16.6.06

Marca caracterizadora do tuga

Soubemos esta semana que Manuel Pinho autorizou a Brisa a comprar a empresa Auto-Estradas do Atlântico. A despeito do parecer da Autoridade da Concorrência. Lesando, assim, os consumidores. Não está mau para um Ministro da Economia, afinal é tudo em prol do desenvolvimento económico...dos donos da Brisa!

Soubemos, também esta semana, que o nosso Socratíssimo quer que as seguradoras deixem de pagar consertos que ultrapassem o valor dos automóveis. Eu percebo: os carros em Portugal são todos topos de gama e as seguradoras estão à beira da falência. Tadinhas....

Ainda não percebi os defensores deste governo: apoiam-no porque são socialistas ou porque são liberais? Isto é, gostam do governo porque é um governo de Esquerda, ou porque governa à Direita (se bem que algumas medidas estão mais para o caciquismo do que para qualquer doutrina democrática)? É que começo a achar que continuamos a ser a carneirada que nos caracterizou durante séculos!

PS - Soubemos, há já algum tempo, que o Sr. Belmiro de Azevedo quer que o Governo apoie mais as empresas em vez de apoiar entidades que desenvolvem trabalho social. Ó homem, decida-se: você quer mais ou menos intervenção do Estado na Economia? É que essa treta do venha a mim, venha a mim, venha a mim, já enjoa!

8 comentários:

Anónimo disse...

Deixa lá o gajo vir-se

olho de fogo disse...

O que o Belmiro de Azevedo quer é um Estado que canalize o dinheiro para uns determinados sítios e não para a populaça (Educação, Saúde, Segurança Social...). Quando querem apoios para as empresas e menos carga fiscal aí já querem um Estado forte e bem gordo e não aquele Estado magro...
É na contradição que todos nos espalhamos... inclusive o Belmiro de Azevedo.

Sancho Gomes disse...

Ora, nem mais olho-de-fogo. E é nesta treta desta classe empresarial que querem que confiemos o futuro colectivo. E é esta mesma classe que têm apresentado como a salvação para todos os problemas que nos afectam. Nesta gentinha que ainda não conhece o significado de responsabilidade social das emresas!

Mas não deixa de ser divertido acompanhar as despautérios dos seus seguidores!

Anónimo disse...

è assim mesmo: um país pequenino mas confiado, como foi durante 48 anos. A decisão do ministro nada teve que ver com concorrência mas com a circunstância de termos empresas com dimensão para operar num mercado mais aberto. Já agora conheces a A8 que liga Lisboa a Leiria da auto-estradas do atlântico? não conheces ... é uma merda ! espero que a brisa ponha aquilo em condições.
Antes de verberar essa laranjisse fundamentalista é bom que estudes um pouco mais.

Karoglan

Sancho Gomes disse...

Para mim a Brisa bem poderia fechar as portas, se não tem condições para competir. Não tenho lá qualquer interesse! Portanto, não gosto de que sejam os meus (poucos) euros – enquanto contribuinte e enquanto utilizador - a financiar o crescimento da empresa. Em relação à A8, não vejo o que é que uma coisa tem a haver com a outra. É um raciocínio demasiado rebuscado para mim, confesso.

Quanto à tua última observação, não sou eu quem precisa de estudar. Porque, felizmente, ainda consigo pensar pela minha própria cabeça. Não tenho palas a impedir a visão periférica!

Anónimo disse...

A A8 é a auto-estrada que passará a ser explorada pela Brisa em função da decisão do ministro. Só isso. Quanto à visão periférica eu é que não entendo. Como contribuinte não és chamado a intervir porque o modelo é no continente e é de CONSTRUÇÃO, CONCESSÃO E EXPLORAÇÃO ao contrário da Madeira onde é só exploração, logo como madeirense e contribuinte pagas independentemente de passares ou não. É o sucesso da Via Litoral!
Recebeste 50 MIO e pagas 250 MIO.

Karoglan

Anónimo disse...

Conhecem o seguro de saude da Sonae? Reconhecem a gestão por objectivos, prémios de desempenho, que em Portugal teve início com o Engº Belmiro? Não sentiram uma ponta de orgulho em ser um Grupo 100% Português a desencadear uma OPA à PT, e consequentemente a abanar os "circulos" do poder instalado? Não sentem uma ponta de orgulho em ser um grupo português a liderar o ranking dos aglomerados e derivados de madeira? Eu sinto e muito, e digo-vos que não sobra nenhum $ para mim! Se calhar se vos tocasse algum estavam mais contentes! Mais, o Engº Belmiro, se só olhasse para o seu umbigo, como vocês dão a entender, já teria vendido a Sonae há muito tempo e comprava as berlengas... mas não, interessa-se por competividade, manter e crescer o nº de empregados do grupo, aposta na formação continua dizendo mesmo que é a grande riqueza e grande arma de qualquer técnico no presente e futuro..... e ele não tinha nada que se "chatear" com isso... apenas porque gosta e é o seu vício: criar valor, criar emprego, crescer, ser competitivo.... Crtiticar é fácil
AF

Sancho Gomes disse...

Karoglan,

Como contribuinte, também pago porque a construção é comparticipada (utilizem os eufemismos que quiserem). E o Estado, com esta medida está a lesar os meus interesses, enquanto consumidor, em privilégio dos interesses dos accionistas da Brisa.

AF,
Com esse seu discurso, senti-me tentado a idolatrar o Sr. em questão, mas como os poucos ídolos que tenho estão mortos, acabei por desistir. Mas reconheçamos que o patrão da Sonae apresentado por si é um autêntico mecenas, tudo o que faz, fá-lo (acto falhado?) em prol do desenvolvimento do nosso país.

Vamos lá ver se nos entendemos: eu nada tenho contra empresários de sucesso. Acho que empresários que estejam dispostos a investir em Portugal, são sempre bem-vindos, sejam eles portugueses alemães ou marcianos (já respondendo à sua questão sobre o orgulho da OPA – num mundo globalizado, não deixa de demonstrar um provincianismo bacoco sentirmos orgulho pelos feitos {heróicos?} dos empresários tugas). Reconheço a sua importância para a criação de riqueza. Não me tentem é convencer que eles estão dispostos a distribui-la. Essa é uma função que depois cabe ao Estado.

Mas vamos ao essencial. O que não gostei foi de ver um empresário vir pedir menos eEstado no cumprimento das suas funções sociais e mais Estado desde que seja para apoiar o poder económico. Então aquele senhor quer que o Estado deixe de apoiar instituições que desenvolvem um trabalho meritório junto às franjas da sociedade, que por um motivo ou por outro passaram para a margem da indigência, da doença, da exclusão, para aplicar esse dinheiro na sua empresa? Acha você isto legítimo? Acha você que o Estado deve se demitir das suas responsabilidades sociais, para apoiar o crescimento económico de alguns? Encontra legitimidade na substituição do Poder Político pelo Poder Económico (que é isso que se infere das palavras do Eng.)? Acha que as empresas estão vocacionadas para a prestação de serviço social? Então, quem o prestará, se não forem algumas ONG, nas áreas em que o Estado não tem capacidade de intervir? E não devem estas ser apoiadas, financiadas??!!

As empresas, como você diz, têm como objectivo a produção de valor, não a prestação de serviço social. Não me queiram, portanto, convencer que estas estão dispostas a substituir o Estado e/ou outras instituições vocacionadas para esta prestação, ainda para mais, atendendo que não temos nenhum exemplo cabal de empresas que assumam integralmente a sua responsabilidade social. E enquanto isso não acontecer, não admito que qualquer empresário exija que o Estado apoie o poder económico, em detrimento do financiamento de instituições sociais. Porque o primeiro passo tem que ser dado pelas empresas e não o contrário.

Para finalizar, não fico portanto comovido pelo seu discurso. Porque nele não há qualquer refutação ao que eu afirmara anteriormente.
Cumprimentos,