3.6.05

Europa

Esta Constituição não nasceu de uma reflexão sobre o que é a Europa e sobre as bases em que crescerá.

A Europa é o quê? Um espaço geográfico? Um espaço político? Um espaço de partilha cultura e de valores civilizacionais? Um bloco económico? Uma mistura destes todos?

Afinal, de que falamos quando nos referimos ao conceito de Europa?

Sem estas definições, é impossivel responder a perguntas simples. Exemplos: deve, ou não, a Turquia entrar no espaço único europeu? Deve a Europa receber, no seu seio, países de forte influência europeia, mas que, geograficamente, não pertencem ao espaço continental compreendido entre o Atlântico e os Urais? O alargamento a leste deve continuar?

Quais serão as directrizes da política externa comum? Previlegiará o eixo Atlântico? O Leste? Países lusófonos? francófonos? Tudo? Nada? Em resumo, que figura fará essa espécie de "senhor PESC" refrescado? Para onde irá?

Este é o tempo certo para responder a estas questões. Para percebermos onde vamos. Para parar e pensar. O Tratado Constitucional é, por isso, um passo maior do que a perna. E, se for aprovado, acabará por matar a própria Europa, asfixiando-a num rol de contradições. É por isso que qualquer europeísta deve estar contra este suposto avanço.

Só para terminar, aconselho a leitura de um texto magnifíco do filósofo espanhol Gustavo Bueno sobre a Constituição. Está em http://www.nodulo.org/ec/2005/n036p02.htm

2.6.05

Por favor, esclareçam-me!!!

A dinâmica negacionista cresce a cada dia que passa. Chovem os opositores, acotovelam-se os argumentos anti, brotam os gritinhos entusiasmados pelos resultados da França e da Holanda.
Toda a gente tem direito à sua opinião, qualquer tomada de posição terá o seu valor intrínseco mas, convenhamos, o valor de uma opção cresce exponencialmente se soubermos quais os factores que a suportaram. É nesta perspectiva que me encontro num estado de alguma perplexidade uma vez que 90% daqueles que apoiam o não à Constituição Europeia, fazem-no sem saber porquê e, consequentemente, sem avançar com as alterações, adendas e/ou supressões que quereriam ver consideradas.
A horda move-se sem destino e sem controlo.
Porventura, existirão aspectos que devam ser melhorados mas não consigo compreender a posição de certos portugueses que, desconhecendo ou, mais grave, conhecendo "ao de leve" o texto da Constituição, afirmam ruidosamente que são contra. Estarão esquecidos das vantagens do projecto europeu, estarão olvidados do Portugal pré-1985, julgar-se-ão capazes de prosseguir "orgulhosamente sós", serão as disposições em causa tão diversas das actuais, estaremos perante uma refundação absoluta da Europa ?
Urge, com efeito, um profundo debate. Só assim poderemos combater tanta "santa" ignorância, que por aí, teima em aparecer.

Certidão de óbito

Segunda-feira, quando anunciar a anulação do referendo no Reino Unido, o Governo de Blair vai passar a certidão de óbito do Tratado Constitucional Europeu.

Que Deus o guarde (ao Tratado) em eterno descanso!

O sobrevivente

Muitos militantes do CDS-PP da Madeira advogavam a teoria de que José Manuel Rodrigues não sobreviveria às "autárquicas". Num partido sui-generis seria substituido, diziam, por Ricardo Vieira, líder que curiosamente o antecedera, numa espécie de "jogo das cadeiras" só com dois jogadores e um assento.

Pois bem, mais uma vez a capacidade de sobrevivência de Rodrigues veio ao de cima. Convencendo Vieira a candidatar-se à Câmara do Funchal, conseguiu que o rival se tornasse cúmplice dos maus resultados que esperam o partido. E garantiu a sobrevivência. Até às próximas regionais, que lhe valerão mais quatro anos na Assembleia Regional.

Convencer Vieira não terá sido assim tão dificil. Dizem as más línguas que o ex-presidente quer voltar a ser presidente. Mas prefere aguardar, tranquilamente, pela saída de Jardim da liderança do PSD e do Executivo da Madeira (algo que, pelo andar da carruagem, não acontecerá tão cedo). Traçada a estratégia, é fácil perceber que a Ricardo Vieira fica bem "dar a cara num momento dificil, etc. e tal" - adoro a gíria política!

Mesmo assim, curioso curioso é o facto do candidato do PSD, Miguel Albuquerque, ter como adversários dois candidatos com uma particularidade em comum. Como diria alguém que conheci há muitos anos, deixo a observação à laia de "adivinhança"...

Bem dito, general!

Muito bom o texto de Loureiro dos Santos, impresso na edição de ontem do Público, sobre a construção europeia.

Diz o general que há um desfazamento claro entre o discurso das elites e aquilo que pensam os europeus sobre o progresso da construção da Europa unida. Concordo em absoluto.

1.6.05

Fundo da gaveta

A Espanha dera um sim condicional. A França votou não. Espero, honestamente, que a Holanda siga o exemplo gaulês. E que o Tratado Constitucional - "mera simplificação dos tratados anteriores", dizem os defensores do sim - siga alegremente para o fundo de uma qualquer gaveta.

Pena que em Portugal se procure evitar o debate. Se tente, a todo o custo, esvaziar o conteúdo político do Tratado. E se teime na decisão de fazer o referendo em simultâneo com as "autárquicas".

Post-Scriptum 1: Curiosa a posição assumida por alguns intelectuais da esquerda moderada face ao comportamento dos eleitores franceses. Após anos a elogiar o esclarecido e culto povo gaulês, vêem agora dizer que os franceses votaram não por razões de política interna denotando, por isso, alguma falta de discernimento...

Numa coisa estou de acordo com eles: há na Europa um notório distanciamento entre a classe política e a generalidade dos cidadãos. As posições face à construção europeia são prova disso. E não significam que haja pouca informação, ou que os eleitores sejam pouco sensatos...

Post-Scriptum2:O sítio do Não (www.sitiodonao.weblog.com.pt) continua a contribuir para o debate.

Inversão

A excessiva centralização da tomada de decisão política num partido conduz ao afastamento das bases e, a médio prazo, a dificuldades eleitorais. O PSD-M começa a senti-lo. Em São Vicente, na Ponta do Sol... E em Novembro, promover autos de fé para encontrar os culpados das derrotas anunciadas será perda de tempo. Até porque o papel de algumas personagens acabará por se inverter.

24.5.05

Indira Gandhi

Este país, que se comemora como nenhum outro, olha melancólico para aqueles que além-fronteiras são capazes de vencer e de progredir na vida. Em praticamente todos os cantos do mundo há portugueses – ou pelo menos há um qualquer mito que nos diz isso – que vencem, que lutam, que ajudam a erguer cidades e países. O paradoxo é então evidente: lá fora somos tudo; cá dentro somos nada.
Também um dia Indira Gandhi se viu confrontada com a inevitável pergunta: “A primeira-ministra pode-nos explicar porque é que os indianos parecem triunfar sob todos os governos do mundo, com a honrosa excepção do seu?”

Nada muda, nada mudou

Parménides acertou: nada muda. É a lógica da repetição da história e dos seus movimentos cíclicos. É também por isso que Camilo e Eça, a esta distância, e como alguém recentemente notava, são hoje tão actuais como o foram no século XIX.

Ele usa Duracell

Há já algum tempo que o inebriante porta-voz do PS, o inefável Jorge Coelho, se desdobra na preparação do terreno para a criação de um ambiente propício ao anúncio das más novas. Faz este trabalho árduo praticamente sozinho quer na televisão onde participa quer no jornal onde escreve. Não se cansa. Jorge Coelho usa Duracell com toda a certeza.

22.5.05

Sítio do Não

É dificil crer numa Europa desenhada por burocratas de gabardines cinzentas, fechados nos gabinetes da mais desinteressante capital europeia. Numa Europa que cresce na mesma proporção em que afasta dos seus cidadãos. Numa Europa imposta.

Por isso, e porque acredito ser fundamental promover o debate, congratulo-me com o espaço sítio do não (www.sitiodonao.weblog.com.pt) e com a iniciativa de Pacheco Pereira.

Enfim...

Parabéns ao Benfica. É um pobre campeão, mas enfim...

20.5.05

Auto quê?

Ele há cada um pior que o outro! Uma expressão que se encaixa perfeitamente no mais recente apelo do Presidente da República aos portugueses. Sampaio, com aquele ar afável e compreensivo, diz que é preciso auto-estima. O povo precisa de auto-estima... Numa altura em que o país se afunda, o chefe de Estado pede mais auto-estima! Vão aos bolsos dos portugueses e uma pessoa convence-se de que ser português é bom... São descobertas aldrabices todos os dias e o português tem de ficar imune a isso e pensar: «eu sou bom, eu sou mesmo bom. Vivo no país das maravilhas. Portugal é o melhor sítio do mundo... Isso de ter gente corrupta não é nada comparado com a vontade do português...» Não percebo como é que querem levantar a auto-estima de um povo massacrado, desgastado e desconfiado. Somos 10 milhões de almas que assistem diariamente a notícias tão más, mas tão más sobre a situação do País, que já estamos à espera que mais dia menos dia o primeiro-ministro anuncie a sua demissão porque Portugal está, de facto, num pântano. Os desempregados aumentam consideravelmente, as fábricas fecham, a Europa ameaça-nos com um processo se as nossas contas não endireitarem e ainda nos pedem AUTO-ESTIMA?! Para quê? Como? É que não há uma boa notícia que nos levante a moral... Será que estão à espera do Benfica ser campeão para os milhões de adeptos festejarem e terem um bocadinho de auto-estima?
SSFranco

18.5.05

From Russia... with Love



O inacreditável aconteceu. Mais uma vez.

Deve ser do tempo!

A Madeira não vai ser afectada pela crise das finanças publicas nacionais. E o ritmo de crescimento vai manter-se, disse ontem, ao Notícias da Madeira, o secretário regional das Finanças, Ventura Garcez. As declarações do governante foram publicadas hoje pelo matutino funchalense.

A crise das finanças públicas nacionais vai afectar a Madeira. E é inevitável que o ritmo de crescimento da Região diminua, disse ontem, ao Diário, o secretário regional das Finanças, Ventura Garcez. As declarações do governante foram publicadas hoje pelo matutino funchalense.

Como diria a minha avó, deve ser do tempo! Aliás, só pode ser do tempo!

16.5.05

O campeonato

Não sou do Benfica mas desejo loucamente que o Benfica seja campeão. Já não aguento tanto grito e tanto entusiasmo de quem tem uma espécie de contas a ajustar com o mundo. Na realidade, há já oito ou nove jogos que toda a gente percebeu que o Benfica, custasse o que custasse, seria o novo campeão nacional de futebol. Estava escrito nas estrelas, como dizia o outro. Bastou ver o conjunto de golos polémicos e de lances controversos sempre assinalados para o mesmo lado e com o mesmo objectivo para que esta minha ideia ganhasse forma e conteúdo: livres, expulsões, cargas sobre o guarda-redes, penaltis por assinalar, foras-de-jogo, jogos de bastidores, jogos no Algarve, etc, etc. Mas mal por mal, que duma vez se entregue as malditas faixas porque já ninguém aguenta tanto rancor e sentimento recalcado dos tais seis milhões. E já ninguém aguenta as buzinas. E já ninguém aguenta aquela gente a gritar histérica à frente da televisão. E já ninguém aguenta aquele bicho-do-mato que come relva em directo e que é, dizem, dono de um restaurante muito conhecido (Deus me livre de lá pôr os pés). E porque já ninguém aguenta o ridículo do Álvaro, o lamecha do Vieira, o burlesco do Veiga ou o nebuloso do Trappatoni. Já me chega de ladainhas, de choros, de idiotias, de rancores, de egotismos escabrosos, de complexos de superioridade por concretizar desta suposta nação. Não gosto do Benfica, mas desejo, peço e rezo, que ele seja campeão. A sério que já não aguento. Por arrasto, levem também a taça para ver se não chateiam por algum tempo. Será desta que veremos cumprido o teorema que nos diz que o país é melhor quando o Benfica é campeão. Até nisto o Sócrates tem sorte.
Maquiavel se fosse vivo, perceberia como afinal muitas vezes continua a ter razão: os fins justificam os meios, como ao longo destes penosos meses se tem vislumbrado e por mais que toda a gente ande distraída com os atropelos à verdade desportiva. Ontem e anteontem a olhar para a televisão e para uma euforia extemporânea e sem razão (porque afinal ainda não ganharam nada) percebi porque é que o Estado Positivista de Comte nunca acontecerá. Não sou do Benfica mas desejo loucamente que o Benfica seja campeão.

13.5.05

Eu cá leio o Courrier Internacional

Com excepção da Time e, por poucas vezes, da New York Times Review of Books, não leio nem compro imprensa estrangeira. Mas também não a cito de cor, nem a plagio, como é prática bem mais frequente do que se pensa na imprensa nacional.

Por isto, dou graças à entrada no nosso mercado da edição portuguesa do Courrier Internacional. Ainda que a selecção de artigos seja duvidosa, e em muitos casos até pouco interessante, fica a consolação de se poder ler alguns dos melhores textos da imprensa mundial num só jornal e em português.

Mas o melhor vai ser ver aonde é que os nossos intelectuais de pacotilha vão agora buscar uma revista estrangeira credível para as suas citações e perífrases. Com o sério risco das suas fontes de conhecimento e sabedoria servirem, mesmo na esquina ao lado, para embrulhar castanhas e para selar vitrinas.

A frase do mês

Como não digo melhor, cito.

«Do século XVII para cá, pode escrever-se, e escreve-se, a história da Europa sem falar em Portugal. Vivemos à margem da Europa e a Europa em geral não interferiu connosco, excepto os franceses, com as invasões.»

(Vasco Pulido Valente, revista Visão, 5/05/2005)

9.5.05

Puzzle

Na edição de sábado, o DN publicou nada mais nada menos que três fotografias do candidato independente do PS à Câmara do Funchal. Na edição se sexta-feira do mesmo jornal, às reacções ao anúncio da candidatura foram recolhidas, e trabalhadas, por um jornalista da área de... Economia. Que se deu ao luxo de publicar uma legenda que dizia mais ou menos isto: "Carlos João Pereira" deixou uma imagem de competência em todas as organizações por onde passou". Um frase própria para um artigo de opinião, não para um texto informativo. Pior, o jornalista referido será, ao que tudo indica, e segundo "fontes" da "Conspiração", uma espécie de reporter oficioso da candidatura de Pereira. Significativo... O puzzle começa a ficar completo...

7.5.05

"Ao contrário dos outros partidos..."

O BE atingiu o limite de crescimento. Depois do resultado das últimas eleições, terá inevitávelmente de transformar-se num partido de sistema, trabalhando para a preservação do próprio sistema. O crescimento e a diversificação da sua base de apoio são duas das causas.

O dr. Louçã já percebeu. E por isso, no primeiro dia da Convenção Nacional que junta a trupe, utilizou tantas vezes a frase "ao contrário dos outros partidos, o BE...".

5.5.05

Convições profundas...

Carlos Pereira, ex-secretário geral da ACIF, é o candidato do PS à Câmara do Funchal. Ecomista, com uma pós-graduação em economia rural - componente essencial no currículum de quem quer governar uma cidade que vive de serviços - fora, recentemente, dado como certo à frente da Loja do Cidadão, tendo aceite o convite então formulado pelo vice-presidente do Governo Regional. Recorde-se que Pereira só não foi empossado porque a Quinta Vigia boicotou o seu nome.

Enfim, um homem de convições...

4.5.05

Bem aventurados

Bem aventurados os medíocres defensores da limitação de mandatos porque, finalmente, chegarão ao poder.
Esta discussão em torno da limitação de mandatos não passa de duas coisas muito simples:
- a primeira tem a ver com a manifesta e gritante incapacidade, demonstrada pelos preconizadores e defensores desta medida, em apresentar uma credível alternativa política àqueles que, sistemática e democraticamente, têm merecido a confiança dos eleitores.
- em segundo lugar e associado à primeira, vem o escabroso e ridículo ajuste de contas em relação a Alberto João Jardim.
Face a esta investida dos actuais sectores dominantes sou assaltado por diversos sentimentos dos quais destaco a comiseração e a vergonha. A comiseração em relação ao complexo de inferioridade que os proponentes da medida apresentam. Incapazes de combater no mesmo terreno e com a mesmas armas, refugiam-se nos seus gabinetes, aventando golpes baixos de secretaria, julgando-se seres superiormente inteligentes. A vergonha surge perante a manifestação de "chico-espertismo" de um punhado de paladinos da liberdade e da democracia, que mais não fazem do que ferir de morte a regra primeira do sistema democrático: a liberdade de escolha dos seus representantes pelo povo, sem constrangimentos nem limitações temporais.
Argumentam, os incapazes, que esta é a única forma de evitar situações de corrupção, manipulação, compadrio ou favorecimento. Uma vez mais, recorrem à portuguesinha solução de ir pela via mais fácil, esquecendo-se que estão a substituir-se a outras entidades no combate a estes fenómenos (Ministério Público, órgãos de fiscalização, polícias....).
Em última análise, passam um atestado de menoridade intelectual aos eleitores. O voto é a arma mais poderosa que a democracia possui, o seu carácter secreto e universal permite que os cidadãos possam decidir acerca do rumo que a sociedade deve tomar. Haja capacidade dos responsáveis políticos em apresentar programas credíveis, que respondam às necessidades da população e que resolvam os problemas.
Que penoso é assistir às comemorações do 25 de Abril, onde os ditos "pais da democracia", em seus fatos de gala e em todo o seu garbo, vomitam loas à liberdade para, no dia 26 de Abril, promoverem acometidas violentas contra o povo que os sustenta.
É tempo de nos deixarem em paz, é tempo de nos libertarmos do jugo saudosista e retrógrado dos guardiães do templo. Falam de Abril como ponto de chegada quando não passa, apenas, do primeiro pontapé de saída. Recusam-se a evoluir, adormeceram ao som de Zeca Afonso e entorpecidos mantiveram-se, Nada disto seria muito grave se, não fossem estes os mesmos que nos têm governado de há 30 anos a esta parte.
Esta insistência imobilista e imobilizadora atinge, agora, o seu auge com a intenção de limitar os mandatos. Eventualmente, a lei passará trazendo consigo a morte de Abril e fazendo com que o povo português se veja limitado, gravemente limitado, no exercício dos seus direitos e liberdades.
Definitivamente, o regime agoniza num estertor decrépito e irreversível, saibamos mudá-lo.

3.5.05

O conflito

Como era de prever, a Comissão Parlamentar de Assuntos Constitucionais da Assembleia da Republica rejeitou as alterações à Lei Eleitoral da Madeira contidas na proposta de revisão do Estatuto Político-Administrativo da Região, que foi entregue no Parlamento pela Assembleia Regional. A rejeição foi votada pelo PS, pelo PCP e pelo BE.

Segundo o Público on-line (www.publico.clix.pt) , "num parecer aprovado com os votos favoráveis do PS, PCP e Bloco de Esquerda (BE), a abstenção do CDS-PP e o voto contra do PSD, a Comissão Parlamentar de Assuntos Constitucionais sustenta que o Parlamento madeirense não poderia ter incluído as alterações à lei eleitoral no Estatuto Político-Administrativo". Nada que não fosse previsível.

E pior (ou melhor, dependendo do ponto de vista): "o documento, da autoria do deputado socialista Vitalino Canas, conclui que a Madeira não cumpriu o prazo de seis meses - que terminou a 17 de Abril - estabelecido na revisão constitucional do ano passado para enviar à Assembleia da República uma proposta de alteração à lei eleitoral da Região. Esgotado esse prazo, a Assembleia da República tem legitimidade para legislar sobre o sistema político da Madeira, pelo que foi considerado que os projectos do PCP e do BE de alteração da lei eleitoral da RAM reúnem as condições para serem discutidos e votados, ao contrário do que defende o PSD".

A Região já anunciou, através de Guilherme Silva, que não vai aceitar aquilo que intitulou como um "desvio de poder" e que, por isso, vai recorrer ao Tribunal Constitucional (TC) - ao tão odiado TC. Guilherme avisou ainda que poder-se-á estar a abrir "um grave problema institucional". Como era de esperar.

Em resumo, as coisas clarificaram-se. O PSD-M não quer mudar. E encenou a manobra de forma a abrir o tal "grave problema institucional". E para quê? Para ganhar tempo e deixar tudo na mesma. Até quando Deus quiser.

E a oposição a ver. Para não variar...

Portugal

Andava eu a ler Eduardo Lourenço, filósofo que se tornou moda a partir do exacto momento em que deixou de escrever qualquer coisa com interesse, a ver se a pátria se abria perante mim, quando, quase por acaso descubro este poema de Alexandre O'Neill. Que também não responde a nada. Mas que soa bem. E que ajuda a provar que a lusa pátria é quase imutável (conceptualmente, claro).

Portugal

Portugal,
se fosses só três sílabas,
linda vista para o mar, Minho verde, Algarve de cal,
jerico rapando o espinhaço da terra,
surdo e miudinho,
moinho a braços com um vento
testarudo, mas embolado e, afinal amigo,
se fosses só o sal, o sol, o sul,
o ladino pardal,
o manso boi coloquial,
a rechinante sardinha
a desancada varina,
o plumitivo ladrilhado de lindos adjectivos,
a muda queixa amendoada
duns olhos pestanítidos
se fosses só a cegarrega do estio, dos estilos,
o ferrugento cão asmático das praias,
o grilo engaiolado, a grila no lábio,
o calendário na parede, o emblema na lapela,
ó Portugal, se fosses só três sílabas
de plástico, que era mais barato!

Doceiras de Amarante, barristas de Barcelos,
rendeiras de Viana, toureiros da Golegã,
não há «papo-de-anjo» que seja o meu derriço,
galo que cante a cores na minha prateleira,
alvura arrendada para o meu devaneio,
bandarilha que possa enfeitar-me o cachaço.

Portugal: questão que eu tenho comigo mesmo,
golpe até ao osso, fome sem entretém,
perdigueiro marrado e sem narizes, sem perdizes,
rocim engraxado,
feira cabisbaixa,
meu remorso,
meu remorso, de todos nós…

Alexandre O'Neill (1965)

2.5.05

Frase - A própóstio do 1º de Maio

"Hoje, a meritocracia parece ser apenas uma outra versão da desigualdade que caracteriza todas as sociedades"

Ralf Dahrendorf,

30.4.05

Não hesitar

Entretanto descobriu-se que o Dr. Carrilho prefere estar com a Bárbara do que mal acompanhado. O Dr. Miguel Portas, exilado em Bruxelas, soube de tudo através de missivas, não sei se anónimas, e decidiu descarregar a sua raiva aqui (o Dr. Louçã, conhecido evangelista e missionário nas horas vagas, já tinha dito o mesmo mas por outras palavras, não conseguindo disfarçar o incómodo que o PC lhe causa).
Embora não percebendo o projecto do Dr. Carrilho para Lisboa, percebo perfeitamente a escolha selectiva que o Dr. Carrilho faz das suas companhias e da sua opção, clara, por não fazer coligações. Entre fazer campanha ao lado do Ruben Carvalho ou fazer campanha exclusivamente ao lado da Bárbara, poucos hesitariam. Ele não hesitou.

Vícios

De cada vez que leio ou oiço o todo-poderoso Jorge Coelho (no DN ou no Quadratura do Círculo), tenho a sensação nítida de deja vu. O homem que se desdobra em mil e uma declarações e que domina como ninguém a máquina do PS, já começou a utilizar o célebre discurso da tanga tão característico de Durão Barroso, Ferreira Leite e Bagão Félix para descartar quaisquer responsabilidades governativas dos seus pares. Desconheço se a táctica é para vingar, mas há que avisar o Dr. Coelho que a ideia tem direitos de autor a respeitar e que a falta de imaginação em política começa ser de facto um dado preocupante. Talvez porque o Dr. Coelho, himsef, já ande nisto há demasiado tempo. Não se pode também limitá-lo?

50 dias

Desde a fuga de Elba, 50 dias se passaram. Faltam outros 50 para Napoleão cair.

29.4.05

Nus

"estou convencido que desenvolvemos uma antena para as canções e que elas gostam de andar à nossa volta. Trazem umas amigas com elas e, quando damos por isso, estão por ali sentadas ao pé de nós, a beber-nos a cerveja e a dormir no chão da sala. E, ainda por cima, usam o nosso telefone... São umas sacaninhas ingratas e ordinárias..."

Tom Waits

Tudo isto é verdade. Principalmente quando ouvimos um bom disco pela primeira vez, como é o caso de"Nus", dos Mão Morta.



Cuecas e Hamsters

Existem blogs para todos os gostos, feitios e preferências. Alguns são verdadeiramente curiosos. Eis dois exemplos:

http://pantiespantiespanties.blogspot.com/

http://teethgrinding.blogspot.com/

No primeiro, o casal sino-americano Brett e Hiromi escreve, quase exclusivamente, sobre cuecas. Alguns textos têm graça e o material fotográfico colocado on-line é bom.

No segundo, uma jovem canadiana que se dá a conhecer como "mãe devotada de Kotaro, um jovem hamster macho", escreve exclusivamente sobre a sua paixão, ou seja, o já referido Kotaro, que se arrisca a transformar-se no roedor mais notável do espaço virtual (excluindo o Bugs Bunny, o Jerry e o Vicente Jorge Silva).

O mundo é um sítio estranho...

Autonomia convicta

Alegra-me saber que o universo de blogs vai crescendo na Madeira. E que ultimamente têm surgido espaços com qualidade. Este é um dos últimos: www.autonomiaconvicta.blog.com .Vale a visita.

Bendito atraso!

Foi necessário que Jardim sentisse na pele o desespero pelo qual já passaram milhares de madeirenses para que a Região tomasse uma posição firme contra a "atrasada" TAP. Caso para dizer bendito atraso!

27.4.05

Prozac e Ritalin

As duas notícias vinham hoje no DN do continente: “Psicofármacos com riscos em crianças” e “Consumo de antidepressivos aumenta no País”. Duas situações indelevelmente associadas e que revelam já um nítido e puro descontrolo no nosso país.

As drogas psicotrópicas têm o seu expoente máximo nos EUA onde o Prozac e o Ritalin, só para citar alguns exemplos, fazem maravilhas pelos adolescentes americanos e, principalmente, pelos seus progenitores que não olham a meios para conseguir a felicidade dos seus rebentos (belíssima forma de lavar daí as suas mãos). Aliás, 10% da população americana (qualquer coisa como 28 milhões de indivíduos e maioritariamente feminina), toma o Prozac (considerado por muitos um verdadeiro ícone do “sexo fraco” e até uma espécie de “Nação”) com o intuito de melhorar a sua auto-estima e realização. O Ritalin, por seu lado, é prescrito para adolescentes e crianças com dificuldades de concentração ou consideradas como hiperactivas (seja lá o que isso for) e tem uma espécie de função contrária ao Prozac.

Conhece-se os riscos daqui inerentes, mas parece que muita gente vê mais prós do que contras nesta administração ad hoc destas drogas para lá de qualquer limite razoável. O seu consumo excessivo tem efeitos e consequências ainda por estudar e não é certo que certos sintomas posteriores não sejam resultado destes medicamentos: depressões, crises, tendências suicidárias e outras coisas do género.

Alguns autores, como Fukuyama, identificam três grandes tendências que resultaram do alargamento das chamadas drogas psicotrópicas nos EUA: a primeira tem a ver com desejo do cidadão comum de procurar numa patologia tão alargada quanto possível as causas dos seus problemas para daí minimizar as suas responsabilidades quanto à “doença” em si; a segunda decorre dos enormes interesses financeiros e económicos que alimentam a monstruosa indústria farmacêutica e que fazem cada vez mais medicamentos para tudo e mais alguma coisa; e, finalmente, uma terceira que é muito culpa de nós todos, e que tem a ver com o facto de querer ver tudo e qualquer coisa como uma doença “urgente” e “incurável”.

Nada nos custa perceber o que este tipo de dosagem anda a fazer pelas nossas crianças e pelos nossos adolescentes, em particular, e por cada vez mais gente, em geral.

Mas o pior, quanto a mim, ainda está por vir e por ver: com o desenvolvimento da engenharia genética e com o conhecimento alargado e integral do genoma humano, a ciência diz-nos que vêm aí os medicamentos feitos à medida (o sonho da genética é fazer o “bebé por encomenda”, por exemplo) que vão, por um lado, garantir satisfação plena e “cura total” consoante o caso e a patologia, e, por outro lado, menosprezar qualquer efeito secundário problemático que impeça o vulgar “tratamento”.

Perante este cenário, o meu sentimento é pessimista. E temo que dentro em breve a moda alastre e chegue a cada vez mais gente…

22.4.05

Fumo branco

Parece que no Caldas também já há fumo branco... 60 dias depois. Nada mau...

21.4.05

Semelhanças entre o PC Português e a Igreja Católica

- Ambas as instituições privilegiam o centralismo democrático;
- Ambas as instituições têm adeptos renovadores e adeptos ortodoxos;
- Ambas as instituições vivem embrenhadas em movimentos de cisão e são fortemente criticadas por toda a gente que se julga no direito de as julgar;
- Ambas as instituições são acusadas de se fecharem na doutrina e na sua rigidez;
- Ambas as instituições são acusadas de não reconhecer os seus erros do passado;
- Ambas as instituições viram subir ao poder novos líderes conotados com a ala mais ortodoxa e radical;
- Ambas as instituições têm novos chefes tidos, numa primeira instância, como cinzentos e demasiado velhos para promoverem as mudanças necessárias e urgentes;
- Ambas as instituições são odiadas pelo Dr. Louçã e pela sua quadrilha circense;
- Ambas as instituições viviam, e vivem, com o célebre dilema: mudar e deixar de ser; ou não mudar e deixar morrer. No fundo, o ser ou não ser.

Em tudo isto uma única ideia que retiro de uma frase sublime de Mark Twain: “A notícia da minha morte é manifestamente exagerada”. Vão ver que sim. E vão ver que em ambos os casos.

Tempos sempre interessantes

Foi mais simples encontrar um novo chefe para a Igreja Católica do que um líder para o CDS/PP.

19.4.05

Igreja a marcar passo

A escolha de Ratzinger leva a Igreja Católica a marcar passo.

Após o pontificado longo e frutuoso de João Paulo II, a Igreja optou por escolher um conservador de 77 anos. Um homem que deverá assegurar uma liderança curta, sem grandes mudanças e com muito pouca abertura.

A escolha de Ratzinger significou o adiamento do debate que urge fazer no seio da Igreja. Sobre o celibato. Sobre a ordenação das mulheres. Sobre a melhor maneira de pôr em práctica algumas das directrizes do Vaticano II.

A escolha de Ratzinger foi uma pena!

Inquérito Policárpio

A "Conspiração" entra no debate. E propõe que os leitores opinem sobre o português mais falado dos últimos dias. Quem quiser pode votar já.

Preocupações

O fumo que sai da Capela Sistina é poluente? Cancerígeno? Faz mal à pele?

Eis algumas das questões que me preocupam (tal como a todos os ambientalistas), nos dias que correm.

Jardim a ponta de lança

À boa maneira madeirense, 34% dos leitores da "Conspiração" fazem depender de quem estiver a ouvir a conversa a concordância com a ideia do clube único. Em público, a tese é aplaudida, não vá o Diabo estar à escuta. Em privado, é rejeitada. Coragem não vos falta, amigos.

Já 21% dos leitores da "Conspiração" acham que o ideal seria pôr os "malandros do futebol" a trabalhar, acabando com a "estória" dos eternos subsídios.

A favor do patrocínio público ao pontapé na bola, mas apostando num clube único estão 15% dos leitores. Mais apaixonados (presume-se), 12% dos votantes não querem nem ouvir falar na Madeira Futebol SAD futebolística. Outros 9% dizem que o clube único deveria chamar-se Marítimo, e equipar de verde e vermelho.

Curiosmente, 7% dos votantes queriam ver Alberto João Jardim com o número 9, a tentar fuzilar as balizas adversárias. E fazem depender a defesa do clube único da contratação do presidente.

Conclusivo, o bendito inquérito...

15.4.05

A entrevista de Sócrates

Há uns quantos milhões que ainda estão embevecidos com o bem falar do Primeiro-Ministro. Na entrevista que deu ontem, dia 14/04, à RTP, José Sócrates saiu-se formalmente bem. Mas foi só formalmente. Como não fez nem faz ondas, enunciar os problemas de forma clara e eloquente foi o suficiente.

De tudo o que disse, há uma que não pode passar, é o seu plano económico. Para salvar Portugal José Sócrates continua a insistir infantilmente na historieta da inclusão nas empresas de 1000 licenciados em gestão. Quais empresas? As mercearias? As oficinas? As lojas de roupa? Ninguém sabe. Nem ele. Enquanto isso, têm fechado umas quantas.

O resto das medidas enunciadas, as quais têm tido exagerado ênfase na comunicação social, foram, quase todas, desenterradas dos governos de Cavaco Silva. Até vigorarem muito tempo vai passar. Sendo o PS aquilo que se é, o mais certo é passarem para outro governo. Coisas da política!