na missa das 10 horas, deste sábado, em Machico.
O Cónego explicou que a solidariedade, não deve “ferir a dignidade” de quem precisa de ajuda. A pobreza, ou os pobres, são uma coisa muito “séria”, referiu o sacerdote.
Identifico-me com a ideia. O cónego não referiu nomes, mas recordo-me de duas instituições: - da RTP-Madeira e da Juventude Popular (JP). As duas foram notícia porque entregaram donativos. A RTP-Madeira aos sem abrigo e a JP ao Centro da Mãe.
Infelizmente, o que o cónego Martins diz na missa já não é notícia. Está distante dos holofotes dos média.

23.12.09

Não é mesma coisa

Na minha casa já não existe Natal.
O pinheiro foi substituído por um objecto artificial. Não cheira, não cai ramos no chão….não é a mesma coisa.
Era eu o caçador de pinheiros. Cheguei a sair de manhã de casa e só regressei ao fim do dia. Não era uma tarefa fácil, encontrar um pinheiro decente para o pai natal. Não tinha consciência, mas acredito que era uma espécie de, Robin dos Bosques.

Ia com os meus vizinhos. Recordo-me de fazermos quilómetros e quilómetros, no meio de acácias, quando o que nós queríamos eram pinheiros; rasgar silvado, feiteira, à procura da árvore ideal. Aconteceu várias vezes, estarmos num monte e avistarmos no vale oposto um pinhal. Corríamos para lá, quando chegávamos eram pinheiros com mais 8 10, 15 e 20 metros de altura. Nem um pinheirinho para o pai natal. Passávamos horas e horas nisto.

Depois, deixei de ter “tempo” e ia ao Santo da Serra buscar um pinheiro. Mais tarde, já existiam pinheiros à venda em todo o lado, até que alguém comprou um pinheiro de plástico para casa…..

22.12.09

Nota 10

Os últimos dias serviram-me para testar o Serviço Regional de Saúde.

Sábado, após me ter atirado de uma escada, para não cair no chão como um boneco da banda desenhada, foi obrigado a ir à urgência do Hospital. A minha entrada aconteceu às 19:10 m. Às 21:40m já tinha sido observado por um médico; já me tinham realizado 3 raio-x ao pé esquerdo; a enfermeira enrolado uma compressa….e um funcionário até me ofereceu uma luva branca (a mão direita) com gelo, para colocar na “ferida”, enquanto aguardava boleia para regressar ao local do “crime”.

Quando cheguei foi tratado como um verdadeiro doente. Um funcionário, ao ver a minha dificuldade em andar, ofereceu-me uma cadeira de rodas. Até gosto de carrinhos e rodas, mas causou-me algum desconforto ter que me sentar naquela cadeira.

Só percebi que estava no objecto certo, quando foi encaminhado para a Ortopedia. Lá, encontrei mais doentes de cadeiras de rodas. Àquela hora eram poucos. Talvez dez. A maioria tinha um braço pendurado ao pescoço. Olhei-os a todos. Eles olharam-me e assim ficamos durante alguns minutos. O nosso silêncio apenas foi interrompido pela minha prima. Queria saber como eu estava. Foi a minha irmã que lhe deu a notícia. Passados alguns minutos, a minha prima regressa com um saco de gelo para eu colocar no pé. Ela é enfermeira, e vejam a minha sorte. Estava a trabalhar na urgência.
Voltei a olhar para as outras pessoas. Sorri-lhes. Até que uma senhora desabafa, com qualquer coisa do género: já estou cansada de estar aqui. Curioso, aproveitei para entrevistá-la. Fiquei a saber que nem era a doente. Ao lado estava uma senhora mais velha, mas com o mesmo ar cansado no rosto, a olhar para o vazio do corredor. Já estavam há 4 horas à espera que uma ambulância para regressarem à Madalena do Mar. Entraram no hospital por volta das 13 horas. Às 17 já tinham sido prestados todos os cuidados de saúde, mas ficaram retidas no hospital. Um táxi custa entre 50 a 60 euros.


A minha deambulação pelo sistema regional de saúde não termina aqui.
Na segunda-feira fui ao Centro de saúde, da minha área de residência, para o obter uma baixa. Disseram-me para voltar, terça-feira, de manhã, antes das 9:30 m. Levantei-me cedo e consegui consulta num médico de recurso, passavam poucos minutos das 11 horas.

Poderia ter ido ao privado, mas considero um crime pagar 50 euros para obter um papel.

No Centro foi atendido por uma enfermeira, que me encaminhou para um colega especializado em ortopedia, que me observou o pé, e fez algumas recomendações.

A todos, obrigado e um BOM NATAL.

Nota: o pé não está partido, nem rachado. Apenas ficou maltratado da queda. Há muitos anos que não fazia o salto em altura. Especialmente, de cima para baixo.

20.12.09

Qual fé?

A publicidade reflecte um aspecto, ainda ignorado, mas já enraizado, na sociedade contemporânea. A secularização da Europa e de uma boa parte dos países do mundo. Hoje, retiram-se os crucifixos das escolas, dos hospitais, dos lares, das creches, com o argumento da laicidade dos Estados. Nas casas das novas famílias, também já não existem crucifixos. Até os católicos deixaram de usar fios de prata ou de ouro, com uma cruz, ao pescoço. Trocaram-nos por objectos de outras religiões, que compraram ou lhes ofereceram, da Índia, no caso do Hinduísmo, do Tibete – o Budismo. Quem é que não se recorda das pulseiras da sorte do Brasil, e de outros adereços adquiridos, sobretudo, em viagens que as pessoas usam religiosamente?

É esta a fé dos homens na Europa. Uma fé agnóstica.
Os movimentos maçons conquistaram terreno. Infiltraram-se em todos os sectores da sociedade. Especialmente, na área económica e financeira dos Estados. Nunca como agora, tiveram sucesso, os livros que falam do “anti-cristo”. Quem não leu “O Código Da Vinci” e todos os descendentes desta linhagem literária?
Quem já não procurou, ou ainda procura encontrar a paz, a serenidade, ou uma cura para os males da vida, na Nova Era - New Age. Não me refiro à música, (os Enigma, por exemplo) mas a um estilo de vida moderno – como a prática do reiki, do yoga, a homeopatia, a consulta dos horóscopos, a frequência de centros espíritas e de outras "filosofias", para espantar os males da alma?

É este o nosso mundo.
É esta a nossa fé. Não a minha fé. Sou católico. Não sou praticante. A religião não é um desporto. É um acto de amor. O amor não se pratica. O amor sente-se. Manifesta-se no mais íntimo de cada um.

A campanha da PETA. Mais uma do género, revela que a organização não olha a meios para atingir fins

18.12.09

Ateus, agnósticos, paladinhos da laicidade: ofendai-vos!

O quê? Não
me digam
que o crucifixo
não ofende a V/ laicidade? Ou quando
é profanado
não há
problema?
Só o seu
uso ancestral
religioso
é que é
criticável
?

Casamento entre pessoas do mesmo sexo: algumas preocupações!

Ou muito me engano, ou a questão do casamento entre pessoas do mesmo sexo não será o passeio pela praia que muitos parecem estar convencidos.
Antes de mais, porque nem o acesso ao casamento parece ser um direito ou, sequer, um dever (logo extensível a todos os indivíduos, conforme o princípio constitucional da Igualdade, a que muitos defensores da alteração ao casamento recorrem), nem parece haver consenso relativamente à matriz constitucional do casamento. Aliás, sobre isto, basta ver o que pensam constitucionalistas como Jorge Miranda, Bacelar Gouveia, ou Paulo Otero, um dos mais prestigiados professores portugueses de Direito. Recorde-se que Jorge Miranda entende que "a Constituição define o casamento como uma união heterossexual, pois um dos pressupostos do casamento é a filiação”. Ora, não me parece que possa haver filiação numa relação entre pessoas do mesmo sexo.
Já Paulo Otero defende que "os direitos fundamentais devem ser interpretados de acordo com a Declaração Universal dos Direitos do Homem (DUDH), que consagra o casamento entre pessoas de sexo diferente". Repito: Declaração Universal do Direitos do Homem (esse documento retrógado, fascista, elaborado por conservadores de direita).
Posto isto, e perante a certeza deste especialista de que "O diploma será sempre inconstitucional", pergunto-me se a coisa será assim tão pacífica, ao nível constitucional.
Por outro lado, se a própria matriz constitucional é questionável, será possível ou legítimo depurar o casamento da sua verdadeira matriz ética e cultural, que se inscreve na tradição judaico-cristã?
Mas mais, relativamente à filiação e ao direito à adopção, a pergunta que me faço é se com a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo sem acesso à adopção não estaremos a ferir o documento de inconstitucionalidade, à luz do mesmo princípio de Igualdade?
E se assim for, ou seja, se admitirmos que os casamentos entre pessoas do mesmo sexo só serão efectivamente depurados de discriminação se permitir o acesso a todas as consequências (logo, levar à adopção), não estaremos nós a admitir que, afinal, os opositores tinham razão quando afirmam que a questão da filiação é uma característica do casamento, só possível entre pessoas de sexo diferente?
Mas tenho ainda muitas outras dúvidas. Por exemplo, com esta alteração, como passaremos a definir o casamento? É um mero contrato entre duas pessoas? Então poderá ser feito, mesmo que não haja sexualidade pelo meio. Certo? Dois amigos heterossexuais, para obterem benefícios fiscais, poderão casar? E porquê limitar a apenas duas pessoas? Em nome de quê? De uma tradição, de uma cultura? Não estaremos nós a discriminar outras minorias, como a muçulmana? Como definir, então, como estabelecer os limites do casamento?

Para além disto, estou em crer que muitos dos que se batem por esta causa não querem apenas defender o acesso, aos homossexuais, aos direitos a que o casamento dá acesso. Se assim fosse, não me parece que causasse tanta celeuma a realização de um outro tipo de contrato civil. Existem muitos movimentos da esquerda radical que pretendem apenas a hostilização, por questões ideológicas. Porque entendem que esta é a forma de se oporem a valores absolutos que poderão haver do outro lado. E com isto não posso compactuar nem tolero!

No fundo, o que acho é que, fruto de uma certa superficialidade conceptual e ética; de uma relatividade moral; de uma ânsia desmedida de revolucionar e acabar com tudo o que é passado; de um furacão que ser fazer-se passar por progressista, como se toda a tradição fosse negativa, está-se a abrir uma caixa de Pandora. Ontem foi o aborto, hoje é o casamento, amanhã é a adopção, tudo sem grande reflexão, tudo de uma forma repentista, arbitrária e irresponsável. Depois, o que virá?

Mas será isto tudo tão dramático, como parece que eu quero pintar? Não! Preocupa-me é esta relativização dos valores contemporânea que deixamos que se instalasse entre nós. E os maiores horrores aconteceram sempre que eticamente fomos absolutistas ou laxistas.

15.12.09

Pecadilhos há de ambos os lados

E perante todo esse aluimento que vislumbras na argumentação que não concordas, define lá o casamento? É que pecadilhos na argumentação, existe em todos os lados...

E, naturalmente, que me reconhecerás a inteligência de não cair na falácia de argumentar com valores relativos.

Para que serve a greve?

A história conta-se rápido: os donos de supermercados querem que os trabalhadores possam vergar a mola até 12 horas diárias, sem qualquer benefício, se para isso forem convocados no dia imediatamente anterior. Os trabalhadores, com a ingratidão que lhes é reconhecida, disseram: ora e os senhores querem-no lavado? Não? Então vamos fazer greve, se vocês inisitirem nessa imbecilidade.
A associação que representa o patronato faz beicinho e diz que os trabalhadores estão a fazer da greve uma arma de arremesso.
Neste ponto, apetece-nos perguntar: e o senhor achava que a greve serve para quê? Para as empresas pouparem uns trocados? É que, caro senhor, isso é lay-off, não greve.
É claro que a greve é a arma que os trabalhadores têm para lutar e repudiar as vilanias nos empresários palermas.

Tribuinal de Contas chumbou? Não há problema, que a gente contorna isso...

De acordo com uma notícia da SIC, apesar do chumbo do Tribunal de Contas a negócios para a construção e exploração de 5 autoestradas, parece que as obras continuam a toda a força. É o respeito que este governo tem pela Justiça e o perfeita noção da sua absoluta ininputabilidade. Certos estarão que o negócio far-se-á. Ainda que possa ir contra os interesses do Estado, ainda que possa ser ilegal. Triste país...

UE pede explicações sobre "Magalhães"

Afinal, parece que as dúvidas que meia-dúzia de tontinhos levantavam acerca do "Magalhães", quando eram óbvios todos os benefícios que a boa máquina traria, não eram assim tão desprezíveis. Depois da Assembleia da República, é agora a UE a pedir explicações. Pode ser que venhamos, finalmente, saber porque carga d'água não houve concurso público.

14.12.09

Sporting- Burocracia matou a paixão

Alguém soltava foguetes no fundo da rua. Pum, pum, pum, um, dois, três foguetes que quebravam a rotina dos meus sete anos. Estávamos em 1982 e o Sporting era campeão e eu só descobri quando desci a rua à procura da origem da festa.

Pum, pum, pum, em cima de um muro alguém soltava foguetes, um, dois, três foguetes e eu pensei que aquele era um momento importante e que o facto de um tal Sporting ser campeão era muito importante!

Pum, pum, pum, um, dois, três foguetes e agora era o Joaquim Agostinho que subia o Alpe d’Huez como um foguete.

Pum, pum, pum, um, dois, três foguetes e o Carlos Lopes era uma flecha em 1984 e corria como o vento para a primeira medalha de ouro de Portugal, o hino tocou de madrugada e eu fiquei acordado para ver.

…, um foguete que não se ouve numa pista de 10.000 mil metros.

Pum, pum, um, dois foguetes de apelido Castro que eram Deus e o Diabo

Pum, um tiro de partida para Obikwelo

Pum, pum, pum, um, dois, três foguetes e o Acosta arrancava para a baliza do Baía, era uma fúria que se soltava.

Pum, pum, pum, um, dois três, quarenta foguetes para louvar o Jardel!

…, …,… um, dois, três minutos de silêncio para meditar sobre o eclipse de um clube.

…,…,… os foguetes só eclodem quando há paixão. No Sporting, venceram os burocratas. Aqueles que não entendem que aos clubes compete vender ilusões e não números. Que nenhum relatório e contas bem apresentado se sobrepõe a três foguetes lançados ao ar, numa tarde de domingo, que aprisionaram aquele que vos escreve. Ouvir-se-ão outra vez?

13.12.09

Ser politólogo...

Ser politólogo está hoje na moda, e saltam para as televisões e para os jornais que nem "coelhos da cartola". Os cientistas políticos ultimamente têm saído do anonimato, ou então ganharam uma nova designação. Registei no último mês (se não me falha a memória), o aparecimento de 2 politólogos na Madeira. Foi através do programa da RTP-M, "Dossier de Imprensa". Congratulo-me que apareçam novos talentos na nossa praça.
Os politólogos, ou na designação britânica, political scientists, são investigadores dos fenómenos políticos (em sentido restrito), que desenvolvem a sua actividade profissional nas Universidades e/ou Centros de Investigação.
Á medida que o programa avançava, surgiram alguma perguntas...: Enquanto politólogos quais as áreas de interesse? Qual a sua ocupação profissional? Quais as publicações que dispõem? Quais os artigos publicados nacionais e internacionais em revista de referee? Quais as comunicações apresentadas em Congressos nacionais e internacionais da especialidade? São académicos, leccionam em alguma universidade? Estão adstritos a algum Laboratório de Investigação Associado (I&D) nacional ou internacional?
Levanto estas questões, porque nem sempre se questiona, aceita-se simplesmente...
Fico a aguardar pelas próximas apresentações de "novos talentos", pelo que sei ainda faltam pelo menos meia dúzia....

12.12.09

Ladrões

Benfica - 2
Porto d - 2
Arbitragem: ROUBALHEIRA

E ninguém arromba a porta?

O Magalhães é tão boommm!...

Cento e oitenta milhões de Euros foi o que Sócrates desviou da Acção Social Escolar para pagar à JP Sá Couto (deixem-se lá que engenharias financeiras elaboradas, porque o dinheiro foi lá bater). Cento e oitenta milhões desviados dos apoios sociais, das refeições e transportes escolares. Tudo em prol de uma demagogia política, de um trunfo propagandístico que, conforme se verá, não tem qualquer relevância educativa. As crianças ficaram por apoiar, as escolas continuaram por equipar, e a JP Sá Couto (e, sabe-se lá mais quantas empresas) meteram ao bolso milhões de Euros. Ora, batam lá mais palminhas ao Magalhães! É que é tão fantástico (na relação preço-qualidade, não será do piorzinho que existe no mercado?), tão boommm...

PS-Madeira a ver navio AJJ passar

Mais uma vez, Jardim dá água pelas barbas aos seus opositores, internos e externos. Não sou grande adepto da "real-politik", mas AJJ comprova que neste jogo é mestre.

E, enquanto o PSD-Madeira consegue mais esta vitória (não discuto a bondade da medida, apenas a vitória política), o PS-Madeira demonstra que é uma absoluta irrelevância política. Ñão conta para nada, nem na Madeira, nem fora dela e nem mesmo os camaradas de Lisboa se lhes passam qualquer cavaco. Elucidativo é o facto de andar a proclamar a bondade da LFR, quando está mais que visto que esta lei está moribunda. Até José Manuel Rodrigues consegue ser mais relevante politicamente do que o PS.

E assim sendo, como pode almejar ser, alguma vez, poder?

11.12.09

Público versus Privado

Há matérias que não percebo.
Há anos uns políticos - por acaso não votei neles, (vivo e voto noutro município) mas é como se tivesse depositado a minha confiança nessas pessoas - entregaram espaço público – ou seja que é de todos nós - a uma empresa privada para um novo negócio. Chama-se parcómetros.

A decisão, política, foi na altura sustentada em indicadores da economia neoliberal. Ou seja, que o sector público deve emagrecer. Apenas deve ficar com a gestão do que é essencial, como a água, a electricidade... O problema é definir o que é essencial do acessório.

Não tenho dúvidas que a responsabilidade da actual crise financeira, económica e social que atravessa o mundo, se deve, em parte, à economia neoliberal.

Passados alguns anos o munícipe que paga impostos às Câmaras Municipais, à Região Autónoma e ao Estado, volta a ser provocado. Desta vez, quem o faz é a empresa que explora os parcómetros. Anunciou que vai agir judicialmente contra os automobilistas que se atrasam 10, 15 minutos em tirar o carro do parcómetro.
O surreal da situação é quem devia reagir está calado. Pior. Não faz nada. Neste caso é a Câmara do Funchal e os municípios onde as empresas de parcómetros consideram que adquiriram “direitos” sobre o espaço público. Sustentam a posição em pareceres jurídicos



Outro assunto que me deixa triste é a decisão, uma vez mais, política, de criar guardas-nocturnos.

É um outro erro. O Estado e bem, tem polícias para garantir a segurança dos cidadãos. Se essa segurança está a falhar a solução não é fazê-la com os próprios meios. É exigir que o Estado actue sobre as polícias, para que elas executem de forma mais eficiente o respectivo trabalho.

Infelizmente existem políticos que não aprendem com os erros dos outros nem com as falhas do passado.

Nos E.U.A., por exemplo, na década de 90 vários municípios venderam a rende pública de água potável a empresas. Passados alguns anos, as câmaras foram obrigadas a readquiri-las por causa das queixas sobre o serviço.

8.12.09

Sobre LX

Texto publicado no blog do NESD há algumas semanas. A gentil convite do Eduardo.

Saí com 18 anos. De Lisboa conhecia as principais ruas e tinha as referências que curtas estadas em férias me permitiam.
Na sala de embarque tinha duas malas cheias, uma namorada de nome Paula, que veio à aventura comigo (espero que ela não leve a mal a referência, mas já passaram tantos anos…) e uma dose inacreditável de vontade de ver e viver aquilo que para mim era novo. Na Portela tinha um primo do meu pai, que simpaticamente me hospedou em Carnaxide, durante o primeiro mês de Lisboa. Fiquei agradecido pelo gesto mas com a certeza absoluta de que, não tivesse eu encontrado vaga em casa da D. Arlete, no Bairro de Alvalade, teria regressado ao Funchal de malas aviadas em dois ou três meses. O trânsito do IC 19 e os autocarros da Vimeca, para onde me atirava após as rituais correrias contra o tempo que me deixavam sem fôlego e como saudades do “44” amarelo e branco que na minha cidade me depositava à porta de casa em pouco mais de 10 minutos teriam dado cabo deste que vos escreve.
Mas providência divina não quis deixar-me desamparado. E lá surgiu, nas catacumbas do “velho” ISCTE, um anúncio de um quarto – banho diário – relativamente barato ali para os lados de Alvalade. Apaixonei-me por Lisboa na Avenida Rio de Janeiro, num prédio “rosa estado novo” encostado ao quartel de Bombeiros do
bairro construído nos terrenos do visconde que fundou o meu clube.
Foi ali que percebi que afinal Lisboa era mais pequena do que o Tejo e que se podia navegar sem bússola para quase todo o lado. Foi daquele quartel-general sólido que parti à descoberta da cidade. Primeiro timidamente. Depois avidamente, na companhia de dois dos meus mais féis e queridos amigos, o Rui e o Diogo, lisboetas empedernidos.
Como é óbvio não aguentei muito tempo as regras rígidas, quase vitorianas, da casa da D. Arlete e quando pude, uns meses depois, mudei-me para um apartamento alugado por uns compinchas do Funchal, onde me senti em casa pela primeira vez na velhinha capital do império.
Confesso o meu pecado: apaixonei-me mesmo por Lisboa (e em Lisboa, por acaso). Gosto do movimento e da sensação de anonimato relativo. Gosto do novo que se apresenta todos os dias. Gosto das manhãs frias, como aquela em que vos escrevo. Gosto da cor da cidade. Gosto do miradouro da Graça com a sua esplanada onde, com sorte, aos domingos à tarde se ouve Tom Waits e Leonard Cohen. Gosto do Bairro Alto e de Alfama. Gosto do fado da Tasca do Chico e das noites do Lux e da Kapital. Gosto dos jogos em Alvalade e dos rissóis do Tico-Tico (não conhecem? Experimentem…). Gosto da falsa eternidade da cidade. Enfim, gosto de Lisboa, onde volto sempre que posso (hoje estou cá, a propósito).
Pode parecer-vos estranho começar um texto sobre um regresso elogiando tão calorosamente o sítio de onde se parte. Pois é, meus caros leitores, mas para se perceber o ponto de chegada há que entender a casa de partida. Ou estarei errado? Digam-me vocês, que simpaticamente dedicam o tempo a ver estas linhas.
Meti-me no avião rumo ao Funchal – contrariado, confesso – no final de 1999, já lá vão dez anos. Naquele tempo, não era fácil a um finalista de Sociologia encontrar emprego na capital do império. Bem tentei, mas com o sotaque funchalense que Deus me deu - e que eu me recusei a perder - até os call-center se fecharam a sete cadeados.
Sem dinheiro, voltei para a minha cidade – por paradoxal que possa parecer, sempre considerei o Funchal como “a minha cidade”.
Podia dizer-vos que foi fácil. Que tinha saudades da sopa da minha avó, da cama feita pela minha mãe, do ténis de sábado à tarde, das espetadas e do bolo do caco. Era um belo final de texto, ou não? Previsível, como um blockbuster americano. Imaginem a cena final:
- um abraço da mãe sob o sol resplandecente de Dezembro. Amigos à espera para uma festa surpresa. Planos abertos, com uma musiquinha suave e verde, muito verde, como pano de fundo. Sobe depois o genérico. Por ordem alfabética…
Pois bem, meus caros amigos. Destruam a cena idílica. O regresso foi difícil. A sopa da avó sabia mal. Embirrava solenemente com a maneira como a minha mãe fazia a cama. No ténis, a minha esquerda deixara de funcionar e a direita entrava sempre tarde e curta. Os amigos estavam com pouca disposição para festas, uns tão desorientados como eu, outros (des)orientados de outra maneira, casados e pais de filhos, mecânicos responsáveis em belas oficinas auto.
Faltava-me o novo, a liberdade de movimentos, os desafios que a transformação operada em mim por Lisboa pedia. Lamento desiludi-los, meus caros conterrâneos, mas foram mares difíceis aqueles em que naveguei nos primeiros tempos.
Sabem, devo confessar-vos uma coisa. As cidades e os países provocam um efeito estranho em mim: o de querer a todo o custo pertencer-lhes. Não concebo as viagens senão como uma experiência de vivência e de integração. Fiz-me entender? Talvez não tenha sido tão claro como gostaria, mas citando o maior madeirense vivo (desculpem-me se ofendo alguém, não é de propósito), Herberto Helder, é uma questão de estilo. O estilo necessário para pôr em ordem a “desordem estuporada da vida”.
Bem, o facto de ter encontrado um estilo - às vezes confuso, eu sei - e a sorte que me garantiu um emprego de que gostei à partida, contribuíram para que aos poucos me voltasse a integrar na “minha cidade”.
Percebi então que se Lisboa não é maior que o Tejo, o Funchal, e a Madeira, podem ser maiores do que o Atlântico. Basta encontrar um estilo. E usar alguma imaginação.

7.12.09

Parabéns!


Fotografia: Woman once a bird, by Witkin

Segurança (Protecção) Social só para políticos e tecido empresarial?

Ora, garantem-nos os economistas; os pseudo-economistas; os tonto-economistas; os comentadores; os especialistas; os auto-denominados peritos; os fiscalistas; os políticos, entre outros que a Segurança Social não tem viabilidade financeira.
Ora, estou confuso. Então é preciso diminuir os benefícios sociais, em nome dessa sustentabilidade, mas afinal a Segurança Social consegue suportar o pagamento dos "Magalhães" à JP Sá Couto, ou 15% dos aumentos do Salário Mínimo Nacional? Então o sistema está a colapsar, mas sobra para medidas demagógicas, popularuchas e ainda para dar algum à SONAE, à Jerónimo Martins e outros quejandos?

De quê tem medo o PS?

Não percebo o histerismo que o PS tem relevado após o PSD ter anunciado uma comissão de inquérito ao “Magalhães”.
Se o processo é tão transparente quanto defendem; se não houve/há ilegalidades ou actos ilícitos; se a adjudicação à JP Sá Couto, sem concurso, observou as normas de contratação pública; se os financiamentos à Fundação para as Comunicações Móveis são claros e legítimos; se o programa e o computador são assim tão fantásticos, afinal, de quê tem medo o PS?

Louvo a iniciativa do PSD que, com toda a certeza, esclarecerá muitas das questões que sempre coloquei.

6.12.09

Não se regressa a um lugar de onde nunca se partiu!

O NESDlx desafiou-me a escrever um texto sobre a minha experiência fora da Madeira! Fi-lo. Publico-o, também, com a devida vénia ao Eduardo, pela gentileza que teve.



Contra a minha racionalidade religiosa, convivo, desde sempre, com um certo misticismo bretão, druídico, que me permite reconhecer o espírito da terra. Por isso, a Madeira para mim não é apenas uma ilha, não é apenas um local, não é uma simples referência geográfica. A Madeira que vive em mim tem uma imagem antropomórfica, tem um espírito, uma alma e uma consciência. Por ela sou uma espécie de Átis que ama e vive para a sua deusa Cibele. Submeto-me a ela com a pequenez de um humano, ante a grandeza da divindade. A Madeira é minha utopia, é a representação terrena do paraíso, é o meu delírio onírico, é a minha maior paixão.
Por tudo isto sinto que nunca saí da Madeira. É verdade que estive - e, por mais um acaso dos destino, permaneço – deslocado. Mas nunca esse deslocamento representou uma ausência. Não teria sido possível. Não para mim.E foi assim que dei comigo em Coimbra, com a esperança e optimismo que se prendem ao olhar dos 19 anos e a Madeira agarrada à voz. Não, não era apenas o sotaque que carregava e carrego comigo, como se fosse o meu bem mais precioso, que denunciava o sangue ilhéu. Quem então me conheceu – aliás, tal como agora – sabia – e sabe! – que, para mim, ser madeirense é mais do que ser natural da ilha: é um estado de alma, é a forma mais elevada de ser eu próprio.
A sombra da Madeira que o Sol do ocaso projecta sobre o Atlântico – e que suporta a lenda da Ilha de Arguim – acompanha-me desde então e não permite qualquer dúvida acerca da minha origem ou do meu destino. Quem me conhecia sabia que não havia concorrência possível, que a Madeira estava-me inscrita no sangue.
Se Coimbra contou? Se consegui libertar-me das inevitáveis amarras que nos podem atrofiar? Claro que sim! A veneração que dedico à Madeira jamais poderia ser motivo de empobrecimento pessoal, jamais poderia ser causadora de perda ou dano. Para além de que, por vezes, é preciso sair para que estejamos dentro. É preciso que nos transformemos em um outro, para que sejamos mais radicalmente nós próprios. E esta aprendizagem foi realizada. As oportunidades não foram desperdiçadas. Cresci com os outros, apreendi a grandiosidade do que é diferente. E isso apenas foi possível porque me desloquei e é a razão pela qual preconizo a saída da Ilha, como aprendizagem. É imperioso que saiamos, que nos permitamos ser desvelados perante olhares diversos.
Quando, em 2001, regressei ao Funchal, senti ter regressado a casa. Afinal, ao contrário do mito grego, não apenas o percurso era importante. Ítaca também o era, como meta, como objectivo primordial.
É verdade que o sopé do Pico da Cruz já não era o mesmo. O amontoado de bananeiras tinha sido substituído por uma floresta de betão. Os amigos já lá não estavam – não como os imaginávamos.
Mas o cheiro que se entranha em nós, a maresia impregnada de humidade que se cola, o sol derramado sobre o mar quando se esconde atrás do Cabo Girão e, sempre e acima de tudo, o horizonte, mantinham-se inalterados. E se perdia alguma coisa em termos de identificação – intelectual, acima de tudo! -, a verdade é que essa perda era compensada pela mesma matriz histórica, geográfica e cultural, que partilhava com quem então me rodeou. O ventre de onde nascemos era o mesmo. E esses são laços poderosos.
Porque o que me caracteriza não é apenas a minha formação; não é apenas a minha profissão; não são apenas os meus hóbis, ou as leituras que fiz. Não! O que eu sou é o sangue que me corre nas veias e que rasga todo o corpo. E esse confunde-se com a neblina que cobre o Pico do Areeiro, com os ribeiros que recortam a Madeira e com as levadas que a esventram. Sou o olhar que se perde na majestade das montanhas, ou na imensidão do mar.
Se foi fácil a transição? Se regressei diferente? Se tinha outras aspirações? Se sentia que as fronteiras naturais da ilha me poderiam aprisionar? Tudo isso é verdade e tudo isso é mentira. Porque, como disse, não me parece ser possível regressar a algum lugar de onde nunca se partiu. E eu, verdadeiramente, sinto que nunca parti!

4.12.09

E não lhe queima a língua?

Sócrates, uma vez mais, mostrou que não tem um pingo de vergonha. Como é que aquele tipo ainda se acha no direito de falar em ética e moral depois de todos os casos em que está metido até à medula?

O futuro do PSD e do país, num debate com elevação

Nunca fui um entusiasta da liderança de Manuela Ferreira Leite, apesar de ter defendido que no momento em que concorreu era quem melhor se perspectivava para os combates políticos que se avizinhavam.
Mantenho que esta poderá ter sido a melhor de todas as más soluções. Achava então, como acho agora, que para contrapor à vigarice propagandística de Sócrates, o PSD deveria apresentar uma imagem de rigor e de seriedade. Também defendia que as eleições seriam um laboratório interessante: imagem vs conteúdo, publicidade vs política. É certo que acabou por não ter sido bem assim, muito devido aos erros da direcção (e Cavaco ajudou à festa). Todavia, serviu para nos mostrar que os portugueses gostam da forma e a isso não há volta a dar.
Contudo, esta liderança teve o mérito de apresentar ao partido e ao país bons quadros e de revelar potencialidades que se adivinhavam mas que se mantinham ocultas. Falo de Paulo Rangel, no primeiro caso e de Aguiar Branco e Paulo Mota Pinto, no segundo.
Também é certo que serviu para mostrar os flops e acabar com dúvidas, se as houvesse, como foi o caso de António Borges, uma absoluta insignificância política.
Mas, findo este período, é essencial que o partido reflicta o futuro e se prepare para os períodos conturbados que se irão viver em Portugal. Mais, que se prepare para ser governo, porque isso poderá acontecer a curto prazo.
E por isso e porque não gosto de unanimismos ou de sebastianismos, acho que é fundamental que nas próximas eleições haja mais do que uma candidatura. O PSD precisa de fazer um debate político intenso, que envolva a sociedade e comunique com ela. Porque a verdade é que o partido tem muito dificuldade em actualizar-se a perdeu a matriz “ligeira” com que se posicionava na sociedade. Faço um mea culpa e reconheço que as proporcionalidades que existiam dentro do PSD e que lhe permitia comunicar com uma um múltiplos sector sociais, que faziam com que fosse o partido mais abrangente, perderam-se. O partido deixou de ser pragmático, sem que com essa perda tivesse algum ganho a nível programático.
Por isso, é fundamental, na minha opinião, que a próxima liderança traga alguém jovem, que saiba comunicar com a sociedade. É preciso alguém com ideias novas, arejadas. É preciso que o partido se torne mais cosmopolita e reforce a sua posição no meio urbano. Que mantenha a sua versatilidade tradicional, sustentada numa matriz ideológica clara, mas que se apresente inovador, renovador e ágil. Exige-se que sejam apresentadas soluções novas e que não se perpetue o discurso seguidista do politicamente correcto. Que recuse um partido e um país sem vontade, sem liberdade de decisão, submisso e fatalista. Não estamos condenados e é preciso que a liderança do PSD transmita essa ideia.
Para já não discuto pessoas. Haverá tempo para isso. Espero é que os putativos candidatos tenham em atenção que nesta disputa política está mais em causa do que os seus pequeninos egos. Em causa está, não apenas o partido, mas essencialmente o país, que estará de olhos postos. Exige-se, portanto, elevação de todas as partes!

1.12.09

Estou ABESBÉLICO

Existe uma razão especial para escrever.

Recebi, há instantes uma triste notícia. A minha querida amiga Sónia morreu em Agosto, de leucemia. A Sónia foi minha amiga e colega na faculdade. Era uma mulher extraordinária. Era ela que injectava energia no grupo.

É dela a palavra – “ABESBÉLICO”.
A ti, estejas onde estiveres, minha querida Sónia, desejo que estejas em paz. Tenho saudades tuas. Não me recordo da última vez que te vi. Regressei à Madeira e não me despedi. Pensamos que temos muitos anos de vida pela frente e deixamos para amanhã, aquilo que deve ser feito e dito hoje. Agora, sou confrontado com esta impossibilidade de realização.

Restam-me as palavras. Recordo-me da tua saudável loucura. Da tua forma, descontraída de viver.
Recordo que sem a tua amizade, sem a tua ajuda, talvez não tivesse concluído o curso.

Não sei o que fizeste nos últimos 11 anos. Várias vezes o Ricardo e eu falamos de ti. Em Abril deste ano, houve um almoço com colegas do curso e voltamos a perguntar por ti. Sempre quisemos saber como estavas, mas não fomos suficientemente determinados.

Eu não consegui dar-te um abraço e agradecer tudo o que fizeste por mim. O Ricardo, certamente teria outra coisa para te dizer.
Foste amiga. Nunca me disseste que não!
Amo-te SÓNIA.

Foi há 75 anos...

... que foi publicado a obra prima do maior poeta português de sempre.

FERNANDO PESSOA: A MENSAGEM!


Aleluia

Belíssima versão!


30.11.09

Quem tem medo dos minaretes?

A "velha" Europa mostrou-nos, uma vez mais, que não tem estofo para liderar o mundo na luta por valores como a tolerância e liberdade.
É preciso afirmar sem qualquer tipo de dúvidas: o referendo suiço sobre os minaretes é vergonhoso. Porque, antes de mais, é um enorme retrocesso no diálogo com o mundo islâmico, correndo mesmo o risco de ser visto como uma manifestação de xenofobia contra a fé (e o povo) muçulmana.
Por outro lado, é uma cedência a círculos extremistas (que poderá levar a extremismos da outra parte), que reúne o que de pior existe na direita conservadora cristã e na esquerda ateísta. Porque não tenhamos dúvidas, não foram apenas os conservadores que contribuíram para o resultado do referendo (que proíbe a construção de minaretes nas mesquitas). Alguns círculos ateus levaram a laicidade do estado ao extremo, abanando com o perigo da sharia, quando o que preconizam verdadeiramente é a eliminação não apenas dos símbolos religiosos dos espaços públicos, mas a própria eliminação das religiões.
Também tenho visto dois argumentos absolutamente patéticos: o primeiro tem a ver com a tradição cultural e arquitectónuica suiça, que não inclui minaretes. Por este lógica, teríamos que deitar abaixo todos o sinos das igrejas cristãs e recuperar símbolos druídas e do xamantismo.
O segundo é de que nalguns países muçulmanos não são permitidos símbolos cristãos. Ora, bonita estaria a Europa se tivesse como bitola da sua tolerância religiosa as teocracias islâmicas.
Sinceramente, um péssimo precedente que se abriu na "neutra" Suiça. E indiciador do que se perspetiva no futuro!

O dia seguinte

Sinceramente, o programa "O dia seguinte", da SIC-Notícias, é de uma imbecilidade monumental. Do Porto, convidam um tipo que é manifestamente um dos maiores mafiosos do futebol dos últimos 20 anos. Do Sporting, mandam um tipo que não consegue articular uma frase que seja perceptível ou faça sentido. Já a representar o Benfica está um desgraçado que não consegue mandar uma para a caixa. E assim vai a qualidade do comentário futebolístico em Portugal.

29.11.09

Divulgação

Aproveito, na mesma linha do Sancho, também para divulgar a conferência que se realizará dia 2 de Dezembro, pelas 17 horas na Fundação Calouste Gulbenkian (auditório 3) intitulada "Género e Participação Política: a experiência do Chile". Esta iniciativa é da autoria da União das Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR) em parceria com a Embaixada do Chile em Portugal, e contará com a presença da Presidente da República do Chile, Michelle Jeria.
É mais uma oportunidade, para discutir e reflectir sobre a participação política (independentemente do género), desta vez em perspectiva comparada, com uma país da América Latina. Será certamente muito interessante.

26.11.09

Debate sobre violência doméstica

No dia 29 de Novembro haverá um debate, na Quinta-Bela de São Tiago, sobre a violência doméstica na Madeira.

Aconselho, se me é permitido, vivamente a participação. Não pela presença da deputada bloquista Helena Pinto, que pouco diz de interessante, mas porque a sua interlocutora é a minha amiga Elisa Seixas, essa sim, que diz umas coisas acertadas. Demasiadas vezes estamos em desacordo, mas não me parece que isso aconteça quando em causa está a violência doméstica.
Só uma sugestão: não esqueças, minha querida, que violência doméstica não se limita à questão de género...
Apenas lamento não poder estar presente, porque estou certo de que será esclarecedor.


Post-scriptum: é impressão minha, ou estás cada vez mais próxima do BE?

Coerente, este senhor!

Vieira da Silva, o tal ministro que classificou o processo "Face Oculta" de "espionagem política", afirmou, ontem, que o governo irá respeitar as decisões judiciais, no que toca à suspensão de José Penedos.
É bom saber que o PS respeita a independência do poder judicial e acata as suas decisões. Pena é que isso aconteça quando o visado é um José Penedos, mandando às malvas esse respeito quando em causa está José Sórates ou Paulo Pedroso (ainda lembramo-nos da execrável recepção no Parlamento.
Lamento, igualmente, que tenha sido o poder judicial a tomar a atitude que, se houvesse um pingo de decência, deveria ter sido tomada pelo governo.
Pode ser que não esteja tudo perdido...

25.11.09

Dia da Democracia

25/11

A DEMOCRACIA EM FORMA DE ESTUDO: "VENTO DE INVERNO"




Finalmente ME emenda a mão e manda o Magalhães fazer circunavegação

Há uns tempos, a ausência de concurso para a compra de portáteis à JP Sá Couto, ao abrigo do E-escolinhas, não constituía qualquer problema.
Agora, 500.000 computadores e 90.000.000€ depois, ao que parece, o Ministério da Educação reconhece a imoralidade do processo e pretende lançar concurso internacional.
Lamento o passado e - ainda que discorde do programa e mantenha reservas relativamente aos reais motivos que levaram a essa prática -, aplaudo a transparência do processo futuro.
Mas e o que dirão os lacaios, que ainda há dias batiam palminhas ao Magalhães?

E não se arranja uma vacina para o amigo?

Não me choca que os governantes sejam vacinados contra a gripe A, apesar de ter algumas reservas sobre a sua indispensabilidade ao país. Também não sei se está prevista a vacinação para os familiares dos grupos (considerados) prioritários (terá Fernanda Câncio, ou a prole de Sócrates sido vacinada?).
Seja como for, a verdade é que é execrável que os governantes façam valer dos seus cargos para benefícios pessoais. Garantir a vacinação dos seus, em prejuízo de verdadeiros grupos de risco, deveria envergonhar ao absurdo qualquer governante, de qualquer Região, proveniente de qualquer partido. E esta situação envergonha-me, como madeirense e como social-democrata!
Mais uma pedrada do charco da imoralidade da política!

24.11.09

Serão todos os economistas imbecis? É que a maior parte parece...

Hoje assisti a uma defesa cerrada das ideias de Vítor Constâncio, por parte do editor de economia da RTP. Até aqui tudo bem. O que me impressionou e impressiona, é que estes IMBECIS não conseguem vislumbrar outras alternativas. Ou seja, para estes ANORMAIS é "evidente" que o Estado dê avales à banca (por exemplo), privatize prejuízos e dê benefícios fiscais a sectores que lucram milhões diariamente (para defesa do emprego, para defesa do sistema, para defesa do raioo-que-os-parta). O que não aceitam é que, por exemplo, os funcionários públicos vivam acima do limiar da miséria. Isso é que é ofensivo.
Ou seja, para estes IDIOTAS, o normal é que o Estado esteja ao serviço da economia e não a economia ao serviço do Estado. E estão tão convencidos disto que não conseguem ver um palmo à frente e aquilo que parece óbvio a todos.
Estranho mundo, este em que vivemos....

Descrédito das instituições

Acho piada às "vestais" que se indigam contra a total falta de confiança dos portugueses relativamente às instituições.
Ora, para além das próprias instituições não demonstrarem qualquer respeito por si ou pelas restantes, com todos os casos que conhecemos, de estranhar seria se alguém confiasse. Eu, por mim, rifava o país. A minha descrença é tão grande, que acho que por aqui ninguém presta, incluindo eu próprio. Precisávamos do que eu preconizava, há uns anos, para o Brasil: uma bomba de limpasse Portugal dos portugueses.

Ora, adivinhe lá que orçamento é este?!

Orçamento quê?
Que Teixeira dos Santos pensa que o povo português é completamente imbecil, disso não tínhamos dúvidas. A novidade é que o ministro das Finanças já nem disfarça...
A que ponto vai a faltra de vergonha!

23.11.09

É para fazer propaganda? Não há problema: a Segurança Social paga!

A Sra. ministra da Educação veio anunciar a entrega de mais 100.000 Magalhães.
E mais uma vez, lá vai a Segurança Social pagar a propaganda socialista. E depois digam lá que o sistema não é sustentável...

E tu, ó povinho imbecil e desgraçado, aplaude...!

Dêem uma bebida ao homem...Cheia de veneno!

Ouvi o Governador do Banco de Portugal defender uma baixa dos salários dos funcionários públicos e o aumento dos impostos, para fazer face ao défice orçamental. Este ENERGÚMENO defendeu que eu e todos os trabalhadores contribuíssemos para pagar as vigarices dos banqueiros (que nada fez para evitar) e não se importou que o Estado pagasse toda a MERDA que os (alguns) empresários fizeram. E quer que seja, uma vez mais, eu a pagar crise. Não se arranja aí um copo de cicuta para este imbecil?

Só um completo imbecil poderá acreditar na idoneidade de Sócrates. Alguém que se acuse?

Um levantamento militar ou um movimento subversivo de guerrilha revolucionária que deite abaixo este sistema político em que vivemos em Portugal é, efectivamente o que precisamos para moralizar o país.
A atitude que o PS, o Grupo Parlamentar socialista e o próprio Governo têm assumido na defesa do líder é execrável. Não bastavam já as deploráveis declarações de Vieira da Silva, de Augusto Santos Silva, de Lacão, vem ainda Francisco Assis, de quem se esperava um mínimo de decência, falar em conspirações orquestradas para "decapitar" (!) o PS.
Ora, uma vez que apenas um completo imbecil é que poderá achar que existe uma campanha para prejudicar Sócrates - quando as escutas eventualmente comprometedoras para ele já estão apensas ao processo desde Junho, tendo passado por duas eleições sem que houvesse qualquer fuga ao segredo de Justiça -, apenas podemos interpretar estas posições do PS como uma fuga para a frente, com vista a pressionar o poder judicial e evitar males futuros. Assim um tipo de seguro, para qualquer mais alguma vigarice que venhamos a ter conhecimento.
É evidente e é paradigmático, para além de reforçar as opiniões negativas que se possam ter de Sócrates. Porque quem não deve não teme e está mais do que visto que o PM teme e muito. A forma acirrada com que a sua clientela o defende é a prova disso mesmo.E é por isso que custa-me a acreditar que isto vá lá através do jogo democrático.

20.11.09

“Face oculta” na Madeira: incêndio ou fogo-fátuo?

Para já, as denúncias de Leonel Nunes, sobre a extensão da “Face Oculta” à Madeira, mais não são do que fogo-fátuo que, ridiculamente, o PS tomou por um incêndio (vê-se bem o amadorismo e a inépcia políticas deste triste grupo parlamentar). Contudo, é estranho, efectivamente, a celeridade com que a empresa de Manuel Godinho foi licenciada. E atendendo ao histórico do empresário, são legítimas as suspeitas.
Por isso, acho que esteve bem o Governo Regional ao enviar o processo para o Ministério Público, para que não restem dúvidas. Porque à mulher de César não basta ser sério: é preciso parecer.

Ao que parece, ainda devido a este caso, Leonel Nunes pediu s suspensão da sua imunidade parlamentar. É destemido e percebo porque o faz. Mas, não deixa, igualmente, de ser desnecessário, um pouco insensato e até anti-democrático. Porque era só o que faltava que um deputado não pudesse denunciar negócios que lhe possam parecer ilegais ou suspeitos.

18.11.09

"APENAS" porque não conheço!

Ora, ainda bem que V/ Exa. regula-se por aqui que, diga-se, é bem melhor do que em muitos outros lados coordenados por camaradas seus.
Relativamente à sua questão, informo-o que coloquei "apenas" porque admito que também se passe na Madeira. Não o denuncio, ou denunciei, porque não conheço nenhum caso. V/ Exa. conhece? Faça o mesmo que eu: indigne-se!

Urbanidades

É por posições destas, de gente recta, séria e vertical, que não meto todos os socialistas madeirenses no mesmo saco.

Teixeira dos Santos mau ministro? Aumento do desemprego? Não, tudo invenções da oposição…


De acordo com o pasquim faccioso, parcial e pouco rigoroso Finantial Times, Teixeira dos Santos é o 4º pior ministro das Finanças da Europa.
Este ranking vale o que vale. Todavia, mostra bem o que pensam os europeus acerca das pequenas maravilhas que o governo socialista faz por cá.
Mas agora a sério, acho que, uma vez mais, tudo isto é invenção da oposição, que insiste em não reconhecer o extraordinário trabalho do governo liderado por Sócrates…
Prova disso mesmo foram os últimos dados libertados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), sobre o desemprego, que situa a taxa em 9,8%, o que representa 547,7 mil indivíduos desempregados (um acréscimo de 26,3%, face ao trimestre homólogo, e de 7,9% em relação ao trimestre anterior).

Como se pode ver, qualquer comparação entre a propaganda do PS e a realidade, é mera coincidência. Mas, para não criticarmos o líder, fechamos os olhos, os ouvidos e a boca com muita força e fingimos que tudo isto é um sonho mau.