Uma das melhores canções que, na minha opinião, nuestros hermanos já produziram. De uma banda dos anos 70 chamada aquaviva, constituida por Manolo Diaz, Pepe Nieto, Virgilio Fernandez, José Yanez . Construída sobre um poema de Rafael Alberti.
"Reúne sete ou oito sábios e tornar-se-ão outros tantos tolos, pois incapazes de chegar a acordo entre eles, discutem as coisas em vez de as fazerem" - António da Venafro
30.5.09
Patxi Andión - 20 Aniversario
Não liguem ao video. É uma merda. Fiquem só com o poema e com a voz do grande Patxi Andión.
28.5.09
Bando de ratos
Agora, tendo Dias Loureiro apresentado a sua renúncia, por maioria de razão está obrigado o PS, se ainda lhes restar um pingo de dignidade, ética e sentido de estado, a providenciar a demissão do presidente do Banco de Portugal e de Lopes da Mota. Seria o mínimo que poderiam fazer, se sobrasse alguma decência. E isto, para não chegar ao ponto de pedir a demissão de Sócrates. Deus sabe que razões não faltam. Só que, neste momento, seria uma prenda demasiado doce para o primeiro-ministro. Que sofra as consequências da sua desgraçada política! Estranho, também, o silêncio da blogosfera socialista madeirense. Aqui há uns dias, pareciam paladinos da moralidade política. Fazendo tábua rasa dos rabos-de-palha que lhes está associado ao socialista traseiro, era vê-los, empertigados, e dando ares de gente séria, questionar o silêncio do PSD e as decisões do presidente da República. Agora, perante a demissão que exigiam, quedam-se pela mudez, que é como quem diz, andam para aí calados que nem ratos. Questão de coerência
Escolha
27.5.09
Rui Machado eliminado
Já Michelle Brito joga à tarde. Vamos lá ver o que acontece.
25.5.09
Michelle também passou
Rui Machado passou
Rui Machado em jogo
Rui Machado joga um 5º set em Roland Garros que será decisivo para passar à segunda eliminatória. Depois de ter ganho de forma impressionante os dois primeiros sets (6-2 e 6-4) perdeu os dois seguintes. O Quinto set pode ser acompanhado (como todo o torneio, de resto, aqui.).
Depois de Frederico Gil ter caído à primeira contra o 14º jogador do mundo, David Ferrer, o ténis masculino português pode continuar representado em Roland Garros, desde que Machado, campeão nacional em título, consiga vencer outro homem vindo das fases de qualificação, o belga Vliegen.
22.5.09
Debate Europeias na RTP-M...
21.5.09
20.5.09
Porque outros dizem melhor do que eu
VS Naipul, in Sementes Mágicas
PS achincalha escola pública (e queriam mais)
Apenas assim é que consigo qualificar a medida socialista de distribuir preservativos nas escolas.
Nada me move contra a distribuição gratuita de preservativos (eu próprio tenho sido promotor de iniciativas que incluem este tipo de medida). Não percebo, contudo, porque é que se quer distribuir preservativos nas escolas, a não ser que se pretenda o seu absoluto abandalhamento. Como é que se pode credibilizar uma escola que começa a prestar os mesmo serviços que os bares? Como sustentar a ideia de que a escola é um espaço de trabalho? Assim, é impossível.
E agora o que é que se segue: distribuição de seringas?
Imoralidade domina actualidade do governo socialista
A minha maior estranheza é que, contudo, um acto como este não seja assumido politicamente por ninguém, nem que daí sejam extraídas as necessárias consequências. Surpreende-me? É verdade, conforme um comentador anónimo sugeria aqui há uns tempos, eu sou ingénuo e ainda acredito numa forma séria de estar na política.
O mesmo aplica-se, naturalmente, ao presidente do Eurojust. Talvez seja como ele diz e evocou ilegitimamente os nomes do primeiro-ministro e do ministro da Justiça para pressionar os seus colegas magistrados (é curioso que o nome de Sócrates seja evocado ilegitimamente tantas vezes. Era capaz de ser interessante fazer um estudo sociológico sobre o assunto, isto é, saber porque é que tanta gente se sente legitimada a recorrer ao nome do primeiro-ministro quando quer cometer uma qualquer ilegalidade [ou imoralidade]).
Mas esta possibilidade não é menos preocupante: denuncia uma certa forma de estar na política de alguns socialistas (de outros quadrantes também haverá, mas não me lembro de tanto caso como agora). É que o Lopes da Mota não é um mero magistrado: é um ex-secretário de Estado de um governo socialista.
Ninguém retirar daqui consequências é imoral, indecente e prenuncia uma total falta de respeito pela ética democrática.
Esta situação é tão mais grave quando estamos à beira de eleições. Este tipo de situação faz-me temer pela total falta de escrúpulos que alguns socialistas mais proactivos possam vir a adoptar. A quantidade de governadores civis, de directores de serviços que possam seguir estes (bons) exemplos, assusta-me
Ainda para mais, quando parece que para o PS toda a situação é normal e ninguém assume o embaraço internacional que esta situação está a causar.
Temo mesmo que os próximos tempos venham a ser negros...
Balada de Marie Sanders
Em Nuremberga passaram uma lei
fazendo chorar muitas mulheres
que dormiam com o homem errado.
"Mais e mais gente nas ruas,
com força toca o tambor,
Deus do Ceú, se houvesse alguma coisa
seria esta noite..."
Marie Sanders, o teu amado
tem o cabelo muito preto,
o melhor é não o veres hoje,
como ontem o foste ver.
"Mais e mais gente nas ruas,
com força toca o tambor,
Deus do Céu, se houvesse alguma coisa
seria esta noite..."
Minha mãe, dá-me a chave
nem tudo corre mal,
A lua está igual.
"Mais e mais gente nas ruas,
com força toca o tambor,
Deus do Céu, se houvesse alguma coisa
seria esta noite..."
Certa manhã, às nove, atravessou a cidade,
de camisa e de placa ao pescoço,
o cabelo rapado, a rua aos berros,
ela de olhar gelado...
"Ficamos nas ruas,
o Streicher vai falar esta noite...
Grande Deus, se soubessem ouvir,
saberiam o que fazem connosco..."
Bertolt Brecht
Ute Lemper - L'Accordéoniste
Continuo a achar que esta senhora tem, provavelmente a melhor voz da actualidade. Ora oiçam lá, meus caros amigos, esta interpretação de L?Accordéoniste, aquele "velho" clássico da Edith Piaf. Digam lá se não é melhor que o original...
Uma aventura que merece ser acompanhada
Pode fazê-lo aqui:
www.fredericorezende.blogspot.com
19.5.09
A puxar para a lágrima fácil, mas mesmo assim...
É verdade, o filme, premiado num festival internacional de curtas, puxa para a lágrima fácil. Mas não deixa de estar bem feito. Se calhar até fazer pensar um bocado.
Isto é lindo!
Em resumo, para além de gritar, qual Fernando Mendes da Juve Léo, Paulo Bento Forever (juro-vos que é verdade), afirmou taxativamente que só é candidato porque o bom do treinador decidiu ficar à frente da equipa.
Não tenho nada contra o Paulo Bento, mas parece-me um mau principio que um candidato a líder de uma qualquer instituição faça depender a candidatura da manutenção em funções de um funcionário. Ou não?
E agora, Dias Ferreira? Você avança ou nem por isso?
18.5.09
Dave Matthews Band - Funny The Way It Is
Gosto deste primeiro single. Agora quero ouvir o disco todo. Já em Junho (segundo creio).
Do you want a big Whiskey?
17.5.09
Um prenúncio?
Mais um Nadal versus Federer
D. Duarte e Cavaco
Um livro aberto ao calhas
Henry Miller em Primavera Negra
Bloco de Notas
Miguel de Unamuno
15.5.09
Uma pergunta
Para quê?
Pink Floyd - Hey You (Live)
Não ouvia isto há um porradão de tempo... Xiça, já tinha saudades, a sério....
14.5.09
Shall I Compare Thee to a Summer's day?
Se te comparo a um dia de verão?
És por certo mais bela e mais amena
O vento espalha as folhas pelo chão
E o tempo do verão é bem pequeno.
Ás vezes brilha o Sol em demasia
Outras vezes desmaia com frieza;
O que é belo declina num só dia,
Na terna mutação da natureza.
Mas em ti o verão será eterno,
E a beleza que tens não perderás;
Nem chegarás da morte ao triste inverno:
Nestas linhas com o tempo crescerás.
E enquanto nesta terra houver um ser
Meus versos vivos te farão viver.
W. Shakespeare
É dos que mais gosto. Sinceramente. Shall I Compare thee to a summer's day?
13.5.09
A democracia à moda do (renovado?) PS
A pergunta que se impõe é:
- E nós, será que podemos dizer qualquer coisinha? Dá-nos essa liberdade?
Mais uma campanha negra... Contra a justiça portuguesa
Para quem há uns dias gritava por cabalas, esta teoria não está mal!
Mas agora a sério: já não há moralidade nenhuma? Não há consequências políticas? Os órgãos de Estado não tomam qualquer medida?
Triste país, o nosso!
Volatilidade
Para memória futura, veremos o que acontecerá com Zeinal Bava. Para já, é fácil apresentar lucros numa empresa como a PT. Estaremos atentos ao que o futuro nos (lhe) reserva!
7.5.09
Nós e os Açores
Nasceu o mito
Confesso que não me recordo do primeiro contacto, verbal, com a Frente de Libertação do Arquipélago da Madeira. Imagino, que tenha acontecido por volta dos meus 20 anos. Ainda era um garoto.
Como aos 22 “emigrei”, só voltei a ser confrontado com estes “independentistas” sem rosto aos 30 anos. Sem pedir, o tema “FLAMA” surgiu no meu caminho. A última vez foi no dia 30 de Abril de 2009. Conheci, pessoalmente, dois dos “cérebros” da organização. Segundo disseram, só resta um terceiro vivo. Os outros 13 já faleceram, mas desconheço se fizeram uma última ceia.
Estes dois indivíduos. Um com 74, o outro com 85 anos, confessou fazer parte da “ala política” da FLAMA. Ao afirmá-lo, marca uma fronteira entre alas. A operacional. Ou seja, os “colaboradores” que entre 1974 e 1978, semearam o pânico na ilha.
Como qualquer movimento tinham um sonho. 35 anos depois, o sonho continua vivo, mas já não existe a mesma chama. Digo eu! Para provar o contrário, no dia 25 de Abril (2009) uma outra ala. Que não a dos ideólogos. Já não têm idade para… Imagino que também não tenham sido os operacionais, ressuscitou o morto. Colocaram 6 gigantes bandeiras no Funchal.
A operação foi bem sucedida. A máquina de escrever foi substituída pelo computador. O e-mail foi o meio mais seguro de passar a informação.
Assim nasceu o morto.
5 dias depois, a ala ideológica, viva, pediu “respeito” pela FLAMA. Costa Miranda, era o director adjunto do jornal oficial da organização – o “Madeira Nova”.
Miranda desconhece os autores das bandeiras e os que colocaram a bomba na madrugada do dia 13 de Setembro de 1975, no avião da Força Aérea, “ Nord – Atlas”, estacionado na Placa do Aeroporto de Santa Catarina. Rejeita que tenha sido uma operação da FLAMA. Diz que aconteceu com a “conivência” dos militares “descontentes”. Daniel Drumond desmente o colega. Partilhavam a mesma mesa, mas não tem dúvidas. O acidente foi provocado por homens da FLAMA. Só não revela os nomes. Um já faleceu, o outro, ainda está vivo.
Nesta conferência de imprensa. A primeira da FLAMA, ou de ex-flamistas, como fizeram questão de vincar no início da conversa com os jornalistas, não colocaram reservas sobre qualquer matéria.
Miranda, o ideólogo, foi várias vezes irónico. À pergunta, sobre se pretendiam a independência. Foi categórico. “Na altura havia uma independência por semana. O único problema é que não éramos pretos. Se fossemos pretos, teríamos a independência. A Madeira é uma ilha africana.” Quanto às mortes; questionou. “Onde estão?” Num acto de contrição, assumiu uma. A do jovem, Rui Alberto, no Porto Santo e falou sobre uma outra morte, mas no Forte de Santiago. “Foram os militares que o mataram.”
Daniel Drumond também tinha falado sobre mortes. Abordou o caso do “Julinho”. “Foi morto? Então não foi!!... A autópsia confirmou isso. Tinha uma pancada na cabeça, mas não morreu dela. Foi da queda. Há indícios que tentou se agarrar com as mãos antes de “escorregar””.
A conversa decorria a bom ritmo. As respostas estavam na ponta da língua. Questionados sobre se a igreja apoiou a FLAMA? Não! Quem financiava…?
“61%, os madeirenses. Eram simpatizantes da independência”.
“No auge do movimento éramos 16. Mas, quem mandava? “A FLAMA tinha um problema. Não existia um líder. Ainda tentamos arranjar um, mas recusou.”
Estes dois ex-flamistas não acreditam que tenham sido os ex-colegas da organização separatista a colocar as bandeiras. Para desmenti-lo, recordaram que a bandeira original da FLAMA tinha o escudo português no centro. “Não tem nada a ver com esta, que agora apareceu para aí. Se calhar, nenhum deles foi simpatizante da independência. Se calhar, andavam de fraldita, ainda.”
Os sorrisos, rasgados de quem fazia as perguntas, face ao conteúdo das respostas, marcava de forma indelével, as duas frentes de combate. A dos jornalistas e a dos homens da FLAMA. Eles não desarmaram.
Mantiveram a seriedade que o tema exige. “Dizem que em São Vicente ainda fazem um almoço da FLAMA? É numa casa que existe quem vai na direcção do Seixal. Participam deputados? Sim! E de que falam nesse almoço? De tudo, chega a uma certa altura que estão tontinhos… Não será a FAMA? Lá fama têm. Não sabe como são os almoços nesta terra?” Daniel Drumond, disse que esta é última vez que fala da FLAMA.
A FLAMA é um tema que apaixona, os madeirenses. Quando surge, toda a gente tem uma história nova para contar. Toda a gente sabe, uma coisa, que ninguém sabe.
Eu, para ser sincero, apenas sei que no passado dia 25 de Abril, esta organização desmantelada em1978, enfeitou a cidade.
Se fosse mais um comum dos mortais madeirenses, nem ligava. Por razões profissionais, deixo este registo para alimentar o mito.
6.5.09
Quem abandalha, é bandalho!
4.5.09
Agere non loqui

3.5.09
Quaerenti propere danda est responsio lenta
Condeno qualquer atitude agressiva para com qualquer candidato, de qualquer partido, a uma qualquer eleição. Condeno qualquer agressão contra quem, no exercício da sua liberdade, assume cargos políticos ou cívicos ou a eles se candidata. Condeno qualquer agressão ou tentativa de limitação da liberdade de expressão.
Posto isto, condeno os insultos (que de agressão teve pouco) que Vital Moreira foi alvo, tal como condeno o chega-pra-lá que Mário Soares sofreu, ou as agressões de alguns socialistas a Francisco Assis.
Mas também condeno o aproveitamento que o PS quer tirar da situação, porque aquilo é um caso de polícia e não de política, conforme os socialistas querem fazer crer. Aliás, quando o Assis foi agredido, ninguém disse que a responsabilidade era do PS, apesar de terem sido militantes a perpetrarem a agressão, pois não?
As referências que fazes ao Saramago dão-me igual ao litro. Eu penso pela minha cabeça e não pela do Saramago, do AJJ, do Sócrates, ou de quem quer que seja. Como sabe o meu amigo, a minha consciência, tal como a sua, é livre.
Naturalmente que Vital Moreira tinha todo o direito a estar lá, encabeçando a delegação socialista. Mas convenhamos que foi propositado, pois era evidente que o senhor levantaria ódios, quer por ser o candidato do Governo que tem sido combatido pela CGTP, quer pelo seu passado de ex-comunista. Foi, claro que foi, uma provocação. Seria o mesmo que o Bush ir cumprimentar os manifestantes anti-globalização!
Foi, portanto, propositado, porque os líderes do PS sabiam o que se iria dar.
Tal como é evidente o aproveitamento que o PS quer fazer do caso, confundindo, deliberadamente, o combate legítimo que o PCP tem encetado contra o seu governo com as agressões pontuais de alguns indivíduos.
Por isso, sim, acho que o PS e Vital Moreira devem um pedido de desculpas ao PCP e aos militantes comunistas.
Quanto à dívida do PS ao país, essa será paga, não tenho dúvidas!
PS encontrou mais uma besta negra?
Como também não está desculpado o PS por atribuir responsabilidades a um outro partido por actos que eram manifestamente isolados. Aliás, seriam tão comunistas os agressores, como aqueles que protegeram Vital Moreira. Mas quanto a isso, calados que nem ratos!
E não me venha este PS arvorar-se em paladino da Democracia. Estes quatro anos de governação de Sócrates, que contou com o silêncio cúmplice de alguns socialistas (à excepção de Manuel Alegre) envergonhados mas calados, já nos mostrou o que para eles vale a democracia. Pensa lá na senhora da DREN; nas atitudes persecutórias de Sócrates a jornalistas, manifestantes, bloggers, etc.; o que se passou no Centro de Saúde no norte do país; na promiscuidade absolutamente indecente que existe entre instituições públicas, que levou a um estado de medo entre aqueles que servem o Estado, como provavelmente nunca se viveu em Portugal, enfim...
E não deixa de ser pateticamente nauseabundo que venham armarem-se em vitimizanhas inocentes. Inocentes são as vítimas da governação socialista.
PS - Curioso é que nem ao PS, nem a Vital Moreira interesse descobrir os agressores. Já apresentaram algum queixa? É que dá jeito, não dá?
2.5.09
Começa a ser difícil qualificar este PS...
Sinceramente, acho mesmo que a presença de Vital Moreira foi uma afronta e um insulto às comemorações do 1º de Maio. E quem deve um pedido de desculpas é o PS: àquelas pessoas que lá estavam ontem e ao resto do país!
30.4.09
Oportunidade para reflectir sobre a cidade
Na próxima semana, Évora recebe o III Congresso Nacional das Cidades Educadoras.Como os frequentadores deste blog sabem, raramente falo de eventos que acontecem em Évora e muito menos daqueles com os quais, de alguma maneira, estou relacionado.
Todavia, num ano em que vão acontecer três actos eleitorais, a importância deste evento e da sua temática, bem como o movimento que os sustentam, são razões de sobra para o divulgar.
Comecemos, então, pelo movimento das Cidades Educadoras, que deu lugar à Associação Internacional das Cidades Educadoras e que reúne hoje, passados 19 anos desde o seu nascimento, mais de 500 cidades dos 5 continentes, entre as quais 35 são portuguesas.
Este movimento nasce do reconhecimento de que a cidade é um sistema complexo e poliédrico, com inúmeras potencialidades educadoras. Todas as suas dimensões (espacial, de organização, de comunicação, de educação, de apoio social, de cidadania, política, etc.) são passíveis de serem catalisadores de uma atitude educadora, entendida de um ponto de vista formal, não formal e informal.
Todavia, como o conceito grego phármakon elucida, essas potencialidades facilmente podem resvalar para veneno, tornando-se deseducadoras. Importa, portanto, optimizar essa característica inerente às cidades, construindo-as como espaços de vivência social, democracia e pluralismo, reconhecendo que a cidade é, antes de mais, o espaço da Cidadania.
Neste contexto, a questão do património assume-se como elemento fundamental.
Se a cidade tradicionalmente - entenda-se como "tradicional" a cidade nascida após a Revolução Industrial -, tinha como único sujeito o cidadão, a cidade de hoje reúne no seu seio múltiplos sujeitos, como os agentes económicos, os imigrantes ilegais (uma vez que os legais são cidadãos de pleno direito), os turistas, os movimentos associativos, os hotspots wireless, etc., que, frequentemente, concorrem para a perda de identidade, provocando uma tensão permanente.
O património surge-nos, então, como um referencial, um factor de enraizamento e valorização da identidade local, mas também, pela sua dimensão ética, como um importante elemento de abertura à diferença e à alteridade (porque o património não é apenas uma qualidade do que é meu) que contribui para a cidadania plena.
O património é, portanto, tudo o que constitui a cidade: cultura, tradição (oral, etc.), arte, arquitectura, simbologia, ética, costumes e religião, paisagem, natureza, enfim, todos aqueles valores designados de primeira, segunda e terceira geração.
Deste modo, o património é percebido (e bebido, porque não?), através de todos os nossos sentidos, identificando-se com a própria cidade.