8.5.10

Alta velocidade pára em todas as estações e apeadeiros

Iremos construir cerca de 200 km de alta velocidade para um combóio que irá parar em todas as estações e apeadeiros. Não é só irresponsabilidade: é mesmo burrice!

PS - Faço uma declaração de interesses: para mim, é óptimo haver uma estação em Évora.

Para memória futura

Estou convencido que o governo terá de render-se à evidência e recuar relativamente ao TGV. O que obrigará nao Estado pagar indemnização ao consórcio. Veremos!

7.5.10

PCP irresponsável

O PCP foi absolutamente irresponsável na votação ao apoio à Grécia. Tem razão no argumento de que o Banco Central Europeu deveria emprestar directamente aos estados, mas isso não pode servir de desculpa para deixar cair a economia de um país nosso parceiro.
Ainda para mais quando temos certeza de que para a Grécia nem um tostão, mas para "democracias" como Cuba, Coreia do Norte e, até, para Venezuela, os comunistas lusos estarim dispostos a fazer o portugueses apertarem o cinto.
Com atitudes ignóbeis e imbecis deste calibre, venham, depois, queixar-se da irrelevância política em que estão a tornar-se.

6.5.10

Ricardo Rodrigues, o deputado que o Partido Socialista elegeu para paladino da Ética, é ladrão. Eu vi-o, na televisão, a roubar. Processe-me!

Repararam no jeito ligeiro com que Ricardo Rodrigues fanou os gravadores aos jornalistas? Tal a habilidade que, cá para mim, não é a primeira vez que o faz...
E perante as imagens do ladrão em pleno acto de furto, o que fazem os socialistas? Gritam que o senhor é vítima de perseguição.
Estamos conversados no que toca à seriedade desse partido (ou melhor, do que é o PS de Sócrates).

Mas eu acredito em Satanás

Todos nós conhecemos aquele ditado que nos ensina que a maior façanha de Satanás foi fazer-nos acreditar que ele não existe.
É, por vezes, isso que eu sinto quando oiço os representantes do capital (digo-o sem qualquer carga ideológica) e os seus lacaios (a carga ideológica cai toda aqui) papaguearem a saída para a crise.
Garantem-nos que a classe média e os pobres deste país têm de contribuir para recuperar as finanças públicas portuguesas. Chegam ao ponto de colocar questões, nas televisões, do tipo: “o que estaria disposto a prescindir para ajudar Portugal?”.
Reconheço que esta é meia verdade e que independentemente das culpas que possam ser atribuídas aos cretinos que têm constituído as elites dirigentes nacionais, vamos ter todos que contribuir para retirar o país do buraco para onde nos atulharam.
Mas, como disse, esta é só meia verdade. A outra meia, o que não nos dizem, é que esses representantes do capital não estão disponíveis para fazer qualquer esforço e que a fossa não foi cavada pelo Estado Social, mas pela ganância desses mesmos representantes. Quando vemos consórcios como a Taguspark, que tem lucros que não chegam aos 4 milhões, distribuir 750 mil Euros para um filme publicitário (e assumindo que foi legítimo, o que todos sabemos ser mentira); a manipulação que governos fazem de empresas como a PT; a colocação de boys, com ordenados milionários (querem poupar 40 milhões com os cortes nos subsídios de desemprego, mas estão dispostos a pagar milhões aos Ruis Pedros Soares deste país), em empresas públicas ou com interesses no Estado; os vencimentos indecorosos de banqueiros que se revelam nulidades ao nível de gestão; a corrupção que mina e domina a classe dirigente nacional; os milhões que são absolutamente desperdiçados para benefício pessoal de políticos, gestores, administradores e outros quejandos, perguntamo-nos, afinal, se é legítimo sermos chamados a pagar essa despesa de que outros foram os beneficiários.
E perante a pergunta, ouvimos as respostas sempre fantásticas: ah e tal que isso são peanuts; que é inveja; que o mérito deve ser pago. E o mérito dos outros, da população que lhes paga as mordomias? Esse não deve ser pago?
Atiram-nos, também, com a esfarrapada desculpa de que é preciso respeitar as instituições do Estado. Respeitar quem? Uma Assembleia que acolhe e protege deputados como Ricardo Rodrigues? Uma Justiça que ampara os corruptos deste país, que elimina provas, que faz desaparecer processos? Respeitar uma classe empresarial sem qualquer responsabilidade social, constituída por meia dúzia de gananciosos que acham que os milhões de portugueses existem par lhes fazer crescer os lucros? Respeitar um governo liderado por um por 1º ministro que está metido em tudo o que é caso de corrupção do país?
Não, desculpem lá, mas isso é cair na tal esparrela de Satanás. É fazer-nos acreditar que a crise é tão só motivada pela evolução natural das coisas. É fazer-nos acreditar, afinal, que este país não está na degeneração absoluta devido à podridão que infesta a classe dirigente portuguesa. E papo muita coisa. Mas isso, não estou disposto a papar!

5.5.10

Viver noutra dimensão

O “suprapartidário mas não neutro” Dr. Alegre apresentou finalmente a sua candidatura presidencial. Por terras açorianas, encheu um teatro e declarou-se às novas gerações aparentemente “desinteressadas da política”. O Dr. Alegre sabe ao que vem mas não sabe ao que vai. Depois de 35 anos de carreira o Dr. Alegre já devia ter crescido e percebido que o seu discurso é inócuo e pouco atractivo. Para velhos e para novos.

4.5.10

Os mercados

A propaganda pode ser nefasta e, ao mesmo tempo, gloriosa. De tanto se repetir o engodo ficamos todos convencidos que a culpa da nossa situação é dos mercados e dos especuladores selvagens à procura de nova vítima. Mas a sobrevivência do mais apto não cola e o discurso pode agradar algumas franjas radicais mas não me agrada a mim. E tudo porque o problema do nosso país continua a ser irremediavelmente estrutural.

A Igreja

A Igreja anda no centro do debate. Como costume, quando rebentam escândalos logo saltam os inimigos da Igreja com as acusações torpes. A táctica é recorrente e não deve admirar. Negar o que a Igreja representou e representa na construção das nossas sociedades, é cegueira sem remédio e sem solução. Quanto ao resto, basta algum respeito: nenhuma instituição sobrevive 2000 anos por obra do acaso. Tenham juízo.

Quase lá II

Na luta pela Europa, o Marítimo depende quase exclusivamente de si. Ganhar ao Guimarães, sem Nuno Assis, é o que se exige, até porque não consigo imaginar uma derrota do Braga no Estádio da Madeira. Numa época cheia de percalços, registe-se o feito de Van der Gaag. Sem ovos não se fazem omeletas, mas a nossa frigideira ainda está a aquecer no lume.

Quase lá

Parece-me haver um penalti claro sobre Maxi Pereira uma vez que Álvaro Pereira apesar de jogar a bola, toca primeiro na perna do defesa encarnado. Quanto ao resto, assinale-se a inabalável tendência de colocar o Benfica a jogar contra 10, mesmo quando é recorrente o uso da agressão, sempre impune, por parte dos seus atletas. O título não ficou decidido anteontem, mas pouco ou nada haverá a fazer.

vamos à bola (ao circo)

A RTP dá 20 milhões por jogos da bola... Ah grande negócio! Uma forma do PS compensar quem o ajuda. E não é a RTP certamente (e a chuva não bate assim). Basta ver a quem a televisão dita pública quer entregar os tais 20 milhões... Défice? Crise? Vamos mas é à bola (ao circo) que isso tudo passa!

Será uma tentativa de condicionar o mercado, inflacionando os preços?

(Bom, não sei onde vou buscar estas ideias! Logo agora, que a paz e a harmonia reinam e que anjos nos matraqueiam as cabeças com hinos de glória e de louvor, vou escrever estas coisas! Mas que querem, para mim, o Sócrates continua a ser um mau primeiro-ministro, com um percurso, no mínimo, questionável).

1.5.10

Porque no te callas?

As últimas declarações e atitudes de Mário Soares só vêm comprovar que o vetusto reformado evoluiu de pai da democracia para o seu pior cancro.
Por vezes devido à incapacidade para sair da ribalta (acha ele que os portugueses ainda querem saber o que pensa?), outras por despeito, a verdade é que o ex-presidente da República tem minado a democracia (já ela apodrecida) com atitudes e declarações absurdas. Prova que a idade pesa a todos.

Bárbaros do Norte

E a horda de vândalos volta a atacar.

29.4.10

Uma dúvida

Se um tipo for atacado por um Pit Bull está a ser alvo de pitbullying?

Igualdade versus liberdade

Um conflito pertinente da democracia de hoje reside no antagonismo gritante entre igualdade e liberdade. Indiscutivelmente, quanto mais iguais formos, menos livres seremos.

28.4.10

Calling you



"A desert road from Vegas to nowhere. Some place better than were you've been. A coffee machine that needs some fixing in a small cafe just around the bend. I'm calling you. Can't you hear me? I'm calling you."

Jeff Buckley

Jeff Buckley - Sketches for My Sweetheart the Drunk



Uma das melhores. De um dos melhores.

Porque a Igreja não está entregue à bicharada

D. Manuel Clemente é um homem de elevada estatura intelectual e ética.
Prova, ao contrário do que nos querem fazer crer jacobinos dos tempos modernos, que a hierarquia da Igreja também tem homens com grande dimensão. O que desfaz a teoria de que a cúpula da Igreja é dominada por seres sórdidos e vis.
Se faz falta mais homens como ele na Igreja? Um sim imensurável. Como fazem falta aos partidos, às empresas, às organizações, enfim, à humanidade. Nem mais, nem menos.

Bancarrota? Agradeça aos cretinos que suportam Sócrates

Apesar de não perceber nada d economia, parece-me evidente que Portugal está a ser vítima de especulação.
Todavia, isso não desresponsabiliza Sócrates do desastre governativo para onde nos arrastou. Estamos à beira da bancarrota? Agradeça a um socretino perto de si!

Regulação? Economia livre? Confiança no mercado? Por mim, ia tudo à bomba.

Os neo-liberais defendem que os estados-nação devem ter apenas um papel regulador da economia. Mas então expliquem lá: quem faz a regulação das agências de rating para evitar as especulações que promovem? Como é que podemos confiar no papel regulador dos estados-nação (noto que Passos Coelho vai mais longe e defende que a regulação deve ser feita por privados…!), se estes reconhecem não ter qualquer capacidade de intervenção contra os ataques especuladores das empresas e dos investidores?
Como é que querem que confiemos numa economia livre quando nos dão constantes provas de que as populações do mundo capitalista estão nas mãos de apenas três empresas? Como confiar mercado?

Com esta Alemanha, eu também não quero qualquer projecto europeu

Anda a Alemanha e a senhora Merkel indignada pelo incumprimento da Grécia, Portugal e os restantes países do sul.
Mas as mesmas Alemanha e senhora Merkel já não se preocupam se a dívida acumulada pelos estados-nação e populações mediterrânicas serviram para comprar os carros produzidos na Alemanha; aliciados pelo marketing das empresas de publicidade alemãs; para pagar as casas que as construtoras alemãs construíram e as imobiliárias alemãs que as venderam; para comer os cereais que a Alemanha nos envia; para garantir infra-estruturas para os alemães passarem férias convenientemente.
À Alemanha e à senhora Merkel só lhes interessa o mercado, não uma real convergência social na construção do projecto europeu. Ora, para isto, dispenso a Alemanha, a senhora Merkel e até a própria Europa.

Querem que eu trabalhe mais e pague mais impostos para quem, afinal?

Não percebo nada de economia. Por isso peço aos especialistas que me expliquem porque é que os bancos centrais não podem emprestar dinheiro aos estados-nação, mas emprestam à banca com taxas de juro de 1%, para que esta possa depois emprestar aos estados-nação com taxas de juro de 5%, ou 6% (como acontece hoje com Portugal), sendo que sempre que essa mesma banca está aflita, os estados-nação atiram o dinheiro que pediram emprestado a essa banca, para a salvar, pedindo de novo a ela que empreste a taxas de juro elevadas, para fazer face ao buraco que ela deixou?
E porque carga d’água, vem depois essa banca, com ares de gente séria, advogar pelo fim dos compromissos sociais dos estados-nação, de modo a salvar o sistema financeiro e a economia?
A pergunta é: querem que produzamos mais riqueza para quem, afinal?

26.4.10

Liga Record deste fim-de-semana

Bracalli - Maxi Pereira - David Luiz - Luisão - Javi Garcia - Rúben Amorim - André Santos - Nuno Assis - Flávio Meireles - Falcão (cap) - Carlão

Uma evidência

Faltou o momento chave em todos os discursos de ontem. Pedir desculpa aos novos pelo evidente falhanço do país e pela tragédia à nossa porta. Serão eles, os mais novos, a ter de recuperar o sonho de um país viável. Não vale a pena sonhar com passados que não voltam ou com amanhãs que cantam. O despertar será doloroso, tal como o sacrifício de todos por esta enorme causa comum: o futuro das gentes de Portugal.

Uma solução

Num dos seus últimos discursos antes das próximas eleições presidenciais, o PR veio pôr o dedo na ferida nacional, apontando o mar e a criatividade como soluções para o marasmo económico português. Eu que já estou por tudo, estou disposto a arriscar e aproveitar a palavra sábia e experiente do PR. Num país sem saída, porventura, jogar-me ao mar com exuberante criatividade pode ser uma inusitada e salvadora solução.

Uma certeza

E em pleno coração da Europa, a Bélgica vive nova preciosidade. O conflito linguístico aberto entre francófonos e flamengos provocou a demissão do primeiro-ministro, deixando o país em suspenso. A Bélgica, no fundo, resume alguma desta Europa meio perdida, quase gasta e muito ressentida, que vive numa realidade paralela. Do país da banda desenhada também não se devia esperar outra coisa.

22.4.10

Ordenação das mulheres: assunto de fé ou interpretação dos Textos Sagrados?

Percebo o argumento do Vaticano, para inviabilizar a ordenação das mulheres, de que este é um domínio da Fé e não da Tradição. Ora, sendo dogma (porque proveniente das Escrituras - As mulheres estejam caladas nas igrejas, porque não lhes é permitido falar, mas devem estar sujeitas, como também o diz a lei" - São Paulo, I Cor. XIV, 34), a Igreja não tem a faculdade de aprovar ou revogar esta doutrina. Esta é, no domínio Religioso, uma argumentação consistente e intelectualmente válida (vista na perspectiva dos seus membros).Contudo, também sabemos que os profetas, os apóstolos e os evangelistas, como homens que foram, estavam situados geograficamente, historicamente e culturalmente. E por isso é que a interpretação do texto religioso deve feita com ponderação (não podemos/devemos ter a ousadia de querer interpretar apenas com os nossos olhos, também eles situados). Nesta exegese bíblica importa relacionar os textos, de modo a fazer emergir aquela que seria a vontade de Deus, por vezes não devidamente traduzida pelo Homem.Posto isto, parece-me que a questão da ordenação das mulheres deve ser revista à luz de uma”sobreposição” dos textos sagrados. Porque a “verdade” de Paulo é, por vezes, contradita pela prática de Jesus e pela importância que as mulheres tiveram na Sua vida.Para além disso, quando da leitura transversal dos textos sagrados não se torna evidente qualquer doutrina, parece-me que se deve ponderar sobre os eventuais malefícios, para a restante doutrina e para os dogmas, que as eventuais alterações à Tradição poderão implicar. Este deve ser um trabalho partilhado e participativo, envolvendo os teólogos, mas também os leigos, desenvolvido no ritmo que se considerar mais adequado e que nos garanta que as alterações têm razões profundas de ser e não uma cedência a caprichos modernistas.No caso da ordenação das mulheres, devemos reflectir seriamente sobre eventuais malefício que esta alteração poderá trazer à restante doutrina (e dogmas) católica.
Por mim e até ao momento, não encontrei qualquer razão para a não alteração, pelo que sou favorável à ordenação das mulheres.

As viagens da D. Inês

E o país respirou de alívio porque a D. Inês de Medeiros conseguiu que a AR suportasse as suas deslocações semanais a Paris, metrópole onde humildemente habita. A novela chegou assim ao fim e os portugueses ficaram satisfeitos por saber que a moça não vai ficar longe dos seus rebentos por uma manifesta ninharia. Afinal, e pensem bem, se ela morasse em Jacarta seria efectivamente muito pior. Boa viagem, D. Inês.

21.4.10

Patrick Watson - Take Away Show - concert de rue Part 1



Uma grande canção "filmada" por Vicent Moon. Another Take Away Show

Uma enorme diferença

Mas se o mundo continua a confiar na América, em doses menores é certo, os americanos, por seu turno, revelam não confiar na sua Administração. O problema é sempre igual: as ideias de vida americanas impõem limites à acção governamental. Os americanos desejam o Estado bem longe das suas vidas e bem longe das suas escolhas. Exactamente o contrário daquilo que pensa a grande maioria dos europeus.

A real politik

A América, de acordo com recentes estudos, tem uma imagem exterior mais positiva do que negativa. Não estranhemos, nem entranhemos. Quando 90% do mundo desejava Obama, um novo Messias, o resultado era muito superior. Não se surpreendam com a súbita e ilusória benesse. A América afinal continua a ser o que sempre foi. Mudou o protagonista, mas não mudou a estratégia. Eis a real politik.

20.4.10

Um princípio, duas soluções

Há uma diferença absurda entre os EUA e a Europa. Enquanto que por lá se deseja menos intervenção do Governo Federal e mais participação local e estadual, por cá deseja-se esvaziar o mais possível o papel político dos Estados. Eis como um princípio em teoria muito próximo, se torna alvo de duas concepções muito diferentes. Na América, não se admite que de longe se emita ordens. Por cá, nem sabemos bem.

Uma velha história

Na TSF o Fórum é dedicado ao Turismo no Al(l)garve. Pelo meio, uma senhora reclama de que os portugueses são muito maltratados nos restaurantes porque não são estrangeiros. Não sei se é bem assim, mas isto fez-me lembrar uma velha história que um amigo meu, que estudou por lá, me contava imensas vezes. Nos bares, segundo ele, o tratamento era mesmo diferenciado: a cerveja custava 100 e a Beer 500.

19.4.10

A Igreja não se estilhaça apenas por se querer

Conheço, de há muito, a animosidade que a minha amiga WOAB nutre pela Igreja Católica (aliás, apesar de pregar agnosticismo, estou em crer que nisto das religiões a WOAB é uma jacobina radical, subscrevendo a doutrina marxista de que a religião é o ópio do povo).
Contudo, não deixa de me impressionar a forma acirrada – irracional, mesmo, em minha opinião -, com que se atira à Igreja, sempre que lhe cheira a atitudes menos dignas por parte do clero (verdadeiras ou não), ou quando em causa está o conservadorismo de valores da Igreja e a defesa da Tradição, em contraposição à ligeireza que caracteriza esta pós-modernidade do individualismo hedonista.
WOAB, como os seus leitores sabem (e eu sou um grande admirador) é um alter-ego de uma mulher inteligente, culta, erudita, perspicaz, com humor refinado e uma atitude mordaz, no mínimo, apaixonante.
Mesmo quando em desacordo (oh, e acontece tantas vezes – teremos estado, algum dia, em acordo?), reconheço e invejo-lhe a racionalidade dos argumentos, a profundidade do pensamento, a intransigência na defesa das suas causas. Por isso, frequentemente, apelido-a de radical. Porque ela vai à raiz e não se limita a ficar pela rama. Outras vezes, quando a atitude é meramente provocatória (e o quanto ela gosta de ser provocadora), não deixa de nos fazer sorrir pela mordacidade e fino humor. Contudo, quando se trata da Igreja, não encontro estas características na sua argumentação, mais não sendo (pelo menos, parece-me) do que um arrazoado de palavras.
Vem isto a propósito deste texto. Sabe bem a WOAB que, neste caso, concordo que a atitude da Diocese é, no mínimo, questionável (a até aceito adjectivos mais assertivos). Contudo, partir dessa realidade circunstancial, limitada e localizada para sustentar que a Igreja é uma “instituição que se preocupa muito mais em contabilizar os talentos em ouro” é, no mínimo, pouco razoável. Porque julga o todo pela (infinitamente ínfima) parte e atribui, injustamente, aquelas características às centenas de milhar de missionários, membros do clero e leigos que, por esse mundo fora, se entregam à prática que Jesus pregou. É um "soundbit" que soa bem aos ouvidos daqueles que querem ver a religiosidade fora da vivência humana, mas não diz nada.
Também apelida a Igreja de instituição “apodrecida”. Não sei se por achar que esta instituição é dominada por pedófilos e criminosos, onde a mesquinhez, a ganância, a cobiça são os valores predominantes, ou se devido à sua prática conservadora. Quero crer que, apesar da revolta, reconhece que a sua afirmação (anterior) não é rigorosa nem está sustentada racionalmente. Por isso, acredito que aquela sua crítica tenha apenas a ver com o que ela considera ser o excesso de conservadorismo e a incapacidade da Igreja para aderir aos valores pós-modernos.
Contudo, se não estivesse tão ofuscada pelo ressentimento, seria capaz de reconhecer que não se pode esperar que as religiões sejam voláteis e que os valores pregados sejam pronto-a-consumir.
Pensará a minha amiga WOAB que o Mundo seria melhor sem a Igreja?
Num mundo em que o relativismo dos valores assume contornos absolutistas, não serão louváveis as instituições que recusam o facilitismo e assumem uma defesa coerente, também ela intransigente, de uma ética de responsabilidade?
Fazer apologia de valores como a Vida, o Amor, a Compaixão, é uma prática que a Igreja passou a outras instituições (olhem, até à República, que bebeu muitos princípios humanista herdados dos Evangelhos), mas poucos sãos os que se atrevem a manter-se fiéis. Mesmo quando em causa está a oposição aos casamentos entre pessoas do mesmo sexo, ao aborto, à ordenação das mulheres, em causa estão valores e existe uma racionalidade e uma intransigência ética implícitas. Não é por ser uma instituição apodrecida, é porque a instituição não quer se desvirtuar.
Contudo, quer me parecer que a WOAB não reconhece nada disto. Porque no que à Igreja diz respeito, as suas ideias estão já concebidas e não está disponível para ser convencida.

Um imprevisto

Em Inglaterra, Cameron enfrenta repentinas dificuldades. No primeiro debate a três, quem inesperadamente brilhou foi o líder dos Democratas-Liberais, Nick Clegg. Agora, com quase 30% das intenções de votos, os lib-dem são uma variável a ter em conta no tabuleiro político ainda que o sistema inglês favoreça a bipolarização fruto dos seus círculos uninominais. Chegará para Cameron?

Liga Record

A Liga Record deste fim-de-semana não foi nada de especial. O Eduardo deu um frango e foi fortemente penalizado na sua classificação final. Ainda falta entrar em campo o Carriço, pelo que só amanhã tenho resultado global da jornada. Uma certeza: devia ter colocado o Bracalli, que passou a valer 9 depois de ter defendido um penalti. O Eduardo vale 1 pelo frango oferecido. E logo agora que preciso urgentemente de pontos.

Emotividade

Na Europa, os principais campeonatos estão ao rubro com as equipas no topo muito próximas. Em Espanha, Inglaterra e Itália, os dois primeiros estão separados por um único ponto, enquanto que na Alemanha a distância está em dois. Os campeonatos vão assim avançando com muito equilíbrio e incerteza até final, aumentando a emotividade. Qualquer semelhança com a lusitana pátria é pura coincidência.

17.4.10

Foi bonita a festa, pá!


Está de parabéns Rui Massena, que é muitas vezes (e mal) criticado, pelo bonito espétáculo musical que montou. Como está de parabéns a RTP, que colaborou na sua organização e que o transmitiu.

15.4.10

Nada de novo, no país dos matraquilhos

Tenho estado ausente da blogosfera e do mundo noticioso português.
Mas regresso e constato que, neste país de matraquilhos* a que chamamos Portugal, não se passa nada de novo. Senão, vejamos: torna-se público que Sócrates assinou dezenas de projectos, quando estava em regime de exclusividade na Assembleia da República, e uns bonecos gritam que não faz mal e que a notícia é cortina de fumo para o caso dos submarinos; Porto, Braga e Sporting são derrotados em campo, não conseguem ganhar os seus próprios jogos, praticam um futebol medíocre, fazem investimentos (especialmente o Porto e o Sporting) que ninguém percebe e reclamam que este é o campeonato dos túneis; a Comissão de Inquérito que investiga a tentativa de compra da TVI pela PT ainda não iniciou os seus trabalhos e já aparece o matraquilho Ricardo Rodrigues a garantir que não se provou a intervenção de Sócrates no processo; (entretanto, os mesmos bonecos continuam a perguntar pelos submarinos); o PS argumenta que ainda não escolheu o seu candidato presidencial e já Alegre reclama que ele é que é o candidato; os media portugueses dirigem-se em força às igrejas no domingo de Páscoa esperançosos de ouvir homílias sobre pedofilia, como se a mensagem e o ritual da Ressurreição se resumisse às ignomínias praticadas por alguns padres; é deduzida acusação aos administradores da Taguspark que pagaram ao Figo para este apoiar Sócrates e o PS e voltam os bonecos à carga perguntando pelos submarinos; o Benfica ganha ao Sporting por uns categóricos 2-0 e o matreco Costinha vem vomitar umas alarvidades, para sportinguista engolir, resumindo o jogo a um lance, num reconhecimento inequívoco de que em mundo nenhum (nem no mundo da fantasia!) o Sporting é capaz de ganhar ao Benfica num jogo de 11 contra 11; Mario Lino garantia, há 2 anos, que o Magalhães era o único portátil que cumpria as especificações do caderno de encargos. Agora diz que havia 7 ou 8 computadores que respondiam àquelas especificações, feitas à medida para beneficiar a JP Sá Couto (e lá surgem os matrecos a gritar pelos submarinos); Ricardo Rodrigues, que andou envolvido com gangs internacionais, é nomeado paladino do combate à corrupção pelo PS; descobre-se que em Portugal os processos de corrupção são arquivados; o PS faz um Código de Execução de Penas que permite aos criminosos sair quando tenham cumprido 25% da pena, e o que fazem os matrecos? Perguntam pelos submarinos; o paladino anti-corrupção socialista propõe que corruptos arrependidos sejam perdoados (eu sei o que queres!); uma associação ateísta, que reúne dois gajos e meio à volta de uma mesa negra para conspirar contra os “ratos de sacristia” – como designam os católicos -, quer negociar com o Estado nas mesmas condições que a Igreja ; “especialistas” em pedofilia e outras mariquices multiplicam-se em declarações sobre o pecado que “enferma” a igreja; entretanto, Ricardo Rodrigues, convoca uma vez mais os jornalistas para falar sobre o que pensa da corrupção; a tal associação ateísta critica a tolerância de ponto que será dada por ocasião da visita do Papa, mas confirma que não irá trabalhar (coerentes, estes senhores) e não abdica de qualquer feriadozinho religioso, porque bom, bom, bom, é estar a coçá-los; e os matrecos gritam pelos submarinos; Inês de Medeiros quer que os portugueses lhe paguem as mordomias de viver em Paris (fosse candidata pelo círculo da Europa!); Paulo Penedos trama Rui Pedro Soares e o seu amicíssimo José Sócrates e confessa que sabia da negociata com Luís Figo e de novo, perguntam os matrecos pelos submarinos; ouvimos especialistas em Economia defenderem o congelamento dos salários e a justificarem os vencimentos principescos dos gestores, argumentando com competitividade (que eles reconhecem não existir) com competência (em empresas monopolistas) com seriedade (como daqueles tipos que andam pela PT, pela REN, pela…) e o que fazem os matrecos? Ah e tal que é para desviar a atenção dos submarinos.
Seria hilariante, não fosse trágico!
Mas, definitivamente, tudo está bem no país dos matraquilhos. Pelo menos, está tudo como deve estar!

*Expressão retirada de uma da música de Sérgio Godinho

13.4.10

Uma vitória da esquerda

Entrou em vigor um novo código de execução de penas. Num país de brandos costumes, cumprir e não cumprir vai dar quase ao mesmo. Na prática, garante-se um mínimo de 25% da pena, situação de todo irreal. A originalidade baseia-se na teoria do costume: o homem é muito bonzinho por natureza e a sociedade tem obrigação de ajudar a recuperar todo o tipo de besta. Já nem vale a pena argumentar contra tanta idiotia.

Não esquecer o passado

Louva-se o esforço de não proliferação nuclear anunciado por Obama. Mas há um evidente senão: as organizações terroristas não são os únicos problemas. Países como o Irão ou a C. do Norte representam ainda uma evidente ameaça e o apaziguamento não é uma estratégia viável. Lembrem-se de Hitler: primeiro a Áustria, depois os Sudetas e, quando Chamberlain e o mundo acordaram, já ele marchava pela Polónia.

A Liga

E este fim-de-semana, sem 5 jogadores do Benfica, 1 do Sporting e mais 5 indisponíveis de variadas origens, decidi inovar na Liga Record. O futebol é um pouco como a vida e quando se decide inventar a coisa dá para o torto. Escolhi: Eduardo-Moisés-Fucile-Alonso-F.Meireles-N.Assis-R.Micael-Zé Pedro-A.Santos-Falcao-Carlão. Esperam-me 22 pontos. Um desastre.

O candidato eterno

O Dr. Alegre promete novidades para esta semana. Por certo, farto de esperar pela indecisão presidencial do PS, o Dr. Alegre não se quer ficar pelas palavras e pretende arranjar sarilho do grosso. No mundo extraordinário da política doméstica, há tanta gente morta que não há cemitério que albergue tanta personalidade. É o caso evidente do Dr. Alegre: ele morreu, e não quer perceber que já não pode ressuscitar. Azar o dele.