29.8.05

Media de uma noite de Verão

Entre ontem e hoje tive a grata e "rara" oportunidade de assistir a algumas preciosidades jornalísticas.
Na edição do telejornal da RTP-M de Domingo à noite, o esforço do jornalista para arrancar uma crítica ao fecho da estrada para o Rabaçal foi qualquer coisa de épico. Eram perguntas indutoras de respostas, comentários off que contrastavam com as imagens, tradução livre de respostas de turistas que mais parecia os diálogos de um qualquer filme de série B. O homem desesperava, só falta sovar os entrevistados.
Na edição do DN de hoje ressaltaram duas situações. Em primeiro lugar, as já costumeiras cartas do leitor enlatadas: a típica do turista (Charlie Park, como se alguém assinasse desta maneira) que nunca cá tinha vindo e que agora será o maior detractor deste destino; e a não menos pitoresca missiva do apoiante do PSD, fiel desde o primeiro momento, grato por tudo o que tem sido feito mas que, em face da desfeita preconizada pelos decibéis excessivos, jamais votará neste partido, arrastando nesta decisão dramática a família inteira. A segunda é muitointeressante, a notícia da acusação do filho de Ariel Sharon (lá a justiça funciona) é muito mais importante do que um atentado suicida em Beerscheba, são critérios (faz jus à sua ideologia e ao politicamente correcto da imprensa europeia pró-palestiniana).

Que bela forma para se começar a semana.

6 comentários:

Anónimo disse...

Pena é que alguns jovens não sejam encaminhados para formação adequada, pois toda a gente ficava a lucrar. Não podemos estar eternamente a desgastar-nos com a velha rábula da falta de meios técnicos e humanos, porque devagar se vai ao longe, e a televisão, sem ser um bicho de sete cabeças, é, por natureza, um meio de comunicação que difunde para uma vastíssima audiência. Ou pelo menos devia difundir.
Gilberto Teixeira

Carlos Rodrigues disse...

Concordo com essa acepção, no entanto, julgo que, aqui, o problema não residiu na falta de formação.
Aqui, tal como em todos os sectores da sociedade, a falta de formação é gritante, constituindo á nossa maior e mais óbvia fraqueza. O paradoxo está no facto de ser a que menos resposta e soluções tem merecido.

Henrique Freitas disse...

Caro Carlos, não concordo com a afirmação sobre a notícia da acusação de Omri Sharon: Se reparares bem, (pág. 26 e 27 do DN) a notícia do atentado em Beersheeba está repetida ;).
Em relação a esta última, felizmente foi só o suicida. Espero é que assim continue. Infelizmente, e como já noutro post tive oportunidade de dizer, não vejo fim para esta questão. Oxalá que me engane.
Quanto à festa, concordo que se realize e sou a favor que continue: eventos destes são necessários, mas acho que os limites do razoável foram excedidos. Apenas por sugestão, porque não começam com os espectáculos mais cedo?

PS: Gostei dessa das perguntas "indutoras" de resposta...
Cumprimentos
Henrique

Carlos Rodrigues disse...

A ideia de começar mais cedo é excelente.

Anónimo disse...

Charles Parks meu caro Carlos. Mesmo assim não deixa de ser curioso as artimanhas que se arranja neste mundo de informação e contra-informação. É pena que certas pessoas não sejam suficientemente crescidas para dar a cara por aquilo que dizem. E depois alegam que falta democracia na Madeira!?!

Carlos Rodrigues disse...

Obrigado pela correcção. Quanto ao resto, nada a acrescentar. A insídia apenas diminui a qualidade do debate e amplifica o ruído.