Quando todos os líderes de governo da Europa estão pessimistas relativamente à crise do mercado de capitais, Sócrates, qual pateta alegre, destoa e mostra-se confiante.
Será para levar a sério um primeiro-ministro como este?
"Reúne sete ou oito sábios e tornar-se-ão outros tantos tolos, pois incapazes de chegar a acordo entre eles, discutem as coisas em vez de as fazerem" - António da Venafro
Mostrar mensagens com a etiqueta é a economia estúpido. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta é a economia estúpido. Mostrar todas as mensagens
22.1.08
6.1.08
O deus Mercado, a nossa senhora Economia Livre, e a pomba Concorrência parecem ser a santíssima trindade dos tempos modernos, defendida por políticos e economistas, conforme se pode ver nesta caixa de comentários e em outros milhões de textos.
Por mim estou convencido de que tudo isto não passa de um flop e que o mito neoliberal de que a economia livre liberta ruirá em breve!
Quanto à questão de um novo canal, veremos a quem serve e em que altar será feita a adoração.
Por mim estou convencido de que tudo isto não passa de um flop e que o mito neoliberal de que a economia livre liberta ruirá em breve!
Quanto à questão de um novo canal, veremos a quem serve e em que altar será feita a adoração.
23.12.07
Ideias idiotas (passe a tautologia)
Parece que para Luís Filipe Menezes a solução para todos os problemas de Portugal passaria pela privatização de sectores como o ambiente, as comunicações, os transportes, os portos, passando a prestação do Estado Social ser contratualizada com os privados, acabando com o monopólio na saúde, educação e segurança social (Menezes dixit).
Até nem me parceria mal, se não soubéssemos que entregar o ambiente a empresas privadas seria estar a promover a promiscuidade (ou colocar a raposa a guardar as galinhas) - veja-se a vergonha das empresas de certificação de qualidade, que certificam qualquer treta desde que as tranches financeiras sejam feitas a tempo -; se não tivéssemos a experiência de que os transportes não mais eficientes por estarem nas mãos de privados (não têm menos desperdícios), que não são mais eficazes (não prestam um melhor serviço) e que, definitivamente, não mais mais baratos para os consumidores (todos conhecemos as propostas absurdas de aumentos e os pactos que se estabelecem entre empresas). Estaria tudo bem se não tivéssemos conhecimento de doentes postos à porta das clínicas por terem expirado os títulos de seguros (a denúncia é feita pela Ordem dos Médicos) e que estas empresas fogem como o diabo da cruz quando se trata de pagar (não teremos já todos passado pelo martírio que as seguradoras nos submetem para obtermos aquilo que é nosso por direito?!); se não conhecêssemos a falta de qualidade gritante de muitos colégios privados e das empresas de formação (estas então passam certificados a metro, sem qualquer rigor ou exigência).
Portanto, a ideia não é má, se o tecido empresarial português fosse minimamente credível. Mas todas trapaças no BCP (entre outras, que ao nível de aldrabice o BCP não é caso único), demonstra bem a grau de confiança que poderemos ter nas empresas portuguesas. Assim sendo, caro Luís, e que tal se fosses pregar para outra freguesia e me desamparasses a loja?!
Até nem me parceria mal, se não soubéssemos que entregar o ambiente a empresas privadas seria estar a promover a promiscuidade (ou colocar a raposa a guardar as galinhas) - veja-se a vergonha das empresas de certificação de qualidade, que certificam qualquer treta desde que as tranches financeiras sejam feitas a tempo -; se não tivéssemos a experiência de que os transportes não mais eficientes por estarem nas mãos de privados (não têm menos desperdícios), que não são mais eficazes (não prestam um melhor serviço) e que, definitivamente, não mais mais baratos para os consumidores (todos conhecemos as propostas absurdas de aumentos e os pactos que se estabelecem entre empresas). Estaria tudo bem se não tivéssemos conhecimento de doentes postos à porta das clínicas por terem expirado os títulos de seguros (a denúncia é feita pela Ordem dos Médicos) e que estas empresas fogem como o diabo da cruz quando se trata de pagar (não teremos já todos passado pelo martírio que as seguradoras nos submetem para obtermos aquilo que é nosso por direito?!); se não conhecêssemos a falta de qualidade gritante de muitos colégios privados e das empresas de formação (estas então passam certificados a metro, sem qualquer rigor ou exigência).
Portanto, a ideia não é má, se o tecido empresarial português fosse minimamente credível. Mas todas trapaças no BCP (entre outras, que ao nível de aldrabice o BCP não é caso único), demonstra bem a grau de confiança que poderemos ter nas empresas portuguesas. Assim sendo, caro Luís, e que tal se fosses pregar para outra freguesia e me desamparasses a loja?!
10.12.07
Real politik vs ética
Robert Mugabe é um ditador, responsável por um desgoverno absoluto que está a arruinar o Zimbabwe. Não tem qualquer respeito pelos direitos mais elementares do homem. Dos homens. Dos negros como ele e que jurou defender. Tem razão Brown para não querer sentar à mesa deste déspota, apesar dos motivos serem errados. Porque não passa do orgulho ferido e porque o império britânico foi prejudicado com a tomada de poder de Mugabe. Não se trata da defesa efectiva dos direitos do homem, por parte do PM inglês (todos sabemos que é uma questão de política interna). Porque o governo britânico não tem pruridos em sentar à mesa de outras ditaduras tão ou mais violentas que a do Zimbabwe, como a Arábia Saudita.
Há algumas semanas, o governo português acolheu com honras de Estado o cacique-aspirante-a-ditador Hugo Chávez. Na altura, reconhecia a pertinência de termos de engolir este sapo: a comunidade portuguesa na Venezuela é demasiado grande e o governo português tem o dever de zelar pelos seus interesses.
Parece, contudo, que o principal motivo do encontro não foi a defesa da comunidade portuguesa, mas garantir negócios chorudos para a Galp. E sinceramente, senti um amargo de boca!
Este fim-de-semana, recebemos com pompa e circunstância Muammar Kadhafi, líder do regime opressivo que governa a Líbia. Aliás, vimos Sócrates de mão dada com o Líder Supremo líbio e todo ele era sorrisos. O motivo para tanta alegria era a garantia de outros negócios chorudos para a Galp e para outras empresas portuguesas. Que são levadas para a Líbia atraídas pelos dinares líbios, sem qualquer tipo de preocupação com essas questões humanistas.
Uma vez mais, todo um povo vergou-se aos interesses económicos de meia dúzia.
A isto chamam de real politik: eu chamaria de hipocrisia. E a mim, custou-me a engolir ver o PM do meu país a fazer acordos com um líder de um governo que não tem qualquer respeito pelos direitos do homem. A fazer acordos económicos. A vender a dignidade de um país aos interesses de alguns!
Não me admiro nada que qualquer dia estejamos à mesa de negociações com terroristas, conforme propunha, num rasgo invulgar de imbecilidade, Mário Soares. Já estivemos mais longe!
Há algumas semanas, o governo português acolheu com honras de Estado o cacique-aspirante-a-ditador Hugo Chávez. Na altura, reconhecia a pertinência de termos de engolir este sapo: a comunidade portuguesa na Venezuela é demasiado grande e o governo português tem o dever de zelar pelos seus interesses.
Parece, contudo, que o principal motivo do encontro não foi a defesa da comunidade portuguesa, mas garantir negócios chorudos para a Galp. E sinceramente, senti um amargo de boca!
Este fim-de-semana, recebemos com pompa e circunstância Muammar Kadhafi, líder do regime opressivo que governa a Líbia. Aliás, vimos Sócrates de mão dada com o Líder Supremo líbio e todo ele era sorrisos. O motivo para tanta alegria era a garantia de outros negócios chorudos para a Galp e para outras empresas portuguesas. Que são levadas para a Líbia atraídas pelos dinares líbios, sem qualquer tipo de preocupação com essas questões humanistas.
Uma vez mais, todo um povo vergou-se aos interesses económicos de meia dúzia.
A isto chamam de real politik: eu chamaria de hipocrisia. E a mim, custou-me a engolir ver o PM do meu país a fazer acordos com um líder de um governo que não tem qualquer respeito pelos direitos do homem. A fazer acordos económicos. A vender a dignidade de um país aos interesses de alguns!
Não me admiro nada que qualquer dia estejamos à mesa de negociações com terroristas, conforme propunha, num rasgo invulgar de imbecilidade, Mário Soares. Já estivemos mais longe!
Etiquetas:
a vida é um milagre,
assaltos à mão armada,
Aterrar noutro planeta,
é a economia estúpido,
País dos matraquilhos,
politica,
política
26.11.07
E que tal uma chibatazinha, não?!
Numa entrevista publicada hoje no Público, Paulo Nunes de Almeida, presidente da Associação Têxtil e Vestuário de Portugal e putativo representante do patronato - sendo apontado como sucessor dos actuais presidentes da CIP e da AEP -, apresenta uma série de medidas que, no seu entender, têm que ser tomadas a bem da economia portuguesa.
Ora, para quem não quiser ler toda a entrevista, aqui ficam as ideias principais:
1. travar os aumentos do salário mínimo ou, em alternativa, que o Estado dê compensações financeiras às empresas;
2. reduzir o número de feriados;
3. a já recorrente facilitação dos despedimentos, avançando com a ideia peregrina de impôr tectos máximos às indemnizações a pagar;
4. em compensação, propõe criar um fundo, no Vale do Cávado (?), para a reconversão dos trabalhadores despedidos;
5. acabar com os 13º e 14º meses;
6. acabar com os pagamentos das horas extra, substituindo esse pagamento por compensações em alturas de menos trabalho;
7. baixar a carga fiscal das empresas.
Para este dirigente patronal, o único caminho para a salvação da economia portuguesa é acabar com todos os direitos dos trabalhadores e aumentar todos os benefícios das empresas. Não propõe baixar os salários dos gestores portugueses, que estão bem acima da média e que inflacionam (e como!) o ordenado médio nacional; não propõe um maior esforço de modernização das empresas; não propõe a implementação de sistemas de qualidade que permitam limitar custos com gastos desnecessários; não propõe que os gestores portugueses comecem a aprender efectivamente a gerir ( e tudo isto numa altura em que alguns sectores apresentam lucros fabulosos). Não, todas as suas propostas têm como fim último entalar ainda mais o Zé Povinho.
E depois, ainda apresenta aquela ideia estapafúrdia de criar um fundo de reconversão dos trabalhadores despedidos (com a lei que gostaria de ver criada) na Vale do Cávado. Caro senhor, e então os trabalhadores despedidos de Trás-os-Montes, do Minho, da Beira Interior, do Alentejo, do Algarve e das ilhas? O que se faria com esses? Comida para os peixinhos, com certeza?
Isto começa a atingir limites completamente inconcebíveis. Se é bem verdade que o movimento sindical precisa de ser revolucionado rapidamente, não é menos verdade que o patronato português precisa de entender que a mama do Estado não é só para eles. Que o Estado não existe para servi-los! Que esta história de Robin dos Bosques ao contrário, a continuar, vai levar a uma cada vez maior insatisfação social, com efeitos possivelmente explosivos.
Eu estou cada vez mais convencido que a baixa produtividade portuguesa não é culpa dos trabalhadores, mas dos patrões. Se são representados por senhores com ideias tão imbecis como estas, não podemos esperar que a sua gestão seja grande coisa.
E ao nível internacional, começa a ser tempo de aprendermos (mas aqui, a culpa é manifestamente dos políticos) que o valor deve servir e não ser servido. Que a merda do mercado não é um qualquer deus e que deve estar ao serviço das pessoas e não o contrário.
Ora, para quem não quiser ler toda a entrevista, aqui ficam as ideias principais:
1. travar os aumentos do salário mínimo ou, em alternativa, que o Estado dê compensações financeiras às empresas;
2. reduzir o número de feriados;
3. a já recorrente facilitação dos despedimentos, avançando com a ideia peregrina de impôr tectos máximos às indemnizações a pagar;
4. em compensação, propõe criar um fundo, no Vale do Cávado (?), para a reconversão dos trabalhadores despedidos;
5. acabar com os 13º e 14º meses;
6. acabar com os pagamentos das horas extra, substituindo esse pagamento por compensações em alturas de menos trabalho;
7. baixar a carga fiscal das empresas.
Para este dirigente patronal, o único caminho para a salvação da economia portuguesa é acabar com todos os direitos dos trabalhadores e aumentar todos os benefícios das empresas. Não propõe baixar os salários dos gestores portugueses, que estão bem acima da média e que inflacionam (e como!) o ordenado médio nacional; não propõe um maior esforço de modernização das empresas; não propõe a implementação de sistemas de qualidade que permitam limitar custos com gastos desnecessários; não propõe que os gestores portugueses comecem a aprender efectivamente a gerir ( e tudo isto numa altura em que alguns sectores apresentam lucros fabulosos). Não, todas as suas propostas têm como fim último entalar ainda mais o Zé Povinho.
E depois, ainda apresenta aquela ideia estapafúrdia de criar um fundo de reconversão dos trabalhadores despedidos (com a lei que gostaria de ver criada) na Vale do Cávado. Caro senhor, e então os trabalhadores despedidos de Trás-os-Montes, do Minho, da Beira Interior, do Alentejo, do Algarve e das ilhas? O que se faria com esses? Comida para os peixinhos, com certeza?
Isto começa a atingir limites completamente inconcebíveis. Se é bem verdade que o movimento sindical precisa de ser revolucionado rapidamente, não é menos verdade que o patronato português precisa de entender que a mama do Estado não é só para eles. Que o Estado não existe para servi-los! Que esta história de Robin dos Bosques ao contrário, a continuar, vai levar a uma cada vez maior insatisfação social, com efeitos possivelmente explosivos.
Eu estou cada vez mais convencido que a baixa produtividade portuguesa não é culpa dos trabalhadores, mas dos patrões. Se são representados por senhores com ideias tão imbecis como estas, não podemos esperar que a sua gestão seja grande coisa.
E ao nível internacional, começa a ser tempo de aprendermos (mas aqui, a culpa é manifestamente dos políticos) que o valor deve servir e não ser servido. Que a merda do mercado não é um qualquer deus e que deve estar ao serviço das pessoas e não o contrário.
16.10.07
Rua com esta gente
Se não fosse tão grave, seria para nos rirmos a bandeiras despregadas.
Mas vamos lá à estória, de modo a que se este post for lido por alguém que resida fora de Portugal, entenda bem o estapafúrdio da situação e o inverosímil governo que desgoverna esta nação.
Tudo começa na semana passada, quando os senhores primeiro-ministro e ministro das Finanças convocaram, às pressas, uma conferência de imprensa, a decorrer à hora dos noticiários do almoço onde, pomposamente, anunciaram que a meta dos 3% de défice seria cumprida e que em 2008 os funcionários públicos não voltariam a perder poder de compra, o que para os leigos em questões económicas significa que os aumentos salariais seriam superiores à taxa de inflação. Note-se que este anúncio - o dos aumentos salariais - foi feito efusivamente, como se de um grande benefício para os servidores do estado se tratasse.
Ora, apenas 5 dias depois... Repito em voz alta: 5 DIAS DEPOIS, aparece o mesmo senhor ministro das finanças a anunciar que a proposta do governo para a actualização salarial para 2008 seria de 2,1%, igual à taxa prevista (pelo governo) de inflação. É verdade: este inenarrável personagem que alguém nomeou ministro das finanças, e aqueloutro que fizeram primeiro-ministro ("foge cão, que te fazem barão") gozam desta rica e descarada maneira com os milhares de trabalhadores cujo esforço permitiu que o défice fosse substancialmente reduzido.
Isto, num país a sério, seria para uma revolta em massa. Num país a sério, o povo jamais aceitaria ser gozado desta forma por figurinhas deste calibre. Decididamente, esta gente não um pingo de vergonha na cara.
Mas vamos lá à estória, de modo a que se este post for lido por alguém que resida fora de Portugal, entenda bem o estapafúrdio da situação e o inverosímil governo que desgoverna esta nação.
Tudo começa na semana passada, quando os senhores primeiro-ministro e ministro das Finanças convocaram, às pressas, uma conferência de imprensa, a decorrer à hora dos noticiários do almoço onde, pomposamente, anunciaram que a meta dos 3% de défice seria cumprida e que em 2008 os funcionários públicos não voltariam a perder poder de compra, o que para os leigos em questões económicas significa que os aumentos salariais seriam superiores à taxa de inflação. Note-se que este anúncio - o dos aumentos salariais - foi feito efusivamente, como se de um grande benefício para os servidores do estado se tratasse.
Ora, apenas 5 dias depois... Repito em voz alta: 5 DIAS DEPOIS, aparece o mesmo senhor ministro das finanças a anunciar que a proposta do governo para a actualização salarial para 2008 seria de 2,1%, igual à taxa prevista (pelo governo) de inflação. É verdade: este inenarrável personagem que alguém nomeou ministro das finanças, e aqueloutro que fizeram primeiro-ministro ("foge cão, que te fazem barão") gozam desta rica e descarada maneira com os milhares de trabalhadores cujo esforço permitiu que o défice fosse substancialmente reduzido.
Isto, num país a sério, seria para uma revolta em massa. Num país a sério, o povo jamais aceitaria ser gozado desta forma por figurinhas deste calibre. Decididamente, esta gente não um pingo de vergonha na cara.
Etiquetas:
assaltos à mão armada,
Aterrar noutro planeta,
Carnaval,
é a economia estúpido,
País dos matraquilhos,
Patetices; Socretinices,
politica,
política
20.7.07
Tribunal de Contas: entre o PREC e o Neoliberalismo
Sinceramente, nunca entendi a necessidade do Tribunal de Contas. Acho que não passa de uma instituição de inspiração PREC que tem como única utilidade a manipulação e a acção política.
Mas hoje fiquei extremamente surpreendido com o resultado da auditoria à Entidade Reguladora do Sector Energético (ERSE) e sobre as conclusões dos auditores. Então os senhores acham que o Governo não deveria interferir nos preços estipulados pela ERSE, mesmo que os aumentos propostos violem as mais básicas regras do bom senso? Então para que raio servirá um governo? Apenas para adjudicar umas empreitadas para meia dúzia de empresas sobreviverem?
Já estava habituado a ver do Banco de Portugal da linha de frente da defesa do liberalismo económico absolutamente selvagem. Não estava nada à espera que o Tribunal de Contas seguisse pelo mesmo trilhos. Mas é bem feito, para ver se aprendo que já nada do que acontece neste teatro de marionetas à beira mar plantado deve ser motivo de espanto!
Mas hoje fiquei extremamente surpreendido com o resultado da auditoria à Entidade Reguladora do Sector Energético (ERSE) e sobre as conclusões dos auditores. Então os senhores acham que o Governo não deveria interferir nos preços estipulados pela ERSE, mesmo que os aumentos propostos violem as mais básicas regras do bom senso? Então para que raio servirá um governo? Apenas para adjudicar umas empreitadas para meia dúzia de empresas sobreviverem?
Já estava habituado a ver do Banco de Portugal da linha de frente da defesa do liberalismo económico absolutamente selvagem. Não estava nada à espera que o Tribunal de Contas seguisse pelo mesmo trilhos. Mas é bem feito, para ver se aprendo que já nada do que acontece neste teatro de marionetas à beira mar plantado deve ser motivo de espanto!
10.7.07
Watch again!
Hoje em dia, "sociedade civil" é sinónimo de "Compromisso Portugal". E é ver a comunicação social portuguesa (especialmente aquela especialista em economia que também se julga especialista em política) embevecida a olhar os seus paladinos... Que é como quem diz, os defensores do neo-liberalismo. Patético, se não fosse tão perigoso!
26.6.07
Roubar aos pobres para dar aos ricos (coitados...)
O governo desta (miserável) república onde vivemos encomendou um estudo para analisar a viabilidade do Serviço Nacional de Saúde (SNS).Conclusões? As de sempre: é preciso aumentar as taxas moderadoras e acabar com mais algumas isenções (crianças e grávidas, por exemplo); talvez seja necessário criar mais um imposto ou um seguro obrigatório (como se eu já não descontasse obrigatoriamente para o SNS); cortar nas comparticipações, enfim, o normal...
Claro que, prontamente, a guarda avançada neoliberal (liderada pelos obedientes José Gomes Ferreira e Ricardo Costa) deste governo apareceu gritando: aqui d'el rei que o SNS está falido, que é preciso aumentar a comparticipação dos cidadãos, patati, patata. E são apresentados como especialistas. Sim, leram bem: especialistas! Especialistas de quê?, perguntamos nós. De Saúde; de Serviço Social? Não, especialistas de economia.
Ah, ficámos mais esclarecidos.
Ainda assim, resistimos. Com um esforço estóico, assistemos à verborreia destes senhores sobre a imperiosa necessidade do governo português ter de vir ao nosso bolso. Sim senhor, que estamos a ficar velhos (e a velhada custa dinheiro que não temos), que o estado não tem capacidade para nos sustentar, que cada vez mais tratamentos são comparticipados e assim por diante.
E de repente, uma perguntinha inocente: então, se a coisa está assim tão mal, o governo acabará com os benefícios fiscais para os utentes dos sistemas privados de saúde, (que tem como clientes os portugueses com alguma capacidade financeira, como os ditos especialistas, respectivas famílias e - suspeito - restantes pessoas de suas relações e amizade)? Não, porque não pode ser, porque o SNS vai ficar sobrelotado, patati, patata (de novo...).
E nós, macacos, ficamos confusos.
Então: aumentar-os-custos-com-a-saúde-para-os-desgraçados-que-recebem-miseravelmente, tudo bem. Cortar-nos-benefícios-daqueles-que-podem-aceder-a-sistemas-privados (onde me incluo), já não pode ser!
Está bem. Está certo. E esperam estes ilustres espécimes da chico-espertice lusa que alguém os leve a sério. M.... para eles!
Subscrever:
Mensagens (Atom)