"Reúne sete ou oito sábios e tornar-se-ão outros tantos tolos, pois incapazes de chegar a acordo entre eles, discutem as coisas em vez de as fazerem" - António da Venafro
2.4.09
Lopes da Mota acima de qualquer suspeita? Nã....
Digno de toda a minha confiança...
E assim sendo, só posso concluir que os outros magistrados são todos uns mentirosos, desonestos e aldrabões que, uma vez mais, apenas querem denegrir a imagem do impoluto Sócrates...
1.4.09
Sócrates culpado por falta de vontade de escrever
Pelo amor de Deus... Como é que isto pode sucsitar alguma vontade de escrever?
Aparências e falsos casos
Não me incomoda nada porque quem vai lendo o que escrevo por cá, se não for acéfalo, perceberá aqueles que são os meus comentários. Com violência, sem violência, de forma mais ou menos educada.
Quanto às insinuações de que sou eu, mas que finjo que não sou (que raio de confusão), fiquem os caros sabendo que eu nunca tive receio de mandar à fava quem quer que seja. Por isso, se tiver que fazê-lo, faço-o sem qualquer prurido.
Para concluir: alguns comentários que por aí andam apenas assinados com o meu nome mas sem a certificação do blogspot são meus e outros não. Mas perdoem que não me dê ao trabalho de enunciar quais são. Descubram vós mesmos.
Mais um na conspiração
Bem vindo à blogosfera, camarada!
O Fantasma sai de cena
Acabei há pouco (há horas), O Fantasma Sai de Cena, o último livro publicado por Roth. E desta vez assino um armísticio com o escritor, rendo-me às evidências e registo que há muito pouca gente a escrever como Roth, a perceber o mundo como ele.
O Fantasma Sai de Cena fala-nos sobre a velhice. Roth põe em confronto um escritor consagrado, Nathan Zuckerman, de 71 anos, acabado de regressar a Nova Iorque após uma reclusão voluntária de uma década, e um aspirante a escritor, Richard Kliman. O cansaço contra a fogosidade. A resignação contra a ambição, por vezes desmedida.
O autor apresentam-nos um Zuckerman que lida mal com o passado e que não se integra no presente. Amy, a moribunda Amy, que outrora fora amante do seu mentor literário, representa o passado. Jamie, outra mulher, jovem e bela, será o presente. Duas mulheres que nunca lhe pertenceram são o que podia ter sido e o que já não pode ser.
O já-não Zuckerman (a expressão é de Roth) debate-se com as pulsões do desejo que julgava mortas, com as limitações da velhice, com os seus fantasmas passados e presentes, num mundo marcado pela confusão do pós 11 de Setembro, pela reeleição de Bush, pela ambição desmedida, pelos telemóveis, pelas roupas justas das meninas na 5ª Avenida... Um mundo do qual se afastara e ao qual percebe ser demasiado tarde para regressar.
Assim, apenas com mais um momento de insanidade da sua parte - um momento de louca excitação - atira tudo para dentro do saco - excepto o manuscrito que não leu e os livros em segunda mão de Lonoff - e foge o mais depressa que pode. Como pode ser de outro modo? (Como ele gosta de dizer)? Desintegra-se. Ela vem a caminho e ele vai embora. Para sempre.
É desta forma que Roth termina o livro. É assim que Zuckerman, o já-não Zuckerman, sai de cena.
Com uma narrativa directa e envolvente Roth apresenta um grande livro.
O Fantasma Sai de Cena foi editado pela D. Quixote. Está à venda na maioria das livrarias do Funchal.
Um livro aberto ao calhas
America when I was seven momma took me to Communist Cell meetings they sold us garbanzos a handful per ticket a ticket costs a nickel and the speeches were free everybody was angelic and sentimental about the workers it was all so sincere you have no idea what a good thing the party was in 1835 Scott Nearing was a grand old man a real mensch Mother Bloor made me cry I once saw Israel Amter plain. Everybody must have been a spy. America you don’t really want to go to war.
Allen Ginsberg – America
Excerto de America, de Allen Ginsberg
27.3.09
Famous blue raincoat
Continuação de uma conversa:
- Quase tudo morre, a amizade, o amor, o sexo. Só sobrevivem a música e as palavras. Palavras como estas, compartilhadas num tempo e espaço diferentes, partilhadas ontem com os mortos de hoje.
Yes, and thanks for the trouble you took from her eyes.
I thought it was there for good so I never tried.
Se calhar é o mais bonito acordo de rendição jamais assinado.
Did i ever tried?
A Cultura de Sócrates
O Governo do Partido Socialista comprometeu-se, no programa eleitoral sufragado pelos portugueses e no programa de Governo que foi aprovado na Assembleia da República, a desenvolver na legislatura 2005/2009, "três finalidades essenciais" no domínio da cultura. Cito: "A primeira é retirar o sector da cultura da asfixia financeira em que três anos de governação à direita o colocaram. A segunda é retomar o impulso para o desenvolvimento do tecido cultural português. A terceira é conseguir um equilíbrio dinâmico entre a defesa e valorização do património cultural, o apoio à criação artística, a estruturação do território com equipamentos e redes culturais, a aposta na educação artística e na formação dos públicos e a promoção internacional da cultura portuguesa."
No programa de Governo assumiram-se também dois outros compromissos nucleares, um de índole orçamental e outro de natureza mais programática. Quanto ao primeiro, afirmou-se - e bem - que "o compromisso do Governo, em matéria de financiamento público da cultura, é claro: reafirmar o sector como prioridade na afectação dos recursos disponíveis. Neste sentido, a meta de 1% do Orçamento do Estado dedicado à despesa cultural continua a servir-nos de referência de médio prazo, importando retomar a trajectória de aproximação interrompida no passado recente".
Quanto ao segundo, assumia-se que as "redes de equipamentos e actividades culturais são o melhor factor de consolidação e descentralização da vida cultural e de sensibilização e formação de públicos. A prioridade, na dimensão física, é a conclusão das redes já iniciada: a rede de Leitura Pública, a rede de Teatros, a rede de Museus e a rede de Arquivos. Estamos porém muito atrasados na outra dimensão essencial das redes, como articulação dos equipamentos e serviços e dos seus programas". (...)
Apesar da clareza destes diagnósticos e do acerto destes propósitos, o que se verifica ao fim de quatro anos o é que não só não se conseguiu inverter a situação de "asfixia financeira" de 2003/2005, como ela se agravou pesadamente. O Orçamento do Estado destinado à cultura desceu para o mais baixo valor das últimas décadas: 0,3 %. Em contracorrente, note-se, com o notável esforço que em geral se tem feito ao nível autárquico, onde se tem procurado dar continuidade ao que de melhor se semeou no sector…
Também as outras duas "finalidades essenciais" assumidas nos programas eleitoral e de Governo ficaram pelo caminho: nem se conseguiu dar qualquer "impulso" no de-senvolvimento do tecido cultural português, nem se definiram políticas que viabilizas-sem o "equilíbrio dinâmico" entre os sectores do património e da criação, ou que incrementassem efectivamente a formação de públicos ou a internacionalização da cultura portuguesa. Para já não falar da atonia e da desorientação que têm marcado áreas tão vitais como as do livro e da leitura, do cinema e do audiovisual, em que não se vislumbram, ao nível da tutela do sector, quaisquer opções, orientações ou políticas.
A política cultural tornou-se assim cada vez mais invisível, ilegível e incompreensível, ameaçando fazer, dos anos 2005/09, uma legislatura perdida para a cultura. (...)
Este diagnóstico não foi feito por um qualquer social-democrata, nem por outro opositor. Foi feito um um antigo Ministro da Cultura e destacado militante do Partido Socialista: Manuel Maria Carrilho.
25.3.09
Cover to cover
Tá no Público mas eu não resisto a pôr aqui. Um sítio que verdadeiramente vale a pena!
Take Away Shows
Vincent Moon tenta captar a música apenas como ela acontece. Espontaneamente, sem truques e sem produção.
Um pouco por todo o mundo convida bandas a tocar na rua, em apartamentos, em escadarias ou em outros sítios improváveis e capta o resultado com uma câmara digital.
Eis Take Away Shows, na Blogotheque e também em temporary areas. Vejam Man Man nas ruas de Paris, Sigur Ros a tocar num café burguês da capital francesa, Tom Jones num sofá em Nova Iorque, dEUS em Belford, REM em Atenas, Andrew Bird a tocar num apartamento parisiense, Arcade Fire a tocar num elevador, The Young Gods a fazer música – acústica - nas avenidas de Paris, Stuart Staples num sofá, entre dezenas de outros. Um projecto que, para quem gosta de boa música e de imagem, é fascinante.
24.3.09
23.3.09
Uma ideia cheia de sexo
Só percebi esta, excelente ideia de Aristófanes, após ver a peça que está em cena no Baltazar Dias.
Acho que os sindicatos podem voltar a ter um papel de relevo no país, caso promovam uma greve do sexo em Portugal. Basta que consigam convencer as esposas dos patrões, dos chefes, dos directores das empresas, a não terem relações sexuais com os maridos. É óbvio que, face ao número de divórcios é necessário alargar o apelo a outras actrizes. Talvez às secretárias, às colegas. Numa palavra, às amantes dos respectivos, para garantir uma adesão em massa à greve.
A ideia é – não faça amor, faça abstinência sexual para conseguir um melhor salário. Ou qualquer coisa do género. Eles não resistem a uma declaração de guerra sexual.
Eles sempre foram o sexo fraco. Elas, sempre foram quem comandou as tropas a partir das portas de casa.
Não faças sexo. Vai ver a peça.
22.3.09
Um ladrão
20.3.09
Abril, Maio
Eduarda Maio é jornalista da RDP. Há uns tempos escreveu um livro com o sugestivo título Sócrates: o menino de ouro do PS. Não veio nenhum mal algum ao mundo. Cada um é livre de escrever e publicar as barbaridades que quer, como é óbvio (eu que o diga).
Agora, dá a voz a um anúncio promocional da rádio pública, que passa a mensagem de que as greves são contra quem trabalha e quer chegar a horas ao emprego. Uma mensagem de conteúdo político claro, após as mais recentes manifestações e greves contra a política do menino de ouro do PS (as palavras não são minhas).
A nossa amiga Eduarda tem o direito de dar voz a um anúncio promocional da "sua" estação com uma mensagem pró-governo. Cada um escolhe a forma como gere a sua carreira e essa gestão implica um conjunto de escolhas que devem conduzir a um determinado fim.
Mas nós, simples consumidores, também temos o direito questionar o trabalho da senhora, achando que há uma excessiva colagem ao Governo e à figura do primeiro-ministro, sendo que essa estratégia não abona em nada a favor da insenção que deve pautar a produção jornalística.
Podemos ainda questionar o conteúdo e a grelha informativa de uma estação que cria um spot promocional à imagem do Executivo.
Devemos, finalmente, sugerir que há uma ingerência da tutela (Governo) na gestão de conteúdos informativos da rádio pública e que o spot em questão é apenas a mais recente manifestação dessa ingerência.
Enfim, se fosse na Madeira a blogosfera estava em polvorosa... A de cá e a de lá.
16.3.09
Lembro, cara amiga, lembro!
Foram ali antecipados os beijos ávidos das paixões, a vida por vir, como se a quisesse beber toda, às golfadas. Ali descobriu a urgência com que a queria engolir, senti-la dentro da sua pele, a correr no seu sangue, como se o mundo fosse acabar.
Julgava, então, que o futuro traria delírios oníricos, aromas inusitados. Encontrou e viveu as mais belas sinfonias, os mais ardentes sabores, as mais sublimes visões. Foi ali que despertaram verdadeiramente as vozes do seu corpo, que sentiu o fragor da paixão, o apelo irresistível do desejo. Entre consecutivas baforadas de LM e cafés engolidos de supetão, já frios, sonhou com melífluos lábios, que acreditava saberem a cereja e a sal, carnudos como goiabas, de sabor gentil a araçál. Essa foi a caverna que o libertou, verdadeiramente, da infância.
Partilhou sonhos e acreditava ser suficientemente forte para mudar o mundo. Construamos, nós próprios, um outro melhor.
As faltas não aconteciam por não se ir à escola. A aula de latim era pouco importante, os debates de Filosofia demasiado limitadores. Faltavam quando pouco antes das oito não se anunciavam, em entrada triunfante, naquele que era o verdadeiro espaço de aprendizagem.
E se o futuro destruiu muitas das cumplicidades que ali foram geradas, a verdade é que algumas se perpetuam.
Olha-se e vê que apesar da distância que o separa daquilo que sonhava ser, não é, todavia, outra coisa qualquer. Seria possível antecipar isto? Será o presente tão diferente do futuro que desejou?
Sim, o buraco era negro. Mas os sonhos, as ilusões, os sentimentos e os sorrisos - os sorrisos, minha amiga! - iluminavam todo aquele espaço.
E é por esta história que concordo contigo. Não quero chá, nem bolo de leite, nem luminosidade, nem ambiente asséptico, nem vida saudável. Prefiro antes a escuridão que nos protegia do mundo, os cigarros fumados com urgência, enevoando o espaço pouco higiénico e as bicas curtas. Servidas ainda antes sequer de dizer bom dia!
15.3.09
13.3.09
CR7 "vale" 63 milhões
Segundo a Cision, Cristiano Ronaldo tem um potêncial mediático equivalente a 63 milhões de euros só no período compreendido entre Janeiro e Outubro de 2008.
O valor foi avaliado em função do espaço editorial ocupado pelo atleta na imprensa e televisão, que permite ter uma dimensão da sua notoriedade através da sua capacidade de penetração no espaço mediático, servindo de referência para calcular o seu potencial enquanto veículo de comunicação e publicidade.
No entanto, o potencial mediático não representa o valor a pagar por uma marca ao utilizar a imagem do internacional português para comunicação, mas sim o valor que a sua presença nos media gera para ele próprio enquanto marca.
Para além do potencial tangível, medido com base na sua capacidade de despertar a atenção dos media, Cristiano Ronaldo capitaliza um forte valor intangível, na medida em que ele é embaixador de uma forma de estar, um estereótipo de sucesso com grande impacto nas classes etárias mais jovens, pelo que é um veículo privilegiado para comunicar com este target.
Tradutor precisa-se
Uma das explicações possíveis para a estrondosa goleada sofrida em Munique descreve uma ponte sobre o plano técnico-táctico e assenta pilares nos riscos inerentes ao "modelo de sustentabilidade" em que se apoia e fundamenta a estratégia de gestão do futebol profissional do Sporting.
É assim que Filipe Soares Franco explica a calamidade em que se transformou a equipa do Sporting.
Alguém me traduz esta merda e me explica o que quer dizer?
Vale sem fronteiras
Há alguém que não tenha sido burlado pelo Vale e Azevedo? Vejam a notícia do CM de hoje:
Vale burla aristocrata alemão e filhos
Um dos quatro enviados por Vale e Azevedo a Angola, a bordo do jacto particular à custa da UNITA, era Hans Georg Von Doernberg. Que pensou estar mesmo à procura de terreno para produção de biocombustíveis. "Vale apresentou-me como potencial investidor a Isaias Samakuva, servindo-se do meu bom nome para conseguir burlar o presidente do partido", conclui hoje o barão alemão. E isto porque, enquanto desviava um milhão à UNITA, no Verão passado, Vale também sacava "1,3 milhões de euros, sem retorno", à família do aristocrata.
O homem é acusado de ter surripado sócios, amigos, o estado, o Benfica, a Unita, o desgraçado que lhe alugou a primeira casa em Londres e até, pelos vistos, a aristocracia alemã. Um profissional sem fronteiras!
11.3.09
Uma jogatana
Kadish - Armand Amar
Graças ao Scherzan.
Confesso que não conhecia este músico, mas fiquei a gostar imenso.
Piscinas do Atlântico
Projectado por Paulo David, o complexo é magnifíco mas neste momento está claramente sub- aproveitado, correndo o risco de degradar-se irreversivelmente. À atenção dos senhores da Sociedade Metropolitana de Desenvolvimento.
Uma pena, de facto!
Post-Scriptum: A música que acompanha o slide-show é deslumbrante. Se alguém souber de que grupo ou compositor se trata, fazendo o favor de me informar, terá a minha eterna gratidão. WOAB, tu que percebes de música, não consegues descobrir?
Vergonha
Só posso concordar em absoluto com aquilo que a Marca escrevera em editorial depois do jogo da primeira volta:
- O Sporting é uma equipa indigna de estar presente nos oitavos de final da Liga dos Campeões. Ponto final parágrafo.
Post-Scriptum: Espanta-me como é que ninguém tira conclusões do desastre. Um pedido de desculpas já não é suficiente para lavar a face depois da maior humilhação da História do clube.
10.3.09
Pinhead Society ou the next big thing
Estávamos em 96 ou 97, nem me lembro bem, e eu fazia parte da Associação de Estudantes do ISCTE, um verdadeiro albergue espanhol onde a JCP e a JSD domiam na mesma cama, acompanhados por gente que saira da Política XXI e do PSR, de uma menina queque da JP e de alguns indefinidos (políticamente falando) como o Mourinho, um dos tipos mais divertidos que alguma vez conheci.
Setubalense de gema, o Mourinho era sobrinho de um tal José que naqueles tempos ainda não era o "special one". Completamente inapto para o futebol, ao contário do resto da familia, destacou-se como organizador de concertos e arraiais, convertendo-se na maior dor de cabeça do Nuno Mendes, o homem das contas, que transpirava sempre que lhe eram apresentados orçamentos para PA's decentes porque o ISCTE iria receber the next big thing.
Muitas das big things do Mourinho eram bandas de garagem sem préstimo algum, que lhe eram impingidas nas noites do Bairro. Mas no meio do caos e da chinfrineira apareceram algumas coisas interessantes.
Já vos falei várias vezes dos Raindogs, na altura liderados por Roland Popp e com um violino tocado magistralmente por um senhor que dá pelo nome de Matt Howden. Pois bem, não foram the next big thing mas ainda editaram três discos (pelo menos), dois deles absolutamente deliciosos.
Nunca vos falei, contudo, de Pinhead Society.
Cá vai:
- Tás maluco... vais pôr uma banda de miúdos de 16 anos a tocar aqui?
Dizia toda a direcção da AE. Com excepção do Mourinho, que argumentava:
- Épa, vocês não tão a ver bem a cena, meu. Os putos são... são do melhor.
Em verdade vos digo que o argumento do Mourinho foi aceite, com a abstenção do Mendes, e lá se organizou o bendito concerto.
No dia marcado os miúdos chegaram, fizeram o teste de som de forma muito profissional, desamparam a loja e apareceram à hora do espectáculo. Subiram ao palco e ao fim de duas canções tinham ganho a plateia.
Quando acabou, o Mourinho exultava:
- Eu tinha dito. Devem-me cerveja. Todos.
De facto, após aquele concerto muitos de nós ficámos convencidos que desta vez o Mourinho acertara e aqueles putos iriam ser, de facto, the next big thing.
Naquele tempo, os Pinhead Society editaram um belissímo disco, Kings of Our Size, que surgiu no mercado com o selo da Candy Factory, a mesma editora dos Raindogs.
Tocaram por Lisboa inteira, no circuito alternativo, foram a algumas estações de rádio, chegaram ao palco principal do Sudoeste (com Sonic Youth) a Vilar de Mouros e ao Coliseu e desapareceram de cena com a mesma velocidade com que surgiram, deixando boas canções e uma pergunta: que ráio correu mal?
Pois bem, há anos que não oiço falar do Mourinho. E já nem me lembrava dos Pinhead. Mas há bocado, dando uma volta pelo myspace, dei de caras com a página da banda. E pus-me a ouvir, descobrindo que o tempo não estragou as canções.
Não sei se o disco se vende (é provável que esteja esgotado). Mas a Mariana ainda canta (myspace.)
9.3.09
Bilhetes de Colares
Em 2007 foram editadas em livro pela Assirio e Alvim. Um volume organizado por Fernando Venâncio.
Na minha opinião, alguns dos "bilhetes" estão entre o que de melhor se escreveu na imprensa portuguesa do pós 25 de Abril. Cutileiro, aliás, o Dr. Kotter, utiliza a mais fina ironia para caracterizar o Portugal saído da revolução. Uma ironia queiroziana.
Crónicas curtas, com forte pendor antropológico, como bem salientou Maria Filomena Mónica (o diplomata José Cutileiro era antropólogo de formação), e que foram minorizadas por duas razões essênciais:
- Ilustravam a visão de um conservador;
- Não falavam de futebol, política ou da "vida do outro";
De qualquer forma estão aí, em qualquer livraria decente, prontas a ser "recuperadas".
Um livro aberto ao calhas
-Ó Senhor Dr., se o Pina tem razão, o que acontece aos nossos... aos Bilhetes de Vossa Excelência?
- O que é que acontece como?
- No século XXI, se ninguém já souber ler?
- Se ninguém já souber ler no século XXI, ninguém saberá da Beldroega, nem do Dr. Kotter, nem do meu querido ex comando...
- O Pina não tem razão, pois não?
- Não sei, Fonseca. Não faço a mínima ideia
In Bilhetes de Colares - 1982-1998. Kotter, A.B.
I've heard of a man
I've heard of a man
who says words so beautifully
that if he only speaks their name
women give themselves to him.
If I am dumb beside your body
while silence blossoms like tumors on our lips.
it is because I hear a man climb stairs and clear his throat outside the door.
Leonard Cohen
8.3.09
If it be your will
Uma canção ou uma prece?
De qualquer maneira, é uma das melhores coisas escritas e cantadas por Leonard Cohen. De Various Positions. If it be your will.
7.3.09
Heath Ledger em homenagem a Drake
Mais de 30 anos após a morte de Nick Drake, o seu génio começa a ser reconhecido.
Para saber mais:
Reuters
Público
Guardian
Pelo que li, ainda não há data para o lançamento do disco. Mas não deixa de ser uma boa notícia.
La vida es una tómbola
O Manu é que sabe. Tal como o grande Maradona.
A merda das distribuidoras que controlam os cinemas desta terreola vão fazer-nos o favor de não exibir o documentário do Kusturica, que fez furor em Cannes. É por essas e por outras que defendo que se saque tudo e mais alguma coisa da net. Quando nos tratam assim, só apetece mandá-los para a pqp e roubar da rede tudo aquilo que for possível. À má fila, mesmo, boicotando as salas de cinema.
A propósito: O Vicky Cristina Barcelona estreou esta semana, acho eu. Quase um mês depois de ter chegado às salas de Lisboa e Porto. É obra!
6.3.09
Tic Tac
Às vezes, sinto-me uma bomba relógio prestes a causar dano. E oiço o Tic, Tac, Tic, Tac, Tic, Tac, Tic, Tac, Tic, Tac a adiar o inevitável...
5.3.09
Resignação ou como nos tentam enganar com supostas inevitabilidades
A questão das reformas é só mais uma.
Basta fazer as contas, dizem eles. Assim, nas continhas de supermercado, o dinheiro que um trabalhador desconta ao longo da vida não chega sequer para pagar o primeiro ano de reforma. O outro argumento é de que os descontos anuais da população activa pode não chegar para fazer face às despesas com as reformas.
Nestas lógicas, o Estado tem dinheiro para tudo: para injectar ad eternum nas empresas públicas que alimentam a clientela partidária; para compensar as perdas de empresários gananciosos; para duplicar pagamentos em acordos que beneficiam apenas meia-dúzia; para apoiar investimentos de rentabilidade duvidosa; para investir das contas-poupança de alguns, em nome de uma suposta manutenção de alegados "centros de decisão" em mãos (e bolsos) portuguesas (como se isso pudesse acontecer num mundo global, ou sequer que fosse benéfico, sem que implicasse obrigatoriamente que nos fechássemos sobre nós próprios).
Esses são todos investimentos necessários para o país.
Mas o Estado não tem capacidade financeira para fazer face às suas responsabilidades sociais. O Estado, em que alguns crêem, não tem viabilidade para redistribuir a riqueza produzida pelos trabalhadores ao longo da sua vida.
Esta é a lógica da tradição liberal de Locke, de onde emergiu a concepção individualista do cidadão, em que se crê que os benefícios privados (do capital, ora pois) redonda em benefícios públicos, conforme defendia Hayek. Não há espaço para solidariedade institucional. A lógica da teoria da "mão invisível", de Smith, em que a intervenção do Estado só é admitida para garantir as liberdades individuais. Aumente-se os lucros, que a partilha emergirá, sussurram-nos em voz doce (com mel é que se apanham as moscas).
A ditadura da mensurabilidade. Se é demonstrável empiricamente, sim senhor (vai sendo tempo de perguntar aos economistas se já ouviram falar no Princípio da Incerteza, de Heisenberg...). O consumidor é a melhor tarimba para medir a qualidade, o que neste caso significa que o sistema só é viável se houver quem o financie. A linguagem hermética do rei-economista/gestor. O interesse comum, os produtos imateriais, como a cultura, ou as responsabilidades sociais que advêm de uma ética de Estado, são tretas.
E perante as ideias catastrofistas, há quem se resigne. Não se pode distribuir o que não há, suspiram.
A questão é que há. Não pode o homem ser refém de sistemas, sejam eles de que género forem. Os sistemas, as convenções, as lógicas, os cálculos, a racionalidade, devem servir o homem e não aprisioná-lo. Pois se o sistema não se financia a si próprio, que se vá buscar às empresas públicas, aos investimentos do Estado que alimentam tantas mãos "institucionais" e institucionalizadas. Que se vá buscar, em última análise, onde a riqueza está.
Por isso é que cada vez mais desisto da ideia de Estado-Nação. Estou mesmo convencido que o futuro, com uma população mais crítica, consciente e reactiva irá exigir outro conceito de organização social. Porque não temos que nos resignar. Eu, por mim, não o faço. E se vierem com falinhas doces e já que não há ouro, por mim estou disposto a distribuir chumbo!
Depeche Mode - Never Let Me Down Again
Eis uma banda de que gosto muito (é o meu lado mais pop aos gritos). Ao vivo são absolutamente geniais.
CM e o nosso futuro
A comemorar 30 Anos, o Correio da Manhã criou uma espécie de concurso a que chamou Figuras do Futuro. Para pôr a coisa em marcha nomeou senadores que por sua vez escolheram candidatos de várias áreas, que supostamente marcarão o nosso futuro colectivo. Em gíria futebolística, "revelações que são quase certezas".
Entre os candidatos estão o cineasta Manoel de Oliveira, acabadinho de completar 100 anos, Maria João Pires, António Barreto, Guilherme d'Oliveira Martins (Presidente do Tribunal de Contas), Leonor Beleza, Rui Machete, entre outra "rapaziada jovem", a quem a idade permitirá, estou certo, uma enorme progressão!
A Madeira está representada por três senhores e assim, na área do Ambiente aparecem Raimundo Quintal (outro jovem, apresentado como vereador da Câmara Municipal do Funchal) e Hélder Spínola. No desporto surge o inevitável Cristiano Ronaldo.
Desta vez ganhámos aos Açores por 3 a 1, já que as outras ilhas fazem-se representar, exclusivamente, por Berta Cabral, presidente da Câmara de Ponta Delgada. Que, aliás, já anda a fazer campanha, a julgar pelo sms que recebi esta tarde...
(A comparação com os Açores foi o meu modesto contributo para a guerra de números e argumentos que por aí anda, na qual alguns querem provar que estamos à frente dos compadres das nove ilhas e outros querem-nos convencer de que afinal andamos atrás. É óbvio que nada disto tem a ver com a cor política de cá e de lá, mas enfim...)
Bom, resumindo e concluíndo: se quiserem votar num dos três mosqueteiros madeirenses vão a www.correiodamanha.pt. Registem-se e votem as vezes que vos apetecer.
Post-Scriptum: Na categoria de cinema não pude deixar de escolher um rapazito de apelido Oliveira, que, ao que dizem, tem jeito para filmar. Um tiro no escuro, esse meu voto!

