23.10.09

Inacreditável

A luta política no PS-M atingiu proporções inacreditáveis...Quantos anos demorará o maior partido da oposição a recuperar? Até às "regionais" de 2011 não creio, mas enfim...

Para consumo interno

A ideia de que o PSD-M pode votar favoravelmente o Orçamento de Estado (OE), caso a Lei das Finanças Regionais seja revista, não deixa de ter graça. Uma simples operação matemática leva a constatações, no mínimo, originais. Se não vejamos:

Se o PSD decidir abster-se, ou votar a favor do documento, Sócrates não tem qualquer problema. Caso o CDS decida aprovar o OE, bastam os seus 21 deputados para, juntamente com os 97 do PS, fazer a maioria. Estamos assim esclarecidos quanto à direita.

Já à esquerda, Sócrates necessitaria de uma "mãozinha" de Jardim. É fácil fazer as contas: Caso toda a oposição, com excepção do BE, decida reprovar o Orçamento, ficariam a faltar 3 deputados para a maioria. Poderiam, obviamente, ser os do PSD-M.

Caso fosse só a CDU a aliar-se a Sócrates e ao PS, ficariam a faltar quatro eleitos. O número de Jardim.

Com outros cenários que incluíssem mais abstenções ou alianças os deputados da Madeira não fariam qualquer diferença.

Não deixaria de ter graça um OE aprovado, por exemplo, pelo PS, pelo BE e pelo PSD-M...

Parece-me, de facto, um cenário improvável, pelo que a declaração política de Jardim deve ser levada em consideração no cenário da luta política regional, ou seja, é uma forma de dizer, aos eleitores da Madeira, qualquer coisa como isto:

"Eu estendi a mão, mas Sócrates não aceitou a oferta"...

22.10.09

Pronto, pronto, José... Leva a bicicleta

Apetece dizer, como se faz aos chatos: pronto, pronto, José, podes levar a bicicleta!

Não questiono as opções de Saramago. Não leio nem deixo de ler os seus livros por ele ser ateu, comunista ou outra coisa qualquer. Leio alguma coisa daquilo que publica porque o considero um escritor talentoso. Só isso.

Saramago não necessita do exagero para vender livros. Não precisa de ofender durante mais de uma semana quem se revê na Bíblia para fazer subir as vendas no Modelo e no Continente. Mas é aquilo que está a fazer, deliberadamente, numa espécie de campanha de marketing pela negativa. Começo por isso a perder a paciência. E o respeito pela personagem.

O livro que escreveu deve ser julgado pelo seu valor literário. Somente pelo seu valor literário. Ou será que Saramago esqueceu o facto de ser escritor de ficção?

Acredito piamente que os criadores devem ter total liberdade para abordar todos os aspectos da vida nas suas obras. Isso leva-me a não questionar aquilo que Saramago escreveu. Questiono é o exagero de pregador com que Saramago tem insistido na sua tese.

Percebo

Percebo a posição do deputado Carlos Pereira face ao voto favorável da sua bancada à proposta de alteração da LFR. Pelo menos é coerente, coisa que parece faltar a muitos militantes ou dirigentes do PS-M.

21.10.09

II Conferência Internacional do Funchal

A II Conferência Internacional do Funchal será um espaço aberto de debate e reflexão sobre o mundo contemporâneo. O programa será divulgado em breve.

Tipo-ideal definição

Tipo-Ideal: O tipo ideal é construído pela abstracção e combinação de um indefinido número de elementos que, embora presentes na realidade, nunca, ou só muito raramente, são descobertos nessa forma específica... Um tipo ideal não é uma descrição de um aspecto definido da realidade, ou uma hipótese; Pode, contudo, ajudar tanto na descrição como na explicação. Um tipo ideal não é ideal no sentido normativo - não traz a conotação de que sua realização seja desejável -. Um tipo ideal é puro no sentido lógico e não exemplar... A criação de tipos ideais não é um fim em si mesmo... construí-lo mentalmente deve ter como objectivo a análise de factos empíricos.

Tipo-ideal

Miguel defendeu João Carlos. Miguel fala do desnorte da liderança de João Carlos. Miguel não gosta de Serrão. Miguel, agora, gosta de Vítor. Miguel não existe. É só o tipo-ideal (no sentido weberiano do termo) de um militante do PS-M.

20.10.09

Surpresa? Mas qual surpresa?

Os deputados do PS votaram a favor da alteração à LFR um dia depois de terem anunciado que iriam optar pela abstenção... Estranho? Não. Tudo normal numa nau que está à deriva, com um capitão desorientado, imediatos que querem saltar pela borda fora o mais rapidamente que lhes for possível e marinheiros refugiados no convés à espera de uma tábua que os salve depois do naufrágio.

Alguns deputados do PS, contudo, devem ter passado um... mau bocado. Caso não acredite caro leitor, dedique algum tempo a ler isto...

19.10.09

Saramago: ateu fundamentalista, ou combatente da idiotice?

Naturalmente que me estou a marimbar para o que o senhor Saramago pensa acerca do cristianismo.
Não me incomoda, portanto, que o senhor, no exercício da sua liberdade criativa, escreva sobre personagens bíblicas. Ou, sequer, que use da sua escrita para difamar o Livro Sagrado, ou que se sirva dela para ofender todos os crentes (curioso que o senhor seja mais fundamentalista do que a maior parte daqueles que crêem em Deus).
O que me incomoda em Saramago, tal como me incomodou em Dan Brown, é que o escritor abuse da ignorância de outrem para questionar os fundamentos da fé cristã.
Quando afirma que se limita “a levantar as pedras e a mostrar esta realidade escondida atrás delas”, assume que a fantasia/ficção que criou para o livro é uma verdade hermenêutica. É, portanto, desonesto da sua parte, pois o objectivo é levar os mais incautos a tomar a ficção por realidade.
Estas afirmações têm, contudo, o condão de evidenciar a agenda de Saramago, bem como de outros ateus militantes: o que pretendem é promover uma evangelização ao contrário que é como quem diz, promover o ateísmo, como crença dominante. E assim se percebe quem é que é fundamentalista, nesta dicotomia religião-laicidade.

PS - Não se arranja para aí um fundamentalista do mesmo nível que lhe lance uma fatwa?

16.10.09

Neantilizar o ser?

Por falar em feministas, tomei conhecimento, via WOAB, de uma associação (não sei se legalmente constituída) que dá pelo nome de Feminist Philosophers.
Posso estar enganado, mas parece-me que esta é uma impossibilidade ontológica: como pode ser a filosofia alguma vez feminista? Ou machista?
A filosofia, como eu a concebo e, de resto, como acho que a própria WOAB a pensa, não pode estar amarrada a estas caracterizações de conveniência e circunstanciais. Basta, para isso lembrarmo-nos de Nietzche. Tentar colar à sua filosofia o rótulo de nazi é não só errado, como injusto e abusivo.
Aliás, radicalmente, este é um oximoro pois são dois conceitos inconciliáveis. É assim tipo a invenção de Sartre acerca do nada: como neantilizar o ser?
Assim sendo, não percebo como pode aceitar a minha amiga WOAB esta simplificação e subordinação da filosofia a um conceito (que não chega a ser sistema).

Elza Pais: feminista empedernida ou machista disfarçada?

Gostei de ver Elza Pais, presidente da Comissão para a Igualdade de Género e grande defensora da lei da paridade, nas suas novas funções de deputada, eleita pelo PS, defender o seu partido relativamente ao incumprimento da própria lei, da qual é tão zelosamente defensora. Antes, era vê-la a vociferar contra os partidos que colocavam mulheres nas listas apenas por ser conveniente e por parecer politicamente correcto. Agora, como deputada por um partido que objectivamente não cumpre as quotas (tem 29% de mulheres, quando deveria ser 33%), vemo-la, com igual zelo, defender o PS. Mas fantástica é a justificação: uma vez que os partidos apenas têm de cumprir com a quota dos 33%, apenas estão obrigados a colocar uma mulher em cada 3 candidatos. E pode acontecer serem eleitos apenas 2 (e nenhuma mulher) ou 5 (com apenas uma mulher) ou 8 (com duas mulheres), etc.
Ora, na cabeça da senhora, que tanto se bateu por esta lei (que é uma insanidade, digo eu!), desde que a aparência seja satisfeita, está tudo bem. Em rigor, para a senhora, todas as deputadas até poderiam renunciar aos seus mandatos, sendo substituídas por homens, que não haveria problema nenhum. Porque importante, foi obrigar os partidos a integrar 33% de mulheres nas listas. Ora, atitude mais machista, não poderia haver!

Câncio e o DN

Desde as eleições legislativas que o PS tem tentado fazer um ajuste de contas com o Público e com o seu director. E para quem está atento ao fenómeno noticioso, é óbvio que o Diário de Notícias tem sido o paladino desta vendetta.
O último episódio é o artigo de opinião de Fernanda Câncio, publicado hoje naquele matutino, onde a mais-que-tudo de Sócrates, ainda sobre o caso das escutas, aparece a disparar para todo o lado. Para todo o lado, alto lá! Apenas para aqueles malvados que tentaram tramar o bonzinho do Sócrates.
Ora, não me choca que o PS esteja a reclamar a cabeça de José Manuel Fernandes: era previsível, expectável e, convenhamos, o director do Público pôs-se a jeito. Também não me choca que estejam a tentar descredibilizar o jornal. A tentativa sistemática de descredibilizar aqueles que julgam ser seus opositores tem sido uma imagem de marca dos governos de Sócrates e desta gente que por ora domina o PS. Continua a ser grave, mas não é estranho.
O que me choca é que um jornal como o Diário de Notícias se preste a este papel. Na tentativa de arrasar com um órgão de comunicação social concorrente, o Diário de Notícias mostra o que vale e ao que vem. Demonstra que palavras como ética e deontologia não fazem parte do livro de estilo do jornal e foram banidas do léxico dos seus profissionais, a começar pelo seu director (será Ferreira Fernandes a única e honrosa excepção?).
Só assim se pode compreender como é que o Diário de Notícias continua a dar visibilidade a alguém como Fernanda Câncio, que faz uso da tribuna do DN para se auto-promover, para falar apenas de si própria e se auto-elogiar e para, abjectamente, fazer a defesa acrítica de todas as tontices de Sócrates, ou a apologia de todas as iniciativas políticas do PS. A senhora não é isenta, não é rigorosa, não é imparcial. A senhora mais não é do que um veículo da propaganda socialista, a lança do PS cravada na comunicação social.
Estaria tudo bem, não fosse eu ter achado, em alguma fase da minha vida que o DN até era um bom jornal. E enoja-me que esteja mergulhado nesta imundície.

15.10.09

O melhor seria dar à exploração

Apesar do que vai apregoando a máquina de propaganda socialista, a verdade é que Portugal vai sair desta crise mais tarde - e em pior estado - do que a maioria dos países europeus. E desta feita, não podemos culpar a crise internacional. A responsabilidade é inteiramente nossa.
A coisa só não será pior porque o “PS prudente” (felizmente, o PS não é apenas esta “cambada” que, pontualmente, se apoderou do partido) não permitirá os devaneios de Sócrates e impedirá a realização de todos aqueles mega-empreendimentos que prometeu durante a campanha. Apesar de serem mais promessas por cumprir, melhor assim, porque se as cumprisse seria o descalabro.
E ao contrário do que afirmam os instalados subservientes e a clientela socialista, não é com satisfação que os opositores deste governo constatam o óbvio. Lamento profundamente que Portugal não saia da cepa torta e aplaudiria qualquer governo que nos tirasse deste buraco para onde nos arrastaram. O que nos aflige – pelo menos a mim – é que não reconheço qualquer competência a Sócrates e aos seus apaniguados para nos conseguirem libertar dos grilhões da grise estrutural em que estamos mergulhados.
Ontem ouvia, na Rádio Clube, Vítor Espadinha que alto dos seus 70 anos afirmava que o melhor que havia a fazer por Portugal seria dar a possibilidade às multinacionais para fazerem um leasing: explorar durante 30 anos, com possibilidade de compra. Esta ideia naturalmente contrasta com aqueloutra de fazer um concurso público internacional para concessão da exploração, mas ambas coincidem no essencial: os portugueses não são capazes de administrar este país. E é com muita tristeza que cada vez mais constato que os “idiotas” que pariram estas “ideias absurdas” são bem capazes de ter razão!

8.10.09

Eleições em Lisboa

Posso estar enganado, mas estou convencido que Santa Lopes irá mesmo retirar António Costa da presidência da Câmara Municipal de Lisboa (o que acaba por soar a justiça poética: Santana Lopes saiu de Lisboa para ir para um governo de onde foi retirado com forte ajuda de António Costa. Este último abandonou o governo, para ir para a Câmara Municipal de Lisboa, de onde será posto fora pelo mesmo Santana Lopes).
Mas mesmo que o (sempre) renascido Pedro Santana Lopes não vença em Lisboa, a verdade é que a sua candidatura colocou António Costa e o PS em sentido. Prova disso é o absoluto desnorte do candidato socialista, político normalmente sereno e previdente, mas que tem demonstrado um histerismo invulgar. Aliás, a sua campanha mais não é do quem uma correria desenfreada atrás de Pedro Santana Lopes, que marca, definitivamente, a agenda política.
E nem aquelas medidas desesperadas de última hora, como a reunião que o (ainda) edil manteve com o movimento cívico contra o alargamento do terminal de contentores do Porto de Lisboa safam António Costa. Não tome cuidado e o descalabro pode ainda ser maior, pois o carácter eleitoralista e demagógico é por demais evidente!
Mas, se há alguma vitória antecipada é, neste momento, para os habitantes de Lisboa. Por pressão do candidato social-democrata, António Costa viu-se obrigado a assumir alguns compromissos que se traduzirão em benefícios para a capital. E, se mais não houvesse, essa seria razão de sobra para a candidatura de Santa Lopes já ter valido a pena!

Ao que chegámos....

Não sei, nem tenho palavras para classificar, a situação que se verificou ontem na inauguração, junto ao Tecnopólo. Mais uma vez a história repete-se. A cada acto eleitoral, a cada inauguração. São as consequências da entrada do Partido da Nova Democracia (PND) no espectro partidário madeirense.
Como é possível depois de 34 de regime democrático? Cidadão impossibilitados de "ver a obra feita"? Impedidos por quem? Por elementos de segurança privada? Agressões? Porquê? Qual o papel da PSP? Do Ministério Público? Do Presidente da República? Ninguém intervém? É isto que alguns classificam de "normalidade democrática"?
Eu, enquanto madeirense sinto-me completamente envergonhada e triste...
É caso para dizer, "Já Chegámos à Madeira!".

7.10.09

Is that for real?!

Ouvi Elisa Ferreira a prometer tripas para toda a gente, caso seja eleita. Tripas à moda do Porto, ora pois, mas também à tripa-forra, passe a redundância. Boas ideias, tem esta senhora. Percebe-se a sua escolha para dois cargos. Iluminada e com uma mente tão arejada, tem mesmo que estar no Parlamento Europeu.
Curiosa é a dimensão profética da afirmação. Elisa Ferreira, dissimuladamente, promete aos eleitores do Porto que, a exemplo do resto do país, terão de fazer das tripas coração, para sobreviverem sob a governação socialista. O que parecendo uma tontice, acaba por ser um bom serviço prestado à população do Porto, que avisado para o que aí vem (de Sócrates), não cometerá o mesmo erro duas vezes.

Is that for real?! II

Parece anedota mas não é.
Então não é que após o BE ter escarrapachado no seu programa eleitoral a proposta imbecil de acabar com os rodeos – atentado gravíssimo aos direitos dos animais, que, como se sabe, afecta particularmente Portugal - , não é que a presidente de Salvaterra de Magos, única autarquia do BE, autoriza a realização de um… rodeo, dentro dos limites do seu município! E clama coerência, o Louçã.
Valha-nos Deus!
É que este bocado de terra onde vivemos já não é um país: é uma anedota!

6.10.09

Típico

Sócrates começou o jogo do empurra, tentando "mandar" para as costas da oposição a obrigação de criar condições para governar. É típico.

Catástrofe anunciada?

Por onde anda a campanha do PS na "corrida" à Câmara do Funchal?

Não tenho nada contra o Rui Caetano, um tipo simpático que me merece respeito, no entanto, creio que é o mais fraco dos candidatos apresentados pelo PS à maior autarquia da Região.

O PS perderá, certamente, um vereador, arriscando-se mesmo a um resultado catastrófico no qual ficará sem dois eleitos. Domingo veremos...

29.9.09

Afinal, não será o partido vencedor responsável pela criação de condições de governabilidade?

Os socialistas reclamam que a vitória eleitoral foi deles e não compreendem porque é que a comunicação social (alegadamente) a subestima.
Nem sempre acontece, mas desta vez até estou de acordo com Sócrates. Foi uma vitória importante, sim senhor. Não percebo é porque raio o primeiro-ministro não informa Augusto Santos Silva e outros notáveis e ministeriáveis do seu partido acerca dessa vitória “estrondosa”. É que ao ouvir o ainda ministro dos Assuntos Parlamentares ficamos com a sensação que todos os restantes partidos foram vencedores. Confuso? Eu explico.
Alguns socialistas, preparando o choradinho do costume com o objectivo de condicionar as tomadas de posição dos restantes partidos, têm responsabilizado toda a oposição pela governabilidade do país. Parece que o PSD, ou CDS, ou o BE ou a CDU é que são responsáveis por formarem governo.
Ora, se algum partido tem a responsabilidade acrescida de garantir as condições de governabilidade, esse partido é o PS. Uma vez que será convidado a formar governo, tem de atender à realidade política do país, de forma a respeitar a vontade de todos os eleitores, porque será governo de Portugal. Não podem os socialistas assacarem responsabilidades aos outros partidos, demitindo-se das suas. Nem pode o PS exigir que a oposição respeite o voto dos eleitores que em si votaram e não atender que cerca de 60% dos votos fugiram para a oposição. E se o PS quer que respeitem os seus votos, tem de respeitar os votos dos outros. Porque não são menos legítimos, nem menos importantes, nem menos democráticos.
Deve o PS submeter-se aos ditames de partidos menos votados? Não sei, esse é um problema que o PS terá de resolver. O que os portugueses esperam do partido mais votado é que forme governo e aja responsavelmente. Terá de ceder? Provavelmente, mas isso é o que se exige a um bom governante. Saber governar em democracia implica saber negociar, implica interagir com os outros e não assumir atitudes arrogantes e prepotentes como o PS fez nos últimos 4 anos. O que não pode, o que não é democrático é que tendo a maioria parlamentar venha agora responsabilizar os partidos menos votados pela governabilidade do país. Porque isso sim, seria inverter o ónus da responsabilidade e essa é que seria a atitude dos que crêem que o PS não foi o verdadeiro vencedor das eleições.

28.9.09

Reequacionar prioridades

Bernardo Trindade é o principal responsável pela derrota (mais uma) do PS-M nas eleições de ontem. Foi ele quem fez a campanha. Foi ele quem escolheu a equipa. Foi ele quem ocupou o espaço mediático dedicado aos socialistas.

João Carlos Gouveia (antecipando o desastre?) esteve ausente durante 15 dias, dando todo o tempo do mundo a Trindade, com o resultado catastrófico que se conhece. E agora Bernardo? Há que reequacionar uma série de prioridades. Ou não?

Post-Scriptum 1: Na Madeira, a agenda dos meios de comunicação social não coincide, de facto com as preocupações do povo. O resultado de Bernardo Trindade é mais uma prova.

Post-Scriptum 2: A conferência de imprensa do líder do PS-M após os resultados eleitorais terem sido conhecidos entra no campo do surrealismo...

Parabéns a Rodrigues

Não posso deixar passar em claro a eleição de José Manuel Rodrigues para a Assembleia da República. Um prémio para a forma tranquila e segura como o líder centrista encara a política, fazendo uma oposição firme mas clarividente.

E agora, José?*

E agora, José? Ontem ganhaste. Mas em relação a 2005 perdeste votos, mandatos... uma maioria absoluta que viste escapar por entre os dedos, como grãos de areia no deserto em que ameaçaças transformar Portugal inteiro. Serás obrigado a governar sozinho, em minoria, com um presidente da Republica que, apesar de apregoar a estabilidade, nunca será teu aliado.

À esquerda é impossível fazer maiorias José, o que em princípio inviabilizará uma camaleónica viragem política. Repara que muito que cante vitória, Louçã ficou longe do estatuto que queria para si e para os seus: o de chefe de um partido capaz de influenciar, de forma decisiva, a governação.

Maioria, José, só com CDS ou com o PSD. Portas está numa posição invejável, com uma amplitude de movimentos e uma margem de manobra muito confortáveis. O tipo é um bom negociante, José. Gere, como mais ninguém na política portuguesa, a agenda mediática. Veremos até que ponto consegue que cedas em matérias que são caras ao eleitorado de direita, tais como a segurança, a imigração ou o Rendimento Mínimo de Inserção.

Oh, José, assim terás um problema: Se cederes ao CDS, em temáticas nas quais Bloco e PC têm uma visão quase coincidente, e radicalmente oposta à posição da direita, terás contra ti a extrema esquerda e a tua própria esquerda interna... Que dilema, José!

Já agora, enquanto Manuela Ferreira Leite liderar o PSD enfrentarás uma oposição firme, porém responsável. Depois...

A teu favor jogam os "timings" legais e políticos que condicionam Cavaco. Diz a Constituição que o Parlamento não pode ser destituído nos primeiros seis meses de uma legislatura e no último semestre de um mandato presidencial.

As contas são fáceis, José, mesmo para ti. Até Março ninguém te pode fazer mal e, como o Sr. Silva irá a votos em Janeiro/Fevereiro de 2011, estás seguro a partir de Julho do ano anterior. Complicado? Nem por isso. Se fosse inglês técnico...

Para acrescentar mais peças ao puzzle digo-te claramente que é mais fácil ser eleito contra ti do que a teu favor, ou seja, é impensável que te tirem o tapete em Belém antes de Cavaco garantir uma calma e tranquila reeleição. Terás de assistir calmamente ao processo, empurrando para a frente, alegremente, um qualquer candidato, e assobiando a internacional para o lado direito.

Terás dois anos e meio de segurança, embora com alguns sobressaltos prometidos. Mas depois de Cavaco ganhar tudo pode mudar, José... Estarás preparado?

O que eu duvido é que Portugal aguente mais três anos contigo. Talvez Nossa Senhora de Fátima ajude... Mas tu não crês, pois não?

São os dilemas de uma vitória, José...

* Título roubado a Carlos Drummond de Andrade

Duas razões para ter votado em Sócrates

Estas foram as duas razões que mais ouvi da boca de eleitores de Sócrates:

  1. Ela (Manuela Ferreira Leite) é muito velha.
  2. Com aquela idade e com aquela cara representa mal o país l á fora. Pelo menos ele tem boa re(a)presentação.

E estes são os motivos que levaram os portugueses a eleger Sócrates.

Como diz o ditado, cada povo tem o governo que merece!

What we've got here is failure com to communicate (...)!*

O povo português é
IMBECIL!
* Cool hand luke

25.9.09

Votem bem!

Até ao dia das eleições, não voltarei a escrever nenhum post. Espero que todos os democratas deste país votem bem, que é como quem diz, votem contra Sócrates!
Não podemos privar o mundo da engenharia portuguesa de tão notável profissional!

Concerto dos Xutos no Restelo!

Amanhã estarei lá, a comemorar 30 anos!

Toupeira no Público é madeirense?

Ouvi dizer que a notícia do DN sobre a alegada “inventona” das escutas ao presidente da República foi cozinhada na Madeira. Curioso que a Madeira tenha estado no centro destas eleições, desde o seu início. E ainda mais curioso que o PS não tenha querido fazer a campanha dos casos…
Mas a verdade é que tenha lá partido de onde quer que seja, se as mensagens de correio electrónico foram entregues aos vários órgãos de comunicação social por um jornalista do Público, isso revela uma PULHICE monumental e uma falta de carácter absoluta. E espero que tenha repercussões não apenas profissionais, como legais. Roma não pode pagar a traidores! Tenham lá os eles que rostos tiverem!

23.9.09

Epístola a Tino

Sei que o Tino não gosta de rótulos (curioso que utilize epítetos como “besta”, “cão”, “pulhas” entre outros, o que demonstra que ao nível de vernáculo, embora não goste, não lhe falta vocabulário), mas as vezes eles – os rótulos - são úteis para classificar. Eu cá gosto e sou generoso a distribui-los.
E assim sendo e atendendo ao post que demonstra uma virgindade e uma elevação únicas (pergunta lá o que pensam dessa tua elevação os alvos das tuas invectivas, aquando da escolha de Rui Caetano para encabeçar a lista do PS à CM do Funchal!), cá estou eu para, generosamente, atribuir mais uns.
Antes de mais, permite-me esclarecer que se algum dos conspiradores tem falta de elevação sou eu. Não generalizes a todos os meus companheiros de blog. Alguns até demonstram uma grande elevação, com escritos impolutos e não devem ser confundidos com o meu estilo brigão. Aliás, como de resto não o faço com o Farpas, porque os adjectivos com que te mimo não são, automaticamente, extensíveis aos teus colegas de blog. E repara que apenas te mimo com eles em algumas situações, o que, para uma discussão intelectualmente séria, é fundamental ter presente.
Posto isto, é óbvio que só posso considerar um absurdo defender a pureza de comportamentos do PS de Sócrates. Como também só posso considerar néscio alguém que defende a inocência deste governo. Como, igualmente, só pode me parecer palermice defender-se a democraticidade de um governo que quer (e consegue) controlar a comunicação social, as empresas e todos os demais sectores da sociedade (não percebo essa tua coerência, que varia de acordo com os pontos cardeais – e não me venhas acusar do mesmo, porque só demonstraria que nunca entendeste nada do que escrevi). Como obrigatoriamente tenho de considerar lacaio quem não se distancia dos comportamentos que este governo já nos habituou.
Assim sendo, reconheço muita importância aos adjectivos.
Mas, caro colega, não se pode exigir discussão de ideias aos outros quando nos convém, esquecendo que discutimos carácteres quando nos apetece. E tu fá-lo muitas vezes! Tu, e outros.
Existe, contudo, uma diferença: é que eu assumo tudo o que escrevo, sem me refugiar no anonimato, ao contrário do que se passa com muito boa gente que pulula na blogosfera, ora assumindo a sua identidade quando quer apresentar uma postura digna, ora tecendo ofensas anónimas, quando lhe falta em coragem o que sobra em imbecilidade. E tenho certeza de que conheces, como eu, muitos casos destes.
Quanto às ideias, olha que parece que apenas lês aquilo que te interessa. E não vou perder tempo e "apanhar" links. Mas dando de barato que não discuto ideias, também era só o que faltava. No blog para onde fui gentilmente convidado a escrever, faço-o sobre o que me der na real gana. E se apenas me apetecer distribuir bordoada, é isso que faço. Com estilo de rua, por vezes, é certo. Mas sempre devidamente identificado, o que pelo mundo da blogosfera é já uma qualidade rara!

PS – Não me elevo rebaixando ninguém. Porque apesar de me ter em boa conta (e, curiosamente, os meus sogros também!), tenho perfeita noção da minha dimensão (e jamais me consideraria um bom candidato para encabeçar qualquer lista, de qualquer partido, a qualquer município)!

22.9.09

Vitimização

Pelos vistos, os senhores do "Farpas" acreditam piamente que todos os posts aqui colocados lhes dizem respeito. Vai daí crêem - é uma crença - que o texto abaixo, intitulado "criaturas", é-lhes dirigido... Bem cada um acredita no que quer mas eu, honestamente, não tenho paciência para a vitimização.

Eu sei que é moda mas a sério, poupem-me. Como diz o povo, vão sem mim que eu vou lá ter...

Post-Scriptum: Curiosamente, são autoproclamadas vítimas que intitulam um post de "presidencial filha da putice", que chamam "tontos" a quem lhes enche a caixa de comentários, que chamam à Madeira "Xafarica", que acusam quem aqui escreve de "cegueira", "incoerência", classificando posts como "asneiradas".

As criaturas

O PS pressupõe que Cavaco esteve na base do "caso das escutas". Mais uma vez, vitimiza-se, fazendo de um facto não provado uma verdade absoluta. E critica a alegada "entrada" na campanha do Presidente da República. Esquecem-se, as criaturas, de que Sócrates só está no poder porque Sampaio, o socialista Sampaio, demitiu um Governo maioritário, sem razões que o justificassem, dando o poder, de mão beijada, ao engenheiro... Se não fosse dramático até tinha graça!

Rídiculo

Golpe de estado em curso!? Se não fosse rídiculo até tinha graça... Meu caro, golpe de estado foi o que fez Sampaio, que esperou até o PS estar pronto para demitir SEM RAZÃO, um Governo maioritário... Esse foi um golpe de estado. O resto são patacoadas...

20.9.09

Canções de resistência

Le Chant des Partizans, de Joseph Kessel e Maurice Druon, interpretada, originalmente, por Anna Marly surgiu em 1943, tndo sido transmitida, pela primeira vez, pela BBC.

Canções de resistência

Não encontrei outra versão deste "Song For The French Partizan". A canção foi escrita ainda durante a II Guerra Mundial por Emmanuel d'Astier de la Vigerie e era cantada sob a denominação francesa "La complainte du Partisan", com música de Anna Marly. Após a libertação, tornou-se uma canção popular nas rádios francesas no final da década de 1940 e no início da década seguinte. Em 1969, Leonard Cohen decidiu fazê-la sair do esquecimento em que se encontrava, adaptando a letra para inglês, gravando-a e incluíndo-a no álbum Songs From a Room.

18.9.09

OS IDIOTAS*

Nas minhas deambulações por aí (como o outro), tenho visto muita gente a esfregar as mãos de contente pelas duas últimas “bombas” que surgiram na Comunicação Social.
A primeira tem a ver com a alegada compra de votos no PSD. A segunda tem a ver com o caso das escutas ao Presidente da República que, alega agora o pasquim do PS, vulgo Diário de Notícias, partiu do próprio Cavaco Silva.
Ora, os mesmos tipos que aqui há uns tempos benziam-se e juravam a pés juntos que todas as trafulhices que pendiam sobre Sócrates não passavam de uma campanha negra, são os mesmos idiotas que agora vêm, com o ar mais sério e compungido do mundo, manifestar a sua indignação pelas falcatruas que eventualmente ocorreram dentro do PSD. Mais, a imbecilidade deste tipos, que há dois anos gabavam a “cooperação institucional”, chega mesmo ao ponto de lançarem a suspeita de que foi Cavaco Silva que “inventou” a questão das escutas, não se apercebendo, ou querendo ocultar, que esta notícia, ao vir a público, revela que alguém anda, efectivamente, a espiar não apenas órgãos de soberania, como também órgãos de comunicação social.
Mas vamos por partes. Quanto à alegada compra de votos, parece-me que a notícia surge numa altura muito jeitosinha para o PS. Mas como não sou hipócrita, sou de opinião que, independentemente do timming, se há suspeitas, deve-se investigar.
Quanto às escutas, há, aqui questões muito graves que importa ver respondidas rapidamente. Primeiro, os factos. Se o Presidente acha que está a ser alvo de espionagem por parte do Governo ou por parte do PS, tem de denunciar isso publicamente e às instâncias próprias. E o Procurador da República não pode fazer ouvidos de mouco. Tem de tomar uma atitude.
Por outro lado, se o PS acha que isto é uma inventona, deve apresentar queixa, porque uma suspeita destas não pode ficar por assim mesmo, a pender sobre a sua transparência, enquanto partido detentor de uma maioria parlamentar e que corre o risco de ganhar as próximas eleições. Se não o fizer assume, tacitamente, que é verdade que anda a promover espionagem.
Quanto à notícia, a ser verdadeira (eu duvido de qualquer notícia do DN), isto é, que foi encomendada por um assessor do PR, é completamente irrelevante, se a suspeita de espionagem for genuína. O que é grave é que a Presidência tenha querido ocultar essa suspeita.
Mas há ainda uma outra questão: como é que os jornalistas do DN tiveram acesso à troca de e-mails? Ou foi entregue por um dos envolvidos (e, neste caso, os jornalistas do Público devem ser chamados à pedra), ou José Manuel Fernandes tem razão e foi o SIS que violou o sistema informático do Público, sendo esta possibilidade tão grave como a suspeita de que o PR está a ser alvo de escutas. Seria, para mim e para qualquer democrata, impensável que uma força de segurança portuguesa andasse a violar o sistema informático de um órgão de comunicação social. A ter ocorrido, apenas poderá ter sido feita a pedido do primeiro-ministro, superior hierárquico directo do responsável pela organização, o que configura uma situação de absoluto desrespeito pela democracia. Não seria apenas asfixia democrática. Seria a própria morte da democracia.
Por isso é que estranho a alegria destes tipos. E por isso é que os adjectivo de idiotas, porque apenas idiotas é que poderiam estar felizes com uma violência deste tamanho.

*Título que poderia muito bem ter sido roubado a Lars Von Trier

14.9.09

As modernas campanhas eleitorais

A natureza das campanhas eleitorais, como todos os fenómenos políticos, têm evoluído e sofisticado também o processo de competição política. As suas transformações encontram-se intimamente ligadas às próprias transformações da democracia. O período pré-moderno(classificado commumente entre os investigadores) das campanhas eleitorais caracterizou-se por ser um processo de iniciativas de baixo custo, com uma organização descentralizada, e dependentes da boa vontade e disponibilidade dos intervenientes, e acima de tudo muito localizada no tempo. Os canais de comunicação circunscreviam-se à imprensa partidária, aos cartazes; aos panfletos e aos programas de rádio. A segunda fase do desenvolvimento das campanhas eleitorais, identifica-se com o período moderno, com um caracter organizativo nacional, gerida por profissionais (professional managed campaign), com longos períodos de preparação e com alguma cobertura televisiva. Esta fase coincidiu com o surgimento dos partidos catch-all-parties que teve como consequência directa a perda de importância da ideologia da comunicação política e o desalinhamento no conteúdo da mensagem.
Na nossa contemporaneidade, as campanhas têm um carácter permanente, o fim do período legal do desenvolvimento da campanha eleitoral, é procedido por uma nova "campanha" de exercício ou de manutenção do poder. Hoje o modelo de organização e execução das campanhas eleitorais, está baseado na incorporação do capital intensivo, do saber intensivo e de uma comunicação intensiva, que obdece a uma lógica de gestão proffissionalizada.
Todas estas transformações, foram acompanhadas também pelas mudanças operadas no sector dos meios de comunicação de massas. A reconfiguração da imprensa, o desenvolvimento da indústria televisiva e a aparecimento de novas ferramentas de comunicação interpessoal (internet), fortaleceram a sociedade de informação, por onde também passam, as estratégias de comunicação política e eleitoral.
A competição no mercado eleitoral é muito abrangente, não são só os candidatos que procuram o voto dos eleitores, também os media competem no mercado eleitoral, com estratégias de capturas de audiências, apesar de lutarem por activos diferentes, trabalham sob a mesma lógica de withinputs.

13.9.09

PND apresenta queixa à CNE

Deixa-me rir...

Sobre os debates

Na minha opinião, à partida para os debates, havia três campeonatos distintos: a Liga dos Campeões, composta do Paulo Portas e Francisco Louçã; o "intrometido" do Sócrates que ficava ao centro e a Liga dos Últimos, composta por Jerónimo de Sousa e Manuela Ferreira Leite.

O formato dos debates também não parecia ser o mais adequado para o esclarecimento dos eleitores.

Ora, antes de mais, e ao contrário do que me pareceu inicialmente, acho que estes debates serviram muito bem para mostrar os horizontes ideológicos onde cada candidato se situa, bem como para revelar quem tem propostas para o país (e que propostas) e quem não sai da retórica, como única forma de estar na política. Neste sentido, acho que há um grande derrotado, que é Franscico Louçã. Apesar da sua qualidade argumentativa, nunca conseguiu libertar-se do discurso do contra e revelou fragilidades enormes quando foi chamado a apresentar propostas (aliás, tirando algumas boas ideias, o programa do BE é mau, mau, mau!). Perdeu em toda a linha, porque não conseguiu impor as suas qualidades de bom tribuno e ficou exposto na sua (e do BE) fragilidade de conteúdos e na falta de boas propostas de governação.

Ao invés, Portas foi, em minha opinião, o grande vencedor. Dono de uma qualidade argumentativa e de comunicação únicas no panorama político português, com uma agilidade de raciocínio estonteante, Portas ganhou todos os debates onde participou. Foi encostado às cordas algumas vezes, mas conseguiu, "por acumulação de pontos", vencer todos os "jogos". Para tal contribuiu não apenas as suas qualidades retóricas e de homem da comunicação e da "forma", mas também as propostas que apresentou. Em todas as áreas em que se pronunciou, apresentou propostas que, concordando-se ou não, estavam relativamente bem fundamentadas. Portas, em minha opinião, é bem o rosto do PP, composto por gente muito trabalhadora, o que se notou nos debates.

Parece-me que em "ex-aequo" ficam Manuela Ferreira Leite, Jerónimo de Sousa e Sócrates. O secretário-geral do PS porque não foi cilindrado em nenhum debate, quando era muito fácil fazê-lo (mais, nem sequer foi o "bombo da festa" nos restantes debates, o que me pareceu uma má aposta do oposição - mas essa é a só a minha opinião!). Não sendo brilhante, conseguiu que os temas mais incómodos não o fossem assim tanto. Não sei é se este "novo" Sócrates, dulcíssimo conforme se viu ontem à noite, convencerá o eleitorado.

Por outro lado, Jerónimo de Sousa conseguiu mostrar que as bases programáticas do PCP não são assim tão radicais e que à excepção de uma incompreensível lealdade perante a bandeira comunista, o PCP não é igual aos comunistas da Cuba, ou da Coreia, nem sequer parecido ao PC soviético antes de Glasnost. A seu favor contou ainda com a simpatia. Se em cima do acontecimento parecia que ele tinha perdido o(s) debate(s), na memória das pessoas perdurará o seu olhar franco e o seu sorriso honesto. Contra si, pesou a sua manifesta impreparação para discutir aprofundadamente política. Parece-me que ele é quase um senador da ortodoxia (que não é, obrigatoriamente mau, pois garante os valores fundamentais), mas falta-lhe capacidade - até intelectual, porque não dizê-lo? - para discutir programas eleitorais.

Por último, Manuela Ferreira Leite. Esteve razoável em todos os debates. Curiosamente e ao contrário da adjectivação dos socialistas, foi aquela que melhor fez passar as bases programáticas do seu programa, deixando claro que tem substância e que é um programa "de verdade". Os seus opositores, por tanto insistirem no que não estava lá, conseguiram que ela evidenciasse a lacuna dessas argumentações, esvaziando-as. Quer me parecer que dos cinco, Manuela Ferreira Leite foi quem melhor conseguiu passar as propostas que servirão de base à governação. E mostrou que entre o programa e aquilo que diz há uma perfeita sintonia e coerência.
Por tanto lhe querem colar esses rótulos, ficou patente que ela nem é uma neo-liberal, nem é ultra-conservadora. Mais, subrepticiamente, passou a ideia de que o programa do PSD é o único que foge à demagogia tão tentadora em tempo de eleições.

Quanto ao debate entre ela e Sócrates, ao contrário do que ouvi ontem, não me parece que ela o tenha perdido. Bem pelo contrário: conseguiu evitar bem as questões embaraçosas e conseguiu ser transparente. Sócrates bem que tentou apanhá-la nas curvas, mas acho que, na maioria das vezes, saiu o tiro pela culatra, como na questão da economia, da fiscalidade, das questões sociais e segurança social, da saúde, da educação. Tirando o "fait-diver" do caso da Madeira, que o PS agarrou-se com unhas e dentes por manifesta incapacidade para criar uma dinâmica de vitória, a verdade é que na generalidade quem passou algum conteúdo foi Manuela Ferreira Leite. Como prova disto, basta tentarmos lembrar-nos de uma proposta que José Sócrates tenha apresentado ontem à noite. Lembram-se de alguma?
E mesmo com as manifestas dificuldades que MFL tem em comunicar (ao contrário de Sócrates), a verdade é que ela desmontou cabalmente a argumentação de Sócrates, que na forma é melhor, mas muito parca em conteúdos.
Não gosto muito de quantificar, mas se tivesse que avaliar, daria 58 pontos a MFL, contra 42 de Sócrates.

PS - Não é curioso que a Madeira esteja no centro destas eleições? E com tanta subordinação aos interesses do PS nacional, os socialistas madeirenses ainda se perguntam porque não conseguem ultrapassar a mediocridade, nos seus resultados eleitorais. Acho que têm um longo caminho a percorrer e enquanto não ousarem manter-se de pé com honra e dignidade, jamais serão alternativa credível ao tal "polvo" laranja!

Empresários sem quaisquer escrúpulos

Contaram-me, recentemente, que algumas empresas de construção civil ao serviço do Estado, no final das obras chamam o SEF para identificação dos trabalhadores imigrantes ilegais. Porque não tenho certeza desta informação, para já não direi em que empresa isto, alegadamente, se passou. Ao que parece, o motivo para esta vilania inominável tem a ver com o valor das multas. É mais barato pagar a multa, do que pagar aos operários.
Isto, a ser verdade, revela bem a filha-da-putice que trespassa o país!

Reciprocidade, ou hipocrisia?

Este teu texto, mais o teu comentário, demonstram bem que não só te falta humildade (ainda te lembras que achar que estarias em melhor posição para encabeçar uma lista do PS às autárquicas do Funchal, do que Rui Caetano?), como revela o material hipócrita de que és feito. E digo-o claramente, que não gosto de subrefúgios!
E cansa-me argumentar com hipócritas. Assim sendo, dou por encerrada esta troca de galhardetes!

10.9.09

É preciso tê-lo...Tino!

Há dias que desaTino. Ultimamente, então, acontece com frequência.
Sei que isto da blogosfera não passa de uma massagem ao ego de todos nós - em que nos julgamos muito lidos, muito queridos, muito odiados, muito comentados. Razão que me faz, constatemente, recordar que o que por aqui se escreve não passa de meia dúzia de opiniões passageiras, por vezes nem bem pensadas e, frequentemente, parcas de argumentação e fundamentação. "A espuma dos dias"... (para citar tipo da Erva Vermelha (?!), um tal de Boris Vian - para introduzir aqui um laivo intelectualóide).
Por isso, contra o meu narcisismo e vaidade, que me gritam elogios, impõe-se a razão e o discernimento: tudo isto são balelas, que se perdem na infinitude do ciberespaço.
Contudo, se tento não me levar a sério, por vezes não consigo evitar levar os outros com seriedade (sim, eu sei, é um defeito que tenho). Mesmo quando escrevem tontices mais tontas do que aquelas tontices que eu escrevo (perdoem-me a redundância, que não passa de uma tentativa falhada de criar um pleonasmo). E perco ainda mais o Tino, quando vejo o dito sem ele. Que é o que tem acontecido com muita frequência nos últimos tempos quando leio as tiradas dasaustinadas e desaTinadas, superficiais e balofas, acerca da educação, de democracia, de política (mas quem é que disse que havia Tino para a política? Quem criou essa fantasia, sem qualquer Tino?).
Hoje, voaram farpas da Madeira, que me acusaram de falar do que não sei. Frequentemente o faço. E, não obstante a tal louca e vã vaidade, tenho disso consciência. O que já é bem mais do que se pode gabar o Tino (que o tem sequestrado, pois não se vê), que para além de não saber, escreve acerca disso, como se isso desconhecesse.
Mas, apesar do meu desaTino, e porque quero manter algum (ou, pelo menos, continuar iludido de que não sendo, tenho - ser ou ter?, eis a questão), deixo aqui uma sugestão com (penso eu) algum Tino: ousarmos ler aquilo que se comenta (e nem sequer é preciso hermenêutica) ajudaria a não pensarmos ou escrevermos as tais tontices, das quais não conseguimos fugir. Que é como quem aconselha: volta lá atrás e lê o que escrevi. Repara agora nas interrogações do terceiro parágrafo. E, se não achares muito cansativo, lê mais qualquer coisinha lá para a frente. Agora, relê o que escreveste. Percebes o que tento insinuar, ou é preciso um desenho?

Posto isto, uma pergunta: porque raio isso apenas aconteceu com o PS?

9.9.09

Primas-donas, democracia, atrasos ou o que vale o nosso voto!|

Vejo, infelizmente sem surpresa, o histerismo dos socialistas relativamente a pequenos “fait-divers” da campanha eleitoral.
A rapaziada acotovela-se para denunciar a “infâmia” dos demais membros de uma junta de freguesia não fazerem o favor de esperar que um (alto) representante socialista se dignasse a aparecer na reunião agendada para as 18h00. Esta mesma reunião que agora parece fundamental ao sistema democrático, mas que para o tal representante não deveria ser assim tão importante, atendendo ao atraso.
Neste caso, onde falta muito a esclarecer (quando é que o senhor chegou? a que horas terminou a reunião? poderia a reunião ter-se realizado sem a presença de todos?), também não fica bem o DN-Madeira. A notícia fala em juntas, no plural, mas o único caso relatado é o do Estreito da Calheta. O resto, é pura especulação (“ao que tudo indica”; “não foi possível confirmar”). Por outro lado, também não deixa de ter alguma piada a acusação de fraude eleitoral, feita ao PSD. Admito que a atitude, a ser legal, pode até ser demasiado intransigente. Mas daí até se achar que os autarcas do PSD fizeram-no para manipular os resultados eleitorais, vai uma longa distância. É que tenham lá um pouco de paciência e não se exponham, assim, a este ridículo. Que medo poderá ter o PSD de um partido que, eleitoralmente, vale 15%?
A rapaziada também anda histérica com a boleia que Manuela Ferreira Leite recebeu do presidente do Governo Regional, para uma inauguração que seria feita pelo presidente do Governo Regional, onde iria participar a convite do presidente do Governo Regional. Parece óbvio, não é? Mas deixo, ainda, mais uma pergunta: quantas vezes já não terá andado a jornalista do DN, que corajosamente denunciou esta ignomínia, à boleia de veículos oficiais?
O terceiro motivo para o histerismo é o “fuck them” de Alberto João Jardim. Este sim, desproporcionado, despropositado e desnecessário.
A curiosidade disto tudo é que as damas que ora se mostram ofendidas, são as mesmas que não vêem problema nenhum na ingerência do PS na informação de uma televisão; a quem não incomoda que o primeiro-ministro inaugure hospitais de onde as camas são retiradas; que empreenda negócios ruinosos para o país, a favor de amigos, como o caso das autoestradas; ou do ajuste directo para o Porto de Lisboa; ou da Galp, ou o do BPN. A estas prima-donas, não lhes incomoda que o candidato a PM seja suspeito de corrupção; ou que não consiga explicar que raio de curso, afinal tem (provar as habilitações literárias deveria ser a coisa mais simples do mundo mas, curiosamente, Sócrates não o consegue fazer); ou que esteja envolvido em licenciamentos manhosos e outros processos muito pouco transparentes; ou que, pateticamente, afirme que nem sabia que Pina Moura já tinha saído da Prisa; que mentiu e fez promessas vãs nas últimas eleições e que se prepara para fazer o mesmo agora.
As mesmas damas, que estiveram caladinhas ao longo de 4 anos, perante as atitudes mais prepotentes e anti-democráticas assumidas pelos dos caciques e capitães locais que o PS espalhou pelo país, eriçam-se todas, agora, por uma boleia no carro do presidente do Governo Regional e esse parece ser o tema mais importante da campanha.
É assim, meus amigos, que se vê a coerência desta gente. Assim é que se vê o que esta gente vale e o que vale o nosso voto, nas suas mãos.