Estes senhores (Cinematic Orchestra) são, de facto, muito bons. Muito, muito bons.
"Reúne sete ou oito sábios e tornar-se-ão outros tantos tolos, pois incapazes de chegar a acordo entre eles, discutem as coisas em vez de as fazerem" - António da Venafro
27.1.10
Man w/ the Movie Camera 2
Continuação da teoria anterior
Em Banguecoque, Oliver Stone decidiu continuar a alimentar a sua senda teórica sobre a morte de JFK.
Stone, que realizou esse inenarrável “JFK” sobre a morte do próprio Kennedy, diz mesmo que a versão oficial americana não passa de um “conto de fadas nacional” e que Lee Harvey Oswald não foi mais que um “bode expiatório” para resolver o problema.
Já sabemos que as teorias conspiratórias abundam por aí como cogumelos: desde o homem que não chegou à lua, passando por Roswell ou pelos frangos que não tinham cabeça da KFC, há devaneios para todos os gostos e fantasias para todos os feitios. A paranóia de Stone é a resolução do assassinato de JFK para que a estória não continue a ser o tal “conto de fadas” e Lee Harvey Oswald o tal eterno “bode expiatório”.
Para evitar ansiedades e ajudar a resolver o problema sem recurso a medicação, resta-nos pedir ao premiado realizador que contacte o Sr. Chávez da Venezuela, um prodígio na resolução deste tipo de enigmas. Vai rapidamente descobrir que a culpa é mesmo do mordomo, perdão, dos EUA, o que neste caso em particular só pode significar que tem toda a razão.
Uma teoria
De acordo com a teoria enunciada pelo presidente da Venezuela, o terramoto que devastou o Haiti foi causado por obra e graça dos EUA porque estes desenvolveram uma arma secreta capaz de provocar terramotos, cujo objectivo final – já que o Haiti foi apenas um primeiro teste – é atingir o Irão na mesma proporção. Se até agora, caro leitor, conseguiu ler isto sem se rir ou sem levantar as sobrancelhas você não passa de um crédulo sem remédio. Ou de um romântico incorrigível.
Nós, por cá, continuamos sem saber se tão complexa teoria é fruto de profunda e apurada introspecção ou se um simples desvio de atenções da anunciada e previsível catástrofe para onde caminha a sociedade e a economia idealizada pelo Sr. Chávez.
Na verdade, numa altura em que o dinheiro não abunda porque o petróleo perdeu força, nada como dramatizar o cenário e embelezar a comédia com os adversários do costume onde, claro está, os EUA surgem à cabeça como mentores e executores de tão maquiavélicos planos.
Não se espante assim, caro leitor, se a coisa por si só, implodir em pouco tempo, não por culpa do rumo socialista do Sr. Chávez, mas por culpa de uma qualquer arma americana que racionaliza os alimentos e a electricidade, fecha canais de televisão incómodos e nacionaliza a propriedade privada não alinhada com o desvario permanente.
Se entretanto, a novela acabar com toda a gente metida em coletes de força, também não se apoquente: a culpa só pode ser, e uma vez mais, dos EUA.
26.1.10
Políticos, empresários e jornalistas, ou o pior que existe na sociedade portuguesa
Lembram-se de ver, há uns anos a subserviência, dos ditos jornalistas, relativamente a Jardim Gonçalves, Oliveira e Costa, ou João Rendeiro, que eram apresentados quase como vedetas? "Self-made men, empreendedores, competentes, profissionais", era a ideia que nos vendiam. Por isso, justificavam-se os milhões com que estes senhores eram agraciados nas suas empresas Mais, lembro-me mesmo que alguns opinion-makers referiam que era fundamental atrair esta gente para a causa pública, apontando a necessidade de alterar a lei, de forma a permitir pagar os chorudos ordenados que auferiam no sector privado.
Ora, pensava eu que a crise serviria para, pelo menos, mostrar que estas sumidades da gestão, afinal poderiam não passar de sumiços. Triste engano: Fátima Campos Ferreira, José Gomes Ferreira e outros quejandos continuam a querer impingir-nos estes gestores do sector privado, apontando-os como salvação messiânica para Portugal. E é vê-los babarem-se para cima dos gestores, que na sua magnanimidade, alvitram as soluções para o país. A culpa do desastre que provocaram nas empresas que lideravam, como é bom de ver, é da crise (que parece não ter qualquer responsável).
Mas, agora, não são apenas os bancários: o jornalismo (?) económico, num acto inconfundível de democratização, alargou o seu leque e qualquer empresário medianamente bem sucedido é um potencial ministro das Finanças e Economia, apontado como o supra-sumo da gestão, com soluções milagrosas. E os senhores, claro está, não se fazem rogados a uns minutinhos de publicidade gratuita e é vê-los pulular de programa em programa, indicando soluções, sugerindo medidas, aconselhando políticas.
Por outro lado, também não consigo evitar um riso sarcástico quando vejo estes mesmos jornalistas opinarem sobre orçamentos e finanças públicas.
Ah, que a oposição tem de ser responsável (para com quem?); que são necessários sacrifícios, que os sindicatos têm de ficar calados; que os funcionários públicos, esses malandros, já foram muito beneficiados e o pobre português não pode continuar a sustentar esses velhacos; que as comparticipações sociais têm de diminuir, que os impostos têm de aumentar. Ou seja, teremos todos de comer e calar, na opinião desta gente. Confiar num governo que não elegemos e que não é digno da nossa confiança é que é, na opinião, destes anormais, a receita para o sucesso.
E nisto, estão com os seus ídolos, os tais gestores, que também apontam como soluções para a crise: a diminuição dos ordenados, a flexibilização dos horários de trabalho, a diminuição dos encargos sociais, a privatização dos serviços públicos. Em compensação, pedem menos impostos para as empresas, maiores apoios para os seus investimentos, comparticipação do Estado nas suas dívidas. Como corolário, exigem que os maiores partidos se acertem para garantir este bloco de(os seus) interesses.
Ora, são estas as elites que temos: políticos sabujos; uma classe jornalística acrítica, bajuladora e incapaz de assumir o seu papel escrutinador da vida pública seja ela política ou económica; um tecido empresarial arrivista e ganancioso.
E se uns (políticos) não são bons, a verdade é que os outros (poder económico e jornalismo) não são melhores. E uma vez que é isto que temos, começo a pensar que é isto que merecemos. No fim, estaremos todos bem uns para os outros.
Uma contribuição dispensável
As transferências para as regiões representam 0,2% do OE, por isso a posição de força de Sócrates só pode ser justificada com argumentos políticos e não orçamentais. Colá-la ao orçamento não deixa de ser uma estratégia que visa retirar o tal "peso político" ao debate. Mas a verdade é que, objectivamente, por motivos de política partidária, o Governo da Republica está a prejudicar uma parcela do território nacional, contribuindo, através de declarações mal medidas, de uma agressividade sem precedentes, para dar argumentos a uma minoria de madeirenses que advoga a separação definitiva entre a Madeira e o Estado português, "contribuição" perfeitamente dispensável.
25.1.10
Moção de confiança? Ora, que venha, a ver o que dá!
Por mim e porque não consigo conceber a ideia de negociar com trafulhas e revanchistas, deixava que o fizessem. E se o governo caísse, olha, não se perdia grande coisa.
O receio das oposições é que o PS pudesse usar de uma estratégia de vitimização para aumentar o número de deputados.
Sinceramente, tenho dúvidas: dificilmente algum português aceitaria que 111 milhões poriam em causa a boa governabilidade do país, quando já atirámos com mais de 4200 milhões de Euros para a fogueira do BPN. Mais, com tanto caso e casinho onde o homem está metido, já são poucos os portugueses que acreditam que Sócrates faz da solução para Portugal. É que já lhe vamos conhecendo todos os tiques. O que reforça a minha ideia de que a estratégia de vitimização poderia não passar.
Ó Jacinto, dali não vêm bons ventos. E casamentos não serão para ti!...
Defender a LFR, ainda para mais num momento de incerteza como este em que vivemos, é uma trapalhada que só mesmo Jacinto conseguiria engendrar.
E quando pensávamos que, em tão curto espaço de tempo, Jacinto não conseguiria parir nova idiotice, vai de afrontar o presidente do Partido Socialista, apenas porque Almeida Santos aconselhou o PS/Madeira a reconhecer a obra de Alberto João Jardim.
A verdade é que os decanos do PS, como Almeida Santos e Jaime Gama, bem tentam mostrar que a estratégia para o PS/Madeira combater Jardim não pode passar pela cegueira política com que os socialistas madeirenses nos brindam há décadas, mas não me parece que haja remédio*. Estão condenados à estapafúrdia estratégia de não reconhecer o óbvio. E enquanto assim for, não há alternativa.
* Pergunto-me se Serrão é leitor da blogosfera socialista madeirense. É que parece. E o pior é que ninguém lhe disse que daqueles lados nunca vêm bons conselhos. Pelo menos no que ao Jacinto diz respeito!
Jobim
Man Man
- Isto é bom, Man!
- Pois é, Man...
Man Man, ao vosso dispor. Com os hábitos do coelho (tradução literal para Rabbit Habits, como qualquer leigo pode constatar).
24.1.10
Não desista, Dr. Constâncio

E depois de uma quase certa eleição para vice-presidente do BCE, eis que o Dr. Vítor Constâncio se vê agora em situação aflitiva e aparentemente empatado com um rival inesperado. A trapalhada é tanta, que ficou mesmo decidido adiar em um mês a escolha de um novo vice-presidente para que todos os problemas jurídicos (!?) sejam devidamente esclarecidos pelos responsáveis pela eleição.
Não sei se uma análise mais cuidadosa ao currículo do Dr. Constâncio, que inclui contorcionismos variados e cegueiras momentâneas, terá feito com que alguns ministros recuassem nas suas intenções de voto. Mas uma coisa é certa: é necessário que este imbróglio se resolva rápida e urgentemente. E isto por um único e singelo motivo: se o Dr. Constâncio não for, não será um azar dele. Será mesmo um incrível azar nosso.
Uma condecoração
O Dr. Santana Lopes foi recentemente condecorado pelo PR em virtude do trabalho realizado pelo país. Claro está, que logo o mundo se ergueu contra tão vil reconhecimento porque o Dr. Santana não passa de um político medíocre que foi, no dizer dos entendidos, o pior primeiro-ministro de Portugal em 35 anos de democracia.
Lamento que seis meses de mandato sirvam para tudo, até para o ridículo costumeiro vindo nas vozes e nas palavras dos que simplesmente odeiam o Dr. Santana, mais por inveja, julgo eu, do que por outro motivo qualquer.
O Dr. Santana não foi feliz no seu mandato porque, como todos muito bem se recordam, houve contingências estranhas e uma campanha política indecente orquestrada por pessoal importante que o colocou na rua em nome de interesses dúbios e de justificações pouco transparentes. É por isso que ainda hoje sinto que ele foi uma marioneta nas mãos de gente poderosa que, com indecorosa conivência, decidiu mudar radicalmente o tabuleiro político português.
Sou, talvez, dos poucos que ainda reconhece ao Dr. Santana valor político e uma série de qualidades: é um político autêntico que mostra sempre o que é, que nunca se esconde de nada e que luta abnegadamente pelas coisas em que acredita. Se notarem bem, tudo isto são pormenores em vias de extinção pública e política, num momento em que na nossa sociedade há uma especial apetência pelo plástico imaculado da aparência.
No deve e no haver, o respeito pelo Dr. Santana devia ser, no mínimo, uma obrigação. Mas de um país de ingratos, não se deve esperar grande coisa. Nem sequer um mínimo de decência ou um mínimo de consideração.
Um congresso
Pelo que vi no telejornal da RTP-Madeira de hoje, o congresso do PS-Madeira esteve ao rubro neste seu primeiro dia.
Mas se pensa, caro leitor, que a discussão aconteceu por causa do futuro da Madeira, de uma estratégia que una os socialistas ou da Lei das Finanças Regionais, enganou-se redondamente. O motivo de tão acesa discussão foi mesmo uma suposta fraude eleitoral qualquer, que aconteceu numa suposta secção qualquer e que envolveu um suposto militante qualquer. Foi, digamos, muito educativo e muito edificante. Talvez mesmo muito promissor.
20.1.10
Avatar
No cinema, Avatar provoca furor. Toda a gente fala do filme e Cameron, um cineasta menor, é elevado aos píncaros ao inaugurar, ao que dizem, uma nova era cinematográfica.
Lamento discordar da maioria que ama e idolatra Cameron.
Se por um lado, o filme conta com um efeito tridimensional interessante, por um outro, o filme é um argumento muito pobrezinho e moralmente deprimente, sem qualquer meada por onde se pegue e que convém, desde logo, não ser levado a sério.
No fundo, a historiazinha de Cameron não é mais que uma tentativa fútil de apontar o dedo à civilização ocidental e ao seu estilo de vida aparentemente predador que ele, Cameron, condena e abomina, mas onde, curiosamente, muito bem sobrevive.
A qualidade argumentativa, inexistente, em Cameron fica assim, e uma vez mais, bem patente. Entre o amor da burguesa e o rústico (ao som da Céline Dion, a rebentar com os meus tímpanos) ou um qualquer regresso à época das cavernas (onde ele acha que seríamos todos mais felizes), o Sr. Cameron só prova que pode ser muito bom nos efeitos especiais e nas megas produções, mas que não percebe patavina da vida e do mundo em que vive. Daí o delírio permanente. Contagiante, por sinal.
Um candidato
Agora, anunciou uma nova candidatura presidencial que, embora ainda muito longe, já colocou o jornalismo do costume em entusiástica apoteose. Pelo que nos é dado entender, o Dr. Alegre é uma espécie de salvador da pátria, que vai vencer a crise e devolver a esperança aos portugueses, colocando-nos no caminho da salvação terrena e, quem sabe, numa nova era da esquerda moderna onde tudo, com tempo e jeito, se resolve.
São-me absolutamente indiferentes as ideias e as manias do Dr. Alegre e dos seus convivas de ocasião. Ainda assim, convém avisar a criatura que, se depois de mais de 30 anos como deputado nunca fez parte da solução, deve ser então, e de certeza absoluta, parte do problema. E que a tristeza deste pobre país, que ele novamente se propõe representar, também se vê pelos putativos candidatos que recorrentemente se apresentam a eleições: seja porque julgam poder vencê-las, seja porque adoram jantaradas regadas com poemas e gritos de revolução. Que a coisa aconteça sempre de cinco em cinco anos, é pormenor de pouca monta porque, bem no âmago do Dr. Alegre, e na verdade, não há qualquer utilidade no tempo presente: ele, ou sonha com um passado que não volta, ou quer um futuro que não existe.
Bat For Lashes
Uma das mais originais compositoras que os últimos anos nos apresentaram.
Pouco conhecida do grande público português, a menina Natasha Kahn, nome de baptismo de Bat For Lashes, foi indicada, em 2008, para os Brit Award nas categorias de revelação e de melhor artista feminina, mas não ganhou nenhum dos prémios.
Em 2009 editou o segundo álbum, Two Suns. O primeiro, de onde foi tirado este Horse and I, aparecera no mercado em 2006, sob o nome de Fun and Gold.
Aconselho a audição. A sério, faz bem à saúde
Santo António casamenteiro dos homossexuais???
Argumentam que a iniciativa é promovida por uma instituição pública (Câmara Municipal de Lisboa) e que por isso os casamentos entre pessoas do mesmo sexo não deveriam ser discriminados (veremos o tempo que esta gente levará a gritar a discriminação, que garantiam não haver, quanto à questão da adopção).
Posso estar enganado mas tendo em consideração que Santo António (não o António, mas o Santo) é património da Igreja (assim, sem aspas), e que a Igreja não sacramenta os casamentos entre pessoas do mesmo sexo, parece-me evidente que esta exigência é uma ingerência absurda nos rituais da Igreja (recorde-se que o Casamento é um dos sete Sacramentos).
Aliás, é até idiota que pretendam exigir igualdade naquilo que outrora garantiam ser diferente (casamento e matrimónio) e demonstra bem que o que estas associaçõezinhas de vão de escada pretendem é hostilizar a Igreja e os Católicos.
Como também demonstra que muitos dos auto-denominados activistas das causas gay pretendem é andar na esfera mediática, promovendo sabe-se lá que outros interesses.
Com tudo isto, daqui a nada, não há quem possa aturar mais tontices destas grupelhos (o que não é o meu caso, que nunca os suportei). O que, paradoxalmente, até é positivo.
PS - Mas olha que havia de ser giro, os Casamentos de Santo António transformados uma parada gay…
Uns desiludem outros não contam para nada
Já o PS-M, entretido em mais uma luta interna, da qual parece ter saído vencedor, mais uma vez, o "Grupo do Éden" (há quem qualifique como "bloco central"), representado por Jacinto Serrão - eu continuo a dizer que foi um dos mais fracos líderes de sempre do PS-M, mas enfim - tem pouco ou nada para dizer neste momento.
Se o CDS-PP, a confirmar-se o cenário, arrisca-se a desiludir, e muito, os milhares de madeirenses que nas últimas eleições nacionais contribuiram para um excelente resultado eleitoral, podendo vir a pagar um preço muito alto, do PS-M não se espera rigorosamente nada de útil (ou inútil). Simplesmente não conta. O que é pena.
19.1.10
Quem tem razão?
Assumindo aquilo que até agora ninguém tivera coragem de assumir entre os "centristas", ou seja, que a alteração à LFR não é relevante para o CDS, CRistas garantiu que, ao contrário daquilo que seria expectável, a LFR não iria ser levada à mesa de negociações no encontro que decorre neste momento entre Sócrates e os "centristas".
Em que ficamos? Quem está mal informado, Assunção Cristas (que por acaso participará no encontro desta tarde com José Sócrates) ou o vice-presidente da bancada parlamentar do CDS-PP na Assembleia da Republica, José Manuel Rodrigues?
A posição da deputada deixou visivelmente incomodada a estrutura local do CDS-PP. Lino Abreu foi rápido a reagir, mas estará ele informado sobre o que vai na alma dos dirigentes nacionais?
Terá Guilherme Silva razão? Quer parecer-me que sim...
E agora, José? Eu cá vou esperar pelo jornal das 8...
18.1.10
Florence and The Machine - Drumming Song
Florence and The Machine, uma das bandas revelação em 2009. Embora não seja muito o meu género, se calhar vale a pena seguir a menina Florence e os seus amigos. Digo eu...
A ouvir em 2010
17.1.10
Cotidiano nº2
E abro o meu Neruda e apago o sol
Misturo poesia com cachaça
E acabo discutindo futebol
Mas não tem nada, não tenho meu violão
Acordo de manhã, pão com manteiga
E muito, muito sangue no jornal
Aí a criançada toda chega
E eu chego achar Herodes natural
Depois faço a loteca com a patroa
Quem sabe o nosso dia vai chegar
E rio, porque rico ri à toa
Também não custa nada imaginar
Aos sábados em casa tomo um porre
E sonho soluções fenomenais
Mas quando o sono vem e a noite morre
O dia conta histórias sempre iguais
Às vezes quero crer mas não consigo
É tudo uma total insensatez
Aí pergunto a Deus: escute, amigo
Se foi prá desfazer porque é que fez
Toquinho
Kings and Belle
15.1.10
Casamento entre pessoas do mesmo sexo ou a natureza das coisas
Vamos aos motivos intelectuais: não vi um único argumento válido e inteligente para a defesa do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Papagueiam o fim de uma alegada discriminação, mas não há argumentação dedutiva. Vi serem atiradas frases feitas que tanto serve para isto como para o seu contrário. Meros “soundbites”.
E não vi argumentação porque ela não existe.
O casamento entre pessoas do mesmo sexo é, na generalidade, uma aberração nascida da birrinha de uma esquerda bem-pensante, mas que, paradoxalmente, pensa pouco e com muito pouca profundidade acerca das coisas. Limita-se a ficar à superfície, na aparência, no que é fácil e imediato.
E nesta aparência muitos ficaram presos. Só assim faz algum sentido, na minha cabeça, que pessoas que prezo, admiro e reconheço intelectualmente se tenham enredado nesta questão. Admito que muitos dos defensores dos casamentos entre pessoas do mesmo sexo o façam porque acreditam estar a combater uma discriminação. Mas a verdade é que não se baseiam em argumentos, mas na emotividade circunstancial (imutável é que uma relação natural e normal seja entre pessoas de sexo diferente).
Já Napoleão o tinha dito: “eu tenho um amo implacável: a natureza das coisas”. E pode-se arranjar os "soundbites" que se quiser mas a natureza do casamento é a unidade entre um homem e uma mulher, porque a natureza do casamento é a constituição de uma sociedade primordial que garanta a subsistência da espécie humana. Não somos heterossexuais por capricho: somo-lo por uma questão de sobrevivência! Esta é a natureza das coisas.
Por outro lado, esta vertigem progressiva, que impõe a relatividade moral como o absoluto na organização social, está a criar uma sociedade e, em última análise, uma civilização que eu não quero deixar como legado à minha descendência. Prezo demasiado o seu futuro para não me preocupar.
Hoje, para um determinado grupo da esquerda libertária, a liberdade e a tolerância são valores absolutos e sobrepõem-se a todos os outros (ainda que, a exemplo do mestre Bakunin, demonstrem tolerância apenas para com aqueles que pensam da mesma forma e muito pouca com os demais).
Ora, para mim, existem muitos outros valores que se equiparam e, mesmo, que os superam.
Aos que defendem a liberdade absoluta, para que o indivíduo frua a vida em toda a sua plenitude (não é isto que defendem?), eu oponho a racionalidade colectiva.
Este individualismo (não mistifiquemos. Em rigor, dizer-se que não nos queremos meter na cama dos outros – como se os que se opõem aos casamento entre pessoas do mesmo sexo pretendessem imiscuir-se na esfera privada – revela um individualismo absoluto e denuncia algo bem menos positivo: significa que o indivíduo suporta cada vez menos o Outro) já havia sido denunciado por Lipovetsky ou Camps, que demonstraram o quanto fragiliza não apenas a sociedade e a civilização, mas em última análise o próprio indivíduo.
Porque a verdade é a sociedade cool que defende estas causas ditas fracturantes (representada em Portugal pelo BE e muitos outros que pululam por outros partidos) esquece que elas (as causas) resultam de um excesso de consumo, entendido como veículo para a felicidade (a liberdade sexual levou ao excesso, transformando a sexualidade em mais um produto de consumo).
A raiz desta forma de estar no mundo é exactamente a mesma que fez nascer o individualismo hedonista que, por sua vez, leva à indiferença colectiva perante a sociedade e valores civilizacionais.
O mundo que preconizam, onde tudo o que pareça constante, imutável, tem de desaparecer, dominado pelo pragmatismo da acção e por muitos clichés, leva à superficialidade, a futilidade e à trivialidade e, em última análise, à anarquia ética.
Tudo é permitido, sem qualquer critério sólido de conduta e, como bem dizia Rojas, toda a moralidade converte-se numa ética de "regras de urbanidade ou numa mera atitude estética".
Ora, permitam-se que eu recuse um mundo assim. Eu não quero um mundo sem valores! E por isso sou, radicalmente entre pessoas do mesmo sexo.
13.1.10
Barómetro da Qualidade da Democracia
12.1.10
Let Your Mom Be Proud listening John & Jehn
11.1.10
Derrota azeda
Enganei-me em toda a linha.
O poder do Victor parece estar a desvanecer-se e essa é uma realidade inegável. Não sei a que se deve, mas calculo que o seu progressivo afastamento das bases e consequente aproximação às elites tenha alguma coisa a ver. A falta de solidariedade manifestada para com a actual direcção, a própria “guerrilha interna”, conforme apodou João Carlos Gouveia (no seu estilo “bipolar”, conforme já o apelidaram alguns dos seus camaradas –os mesmos que se indignaram quando o PSD pediu um exame psiquiátrico ao ex-líder do PS/M), também terá contribuído. Porque a verdade é que em Roma, apenas o Senado é que gosta de pagar traidores.
Mas, ao que parece, não fui o único a ser surpreendido. O azedume que grassa pela blogosfera de esquerda madeirense é bem prova disso. E não falo apenas dos apoiantes de Victor Freitas. Falo de toda a restante blogosfera esquerdista, que tem encarado esta derrota com muita agrura.
Não percebo a razão para tanta azia, nem que milagres esperavam de Victor Freitas, mas enfim…
Resta-me parabenizar Jacinto Serrão e os seus apoiantes pela vitória (muito especialmente o Rui Caetano e o Duarte Gouveia) e desejar muitos sucessos na liderança da oposição.
Conforme já disse inúmeras vezes, se a qualidade da democracia na Madeira não é a melhor, a oposição - e muito concretamente o PS/M - tem também a sua quota de responsabilidade, porque nunca se soube constituir como alternativa. E é por isso que a Madeira precisa de uma oposição decente!
10.1.10
Imaginário de Domingo
Acordou...
Não foi o barulho da chuva fina que lá fora ia teimosamente regando o jardim... Nem foi o despertador cujo mostrador, como todos os fins-de-semana, fizera questão de virar ostensivamente para a parede... Nem sequer foi um sonho bom ou mau, ou mesmo indiferente, nem frio, calor, fome ou sede...
Acordou...
Simplesmente.
Aos pé da cama, o gato enrolado abriu os olhos para os fechar logo de seguida.
Com o braço estendido, num lento e largo movimento, afastou as cobertas.
Sentou-se, abriu os braços e, num longo bocejo, espreguiçou-se.
Levantou-se e dirigiu-se à cozinha, descalça, contrariando um dos eternos conselhos da mãe. Vagarosamente. Quase cambaleante, afastando o cabelo da cara com a mão direita enquanto, com as costas da mão esquerda, limpava o sono dos olhos.
Adivinhando o pequeno-almoço o gato levantou-se de um salto e seguiu-a, enrolando-se dengosamente nas pernas das calças do pijama de flanela. Interesseirão, pensou e sorriu enquanto servia o Bowie. No dia em que chegara, um amigo comparou-o ao cantor por ter um olho de cada côr, riram e o nome pegou.
Café, preciso de café, disse e sorriu novamente ao aperceber-se de que estava a falar sozinha.
Aqueceu um resto de “chafé” da véspera no micro-ondas, pegou na caneca e foi sentar-se no sofá.
Olhou para o telefone em cima da mesa e decidiu ligar-lhe. Sempre fora mais adepta das mensagens escritas, mas ele insistia que gostava de ouvir a voz dela e ela, secretamente, gostava de que ele gostasse.
Bom-diaaa... disse arrastadamente com a voz ainda suja do sono, Já acordei... E foram falando mais um pouco, sem dizer nada, como aliás convém àquela hora.
Quando desligaram, ele ficou a olhar para o telefone por alguns instantes e sorriu. Gostava dela. Gostava da voz dela. E gostava da voz dela ao acordar, um pouco rouca e ainda mais melosa do que o costume. Sorriu de novo ao imaginá-la no pijama com gatinhos, cabelo em desalinho, descalça (contrariando um dos eternos conselhos da mãe), sentada no sofá, braço esquerdo à volta dos joelhos encostados ao peito, caneca de café morno pendurada na mão direita e aquele olhar verdejante perdido no mar de inverno para lá da janela. Bela... Dona daquela beleza que só quando se conhece e se ama se consegue ver... Bela como só ele sabia...
Imaginou-se a abraçá-la... Sorriu, com aquele sorriso sorridente, que os amantes conseguem sorrir e que os outros acham ligeiramente, enfim... parvo.
E sorriu assim, parvamente, o resto do dia...
9.1.10
Chamem-me de homófobo...*
* Dá-me igual ao litro.
8.1.10
Esta noite vou dormir num país mais livre!
Depois de um incontável número de debates, propostas, avanços, recuos, propostas de debate, propostas de debate de propostas, avanços-recuantes, recuos avançados, adiamentos, recusas, chumbos e quejandos, a Assembleia da República aprovou ("Finalmente!" como se ouvirá por certo no Príncipe Real), na generalidade, a lei que consagrará o direito ao Casamento (assim mesmo, com maiúscula!) entre pessoas do mesmo sexo.
Peca por ser demasiado apressada e arrojada, dirão alguns...
Peca por ser tardia e acanhada dizem(os) outros...
O que é um facto (sim, com "c", apesar do acordo...) é que o Estado dá claros sinais de que queremos construir, pelo menos oficialmente, um País em que a discriminação baseada na orientação sexual não cabe e não faz, racionalmente, sentido.
O PPD e o CDS já fizeram constar que contam com o Sr. Presidente da República para travar a lei, seja pelo pedido de fiscalização ao Tribunal Constitucional, seja simplesmente pelo veto puro e duro... Dizem até que se o PR não pedir a fiscalização, tomarão eles a iniciativa... Até era capaz de não ser mau, porque, convenhamos, teria alguma piada que o TC decidisse pela inconstitucionalidade daquele resquício discriminatório que veda aos Casais (assim mesmo, com maiúscula!) alguns direitos parentais e a eligibilidade para adoptar, criar e educar criancinhas...
A história não ficará, certamente, por aqui...
A poucos minutos da meia-noite não quis deixar de assinalar o que me parece ser um dia em que demos mais um passo em direcção a mais liberdade, mais direitos mas também mais deveres para mais alguns Cidadãos de Portugal.
Esta noite vamos dormir num país mais livre...
E amanhã vou continuar a querer acordar num país cada vez mais livre!
6.1.10
Leo Ferre - Les Anarchistes
Uma das canções que marcou a obra, marcadamente política, de Léo Ferré. Les Anarchistes.
A letra:
Y'en a pas un sur cent et pourtant ils existent
La plupart Espagnols allez savoir pourquoi
Faut croire qu'en Espagne on ne les comprend pas
Les anarchistesIls ont tout ramassé
Des beignes et des pavésIls ont gueulé si fort
Qu'ils peuv'nt gueuler encoreIls ont le cœur devant
Et leurs rêves au mitan
Et puis l'âme toute rongée
Par des foutues idées
Y'en a pas un sur cent et pourtant ils existent
La plupart fils de rien ou bien fils de si peu
Qu'on ne les voit jamais que lorsqu'on a peur d'eux
Les anarchistesIls sont morts cent dix fois
Pour que dalle et pour quoi?
Avec l'amour au poing
Sur la table ou sur rien
Avec l'air entêté
Qui fait le sang verséIls ont frappé si fort
Qu'ils peuvent frapper encore
Y'en a pas un sur cent et pourtant ils existent
Et s'il faut commencer par les coups d'pied au cul
Faudrait pas oublier qu'ça descend dans la rue
Les anarchistesIls ont un drapeau noir
En berne sur l'Espoir
Et la mélancolie
Pour traîner dans la vie
Des couteaux pour trancher
Le pain de l'Amitié
Et des armes rouillées
Pour ne pas oublier
Qu'y'en a pas un sur cent et pourtant ils existent
Et qu'ils se tiennent bien le bras dessus bras dessous
Joyeux, et c'est pour ça qu'ils sont toujours debout
Les anarchistes
la révolte - chant d'anarchiste
Uma canção anarquista (ou libertária) francesa. interpretada pela banda "4 Barbus".
5.1.10
Casamentos de primeira e segunda
Só que a utilização do termo casamento pressupõe um problema grave:
- a estratégia do Governo, que passa por incluir no Código Civil um artigo que veda a adopção por casais homossexuais poderá estar ferida de inconstitucionalidade, pois cria casamentos de primeira e de segunda categorias;
E que tal chamar outra coisa qualquer?
28.12.09
26.12.09
Publicidade
O cónego Martins, ex-padre da Sé, criticou as empresas e os particulares que, no Natal - e apenas nesta altura do ano, fazem caridade. Pior, é expor o acto na comunicação social.
Foi na missa das 10 horas, deste sábado, em Machico.
O Cónego explicou que a solidariedade, não deve “ferir a dignidade” de quem precisa de ajuda. A pobreza, ou os pobres, são uma coisa muito “séria”, referiu o sacerdote.
Identifico-me com a ideia. O cónego não referiu nomes, mas recordo-me de duas instituições: - da RTP-Madeira e da Juventude Popular (JP). As duas foram notícia porque entregaram donativos. A RTP-Madeira aos sem abrigo e a JP ao Centro da Mãe.
Infelizmente, o que o cónego Martins diz na missa já não é notícia. Está distante dos holofotes dos média.
23.12.09
Não é mesma coisa
O pinheiro foi substituído por um objecto artificial. Não cheira, não cai ramos no chão….não é a mesma coisa.
Era eu o caçador de pinheiros. Cheguei a sair de manhã de casa e só regressei ao fim do dia. Não era uma tarefa fácil, encontrar um pinheiro decente para o pai natal. Não tinha consciência, mas acredito que era uma espécie de, Robin dos Bosques.
Ia com os meus vizinhos. Recordo-me de fazermos quilómetros e quilómetros, no meio de acácias, quando o que nós queríamos eram pinheiros; rasgar silvado, feiteira, à procura da árvore ideal. Aconteceu várias vezes, estarmos num monte e avistarmos no vale oposto um pinhal. Corríamos para lá, quando chegávamos eram pinheiros com mais 8 10, 15 e 20 metros de altura. Nem um pinheirinho para o pai natal. Passávamos horas e horas nisto.
Depois, deixei de ter “tempo” e ia ao Santo da Serra buscar um pinheiro. Mais tarde, já existiam pinheiros à venda em todo o lado, até que alguém comprou um pinheiro de plástico para casa…..
22.12.09
Nota 10
Sábado, após me ter atirado de uma escada, para não cair no chão como um boneco da banda desenhada, foi obrigado a ir à urgência do Hospital. A minha entrada aconteceu às 19:10 m. Às 21:40m já tinha sido observado por um médico; já me tinham realizado 3 raio-x ao pé esquerdo; a enfermeira enrolado uma compressa….e um funcionário até me ofereceu uma luva branca (a mão direita) com gelo, para colocar na “ferida”, enquanto aguardava boleia para regressar ao local do “crime”.
Quando cheguei foi tratado como um verdadeiro doente. Um funcionário, ao ver a minha dificuldade em andar, ofereceu-me uma cadeira de rodas. Até gosto de carrinhos e rodas, mas causou-me algum desconforto ter que me sentar naquela cadeira.
Só percebi que estava no objecto certo, quando foi encaminhado para a Ortopedia. Lá, encontrei mais doentes de cadeiras de rodas. Àquela hora eram poucos. Talvez dez. A maioria tinha um braço pendurado ao pescoço. Olhei-os a todos. Eles olharam-me e assim ficamos durante alguns minutos. O nosso silêncio apenas foi interrompido pela minha prima. Queria saber como eu estava. Foi a minha irmã que lhe deu a notícia. Passados alguns minutos, a minha prima regressa com um saco de gelo para eu colocar no pé. Ela é enfermeira, e vejam a minha sorte. Estava a trabalhar na urgência.
Voltei a olhar para as outras pessoas. Sorri-lhes. Até que uma senhora desabafa, com qualquer coisa do género: já estou cansada de estar aqui. Curioso, aproveitei para entrevistá-la. Fiquei a saber que nem era a doente. Ao lado estava uma senhora mais velha, mas com o mesmo ar cansado no rosto, a olhar para o vazio do corredor. Já estavam há 4 horas à espera que uma ambulância para regressarem à Madalena do Mar. Entraram no hospital por volta das 13 horas. Às 17 já tinham sido prestados todos os cuidados de saúde, mas ficaram retidas no hospital. Um táxi custa entre 50 a 60 euros.
A minha deambulação pelo sistema regional de saúde não termina aqui.
Na segunda-feira fui ao Centro de saúde, da minha área de residência, para o obter uma baixa. Disseram-me para voltar, terça-feira, de manhã, antes das 9:30 m. Levantei-me cedo e consegui consulta num médico de recurso, passavam poucos minutos das 11 horas.
Poderia ter ido ao privado, mas considero um crime pagar 50 euros para obter um papel.
No Centro foi atendido por uma enfermeira, que me encaminhou para um colega especializado em ortopedia, que me observou o pé, e fez algumas recomendações.
A todos, obrigado e um BOM NATAL.
Nota: o pé não está partido, nem rachado. Apenas ficou maltratado da queda. Há muitos anos que não fazia o salto em altura. Especialmente, de cima para baixo.
20.12.09
Qual fé?
É esta a fé dos homens na Europa. Uma fé agnóstica.
Os movimentos maçons conquistaram terreno. Infiltraram-se em todos os sectores da sociedade. Especialmente, na área económica e financeira dos Estados. Nunca como agora, tiveram sucesso, os livros que falam do “anti-cristo”. Quem não leu “O Código Da Vinci” e todos os descendentes desta linhagem literária?
Quem já não procurou, ou ainda procura encontrar a paz, a serenidade, ou uma cura para os males da vida, na Nova Era - New Age. Não me refiro à música, (os Enigma, por exemplo) mas a um estilo de vida moderno – como a prática do reiki, do yoga, a homeopatia, a consulta dos horóscopos, a frequência de centros espíritas e de outras "filosofias", para espantar os males da alma?
É este o nosso mundo.
É esta a nossa fé. Não a minha fé. Sou católico. Não sou praticante. A religião não é um desporto. É um acto de amor. O amor não se pratica. O amor sente-se. Manifesta-se no mais íntimo de cada um.
A campanha da PETA. Mais uma do género, revela que a organização não olha a meios para atingir fins





