30.5.09

Los poetas andaluces de ahora - Água Viva

Uma das melhores canções que, na minha opinião, nuestros hermanos já produziram. De uma banda dos anos 70 chamada aquaviva, constituida por Manolo Diaz, Pepe Nieto, Virgilio Fernandez, José Yanez . Construída sobre um poema de Rafael Alberti.

Patxi Andión - 20 Aniversario

Não liguem ao video. É uma merda. Fiquem só com o poema e com a voz do grande Patxi Andión.

28.5.09

Bando de ratos

O PS exigia (e bem) a demissão de Dias Loureiro do Conselho de Estado, atendendo às ligações pouco transparentes e as suspeitas que sobre si pendiam, decorrentes da falência do BPN. Já então, quando reivindicava o compromisso do PSD e denunciava o (alegado) silêncio da direcção social-democrata, mantinha seguros Vítor Constâncio e o presidente do Eurojust. Não via, aliás, razões para as demissões destes ilustres socialistas.
Agora, tendo Dias Loureiro apresentado a sua renúncia, por maioria de razão está obrigado o PS, se ainda lhes restar um pingo de dignidade, ética e sentido de estado, a providenciar a demissão do presidente do Banco de Portugal e de Lopes da Mota. Seria o mínimo que poderiam fazer, se sobrasse alguma decência. E isto, para não chegar ao ponto de pedir a demissão de Sócrates. Deus sabe que razões não faltam. Só que, neste momento, seria uma prenda demasiado doce para o primeiro-ministro. Que sofra as consequências da sua desgraçada política! Estranho, também, o silêncio da blogosfera socialista madeirense. Aqui há uns dias, pareciam paladinos da moralidade política. Fazendo tábua rasa dos rabos-de-palha que lhes está associado ao socialista traseiro, era vê-los, empertigados, e dando ares de gente séria, questionar o silêncio do PSD e as decisões do presidente da República. Agora, perante a demissão que exigiam, quedam-se pela mudez, que é como quem diz, andam para aí calados que nem ratos. Questão de coerência

Definição

A vida é um souvenir Made In Hong Kong

Zeca Baleiro

Zeca Baleiro - Trova

Muito muito bom

Escolha

Escolha uma identidade. É o pedido feito quando se quer inserir mensagens no blog. Escolha ser o Gonçalo, o Pedro, a Inês, o */u7, o Kiko ou a Kika, o anónimo Xavier, o rapaz das ceroulas brancas... Escolha ser qualquer coisa. Na Internet é possível.

27.5.09

Aprendi a amar quem já não me ama;
a perdoar quem não me perdoa;
e a gostar de quem não gosta de mim.

Rui Machado eliminado

Rui Machado foi-se. Deu muito pouca luta a Fernando González, tendo perdido por esclarecedores 3-0, sem ter tido a possibilidade de jogar qualquer break-point, o que diz bem da diferença de jogo entre o chileno e o português.

Já Michelle Brito joga à tarde. Vamos lá ver o que acontece.

25.5.09

Ute Lemper: "Don't tell mama

Excelente. Com dedicatória.

Michelle também passou

Michelle Brito também passou. Com uma vitória por dois sets a um contra a britânica Melanie South. Pela primeira vez, uma tenista feminina portuguesa ultrapassou a primeira ronda de um grand slam. Agora, venha a chinesa Jie Zheng, 15ª cabeça de série, jogadora que, em 2004 chegou à quarta ronda do torneio francês e que, em 2006 foi semi-finalista em pares. Uma tarefa muito complicada para a jovem (tem apenas 15 anos) Michelle Brito.

Rui Machado passou

Depois de um susto, o Rui Machado está na segunda ronda de Roland Garros. Contra o chileno Fernando González as hipóteses são muito remotas, mas mesmo assim, ficam alguns pontos para o rankink e cerca de 30 mil dólares na carteira.

Rui Machado em jogo

Rui Machado joga um 5º set em Roland Garros que será decisivo para passar à segunda eliminatória. Depois de ter ganho de forma impressionante os dois primeiros sets (6-2 e 6-4) perdeu os dois seguintes. O Quinto set pode ser acompanhado (como todo o torneio, de resto, aqui.).

Depois de Frederico Gil ter caído à primeira contra o 14º jogador do mundo, David Ferrer, o ténis masculino português pode continuar representado em Roland Garros, desde que Machado, campeão nacional em título, consiga vencer outro homem vindo das fases de qualificação, o belga Vliegen.

22.5.09

Debate Europeias na RTP-M...

Apraz-me registar a iniciativa inédita conseguida pela RTP-M. Ao fim de três décadas de regime democrático e passados inúmeros actos eleitorais, conseguiu-se finalmente juntar os candidatos todos, sim, incluindo o PSD, num debate televisivo. São recorrentes os agendamentos deste tipo de debate, a cada momento eleitoral, mas no que diz respeito à Madeira, é uma grande novidade. Deixo apenas algumas questões: porquê agora, e ainda por cima no âmbito de uma Eleição ao Parlamento Europeu? Será um novo élan para o sistema político regional? Será que estamos perante uma nova estratégia de comunicação política por parte do PSD-M? Esta inesperada concordância é para continuar? Em 2011 iremos assistir a um debate com os candidatos concorrentes às Eleições para a Assembleia Legislativa Regional da Madeira, com os respectivos cabeça de lista, e futuro Presidente do Governo Regional?

20.5.09

Porque outros dizem melhor do que eu

Os revolucionários têm que ser sempre perspicazes, para compreender o pobre material humano com que às vezes têm o infortúnio de trabalhar.

VS Naipul, in Sementes Mágicas

PS achincalha escola pública (e queriam mais)

Numa palávra: espúria!
Apenas assim é que consigo qualificar a medida socialista de distribuir preservativos nas escolas.
Nada me move contra a distribuição gratuita de preservativos (eu próprio tenho sido promotor de iniciativas que incluem este tipo de medida). Não percebo, contudo, porque é que se quer distribuir preservativos nas escolas, a não ser que se pretenda o seu absoluto abandalhamento. Como é que se pode credibilizar uma escola que começa a prestar os mesmo serviços que os bares? Como sustentar a ideia de que a escola é um espaço de trabalho? Assim, é impossível.
E agora o que é que se segue: distribuição de seringas?

Imoralidade domina actualidade do governo socialista

Parece-me evidente que o presidente do IEFP manipulou os dados do desemprego. Se a mando do ministro da tutela, para evitar que se chegasse a essa barreira psicológica dos 500 mil desempregados, se por sua auto-recriação, importa averiguar. Do que não restam dúvidas é de que houve um acto deliberado e não nos venham tentar enganar com erros informáticos. Isso já começa a ser parra que deu uva.
A minha maior estranheza é que, contudo, um acto como este não seja assumido politicamente por ninguém, nem que daí sejam extraídas as necessárias consequências. Surpreende-me? É verdade, conforme um comentador anónimo sugeria aqui há uns tempos, eu sou ingénuo e ainda acredito numa forma séria de estar na política.

O mesmo aplica-se, naturalmente, ao presidente do Eurojust. Talvez seja como ele diz e evocou ilegitimamente os nomes do primeiro-ministro e do ministro da Justiça para pressionar os seus colegas magistrados (é curioso que o nome de Sócrates seja evocado ilegitimamente tantas vezes. Era capaz de ser interessante fazer um estudo sociológico sobre o assunto, isto é, saber porque é que tanta gente se sente legitimada a recorrer ao nome do primeiro-ministro quando quer cometer uma qualquer ilegalidade [ou imoralidade]).
Mas esta possibilidade não é menos preocupante: denuncia uma certa forma de estar na política de alguns socialistas (de outros quadrantes também haverá, mas não me lembro de tanto caso como agora). É que o Lopes da Mota não é um mero magistrado: é um ex-secretário de Estado de um governo socialista.
Ninguém retirar daqui consequências é imoral, indecente e prenuncia uma total falta de respeito pela ética democrática.
Esta situação é tão mais grave quando estamos à beira de eleições. Este tipo de situação faz-me temer pela total falta de escrúpulos que alguns socialistas mais proactivos possam vir a adoptar. A quantidade de governadores civis, de directores de serviços que possam seguir estes (bons) exemplos, assusta-me
Ainda para mais, quando parece que para o PS toda a situação é normal e ninguém assume o embaraço internacional que esta situação está a causar.
Temo mesmo que os próximos tempos venham a ser negros...

Balada de Marie Sanders

E como abaixo falamos de autores (ou músicos) alemães, cá fica Bertolt Brecht e a sua Balada de Marie Sanders.

Em Nuremberga passaram uma lei
fazendo chorar muitas mulheres
que dormiam com o homem errado.

"Mais e mais gente nas ruas,
com força toca o tambor,
Deus do Ceú, se houvesse alguma coisa
seria esta noite..."

Marie Sanders, o teu amado
tem o cabelo muito preto,
o melhor é não o veres hoje,
como ontem o foste ver.

"Mais e mais gente nas ruas,
com força toca o tambor,
Deus do Céu, se houvesse alguma coisa
seria esta noite..."

Minha mãe, dá-me a chave
nem tudo corre mal,
A lua está igual.

"Mais e mais gente nas ruas,
com força toca o tambor,
Deus do Céu, se houvesse alguma coisa
seria esta noite..."

Certa manhã, às nove, atravessou a cidade,
de camisa e de placa ao pescoço,
o cabelo rapado, a rua aos berros,
ela de olhar gelado...

"Ficamos nas ruas,
o Streicher vai falar esta noite...
Grande Deus, se soubessem ouvir,
saberiam o que fazem connosco..."


Bertolt Brecht

Ute Lemper - L'Accordéoniste

Continuo a achar que esta senhora tem, provavelmente a melhor voz da actualidade. Ora oiçam lá, meus caros amigos, esta interpretação de L?Accordéoniste, aquele "velho" clássico da Edith Piaf. Digam lá se não é melhor que o original...

Giulia y Los Tellarini -La Ley Del Retiro

Mais uma do VC Barcelona e do Giulia e Los Tellarini.

Uma aventura que merece ser acompanhada

Depois de, em 2008, ter atravessado a faixa de água que separa a Madeira das Ilhas Selvagens montado na sua mota de água, Frederico Rezende quer ir mais longe. Já em Junho prepara-se para ligar o Funchal a Santa Cruz de Tenerife, também em mota de água. Uma aventura que merece ser acompanhada.

Pode fazê-lo aqui:

www.fredericorezende.blogspot.com

19.5.09

A puxar para a lágrima fácil, mas mesmo assim...



É verdade, o filme, premiado num festival internacional de curtas, puxa para a lágrima fácil. Mas não deixa de estar bem feito. Se calhar até fazer pensar um bocado.

Isto é lindo!

José Eduardo Bettencourt aparece, qual D. Sebastião, à frente de uma lista para liderar o Sporting. Clube e SAD, pelo que percebi. Logo a abrir diz que faz depender a sua candidatura da... decisão do treinador da equipa principal de futebol!

Em resumo, para além de gritar, qual Fernando Mendes da Juve Léo, Paulo Bento Forever (juro-vos que é verdade), afirmou taxativamente que só é candidato porque o bom do treinador decidiu ficar à frente da equipa.

Não tenho nada contra o Paulo Bento, mas parece-me um mau principio que um candidato a líder de uma qualquer instituição faça depender a candidatura da manutenção em funções de um funcionário. Ou não?

E agora, Dias Ferreira? Você avança ou nem por isso?

18.5.09

Dave Matthews Band - Funny The Way It Is

Gosto deste primeiro single. Agora quero ouvir o disco todo. Já em Junho (segundo creio).

Do you want a big Whiskey?

17.5.09

Um prenúncio?

Lá consegui ver o jogo. Um surpreendentemente pobre Nadal perdeu por duplo 6-4 com Federer. Um prenúncio para Roland Garros?

Mais um Nadal versus Federer

Nadal contra Federer. Daqui a 10 minutos. Final do Open de Madrid. Ráios parta a Sport TV, que "roubou" o ténis ao democrático Eurosport. Xiça, deve haver uma porcaria de uma televisão nas próximidades que não esteja ocupada com mais um jogo da liga inglesa ou de outro campeonato de futebol qualquer. Deve haver, digo eu... Vou à procura.

D. Duarte e Cavaco

D. Duarte foi interrompido e tirado do ar para que Cavaco fosse filmado a sair do carro oficial. Foi hoje, na RTP. Não deixa de ter graça.

Um livro aberto ao calhas

Os sonhadores sonham para cima, com o pescoço seguramente amarrado à cadeira eléctrica.

Henry Miller em Primavera Negra

Bloco de Notas

Poderei ser como julgo ser ou como os outros julgam que sou? É aqui que estas linhas se transformam numa confissão na presença do meu eu desconhecido e incognoscível, desconhecido e incognoscível para mim mesmo. É aqui que eu crio a lenda segundo a qual devo sepultar-me a mim mesmo.

Miguel de Unamuno

15.5.09

Uma pergunta

Depois de ter conseguido, basicamente, tudo aquilo que queria das autoridades regionais, Berardo despediu 100 trabalhadores. A atitude fica-lhe mal, como é óbvio. Mas será que as autoridades regionais não poderiam ter feito mais? Não teria sido possível fazer a defesa dos postos de trabalho aquando da negociação que conduziu às referidas cedências?

Para quê?

O Eng. Técnico Sócrates esteve cá... Para quê, ninguém sabe bem. Nem os empresários que acorreram ao almoço à espera de umas "migalhas" vindas de Lisboa.

Pink Floyd - Hey You (Live)

Não ouvia isto há um porradão de tempo... Xiça, já tinha saudades, a sério....

14.5.09

Shall I Compare Thee to a Summer's day?

Soneto 17

Se te comparo a um dia de verão?
És por certo mais bela e mais amena
O vento espalha as folhas pelo chão
E o tempo do verão é bem pequeno.
Ás vezes brilha o Sol em demasia
Outras vezes desmaia com frieza;
O que é belo declina num só dia,
Na terna mutação da natureza.
Mas em ti o verão será eterno,
E a beleza que tens não perderás;
Nem chegarás da morte ao triste inverno:
Nestas linhas com o tempo crescerás.
E enquanto nesta terra houver um ser
Meus versos vivos te farão viver.


W. Shakespeare

É dos que mais gosto. Sinceramente. Shall I Compare thee to a summer's day?

13.5.09

A democracia à moda do (renovado?) PS

Esteja mas é caladinho!

A pergunta que se impõe é:
- E nós, será que podemos dizer qualquer coisinha? Dá-nos essa liberdade?

Mais uma campanha negra... Contra a justiça portuguesa

Houve pressões sobre os magistrados do Ministério Público que investigam um primeiro-ministro socialista, vindas da parte de um militante socialista, que é presidente de uma organização judicial internacional, que até já foi secretário de Estado de um governo socialista, mas o Partido Socialista acha que são tudo coincidências e que a oposição está a tentar tirar dividendos políticos.
Para quem há uns dias gritava por cabalas, esta teoria não está mal!

Mas agora a sério: já não há moralidade nenhuma? Não há consequências políticas? Os órgãos de Estado não tomam qualquer medida?

Triste país, o nosso!

Volatilidade

Há cerca de um ano, li um trabalho jornalístico (acho que) na Visão, onde eram enaltecidas as virtudes da banca portuguesa e a nova leva de gestores, que eram apresentados como os Midas dos tempos modernos. Passado apenas um ano, vemos que tentaram vender-nos a banha da cobra e os fantásticos gestores, afinal não são assim tão fantásticos.
Para memória futura, veremos o que acontecerá com Zeinal Bava. Para já, é fácil apresentar lucros numa empresa como a PT. Estaremos atentos ao que o futuro nos (lhe) reserva!

Obviamente, demito-me!

Se alguma vez o PSD se unir a este PS liderado por José Sócrates!

7.5.09

Nós e os Açores

No centro de Lisboa, bem perto da Avenida da República abrirá, este fim-de-semana, a primeira Loja dos Açores. O espaço concentra um gabinete de apoio ao cidadão, no qual os residentes temporários açorianos em Lisboa poderão, por exemplo, fazer o cartão único, receber informações institucionais do Executivo e das instituições das ilhas, tratar de assuntos como bolsas de estudo, entre muitos outros. Contempla igualmente um balcão de informações do Turismo dos Açores, um espaço net, um bar (cafetaria) com refeições ligeiras e um supermercado onde se podem encontrar quase todos os produtos típicos das ilhas. Tudo isto, repito, no centro de Lisboa, num espaço muito bem decorado (eu diria que extraordinariamente apelativo para um público jovem e urbano). E nós? Ficamo-nos por uma casa fechada no Restelo (longe de tudo) e por um posto de informações na "baixa". Ah, e pelo Sá do Campo Pequeno, um investimento privado mas que, creio eu, tem contribuído mais para a divulgação dos produtos madeirenses em Lisboa do que anos de... estagnação pública. A não ser que existam espaços na capital que eu desconheça, como é óbvio!

Nasceu o mito

Eu nasci antes da formação oficial da FLAMA (1974), mas cresci sem ouvir falar, desta espécie de, guerrilheiros do atlântico. A FLAMA é para mim, uma ilustre organização desconhecida. Para mim, e para as três gerações que me seguem.

Confesso que não me recordo do primeiro contacto, verbal, com a Frente de Libertação do Arquipélago da Madeira. Imagino, que tenha acontecido por volta dos meus 20 anos. Ainda era um garoto.

Como aos 22 “emigrei”, só voltei a ser confrontado com estes “independentistas” sem rosto aos 30 anos. Sem pedir, o tema “FLAMA” surgiu no meu caminho. A última vez foi no dia 30 de Abril de 2009. Conheci, pessoalmente, dois dos “cérebros” da organização. Segundo disseram, só resta um terceiro vivo. Os outros 13 já faleceram, mas desconheço se fizeram uma última ceia.

Estes dois indivíduos. Um com 74, o outro com 85 anos, confessou fazer parte da “ala política” da FLAMA. Ao afirmá-lo, marca uma fronteira entre alas. A operacional. Ou seja, os “colaboradores” que entre 1974 e 1978, semearam o pânico na ilha.

Como qualquer movimento tinham um sonho. 35 anos depois, o sonho continua vivo, mas já não existe a mesma chama. Digo eu! Para provar o contrário, no dia 25 de Abril (2009) uma outra ala. Que não a dos ideólogos. Já não têm idade para… Imagino que também não tenham sido os operacionais, ressuscitou o morto. Colocaram 6 gigantes bandeiras no Funchal.

A operação foi bem sucedida. A máquina de escrever foi substituída pelo computador. O e-mail foi o meio mais seguro de passar a informação.
Assim nasceu o morto.

5 dias depois, a ala ideológica, viva, pediu “respeito” pela FLAMA. Costa Miranda, era o director adjunto do jornal oficial da organização – o “Madeira Nova”.

Miranda desconhece os autores das bandeiras e os que colocaram a bomba na madrugada do dia 13 de Setembro de 1975, no avião da Força Aérea, “ Nord – Atlas”, estacionado na Placa do Aeroporto de Santa Catarina. Rejeita que tenha sido uma operação da FLAMA. Diz que aconteceu com a “conivência” dos militares “descontentes”. Daniel Drumond desmente o colega. Partilhavam a mesma mesa, mas não tem dúvidas. O acidente foi provocado por homens da FLAMA. Só não revela os nomes. Um já faleceu, o outro, ainda está vivo.

Nesta conferência de imprensa. A primeira da FLAMA, ou de ex-flamistas, como fizeram questão de vincar no início da conversa com os jornalistas, não colocaram reservas sobre qualquer matéria.

Miranda, o ideólogo, foi várias vezes irónico. À pergunta, sobre se pretendiam a independência. Foi categórico. “Na altura havia uma independência por semana. O único problema é que não éramos pretos. Se fossemos pretos, teríamos a independência. A Madeira é uma ilha africana.” Quanto às mortes; questionou. “Onde estão?” Num acto de contrição, assumiu uma. A do jovem, Rui Alberto, no Porto Santo e falou sobre uma outra morte, mas no Forte de Santiago. “Foram os militares que o mataram.”

Daniel Drumond também tinha falado sobre mortes. Abordou o caso do “Julinho”. “Foi morto? Então não foi!!... A autópsia confirmou isso. Tinha uma pancada na cabeça, mas não morreu dela. Foi da queda. Há indícios que tentou se agarrar com as mãos antes de “escorregar””.

A conversa decorria a bom ritmo. As respostas estavam na ponta da língua. Questionados sobre se a igreja apoiou a FLAMA? Não! Quem financiava…?
“61%, os madeirenses. Eram simpatizantes da independência”.
“No auge do movimento éramos 16. Mas, quem mandava? “A FLAMA tinha um problema. Não existia um líder. Ainda tentamos arranjar um, mas recusou.”

Estes dois ex-flamistas não acreditam que tenham sido os ex-colegas da organização separatista a colocar as bandeiras. Para desmenti-lo, recordaram que a bandeira original da FLAMA tinha o escudo português no centro. “Não tem nada a ver com esta, que agora apareceu para aí. Se calhar, nenhum deles foi simpatizante da independência. Se calhar, andavam de fraldita, ainda.”

Os sorrisos, rasgados de quem fazia as perguntas, face ao conteúdo das respostas, marcava de forma indelével, as duas frentes de combate. A dos jornalistas e a dos homens da FLAMA. Eles não desarmaram.

Mantiveram a seriedade que o tema exige. “Dizem que em São Vicente ainda fazem um almoço da FLAMA? É numa casa que existe quem vai na direcção do Seixal. Participam deputados? Sim! E de que falam nesse almoço? De tudo, chega a uma certa altura que estão tontinhos… Não será a FAMA? Lá fama têm. Não sabe como são os almoços nesta terra?” Daniel Drumond, disse que esta é última vez que fala da FLAMA.



A FLAMA é um tema que apaixona, os madeirenses. Quando surge, toda a gente tem uma história nova para contar. Toda a gente sabe, uma coisa, que ninguém sabe.

Eu, para ser sincero, apenas sei que no passado dia 25 de Abril, esta organização desmantelada em1978, enfeitou a cidade.
Se fosse mais um comum dos mortais madeirenses, nem ligava. Por razões profissionais, deixo este registo para alimentar o mito.

6.5.09

Quem abandalha, é bandalho!

O homem não é apenas inapto, e as declarações não são apenas infelizes: o tipo, que por uma infelicidade do destino (e do Sócrates) é ministro de Portugal, é um bandalho!

4.5.09

Agere non loqui


Porque já começava a ser tempo de agir. E porque acredito que daqui poderá surgir alguma coisa boa para o PS-Madeira!

3.5.09

Quaerenti propere danda est responsio lenta

Chiça, que o meu amigo é chato! Mas como sabe que eu não resisto a um debatezinho, aqui vai.


Condeno qualquer atitude agressiva para com qualquer candidato, de qualquer partido, a uma qualquer eleição. Condeno qualquer agressão contra quem, no exercício da sua liberdade, assume cargos políticos ou cívicos ou a eles se candidata. Condeno qualquer agressão ou tentativa de limitação da liberdade de expressão.
Posto isto, condeno os insultos (que de agressão teve pouco) que Vital Moreira foi alvo, tal como condeno o chega-pra-lá que Mário Soares sofreu, ou as agressões de alguns socialistas a Francisco Assis.

Mas também condeno o aproveitamento que o PS quer tirar da situação, porque aquilo é um caso de polícia e não de política, conforme os socialistas querem fazer crer. Aliás, quando o Assis foi agredido, ninguém disse que a responsabilidade era do PS, apesar de terem sido militantes a perpetrarem a agressão, pois não?

As referências que fazes ao Saramago dão-me igual ao litro. Eu penso pela minha cabeça e não pela do Saramago, do AJJ, do Sócrates, ou de quem quer que seja. Como sabe o meu amigo, a minha consciência, tal como a sua, é livre.

Naturalmente que Vital Moreira tinha todo o direito a estar lá, encabeçando a delegação socialista. Mas convenhamos que foi propositado, pois era evidente que o senhor levantaria ódios, quer por ser o candidato do Governo que tem sido combatido pela CGTP, quer pelo seu passado de ex-comunista. Foi, claro que foi, uma provocação. Seria o mesmo que o Bush ir cumprimentar os manifestantes anti-globalização!

Foi, portanto, propositado, porque os líderes do PS sabiam o que se iria dar.
Tal como é evidente o aproveitamento que o PS quer fazer do caso, confundindo, deliberadamente, o combate legítimo que o PCP tem encetado contra o seu governo com as agressões pontuais de alguns indivíduos.

Por isso, sim, acho que o PS e Vital Moreira devem um pedido de desculpas ao PCP e aos militantes comunistas.

Quanto à dívida do PS ao país, essa será paga, não tenho dúvidas!

PS encontrou mais uma besta negra?

Não, não estão desculpados os agressores. Mas acho que entre pessoas inteligentes, é desnecessário dizer (e, pior, repetir) o óbvio!
Como também não está desculpado o PS por atribuir responsabilidades a um outro partido por actos que eram manifestamente isolados. Aliás, seriam tão comunistas os agressores, como aqueles que protegeram Vital Moreira. Mas quanto a isso, calados que nem ratos!

E não me venha este PS arvorar-se em paladino da Democracia. Estes quatro anos de governação de Sócrates, que contou com o silêncio cúmplice de alguns socialistas (à excepção de Manuel Alegre) envergonhados mas calados, já nos mostrou o que para eles vale a democracia. Pensa lá na senhora da DREN; nas atitudes persecutórias de Sócrates a jornalistas, manifestantes, bloggers, etc.; o que se passou no Centro de Saúde no norte do país; na promiscuidade absolutamente indecente que existe entre instituições públicas, que levou a um estado de medo entre aqueles que servem o Estado, como provavelmente nunca se viveu em Portugal, enfim...

E não deixa de ser pateticamente nauseabundo que venham armarem-se em vitimizanhas inocentes. Inocentes são as vítimas da governação socialista.

PS - Curioso é que nem ao PS, nem a Vital Moreira interesse descobrir os agressores. Já apresentaram algum queixa? É que dá jeito, não dá?

2.5.09

Começa a ser difícil qualificar este PS...

É absolutamente patético que o PS atribua a responsabilidade ao PCP pelas agressões a Vital Moreira. Como é ridículo que os socialistas queiram um pedido de desculpas por parte dos comunistas. Mas esta atitude do PS demonstra bem o seu autismo político, tentando constantemente encontrar inimigos externos para as suas próprias trapalhadas. Se o senhor foi agredido, a culpa não é dos comunistas, é do estado de desespero a que este governo levou muitas pessoas. Estavam à espera de beijinhos e abracinhos ao representante deste governo que tanto mal tem feito ao país?
Sinceramente, acho mesmo que a presença de Vital Moreira foi uma afronta e um insulto às comemorações do 1º de Maio. E quem deve um pedido de desculpas é o PS: àquelas pessoas que lá estavam ontem e ao resto do país!

30.4.09

Oportunidade para reflectir sobre a cidade

Na próxima semana, Évora recebe o III Congresso Nacional das Cidades Educadoras.
Como os frequentadores deste blog sabem, raramente falo de eventos que acontecem em Évora e muito menos daqueles com os quais, de alguma maneira, estou relacionado.
Todavia, num ano em que vão acontecer três actos eleitorais, a importância deste evento e da sua temática, bem como o movimento que os sustentam, são razões de sobra para o divulgar.
Comecemos, então, pelo movimento das Cidades Educadoras, que deu lugar à Associação Internacional das Cidades Educadoras e que reúne hoje, passados 19 anos desde o seu nascimento, mais de 500 cidades dos 5 continentes, entre as quais 35 são portuguesas.
Este movimento nasce do reconhecimento de que a cidade é um sistema complexo e poliédrico, com inúmeras potencialidades educadoras. Todas as suas dimensões (espacial, de organização, de comunicação, de educação, de apoio social, de cidadania, política, etc.) são passíveis de serem catalisadores de uma atitude educadora, entendida de um ponto de vista formal, não formal e informal.
Todavia, como o conceito grego phármakon elucida, essas potencialidades facilmente podem resvalar para veneno, tornando-se deseducadoras. Importa, portanto, optimizar essa característica inerente às cidades, construindo-as como espaços de vivência social, democracia e pluralismo, reconhecendo que a cidade é, antes de mais, o espaço da Cidadania.
Neste contexto, a questão do património assume-se como elemento fundamental.
Se a cidade tradicionalmente - entenda-se como "tradicional" a cidade nascida após a Revolução Industrial -, tinha como único sujeito o cidadão, a cidade de hoje reúne no seu seio múltiplos sujeitos, como os agentes económicos, os imigrantes ilegais (uma vez que os legais são cidadãos de pleno direito), os turistas, os movimentos associativos, os hotspots wireless, etc., que, frequentemente, concorrem para a perda de identidade, provocando uma tensão permanente.
O património surge-nos, então, como um referencial, um factor de enraizamento e valorização da identidade local, mas também, pela sua dimensão ética, como um importante elemento de abertura à diferença e à alteridade (porque o património não é apenas uma qualidade do que é meu) que contribui para a cidadania plena.
O património é, portanto, tudo o que constitui a cidade: cultura, tradição (oral, etc.), arte, arquitectura, simbologia, ética, costumes e religião, paisagem, natureza, enfim, todos aqueles valores designados de primeira, segunda e terceira geração.
Deste modo, o património é percebido (e bebido, porque não?), através de todos os nossos sentidos, identificando-se com a própria cidade.
É por isso que este me parece um evento de extrema importância, onde técnicos, políticos e intelectuais irão reflectir sobre a construção de uma cidade nova, suportada na valorização da cultura e património locais, sem provincianismos bacocos, mas que se pretende, simultaneamente, aberta ao mundo e à alteridade.
Uma óptima oportunidade para criar uma nova atitude de gestão da pólis.