8.10.10

"Valores Repúblicanos"

Não houve jornalista ou político da nossa pobre esquerda que não tenha vindo falar, a propósito do "5 de Outubro", dessa misteriosa coisa a que por aí se chama "valores republicanos". Confesso a minha perplexidade. A que raio de "valores" se referiam eles? Suponho que posso excluir os "valores" das Republicas Socialistas Soviéticas que não gozam hoje de grande aprovação. Como posso excluir os "valores" das Repúblicas "Populares", que a URSS instalou pela Europa depois de 1945. E pressuponho que não há em Lisboa quem admire imoderadamente a história e a realidade das Repúblicas da América Latina. Dentro do óbvio, sobram assim os valores da República federalista americana que, tirando um pequeno período, nunca foram compreendidos nem estimados deste lado do mar.
Ficam, assim, como sempre, os "valores" da República francesa. Mas de qual? Não com certeza da República de Robespierre, que produziu a guilhotina e o terror e levou em pouco tempo à ditadura militar e à conquista da Europa. E com certeza que também não à II República, que Tocqueville descreve, e acabou no império, aliás grotesco, de Napoleão III e na guerra franco-prussiana, que reduziu a França a uma potência de 2ª classe. A primeira parte da III República (a "República dos Duques) não serve, obviamente, de exemplo. Ou a II República espanhola, que raramente viveu na legalidade, provocou uma guerra civil e trouxe a ditadura de Franco. Fica assim a República francesa (a III), do fim do século XIX, inteiramente corrupta, mas que, pelo menos, conseguiu separar a Igreja do estado e, com alguma brutalidade, instalar o laicismo.
O Presidente da República e outros políticos que terça-feira festejaram o "5 de Outubro" e os deputados que anteontem lhe prestaram "homenagem" no Parlamento mostraram bem a inanidade das comemorações. O Presidente da República inventou por sua conta os "valores republicanos" que na altura lhe serviam e que não existiram em Portugal, como, de resto, em sítio algum do Oriente ou do Ocidente: o espírito de compromisso, a cultura da responsabilidade, o horror à demagogia e, muito estranhamente, o primado da coesão nacional. E, no Parlamento, os deputados resolveram usar a I República portuguesa como um conto cautelar para o uso da II, que se está manifestamente a se dissolver. Não seria melhor calar daqui em diante a boca e, já agora, eliminar o feriado do "5 de Outubro"?


Vasco Pulido Valente no Público

Câncio: questão de opinião

Fernanda Câncio não ficou indignada com o veto da subcomissão do Conselho da Europa aos juízes indicados por Portugal para o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem.
Ao que parece, o que irritou a escriba foi o facto de apenas Paulo Pinto de Albuquerque ter sido considerado estar em condições de ser nomeado.
Entendia, pois, a Nandinha que o jurista não revelava competências para o cargo? Não. A Nandinha acha é que a actividade político-partidária deveria ser sancionada (pela liberdade à moda das Gulag, a senhora). Não pode ser considerado o melhor, porque é do PSD.
A jornalista(!) também não gosta das posições que Paulo Pinto de Albuquerque assume e critica-o por, em questões de costumes, ter um entendimento diferente do seu.
Todos sabemos que a Nandinha é de paixões. Que defende o Diabo se estiver enrolada com ele. Sabemos, também, que na concepção enviezada e solipsista de democracia, Nandinha vê todos os que dela discordam como ineptos, néscios e mentecaptos. Ninguém é capaz, se não partilhar da sua visão do mundo ou se não estiver metido entre os seus lençóis.

Saravá e até pró ano!

Isto de ser do Sporting poupa-nos sofrimento e mazelas físicas e mentais. Ao contrário dos outros, nós só sofremos cinco ou seis jornadas. Com o campeonato perdido à sétima, vejo calmamente as partidas, sem o atroz sofrimento daqueles que acham que ainda podem ganhar. É simpático e o futebol volta a ser aquilo que era, ou seja, um jogo.

Obrigado amigo Bettencourt. Com o teu ar de velho artista de variedades trazes-me sempre à memória o clássico "ó tempo, volta pra trás", particularmente o verso

mata as minhas esperanças vãs.

Obrigado amigo Costinha.Obrigado Sérgio, corajoso forcado amador que mesmo desfeito pelo touro volta sempre à luta.

Obrigado, camarada Patrício.

Saravá capitão do mato Liedson, por lembrares à gente que

o samba é a tristeza que balança
e a tristeza tem sempre uma esperança de um dia não ser mais triste não...,


Gracias Matias e Valdes pelas vossas fintas, tão eficazes como um charango desafinado numa Cuenca bem lançada.

Saravá Polga, tu que desmentes o Vinicius quando ele diz que a vida,

não se engane não, tem uma só
Duas mesmo que é bom
Ninguém vai me dizer que tem
Sem provar muito bem provado
Com certidão passada em cartório do céu
E assinado embaixo: Deus
E com firma reconhecida!


tu que já tiveste mais vidas dentro do meu clube do que

essa gente que anda por aí
Brincando


Obrigado a todos. Do fundo do meu coração que graças a vós baterá alegremente até ao fim da época desportiva, sem sobressaltos.

Saravá e até pró ano!

PS: Escrito com a ajuda óbvia do grande Vinicius e do seu Samba da Benção.

Também publicado em Crónicas da Bola.

A Estrada

A vida sem qualquer expectativa. Sem esperança e sem fé. Quando tudo o que resta é pegar na mão do teu filho e continuar a percorrer a estrada, mantendo a última bala na câmara para, se necessário for, o poder matar. Porque é imperioso que nós não sejamos “os maus”. É imperioso que os “portadores do fogo” permaneçam “os bons”.
A Estrada, de Cormac McCarthy é um dos mais brutais e angustiantes livros que li ultimamente.

7.10.10

Mario Vargas Llosa: El viaje a la ficción

Até que enfim!

Vargas Llosa ganhou o Nobel da Literatura. Depois dos "devaneios" dos últimos anos, a Academia voltou a consagrar um autor com obra vasta e de qualidade indiscutível. Não escondo o entusiasmo porque o chileno é dos meus romancistas favoritos há muito anos, desde que, ainda adolescente, li "Lituma nos Andes". A quem não o conhece, aconselho vivamente "A Festa do Chibo".

6.10.10

Sobre as virtudes (ou a falta delas) da 1ª República

Tudo isso foi assim. Mas nunca a monarquia constitucional em seis décadas cometeu crimes comparáveis aos que a República praticou em meia dúzia de anos.
As comemorações do centenário da República têm de falar desses crimes. Eles foram cometidos sob a batuta de uma das figuras mais sinistras da nossa história. Graças a Afonso Costa e aos seus apaniguados organizados em milícias de malfeitores, a Primeira República, activamente respaldada pela Carbonária (e, mais tarde, por uma confraria de assassinos chamada Formiga Branca), nunca recuou ante a violência, a tortura, o derramamento de sangue e o homicídio puro e simples. Instaurou friamente entre nós o pragmatismo do crime. Institucionalizou a fraude, a manipulação e a batota generalizadas em todos os planos da vida portuguesa. Manipulou e restringiu o sufrágio, excluindo dele os analfabetos, as mulheres e os padres. Perpetrou fraudes eleitorais sempre que pôde. Perseguiu da maneira mais radical e intolerante o clero católico, por vezes até ao espancamento e à morte. Levantou toda a espécie de obstáculos ao culto religioso e à liberdade de consciência. Cometeu as mais incríveis violências contra as pessoas. Apropriou-se do Estado, transformando-o em coutada pessoal do Partido Republicano Português…
Em 1915, Portugal deve ter sido um dos pioneiros na defesa do genocídio moderno. Na campanha militar que se desenrolava no Sul de Angola, as atrocidades são de pôr os cabelos em pé.


Vasco Graça Moura, in DN.

5.10.10

FDP

Li hoje, no DN que o governador do Banco de Portugal quer combater a crise criando mais uma agência (in)dependente para controlar a execução orçamental Ora, para além da besta pretender, uma vez mais, submeter prerrogativas políticas à economia, defende a criação de mais uma estrutura (redundante, de resto, com a Secretaria de Estado do Orçamento) que mais não será do que uma agência de emprego milionário para a clientela partidária.
Perdoem-me os puritamos, mas... Puta-que-o-pariu!

Que mundo queremos?

Não sou republicano. Porque não estou convencido que este seja o melhor sistema político. Contudo, no momento em que se comemora o centenário da República, acho que deveriamos refectir sobre o posicionamento da política no centro do Poder. Não vou repetir tudo o que (bem) vem sendo afirmado sobre os centros de decisão de proveniência obscura. Decisores da vida das pessoas sentados em poltronas douradas do outro lado do mundo.
Mas acho que temos de pensar seriamente sobre a subversão dos tempos modernos, que transferiu o poder para o capital. Em que a política se submeteu à economia.
Por mim, que não sou republicano, estou disposto a lutar por outra via.

Palavras que deveriam ser bombas

Ao ouvir os discursos do Centenário da República sinto um desejo enorme de ver a(s) palavra(s) rebentar na boca daqueles que não a respeitam. A palavra tem sentido literal, simbólico e figurado. Não é desprovida de sentido, como fazem parecer aquelas figuras que usurpam-na. A diferença na palavra não pode ser a forma. Porque a palavra como forma não é nada.
A palavra deveria estar armadilhada, pronta a explodir sempre que dentes a rasgasse.

24.9.10

Caso Carlos Queiroz: consequências? Dah!...

A decisão do Conselho de Justiça da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) decidiu contra o Conselho de Disciplina da FPF, na suspensão que este último impôs a Carlos Queiroz e que o impediu de estar no banco da selecção em dois jogos de apuramento para o Europeu de Futebol.
Diz o secretário de Estado que o acórdão não nega os factos. Não nega, não senhor, apenas afirma que “o arguido agiu, única e exclusivamente, na defesa dos interesses da Selecção Nacional, e no quadro da sua responsabilidade por ela”.
Agora, o Tribunal Arbitral do Desporto (TAS) levantou o castigo aplicado pelo AdOP, em mais uma derrota do grupelho de energúmenos que conspirou contra Queiroz.
Não espero qualquer consequência. Não espero que o Conselho de Disciplina se demita (como deveria acontecer), não espero que a administração da FPF se demita, não espero que a direcção do AdOP se demita, não espero que Laurentino Dias se demita. E por uma razão muito simples: é que ninguém, desta gentalha, tem qualquer escrúpulo.

Mas este processo é elucidativo do tipo de gente que constitui as elites dirigentes deste país: ele é na política, ele no movimento associativo, ele é no futebol, ele é na justiça, ele é até em entidades que deveriam ter como directiva a ética. Interesses obscuros dominam toda a vida portuguesa.
Estamos entregues à bicharada…


PS – abominei a forma como Portugal jogo enquanto Queiroz lá esteve. Mas o que lhe fizeram é de uma perfídia monumental
Por certo, muita gente hoje rejubila e aplaude o Sr. Ahmadinejad louvando-lhe a “coragem” e a “frontalidade” apresentadas, ao mesmo tempo que vê nas suas teorias idiotas a resposta pronta para alimentar as suas incapacidades de “transformar” o mundo. Infelizmente o ódio à América é superior à racionalidade exigida. E o ódio à América é uma realidade inacreditavelmente presente. Que um dia pagaremos caro. E bem caro.

23.9.10

Um exemplo

A vida quotidiana e os jornais desmentem categoricamente a quimera que o Eng. por aí apregoa. Aliás, há ministros que reconhecem que os tempos não são para grandes gabarolices e é isso que justifica, por exemplo, o recuo no TGV. Apesar da insistência do mesmo Eng. num Portugal fantástico, mas declaradamente inexistente, esta amarga constatação é um exemplo gritante da bipolaridade da sua acção governativa.

22.9.10

Uma coincidência

Enquanto o Eng. Sócrates e o PS se entretinham, no fim-de-semana, a falar de dimensões paralelas, a esquerda era inapelavelmente derrotada num dos seus tradicionais bastiões: a Suécia. Neste momento, praticamente não existem governos de esquerda dentro da UE, sendo que três deles pertencem aos célebres PIGS – Portugal, Grécia e Espanha. Mas deve ser mera coincidência a relação entre ser governado por esta gente e ir a caminho do abismo.
O Sr. Madaíl, que se mantém onde não é desejado, tem gerido o processo de escolha do seleccionador com uma ligeireza infantil. É por isso que, quanto a mim, a escolha de Paulo Bento é mais um erro de palmatória desta direcção. Porque um treinador com um currículo curto e sofrível e com projecção internacional nula, não assustará ninguém no plano externo, nem acalmará ninguém no plano interno. Ainda assim, boa sorte.

20.9.10

Quem viu o dérbi constatou a nulidade que é a equipa do Sporting. Ausência de soluções ofensivas dignas, um meio-campo fora do jogo e uma defesa a meter água por todo o lado, onde se destacam pela negativa os dois centrais, um par psicadélico. O resultado acaba por ser escasso tal a superioridade evidenciada pelo Benfica. O Sporting tem muito que palmilhar para ter um mínimo de estofo de candidato ao título.

18.9.10

Se não é roubo, parece...

E onde andam os tontos que, há bem pouco tempo, entoavam loas aos méritos e honestidade dos governantes socialistas dos Açores?
Com tanta benesse (que é como quem diz: 10.000€ no papo), eu cá gostava de ser filho de socialista naquela terra...

17.9.10

Já não há paciência



Enquanto não se demite nem é demitido, o Dr. Madaíl mantém no ar um espectáculo de variedades digno de um país terceiro-mundista. Depois do processo surreal a Queirós, veio agora com a ideia peregrina de contratar Mourinho por dois jogos. O Real Madrid, que não dorme, parece que já disse que não até porque o futebol profissional não deve funcionar em regime de part-time e porque andam por aí milhões investidos à espera de resultados que não se coadunam com a leviandade parola com que o Dr. Madaíl brinca com o futebol.

Nesta original qualificação a prestações perdemos todos, ao mesmo tempo que enterramos o que ainda nos sobrava em dignidade, ainda que não restasse muita. Que o Dr. Madaíl não consiga resolver um problema simples – arranjar alguém que se predisponha a cuidar do manicómio por um óptimo salário – é uma coisa; mas arrastar-nos infinitamente neste ridículo é outra, e bem diferente. E para isso já não há paciência.

16.9.10

Reféns das minorias?

Ultimamente, tenho dado por mim a pensar se, na União Europeia que recusa assumir sua matriz judaico-cristã, não estarão as maiorias reféns de minorias. Aliás, isto não se passa apenas na Europa. Mesmo nos Estados Unidos é possível assistir a este rapto da vontade da maioria, como se pode depreender pelas posições assumidas por aqueles que defendem a construção da mesquita no “Ground Zero” por medo das repercussões que a não construção possa ter no mundo islâmico (conforme nos mostra, magistralmente, Ferreira Fernandes).

Em França, Sarkozy está a ser atacado pela deportação de imigrantes ilegais (que violam a legislação do país, uma vez que a livre circulação aplica-se desde que, passados 3 meses, os estrangeiros comunitários se encontrem a trabalhar). Uma vez mais, a vontade da maioria (que elegeu o governo francês) a ser sequestrada, em nome da defesa dos “direitos” de uma minoria, que insiste em manter-se à parte da lei.

Recentemente, assisti a uma entrevista (no canal Q) de Fernanda Câncio a um antropólogo (não lhe fixei o nome) que defendia regimes de excepção para as minorias étnicas em Portugal. De acordo com o cientista, o Estado Português não pode impor a lei a estas minorias, que têm uma cultura, hábitos e costumes diferentes da maioria.
Ou seja, defendia que no país em que a pedofilia é crime, se continue a permitir o casamento de meninas ciganas aos 12 anos. Que num país que defende a liberdade individual, se permita a realização de casamentos arranjados. Que num país que tem uma escolaridade obrigatória, se consinta que as crianças ciganas continuem a não estudar. Que num país onde os vendedores de mercado têm de passar recibos, se autorize a venda de produtos contrafeitos sem fiscalização e/ou exigência de pagamento de impostos. Num país em que qualquer cidadão tem de pagar a sua renda, se aceite que minorias, como a comunidade cigana, viva em bairros sociais sem pagar rendas, água, e/ou electricidade. Que num país em que a propriedade privada é um direito, se consinta a invasão da propriedade alheia.

Nessa entrevista, Câncio parecia mesmo uma perigosa fascista, ante o radicalismo permissivo do tal antropólogo.

Ora, a verdade é que a comunidade cigana, em Portugal, fez muito pouco para se integrar e persiste em manter-se distanciada daqueles que são os deveres dos cidadãos e do respeito à lei, mas sofregamente integrada no benefício dos direitos.
Calcula-se que existam em Portugal entre 30 e 50 mil ciganos: em 2008, 35 mil eram beneficiários de RSI.

E o regime de excepção que reivindica para si, não se limita à sua própria cultura, ou o acesso a benefícios sem deveres. É uma comunidade que frequentemente usa da intimidação para obter ainda mais regalias: acontece nos hospitais, nas escolas, na Segurança Social, acontece em todo o lado. É uma comunidade que goza com a consciência da maioria e com conceitos como Direitos Humanos (exige o cumprimento desses Direitos na relação com a maioria, mas recusa aplicá-los no seu seio ou inseri-los nas suas práticas – não apenas nos seus “costumes”, mas também na relação com outras minorias étnicas). Não cumprem as regras e abusam da compaixão dos “patos”.
Ainda por cima, quando são derramados milhões em projectos de integração (consulte-se o site www.ciga-nos.pt).

Ora, não sei quanto aos demais, mas a verdade é que começo a estar farto de ser refém destas minorias. Sei bem que generalizo e reconheço os seus perigos. Como tenho consciência que descrevo mais a relação da maioria com uma minoria étnica (cigana), não sendo os argumentos apresentados imediatamente aplicados às restantes minorias (étnicas, religiosa, cultural, etc.). Mas a revolta que me assalta, quando confrontado com casos concretos, é sempre maior do que eu!

Irritar os irritadiços

A posição das autoridades americanas sobre a mesquita perto das Torres Gémeas tem sido a que deve ser. A liberdade religiosa (e, portanto, a da construção de lugares de culto) é um valor defendido na América. Ela não é a Arábia Saudita, não é de religião única - e ainda bem. Os construtores da mesquita naquele local é que deveriam ter o bom senso de a achar inoportuna. Afinal, milhares de pessoas acabaram de ser mortas em nome do islão, ali, no quarteirão vizinho (foi há nove anos, está na memória dos pais, irmãos e amigos). O imã que está na origem do projecto da mesquita, Feisal Abdul Rauf, homem moderado, deu ontem uma entrevista à cadeia televisiva americana ABC. Disse que cancelar a construção agora enviaria uma mensagem errada ao mundo muçulmano: "A minha maior preocupação com a mudança [do local] é que no mundo muçulmano as manchetes serão: 'Islão foi atacado nos Estados Unidos'." E acrescentou: "E isso também fortalecerá os radicais do mundo muçulmano, e os ajudará a recrutar militantes." O imã Rauf está certo, a não construção iria mesmo irritar os irritadiços. Portanto, vai mesmo ter de se construir, mesmo que a construção irrite também uns quantos. Mas esses não contam. Raramente vi do mundo actual tão boa definição como esta do moderado Rauf: há parte do mundo que espera que lhe passem a mão pelo pêlo e há o resto do mundo para ser refém e calar.

Ferreira Fernandes

15.9.10

Qual é a diferença?

Em França, Sarkozy provoca polémica com a expulsão dos ciganos ilegais vindos da Roménia e da Bulgária. A medida deixou muita gente incomodada e originou os ataques do costume: racismo, xenofobia, Holocausto e os termos e adjectivos de sempre, quase sempre utilizados por uma certa esquerda que vive alienada do mundo e que os usa como se fossem palavras simples e banais.

Entretanto, soube-se que em Portugal, o problema dos ciganos se resolve criando turmas exclusivas como aparentemente acontece em Barqueiros, concelho de Barcelos, uma situação prontamente denunciada por um relatório do Observatório dos Direitos Humanos, mas confortavelmente ignorada pela esquerda que governa o país. Pelo meio estará algum tipo de virtude que eu, por agora, desconheço, mas uma coisa é ridiculamente contumaz e certa: uns fazem à descarada, aquilo que outros fazem às escondidas. Mas todos querem, no fundo, chegar ao mesmo resultado, que é resolver um problema incómodo com o menor dos esforços.

Enquanto as coisas assim forem, dou por mim sem saber o que será de natureza pior: se expulsar os ciganos para longe do gueto, como se faz em França; se os manter, para conforto dos nossos tristes corações, bem dentro das amarras desse mesmo gueto, como se faz neste extraordinário Portugal.

14.9.10

Beatriz - Tom Jobim

Beatriz

O meu amigo e camarada Sancho tem um novo blog destinado, segundo ele, a anotar os [seus] pensamentos e sentimentos sobre esta nova fase, em que renasce como pai. Será limitado ao nascimento da minha filha, Beatriz..
A ler com interesse.
Um abraço, Sancho. E um beijo à Beatriz.

2.9.10

Boa estratégia

Só por si, a tragédia e a desorganização caseiras socialistas – concelhia de C. de Lobos, mulheres socialistas, eleição para a VP da ALM, eleição interna, contratação de artistas para a festa – deveriam desaconselhar a sujeição a uma humilhação. Porém, nem com a borrasca à vista, o Dr. Serrão e os seus apaniguados são capazes de ajustar as velas. E insistem na rota. Agora com a ajuda do Sr. Almada. Boa estratégia.

1.9.10

Mais um!?

Temo que o projecto do CR7 (ou 9, ou 10) no Porto Santo se transforme em mais um "Colombo's Resort". Mas que diabo, será que ninguém aprende? Se calhar, como dizia um célebre treinador de bola, "o burro sou eu!, mas enfim...

Ainda ninguém percebeu que o Porto Santo não tem condições para investimentos daquele género? Ainda ninguém percebeu que a única estratégia possível para salvar o destino Porto Santo é assumir a sazonalidade e apresenta-lo como destino seguro para famílias e férias em família, com unidades hoteleiras e infraestruturas que proporcionem actividade para miúdos e graúdos? Um bom exemplo é a utilização que o Diário faz do Complexo de Ténis durante o mês de Agosto...

Ainda ninguém percebeu que os madeirenses são, e serão sempre - a não ser que seja proibido - os maiores e mais importantes clientes do destino Porto Santo e que os madeirenses não têm poder de compra para faustosas unidades de 5 estrelas (ou seis, ou sete, ou 31, que é o número de golos do Ronaldo em cada época)?

Ainda ninguém percebeu que esta indefinição está a dar cabo de um destino emergente, que tem razoáveis condições?

Ainda ninguém percebeu que estas ilhas têm tanto mais graça quando se mostram como são, quando apostam na proximidade entre os visitantes e os residentes, na efectiva partilha de espaços e de hábitos entre os primeiros e os segundos, quando se mostram pequenas e familiares como contraponto às cidades impessoais de onde chega quem nos visita? Ainda ninguém percebeu que as ilhas têm de se mostrar devagar, têm de ser espaços reservados e preservados mas abertos à descoberta, espaços tranquilos, pachorrentos, que transmitam a calma que falta nos sítios grandes? Ainda ninguém percebeu que aqueles que chegam não vêem para ver "mamarrachos" de aço e de vidro? Pois, esqueci-me, "o burro sou eu", não preciso que me recordem.

31.8.10

Magister consuus est!

Mutatis mutandis, o tanas, que eu jé entreguei o meu caderno de encargos e estou disponível para reflectir sobre alternativas para a Madeira. Tu é que pareces não gostar e o Jacinto Serrão insiste em elogiar o mentiroso compulsivo...

E já agora, quem manda primeiro, manda mais, por isso: passa tu ainda melhor...

Pois, pois, Miguel...

Está tudo muito bem, mas pelo que percebi, o que defendes para a Madeira não defendes para o resto do país.
Por isso, quanto à plataforma democrática, muito obrigado e passa bem!

A favor da emancipação da UMAR

Tenho estranhado o silêncio das organizações feministas portuguesas à condenação à morte, por lapidação, da iraniana Sakineh Ashtiani, por adultério.
Como poderiam estas organizações, sempre tão expeditas em condenar qualquer atitude que lhes cheire a discriminação sexual, estar caladas perante uma violação tão grave aos direitos humanos?, pensava eu. Bem sei que a Venezuela, a Bolívia e o Irão são os mais recentes aliados da esquerda portuguesa (que se juntam a Cuba e à Coreia do Norte). Mas esta não me parecia razão suficiente para este silêncio, pelo que andei a deambular por sites ver se descobria algum protesto, alguma veemente condenação.
Não encontrei! Sobre isto, o movimento feminista português foi a banhos e nada tem a dizer!
Descobri, não obstante, algumas coisas “interessantes” que não deixam de impressionar. Pelo menos a mim, que sou impressionável.

Descobri que a UMAR representa mais os interesses da comunidade gay do que as mulheres (heterossexuais). Pelo menos a julgar pela página de apresentação do seu site, onde em cinco destaques, dois são sobre causa gays, dois sobre o umbigo da associação e um sobre literatura. Defesa dos direitos das mulheres? Nicles batatóide!

Também no site, descobri várias páginas, estudos, etc., sobre o “direito” do aborto. Sobre fertilidade ou apoio a jovens mães, que o queiram ser, népia, como se a procriação e a maternidade não fossem direitos da mulher.

A UMAR quer novas instalações. Ao que parece, o espaço onde está alojada não reúne condições para a actividade que desenvolve.
Vi que tinham uma petição e, julgava eu, que servia para recolher donativos para requalificação do espaço. Não, ledo engano.
Esta associação, que ocupa há anos um espaço municipal de Lisboa e que deixou se deteriorar, quer que, agora, a Câmara Municipal de Lisboa pague a construção de um espaço para si. Li, impávido, na petição: “Deste modo, as pessoas abaixo-assinadas, conhecendo e reconhecendo o valor da intervenção da UMAR apelam a que seja encontrada uma situação condigna através da criação de um Centro de Cultura e Intervenção Feminista na Cidade de Lisboa que envolvesse diversas vertentes: espaço para o centro de documentação, livraria, exposições, realização de debates, concertos, teatro, performances, instalações, formação, atendimento/reencaminhamento a vários níveis.”

Ora, sendo esta uma associação sem fins lucrativos com um âmbito de intervenção próprio, definido e limitado, como é que pretendem que seja o erário público a financiar a sua actividade que é privada? Como podem exigir que aqueles a quem costumam acusar de fascistas e reaccionários, que discordam das suas posições sobre o aborto, sobre as causas gays, financiem a associação? Têm uma agenda própria (legítima, de resto) que querem manter? Pois bem, financiem-na!

Se querem novas instalações, procedam como as restantes milhares de associações do país: façam uma gestão equilibrada e cuidada da tesouraria, façam recolhas de donativos, promovam actividades lucrativas. Mas façam a V/ expensas, porque não estou para pagar a uma actividade com a qual discordo.
Bem sei que andam habituadas a viver de subsídios, mas aqui está uma boa oportunidade para se emanciparem…

"Soir De Fete", Sarkozy?



Não será a banda sonora exacta para um tempo em que o Governo francês expulsa os ciganos, abrindo um precedente perigoso. Mas é oportuna. Que tal enviar a canção a Sarkozy, que pelos vistos a desconhece?

30.8.10

Jacinto Serrão tem que dizer o que pensa do Governo de Sócrates

Sobre a Plataforma Democrática, já disse porque é que considero um projecto falhado, um nado-morto, um aborto ideológico.
Contudo, a proposta apresentada pelo PS-Madeira tem algumas virtudes e até algumas potencialidades. Efectivamente, um poder de 40 anos gera vícios que jamais serão combatidos por dentro (o regime não se regenera) e uma plataforma alargada, num movimento cívico de cidadania e participação (serão os partidos políticos capazes de honrar esta democracia participativa?) pode ser a resposta para a alternância democrática.
Há, não obstante, questões que o PS e Jacinto Serrão terão, obrigatoriamente, que responder. Porque não basta ao líder do maior partido da oposição pedir um cheque em branco aos cidadãos e aos movimentos associativos. É preciso dar mostras de boa vontade que comprovem a bondade deste projecto e o seu empenhamento em combater os vícios que dominam a governação.
E já todos conhecemos Jacinto Serrão de ginjeira para perceber que ele põe, frequentemente, os interesses do seu partido à frente dos interesses da Madeira e dos Madeirenses (vocifere o que quiser, mas a verdade é que a LFR teve a sua anuência).
Dando de barato que a maioria na Assembleia Legislativa Regional não tem capacidade política para dar a volta à grave crise em que a Madeira está mergulhada, a verdade é que a maioria na Assembleia da República também não é capaz de governar convenientemente o país. E se o PSD-Madeira é responsável pelo actual estado de coisas na Região, o PS é responsável pela crise portuguesa (governa o país há 15 anos, com um pequeno interregno). E se o poder, na Madeira, é autocrático, não o é menos em Lisboa. E se Jardim promove o culto da personalidade, Sócrates é o expoente máximo do narcisismo.
Não me peçam, portanto, para confiar em alguém que não denuncia o nepotismo de Sócrates e seus apaniguados, que não critica o prepotência do regime que o PS implementou no país, que não se insurja contra a prática legislativa feita à medida, que não condena uma governação feita a pensar em interesses partidários e privados; que não reprova atitudes persecutórias, desde que isto tudo venha dos seus camaradas de partido.
Se quer que os madeirenses confiem em si, terá de mostrar que vem por bem! E garanto-lhe que não é beijando os pés de Sócrates que lá vai. Enquanto insistir nesta tónica servil de elogio ao “magnânime” líder, da minha parte e da parte dos madeirenses independentes, continuará a não ser minimamente digno de qualquer voto de confiança. Logo, condenado à travessia no deserto.

O arrependido

O Dr. Louçã, enfurecido, denunciou o PR como “feitor do Bloco Central” e que o BE “é o único partido que se empenha convictamente na derrota de Cavaco Silva”. Blocos à parte, eu entendo o Dr. Louçã: acossado pelos críticos e sem candidato, ele já percebeu o erro que foi ficar de fora do palco político enquanto o Dr. Cavaco vai passear pela avenida. O arrependimento mata. Ou pelo menos mói. E não é pouco.

Encher o saco

Três jogos, três derrotas por um a zero. O futebol do Marítimo é enfadonho e uma caricatura de mau gosto. Em Braga, num jogo muito mauzinho, o Marítimo voltou a não mostrar capacidade de dar a volta a uma situação antagónica. Eu sei que isto é um campeonato de regularidade e que ainda falta muito a percorrer. Mas se a galinha, grão a grão, enche o papo, nós neste caso só estamos a encher o saco. Literalmente.

29.8.10

Autorização para fogos "acidentais"

No Paúl da Serra lavra um incêndio de grandes dimensões.

Não se sabe bem como começou mas é uma aposta segura que tenha tido mão humana. Não sabemos ainda se intencionalmente, a estatística diz que não, mas na ausência de trovoadas e vulcões activos, a descuidada ou intencional mão humana é quase certa.

Enquanto alguns "justiceiros" se preparam já para imaginar sevícias a aplicar aos pretensos incendiários, incitados por alguns politiqueiros oportunistas, vivemos mais um fim de semana em que um pouco por toda ilha foi possível ouvir petardos e foguetes... Não sei quem será mais criminoso. Os fogueteiros? Os organizadores das festas que os contratam? Os que assinam as autorizações para que se lance o fogo? Ou os que apesar de conhecerem melhor que ninguém os riscos de incêndio, os alertas laranjas e vermelhos, têm medo de perder meia-dúzia de votos se proibirem os morteiros nos arraiais? Quem são os verdadeiros culpados?

Façam-se os arraiais com música e músicos, com bandas, danças e bailaricos, com vinho seco e espetada, com folhas de louro nod postes das bandeirolas, com bolo do caco com manteiga, com tapetes de flores, procissões, missas e festeiros, com o pároco da aldeia ou apenas com o bispo, com comícios ou simples bilhardices, com o orgulho nos melhores bordados pendurados nas varandas, com boa disposição e traje domingueiro, com tudo o que faz falta e tudo a que temos direito... Mas de uma vez por todas haja coragem e acabe-se com aquele pedaço de pólvora na ponta de uma caninha que não se sabe bem onde vai cair, mas antes que atinja as casas é muitas vezes lançado na direcção da mata mais próxima.

Enquanto alguns “justiceiros” olham de soslaio para os vizinhos, para levadeiros, pastores ou apenas para o fundo do copo à procura de “culpados” que possam linchar (alguém tem que pagar pelo fogo que não se conseguiu apagar, não é? Ora se é!), enquanto outros propõem penas mais pesadas para os incendiários mesmo sem saber quais são as actuais (3 a 12 anos), pela n-ésima vez este fim-de-semana ouço petardos e foguetes e vejo as canas fumegantes a cair aqui ao lado, certamente com algum tipo de autorização assinada por alguma entidade (ir)responsável.

Entretanto, a acreditar na Protecção Civil há, neste momento, uma mão cheia de fogos activos na ilha da Madeira e no Paúl da Serra lavra um incêndio de grandes dimensões...

28.8.10

Plataforma democrática? Sim senhor, mas também ao nível nacional

Mas, para já, o que em causa está, é colocarmo-nos de acordo em relação às questões de fundo e que são transversais à sociedade e a todos os partidos da oposição. Está em causa agitar consciências adormecidas por anos a fio de rotinas, de cada um para seu lado, de lutas individuais e inglórias, de colocar a sociedade a experimentar o novo, a sair da toca do medo, da crítica inconsequente, de um coma político induzido pela pressão, pela irracional gritaria do aparentemente mais forte. É isso que está em causa. Está em causa fazer acordar os milhares e milhares com direito a voto, que sofrem mas que não comparecem no dia das eleições.
A "Plataforma Democrática" constitui um acto de cultura, de liberdade e de respeito do Homem por si próprio. Um acto que, objectivamente, pretende dizer à sociedade, de lés-a-lés, dos pobres aos ricos, do sistema empresarial às instituições, sejam elas quais forem, de natureza social, cultural ou desportiva, que em defesa de todos nós madeirenses e porto-santenses, não podemos continuar com este jogo de cabra-cega que nos está a empurrar para o abismo fatal.


Se é um acto de cultura unirmo-nos contra a prepotência, contra a trafulhice, contra a mentira na política e na governação, contra a vigarice, contra o compadrio, sim senhor, estou disponível para apoiar uma coligação alargada a toda a oposição.
Mas não bastam palavras. São precisos actos que demonstrem a bondade destas ideias. Por isso, deixo aqui um repto aos mentores e apoiantes desta solução:
TENTE O DEPUTADO ELEITO PELO PS/MADEIRA UNIR TODA A OPOSIÇÃO NA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA CONTRA O PODER SOCRÁTICO E APOIAREI SEM RESERVAS O MESMO PARA A MADEIRA
E agora, que dizem?

26.8.10

Imbecilidade

Tem sido uma reclamação recorrente de alguns leitores – como Record tem 850 mil. segundo o Bareme, isso não nos impressiona demasiado – o “pouco destaque” dado a um ou outro tema que, ocasionalmente, é matéria de primeiro plano na informação desportiva. Mas Record conduz-se exclusivamente por critérios editoriais e, entre eles, valoriza o que entende ser o interesse da maioria dos seus leitores. Compreendo que os adeptos do Sp. Braga e do futebol em geral gostassem de ver hoje toda a primeira página de Record a glorificar a fantástica jornada bracarense de Sevilha, mas nós entendemos que, para uma eliminatória de acesso à Champions, bastaria um grande destaque no alto da primeira página. E foi o que fizemos. Porque essa opção pertence aos jornalistas e à direção do jornal, e não aos leitores – muitos deles que viram apenas a capa nas bancas, na TV ou na edição gratuita online – que gritam mais alto ou insultam melhor. Record é um órgão de informação privado, não é um serviço público pago pelos contribuintes, pelo que o único direito que assiste aos reclamantes é… não comprarem o jornal. E se divulgo as mensagens acima (as únicas que recebi por esta via, aliás) é apenas para confirmar aos visitantes ocasionais aquilo que os nossos leitores já sabem: nada tememos, temos um rumo e mantê-lo-emos.

Esta é a imbecil justificação do Director do Record para a vergonhosa primeira página da edição de ontem desse jornal, monopolizada por um "candidato a reforço do Benfica". Eu vou seguir o conselho do Sr. e deixar de comprar o pasquim - peço desculpa, mas só posso classificar desta maneira um jornal que, em editorial, escreve aquilo que puderam ler - que dirige. Para quem se ufana de ter 850.000 leitores, um pobre comprador-duas-vezes-à-semana não deve fazer grande diferença!

Tenho pena de me ter inscrito na dita Liga Record, honestamente...

25.8.10

A guerra de 1908 ou o entendimento que Augusto Santos Silva tem das coisas de Estado




Sobre isto.

Javardos do desporto luso

O futebol que a selecção portuguesa pratica desde que Carlos Queiroz chegou à selecção é abominável. Mas não menos abominável é o que o secretário de Estado do Desporto (mas quem é o gajo e o que é que ele fez pelo Desporto em Portugal?), Madaíl e outros apaniguados pretendem fazer com o seleccionador.
Depois da aberração que foi o processo, deveria esta gente estar quieta e deixar a coisa morrer, para não dar mais nas vistas. Mas a filha-da-putice (estou a ofender a mãe de alguém?) é tão grande, que faz com que estes tipos mesquinhos, interesseiros e sem-vergonha se arroguem ao direito de continuar a perseguir Queiroz, apenas porque ele se atreveu a chamar os bois pelos nomes (sim, porque esta gente está-se a marimbar para a qualidade do futebol. Quer é tratar da barriguinha própria e a dos amiguinhos…)
E acho intolerável esta intromissão da política no movimento associativo e desportivo português. Como acho inqualificável que ninguém, neste país da treta, se insurja contra comportamentos como aqueles que Laurentino Dias tem vindo a assumir.

Desempregados?

E no tal país em que Cunha e Silva se demitiria, em que Roberto Silva se demitiria, em que Miguel Albuquerque se demitiria, não haveria lugar para demissões de Laurentino Dias, de Augusto Santos Silva, José Sócrates?

Plataforma democrática: a quem interessa?

Jacinto Serrão já nos habituou a ideias estapafúrdias. A plataforma democrática é só mais uma. O que estranho, contudo, é que Miguel Fonseca, que é um tipo esclarecido e conhecedor da história política, embarque neste non-sense, que só faz sentido nalgumas mentes socialistas.

Admito que alguns apologistas desta solução acreditem que a unidade de toda a oposição pode enfraquecer o PSD. Parece-me, contudo, que teria o efeito contrário, pois dificilmente o eleitorado comunista entenderia uma coligação com os conservadores e liberais do CDS, ou estes aprovariam uma aliança com a ortodoxia do PCP, ou estes ainda com os senhores aristocratas do PND.
Acho mesmo que seria desmobilizadora, prejudicando eleitoralmente todas as forças políticas envolvidas.
Por outro lado, esta plataforma seria amorfa, sem qualquer definição ideológica, parecendo-me incapaz de criar um programa político coerente. Que compromissos poderiam ser estabelecidos entre o Bloco e o CDS? E qual seria a matriz ideológica desta aberração mutante? Direita? Esquerda? Centro?
Ora, do ponto de vista ideológico, parece-me que apenas o PS poderia ser beneficiado porque a haver um entendimento, teriam os partidos mais extremistas que fazer uma inversão ao Centro, aproximando os seus programas ao do PS. Isto seria matar a força motriz destes partidos, que se definem e diferenciam pela sua identidade ideológica e projectos políticos alternativos.
Mas se por um lado a proposta do PS é arrojada e até exótica, por outro é compreensível que venha desse partido, porque é o que mais teria a ganhar e o que menos teria a perder. Se o projecto não vingasse, pior não poderia ficar e teria mostrado ao eleitorado de toda a oposição que as diferenças entre os vários partidos são apenas nominais e não substanciais, catalisando o voto útil em posteriores eleições.
Se, por um qualquer capricho do destino, a plataforma conseguisse derrubar o PSD, a aritmética da vitória colocaria militantes socialistas em todos os lugares chave da administração, relegando para segundo plano os dirigentes dos outros partidos, com uma prática governativa socialista, diluindo qualquer esperança de diferenciação ideológica (qual seria a posição desta plataforma sobre o CINM, ou sobre as questões de costumes, ou sobre a governação de Sócrates, ou sobre candidatos presidenciais, ou sobre a Educação, a Saúde, etc.?)
Por isso, faz sentido que seja o PS a fazer a proposta. O que não faria qualquer sentido era que os restantes partidos a aceitassem, porque reduziria a política a um mero jogo de poder. E a ideia é estapafúrdia exactamente por isso: porque não se pode querer igual aquilo que é, por natureza, diferente.

20.8.10

Encerramento de escolas: escrever direito por linhas tortas

A ministra da Educação persiste na mentira de que os alunos transferidos das escolas que irão fechar serão colocados em escolas com melhores condições. Grande parte destes alunos será transferida para escolas de tipologia semelhante, quer ao nível infra-estrutural, quer ao nível de equipamentos. As escolas encerradas pertencem ao plano centenário e os alunos serão integrados noutras iguais. Os centros escolares não respondem a todas as necessidades e vender esta ilusão é ignóbil e muito pouco sério.
Também é mentira que haja algum critério no encerramento das escolas. Há escolas com mais de 21 alunos que irão encerrar e outras com 8 ou 9 que se manterão abertas. E não se pense que é por razões pedagógicas. A medida é discricionária, decidida pelas DRE’s, muitas vezes em função de interesses político-partidários.

A verdadeira razão para o encerramento de escolas é económica. E acho patético que não se assuma isto de forma frontal. Porque qualquer português perceberia o argumento. Não é, efectivamente, viável manter abertas escolas com 8, 9, vá, 15 alunos. Os custos com docentes, com auxiliares e com cantinas (muitas escolas com meia dúzia de alunos tinham até cozinheiras!) são insuportáveis e não se traduzem em melhores projectos educativos e/ou melhores aprendizagens e aumento de sucesso.
Os recursos são escassos e precisam de ser rentabilizados. E não venham os interesses corporativos dos professores defender o contrário: porque a verdade é que já se antecipava isto há, pelo menos, 4 anos e a maioria dos professores colocados nestas escolas não apresentou argumentos, através do seu trabalho e do seu projecto educativo, que justifiquem o seu não encerramento. Para além dos constrangimentos e prejuízos advindos da fraca sociabilização, estas crianças, na generalidade, não beneficiaram das hipotéticas vantagens que poderiam decorrer de integrarem turmas pequenas.
Por isso, sinceramente, se forem acauteladas questões como o tempo de deslocação (não se pode submeter crianças com 6, 7 anos a deslocações muito superiores a 30 minutos), e desde que os projectos educativos das escolas que frequentavam não se destacasse positivamente e, ainda que as escolas de destino não tenham piores condições que as de origem, sou, francamente, favorável ao encerramento de escolas.
No Alentejo, por exemplo, encerraria 70% das escolas localizadas em freguesias rurais, ora agrupando os alunos noutras freguesias, ora transferindo-os para as escolas situadas em freguesias urbanas.
Mesmo o argumento de que o encerramento de escolas mata as aldeias (do qual já fui apologista) é falacioso, uma vez que, actualmente, não há uma vivência ou interligação entre escola e o meio.

O problema desta medida (que é norma nas medidas dos governos de Sócrates) é a forma discricionária, atabalhoada, apressada e autoritária como está a ser imposta. Bem como a propaganda associada. Melhoria teria sido que as razões que fundamentam esta tomada de posição fossem assumidas com frontalidade. Mas é a forma de estar de Sócrates: ele não sabe estar de outra forma que não a mentir! E isto não é defeito, é feitio…

Guida não tem razão…às vezes!

No seu artigo do DN Madeira, Guida Vieira especulava sobre as razões do fumo que pairou sobre o Funchal, denunciando, sub-repticiamente - qual meteorologista abalizada! - que não era possível aquela nuvem de fumo (“que mais parecia uma nuvem duma erupção vulcânica”) ser provocada pela queima de urzes, loureiros e faias.
Conhecendo as teorias da conspiração do Bloco e correndo o risco de ser profundamente imoral, diria, para corroborar com a política, que o fumo deve ser sido provocado pelas centenas de corpos que o governo fez desaparecer (e os mandou abandonar nas serras madeirenses) após o temporal de Fevereiro…!
Na minha opinião, o que Guida tentou foi fazer politicazinha de trazer por casa com assuntos sérios, sem qualquer suporte técnico e científico, com base no “parece-me”, ou no “dizem que”.
Isto é, naturalmente, uma forma muito pouco sério de fazer política.

De resto, até concordo com a Guida: se há dinheiro para fazer radares, marinas inúteis e outras obras de serventia duvidosa, já era tempo do governo regional investir a sério na protecção civil e equipar esta autoridade com um helicóptero, que tanto pudesse ser utilizado no inverno como no Verão. Não custava assim tanto (nem investimento inicial, nem ao nível de manutenção) e seria muito mais útil à Madeira do que tretas como aquela no Lugar de Baixo.

Questão de gosto

Parece que Fernanda Câncio, sempre tão atenta aos trapinhos com que se cobrem os políticos portugueses, não gosta dos fatos de Passos Coelho.
Será porque não os compra na House of Bijan?

E já agora, não é curioso que um tipo cujo vencimento mensal nunca foi superior a 7.000€ e que não herdou nenhuma fortuna, seja cliente de uma loja que cobra 50.000 dólares por fato?

12.8.10

Ah, que saudades!

Olhei com alguma atenção para a ficha da próxima edição da Liga Portuguesa de Futebol (dito) Profissional e, devo confessar, fiquei com um amargo de boca. O campeonato está demasiado sério, é constituído por equipas sérias e que se levam a sério. Pior: já rareiam aqueles relvados que mais pareciam "poios" em pousio, que no Inverno transformavam o futebol numa espécie de rugby mal jogado mas imensamente divertido, dando aos Lufembas deste mundo, num exercício de democracia, a oportunidade de brilhar.

Utilizando uma linguagem gastronómica, fiz um esforço de memória e cheguei à conclusão de que o actual futebol-prego-no-prato que nos é servido em nada se compara com a bola-bifana-"mini" dos finais dos anos 80, princípios dos anos 90 do século XX.

Ah, que saudades do Tirsense e do Prof. Neca! Aquilo é que era jogar à bola, com a táctica do 9-0-1 e o Magonga a distribuir "cacete" e palmadinhas nas costas pelos defesas menos precavidos! Belos campeonatos aqueles em que jogava o Gil Vicente num estádio parecido a um acampamento de refugiados somalis, onde um senhor careca insistia em levantar-se no exacto momento em que alguém decidia rematar à baliza, tapando a única câmara que conseguia furar uma barreira de colunas de cimento para mostrar três quartos da grande área. Ah, quantos golos ficaram para sempre perdidos, ocultos pela anónima careca do cavalheiro!

E que dizer dos campeonatos ganhos pelos irmãos Calheiros, essas referências do apito, exímios corredores de 100 metros?

E o magnífico Feirense de 1989-90, orgulhoso último classificado, cuja referência era um médio centro com o nome de guerra "Quitó", que distribuía pancada entre adversários e companheiros de equipa, defendendo o seu raio de acção - o círculo central - com a mesma fúria com que Augusto Santos Silva defende o Eng. Sócrates?

E o União do Prof.Mâncio? Ah, que grande equipa, liderada por aquele estrondoso defesa central a quem alguém decidiu, num dia de nevoeiro, chamar Quinonez! E o Famalicão do Celestino, não será inigualável?

E o que dizer de estrelas como o Reinaldo, ponta-de-lança que brilhou intensamente com a bela camisola do Penafiel, conseguindo a proeza de alinhar em 30 jogos, num campeonato com 20 equipas, marcando 0 golos? Ou como o Basaula, da célebre equipa de "O Elvas", que tão boa conta deu de si na época de 1987/88? Ou como o Balseiro, inesquecível guarda-redes que contribuiu decididamente para a bela época realizada pelo Sporting da Covilhã em 1987/88 sofrendo apenas 70 golos? Será possível ofuscar o brilho intenso de um Lobão, de um Paulinho Santos, de um André, de um Oceano, de um Bobó (Mamadu), de um Cerqueira, de um Gaspar, de um João "cabeçudo" Pinto? Será possível ultrapassar a beleza que o Benfica espalhava pelos campos deste Portugal quando nove dos seus onze jogadores ostentavam vigorosas cabeleiras e fartos bigodes, usando a "unhaca" para ameaçar árbitros e torturar adversários?

É razoável crer que alguém deixe mais marcas em corpos já doridos do que o Couto, o Mozer, o Jorge Costa, o André, o Teixeirinha, o Paulinho Santos, o Vermelhinho, o Lufemba, esses verdadeiros cereal killers (em alentejano)? Quando comparados, o Rolando, o Luisão, o Tonel, ou o Sereno não passam de um encantador grupo de mosquitos de Santa Luzia a cantar em coro o "Besa me mucho" face a uma horda que configurava uma verdadeira praga bíblica!

Ah, que saudades das entrevistas do Barroso ao Domingo Desportivo, das piadas do Pinto da Costa, do guarda Abel, essa figura mítica dos "ervados" lusos...

Ah que saudades da cultura táctica de um Jaime Pacheco, da sapiência de um Artur Jorge, da criatividade de um Manuel de Oliveira, da capacidade de inovar de um Prof. Neca, da leveza de um Mário Wilson! Ah, que saudades do bom e velho Campeonato Nacional da I Divisão, quando não havia liga, nem patrocínios, nem equipamentos alternativos cor-de-rosa, quando não era necessário comprar frangos em Espanha por 8 milhões e meio de euros e a fruta crescia abundantemente onde faltava a relva e o jeito! Ah, que saudades!

O futebol, hoje, é pra meninas!