"Reúne sete ou oito sábios e tornar-se-ão outros tantos tolos, pois incapazes de chegar a acordo entre eles, discutem as coisas em vez de as fazerem" - António da Venafro
7.5.05
"Ao contrário dos outros partidos..."
O dr. Louçã já percebeu. E por isso, no primeiro dia da Convenção Nacional que junta a trupe, utilizou tantas vezes a frase "ao contrário dos outros partidos, o BE...".
6.5.05
5.5.05
Convições profundas...
Enfim, um homem de convições...
4.5.05
Bem aventurados
Esta discussão em torno da limitação de mandatos não passa de duas coisas muito simples:
- a primeira tem a ver com a manifesta e gritante incapacidade, demonstrada pelos preconizadores e defensores desta medida, em apresentar uma credível alternativa política àqueles que, sistemática e democraticamente, têm merecido a confiança dos eleitores.
- em segundo lugar e associado à primeira, vem o escabroso e ridículo ajuste de contas em relação a Alberto João Jardim.
Face a esta investida dos actuais sectores dominantes sou assaltado por diversos sentimentos dos quais destaco a comiseração e a vergonha. A comiseração em relação ao complexo de inferioridade que os proponentes da medida apresentam. Incapazes de combater no mesmo terreno e com a mesmas armas, refugiam-se nos seus gabinetes, aventando golpes baixos de secretaria, julgando-se seres superiormente inteligentes. A vergonha surge perante a manifestação de "chico-espertismo" de um punhado de paladinos da liberdade e da democracia, que mais não fazem do que ferir de morte a regra primeira do sistema democrático: a liberdade de escolha dos seus representantes pelo povo, sem constrangimentos nem limitações temporais.
Argumentam, os incapazes, que esta é a única forma de evitar situações de corrupção, manipulação, compadrio ou favorecimento. Uma vez mais, recorrem à portuguesinha solução de ir pela via mais fácil, esquecendo-se que estão a substituir-se a outras entidades no combate a estes fenómenos (Ministério Público, órgãos de fiscalização, polícias....).
Em última análise, passam um atestado de menoridade intelectual aos eleitores. O voto é a arma mais poderosa que a democracia possui, o seu carácter secreto e universal permite que os cidadãos possam decidir acerca do rumo que a sociedade deve tomar. Haja capacidade dos responsáveis políticos em apresentar programas credíveis, que respondam às necessidades da população e que resolvam os problemas.
Que penoso é assistir às comemorações do 25 de Abril, onde os ditos "pais da democracia", em seus fatos de gala e em todo o seu garbo, vomitam loas à liberdade para, no dia 26 de Abril, promoverem acometidas violentas contra o povo que os sustenta.
É tempo de nos deixarem em paz, é tempo de nos libertarmos do jugo saudosista e retrógrado dos guardiães do templo. Falam de Abril como ponto de chegada quando não passa, apenas, do primeiro pontapé de saída. Recusam-se a evoluir, adormeceram ao som de Zeca Afonso e entorpecidos mantiveram-se, Nada disto seria muito grave se, não fossem estes os mesmos que nos têm governado de há 30 anos a esta parte.
Esta insistência imobilista e imobilizadora atinge, agora, o seu auge com a intenção de limitar os mandatos. Eventualmente, a lei passará trazendo consigo a morte de Abril e fazendo com que o povo português se veja limitado, gravemente limitado, no exercício dos seus direitos e liberdades.
Definitivamente, o regime agoniza num estertor decrépito e irreversível, saibamos mudá-lo.
3.5.05
O conflito
Segundo o Público on-line (www.publico.clix.pt) , "num parecer aprovado com os votos favoráveis do PS, PCP e Bloco de Esquerda (BE), a abstenção do CDS-PP e o voto contra do PSD, a Comissão Parlamentar de Assuntos Constitucionais sustenta que o Parlamento madeirense não poderia ter incluído as alterações à lei eleitoral no Estatuto Político-Administrativo". Nada que não fosse previsível.
E pior (ou melhor, dependendo do ponto de vista): "o documento, da autoria do deputado socialista Vitalino Canas, conclui que a Madeira não cumpriu o prazo de seis meses - que terminou a 17 de Abril - estabelecido na revisão constitucional do ano passado para enviar à Assembleia da República uma proposta de alteração à lei eleitoral da Região. Esgotado esse prazo, a Assembleia da República tem legitimidade para legislar sobre o sistema político da Madeira, pelo que foi considerado que os projectos do PCP e do BE de alteração da lei eleitoral da RAM reúnem as condições para serem discutidos e votados, ao contrário do que defende o PSD".
A Região já anunciou, através de Guilherme Silva, que não vai aceitar aquilo que intitulou como um "desvio de poder" e que, por isso, vai recorrer ao Tribunal Constitucional (TC) - ao tão odiado TC. Guilherme avisou ainda que poder-se-á estar a abrir "um grave problema institucional". Como era de esperar.
Em resumo, as coisas clarificaram-se. O PSD-M não quer mudar. E encenou a manobra de forma a abrir o tal "grave problema institucional". E para quê? Para ganhar tempo e deixar tudo na mesma. Até quando Deus quiser.
E a oposição a ver. Para não variar...
Portugal
Portugal
Portugal,
se fosses só três sílabas,
linda vista para o mar, Minho verde, Algarve de cal,
jerico rapando o espinhaço da terra,
surdo e miudinho,
moinho a braços com um vento
testarudo, mas embolado e, afinal amigo,
se fosses só o sal, o sol, o sul,
o ladino pardal,
o manso boi coloquial,
a rechinante sardinha
a desancada varina,
o plumitivo ladrilhado de lindos adjectivos,
a muda queixa amendoada
duns olhos pestanítidos
se fosses só a cegarrega do estio, dos estilos,
o ferrugento cão asmático das praias,
o grilo engaiolado, a grila no lábio,
o calendário na parede, o emblema na lapela,
ó Portugal, se fosses só três sílabas
de plástico, que era mais barato!
Doceiras de Amarante, barristas de Barcelos,
rendeiras de Viana, toureiros da Golegã,
não há «papo-de-anjo» que seja o meu derriço,
galo que cante a cores na minha prateleira,
alvura arrendada para o meu devaneio,
bandarilha que possa enfeitar-me o cachaço.
Portugal: questão que eu tenho comigo mesmo,
golpe até ao osso, fome sem entretém,
perdigueiro marrado e sem narizes, sem perdizes,
rocim engraxado,
feira cabisbaixa,
meu remorso,
meu remorso, de todos nós…
Alexandre O'Neill (1965)
2.5.05
Frase - A própóstio do 1º de Maio
Ralf Dahrendorf,
30.4.05
Não hesitar
Embora não percebendo o projecto do Dr. Carrilho para Lisboa, percebo perfeitamente a escolha selectiva que o Dr. Carrilho faz das suas companhias e da sua opção, clara, por não fazer coligações. Entre fazer campanha ao lado do Ruben Carvalho ou fazer campanha exclusivamente ao lado da Bárbara, poucos hesitariam. Ele não hesitou.
Vícios
29.4.05
Nus
Tom Waits
Tudo isto é verdade. Principalmente quando ouvimos um bom disco pela primeira vez, como é o caso de"Nus", dos Mão Morta.
Cuecas e Hamsters
http://pantiespantiespanties.blogspot.com/
http://teethgrinding.blogspot.com/
No primeiro, o casal sino-americano Brett e Hiromi escreve, quase exclusivamente, sobre cuecas. Alguns textos têm graça e o material fotográfico colocado on-line é bom.
No segundo, uma jovem canadiana que se dá a conhecer como "mãe devotada de Kotaro, um jovem hamster macho", escreve exclusivamente sobre a sua paixão, ou seja, o já referido Kotaro, que se arrisca a transformar-se no roedor mais notável do espaço virtual (excluindo o Bugs Bunny, o Jerry e o Vicente Jorge Silva).
O mundo é um sítio estranho...
Autonomia convicta
Bendito atraso!
27.4.05
Prozac e Ritalin
As duas notícias vinham hoje no DN do continente: “Psicofármacos com riscos em crianças” e “Consumo de antidepressivos aumenta no País”. Duas situações indelevelmente associadas e que revelam já um nítido e puro descontrolo no nosso país.
As drogas psicotrópicas têm o seu expoente máximo nos EUA onde o Prozac e o Ritalin, só para citar alguns exemplos, fazem maravilhas pelos adolescentes americanos e, principalmente, pelos seus progenitores que não olham a meios para conseguir a felicidade dos seus rebentos (belíssima forma de lavar daí as suas mãos). Aliás, 10% da população americana (qualquer coisa como 28 milhões de indivíduos e maioritariamente feminina), toma o Prozac (considerado por muitos um verdadeiro ícone do “sexo fraco” e até uma espécie de “Nação”) com o intuito de melhorar a sua auto-estima e realização. O Ritalin, por seu lado, é prescrito para adolescentes e crianças com dificuldades de concentração ou consideradas como hiperactivas (seja lá o que isso for) e tem uma espécie de função contrária ao Prozac.
Conhece-se os riscos daqui inerentes, mas parece que muita gente vê mais prós do que contras nesta administração ad hoc destas drogas para lá de qualquer limite razoável. O seu consumo excessivo tem efeitos e consequências ainda por estudar e não é certo que certos sintomas posteriores não sejam resultado destes medicamentos: depressões, crises, tendências suicidárias e outras coisas do género.
Alguns autores, como Fukuyama, identificam três grandes tendências que resultaram do alargamento das chamadas drogas psicotrópicas nos EUA: a primeira tem a ver com desejo do cidadão comum de procurar numa patologia tão alargada quanto possível as causas dos seus problemas para daí minimizar as suas responsabilidades quanto à “doença” em si; a segunda decorre dos enormes interesses financeiros e económicos que alimentam a monstruosa indústria farmacêutica e que fazem cada vez mais medicamentos para tudo e mais alguma coisa; e, finalmente, uma terceira que é muito culpa de nós todos, e que tem a ver com o facto de querer ver tudo e qualquer coisa como uma doença “urgente” e “incurável”.
Nada nos custa perceber o que este tipo de dosagem anda a fazer pelas nossas crianças e pelos nossos adolescentes, em particular, e por cada vez mais gente, em geral.
Mas o pior, quanto a mim, ainda está por vir e por ver: com o desenvolvimento da engenharia genética e com o conhecimento alargado e integral do genoma humano, a ciência diz-nos que vêm aí os medicamentos feitos à medida (o sonho da genética é fazer o “bebé por encomenda”, por exemplo) que vão, por um lado, garantir satisfação plena e “cura total” consoante o caso e a patologia, e, por outro lado, menosprezar qualquer efeito secundário problemático que impeça o vulgar “tratamento”.
Perante este cenário, o meu sentimento é pessimista. E temo que dentro em breve a moda alastre e chegue a cada vez mais gente…
26.4.05
Hipótese académica
Talvez seja por isso que este país ainda não é um deserto...
25.4.05
22.4.05
21.4.05
Semelhanças entre o PC Português e a Igreja Católica
- Ambas as instituições têm adeptos renovadores e adeptos ortodoxos;
- Ambas as instituições vivem embrenhadas em movimentos de cisão e são fortemente criticadas por toda a gente que se julga no direito de as julgar;
- Ambas as instituições são acusadas de se fecharem na doutrina e na sua rigidez;
- Ambas as instituições são acusadas de não reconhecer os seus erros do passado;
- Ambas as instituições viram subir ao poder novos líderes conotados com a ala mais ortodoxa e radical;
- Ambas as instituições têm novos chefes tidos, numa primeira instância, como cinzentos e demasiado velhos para promoverem as mudanças necessárias e urgentes;
- Ambas as instituições são odiadas pelo Dr. Louçã e pela sua quadrilha circense;
- Ambas as instituições viviam, e vivem, com o célebre dilema: mudar e deixar de ser; ou não mudar e deixar morrer. No fundo, o ser ou não ser.
Em tudo isto uma única ideia que retiro de uma frase sublime de Mark Twain: “A notícia da minha morte é manifestamente exagerada”. Vão ver que sim. E vão ver que em ambos os casos.
Tempos sempre interessantes
19.4.05
Igreja a marcar passo
Após o pontificado longo e frutuoso de João Paulo II, a Igreja optou por escolher um conservador de 77 anos. Um homem que deverá assegurar uma liderança curta, sem grandes mudanças e com muito pouca abertura.
A escolha de Ratzinger significou o adiamento do debate que urge fazer no seio da Igreja. Sobre o celibato. Sobre a ordenação das mulheres. Sobre a melhor maneira de pôr em práctica algumas das directrizes do Vaticano II.
A escolha de Ratzinger foi uma pena!
Inquérito Policárpio
Preocupações
Eis algumas das questões que me preocupam (tal como a todos os ambientalistas), nos dias que correm.
Jardim a ponta de lança
Já 21% dos leitores da "Conspiração" acham que o ideal seria pôr os "malandros do futebol" a trabalhar, acabando com a "estória" dos eternos subsídios.
A favor do patrocínio público ao pontapé na bola, mas apostando num clube único estão 15% dos leitores. Mais apaixonados (presume-se), 12% dos votantes não querem nem ouvir falar na Madeira Futebol SAD futebolística. Outros 9% dizem que o clube único deveria chamar-se Marítimo, e equipar de verde e vermelho.
Curiosmente, 7% dos votantes queriam ver Alberto João Jardim com o número 9, a tentar fuzilar as balizas adversárias. E fazem depender a defesa do clube único da contratação do presidente.
Conclusivo, o bendito inquérito...
15.4.05
A entrevista de Sócrates
De tudo o que disse, há uma que não pode passar, é o seu plano económico. Para salvar Portugal José Sócrates continua a insistir infantilmente na historieta da inclusão nas empresas de 1000 licenciados em gestão. Quais empresas? As mercearias? As oficinas? As lojas de roupa? Ninguém sabe. Nem ele. Enquanto isso, têm fechado umas quantas.
O resto das medidas enunciadas, as quais têm tido exagerado ênfase na comunicação social, foram, quase todas, desenterradas dos governos de Cavaco Silva. Até vigorarem muito tempo vai passar. Sendo o PS aquilo que se é, o mais certo é passarem para outro governo. Coisas da política!
Fiquem lá com António Guterres
Quis agora o destino que um socialista integrasse uma lista restrita de oito nomes para a presidência do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados. E de quem se foram lembrar, justamente de António Guterres. Sinceramente, até acho muito bem que vá, e que não volte. Porque lá (não sei bem onde é) a nossa última desgraça política depois do 25 de Abril vai poder demonstrar ao mundo que para se chegar alto é preciso fazer pouco mais do que nada.
Como está bom de ver, os conflitos e as guerras em África, na Ásia e na América do Sul não vão cessar nas próximas décadas. Vamos vê-lo pois, se for eleito, no ponto mais elevado da sua inércia. Fiquem lá com ele. Para sempre.
Manobra "manhosa"
Era importante perceber qual o papel do Presidente da Assembleia nisto tudo. Das duas uma: ou não sabia de nada, o que é grave, ou sabia e "deixou andar", o que é ainda mais grave. O certo é que a Miguel Mendonça pede-se alguma isenção. E isento é que ele não tem sido!
Felizmente, diz a maioria, o povo não liga ao Parlamento. A atitude é preocupante.
14.4.05
Carta à TAP
Exm.º Sr. Presidente do Conselho de Administração
da TAP Portugal
Foi com agrado que recebi a vossa carta datada de Março de 2005, na qual me informavam que a TAP tinha aderido à rede Star Alliance, a maior aliança de companhias aéreas do mundo.
E foi também com agrado que passei a saber que agora teria “… mais oportunidades para acumular e utilizar milhas e para obter, mais rapidamente, um estatuto superior de membro, ao voar com 16 das mais prestigiadas companhias de aviação”.
Enfim, fiquei feliz! Deixara de ser passageira frequente Navigator e passara a ser passageira Victoria, um estatuto bem melhor. Adquirira mais benefícios. Tinha ficado a ganhar!
Mas, ao consultar o Guia´05, devo confessar que o meu entusiasmo arrefeceu de imediato.
Na verdade, ao observar o quadro “Milhas necessárias para um bilhete-prémio em voos TAP” verifiquei que, por residir na Madeira, tinha deixado de ser portuguesa. De facto, espantosamente, direi mesmo escandalosamente, as regiões da Madeira e Açores são excluídas de Portugal. E o pobre insular, convertido agora à condição de apátrida, passa a “pagar” mais 10.000 milhas do que um qualquer cidadão de Portugal para se deslocar para qualquer destino TAP.
Sou passageira frequente TAP há já alguns anos e tal discriminação nunca se tinha verificado. Os madeirenses e açorianos sempre foram considerados portugueses no que diz respeito às milhas necessárias para destinos TAP. Infelizmente, agora, constato que o Programa Victoria pretende inaugurar uma época de discriminação para os portugueses insulares.
Discordo! Protesto! Recuso esta inaceitável discriminação e a “perda da nacionalidade portuguesa”! E permita que diga a V. Ex.ª que esta medida discriminatória ofende o artigo 5.º (Território) e o n.º 2 do artigo 13.º (Princípio da igualdade) da Constituição da República Portuguesa.
Que venho exigir?
Apenas e tão só a reposição da situação anterior no que diz respeito às milhas necessárias para a obtenção de bilhetes-prémio, que sempre igualou um residente insular a um qualquer residente no território continental português. Apenas e tão só que a TAP e o seu Programa Victoria respeitem a minha condição de portuguesa e não me discriminem por ser uma ilhéu.
Atenciosamente,
Ana Maria Gonçalves de Jesus Ghira
TP 281 159 314
Residente na Região Autónoma da Madeira, Portuguesa.
O esquema
As afirmações valem o que valem e Petit, o jogador mais polido do Mundo, já pediu desculpa pela infelicidade, certamente imaginando algum processo sumaríssimo que o suspendesse por 10 minutos, por exemplo. Só que o mundo dá muitas voltas e agora parece que é o Estoril a receber uma motivação extra para facilitar o jogo que tem de jogar contra o Benfica uma vez que o mesmo, ao que consta, vai ser deslocado para esse inenarrável estádio do Algarve – uma das mais engenhosas ideias da personagem focada no post anterior – em vez de ser disputado no estádio da Amoreira, casa oficial do Estoril Praia.
A tramóia está bem montada. Tão bem montada que nem se pode chamar bem de batota. Esquema será talvez a denominação mais correcta.
Estou à espera que Petit, o jogador mais polido do Universo, discorra, obstinadamente, sobre esta motivação extra dada aos jogadores adversários que visa, obviamente, prejudicar o Benfica e beneficiar o Estoril.
A notícia
O Sr. Madaíl, personagem do nosso imaginário colectivo, veio com toda a pompa e circunstância anunciar que a sociedade Euro 2004 SA deu lucros na ordem dos 4 milhões de euros (mais coisa menos coisa) facto que o deixou, naturalmente, contente e satisfeito. O povo, de fraca memória, engole a patranha como é óbvio porque o futebol em Portugal é uma mistura de logro com ficção científica. Mas aprenda-se com a iniciativa e com a propaganda gratuita do Sr. Madaíl.
Perguntas inocentes para o Sr. Madaíl, indivíduo também conhecido por só aparecer nos bons momentos: como é que uma empresa que teve como principais funções vender ingressos para estádios novos e recrutar jovens em regime de voluntariado não haveria de dar lucro? Como é que uma empresa que praticamente só tinha receitas, excluindo como é óbvio os chorudos ordenados usufruídos pelo Sr. Madaíl e seus lacaios, não haveria de ser um sucesso? Só 4 milhões, Sr. Madaíl? Tanto bilhete vendido, e só 4 milhões, Sr. Madaíl?
13.4.05
Baixa as orelhas, Rui!
Parece mentira mas aconteceu.
A UEFA, através dos seus funcionários presentes no Estádio Olímpico de Munique, resolveu certificar-se de que o adjunto de José Mourinho não comunicava com o chefe de equipa durante o jogo Bayer - Chelsea, a contar para a segunda-mão dos quartos de final da Liga dos Campeões. Vai daí, no intervalo do desafio resolveu revistar o pobre do Martins, obrigando-o a tirar o gorro e a mostrar as orelhas.
Para quem acha que no futebol português acontecem coisas inacreditáveis, aqui fica a prova de que o rídiculo não tem fronteiras.
Já agora, ainda bem que Mourinho voltou a ganhar. Alegra-me que não tenha baixado as orelhas, pese embora a pressão inqualificável dos senhores do pontapé na bola.
11.4.05
Dialéctica Hegeliana Social-democrata
Antítese (negação): o PSD precisa de se refazer e de se refundar (para usar um termo na moda) e para isso precisa de enterrar e acabar com o poder do cavaquismo, dos seus barões e dos mitos ardilosamente alimentados e propagados. É preciso ainda promover maior participação interna dos seus militantes e operar uma verdadeira abertura à sociedade civil capaz de atrair sangue novo e ideias novas.
Síntese (negação da negação): Ontem, regressou em força o cavaquismo (!). Há qualquer coisa aqui que não bate certo.
Afinal, Parménides tinha razão: nada muda. Porque nada interessa mudar, acrescento eu.
Penitência
Como diria Job, "Até quando, Senhor, durará esta provação"?
O caminho de penitência
O caminho de penitência "laranja" começou. A Mendes seguir-se-á outro líder de transição. Depois aparecerá (numa noite de nevoeiro, presume-se que a fazer a rodagem do cavalo) António "Sebastião" Borges, o "Desejado". Um mito alimentado pelo grupo que julga mandar no partido por direito divino.
É assim a vida!
A propósito: ou estou muito mal informado, ou ainda não percebi que fim levou a moção apresentada pelo PSD-M. Reformulando: Alguém é capaz de me dizer quantos votos teve a "via madeirense"?
8.4.05
A justiça que temos
in Publico-on line (www.publico.pt)
Apesar de tudo isto, a multinacional Bayer foi absolvida no "caso Alfredo Pequito". É a justiça que temos...
7.4.05
Boa notícia
"Mar Adentro" será o primeiro filme em cartaz. A não perder.
5.4.05
António Borges
Marques Mendes
O PSD de Luís Marques Mendes representa um regresso ao passado sem sentido, com pouco esclarecimento, sem qualquer ruptura e com total conivência com o regime político vigente, onde o PS usará a seu bel-prazer a máquina do Estado para levar a água ao seu moinho. Mendes limitar-se-á a esperar que o poder lhe caia no colo (se antes não for corrido), enquanto luta abnegadamente para ganhar as eleições que se avizinham. O PSD que se prepare: a travessia pode ser longa. E dura.
Menezes
Menezes estará praticamente sozinho, totalmente despido de gente influente nas suas fileiras e com muito poucas hipóteses de sucesso. Tão cedo ninguém esquece a tragédia santanista e Menezes tem sobre si essa velada ameaça de representar uma espécie de ressurreição. Mas pelo menos vai à luta, apresenta moção, candidata-se e, espera-se, não desiste. Outros não podem dizer o mesmo.
A esta distância é duro antecipar o resultado que o espera, mas Menezes, é um combatente hábil que venderá, certamente, cara a derrota. Joga com o facto de não pertencer à classe política lisboeta o que é, simultaneamente, uma vantagem e uma desvantagem (é muito complicado penetrar em classes herméticas que se protegem e se reproduzem). Contudo podia ter evitado alguns exageros que denotam insegurança e pequenez de horizontes: dizer que vai ter uma mulher como secretária-geral e que vai dar o cargo de secretário-geral adjunto à JSD são propostas perfeitamente desenquadradas, que não têm qualquer sentido prático e que se podem revelar erros políticos graves explorados pelos seus adversários.
No PSD, parece-me óbvio, acontecerá como no PS na altura de Soares, Alegre e Sócrates: ganhará o candidato que mais rapidamente der garantias de um rápido retorno ao poder. E esse candidato, para os barões e seus derivados, não é Menezes. Já se percebeu isso.
4.4.05
Nobel para Cohen
Eu sou, confessadamente, fã da música e da poesia de Cohen. Mas daí até considerá-lo merecedor de um Nobel vai uma distância grande. Sobretudo porque a obra do canadiano sofreu sempre consideráveis oscilações qualitativas. Cohen é capaz de escrever extremamente bem. Mas também é capaz de produzir coisas sem interesse nenhum.
"Belos Vencidos", curiosamente um dos romances emblemáticos do músico e escritor, é disso bom exemplo. Quem consegue ler "aquilo" até ao fim - eu transpirei para o fazer - não acredita que o autor seja o mesmo tipo que escrevera "The Favorite Game", ou poemas (canções) como "Dress Rehearsal Rag", "Suzanne", entre muitos outros.
Sei que há quem compare "The Field Commander Cohen" a James Joyce, ou a Allen Ginsberg (esta segunda comparação parece-me não ter grande nexo...enfim) mas eu, francamente, creio que a obra do canadiano não será vasta, e uniforme (em termos de qualidade), para lhe valer o Nobel.
1.4.05
Os líderes transitórios do PSD
Marques Mendes, apesar da sua honradez e coerência, atingiu o “princípio de Peter” como porta-voz do Conselho de Ministros de Cavaco Silva. Luís Filipe Menezes é astuto, mas demasiado truculento e com nenhuma capacidade para gerar consensos, como é o exemplo “medieval” das guerras entre Porto e Gaia com que ninguém nada ganhou.
Para o PSD ganhar eleições vai restar o quem? Vai restar António Borges. Bem sei que os portugueses, do passado e de hoje, não vão com estrangeirados. Mas o homem, aqui e em qualquer parte do mundo, é bom no que faz. O resto é inveja. Portugal tem sobretudo um grande problema de gestão e de organização, não tem um problema de retórica. E António Borges tem um perfil, pelo menos, mais adequado do que Mendes e Menezes.
O PSD-Madeira, como penso, sabiamente não deu a cara por nenhum deles. E fez muito bem.
31.3.05
Ele escreveu como uma fera
(e às vezes ri-me dele, confesso. Da mania que ele tinha de passear em jantares intermináveis com uma mala cheia de livros dele. E com a Gilda.)
Tivemos boas conversas nas noites longas de uma cidade curta. Com a Gilda.
Sobre livros e sobre a sublime arte de escrever.
Sobre um bar na Zona Velha que não conheci mas que gostava de ter conhecido.
Sobre noites de tertúlia que acabavam em sacro-santas bebedeiras.
Sobre poesia e poetas madeirenses.
(sobre Herberto).
Sobre uma banda que nunca ouvi nas noites do Savoy.
Sobre um cónego mandado à merda.
Sobre a Gilda. E sobre o "meu filho Marco". E sobre a "minha filha Natacha".
Numa madrugada dedicada à poesia, num café do Café do Teatro que ainda não se assemelhava
a um supermercado, ouvi-o recitar um poema escrito pelo meu pai. Fê-lo bem. Com emoção.
Um dia, quis incluir-me numa corrente de poesia que ganhava vida no correio electrónico.
"Tens talento"
dizia o generoso José António Gonçalves, tentando convencer-me, com a Gilda ao lado.
Esqueceu-se da minha fobia às correntes. E de que ele próprio detestava correntes.
Escreveu como uma fera, o José António. Rápida e instintivamente. Como uma fera.
Sabem, meus caros, há notícias que nos batem como barrotes de madeira. Que nos derrubam e nos deixam pregados ao chão, olhos fechados a tentar recuperar o folêgo. Ou que são como putas. Que nos roubam a carteira e nos deixam sem saber para que lado é o norte. Há notícias que nunca deveriam ser dadas.
Gonçalo Nuno Santos


