Não gosto de ser pessimista, mas 2007 não foi um bom ano para a maioria dos madeirenses. O próximo não será muito diferente.
Eu, por exemplo, gastei mais 250 euros de gasóleo. Paguei mais 505 euros pela casa, em relação ao ano homólogo.
Só o ordenado é que não cresceu. O meu e o de milhares de cidadãos da minha terra. O desemprego disparou (são agora mais de 8 mil). O principal motor da economia gripou. Foi o governo quem nos últimos 20 anos, derramou dinheiro na economia, através de um forte investimento público. O turismo tenta recuperar o fôlego de outros tempos. Uma vez mais o Sr. Governo foi obrigado a intervir (paga algumas low cost para voarem para cá).
No meio deste deserto, resta-nos a Praça Financeira, mas a Europa e o Estado convivem mal com os paraísos ficais. Há quem diga que tem os dias contados (2011). O descrédito vem de dentro de algumas empresas lá instaladas.
Face aos actuais constrangimentos é urgente repensar o futuro.
Numa terra com recursos naturais limitados, como é o nosso caso, a riqueza ainda são as pessoas. É necessário formá-las. Como? Através de protocolos com instituições externas (portuguesas e estrangeiras). O IV quadro Comunitário de Apoio tem subsídios para esta área, mas considero que não vale a pena gastar o dinheiro com os formadores do costume. Alguns deles já estão em bicos de pé, como é o caso da ACIF, para ensinar. Todos nós conhecemos os nossos quadros técnicos. Todos nós, já fizemos formação e sabemos quem a dá. Com honrosas excepções, são cursos que normalmente não servem para nada. Se há dinheiro, que se invista, de forma a criar riqueza.
"Reúne sete ou oito sábios e tornar-se-ão outros tantos tolos, pois incapazes de chegar a acordo entre eles, discutem as coisas em vez de as fazerem" - António da Venafro
Mostrar mensagens com a etiqueta economia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta economia. Mostrar todas as mensagens
27.12.07
26.6.07
Roubar aos pobres para dar aos ricos (coitados...)
O governo desta (miserável) república onde vivemos encomendou um estudo para analisar a viabilidade do Serviço Nacional de Saúde (SNS).Conclusões? As de sempre: é preciso aumentar as taxas moderadoras e acabar com mais algumas isenções (crianças e grávidas, por exemplo); talvez seja necessário criar mais um imposto ou um seguro obrigatório (como se eu já não descontasse obrigatoriamente para o SNS); cortar nas comparticipações, enfim, o normal...
Claro que, prontamente, a guarda avançada neoliberal (liderada pelos obedientes José Gomes Ferreira e Ricardo Costa) deste governo apareceu gritando: aqui d'el rei que o SNS está falido, que é preciso aumentar a comparticipação dos cidadãos, patati, patata. E são apresentados como especialistas. Sim, leram bem: especialistas! Especialistas de quê?, perguntamos nós. De Saúde; de Serviço Social? Não, especialistas de economia.
Ah, ficámos mais esclarecidos.
Ainda assim, resistimos. Com um esforço estóico, assistemos à verborreia destes senhores sobre a imperiosa necessidade do governo português ter de vir ao nosso bolso. Sim senhor, que estamos a ficar velhos (e a velhada custa dinheiro que não temos), que o estado não tem capacidade para nos sustentar, que cada vez mais tratamentos são comparticipados e assim por diante.
E de repente, uma perguntinha inocente: então, se a coisa está assim tão mal, o governo acabará com os benefícios fiscais para os utentes dos sistemas privados de saúde, (que tem como clientes os portugueses com alguma capacidade financeira, como os ditos especialistas, respectivas famílias e - suspeito - restantes pessoas de suas relações e amizade)? Não, porque não pode ser, porque o SNS vai ficar sobrelotado, patati, patata (de novo...).
E nós, macacos, ficamos confusos.
Então: aumentar-os-custos-com-a-saúde-para-os-desgraçados-que-recebem-miseravelmente, tudo bem. Cortar-nos-benefícios-daqueles-que-podem-aceder-a-sistemas-privados (onde me incluo), já não pode ser!
Está bem. Está certo. E esperam estes ilustres espécimes da chico-espertice lusa que alguém os leve a sério. M.... para eles!
31.5.07
Uma longa..."estória"
Para começo de “estória”, convém confessar-me. Sou um verme. Um reles criminoso. Um devedor ao fisco. Um não cumpridor perante o estado português, esse modelo de lisura, transparência e seriedade. Como tal, não mereço mais do que aquilo que ontem me aconteceu e que hoje vos relatarei.
Devo às Finanças a exorbitante quantia de 113,12 euros. O prazo para pagamento terminava a meados de Maio. E eu, reles devedor, tencionava pagar até os 12 cêntimos que os senhores resolveram extorquir-me. Como tal, dirigi-me até à “minha” repartição. Corria o dia 18 de Maio do ano de Deus de 2007.
Ao chegar às atafulhadas instalações, informaram-me de que afinal não podia pagar nada. Porque o meu banco já tinha recebido uma cartita a penhorar-me a conta. Encolhi os ombros, fui ao Multibanco mais próximo e percebi que de facto os meus parcos trocos tinham passado para saldo contabilístico. Lá sobrevivi o resto do mês à conta de um generoso empréstimo dispensado por alguém de quem gosto muito. Na altura, confesso, apesar do aperto fiquei com a sensação de dever cumprido. Eu, este criminoso, espécie de Al Capone dos tempos modernos, atingira a redenção. Alvíssaras!
A minha vida continuou ao ritmo normal. Sem dinheiro para mandar o ceguinho João tocar o hino do Marítimo.
E todos os meus problemas, acreditava eu, estariam resolvidos a 30 de Maio. Mas, oh, vã ilusão! Ontem saltitei em direcção ao Multibanco, feliz como uma criança a olhar para um combate de wrestling. Mas o mundo é feito de surpresas. Continuava com a conta penhorada! E, pior do que isso, a simpática senhora dos Recursos Humanos cá da casa recebera uma cartita das Finanças a anunciar a intenção de me extorquir, no próximo ordenado, a quantia de 113,12 euros. Em resumo, para além de me terem bloqueado - “ad eternum”, pelos vistos - a conta com o objectivo de me surripar, os senhores das Finanças tencionavam calmamente levar-me parte do ordenado. Uma dívida cobrada a dobrar, pelos vistos!
Com os 5 euros que me restavam, certitos para apagar o parque de estacionamento, lá arranquei furiosamente em direcção à ”minha” repartição de Finanças. Parecia o Alonso numa pista de Fórmula 1. Se o Robocop me apanhava, lá ia a licença de condução p’ó galheiro!
Lá chegado, uma senhora funcionária sentou-me à sua frente. Sim, de facto tinha a conta bloqueada. Sim, de facto tencionavam surripar-me parte do ordenado, disse alegremente. Minha senhora, retorqui eu com a calma de um Ulisses amarrado ao mastro, eu quero pagar o que devo. Mas como hei de fazê-lo se vossas excelências não me deixam tocar na massa que está no banco? Olhe não sei, esgrimiu a senhora. Peça emprestado, venha cá pagar a dívida e depois desbloqueamos a conta, sentenciou, sem encontrar explicação para a carta enviada aos recursos humanos da minha empresa. Confesso que dei uma gargalhada tão grande que me doeram os rins. E lá me vim embora, aos soluços.
Na segunda etapa fui ao meu banco. Sábia instituição à qual a minha genética falta de vocação para papelada me mantém fiel. Sim senhor, disse-me um sábio funcionário de balcão. Tem a conta bloqueada. Mas vai ser melhor falar com o gerente, que o caso é “complexo”.
Complexo, pensei eu? Complexo? Complexas são as prelecções do Dr. José António Cardoso. Complexa é a gonorreia! Complexos são os discursos do Paulo Bento! Complexa é a sua santa mãezinha! Isso é que é complexo, pensei eu, mais furibundo do que um fundamentalista muçulmano a ver um vídeo da Madona! Complexo!
Sim, realmente tem a conta bloqueada, garantiu-me sabiamente o gerente. De facto, chegou uma “cartita” das Finanças, arengou…
Oiça, meu caro amigo, eu quero pagar. Eu desejo pagar. Eu anseio pagar. Eu suspiro por pagar. Um quero redimir-me. Livrar-me do fogo do Inferno. Mas como o farei se vossas excelências me bloquearam uma conta que tem, felizmente, mais massa do que os benditos cento-e-treze-euros-e-doze-cêntimos que devo? Vossa senhoria é capaz de explicar? Passo um cheque sem cobertura? Faço um biscate na construção e recebo a grana a pronto? Assalto uma velhinha? Roubo um banco? Este banco? Emigro para França? Junto-me ao “iscortimadeira”? Peço à porta da Sé? Perguntei, com a calma do Mike Tyson a arrancar orelhas. Com a classe de um pacóvio do Texas a lidar prisioneiros em Abu Ghraib.
Pois, realmente… Respondeu sabiamente o gerente.
Após quatro telefonemas, e quase por favor, lá me desbloquearam a conta. Tinham passado três horas após o início da aventura. Agora, tenho de voltar às Finanças a suplicar para que mandem outra “cartita” aos recursos humanos da empresa a desmentir a missiva de extorsão anterior. Tenho de lhes pedir que não me cobrem duas vezes. E orar a Deus e a Maomé para que o problema fique resolvido. Com sorte, ainda me pedem para levar lá a senhora dos recursos humanos. É como o outro: já lhe mostrei o rabo, já lhe trouxe a sanita, já lhe mostrei a merda, agora vende-me a porra do papel higiénico? Se faz favor…
Devo às Finanças a exorbitante quantia de 113,12 euros. O prazo para pagamento terminava a meados de Maio. E eu, reles devedor, tencionava pagar até os 12 cêntimos que os senhores resolveram extorquir-me. Como tal, dirigi-me até à “minha” repartição. Corria o dia 18 de Maio do ano de Deus de 2007.
Ao chegar às atafulhadas instalações, informaram-me de que afinal não podia pagar nada. Porque o meu banco já tinha recebido uma cartita a penhorar-me a conta. Encolhi os ombros, fui ao Multibanco mais próximo e percebi que de facto os meus parcos trocos tinham passado para saldo contabilístico. Lá sobrevivi o resto do mês à conta de um generoso empréstimo dispensado por alguém de quem gosto muito. Na altura, confesso, apesar do aperto fiquei com a sensação de dever cumprido. Eu, este criminoso, espécie de Al Capone dos tempos modernos, atingira a redenção. Alvíssaras!
A minha vida continuou ao ritmo normal. Sem dinheiro para mandar o ceguinho João tocar o hino do Marítimo.
E todos os meus problemas, acreditava eu, estariam resolvidos a 30 de Maio. Mas, oh, vã ilusão! Ontem saltitei em direcção ao Multibanco, feliz como uma criança a olhar para um combate de wrestling. Mas o mundo é feito de surpresas. Continuava com a conta penhorada! E, pior do que isso, a simpática senhora dos Recursos Humanos cá da casa recebera uma cartita das Finanças a anunciar a intenção de me extorquir, no próximo ordenado, a quantia de 113,12 euros. Em resumo, para além de me terem bloqueado - “ad eternum”, pelos vistos - a conta com o objectivo de me surripar, os senhores das Finanças tencionavam calmamente levar-me parte do ordenado. Uma dívida cobrada a dobrar, pelos vistos!
Com os 5 euros que me restavam, certitos para apagar o parque de estacionamento, lá arranquei furiosamente em direcção à ”minha” repartição de Finanças. Parecia o Alonso numa pista de Fórmula 1. Se o Robocop me apanhava, lá ia a licença de condução p’ó galheiro!
Lá chegado, uma senhora funcionária sentou-me à sua frente. Sim, de facto tinha a conta bloqueada. Sim, de facto tencionavam surripar-me parte do ordenado, disse alegremente. Minha senhora, retorqui eu com a calma de um Ulisses amarrado ao mastro, eu quero pagar o que devo. Mas como hei de fazê-lo se vossas excelências não me deixam tocar na massa que está no banco? Olhe não sei, esgrimiu a senhora. Peça emprestado, venha cá pagar a dívida e depois desbloqueamos a conta, sentenciou, sem encontrar explicação para a carta enviada aos recursos humanos da minha empresa. Confesso que dei uma gargalhada tão grande que me doeram os rins. E lá me vim embora, aos soluços.
Na segunda etapa fui ao meu banco. Sábia instituição à qual a minha genética falta de vocação para papelada me mantém fiel. Sim senhor, disse-me um sábio funcionário de balcão. Tem a conta bloqueada. Mas vai ser melhor falar com o gerente, que o caso é “complexo”.
Complexo, pensei eu? Complexo? Complexas são as prelecções do Dr. José António Cardoso. Complexa é a gonorreia! Complexos são os discursos do Paulo Bento! Complexa é a sua santa mãezinha! Isso é que é complexo, pensei eu, mais furibundo do que um fundamentalista muçulmano a ver um vídeo da Madona! Complexo!
Sim, realmente tem a conta bloqueada, garantiu-me sabiamente o gerente. De facto, chegou uma “cartita” das Finanças, arengou…
Oiça, meu caro amigo, eu quero pagar. Eu desejo pagar. Eu anseio pagar. Eu suspiro por pagar. Um quero redimir-me. Livrar-me do fogo do Inferno. Mas como o farei se vossas excelências me bloquearam uma conta que tem, felizmente, mais massa do que os benditos cento-e-treze-euros-e-doze-cêntimos que devo? Vossa senhoria é capaz de explicar? Passo um cheque sem cobertura? Faço um biscate na construção e recebo a grana a pronto? Assalto uma velhinha? Roubo um banco? Este banco? Emigro para França? Junto-me ao “iscortimadeira”? Peço à porta da Sé? Perguntei, com a calma do Mike Tyson a arrancar orelhas. Com a classe de um pacóvio do Texas a lidar prisioneiros em Abu Ghraib.
Pois, realmente… Respondeu sabiamente o gerente.
Após quatro telefonemas, e quase por favor, lá me desbloquearam a conta. Tinham passado três horas após o início da aventura. Agora, tenho de voltar às Finanças a suplicar para que mandem outra “cartita” aos recursos humanos da empresa a desmentir a missiva de extorsão anterior. Tenho de lhes pedir que não me cobrem duas vezes. E orar a Deus e a Maomé para que o problema fique resolvido. Com sorte, ainda me pedem para levar lá a senhora dos recursos humanos. É como o outro: já lhe mostrei o rabo, já lhe trouxe a sanita, já lhe mostrei a merda, agora vende-me a porra do papel higiénico? Se faz favor…
18.5.07
Desemprego bate Obikwuelo
O Desemprego bate recordes em Portugal. Cresce mais depressa do que o Obikwuelo corre os 100 metros.
Mais de 500.000 trabalhadores, ou seja, 8,4% da população activa, não tem trabalho. Um acréscimo, segundo o Jornal de Negócios, "de 9,4%, face ao trimestre homólogo e de 2,5%, em relação ao trimestre anterior".
"Estes dados são divulgados dias depois (...) do IEFP ter anunciado que o número de desempregados inscritos nos centros de emprego desceu mais de 10% em Abril.", acrescenta o Jornal de Negócios.
Quantos empregos ia o candidato Sócrates criar?
Do you remember?
Mais de 500.000 trabalhadores, ou seja, 8,4% da população activa, não tem trabalho. Um acréscimo, segundo o Jornal de Negócios, "de 9,4%, face ao trimestre homólogo e de 2,5%, em relação ao trimestre anterior".
"Estes dados são divulgados dias depois (...) do IEFP ter anunciado que o número de desempregados inscritos nos centros de emprego desceu mais de 10% em Abril.", acrescenta o Jornal de Negócios.
Quantos empregos ia o candidato Sócrates criar?
Do you remember?
27.1.07
Liberdade para a economia ("tadinha"...!)
Uma tal Economic Freedom Network publicou um anuário sobre a liberdade económica, cotando os diversos países de acordo com uma série de critérios neo-liberais. De acordo com este relatório, Portugal está em 20º lugar, à frente de (pasme-se!) Espanha e mesmo da Suécia (não é piada. É mesmo verdade). Aliás, no que toca à liberdade económica, Portugal situa-se em 6º lugar entre os países que integram a UE, sendo a avaliação superior à média Europeia (a 25).
Parece uma boa notícia, mas nós, leigos em economia, temos algumas perguntinhas para colocar a este movimento neo-liberal:
1) A liberalização absoluta da economia é vendida como a banha da cobra, prometendo resolver todos os nossos problemas económico-sociais. Ora, estando Portugal tão bem classificado, porque raio não saímos desta cepa torta?
2) Como poderão os espanhóis e os suecos viverem melhor do que os portugueses, se a economia deles é tão oprimida?
3) Em que é que a liberalização total dos despedimentos melhorará a vida de todos nós?
É que sinceramente não percebo. Mas isto deve ser defeito de formação.
PS - É por estas e por outras que cada vez mais olho com desconfiança para este liberalismo contemporâneo. Perdeu-se tudo o que de político havia neste movimento, passando a ser apenas um cálculo económico. Não me venham é pedir que acredite ainda ser possível encontrar políticas sociais.
Parece uma boa notícia, mas nós, leigos em economia, temos algumas perguntinhas para colocar a este movimento neo-liberal:
1) A liberalização absoluta da economia é vendida como a banha da cobra, prometendo resolver todos os nossos problemas económico-sociais. Ora, estando Portugal tão bem classificado, porque raio não saímos desta cepa torta?
2) Como poderão os espanhóis e os suecos viverem melhor do que os portugueses, se a economia deles é tão oprimida?
3) Em que é que a liberalização total dos despedimentos melhorará a vida de todos nós?
É que sinceramente não percebo. Mas isto deve ser defeito de formação.
PS - É por estas e por outras que cada vez mais olho com desconfiança para este liberalismo contemporâneo. Perdeu-se tudo o que de político havia neste movimento, passando a ser apenas um cálculo económico. Não me venham é pedir que acredite ainda ser possível encontrar políticas sociais.
Subscrever:
Mensagens (Atom)