25.3.10

Fiar-se na virgem

Mesmo que o Dr. Serrão diga o contrário, não foi por causa do PSD que ele não foi eleito vice-presidente. O acerto de contas interno continua e ontem provou-se que a oposição não se respeita. Armar-se em vítima agora de nada vale. Em vez de se ter convencido que a eleição estava garantida o Dr. Serrão devia ter ido atrás dos votos necessários. É o que dá fiar-se na virgem e não correr.

23.3.10

Um tabu

Sempre que alguém comete um crime hediondo, duas teorias se cruzam para “defender” o criminoso: ou é fruto de uma origem social de miséria ou é resultado de uma manifesta insanidade mental, momentânea ou permanente, o que é indiferente. Numa era politicamente correcta é na realidade difícil ter outros horizontes para além destas tristes justificações. Afinal, falar da maldade intrínseca humana é ainda tabu.

Qualquer um serve

O Sr. Queiroz tentou naturalizar um guarda-redes brasileiro com o intuito de levá-lo à selecção. A coisa é típica do português desenrascado que por esquemas tenta ludibriar os problemas e inventar soluções. Nada a opor. Quem tem 3 naturalizados bem pode ter mais 5 ou 10 ou 20. Tanto faz. Mas experimentem começar pelo cargo do Sr. Queiroz. Qualquer gajo serve. Com ou sem avô português, é-me totalmente indiferente.

Cidades femininas vs cidades masculinas, ou o elogio à idiotice

O jornal I, a exemplo do que já nos vai habituando, traz hoje uma peça jornalística que é um exercício monumental de trivialidade, sem qualquer interesse ou pertinência. Falo do artigo, escrito por duas jornalistas, sobre cidades femininas, partindo da transformação que Seul promoveu no seu espaço público - a Coreia do Sul tem desenvolvido, efectivamente, inúmeros projectos de requalificação de espaço urbano, com vista a permitir a vivência dos espaços públicos, construindo cidades para as pessoas.
Ora, para além do absurdo que é falar em cidades masculinas e/ou femininas (a não ser de um ponto de vista metafórico), é ainda mais ridículo pensar-se que a cidade deve ser pensada e planeada com vista a um único género. Aliás, o que as senhoras jornalistas descrevem como cidades femininas não são senão cidades bem planeadas. Senão, vejamos apenas dois exemplos:
  • pisos lisos e sem fissuras não interessam apenas à cidade feminina. São uma medida básica de acessibilidade, para as senhoras e aos seus saltos altos, claro que sim, mas também para todas as pessoas com mobilidade reduzida, como os que necessitam de utilizar canadianas, cadeira de rodas e até para os carrinhos dos bebés;
  • cozinhas em L ou em U, para rentabilizar espaço, é uma necessidade premente das cidades que têm falta de território.

Para além de que outras propostas revelam um machismo monstruoso:

  • então são necessários estacionamentos espaçosos para as mulheres, essas dondocas que não sabem conduzir;
  • e cozinhas só para elas, pois como sabemos este é o seu mundo natural, não é? E eu, que sou o cozinheiro cá de casa, que tipo de cozinha é que mereço?
  • acabar com os pisos escorregadios para as senhoras. Porque para idosos e crianças (e homens, porque não?), não há problema que os pisos sejam autênticos lamaçais.

Ora, o que está em causa em Seul (e na restante Coreia, como seria óbvio de observar, se as senhoras jornalistas tivessem um pingo de perspicácia) é o nascimento de um novo conceito de cidade, bastante assente nos princípios das Cidades Educadoras. Cidades humanas e humanizadas, inclusivas e acessíveis, em que o mundo líquido (homem) assume predominância sobre o mundo sólido (da pedra). É o nascimento da cidade querida. Cidade feminina é apenas um um template comunicativo com muito soundbite. Como facilmente o I se aperceberia, se não fosse tão célere em explorar qualquer coisa que pareça com feminismo, mesmo que não o seja.

22.3.10

Cozer em lume brando

Com o envelhecimento progressivo da população europeia, a idade média subirá para valores preocupantes. Estima-se que em 2050, Alemanha e Itália tenham médias de idade superior a 50 anos, situação indicativa do perigo que à frente espreita. A resistência à mudança e à inovação são apenas primeiros passos. Outros se seguirão. O conflito de gerações não morreu. Apenas coze em lume brando.

Uma contrição

O Dr. Sampaio veio reconhecer que errou quando deu posse ao governo do Dr. Santana. Nestas coisas da política, os actos de contrição servem para se tentar ficar bem na fotografia porque, no fundo, o Dr. Sampaio sabe que não errou quando deu posse; errou quando dissolveu uma AR com maioria. Tudo o resto, agora, é para enganar distraídos ou para desviar atenções. Risquem o que não interessar.

21.3.10

20.3.10

How Sweet To Be An Idiot

Dedicado a alguns que conheço... (Ren and Stimpy à parte).

Uma "napolitana"

Uma bela "napolitana" para começar o fim de semana. Aurelio Fierro e Tu vo fa LÁmericano.

Hino da Mocidade portuguesa - Canções salazaristas

Escrito por Mário Beirão, surgiu pela primeira vez em 1937 na Revista da Mocidade, com esta letra:

"Cale-se a voz que, turbada,
Já de si mesma se espanta;
Cesse dos ventos a insânia;
Ante a clara madrugada,
Em nossas almas nascida:
E, por nós, oh Lusitânia,
-Corpo de Amor, terra santa
Pátria! serás celebrada;
E por nós serás erguida,
Erguida ao alto da Vida l

- Nau de Epopeia, a varar,
Ao longe, na praia absorta,
De novo, faze-te ao Mar!
Acesa de ébria alegria,
Soberba de Galhardia,
De novo, faze-te ao Mar,
Que o teu rumo é o verdadeiro!
Se a Morte espreita, - que importa?
«Morrer é partir primeiro»,
Como Camões anuncia !

Querer é a nossa divisa;
Querer, - palavra que vem
Das mais profundas raízes:
Deslumbra a sombra indecisa,
Transcende as nuvens de além
Querer, - palavra da Graça,
Grito das almas felizes!

Querer! Querer! E lá vamos!
- Tronco em flor, estende os ramos
À Mocidade que passa!

Lá vamos, cantando e rindo,
Levados, levados, sim,
Pela voz de som tremendo
Das tubas,- clangor sem fim . . .
Lá vamos, (que o sonho é lindo!)
Torres e torres erguendo,
Rasgões, clareiras abrindo!

-Alva da Luz imortal,
Roxas névoas despedaça,
Doira o céu de Portugal!

Querer! Querer! E lá vamos!
- Tronco em flor, estende os ramos
À Mocidade que passa!"

Crida em 1936, a Mocidade Portuguesa tinha por objectivo "estimular o desenvolvimento integral da sua capacidade física, a formação do carácter e a devoção à Pátria, no sentimento da ordem, no gosto da disciplina, no culto dos deveres morais, cívicos e militares". Objectivo, aliás, muito ao gosto das organizações fascistas da época.

O primeiro Comissário Nacional da Organização da Mocidade Portuguesa foi Nobre Guedes, que utilizou a Juventude Hiteleriana como modelo organizativo. Marcelo Caetano, 2º Comissário, aproximou a OMP da Igreja Católica, retirando-lhe o carácter militarista inicial. Lourenço Antunes foi o último Comissário, até Abril de 1974.

A Mocidade enquadrava os jovens por escalões etários, definidos como Lusitos (7-10 anos), Infantes, (10-14 anos), Vanguardistas (14 aos 17) e cadetes (17 aos 25 anos).

O Decreto-Lei que cria a OMP:

19.3.10

A 1ª Lei da Tecnologia de Melvin Kranzberg

Na Ásia há já um défice de 100 milhões de raparigas, naquilo que a Economist, há umas semanas, catalogou de Gendercide. A ecografia é uma das causas apontadas uma vez que os casais optam pelo masculino em detrimento do feminino, não se coibindo de abortar quando o resultado não lhes é conveniente. A 1ª lei de Kranzberg dizia que a tecnologia não é boa nem é má, mas que também não é neutra. Eis um exemplo que ilustra a lei.

Uma certeza

As novas gerações têm de se preparar para enfrentar a dura realidade que as espera. O panorama mundial para o século XXI não é de boas notícias, nem de bons propósitos. Com o declínio manifesto da Europa, aliado à sua permanente negação da realidade, as novas gerações europeias vão forçosamente viver pior do que as anteriores. E isto, por enquanto, não tem volta a dar.

"I DONT BELONG" - by Frankie Chavez

O Francisco está a tocar como o caraças...

Até parece o Vieira

O meu caro amigo Bruno Macedo parece o presidente do Benfica. Se "dizem mal do glorioso é c'o Benfica incomoda muita gente!", diz Vieira e diz Bruno referindo-se a outra coisa...

Ortofrenia

Sabe-se que a política de hoje não se compadece com a coerência... Francisco Gomes que o diga!

Não sei porquê, mas neste momento paira qualquer coisa de surrealista no ar, o que não não deixa de ser divertido.

De Cesariny, Ortofrenia


Aclamações
dentro do edifício inexpugnável
aclamações
por já termos chapéu para a solidão
aclamações
por sabermos estar vivos na geleira
aclamações
por ardermos mansinho junto ao mar
aclamações
porque cessou enfim o ruído da noite a secreta alegria por escadas
de caracol
aclamações
porque uma coisa é certa: ninguém nos ouve
aclamações
porque outra é indubitável: não se ouve ninguém

18.3.10

Um aviso

Merkel, a todo-poderosa chanceler alemã, quer expulsar os países incumpridores do Euro. Eis um aviso que não cai em saco roto. Os grandes da Europa perderam a paciência com os pequenos da Europa. Chegamos à fase em que os que podem, mandam e os que não podem, obedecem. Para bom entendedor, meia palavra basta.

Em 3D

James Cameron, entusiasmado com o sucesso de Avatar, propõe-se lançar em 2012 uma versão de Titanic em 3D. Mau grado a história, entediante e patética, dispensa-se semelhante altruísmo e promoção, ainda mais quando ela conta com a Céline Dion na banda sonora. É que ouvir, outra vez, aquela voz deve ser razão para subida generalizada do suicídio. Assistido ou não.

17.3.10

Da corrupção ou um spot para uma campanha turística.

É corrupto? É um boy do partido do governo? Está disponível para enganar, roubar, desviar fundos para as suas negociatas e para as dos seus amigo? Desvia mais-valias para paraísos fiscais, para fugir ao fisco?
Venha para Portugal. Aguardamos por si. Perdoamos as suas dívidas fiscais e ainda recebe prémios de produtividade.

PORTUGAL: ONDE OS LADRÕES ESTÃO EM CASA!

Liga Record

Na Liga Record as grandes decisões aproximam-se. Com a corrida desenfreada e quase sem obstáculos do Benfica rumo ao título, resta apostar nos jogadores certos para tentar uma gracinha de ocasião. Desde o início que tinha 5 jogadores do Benfica e 5 jogadores do Braga. O único problema grave foi ter optado pelo Meyong ...em vez do Cardoso, hipotecando irremediavelmente as minhas hipóteses. Os erros pagam-se caro.

Comovente

É notório o incómodo que o PSD está a provocar junto do Partido Socialista. Não é que agora o PS até quer um debate parlamentar sobre o assunto quente do momento? Logo o PS, aquele partido que fez uma lei à medida do PCP para lhe acabar com a sua principal fonte de financiamento e com a votação por braço no ar. Comovente.

Uma possibilidade

É bom que se esclareça que qualquer medida que pretenda coarctar a opinião política, positiva ou não, de um militante, é uma medida pouco sensata, que não se enquadra com os valores defendidos pelo PSD. A questão em si cheira a vingança fora de tempo e com alguns destinatários predefinidos.

O maior do país

O PSD é mesmo o maior partido deste país. Não fosse isso, a celeuma levantada por uma directiva decidida internamente, ainda que pouco recomendável, não teria tanta gente agitada com a vida interna de um partido que ao que dizem está morto. Morto? Por favor. Sempre gostava de ver quantos outros partidos conseguiriam apresentar 4 candidatos a uma liderança.

Chover no molhado

Embora discordando da medida apresentada, não é razão para chover no molhado, pois a mesma poderá ser alterada num futuro próximo. Mas que eu saiba o Bloco não trata melhor os seus críticos, o PCP não é particularmente conhecido por ser brando, o PS pura e simplesmente ignora-os para depois. implacavelmente, excluí-los e até o CDS já apagou um ex-líder seu.

15.3.10

Canções revolucionárias

National Anthem of East Germany (DDR)

Reerguidos das ruínas
E voltados para o futuro,
Sirvamos a ti para o bem,
Alemanha, pátria unida.
Votos antigos há a renovar
E, unidos, assim faremos.
Pois apenas de nós depende
Que o sol, belo como nunca,
Brilhe sobre a Alemanha.

Conhecerás a alegria e a paz,
Alemanha, nossa pátria.
O mundo inteiro pela paz anseia,
Por isso avançai e estendei as mãos.
Quando nos unimos fraternalmente,
Derrotamos do povo o inimigo!
Brilha, luz da Paz!
Para que nenhuma mãe volte a chorar
A morte do seu filho.

Aremos, construamos;
Aprendei e trabalhai como nunca antes
E, com confiança e força,
Uma geração livre despontará.
Juventude alemã, o melhor esforço
do nosso povo concentra-se em ti;
Te tornas a nova vida da Alemanha,
E o sol, mais belo que nunca,
Brilha sobre a Alemanha.

É simples

Um partido que aprova um regulamento como aquele que aprovou tem os votos que merece. Um partido que transforma um congresso que até começou bem numa espécie de "concurso de claques" ocupa o lugar que merece. É simples. Tão simples como a resposta a uma questão: terá "este" PSD lugar na vida política portuguesa?

12.3.10

De bigode, car...!



Queremos uma selecção com bigode na África do Sul... F... que até os comemos, car....!

Bridges

Nos Oscares, a luta titânica entre David e Golias pendeu, como na história, para o primeiro. Não vi "Estado de Guerra", nem conheço o trabalho da senhora Bigelow, mas Avatar, o outro principal candidato, é simplesmente execrável. Sendo esta cerimónia cada vez mais uma exibição política, louvo a única coisinha boa que me serviu de notícia: Jeff Bridges, um actor extraordinário, ganhou um Oscar.

Um novo desafio

Brevemente, vou mudar de vida (profissionalmente falando, quero eu dizer). Surgiu-me um novo desafio que anseio começar... O tempo de espera parece ter valido a pena.

Poetring by The Poets

"Poetring by The Poets" é um um dos melhores espectáculos que vi na Madeira nos últimos tempos. Para quem gosta de poesia, de música, de imagem, de todas em conjunto ou de nenhuma delas em particular. Na Casa das Mudas até domingo. Depois digam que eu não avisei!

10.3.10

Como os pré-socráticos, sábios em geral... ou não!

Tenho evitado falar da tragédia na Madeira, porque ainda custa lembrar!
Hei-de pronunciar-me sobre alguns pontos de vista, quando conseguir estruturar um discurso desapaixonado.
Para já, apenas manifesto a minha surpresa por ver "os suspeitos do costume" atribuirem a responsabilidade de tudo o que aconteceu ao PSD/Madeira.
A esse, só umas perguntinhas:
  1. É o PSD responsável pelo nível de pluviosidade (maior dos últimos 200 anos)?
  2. É o PSD responsável pela orografia madeirense?
  3. É o PSD responsável pela pressão demográfica e pela falta de território de que padece a nossa ilha?
  4. Qual a solução para a pressão demográfica: exportação?

Não compactuo com aldrabões!

É impressão minha, ou o PS aproveitou a tragédia na Madeira, mais a viagem de Sócrates a Moçambique, mais o PEC para aliviar a pressão que se fazia sentir sobre o PM e até para contra-atacar?
Aliás, basta lermos o DN para perceber que o "povo de Sócrates" até já se dá ao ar de gente séria e ousa lançar as suspeitas sobre os outros, como se isso justificasse a infâme campanha que lançou sobre a comunicação social considerada hostil. Até Joaquim Oliveira aparece com o ar mais impoluto que se possa imaginar...
Por mim , não estou disposto a deixar cair o assunto: se o PM é mentiroso e é mais do que evidente que o é (já viram que o PEC contradiz em tudo o programa do PS e assenta sobre muitas propostas de Manuela Ferreira Leite?), não estou disposto a deixá-lo passar impune. Como diria o meu pai: há-de comer pela medida grande!

Ricardo Rodrigues e corrupção? Tudo a ver...

Ricardo Rodrigues, esse exótico deputado socialista, ficou hoje indignado com a contundência de Maria José Morgado sobre o fenómeno da corrupção em Portugal.
Ora, é de um ridículo exotismo ver este deputado numa Comissão que debate a corrupção (demonstra bem o que pretende o PS, quando um dos seus arautos do combate à clorrupção é um sujeitinho com o passado do açoriano)! Mas mais patético é o tipo ainda indignar-se. E e se fosse pastar a vaca?!

9.3.10

Estrela da Tarde

Uma das melhores canções de sempre em língua portuguesa, aqui numa interpretação sublime de Mafalda Arnauth.

5.3.10

Paris no Brasil



No Brasil, Paris Hilton protagonizou este anúncio para a cerveja Devassa. Aparentemente, a publicidade não foi bem recebida e um tal de Conselho Nacional de Autoregulamentação Publicitária classificou-a como demasiado “sexy”, proibindo, consequentemente, a sua difusão. Confesso-vos que já vi melhores argumentos para atacar Paris Hilton, uma verdadeira celebridade feita na internet através de vídeos ousados em poses ousadas e a fazer coisas ousadas. Foi por isso que, despertado pela curiosidade, andei à procura daquilo que não batia certo neste vídeo em que a senhora é alvo de uma série de voyeurs, enquanto se bamboleia deliciada com uma lata de cerveja.

Depois de uma apurada investigação, tenho de reconhecer que o CONAR, sigla (juro-vos que é verdade) do organismo brasileiro em causa, foi demasiado brando na sua própria avaliação. Na verdade, este anúncio não é demasiado sexy, nem demasiado ousado, sequer. Este anúncio é mesmo publicidade enganosa do pior que já vi, porque se repararmos bem, há ali, e bem visível, um vestido preto a mais.

Assobiar

Em Coimbra, a selecção realizou um jogo de preparação com a China, um adversário, dizem os entendidos, muito parecido com a Coreia do Norte. Mau grado a escolha sem grande sentido e baseada num critério geográfico balofo e ignorante, a selecção do Sr. Queirós acabou assobiada aparentemente por ter tido mais uma daquelas exibições de encher o olho. Claro está que os senhores dirigentes da federação não gostaram do tratamento aplicado e logo vieram condenar os assobios dos coimbrões mais atrevidos. Não sei em que mundo certas luminárias vivem. E não sei que mundo da bola é este em que não se pode assobiar gente adormecida e sem vontade de jogar à bola. Quem paga o espectáculo tem todo o direito de assobiar, apupar e até de atirar maçãs e laranjas contra gente que não respeita aqueles que vibram com a selecção e que pagam dinheiro do seu bolso para vê-la jogar.

Certa gente devia assim encarar as críticas responsavelmente e pedir desculpa pela má prestação e pela falta de empenho de uma meia dúzia que ganha aos milhares para vestir uma camisola. Não basta apresentar resultados desportivos e não basta, certamente, fazer-se passar por virgem ofendidam como se um coro de vaias fosse uma qualquer tragédia irremediável.

Se o Dr. Madaíl, líder incontestado da seita, fosse inteligente, certamente tiraria daqui uma enorme e valiosa lição, pois manda a verdade que se diga que o povo português, pelo menos, assobia de frente. Não faz como o Dr. Madaíl e a sua horda de patetas que assobiam para o lado.

2.3.10

Claro que é boy

Caro senhor, até os comunistas e os bloquistas sabem que o PSD, por norma, nomeia para cargos de Estado pessoas com CV relevante construído foram da política, enquanto que o PS nomeia, para os mesmos cargos, pessoas para que tenham CV relevante quando saírem de política. É assim desde o 25 de Abril e desafio-te a enunciares figuras de proa do PS que tenham demonstrado alguma coisa, antes de chegarem à coisa pública.

Não fumar

Ficamos hoje a saber, via telejornal, que Obama fez o seu primeiro check up médico desde que está na Casa Branca. Depois de uma bateria de testes variados, os médicos tranquilizaram o mundo dizendo que Obama está bem e recomenda-se, apenas com um ligeiro senão: precisa de deixar de fumar.

Registamos agradavelmente que Obama não sofre de diabetes, nem de nenhuma doença fulminante. O seu único problema de saúde prende-se, então, com o fumo que inala às escondidas, longe da vista dos filhos, e fora dos ambientes fechados. Ainda assim, o próprio Obama promete continuar a tentar deixar de fumar para que seja, julgamos nós, um pai exemplar, um cidadão sem vícios, um presidente candidamente puro.

Resta-nos esperar que a ansiedade natural provocada por nova tentativa não desvie as atenções dos problemas reais da América e do mundo que ela domina. E que, simultaneamente, o Presidente não se embrenhe em mais dramas e filmes desnecessários enquanto tenta encarecidamente abandonar o vício. Começar por cumprir algumas das promessas feitas pode ser um poderoso antídoto libertador da natural ansiedade. Não fará o mundo respirar melhor, mas com certeza fará o mundo respirar de alívio.

Não comer

Nas malhas públicas do adultério caiu Tiger Woods. O mundo saltou-lhe em cima e algumas ex-amantes, ávidas pela glória e dinheiro fáceis, também. Alguns livros no prelo prometem importantes revelações e há, inclusive, sugestões para um hard core com o desempenho de Tiger, com actrizes e acessórios reais e tudo.

Entretanto, o mesmo Woods perdeu alguns milhões em patrocínios vindos de marcas que não estão para vestir um adúltero ou para perfumar um tipo que não se aguenta sem meter o taco no buraco mais perto. Woods confessa-se, ainda, um viciado em sexo à procura de tratamento e garantiu que enquanto não se curar não voltará a jogar golfe.

Gostamos da reacção de Woods, na verdade um verdadeiro cavalheiro, que jamais revelou o nome das donzelas feridas, mantendo um elevado secretismo em torno de situações tidas como muito delicadas. Pena que algumas das meninas com quem Woods se envolveu não pensem do mesmo modo e se assemelhem, comportamentalmente, a prostitutas baratas que trocam a intimidade e a alma pelo vil metal, ao mesmo tempo que procuram deitar abaixo, literalmente, aquilo que antes, e efusivamente, gozavam.

Da nossa parte, apenas desejamos o rápido regresso do atleta à alta competição que domina. Afinal, o bom golfista é aquele que acerta no buraco. Ainda que no alheio.

A opinião de Ferreira Fernandes sobre AJJ

O que os socialistas madeirenses nunca conseguiram ver e que justifica todas as catástrofes eleitorais que sofrem desde 1976.


No espectáculo Uma flor para a Madeira, Jardim disse: "Portugal é tão grande, o nosso coração é tão grande." Surpreenda- -se quem queira. Eu acho natural ele dizê-lo. Tal como ele dizer as parvoeiras - como nenhum político português moderno jamais disse - com que enfeitou discursos, invectivas e provocações. Só que, como o outro que nunca traiu a mulher sem fortes motivações lúbricas, nunca Alberto João Jardim atacou sem um ganho para os seus. Os seus: os madeirenses. Haja alguém, neste país, tão preso às gentes, não às ideias para elas. Jardim é um político. A minha definição de político é muito económica: é aquele que gere bens escassos. Só os fartos podem dar-se ao luxo da coerência. "Aquele senhor Pinto de Sousa lá do 'contenente'..." de anteontem era ontem o "sr. primeiro-ministro, nós queremos agradecer--lhe..." E ontem Jardim era sincero, como anteontem Jardim não o era. Ontem, no elogio, eu sei que ele não nos piscou o olho; anteontem, no insulto, quem não estivesse agarrado às ideias feitas saberia ver-lhe a traquinice. De todos os políticos portugueses, todos, nenhum me agradaria conhecer mais. Mas eu não sou ninguém: nenhum político português, desaparecendo bruscamente, deixaria saudades fundas a tanta gente. E não era do líder, era do homem que é líder.

When things explode

Uma canção brutal... Os senhores UNKLE encontraram-se com o sr. Ian Astbury (do you remember The Cult?) e fizeram isto... Há encontros explosivos, de facto.

Esquerdo e direito

O meu pé esquerdo
Em Alvalade, o Sporting deu um ar de sua graça e arredou os actuais campeões nacionais do título. Num jogo com um pressing verde e branco muito pouco habitual, mais intenso do que propriamente bem jogado, o Sporting marcou três golos de pé esquerdo, todos resultantes de maus alívios da defesa azul e branca, em momentos cruciais da partida: início do jogo, fim da primeira parte e início da segunda parte, deitando por terra qualquer veleidade portista. Quem é supersticioso fica a saber que no mundo do futebol nem sempre é mau entrar com o pé esquerdo.

O meu pé direito e o meu pé esquerdo
Em Matosinhos, o Benfica passeou no confronto contra a pior equipa do campeonato dos últimos anos. Começando com o pé direito de Eder Luis, terminou no inevitável pé esquerdo de Di Maria que, por três vezes, meteu a bola no saco. No mundo da bola, às vezes, começa-se com o direito e termina-se com o esquerdo, mantendo a mesma eficácia.

O meu pé direito
Com o pé direito começou o Marítimo, pelo inevitável Kléber, na sua visita à Naval 1º de Maio. Apanhado muito cedo na posição de vencedor, a equipa maritimista não foi suficientemente arguta para segurar um resultado importante na sua luta pela Liga Europa, cada vez mais uma miragem. Mesmo começando bem, é preciso notar que não há assim tantos milagres no extraordinário mundo da bola e que, às vezes, quem com o pé direito mata, com o pé direito morre. Neste caso preciso, morre pelo pé direito de Marinho.

1.3.10

Em louvor do Funchal

"Um dia, que esperamos não muito distante, a imagem desta baía em ruínas, soterrada hoje em lama e pranto, há-de dar lugar, de novo, à paisagem verdadeira. Passaremos deste inverno intransigente e funesto à clemência de uma estação que devolva ao Funchal a sua luz.As buganvílias voltarão a estender placidamente sobre as ribeiras os seus braços brancos, rosa, cor-de-vinho; a árvore de fogo do Largo do Colégio levantará mais alto o seu deslumbre; os Jacarandás repetirão o assombro colorido; as Tipuanas desdobrarão, nos inícios de Junho, um incrível tapete amarelo frente a São Lourenço ou na subida de Santa Luzia.Esperamos que, num tempo não distante, se possa reconhecer, de novo, a limpidez do traçado atlântico do centro, as ruas confusamente populares, o arabesco do mercado, o mesmo desenho de cheiros, a mesma mescla de sonoridades, o brando silêncio que nas praças tem o seu quê de familiaridade tímida, quase cerimoniosa.Encravado na forma de uma concha há cinco séculos, burgo marítimo de referência, com construção fantasiosa, o Funchal foi a primeira cidade europeia nascida fora da Europa. O resultado é um património humano e urbanístico únicos. Evoca, é claro, o modelo de algumas cidades continentais, mas já é outra coisa, como acontece aos territórios de fronteira. É uma cidade reservada e extravagante, cosmopolita e primitiva, enérgica e indolente. Tanto como outras, mas diferente, de uma maneira que é só sua. Por exemplo, em certas horas vazias, as inúmeras varandas terrestres espalhadas pelas encostas parecem colocadas num imenso navio como os que muitas vezes ali aportam, e sente-se (isto é real) que toda a cidade flutua.O Funchal é, ainda que isso seja escassamente recordado, uma cidade literária, como Trieste ou Marraqueche: ali não apenas nasceram Edmundo Bettencourt, Cabral do Nascimento, Herberto Helder ou Ana Teresa Pereira, nasceram os seus universos.Conta-se que o poeta António Nobre gravou a canivete numa árvore do Funchal: “sede de luz como que de relâmpagos”. Um dia, que esperamos não muito distante, chegará a luz.

José Tolentino Mendonça

26.2.10

Não propaguem boatos

Esta cidade está em estado de quase pânico. Por isso mesmo, basta um boato para lançar o alvoroço. Apela-se ao sentido cívico de todos, mas sobretudo dos meios e dos jornalistas. Não propaguem boatos ou informações não confirmadas. Nesta fase, e hoje particularmente, o sensacionalismo pode ser altamente prejudicial.

22.2.10

Amor!

Oiço a voz feminina de Cibele, conhecida de há muito e companheira das horas mais felizes - meu santuário! -, absolutamente aterrada.
O desespero é a nota dominante no som gutural que assome à garganta. A dor que ela sente cavalga as ondas do Atlântico, até me encontrar. Sinto que alguma coisa terrível a mortifica, à medida que o eco do seu grito retumba pela planície alentejana, que por ora me acolhe.
Tenho certeza de que a torturam, que a fazem sofrer. As veias que a recortam rebentam, numa explosão negra de sangue.
A Besta rasga-lhe a carne com golpes profundos, insensível ao seu sofrimento. As estocadas seguem-se imparáveis: uma, e mais uma, atrás de outra… Descomunais postas de carne dispersam-se no ar. Não há meio de acalmar a ferocidade do verdugo que a suplicia. Ele não acalma.
E ela, desesperada, grita!
Átis encontra-a assim prostrada. Está coberta por uma pasta negra, feita de areia, pedras e sangue. Apenas se entrevê a alvura da carne do seu rosto, nos pequenos sulcos que as suas lágrimas cavam.
Num relance, acordo angustiado, com a certeza de que, infelizmente, tudo isto é mais do que um pesadelo!