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Catarina Resende pega na Amélia de Jorge Palma. Actualiza-a. Transforma-a numa "bandeira da tolerância" - a frase não é dela, mas poderia ser - na guerra pelo direito à interrupção voluntária da gravidez.
A editora, num golpe publicitário inteligente, vende o livro juntamente com o CD do Palma (vai, de certeza, assegurar mais que uma edição).
O problema é que Do Lado Errado da Noite não é uma pérola da literatura. Lê-se entre uma ida à casa de banho e uma bica, é verdade.
Também é verdade que Catarina Resende, uma aspirante a escritora (esta definição é mesmo dela) tem uma escrita fluída, desembaraçada.
Mas no fim do livro deixa-nos com a sensação de não ter conseguido captar a densidade e a complexidade do meio e das personagens sobre os quais escreve.
No Lado Errado da Noite não acrescenta nada. Nem à música do Jorge Palma, nem à alma (ou ao cérebro, de quem o lê).
Mas vai vender bem, ora se vai...