"Reúne sete ou oito sábios e tornar-se-ão outros tantos tolos, pois incapazes de chegar a acordo entre eles, discutem as coisas em vez de as fazerem" - António da Venafro
7.10.10
Até que enfim!
5.10.10
FDP
Perdoem-me os puritamos, mas... Puta-que-o-pariu!
Que mundo queremos?
Mas acho que temos de pensar seriamente sobre a subversão dos tempos modernos, que transferiu o poder para o capital. Em que a política se submeteu à economia.
Por mim, que não sou republicano, estou disposto a lutar por outra via.
Palavras que deveriam ser bombas
A palavra deveria estar armadilhada, pronta a explodir sempre que dentes a rasgasse.
30.9.10
E cortar nos governos civis, direcções regionais e centrais desnecessárias, CCDR, etc.... Isso não!
24.9.10
Caso Carlos Queiroz: consequências? Dah!...
Diz o secretário de Estado que o acórdão não nega os factos. Não nega, não senhor, apenas afirma que “o arguido agiu, única e exclusivamente, na defesa dos interesses da Selecção Nacional, e no quadro da sua responsabilidade por ela”.
Agora, o Tribunal Arbitral do Desporto (TAS) levantou o castigo aplicado pelo AdOP, em mais uma derrota do grupelho de energúmenos que conspirou contra Queiroz.
Não espero qualquer consequência. Não espero que o Conselho de Disciplina se demita (como deveria acontecer), não espero que a administração da FPF se demita, não espero que a direcção do AdOP se demita, não espero que Laurentino Dias se demita. E por uma razão muito simples: é que ninguém, desta gentalha, tem qualquer escrúpulo.
Mas este processo é elucidativo do tipo de gente que constitui as elites dirigentes deste país: ele é na política, ele no movimento associativo, ele é no futebol, ele é na justiça, ele é até em entidades que deveriam ter como directiva a ética. Interesses obscuros dominam toda a vida portuguesa.
Estamos entregues à bicharada…
PS – abominei a forma como Portugal jogo enquanto Queiroz lá esteve. Mas o que lhe fizeram é de uma perfídia monumental
23.9.10
Um exemplo
22.9.10
Uma coincidência
20.9.10
18.9.10
Se não é roubo, parece...
Com tanta benesse (que é como quem diz: 10.000€ no papo), eu cá gostava de ser filho de socialista naquela terra...
17.9.10
Já não há paciência

Enquanto não se demite nem é demitido, o Dr. Madaíl mantém no ar um espectáculo de variedades digno de um país terceiro-mundista. Depois do processo surreal a Queirós, veio agora com a ideia peregrina de contratar Mourinho por dois jogos. O Real Madrid, que não dorme, parece que já disse que não até porque o futebol profissional não deve funcionar em regime de part-time e porque andam por aí milhões investidos à espera de resultados que não se coadunam com a leviandade parola com que o Dr. Madaíl brinca com o futebol.
Nesta original qualificação a prestações perdemos todos, ao mesmo tempo que enterramos o que ainda nos sobrava em dignidade, ainda que não restasse muita. Que o Dr. Madaíl não consiga resolver um problema simples – arranjar alguém que se predisponha a cuidar do manicómio por um óptimo salário – é uma coisa; mas arrastar-nos infinitamente neste ridículo é outra, e bem diferente. E para isso já não há paciência.
16.9.10
Reféns das minorias?
Em França, Sarkozy está a ser atacado pela deportação de imigrantes ilegais (que violam a legislação do país, uma vez que a livre circulação aplica-se desde que, passados 3 meses, os estrangeiros comunitários se encontrem a trabalhar). Uma vez mais, a vontade da maioria (que elegeu o governo francês) a ser sequestrada, em nome da defesa dos “direitos” de uma minoria, que insiste em manter-se à parte da lei.
Recentemente, assisti a uma entrevista (no canal Q) de Fernanda Câncio a um antropólogo (não lhe fixei o nome) que defendia regimes de excepção para as minorias étnicas em Portugal. De acordo com o cientista, o Estado Português não pode impor a lei a estas minorias, que têm uma cultura, hábitos e costumes diferentes da maioria.
Ou seja, defendia que no país em que a pedofilia é crime, se continue a permitir o casamento de meninas ciganas aos 12 anos. Que num país que defende a liberdade individual, se permita a realização de casamentos arranjados. Que num país que tem uma escolaridade obrigatória, se consinta que as crianças ciganas continuem a não estudar. Que num país onde os vendedores de mercado têm de passar recibos, se autorize a venda de produtos contrafeitos sem fiscalização e/ou exigência de pagamento de impostos. Num país em que qualquer cidadão tem de pagar a sua renda, se aceite que minorias, como a comunidade cigana, viva em bairros sociais sem pagar rendas, água, e/ou electricidade. Que num país em que a propriedade privada é um direito, se consinta a invasão da propriedade alheia.
Nessa entrevista, Câncio parecia mesmo uma perigosa fascista, ante o radicalismo permissivo do tal antropólogo.
Ora, a verdade é que a comunidade cigana, em Portugal, fez muito pouco para se integrar e persiste em manter-se distanciada daqueles que são os deveres dos cidadãos e do respeito à lei, mas sofregamente integrada no benefício dos direitos.
Calcula-se que existam em Portugal entre 30 e 50 mil ciganos: em 2008, 35 mil eram beneficiários de RSI.
E o regime de excepção que reivindica para si, não se limita à sua própria cultura, ou o acesso a benefícios sem deveres. É uma comunidade que frequentemente usa da intimidação para obter ainda mais regalias: acontece nos hospitais, nas escolas, na Segurança Social, acontece em todo o lado. É uma comunidade que goza com a consciência da maioria e com conceitos como Direitos Humanos (exige o cumprimento desses Direitos na relação com a maioria, mas recusa aplicá-los no seu seio ou inseri-los nas suas práticas – não apenas nos seus “costumes”, mas também na relação com outras minorias étnicas). Não cumprem as regras e abusam da compaixão dos “patos”.
Ainda por cima, quando são derramados milhões em projectos de integração (consulte-se o site www.ciga-nos.pt).
Ora, não sei quanto aos demais, mas a verdade é que começo a estar farto de ser refém destas minorias. Sei bem que generalizo e reconheço os seus perigos. Como tenho consciência que descrevo mais a relação da maioria com uma minoria étnica (cigana), não sendo os argumentos apresentados imediatamente aplicados às restantes minorias (étnicas, religiosa, cultural, etc.). Mas a revolta que me assalta, quando confrontado com casos concretos, é sempre maior do que eu!
15.9.10
Qual é a diferença?
Entretanto, soube-se que em Portugal, o problema dos ciganos se resolve criando turmas exclusivas como aparentemente acontece em Barqueiros, concelho de Barcelos, uma situação prontamente denunciada por um relatório do Observatório dos Direitos Humanos, mas confortavelmente ignorada pela esquerda que governa o país. Pelo meio estará algum tipo de virtude que eu, por agora, desconheço, mas uma coisa é ridiculamente contumaz e certa: uns fazem à descarada, aquilo que outros fazem às escondidas. Mas todos querem, no fundo, chegar ao mesmo resultado, que é resolver um problema incómodo com o menor dos esforços.
Enquanto as coisas assim forem, dou por mim sem saber o que será de natureza pior: se expulsar os ciganos para longe do gueto, como se faz em França; se os manter, para conforto dos nossos tristes corações, bem dentro das amarras desse mesmo gueto, como se faz neste extraordinário Portugal.
14.9.10
2.9.10
Boa estratégia
1.9.10
Mais um!?
Ainda ninguém percebeu que o Porto Santo não tem condições para investimentos daquele género? Ainda ninguém percebeu que a única estratégia possível para salvar o destino Porto Santo é assumir a sazonalidade e apresenta-lo como destino seguro para famílias e férias em família, com unidades hoteleiras e infraestruturas que proporcionem actividade para miúdos e graúdos? Um bom exemplo é a utilização que o Diário faz do Complexo de Ténis durante o mês de Agosto...
Ainda ninguém percebeu que os madeirenses são, e serão sempre - a não ser que seja proibido - os maiores e mais importantes clientes do destino Porto Santo e que os madeirenses não têm poder de compra para faustosas unidades de 5 estrelas (ou seis, ou sete, ou 31, que é o número de golos do Ronaldo em cada época)?
Ainda ninguém percebeu que esta indefinição está a dar cabo de um destino emergente, que tem razoáveis condições?
Ainda ninguém percebeu que estas ilhas têm tanto mais graça quando se mostram como são, quando apostam na proximidade entre os visitantes e os residentes, na efectiva partilha de espaços e de hábitos entre os primeiros e os segundos, quando se mostram pequenas e familiares como contraponto às cidades impessoais de onde chega quem nos visita? Ainda ninguém percebeu que as ilhas têm de se mostrar devagar, têm de ser espaços reservados e preservados mas abertos à descoberta, espaços tranquilos, pachorrentos, que transmitam a calma que falta nos sítios grandes? Ainda ninguém percebeu que aqueles que chegam não vêem para ver "mamarrachos" de aço e de vidro? Pois, esqueci-me, "o burro sou eu", não preciso que me recordem.
31.8.10
Magister consuus est!
E já agora, quem manda primeiro, manda mais, por isso: passa tu ainda melhor...
Pois, pois, Miguel...
Por isso, quanto à plataforma democrática, muito obrigado e passa bem!
A favor da emancipação da UMAR
Como poderiam estas organizações, sempre tão expeditas em condenar qualquer atitude que lhes cheire a discriminação sexual, estar caladas perante uma violação tão grave aos direitos humanos?, pensava eu. Bem sei que a Venezuela, a Bolívia e o Irão são os mais recentes aliados da esquerda portuguesa (que se juntam a Cuba e à Coreia do Norte). Mas esta não me parecia razão suficiente para este silêncio, pelo que andei a deambular por sites ver se descobria algum protesto, alguma veemente condenação.
Não encontrei! Sobre isto, o movimento feminista português foi a banhos e nada tem a dizer!
Descobri, não obstante, algumas coisas “interessantes” que não deixam de impressionar. Pelo menos a mim, que sou impressionável.
Descobri que a UMAR representa mais os interesses da comunidade gay do que as mulheres (heterossexuais). Pelo menos a julgar pela página de apresentação do seu site, onde em cinco destaques, dois são sobre causa gays, dois sobre o umbigo da associação e um sobre literatura. Defesa dos direitos das mulheres? Nicles batatóide!
Também no site, descobri várias páginas, estudos, etc., sobre o “direito” do aborto. Sobre fertilidade ou apoio a jovens mães, que o queiram ser, népia, como se a procriação e a maternidade não fossem direitos da mulher.
A UMAR quer novas instalações. Ao que parece, o espaço onde está alojada não reúne condições para a actividade que desenvolve.
Vi que tinham uma petição e, julgava eu, que servia para recolher donativos para requalificação do espaço. Não, ledo engano.
Esta associação, que ocupa há anos um espaço municipal de Lisboa e que deixou se deteriorar, quer que, agora, a Câmara Municipal de Lisboa pague a construção de um espaço para si. Li, impávido, na petição: “Deste modo, as pessoas abaixo-assinadas, conhecendo e reconhecendo o valor da intervenção da UMAR apelam a que seja encontrada uma situação condigna através da criação de um Centro de Cultura e Intervenção Feminista na Cidade de Lisboa que envolvesse diversas vertentes: espaço para o centro de documentação, livraria, exposições, realização de debates, concertos, teatro, performances, instalações, formação, atendimento/reencaminhamento a vários níveis.”
Ora, sendo esta uma associação sem fins lucrativos com um âmbito de intervenção próprio, definido e limitado, como é que pretendem que seja o erário público a financiar a sua actividade que é privada? Como podem exigir que aqueles a quem costumam acusar de fascistas e reaccionários, que discordam das suas posições sobre o aborto, sobre as causas gays, financiem a associação? Têm uma agenda própria (legítima, de resto) que querem manter? Pois bem, financiem-na!
Se querem novas instalações, procedam como as restantes milhares de associações do país: façam uma gestão equilibrada e cuidada da tesouraria, façam recolhas de donativos, promovam actividades lucrativas. Mas façam a V/ expensas, porque não estou para pagar a uma actividade com a qual discordo.
Bem sei que andam habituadas a viver de subsídios, mas aqui está uma boa oportunidade para se emanciparem…
"Soir De Fete", Sarkozy?
Não será a banda sonora exacta para um tempo em que o Governo francês expulsa os ciganos, abrindo um precedente perigoso. Mas é oportuna. Que tal enviar a canção a Sarkozy, que pelos vistos a desconhece?
30.8.10
Jacinto Serrão tem que dizer o que pensa do Governo de Sócrates
O arrependido
Encher o saco
29.8.10
Autorização para fogos "acidentais"
No Paúl da Serra lavra um incêndio de grandes dimensões.
Não se sabe bem como começou mas é uma aposta segura que tenha tido mão humana. Não sabemos ainda se intencionalmente, a estatística diz que não, mas na ausência de trovoadas e vulcões activos, a descuidada ou intencional mão humana é quase certa.
Enquanto alguns "justiceiros" se preparam já para imaginar sevícias a aplicar aos pretensos incendiários, incitados por alguns politiqueiros oportunistas, vivemos mais um fim de semana em que um pouco por toda ilha foi possível ouvir petardos e foguetes... Não sei quem será mais criminoso. Os fogueteiros? Os organizadores das festas que os contratam? Os que assinam as autorizações para que se lance o fogo? Ou os que apesar de conhecerem melhor que ninguém os riscos de incêndio, os alertas laranjas e vermelhos, têm medo de perder meia-dúzia de votos se proibirem os morteiros nos arraiais? Quem são os verdadeiros culpados?
Façam-se os arraiais com música e músicos, com bandas, danças e bailaricos, com vinho seco e espetada, com folhas de louro nod postes das bandeirolas, com bolo do caco com manteiga, com tapetes de flores, procissões, missas e festeiros, com o pároco da aldeia ou apenas com o bispo, com comícios ou simples bilhardices, com o orgulho nos melhores bordados pendurados nas varandas, com boa disposição e traje domingueiro, com tudo o que faz falta e tudo a que temos direito... Mas de uma vez por todas haja coragem e acabe-se com aquele pedaço de pólvora na ponta de uma caninha que não se sabe bem onde vai cair, mas antes que atinja as casas é muitas vezes lançado na direcção da mata mais próxima.
Enquanto alguns “justiceiros” olham de soslaio para os vizinhos, para levadeiros, pastores ou apenas para o fundo do copo à procura de “culpados” que possam linchar (alguém tem que pagar pelo fogo que não se conseguiu apagar, não é? Ora se é!), enquanto outros propõem penas mais pesadas para os incendiários mesmo sem saber quais são as actuais (3 a 12 anos), pela n-ésima vez este fim-de-semana ouço petardos e foguetes e vejo as canas fumegantes a cair aqui ao lado, certamente com algum tipo de autorização assinada por alguma entidade (ir)responsável.
28.8.10
Plataforma democrática? Sim senhor, mas também ao nível nacional
A "Plataforma Democrática" constitui um acto de cultura, de liberdade e de respeito do Homem por si próprio. Um acto que, objectivamente, pretende dizer à sociedade, de lés-a-lés, dos pobres aos ricos, do sistema empresarial às instituições, sejam elas quais forem, de natureza social, cultural ou desportiva, que em defesa de todos nós madeirenses e porto-santenses, não podemos continuar com este jogo de cabra-cega que nos está a empurrar para o abismo fatal.
Se é um acto de cultura unirmo-nos contra a prepotência, contra a trafulhice, contra a mentira na política e na governação, contra a vigarice, contra o compadrio, sim senhor, estou disponível para apoiar uma coligação alargada a toda a oposição.
Mas não bastam palavras. São precisos actos que demonstrem a bondade destas ideias. Por isso, deixo aqui um repto aos mentores e apoiantes desta solução:
TENTE O DEPUTADO ELEITO PELO PS/MADEIRA UNIR TODA A OPOSIÇÃO NA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA CONTRA O PODER SOCRÁTICO E APOIAREI SEM RESERVAS O MESMO PARA A MADEIRA
E agora, que dizem?
26.8.10
Imbecilidade
Esta é a imbecil justificação do Director do Record para a vergonhosa primeira página da edição de ontem desse jornal, monopolizada por um "candidato a reforço do Benfica". Eu vou seguir o conselho do Sr. e deixar de comprar o pasquim - peço desculpa, mas só posso classificar desta maneira um jornal que, em editorial, escreve aquilo que puderam ler - que dirige. Para quem se ufana de ter 850.000 leitores, um pobre comprador-duas-vezes-à-semana não deve fazer grande diferença!
Tenho pena de me ter inscrito na dita Liga Record, honestamente...
25.8.10
Javardos do desporto luso
Depois da aberração que foi o processo, deveria esta gente estar quieta e deixar a coisa morrer, para não dar mais nas vistas. Mas a filha-da-putice (estou a ofender a mãe de alguém?) é tão grande, que faz com que estes tipos mesquinhos, interesseiros e sem-vergonha se arroguem ao direito de continuar a perseguir Queiroz, apenas porque ele se atreveu a chamar os bois pelos nomes (sim, porque esta gente está-se a marimbar para a qualidade do futebol. Quer é tratar da barriguinha própria e a dos amiguinhos…)
E acho intolerável esta intromissão da política no movimento associativo e desportivo português. Como acho inqualificável que ninguém, neste país da treta, se insurja contra comportamentos como aqueles que Laurentino Dias tem vindo a assumir.
Desempregados?
Plataforma democrática: a quem interessa?
Admito que alguns apologistas desta solução acreditem que a unidade de toda a oposição pode enfraquecer o PSD. Parece-me, contudo, que teria o efeito contrário, pois dificilmente o eleitorado comunista entenderia uma coligação com os conservadores e liberais do CDS, ou estes aprovariam uma aliança com a ortodoxia do PCP, ou estes ainda com os senhores aristocratas do PND.
Acho mesmo que seria desmobilizadora, prejudicando eleitoralmente todas as forças políticas envolvidas.
Por outro lado, esta plataforma seria amorfa, sem qualquer definição ideológica, parecendo-me incapaz de criar um programa político coerente. Que compromissos poderiam ser estabelecidos entre o Bloco e o CDS? E qual seria a matriz ideológica desta aberração mutante? Direita? Esquerda? Centro?
Ora, do ponto de vista ideológico, parece-me que apenas o PS poderia ser beneficiado porque a haver um entendimento, teriam os partidos mais extremistas que fazer uma inversão ao Centro, aproximando os seus programas ao do PS. Isto seria matar a força motriz destes partidos, que se definem e diferenciam pela sua identidade ideológica e projectos políticos alternativos.
Mas se por um lado a proposta do PS é arrojada e até exótica, por outro é compreensível que venha desse partido, porque é o que mais teria a ganhar e o que menos teria a perder. Se o projecto não vingasse, pior não poderia ficar e teria mostrado ao eleitorado de toda a oposição que as diferenças entre os vários partidos são apenas nominais e não substanciais, catalisando o voto útil em posteriores eleições.
Se, por um qualquer capricho do destino, a plataforma conseguisse derrubar o PSD, a aritmética da vitória colocaria militantes socialistas em todos os lugares chave da administração, relegando para segundo plano os dirigentes dos outros partidos, com uma prática governativa socialista, diluindo qualquer esperança de diferenciação ideológica (qual seria a posição desta plataforma sobre o CINM, ou sobre as questões de costumes, ou sobre a governação de Sócrates, ou sobre candidatos presidenciais, ou sobre a Educação, a Saúde, etc.?)
Por isso, faz sentido que seja o PS a fazer a proposta. O que não faria qualquer sentido era que os restantes partidos a aceitassem, porque reduziria a política a um mero jogo de poder. E a ideia é estapafúrdia exactamente por isso: porque não se pode querer igual aquilo que é, por natureza, diferente.
20.8.10
Encerramento de escolas: escrever direito por linhas tortas
Também é mentira que haja algum critério no encerramento das escolas. Há escolas com mais de 21 alunos que irão encerrar e outras com 8 ou 9 que se manterão abertas. E não se pense que é por razões pedagógicas. A medida é discricionária, decidida pelas DRE’s, muitas vezes em função de interesses político-partidários.
A verdadeira razão para o encerramento de escolas é económica. E acho patético que não se assuma isto de forma frontal. Porque qualquer português perceberia o argumento. Não é, efectivamente, viável manter abertas escolas com 8, 9, vá, 15 alunos. Os custos com docentes, com auxiliares e com cantinas (muitas escolas com meia dúzia de alunos tinham até cozinheiras!) são insuportáveis e não se traduzem em melhores projectos educativos e/ou melhores aprendizagens e aumento de sucesso.
Os recursos são escassos e precisam de ser rentabilizados. E não venham os interesses corporativos dos professores defender o contrário: porque a verdade é que já se antecipava isto há, pelo menos, 4 anos e a maioria dos professores colocados nestas escolas não apresentou argumentos, através do seu trabalho e do seu projecto educativo, que justifiquem o seu não encerramento. Para além dos constrangimentos e prejuízos advindos da fraca sociabilização, estas crianças, na generalidade, não beneficiaram das hipotéticas vantagens que poderiam decorrer de integrarem turmas pequenas.
Por isso, sinceramente, se forem acauteladas questões como o tempo de deslocação (não se pode submeter crianças com 6, 7 anos a deslocações muito superiores a 30 minutos), e desde que os projectos educativos das escolas que frequentavam não se destacasse positivamente e, ainda que as escolas de destino não tenham piores condições que as de origem, sou, francamente, favorável ao encerramento de escolas.
No Alentejo, por exemplo, encerraria 70% das escolas localizadas em freguesias rurais, ora agrupando os alunos noutras freguesias, ora transferindo-os para as escolas situadas em freguesias urbanas.
Mesmo o argumento de que o encerramento de escolas mata as aldeias (do qual já fui apologista) é falacioso, uma vez que, actualmente, não há uma vivência ou interligação entre escola e o meio.
O problema desta medida (que é norma nas medidas dos governos de Sócrates) é a forma discricionária, atabalhoada, apressada e autoritária como está a ser imposta. Bem como a propaganda associada. Melhoria teria sido que as razões que fundamentam esta tomada de posição fossem assumidas com frontalidade. Mas é a forma de estar de Sócrates: ele não sabe estar de outra forma que não a mentir! E isto não é defeito, é feitio…
Guida não tem razão…às vezes!
Conhecendo as teorias da conspiração do Bloco e correndo o risco de ser profundamente imoral, diria, para corroborar com a política, que o fumo deve ser sido provocado pelas centenas de corpos que o governo fez desaparecer (e os mandou abandonar nas serras madeirenses) após o temporal de Fevereiro…!
Na minha opinião, o que Guida tentou foi fazer politicazinha de trazer por casa com assuntos sérios, sem qualquer suporte técnico e científico, com base no “parece-me”, ou no “dizem que”.
Isto é, naturalmente, uma forma muito pouco sério de fazer política.
De resto, até concordo com a Guida: se há dinheiro para fazer radares, marinas inúteis e outras obras de serventia duvidosa, já era tempo do governo regional investir a sério na protecção civil e equipar esta autoridade com um helicóptero, que tanto pudesse ser utilizado no inverno como no Verão. Não custava assim tanto (nem investimento inicial, nem ao nível de manutenção) e seria muito mais útil à Madeira do que tretas como aquela no Lugar de Baixo.
Questão de gosto
Será porque não os compra na House of Bijan?
E já agora, não é curioso que um tipo cujo vencimento mensal nunca foi superior a 7.000€ e que não herdou nenhuma fortuna, seja cliente de uma loja que cobra 50.000 dólares por fato?
12.8.10
Ah, que saudades!
Utilizando uma linguagem gastronómica, fiz um esforço de memória e cheguei à conclusão de que o actual futebol-prego-no-prato que nos é servido em nada se compara com a bola-bifana-"mini" dos finais dos anos 80, princípios dos anos 90 do século XX.
Ah, que saudades do Tirsense e do Prof. Neca! Aquilo é que era jogar à bola, com a táctica do 9-0-1 e o Magonga a distribuir "cacete" e palmadinhas nas costas pelos defesas menos precavidos! Belos campeonatos aqueles em que jogava o Gil Vicente num estádio parecido a um acampamento de refugiados somalis, onde um senhor careca insistia em levantar-se no exacto momento em que alguém decidia rematar à baliza, tapando a única câmara que conseguia furar uma barreira de colunas de cimento para mostrar três quartos da grande área. Ah, quantos golos ficaram para sempre perdidos, ocultos pela anónima careca do cavalheiro!
E que dizer dos campeonatos ganhos pelos irmãos Calheiros, essas referências do apito, exímios corredores de 100 metros?
E o magnífico Feirense de 1989-90, orgulhoso último classificado, cuja referência era um médio centro com o nome de guerra "Quitó", que distribuía pancada entre adversários e companheiros de equipa, defendendo o seu raio de acção - o círculo central - com a mesma fúria com que Augusto Santos Silva defende o Eng. Sócrates?
E o União do Prof.Mâncio? Ah, que grande equipa, liderada por aquele estrondoso defesa central a quem alguém decidiu, num dia de nevoeiro, chamar Quinonez! E o Famalicão do Celestino, não será inigualável?
E o que dizer de estrelas como o Reinaldo, ponta-de-lança que brilhou intensamente com a bela camisola do Penafiel, conseguindo a proeza de alinhar em 30 jogos, num campeonato com 20 equipas, marcando 0 golos? Ou como o Basaula, da célebre equipa de "O Elvas", que tão boa conta deu de si na época de 1987/88? Ou como o Balseiro, inesquecível guarda-redes que contribuiu decididamente para a bela época realizada pelo Sporting da Covilhã em 1987/88 sofrendo apenas 70 golos? Será possível ofuscar o brilho intenso de um Lobão, de um Paulinho Santos, de um André, de um Oceano, de um Bobó (Mamadu), de um Cerqueira, de um Gaspar, de um João "cabeçudo" Pinto? Será possível ultrapassar a beleza que o Benfica espalhava pelos campos deste Portugal quando nove dos seus onze jogadores ostentavam vigorosas cabeleiras e fartos bigodes, usando a "unhaca" para ameaçar árbitros e torturar adversários?
É razoável crer que alguém deixe mais marcas em corpos já doridos do que o Couto, o Mozer, o Jorge Costa, o André, o Teixeirinha, o Paulinho Santos, o Vermelhinho, o Lufemba, esses verdadeiros cereal killers (em alentejano)? Quando comparados, o Rolando, o Luisão, o Tonel, ou o Sereno não passam de um encantador grupo de mosquitos de Santa Luzia a cantar em coro o "Besa me mucho" face a uma horda que configurava uma verdadeira praga bíblica!
Ah, que saudades das entrevistas do Barroso ao Domingo Desportivo, das piadas do Pinto da Costa, do guarda Abel, essa figura mítica dos "ervados" lusos...
Ah que saudades da cultura táctica de um Jaime Pacheco, da sapiência de um Artur Jorge, da criatividade de um Manuel de Oliveira, da capacidade de inovar de um Prof. Neca, da leveza de um Mário Wilson! Ah, que saudades do bom e velho Campeonato Nacional da I Divisão, quando não havia liga, nem patrocínios, nem equipamentos alternativos cor-de-rosa, quando não era necessário comprar frangos em Espanha por 8 milhões e meio de euros e a fruta crescia abundantemente onde faltava a relva e o jeito! Ah, que saudades!
O futebol, hoje, é pra meninas!
10.8.10
6.8.10
Primeiro não gostava, depois gostava, depois já não gostava outra vez.
Ouvi falar dela, por parte de quem a conhecia, e do seu “sagrado feminino” como se de uma activista se tratasse. Mantive, então, uma prudente distância, porque desde sempre que os fundamentalismos me causaram pruridos e nunca fui grande adepto de feminismos e outros ismos similares.
Contudo, mediante as conversas que ia tendo, fui descobrindo e/ou intuindo que, na literatura que produzia, fazia uso de um estranho misticismo sul-americano, que reúne xamantismo e tribalismo matriarcal. E foi despertando o desejo de a ler. O filme "A Casa dos Espíritos" foi o gatilho para a minha aventura com a sul-americana atarracada, com ar de inca.
O primeiro livro foi, talvez, o mais improvável: "Afrodite", um livro que, não deixando de ser de receitas, é muito mais do que isso. É um livro de culinária e de paixões, de cozinhados e de desejos, de sabores, de aromas, de toques, que tanto pode servir para a cozinha como para a cama, que tanto pode ser classificado de literatura gastronómica, como literatura erótica. Poucos foram os livros tão sedutores que li como esse. Poucos se insinuaram tanto de forma tão sensual.
Para um amador (porque amo e porque não sou profissional) de cozinha, não poderia haver melhor início. Imediatamente rendi-me à chilena e li – li não, devorei! – todos os livros que me caíam às mãos.
Emocionei-me com a história do clã Trueba; chorei a morte de Paula; revoltei-me contra a ditadura que matou Evangelina e aproximou e afastou Francisco e Irene; deliciei-me com a filha da fortuna, retratada em sépia.
Apaixonei-me por Eva Luna e pelo que dela se contou e nunca o Zorro foi herói tão perfeitamente humano como quando descrito pela mão de Isabel Allende.
Desses tempos, apenas "Plano Infinito" não mexeu comigo e atribui esse facto à infelicidade que qualquer criador está sujeito: os abortos acontecem!
A verdade é que descobri um veludo na escrita de Allende, que nunca vi em qualquer outro autor, mesmo que me incomodasse a sua tentativa de rebaixar permanentemente o homem ocidental, excessivamente estereotipado: machista e misógino; obtuso e insensível; grosseiro e ignorante; boçal e obsceno; imundo e pestilento.
Durante uns anos, não li Allende. Recomecei com "Inês de minha alma" e continuei a sentir essa suavidade quente que brota da sua escrita.
Depois… Bem, depois foram os contos juvenis, com as aventuras de Alex e Nádia.
Não desiludiram, mas deixei de sentir o tal veludo, pelo qual me havia apaixonado e que havia de ser a minha perdição (e a da autora, no que a este seu leitor diz respeito).
O último livro que li dela (estou ainda a ler, para ser mais rigoroso) é, não apenas uma desilusão, como fez esfriar absolutamente a paixão que sentia por ela. "A Ilha debaixo do Mar" não tem o mais leve sinal do tal veludo e parece-me ter sido escrito recorrendo a doses maciças de cábulas históricas. Há páginas e páginas que apenas interessam a historiadores (e tenho dúvidas quanto à fiabilidade das informações), sem qualquer interesse para a narrativa, que não é fluida e parece desinspirada.
Os personagens estereotipados estão ao rubro: todos os fazendeiros são apresentados como bárbaros – Cambray então, é um descendente de Lúcifer – e os brancos são, na generalidade, pouco fiáveis, cobardes, violadores e cruéis, ao passo que os escravos, homens e mulheres, são seres apaixonantes e apaixonados, senhoras e senhores de inteligência e belezas indescritíveis, conhecedores profundos da natureza e do amor. Os colonos assassinam crianças negras para seu prazer: os negros fazem-no às brancas, para defender a sua liberdade.
Posso ser só eu, mas já me cansa esta tendência, ainda para mais sem que aquela contadora de histórias de paixão, com a escrita aveludada se tenha revelado.
Fico, contudo, à espera de mais: porque se não tenho esperança acerca de mudanças na ideologia subjacente, acho que Isabel Allende ainda nos pode voltar a oferecer o sabor sul-americano com que nos sussura(ou) a palavra cantada, e que me fez despertar os mais primários sentidos.
Body, Mind, Madeira... Rali
3.8.10
Da hipocrisia...
Não dizer em voz alta, aquilo que se sussurra em surdina.
Da minha parte poderão contar com bordoada. E estridente!