28.4.10

Regulação? Economia livre? Confiança no mercado? Por mim, ia tudo à bomba.

Os neo-liberais defendem que os estados-nação devem ter apenas um papel regulador da economia. Mas então expliquem lá: quem faz a regulação das agências de rating para evitar as especulações que promovem? Como é que podemos confiar no papel regulador dos estados-nação (noto que Passos Coelho vai mais longe e defende que a regulação deve ser feita por privados…!), se estes reconhecem não ter qualquer capacidade de intervenção contra os ataques especuladores das empresas e dos investidores?
Como é que querem que confiemos numa economia livre quando nos dão constantes provas de que as populações do mundo capitalista estão nas mãos de apenas três empresas? Como confiar mercado?

Com esta Alemanha, eu também não quero qualquer projecto europeu

Anda a Alemanha e a senhora Merkel indignada pelo incumprimento da Grécia, Portugal e os restantes países do sul.
Mas as mesmas Alemanha e senhora Merkel já não se preocupam se a dívida acumulada pelos estados-nação e populações mediterrânicas serviram para comprar os carros produzidos na Alemanha; aliciados pelo marketing das empresas de publicidade alemãs; para pagar as casas que as construtoras alemãs construíram e as imobiliárias alemãs que as venderam; para comer os cereais que a Alemanha nos envia; para garantir infra-estruturas para os alemães passarem férias convenientemente.
À Alemanha e à senhora Merkel só lhes interessa o mercado, não uma real convergência social na construção do projecto europeu. Ora, para isto, dispenso a Alemanha, a senhora Merkel e até a própria Europa.

Querem que eu trabalhe mais e pague mais impostos para quem, afinal?

Não percebo nada de economia. Por isso peço aos especialistas que me expliquem porque é que os bancos centrais não podem emprestar dinheiro aos estados-nação, mas emprestam à banca com taxas de juro de 1%, para que esta possa depois emprestar aos estados-nação com taxas de juro de 5%, ou 6% (como acontece hoje com Portugal), sendo que sempre que essa mesma banca está aflita, os estados-nação atiram o dinheiro que pediram emprestado a essa banca, para a salvar, pedindo de novo a ela que empreste a taxas de juro elevadas, para fazer face ao buraco que ela deixou?
E porque carga d’água, vem depois essa banca, com ares de gente séria, advogar pelo fim dos compromissos sociais dos estados-nação, de modo a salvar o sistema financeiro e a economia?
A pergunta é: querem que produzamos mais riqueza para quem, afinal?

26.4.10

Liga Record deste fim-de-semana

Bracalli - Maxi Pereira - David Luiz - Luisão - Javi Garcia - Rúben Amorim - André Santos - Nuno Assis - Flávio Meireles - Falcão (cap) - Carlão

Uma evidência

Faltou o momento chave em todos os discursos de ontem. Pedir desculpa aos novos pelo evidente falhanço do país e pela tragédia à nossa porta. Serão eles, os mais novos, a ter de recuperar o sonho de um país viável. Não vale a pena sonhar com passados que não voltam ou com amanhãs que cantam. O despertar será doloroso, tal como o sacrifício de todos por esta enorme causa comum: o futuro das gentes de Portugal.

Uma solução

Num dos seus últimos discursos antes das próximas eleições presidenciais, o PR veio pôr o dedo na ferida nacional, apontando o mar e a criatividade como soluções para o marasmo económico português. Eu que já estou por tudo, estou disposto a arriscar e aproveitar a palavra sábia e experiente do PR. Num país sem saída, porventura, jogar-me ao mar com exuberante criatividade pode ser uma inusitada e salvadora solução.

Uma certeza

E em pleno coração da Europa, a Bélgica vive nova preciosidade. O conflito linguístico aberto entre francófonos e flamengos provocou a demissão do primeiro-ministro, deixando o país em suspenso. A Bélgica, no fundo, resume alguma desta Europa meio perdida, quase gasta e muito ressentida, que vive numa realidade paralela. Do país da banda desenhada também não se devia esperar outra coisa.

22.4.10

Ordenação das mulheres: assunto de fé ou interpretação dos Textos Sagrados?

Percebo o argumento do Vaticano, para inviabilizar a ordenação das mulheres, de que este é um domínio da Fé e não da Tradição. Ora, sendo dogma (porque proveniente das Escrituras - As mulheres estejam caladas nas igrejas, porque não lhes é permitido falar, mas devem estar sujeitas, como também o diz a lei" - São Paulo, I Cor. XIV, 34), a Igreja não tem a faculdade de aprovar ou revogar esta doutrina. Esta é, no domínio Religioso, uma argumentação consistente e intelectualmente válida (vista na perspectiva dos seus membros).Contudo, também sabemos que os profetas, os apóstolos e os evangelistas, como homens que foram, estavam situados geograficamente, historicamente e culturalmente. E por isso é que a interpretação do texto religioso deve feita com ponderação (não podemos/devemos ter a ousadia de querer interpretar apenas com os nossos olhos, também eles situados). Nesta exegese bíblica importa relacionar os textos, de modo a fazer emergir aquela que seria a vontade de Deus, por vezes não devidamente traduzida pelo Homem.Posto isto, parece-me que a questão da ordenação das mulheres deve ser revista à luz de uma”sobreposição” dos textos sagrados. Porque a “verdade” de Paulo é, por vezes, contradita pela prática de Jesus e pela importância que as mulheres tiveram na Sua vida.Para além disso, quando da leitura transversal dos textos sagrados não se torna evidente qualquer doutrina, parece-me que se deve ponderar sobre os eventuais malefícios, para a restante doutrina e para os dogmas, que as eventuais alterações à Tradição poderão implicar. Este deve ser um trabalho partilhado e participativo, envolvendo os teólogos, mas também os leigos, desenvolvido no ritmo que se considerar mais adequado e que nos garanta que as alterações têm razões profundas de ser e não uma cedência a caprichos modernistas.No caso da ordenação das mulheres, devemos reflectir seriamente sobre eventuais malefício que esta alteração poderá trazer à restante doutrina (e dogmas) católica.
Por mim e até ao momento, não encontrei qualquer razão para a não alteração, pelo que sou favorável à ordenação das mulheres.

As viagens da D. Inês

E o país respirou de alívio porque a D. Inês de Medeiros conseguiu que a AR suportasse as suas deslocações semanais a Paris, metrópole onde humildemente habita. A novela chegou assim ao fim e os portugueses ficaram satisfeitos por saber que a moça não vai ficar longe dos seus rebentos por uma manifesta ninharia. Afinal, e pensem bem, se ela morasse em Jacarta seria efectivamente muito pior. Boa viagem, D. Inês.

21.4.10

Patrick Watson - Take Away Show - concert de rue Part 1



Uma grande canção "filmada" por Vicent Moon. Another Take Away Show

Uma enorme diferença

Mas se o mundo continua a confiar na América, em doses menores é certo, os americanos, por seu turno, revelam não confiar na sua Administração. O problema é sempre igual: as ideias de vida americanas impõem limites à acção governamental. Os americanos desejam o Estado bem longe das suas vidas e bem longe das suas escolhas. Exactamente o contrário daquilo que pensa a grande maioria dos europeus.

A real politik

A América, de acordo com recentes estudos, tem uma imagem exterior mais positiva do que negativa. Não estranhemos, nem entranhemos. Quando 90% do mundo desejava Obama, um novo Messias, o resultado era muito superior. Não se surpreendam com a súbita e ilusória benesse. A América afinal continua a ser o que sempre foi. Mudou o protagonista, mas não mudou a estratégia. Eis a real politik.

20.4.10

Um princípio, duas soluções

Há uma diferença absurda entre os EUA e a Europa. Enquanto que por lá se deseja menos intervenção do Governo Federal e mais participação local e estadual, por cá deseja-se esvaziar o mais possível o papel político dos Estados. Eis como um princípio em teoria muito próximo, se torna alvo de duas concepções muito diferentes. Na América, não se admite que de longe se emita ordens. Por cá, nem sabemos bem.

Uma velha história

Na TSF o Fórum é dedicado ao Turismo no Al(l)garve. Pelo meio, uma senhora reclama de que os portugueses são muito maltratados nos restaurantes porque não são estrangeiros. Não sei se é bem assim, mas isto fez-me lembrar uma velha história que um amigo meu, que estudou por lá, me contava imensas vezes. Nos bares, segundo ele, o tratamento era mesmo diferenciado: a cerveja custava 100 e a Beer 500.

19.4.10

A Igreja não se estilhaça apenas por se querer

Conheço, de há muito, a animosidade que a minha amiga WOAB nutre pela Igreja Católica (aliás, apesar de pregar agnosticismo, estou em crer que nisto das religiões a WOAB é uma jacobina radical, subscrevendo a doutrina marxista de que a religião é o ópio do povo).
Contudo, não deixa de me impressionar a forma acirrada – irracional, mesmo, em minha opinião -, com que se atira à Igreja, sempre que lhe cheira a atitudes menos dignas por parte do clero (verdadeiras ou não), ou quando em causa está o conservadorismo de valores da Igreja e a defesa da Tradição, em contraposição à ligeireza que caracteriza esta pós-modernidade do individualismo hedonista.
WOAB, como os seus leitores sabem (e eu sou um grande admirador) é um alter-ego de uma mulher inteligente, culta, erudita, perspicaz, com humor refinado e uma atitude mordaz, no mínimo, apaixonante.
Mesmo quando em desacordo (oh, e acontece tantas vezes – teremos estado, algum dia, em acordo?), reconheço e invejo-lhe a racionalidade dos argumentos, a profundidade do pensamento, a intransigência na defesa das suas causas. Por isso, frequentemente, apelido-a de radical. Porque ela vai à raiz e não se limita a ficar pela rama. Outras vezes, quando a atitude é meramente provocatória (e o quanto ela gosta de ser provocadora), não deixa de nos fazer sorrir pela mordacidade e fino humor. Contudo, quando se trata da Igreja, não encontro estas características na sua argumentação, mais não sendo (pelo menos, parece-me) do que um arrazoado de palavras.
Vem isto a propósito deste texto. Sabe bem a WOAB que, neste caso, concordo que a atitude da Diocese é, no mínimo, questionável (a até aceito adjectivos mais assertivos). Contudo, partir dessa realidade circunstancial, limitada e localizada para sustentar que a Igreja é uma “instituição que se preocupa muito mais em contabilizar os talentos em ouro” é, no mínimo, pouco razoável. Porque julga o todo pela (infinitamente ínfima) parte e atribui, injustamente, aquelas características às centenas de milhar de missionários, membros do clero e leigos que, por esse mundo fora, se entregam à prática que Jesus pregou. É um "soundbit" que soa bem aos ouvidos daqueles que querem ver a religiosidade fora da vivência humana, mas não diz nada.
Também apelida a Igreja de instituição “apodrecida”. Não sei se por achar que esta instituição é dominada por pedófilos e criminosos, onde a mesquinhez, a ganância, a cobiça são os valores predominantes, ou se devido à sua prática conservadora. Quero crer que, apesar da revolta, reconhece que a sua afirmação (anterior) não é rigorosa nem está sustentada racionalmente. Por isso, acredito que aquela sua crítica tenha apenas a ver com o que ela considera ser o excesso de conservadorismo e a incapacidade da Igreja para aderir aos valores pós-modernos.
Contudo, se não estivesse tão ofuscada pelo ressentimento, seria capaz de reconhecer que não se pode esperar que as religiões sejam voláteis e que os valores pregados sejam pronto-a-consumir.
Pensará a minha amiga WOAB que o Mundo seria melhor sem a Igreja?
Num mundo em que o relativismo dos valores assume contornos absolutistas, não serão louváveis as instituições que recusam o facilitismo e assumem uma defesa coerente, também ela intransigente, de uma ética de responsabilidade?
Fazer apologia de valores como a Vida, o Amor, a Compaixão, é uma prática que a Igreja passou a outras instituições (olhem, até à República, que bebeu muitos princípios humanista herdados dos Evangelhos), mas poucos sãos os que se atrevem a manter-se fiéis. Mesmo quando em causa está a oposição aos casamentos entre pessoas do mesmo sexo, ao aborto, à ordenação das mulheres, em causa estão valores e existe uma racionalidade e uma intransigência ética implícitas. Não é por ser uma instituição apodrecida, é porque a instituição não quer se desvirtuar.
Contudo, quer me parecer que a WOAB não reconhece nada disto. Porque no que à Igreja diz respeito, as suas ideias estão já concebidas e não está disponível para ser convencida.

Um imprevisto

Em Inglaterra, Cameron enfrenta repentinas dificuldades. No primeiro debate a três, quem inesperadamente brilhou foi o líder dos Democratas-Liberais, Nick Clegg. Agora, com quase 30% das intenções de votos, os lib-dem são uma variável a ter em conta no tabuleiro político ainda que o sistema inglês favoreça a bipolarização fruto dos seus círculos uninominais. Chegará para Cameron?

Liga Record

A Liga Record deste fim-de-semana não foi nada de especial. O Eduardo deu um frango e foi fortemente penalizado na sua classificação final. Ainda falta entrar em campo o Carriço, pelo que só amanhã tenho resultado global da jornada. Uma certeza: devia ter colocado o Bracalli, que passou a valer 9 depois de ter defendido um penalti. O Eduardo vale 1 pelo frango oferecido. E logo agora que preciso urgentemente de pontos.

Emotividade

Na Europa, os principais campeonatos estão ao rubro com as equipas no topo muito próximas. Em Espanha, Inglaterra e Itália, os dois primeiros estão separados por um único ponto, enquanto que na Alemanha a distância está em dois. Os campeonatos vão assim avançando com muito equilíbrio e incerteza até final, aumentando a emotividade. Qualquer semelhança com a lusitana pátria é pura coincidência.

17.4.10

Foi bonita a festa, pá!


Está de parabéns Rui Massena, que é muitas vezes (e mal) criticado, pelo bonito espétáculo musical que montou. Como está de parabéns a RTP, que colaborou na sua organização e que o transmitiu.

15.4.10

Nada de novo, no país dos matraquilhos

Tenho estado ausente da blogosfera e do mundo noticioso português.
Mas regresso e constato que, neste país de matraquilhos* a que chamamos Portugal, não se passa nada de novo. Senão, vejamos: torna-se público que Sócrates assinou dezenas de projectos, quando estava em regime de exclusividade na Assembleia da República, e uns bonecos gritam que não faz mal e que a notícia é cortina de fumo para o caso dos submarinos; Porto, Braga e Sporting são derrotados em campo, não conseguem ganhar os seus próprios jogos, praticam um futebol medíocre, fazem investimentos (especialmente o Porto e o Sporting) que ninguém percebe e reclamam que este é o campeonato dos túneis; a Comissão de Inquérito que investiga a tentativa de compra da TVI pela PT ainda não iniciou os seus trabalhos e já aparece o matraquilho Ricardo Rodrigues a garantir que não se provou a intervenção de Sócrates no processo; (entretanto, os mesmos bonecos continuam a perguntar pelos submarinos); o PS argumenta que ainda não escolheu o seu candidato presidencial e já Alegre reclama que ele é que é o candidato; os media portugueses dirigem-se em força às igrejas no domingo de Páscoa esperançosos de ouvir homílias sobre pedofilia, como se a mensagem e o ritual da Ressurreição se resumisse às ignomínias praticadas por alguns padres; é deduzida acusação aos administradores da Taguspark que pagaram ao Figo para este apoiar Sócrates e o PS e voltam os bonecos à carga perguntando pelos submarinos; o Benfica ganha ao Sporting por uns categóricos 2-0 e o matreco Costinha vem vomitar umas alarvidades, para sportinguista engolir, resumindo o jogo a um lance, num reconhecimento inequívoco de que em mundo nenhum (nem no mundo da fantasia!) o Sporting é capaz de ganhar ao Benfica num jogo de 11 contra 11; Mario Lino garantia, há 2 anos, que o Magalhães era o único portátil que cumpria as especificações do caderno de encargos. Agora diz que havia 7 ou 8 computadores que respondiam àquelas especificações, feitas à medida para beneficiar a JP Sá Couto (e lá surgem os matrecos a gritar pelos submarinos); Ricardo Rodrigues, que andou envolvido com gangs internacionais, é nomeado paladino do combate à corrupção pelo PS; descobre-se que em Portugal os processos de corrupção são arquivados; o PS faz um Código de Execução de Penas que permite aos criminosos sair quando tenham cumprido 25% da pena, e o que fazem os matrecos? Perguntam pelos submarinos; o paladino anti-corrupção socialista propõe que corruptos arrependidos sejam perdoados (eu sei o que queres!); uma associação ateísta, que reúne dois gajos e meio à volta de uma mesa negra para conspirar contra os “ratos de sacristia” – como designam os católicos -, quer negociar com o Estado nas mesmas condições que a Igreja ; “especialistas” em pedofilia e outras mariquices multiplicam-se em declarações sobre o pecado que “enferma” a igreja; entretanto, Ricardo Rodrigues, convoca uma vez mais os jornalistas para falar sobre o que pensa da corrupção; a tal associação ateísta critica a tolerância de ponto que será dada por ocasião da visita do Papa, mas confirma que não irá trabalhar (coerentes, estes senhores) e não abdica de qualquer feriadozinho religioso, porque bom, bom, bom, é estar a coçá-los; e os matrecos gritam pelos submarinos; Inês de Medeiros quer que os portugueses lhe paguem as mordomias de viver em Paris (fosse candidata pelo círculo da Europa!); Paulo Penedos trama Rui Pedro Soares e o seu amicíssimo José Sócrates e confessa que sabia da negociata com Luís Figo e de novo, perguntam os matrecos pelos submarinos; ouvimos especialistas em Economia defenderem o congelamento dos salários e a justificarem os vencimentos principescos dos gestores, argumentando com competitividade (que eles reconhecem não existir) com competência (em empresas monopolistas) com seriedade (como daqueles tipos que andam pela PT, pela REN, pela…) e o que fazem os matrecos? Ah e tal que é para desviar a atenção dos submarinos.
Seria hilariante, não fosse trágico!
Mas, definitivamente, tudo está bem no país dos matraquilhos. Pelo menos, está tudo como deve estar!

*Expressão retirada de uma da música de Sérgio Godinho

13.4.10

Uma vitória da esquerda

Entrou em vigor um novo código de execução de penas. Num país de brandos costumes, cumprir e não cumprir vai dar quase ao mesmo. Na prática, garante-se um mínimo de 25% da pena, situação de todo irreal. A originalidade baseia-se na teoria do costume: o homem é muito bonzinho por natureza e a sociedade tem obrigação de ajudar a recuperar todo o tipo de besta. Já nem vale a pena argumentar contra tanta idiotia.

Não esquecer o passado

Louva-se o esforço de não proliferação nuclear anunciado por Obama. Mas há um evidente senão: as organizações terroristas não são os únicos problemas. Países como o Irão ou a C. do Norte representam ainda uma evidente ameaça e o apaziguamento não é uma estratégia viável. Lembrem-se de Hitler: primeiro a Áustria, depois os Sudetas e, quando Chamberlain e o mundo acordaram, já ele marchava pela Polónia.

A Liga

E este fim-de-semana, sem 5 jogadores do Benfica, 1 do Sporting e mais 5 indisponíveis de variadas origens, decidi inovar na Liga Record. O futebol é um pouco como a vida e quando se decide inventar a coisa dá para o torto. Escolhi: Eduardo-Moisés-Fucile-Alonso-F.Meireles-N.Assis-R.Micael-Zé Pedro-A.Santos-Falcao-Carlão. Esperam-me 22 pontos. Um desastre.

O candidato eterno

O Dr. Alegre promete novidades para esta semana. Por certo, farto de esperar pela indecisão presidencial do PS, o Dr. Alegre não se quer ficar pelas palavras e pretende arranjar sarilho do grosso. No mundo extraordinário da política doméstica, há tanta gente morta que não há cemitério que albergue tanta personalidade. É o caso evidente do Dr. Alegre: ele morreu, e não quer perceber que já não pode ressuscitar. Azar o dele.

Totti

A vida às vezes prega-nos partidas divertidas. Em Itália, sem praticamente ninguém dar por isso, a Roma atingiu a liderança do campeonato, ultrapassando os habituais candidatos de Milão. No mundo da bola, a luta pelo poleiro continua entre Messi e Ronaldo, mas o trono do Imperador Romano mantém-se inalterado. E Totti regressou para a parte final mais dura dos últimos anos. Ave Caesar, morituri te salutant.

Caçar para ser caçado

Em Espanha, Gárzon o super-juiz das vítimas desaparecidas do franquismo, foi apanhado na sua própria malha e vai agora responder por abuso das suas competências. Gárzon vê-se assim acometido pelo excesso de zelo do seu trabalho, ao qual não devemos desassociar uma sede muito própria de protagonismo. Por vezes, mexer no passado à procura de fantasmas enterrados prega-nos partidas. E eis que o caçador passou a presa.

10.4.10

Spot Festival de Cinema

O spot que era para ter passado na RTP-M. Com realização de Filipe Ferraz e com as participações, entre outros, de Nuno Morna, Marta Machado e Luiz Eduardo Nicolau. Música dos madeirenses Nude.

http://www.youtube.com/watch?v=ID90KbkhwC0&feature=email

Festival de Cinema começa hoje

Começa hoje o Festival Internacional de Cinema do Funchal. Depois de semanas de trabalho, é bom ver que a paciência e a persistência do Henrique vão dar frutos novamente. Esta cidade precisa de mais gente como ele, com coragem de andar para a frente e de produzir eventos com qualidade. É um prazer trabalhar com ele desde o 1º Festival, no longínquo ano de 2005.

Para saber toda a programação clique em www.funchalfilmfest.com.

Se quiser estar "em cima do acontecimento", torne-se fã da página do Festival no Facebook.

Nélio Freitas

O Nélio morreu. Era um tipo às direitas. Honesto (coisa que vai rareando, infelizmente)e um excelente profissional. Um dos melhores jornalistas de rádio na Madeira. Que Deus dê paz à sua alma.

3.4.10

Mais giro

Comprei um portátil novo. O anterior, cumprindo o tempo de vida previsto à nascença, faleceu recentemente, sem um lamento ou uma queixa que fosse. Apagou-se, simplesmente, deixando-me à beira de um ataque de fúria, sem tempo nem disposição para lamentar a sua má sorte. Arrependo-me. O bom do Asus foi um companheiro fiel, que nunca deu a entender qualquer ressentimento contra o tratamento que lhe era dado. Lamentavelmente, o orçamento para o fazer regressar à vida era proibitivo. Resignei-me, mas guardei-o em casa e, quem sabe, um dia fá-lo-ei renascer.

Como tudo aquilo que é novo, o novo é mais bonito, mais prático, mais funcional e tem capacidades que eu nunca utilizarei, por manifesta incompetência e óbvia falta de paciência. Foi isso que tentei explicar ao tipo da loja, defendendo-me da vontade insistente com que ele me tentou fazer proprietário de uma outra "máquina infernal", que por pouco, mas por muito pouco - creio que o programa adequado estará disponível para download dentro de semanas - não serve cafés.

Comprei um portátil novo, essa é que é essa. A minha namorada diz que é... mais giro!

2.4.10

Viver a fazer de conta

Em Portugal vive-se um tempo estranho. Como nada se resolve e tudo é suspeito, o que fica da imagem dos políticos são as confusões do costume alimentadas quando o seu tempo é conveniente. Estas coisas acontecem porque ninguém se livra da suspeição e vive amarrada a um passado que não condena nem absolve. Esta história dos submarinos é igual. Definitivamente vivemos num país de faz de conta

Soares Dias

Artur Soares Dias demonstrou hoje o verdadeiro estado da arbitragem em Portugal. Um mau árbitro que acabou nomeado para um dos jogos mais importantes da jornada, ou não se tratasse de um dérbi entre minhotos. O Braga beneficiou de dois penaltis inexistentes e de quatro vermelhos a jogadores do Guimarães. Alguém tem de ser responsabilizado por esta indecência. Uma verdadeira vergonha.

Liga Record

Equipa Liga Record para esta jornada: Bracalli – Maxi Pereira – Luisão – David Luiz – Daniel Carriço – Flávio Meireles – Nuno Assis – Javi Garcia – Ruben Amorim – Ruben Micael – Falcão (cap.)

Los Cantos de Maldoror

He visto, durante toda mi vida, sin una sola excepción, a los hombres de hombros estrechos realizar nu¬merosos actos estúpidos, embrutecer a sus semejantes, y pervertir a las almas por todos los medios. A los motivos de su acción le llaman: la gloria. Viendo esos espectáculos, he querido reír como los demás; pero eso, extraña imitación, era imposible. Tomé un cuchillo cu¬ya hoja tenía un filo acerado y me sajé la carne en los sitios donde se unen los labios. Por un instante creí ha¬ber conseguido mi objeto. Contemplé en un espejo la boca maltratada por mi propia voluntad. ¡Fue un error! La sangre que brotaba abundante de las dos heridas pedía, por otra parte, distinguir si en verdad era la a de los otros

Extraído de Los Cantos de Maldoror. Lautreamont, conde de

31.3.10

Uma nova luta?

A luta entre ricos e pobres será biotecnologicamente desigual. Aos pobres caberá o que houver em sorte. Aos ricos caberá o que eles muito bem entenderem, mantendo assim o seu estatuto e criando um novo homem. O Admirável Mundo Novo de Huxley está à distância do controlo genético dos laboratórios e da sua imaginação. Será esta a verdadeira luta de classes do século XXI?

Evolução

Com o avanço da biotecnologia os bebés feitos por encomenda serão uma realidade. Naturalmente, os pais escolherão os genes que lhes interessam, incluindo alguns que não possuem. Resultará daqui que os bebés feitos em laboratório serão mais altos, mais fortes, mais bonitos e mais inteligentes. Logo, superiores. Mas serão ainda humanos? Ou entraremos noutro patamar da evolução? Quem souber que responda.

30.3.10

Il Cavaliere

Apesar de todo o jornalismo militante que odeia o homem, Berlusconi voltou a sobreviver a mais um embate eleitoral, demonstrando inequivocamente que as eleições perdem-se ou ganham-se no momento íntimo do voto. Goste-se ou não, Il Cavaliere ultrapassou com distinção mais este teste e provou que as notícias da sua morte eram manifestamente exageradas.

Tirar ilações

A pedofilia na Igreja é notícia cíclica. As sucessivas denúncias põem em causa a nobreza do sacerdócio que algumas ovelhas tresmalhadas decidiram trair. A Igreja, que para muitos é um ódio visceral, é sempre um alvo apetitoso. Mas espera-se que saiba tirar daqui as devidas ilações porque é tempo de assumir que algo não vai bem. Pela Igreja Católica. Por todos os crentes. E por todas estas vítimas.

Uma evidência

A questão da comunicação social é pertinente. Mas o debate está enviesado. Podemos concordar ou não concordar com a injecção de dinheiros públicos nos órgãos de comunicação social. Mas então temos de ser coerentes. Se o Estado não deve financiar jornais, também não deve financiar rádios, agências noticiosas e muito menos televisões.

A Viúva Negra do Cáucaso

Em Moscovo, um duplo atentado suicida no metro provocou pelo menos 36 mortos. O atentado, ainda não reivindicado, deverá ter origem no norte do Cáucaso onde a Rússia tenta atabalhoadamente impor a ordem. O medo parece assim estar de volta, por obra das tristemente célebres Viúvas Negras do Cáucaso. O terror nesta situação gerará mais terror. E a Mãe Rússia não deixará de retaliar. Desproporcionalmente.

29.3.10

Uma missão

Apesar de não ter votado em Passos Coelho, há que reconhecer a sua vitória esmagadora. Mais de 60% dos votos legitima, e muito, a nova liderança do PSD que vê assim reunidas condições extraordinárias para iniciar o seu mandato. Agora a tarefa é gigantesca: unir o partido, recuperar a confiança dos portugueses e constituir-se como alternativa ao PS. Num tempo difícil e de pouca esperança.

Liga Record

A liga Record deste fim-de-semana correu-me muito bem. Luisão, o meu capitão de equipa, decidiu o jogo a favor do Benfica e será quase de certeza o jogador da jornada. Valerá 30 pontos. No total devo ter 70, ou muito perto disso. Um pormenor: pela primeira vez todos os jogadores que escolhi venceram pelas suas respectivas equipas. O único azar da jornada foi o Fucile não ter entrado nas contas do Jesualdo Ferreira.

25.3.10

Há uns mais iguais do que outros

As famosas ladies night representam uma regressão na luta das mulheres por uma sociedade mais igualitária. Sujeitar-se a um tratamento exótico, atraídas pela gratuidade da bebida é uma forma de aceitar uma discriminação desprezível. Não se pode querer igualdade e depois aceitar estas excepções, ou acabaremos todos como aquela história bem velhinha: todos os sexos são iguais. Mas há uns mais iguais do que outros.

Fiar-se na virgem

Mesmo que o Dr. Serrão diga o contrário, não foi por causa do PSD que ele não foi eleito vice-presidente. O acerto de contas interno continua e ontem provou-se que a oposição não se respeita. Armar-se em vítima agora de nada vale. Em vez de se ter convencido que a eleição estava garantida o Dr. Serrão devia ter ido atrás dos votos necessários. É o que dá fiar-se na virgem e não correr.