11.12.07

Orçamento

Há 31 anos a Madeira adquiriu o Estatuto de Região Autónoma. Tem agora poderes, próprios e entretanto reforçou as competências em matéria fiscal e económica.

31 anos depois continua a ter uma economia frágil. Baseada no turismo, nos serviços da administração pública, na construção civil e num tecido empresarial que depende da saúde do resto dos sectores de actividade para sobreviver.

Continuamos a ser financeiramente dependentes de um pai que muitas vezes mal tratamos.

O nosso dinheiro nunca chegou para pagar as nossas contas. Nos últimos anos foram ensaiadas engenharias financeiras para fintar as regras impostas por um pai forreta (continente). Criamos sociedades de desenvolvimento, a IGA, o Serviço Regional de Saúde EP e outras do género estão a ser preparadas, como uma SGPS para gerir as águas da Madeira.

É com estes constrangimentos que começa hoje mais um debate da conta da Madeira.

Os números do Governo nunca coincidem com as contas da oposição.

Os bates de orçamentos são terrenos pantanosos. Têm uma matriz matemática, mas quem melhor domina as regras da retórica é que vence a batalha dos números.

Ao Governo compete fazer a defesa das contas. À oposição, revelar a fragilidade dos valores. É este o guião do filme que vai ser rodado nos próximos 4 dias no parlamento.

No final tudo vai ficar bem.

A democracia cumpriu-se, mas a democracia, só por si, não faz milagres. Muito menos económicos.

1 comentário:

amsf disse...

"[...]um pai que muitas vezes mal tratamos." Este pai merecia ser identificado como o mesmo é identificado quando é alvo da sua crítica "um pai forreta (continente)."

Isto porque poderá haver quem pense que esse pai maltratado seja aquele que recolhe sistemáticamente apenas os créditos do que de bom se passa na Madeira repudiando os débitos.