18.6.10

Ser e Escrever Português

José Saramago faleceu hoje, aos 87 anos, em Lanzarote.

Faleceu o homem que sempre defendeu o seu Ideal de Justiça, (concorde-se ou não com ele), mesmo quando era proibido fazê-lo. Sobrevive o Escritor.

Nos últimos cerca de 30 anos foi um ecritor prolífico, original, revolucionário no modo como traduz na escrita uma oralidade quase torrencial e, também por isso, por vezes polémico no conteúdo e na forma como costumam ser os escritores geniais.

Ateu confesso e convicto, na sua obra revela uma humanidade e humanismo profundos, inclusivos, talvez até mais completos e universais do que os defendidos pelas religiões da maioria da Humanidade, que por norma são exclusivas, ou melhor, ex-clusivas. Há, por exemplo, um lado absolutamente feminista na obra de Saramago, de valoração e valorização do papel da mulher talvez também, como dizia hoje Francisco José Viegas, pelo papel que as mulheres sempre desempenharam na sua vida.

O prémio Nobel da Literatura de 1998 foi atribuído a José Saramago "que, com parábolas portadoras de imaginação, compaixão e ironia torna constantemente compreensível uma realidade fugidia", nas palavras do Comité, sendo até hoje o único atribuído a um escritor de língua Portuguesa.

Na nota de pesar enviada pelo Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, este elogia o escritor e a sua obra: “Escritor de projecção mundial, justamente galardoado com o Prémio Nobel da Literatura, José Saramago será sempre uma figura de referência da nossa cultura” e termina afirmando que esta obra deve ser “preservada e lida”. Não deixa de ser irónico que o elogio seja feito pela mesma pessoa que em 1991, ocupava o cargo de Primeiro-Ministro no mesmo Governo cujo então Sub-Secretário de Estado Adjunto da Cultura, António Sousa Lara, vetou O Evangelho Segundo Jesus Cristo de uma lista de romances portugueses candidatos a um prémio literário europeu. Esta decisão, em última análise, levou a que Saramago decidisse a mudar-se para a ilha espanhola de Lanzarote, na condição de “emigrado” (nas suas próprias palavras).

José Saramago faleceu hoje, aos 87 anos, em Lanzarote. Em Lanzarote, em parte por culpa de um obscuro Sub-Secretário de Estado Adjunto cuja decisão não dignificou o cargo que ocupou, como o Prémio Nobel veio mais tarde a comprovar. Felizmente a sua obra e o seu inegável legado à Língua Portuguesa, cujas fronteiras conseguiu extravasar, perdurarão.

17.6.10

A Coreia do Norte

Os que viram o Brasil – Coreia do Norte já perceberam que os coreanos não serão pêra doce para ninguém. Fechados no seu meio campo labutam 90 minutos como formigas à espera do inverno rigoroso que mate o adversário. Disciplinados, não vacilam e correm como se tudo no mundo dependesse disso. E é isto o que fatalmente nos distancia: nós corremos pelo dinheiro, pela fama, pelo mediatismo; eles correm pela vida.

A vingança também estará na memória dos Coreanos. Em 66, a equipa ao regressar a casa terminou quase toda nos campos de reeducação depois de um desvario num bar inglês para comemorar a vitória sobre a Itália, antes da derrota com Portugal. A lenda diz que quase nenhum sobreviveu às condições dos campos apadrinhados pelo antes Grande Líder. Que não serão diferentes dos idealizados pelo actual Querido Líder.

Uma espécie curiosa

Num clima muito pesado, falaram os jogadores da selecção. Deco foi o mais contundente e incisivo evidenciando coragem e falando do que realmente interessa. Os restantes viram ocorrências sortidas e variadas que a realidade confortavelmente se encarregou de desmentir. Até o árbitro, coitado, foi metido ao barulho, como é prática habitual entre o indígena luso, uma espécie curiosa que nunca é má por culpa própria.

Adeus e obrigado

Ficou mais do que evidente que o lugar ocupado no ranking da FIFA não passa de uma mera ilusão estatística. Portugal é uma equipa mediana que tem um grande jogador e mais dois ou três razoáveis. O seleccionador, inqualificável, é certamente o grande culpado. Mas o Sr. Madaíl, um tipo ligeiramente para o idiota, não lhe fica atrás. Acabou-se esta miséria. Adeus e obrigado.

16.6.10

Para a Beatriz

Porque numa nova fase de minha vida, inauguro um novo blog.
Apenas para quem vier por bem e que queira seguir a Beatriz!(http://mundodosgrandes.blogspot.com/)

10.6.10

Será o ensino do Português Antipedagógico?

Esta semana, em conversa com alguém que dá aulas no Ensino Secundário fiquei a saber que nas disciplinas de Filosofia e Sociologia os professores estão proibidos de, nas avaliações, descontar pontos por erros de português, seja em testes escritos ou orais, seja em trabalhos escritos, seja nas apresentações orais desses trabalhos, com ou sem apoio de suportes informáticos.

De início pensei que se tratasse de brincadeira. Depois, fiquei um pouco mais preocupado, quando constatei que não é o caso de uma escola específica ou de um grupo específico de disciplinas. Corrijam-me se estiver errado, mas pelo que percebi, com a excepção da disciplina de Português (e mesmo esta, não se sabe por quanto mais tempo), no Ensino Secundário público, em Portugal, não se pode avaliar a correcção do uso da língua que é o veículo por excelência para comunicar as ideias e conceitos avaliados nesses testes e trabalhos.

Pois... É que é “antipedagógico”... Há, em Portugal, um conjunto de iluminados que descobriu que corrigir e penalizar os erros é “antipedagógico”. Como se fosse possível distinguir e classificar de modo diferente más ideias mal transmitidas, boas ideias mal transmitidas ou más ideias bem transmitidas. Ou seja aos professores é pedido que, depois de expor e explicar o programa da disciplina, avaliem se tiveram sucesso nessa difícil missão de incrementar o conhecimento dos seus pupilos tentando descortinar o que estes queriam dizer quando escreveram qualquer coisa cheia de erros ortográficos e gramaticais e cuja coerência está ao nível daquela de uma galinha a bicar palavras à sorte em cima de uma folha de jornal. Isto é, o que lhes pedem é que percebam a intenção dos alunos quase como que por “feeling”, literalmente à caça de qualquer coisa que possam aproveitar. Corrigir exames e testes do Ensino Secundário em Portugal é hoje em dia uma mistura de arte divinatória com venatória, uma ciência paranormal.

No meio disto, e porque as consequências são nulas, começa a ouvir-se entre os adolescentes portugueses alarvidades do estilo “eu não escrevo com acentos” ou “eu só escrevo em maiúsculas/minúsculas” e deve estar para breve o lançamento de “eu não uso a letra ‘A’ quando escrevo” que, imagino, fará um enorme sucesso no Facebook. Saber ler, escrever e mesmo falar, são competências cada vez mais desvalorizadas entre nós e não me surpreenderia se amanhã saísse uma sondagem indicando qualquer coisa como “94% dos adolescentes portugueses não consulta habitualmente um dicionário, 34% não sabe como se escreve “dicionário” e 22% não sabe o que é um dicionário”...

Em nome da simplicidade e das gentes simples em que estamos a transformar os nossos adolescentes, proponho que vamos mais longe. Deixemos de penalizar também os erros de contas com a excepção (temporária, claro está) da disciplina de Matemática. Física, Química, Economia, eu sei lá, deixam de ser disciplinas em que é obrigatório saber fazer contas (ou até mesmo saber contar até mais do que dez). Não, esperem! Sejamos ambiciosos, mesmo ambiciosos e alarguemos a medida ao Ensino Superior! Isso! A partir de agora é permitido tirar cursos superiores de Engenharia, Economia, Gestão, Medicina, Sociologia, Filosofia, Direito, etc..., sem saber ler, escrever ou contar. Entretanto é melhor ir construindo algum stock de comprimidos para o coração e, pelo sim pelo não, ter duas ou três cápsulas de cianeto à mão para quando, no futuro, estas almas iluminadas chegarem ao poder...

Pensando bem, a olhar para os exemplos que vêm de cima, seja ao nível do sector público seja ao nível do sector privado, temo que este processo não seja assim tão inovador... Aliás é bem capaz de já ter começado há mais tempo...

5.6.10

Francesca venceu


Há algo de mítico na imagem de Francesca Schiavoni deitada por terra, com a saia e o top brancos cobertos de pó de tijolo, com os cabelos emaranhados e colados à nuca. Na imagem, as mãos estão firmemente colocadas no solo, não se sabendo se impedem a queda ou se representam a força impulsionadora que levará Francesca até onde a aplaudem, até ao lugar onde ela sempre quis estar, o centro do mundo.
A expressão de Francesca é um misto de euforia e da raiva que se solta no momento da vitória. Porque Francesca venceu, pela primeira vez. Porque pela primeira vez as pernas não a traíram. Porque pela primeira vez os braços e as mãos não hesitaram no momento da pancada, no exacto momento do impacto. Porque pela primeira vez conseguiu fechar os olhos e imaginar-se no centro de todas as coisas. Ainda que só por uma vez, Francesca venceu, por isso todos os erros valeram pena.
Francesca venceu. Pela primeira vez. Talvez pela última vez.

Nota: foto retirada daqui.

1.6.10

Boris Vian

"Tudo foi dito cem vezes
E muito melhor que por mim
Portanto quando escrevo versos
É porque isso me diverte
É porque isso me diverte
É porque isso me diverte e cago-vos na tromba"


Boris Vian

Descobri este poema há pouco tempo. E achei-lhe graça.

26.5.10

A selecção

A selecção realizou um jogo de preparação para o Mundial. O jogo, que não vi, acabou num nulo contra C. Verde, uma selecção digna da Liga dos Últimos. O Prof. Queirós, magnânime, aproveitou a ocasião para garantir aos lusos, sem se rir, que os seus objectivos foram atingidos. Resta-nos um consolo real: está à vista que a epopeia custará muito menos dinheiro do que o previsto. O que em tempos de crise dá sempre jeito.

A senhora professora de Bragança

Em Bragança, uma professora decidiu de forma original vencer a crise mostrando os seus atributos ao mundo e à pequenada. O país, conservador e moralista, caiu-lhe em cima e a moça acabou atirada para o arquivo municipal certamente com o intuito de protegê-la. Mas registe-se, para outro arquivo, o feito: num país que não suspende uma má professora, ande muita gente obcecada em suspender uma professora boa.

As batalhas

O Dr. Nobre, candidato à República, desdobrou-se em entrevistas aos jornais no fim-de-semana. O discurso oco revela bem o ridículo em que caiu uma certa esquerda dita moderna e dita progressista. A meio de uma das entrevistas, por exemplo, o Dr. Nobre garante que as batalhas difíceis são para ser travadas. Faltou acrescentar que as que são impossíveis, como este seu caso manifesta e inequivocamente comprova, também.

25.5.10

Não lugar (comum)

Gosto do Júlio e daquilo que o Júlio escreve. Gosto do Sancho e gosto das opiniões do Sancho. Gosto do Bruno e da ironia do Bruno. Gosto daquilo em que este blog se transformou: uma espécie de não lugar (comum).

A manhã da tarde



Não foi o final de "uma tarde em Itapoã" -essa tarde chegará e será mais lenta que o urbano final da tarde. Mas no principio das coisas, na manhã de todas as tardes que ainda hão de vir, o final da tarde trouxe-me a luz matinal da voz de João Gilberto. A eterna voz que representa todas as tardes que quero eternas.

22.5.10

O Barbeiro Da Minha Rua

Como diz um dos meus amigos, o barbeiro da minha rua não existe... Não tem sofás de napa vermelha nem cadeiras forradas a verde. O encosto da cabeça não é uma imitação de pele estalada, castanha, a lembrar o antigo e na mesinha de entreter não há revistas côr-de-rosa, a revista de televisão mais recente não é uma TvGuia, os jornais são recentes, ou como se diz em Moçambique, “ainda trabalham”, e nenhum dos títulos começa com um artigo definido.

O barbeiro da minha rua, como quase todos os barbeiros é frequentado por homens que querem cortar o cabelo, por homens que querem cortar a barba e por homens que querem apenas conversar um pouco com a desculpa de uma aparadela na barba ou de um “caldinho”. Como quase todos os barbeiros é principalmente frequentado por pessoas que moram ou trabalham perto e por pessoas que, tendo morado ou trabalhado perto, gostam de lá ir matar saudades. Mas ao contrário de muitos outros, é familiar no trato e distante no que respeita à privacidade privada de cada um. Mais estranho ainda é ser habitualmente frequentado por mulheres que acham que é possível ter um corte de cabelo simples sem “mises”, “brushings” ou “conditioning”, sem secadores iónicos, sem gotas para as raízes, pomada para as pontas e remendos para o “cabelo médio”.

No barbeiro da minha rua não há esplanada mas serve-se café. Não se fuma no interior, mas há cinzeiros à porta para que quem gosta de fumar enquanto espera, possa continuar a poder ser civilizado (por estranho que possa parecer não é impossível). Há um rádio que toca tão baixo que se consegue ouvir as músicas e, ao mesmo tempo, tão alto que se mistura com as conversas sem as abafar, adoça-as como se fosse uma banda sonora... E fala-se de livros... Daqueles livros que já foram lidos há muitos anos ou que acabamos de conhecer, na noite passada, daquele que acabou de sair ou daquele outro que foi reeditado com novo prefácio e capa revestida a couro, daqueles que se gostava de ler um dia, ou que gostaríamos de ler se tivéssemos mais tempo, ou se fossemos mais novos... Fala-se de livros como noutros barbeiros se fala de mulheres, com o mesmo tipo de desejo, com o mesmo carinho, com a mesma pena de não ter tempo ou coragem para conhecer tudo, todos ou todas... No barbeiro da minha rua dizem-se poemas como quem conta anedotas no da rua do lado, o tempo passa depressa enquanto se aguarda a vez e não é preciso ter barba para cortar o cabelo nem cabelo para cortar a barba.

No barbeiro da minha rua, o tempo muda de ritmo à entrada e quem entra, das primeiras vezes, estranha a velocidade com que se move o mundo lá fora quando visto de dentro daquelas montras. Talvez nem sempre na direcção certa, mas sempre veloz... Com o tempo, habituam-se a valorizar o tempo que passam lá dentro, sem preocupações de aproveitar o tempo, ignorando o tempo que faz lá fora e aprendem, novamente, a fruir o fluir do tempo lento...

Como diz um dos meus amigos, o barbeiro da minha rua não existe... Mas apenas porque, na minha rua, ainda não há barbeiro. Porque se houvesse, seria assim, ou eu, sempre esperançoso, mudaria novamente de rua...

19.5.10

O vazio

Depois do aborto, da “liberalização” das drogas e do casamento homossexual o que resta ao Dr. Louçã para fazer chicana nas ruas e nos tribunais do país? Certamente muito pouco. E até ele já percebeu o sarilho que representa o fim deste ciclo na trupe a que superintende. De volta à realidade concreta, surge o mais evidente dos problemas: tal como no circo, na política, o burlesco é para divertir; não é para ser levado a sério.

O antes e o depois

O mundo não mudou em quinze dias ou em três semanas. Talvez quinze dias ou três semanas sejam uma eternidade em economia, mas não o serão na política de verdade que todos nós desejamos. O que mudou foi a percepção que os portugueses têm de Portugal. Porque há um Portugal antes das eleições e um Portugal depois das eleições. E há um Portugal antes do puxão de orelhas e um Portugal depois do puxão de orelhas.

A promessa

Numa das minhas séries favoritas, Os Homens do Presidente (The West Wing, no original), Josh Lyman (Bradley Whitford), o assessor do então presidente americano Bartlet (Martin Sheen), tem uma tirada brilhante. Dizia Josh que o problema não era eles não terem cumprido uma determinada promessa que haviam feito. O problema era eles terem feito uma promessa que sabiam de antemão que nunca conseguiriam cumprir.

Um sempre interessante exemplo

Penso na caminhada rumo a um novo período de austeridade e tenho de me lembrar da Dra. Ferreira Leite. Afinal quem tinha razão antes das eleições? Volto a referir aqui um dos problemas mais incisivos das actuais democracias: as qualidades necessárias para se ganhar eleições podem nada ter a ver com as qualidades necessárias para se ser um bom primeiro-ministro. Portugal é um óptimo exemplo.

Os eleitos

O Prof. Queirós anunciou com pompa a sua lista de eleitos. Nestas coisas, listas são listas e cada um teria hipoteticamente a sua. Mas para gáudio lusitano, o seleccionador abdicou de parte do consenso nacional sobre o assunto para assumir integralmente a responsabilidade do resultado final, julgando-se igual a Scolari. Sorte nossa. Azar o dele. O Prof. Queirós got a feeling? Curiosamente, e agora mais do que nunca, todos nós também.

17.5.10

Ética da responsabilidade? Com esta gentalha?

Ó senhor presidente: mas a ética da responsabilidade não imporia a demissão de Sócrates, um trafulha, mentiroso, incompetente e de mau gosto reconhecido? É que, desculpe lá, mas não me peça para ser solidário com as finanças portuguesas, enquanto ver pessoas com Sócrates, Santos Silva, Canas, Lello, R. Rodrigues, em lugares de Estado.

Eu já suspeitava...

A Universidade do Minho mostrou que a homossexualidade é, essencialmente, uma "moda" urbana, de gente com formação superior e de Esquerda.
Eu bem que suspeitava que a agenda do BE não era ingénua. Como também já suspeitava que isto de ser homossexual, ou bissexual, é uma moda das gentes progressistas...

A menina Nina

A "menina" Nina (Nastasia) está na coluna de vídeos ao lado. É a minha mais recente paixão, acho eu.

Quase, quase

Tive uma fugaz passagem pelo futebol. Foi quase suficiente para deixar, pura e simplesmente, de gostar da modalidade.

Quem perde sei eu

Quem beneficia com a guerra em que se transformou o futebol? Alguns dirigentes, certamente, transformados em generais de exércitos tresloucados. Alguma comunicação social, com certeza, convertida de repente ("e não mais do que de repente") em porta-estandarte de exércitos de imbecis e em defensora de interesses de vária ordem que nada têm a ver com o desporto. Quem perde? Garantidamente o futebol, modalidade desportiva (sê-lo-á ainda) que considero, apesar de todos os atentados, de todas a mais bela."

Porque há coisas (e gente) que... muda

"Conta-se que, quando Napoleão I abandonou a Ilha de Elba e na companhia de um punhado de fieis desembarcou em Cannes (...) o Governador de Lyon enviou para Paris uma série de mensagens:
- o monstro corso escapou da gaiola mas não há motivos para preocupações. O seu fim está próximo;
- O usurpador dirige-se para Grenoble, porém o povo não o segue, o país não o reconhece. Em breve será castigado;
- O General Bonaparte entrou em Grenoble. A população foge à sua frente. Avança para a cidade uma força que logo há de expulsar o tirano;
- Napoleão marcha para esta capital. Resistiremos até à morte;
- O imperador entrou em Lyon visivelmente aclamado pelo povo. Deus abençoará a restauração do império, pois disso depende a felicidade da França!"

José Eduardo Agualusa em "Nação Crioula"

Ah, quantos de vós serão representações do Governador de Lyon!

Mais um exemplo de Desportivismo à Portuguesa

Depois das duas equipas e respectivos adeptos fazerem algumas centenas de quilómetros até à Capital do Império para uma suposta Festa da Taça, eis que num exemplo de enorme desportivismo e, quiçá, empolgados por sucessos anteriores, meia-dúzia de "alegados" adeptos do desporto, "supostamente" ligados a uma equipa ausente desta guerra decidiram festejar com os adeptos dos vencedores aplaudindo-os e brindando-os com uma chuva de calhaus, seixos redondos e paralelos. A aula prática de geometria sólida presta um enorme serviço ao país, estimulando a recuperação económica de duas ou três oficinas de bate-chapas e, com sorte, contribuindo para a futura poupança de alguns dos recursos energéticos do país, já que acredito que parte daqueles adeptos (e a maioria daqueles que já achava que ver futebol nos estádios é carregar a sorte) não voltará a encher o depósito para fazer 300 ou 500 km para isto:

Quanto ao tempo de reacção da Polícia, nada a dizer, uma hora de avanço é capaz de ser adequada para tornar mais justa a caça a estes "adeptos do desporto"...

Mais uma vez na "mouche"

"Um novo tipo de revolta está a nascer e a espalhar-se pela Europa: revolta sem ideologia, indignação crua face à injustiça gritante, exposta, descarada, impune porque «normal». Esta evidência não poderá mais ser encoberta e racionalizada (justificada)". José Gil

Nadal ao ataque?

Nadal voltou a bater Federer na final do Open de Madrid. A época de terra batida do espanhol, embora sem o domínio exercido há duas temporadas e no ínicio de 2009, tem corrido bem, com vitórias nos "ATP World Tour Masters 1000" de Roma, Monte Carlo e Madrid e com uma final em Doha (derrota contra o russo Nicolay Davydenko). Hoje, Nadal bateu o recorde de Agassi, somando o 17º título em torneios "ATP World Tour Masters 1000". Já Federer não tem estado tão bem na superfície de que manifestamente gosta menos. Se atingir a final em Madrid pode ser sempre considerado um bom resultado, as prestações muito fracas em torneios como o Estoril Open (o ritmo de treino não chegou para ganhar uma competição este ano pautada por baixo) deixam antever algumas dificuldades para defender o título de Roland Garros. Seráo campeão suiço capaz de melhorar até lá, ou por outro lado é mais expectável ver Nadal voltar a conquistar o torneio francês, ameaçando novamente a posição de líder do ranking mundial ocupada por Federer?

13.5.10

Da bandalheira III

Estranho o tempo de antena que dão aos líderes das associações ateístas deste país. Ainda para mais, quando essa gente, que representa associações com meia dúzia de membros, vem criticar as honras que o estado laico deu à visita do Papa, líder religioso de 83% dos portugueses (segundo os dados dessas mesmas entidades).

Mas sobre a tolerância de ponto, as críticas não são apenas infundadas, são também tontas. Só o facto do apoio social promovido no país (laico) ser garantido, em mais de 70%, por instituições ligadas à Igreja, justifica amplamente a deferência com que o estado português deve tratar o Papa.

E também acho curioso que os líderes de outras religiões não se sintam ofendidos: apenas os ateus é que acham ofensivo o envolvimento do estado nesta visita. Ora, se se sentirem mais confortados, pensem lá nos benefícios turísticos que esta visita traz. Pode ser que acalme os vossos espíritos inquietos e ofendidos!

Da bandalheira II

A Assembleia da República dá guarida a gatunos, pela mão do PS e com o beneplácito do BE e do PCP. Ora, se o gamanço de um deputado, nas instalações da Assembleia, não é motivo para uma análise política, então o que é?

Da bandalheira I

Revejo-me cada vez menos neste PSD...

12.5.10

Tempo

Confesso que tenho tido pouco tempo para escrever. Ando com um projecto novo em mãos, que me tem tirado a disponibilidade mental para, entre outras coisas, ler e escrever.

Há semanas que não vejo blogs, que não abro o twitter, que não compro jornais e que não falo com quase ninguém. Pode ser que daqui a poucas semanas, quando a nova actividade eu consiga voltar ao ritmo normal... Pelo menos espero que sim. Até lá, vou postando música, que é bem mais fácil.

11.5.10

Luisa mandou um beijo



Mais uma belíssima banda do Brasil. Luísa Mandou um Beijo

Canções da minha infância I



Creio que devo à minha mãe - e aos clássicos franceses e italianos que ouvia em casa na mais remota infância - o gosto pela música. Cá fica o primeiro desses clássicos. Uma canção mais velha do que eu. De Michel Fugain. Une belle histoire.

8.5.10

Alta velocidade pára em todas as estações e apeadeiros

Iremos construir cerca de 200 km de alta velocidade para um combóio que irá parar em todas as estações e apeadeiros. Não é só irresponsabilidade: é mesmo burrice!

PS - Faço uma declaração de interesses: para mim, é óptimo haver uma estação em Évora.

Para memória futura

Estou convencido que o governo terá de render-se à evidência e recuar relativamente ao TGV. O que obrigará nao Estado pagar indemnização ao consórcio. Veremos!

7.5.10

PCP irresponsável

O PCP foi absolutamente irresponsável na votação ao apoio à Grécia. Tem razão no argumento de que o Banco Central Europeu deveria emprestar directamente aos estados, mas isso não pode servir de desculpa para deixar cair a economia de um país nosso parceiro.
Ainda para mais quando temos certeza de que para a Grécia nem um tostão, mas para "democracias" como Cuba, Coreia do Norte e, até, para Venezuela, os comunistas lusos estarim dispostos a fazer o portugueses apertarem o cinto.
Com atitudes ignóbeis e imbecis deste calibre, venham, depois, queixar-se da irrelevância política em que estão a tornar-se.

6.5.10

Ricardo Rodrigues, o deputado que o Partido Socialista elegeu para paladino da Ética, é ladrão. Eu vi-o, na televisão, a roubar. Processe-me!

Repararam no jeito ligeiro com que Ricardo Rodrigues fanou os gravadores aos jornalistas? Tal a habilidade que, cá para mim, não é a primeira vez que o faz...
E perante as imagens do ladrão em pleno acto de furto, o que fazem os socialistas? Gritam que o senhor é vítima de perseguição.
Estamos conversados no que toca à seriedade desse partido (ou melhor, do que é o PS de Sócrates).