Prólogo: por motivos vários não tenho lido a imprensa regional. Tenho acompanhado a realidade madeirense nos contactos que estabeleço com a minha família e com os meus amigos e através da blogosfera. A minha opinião, para além de - naturalmente - ser enviezada, pode também estar assente em incorrecções pelo que, se assim for, peço desde já desculpas aos visados.Decorre da leitura da blogosfera madeirense que nada mais se passa para além da sindicância à Câmara Municipal de Funchal e a possibilidade do Ministério Público investigar eventuais indícios de corrupção.
Sobre estes factos, não faço qualquer comentário, uma vez que não possuo informação suficiente para emitir uma opinião devidamente fundamentada.
Por outro lado, também não me interessa minimamente as pequenas lutas do PS, que agora pede a cabeça do presidente da Câmara Municipal de Funchal na expectativa de vir a beneficiar da guerra surda que estes acontecimentos indiciam: Miguel Albuquerque versus Cunha e Silva. Porque convenhamos que, conforme dizia o meu amigo Gonçalo, o resto é treta.
Mas o que tem mesmo me atraído em toda esta embrulhada tem sido o silêncio de Alberto João Jardim. Desde o início deste novo episódio da guerra entre delfins, que dura já há alguns anos, que Jardim tem mantido um silêncio sepulcral, nada habitual no presidente do PSD-Madeira e que poderá sugerir claramente qual o seu posicionamento relativamente à sua própria sucessão. Eu ainda me recordo do apoio que Jardim deu a autarcas correlegionários, mesmo depois de terem sido condenados pelos tribunais. Aliás, notam-se algumas movimentações subreptícias de homens próximos a Jardim que, não querendo assumir que neste embróglio há matéria mais relevante para o jogo da sucessão do que propriamente criminal, indicia quais são as preferências do presidente do Governo Regional. Veremos quais os próximos desenvolvimentos dentro do PSD/Madeira e qual a importância que todo este triste episódio terá na sucessão. E veremos quantos tiros sairão ao lado.